As as eleições de 2024 a ministra Cármen Lúcia estará à frente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), teremos então, uma mulher conduzindo as eleições, uma mulher que acredita que é possível garantir um ambiente seguro para as mulheres, sem violência política, acredita que as urnas eletrônicas são confiáveis e que assegura que os votos colocados nelas serão contabilizados e apurados e quem for proclamado eleito, será empossado.
Para incentivar a participação feminina na política, a Comissão Gestora de Política de Gênero do TSE criou o projeto ParticipaMulher, que reúne informações sobre a história do voto feminino, como e quem são as primeiras mulheres a conquistar espaços de relevância no meio político e notícias que abordam a progressão dessa participação.
Apesar dos avanços e esforços, fato é que, as candidatas vão para a eleição em desvantagem, como tem sido neste país que ainda tem 14 municípios que não elegem nenhuma mulher vereadora desde a virada do século, no ano de 2000. Das 5.568 câmaras municipais, 842 são compostas integralmente por homens.
As eleições municipais deste ano, comandadas também em Mato Grosso por uma mulher, são uma oportunidade de aumentar esse número, para que haja proteção real a cota de gêneros, combate as tentativas de fraudes dos partidos políticos em relação à cota de gênero, para que avancemos no sentido de chegar a uma participação cada vez mais paritária entre homens e mulheres na política brasileira e o princípio de tudo é o apoio dos partidos políticos às candidaturas femininas.
O levantamento publicado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que a participação de mulheres não correspondeu a um terço das vagas em nenhuma das 26 capitais. Já para vice-prefeitas, houve aumento significativo, foram 3.985 mulheres, o que corresponde a 21,2% do total das candidaturas femininas registradas, em todos os níveis. 30 municípios brasileiros elegeram a primeira mulher vereadora em 20 anos.
As chapas formadas somente por mulheres (concorrendo a prefeita e a vice-prefeita), como ocorreu em Jaciara, com Andréia e Zilá, em Santo Antônio de Leverger com Francieli e Giseli, correspondem pouco mais de 2% do total de chapas registradas em 2020. As chapas em que as mulheres assumiram a disputa para prefeitura, mas com um homem como vice, corresponderam a 11% do total.
Porém, o número de vitórias é bem maior para as chapas com homens na disputa pela chefia da prefeitura e mulher como vice. A pós-doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo Teresa Sacchete, explica que o aumento de candidaturas com mulher de vice não está nem um pouco associado ao fortalecimento de candidaturas femininas ou capacitação das mulheres para que em uma próxima eleição, elas possam ser cabeças de chapa. Ela acredita que as mulheres foram colocadas na posição de vice estrategicamente para que o candidato possa utilizar maior fatia dos fundos de financiamento partidário.
O que prevaleceu mesmo nas eleições municipais de 2020 foi a supremacia dos homens nas prefeituras. As chapas compostas apenas por homens representaram 73% das vitórias. Apenas 651 prefeitas foram eleitas, contra 4.750 prefeitos. Vereadoras eleitas foram 9.196 contra 48.265 vereadores, ou seja 84% de homens nas Câmaras Municipais.