A polarização é percebida sobretudo quando os candidatos usam suas estratégias muito mais para ativar a rejeição dos outros que para trazer uma agenda propositiva. A polarização de campanhas anteriores está ainda vigente da campanha de 2024 e isso incomoda quem espera espaço para conversas propositivas, pautas de real necessidade e interesse da população.
Os candidatos só pensam em se posicionar de um lado ou de outro. Em Brasília ficam contando e publicando, recontando e republicando que as bancadas lideradas por Lula e Bolsonaro são as que apresentam maior número de candidatos a prefeitos. Só na Câmara Federal 23 deputados do PL declararam ser candidatos a prefeitos e 19 do PT. Aliados dos dois partidos divulgam que ao todo cerca de 66 municípios brasileiros deverão ter um congressista aliados de um e outro concorrendo ao pleito, sobretudo nas capitais e maiores colégios eleitorais.
O eleitor acabou sendo devorado pelo partidarismo, pelo personalismo das duas ondas. Sem racionalidade, não quer sequer escutar propostas, para ter argumento para travar debate.
Estudos internacionais há muito indicam que cada US$ 1 (dólar) investido em crianças nos seus primeiros anos de vida resulta em um retorno futuro de US$ 17 para a sociedade. Priorizar os investimentos na educação infantil é fundamental para o crescimento econômico de qualquer país, então, vamos falar sobre educação infantil nas campanhas. O TSE publicou essa semana uma análise do cientista político Murilo Medeiros, da UNB, que reforça a responsabilidade do município na oferta da educação de base, que vai desde a creche, a pré-escola e ensino fundamental.
Esse é o desafio maior e deveria ser a preocupação maior dos novos postulantes a gestores dos municípios: prover um processo de aprendizagem de qualidade diante das limitações financeiras rotineiramente impostas aos municípios. O cientista político oferece a análise que uma criança bem acolhida em creches e pré-escolas, posteriormente, será um estudante com notas mais altas e um trabalhador com mais chance de inserção no mercado de trabalho. Investir na educação infantil é o verdadeiro caminho da prosperidade nacional.
A menos de 3 meses das eleições há uma série de matérias divulgando pesquisas e análises sobre as prioridades, de modo geral, para as eleições de 2024. Para Renato Dorgan, cientista político, especialista em estratégia política do Instituto Travessia, haverá cobranças dos eleitores sobre a gestão da prefeitura e a mobilidade urbana. As pesquisas indicam que voltaremos a discutir a cidade e sua conservação, diante das reclamações de ônibus lotados e da percepção de piora da segurança pública, principalmente nas cidades dominadas por facções. Segurança pública, embora não seja atribuição direta do prefeito é uma preocupação destacada nas pesquisas.
A bolha na qual vivem a maioria dos parlamentares em Brasília, sobretudo na Câmara dos Deputados, está nada preocupada com a pauta das eleições municipais. Acabam de votar e aprovar com folga a PEC da Anistia, que concede perdão vergonhoso aos partidos políticos, para que passem a borracha em suas dívidas, a maioria são multas por irregularidades cometidas em eleições, como prestação de contas, fraudes com candidatas laranjas e tudo mais. Votação de políticas erráticas, de críticas merecidas.
No caso da votação da PEC da Anistia não houve polarização, aliados do presidente e do ex-presidente se uniram na patuscada.