A consolidação de um processo conservador

As eleições municipais são o prenúncio das eleições gerais e importa muito perceber para onde o vento está soprando, como e quais políticos conseguiram transferir apoio para seus candidatos. O diagnóstico pelo Tribunal Superior Eleitoral ao detectar que 11% dos prefeitos eleitos no primeiro turno no país são servidores públicos com tendência política de centro direita e quase 6% dos vereadores tem o mesmo perfil e são filiados nos partidos de centro, PSD, MDB e PP. Interessante observar o servidor público se colocando como cidadão da elite, alinhado com partidos que não priorizam as pautas de defesa dos trabalhadores e preservação ou ampliação de seus direitos.

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, conseguiu fazer 509 prefeitos no primeiro turno das eleições municipais. O número é superior ao do PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que elegeu 248 candidatos. Porém alguns analistas contrariam a ideia de uma polarização política intensa, os embates diretos entre PT e PL foram raros. As coligações em que PT e PL estiveram juntos elegeram 49 prefeitos. Os dois partidos concorreram diretamente em apenas cinco das 26 capitais: Fortaleza, João Pessoa, Vitória, Cuiabá e Manaus. O União Brasil e o PL venceram as eleições nas 100 cidades mais ricas do agro brasileiro

15 capitais brasileiras disputarão o segundo turno. O PSB se transformou na principal força progressista do país elegendo 312 prefeitos. Em Cuiabá, fez mais de 33 mil votos e elegeu 4 vereadores, porém de acordo com o Presidente, Carlos Siqueira, em termos gerais, o Brasil vem sofrendo um processo de radicalização conservadora do centro para a extrema direita e os ricaços, como sempre, abriram os cofres e doaram mais de 30 milhões para influenciar no resultado das eleições e avançar o projeto conservador rumo a 2026.

Pessoas se tornaram conhecidas. A vergonha nacional do primeiro turno veio de Goiás querendo conquistar São Paulo, o coach Pablo Marçal, arrogante, mimado, sem cultura, agressivo e com discurso antipolítica, surfou na onda bolsonarista, depois achou-se maior do que o líder, ridicularizou a imprensa e precisa dela para captar clientes para as mentorias, que o tornaram milionário. O bom moço veio de Fortaleza, é biólogo e chama-se Gabriel Aguiar, foi reeleito com 30 mil votos sem utilizar papel, ou seja, sem santinho, santão, panfleto, mas, com discurso alinhado com a defesa do meio ambiente. O vereador Gabriel e sua equipe recolheram folhas nas praças, parques e quintais de Fortaleza, visando reduzir o impacto ambiental da campanha prensava as folhas e escrevia à mão seu número de urna e as distribuía aos eleitores, uma ação que ganhou o apoio de ativistas ambientais.

Com abstenção alta, 24,32%, quatro das 10 maiores cidades de Mato Grosso elegeram prefeitos conservadores do PL, que ainda disputa Cuiabá. A maioria dos candidatos não foram eleitos porque representam o melhor para suas cidades, mas porque atendem bem o projeto de retorno da direita conservadora ao poder em 2026. De 142 prefeituras no estado de Mato Grosso, apenas 13 serão comandadas por mulheres, Cuiabá nem candidata teve.  Em 2020 o candidato Abílio Brunini disputou a eleição para prefeito de Cuiabá pelo (Podemos) com Emanuel Pinheiro (MDB). No primeiro turno Abílio teve 90.631 votos válidos (33.72%) e Emanuel 82.367 (30.65%) e Emanuel virou e venceu. Em 2024 Abílio ampliou a votação para 126.900 votos e Lúdio com quem disputa fez 90.719. Ou seja, Lúdio inicia o segundo turno com um déficit eleitoral de 36 mil votos (11,3%).

A Câmara municipal de Cuiabá entrou finalmente na era da redução da desigualdade de gênero pela ocupação dos espaços de poder e elegeu 08 mulheres, enquanto no âmbito estadual os candidatos homens receberam 87% votos as mulheres receberam apenas 13%. A justiça eleitoral, no entanto, registra que houve avanço na representatividade feminina nas Câmaras Municipais.

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