Um animal imperfeito, sem fé, sem lei, sem medo, sem consistência”. Ditado francês do século XVII sobre as mulheres. Era uma época em que a violência era realizada com total apoio de homens brutalmente poderosos. Por muito tempo, as mulheres não foram ouvidas ou acreditadas quando ousavam falar a verdade diante do poder desses homens.
A violência contra as mulheres assume muitas formas. Pode ser físico, sexual ou emocional. Pode ser público ou privado, online ou offline, perpetrado por um estranho ou por um parceiro íntimo. Independentemente de como, onde ou por que acontece, tem graves consequências a curto e longo prazo para as mulheres e jovens vítimas de violência e assédio sexual, práticas que transcendem qualquer cultura, geografia, raça, religião, política ou local de trabalho.
Na longínqua Guiné-Bissau, um país africano, a violência contra mulheres é muita e as denúncias eram poucas. Para facilitar as denúncias, da união de várias associações de mulheres com uma parlamentar surgiu a Rádio Mulher de Bafatá, uma tentativa de emancipar e dar voz as mulheres da região leste da Guiné-Bissau. Muito difundida na Guiné e no exterior, a rádio só de mulheres está, há algum tempo, movimentando uma região onde elas sofrem discriminação e violência frequentemente, inclusive a mutilação genital. A ONU, reconheceu que a rádio funciona como um instrumento pedagógico de difusão dos direitos humanos.
A seguir, apenas um flash, um recorte mínimo do que lemos na semana que antecede o dia Internacional da Mulher no Brasil: A fala eloquente e misógina do vereador Noé Monteiro de Barros, aqui de Mato Grosso, de que não há mulher bonita na cidade onde ele mora, como se função de vereador fosse legislar sobre padrões de beleza.
Em Mato Grosso, casos de feminicídios ocorreram recentemente em Cáceres, Santo Antônio de Leverger, Peixoto de Azevedo. Mato Grosso terminou o ano de 2023 como o terceiro estado com maior taxa de feminicídio no Brasil, 90% superior à média brasileira e segunda maior taxa de estupros.
No interior de São Paulo ocorreu o caso mais brutal. Uma mulher denunciou o marido por violência, conseguiu medida protetiva e trancou-se em casa, mas horas depois, ele invadiu a casa, a matou e arrancou-lhe coração.
Um casal discute no trânsito, nas ruas de Porto Alegre, RS, o homem brutalmente toma o bebê dos braços da mãe e o atira pela janela do carro em movimento. A mãe abriu a porta e se jogou do carro para socorrer o bebê de apenas 11 meses. A mulher está internada em estado grave, com traumatismo craniano, o bebê sobrevive até o momento.
Falando de mulheres, no mês da mulher, li a matéria extraordinária sobre a professora emérita da Faculdade de Medicina do Bronx, o bairro mais pobre de Nova Iorque, a americana Ruth Gottesman, que doou 1 bilhão de dólares para quitar as mensalidades de todos os alunos matriculados e manter para sempre a gratuidade do curso de medicina, onde ela, doutora em Educação, trabalhou por 50 anos. Foi inevitável fazer uma comparação com os investimentos feitos por homens bilionários.
Apesar de fazerem doações a instituições de caridade e bolsas de estudos, Elon Musk pagou 44 bilhões de dólares pela vaidade de comandar o Twitter, que hoje tem valor de mercado de 19 bilhões. Jeff Bezos investe 1 bilhão de dólares por ano para colocar sua nave espacial em órbita em voos que duram apenas 10 minutos.