A maneira como você termina o ano é como o ano novo começa

Uma pluralidade de especialistas solicitados a conceituar como será a vida em 2025 acredita que mudanças sociais radicais tornarão a vida pior para a maioria das pessoas, à medida que maior desigualdade, crescente autoritarismo e desinformação desenfreada se instalam no horizonte do novo ano. A visão quase geral é que o relacionamento das pessoas com a tecnologia se aprofundará à medida que segmentos maiores da população dependerão mais de conexões digitais para trabalho, educação, assistência médica, transações comerciais e interações sociais essenciais. Isso foi descrito como um mundo “tele-tudo”. Eles escreveram sobre mudanças que podem reconfigurar realidades fundamentais, como a presença física das pessoas com outras e as concepções das pessoas sobre confiança, verdade e doenças.

O homem, que desde o princípio está condenado a existir fisicamente com outros homens e compartilhar com eles o mundo natural, não assimilou o rompimento dessa relação física e a saúde mental das pessoas já está sendo desafiada com esses processos de distanciamento promovido pela vida digital, que era muito estressante durante o isolamento social causado pela pandemia. Controlada a pandemia, o hábito do distanciamento e da vivência online foram incorporados ao nosso sistema de vida social, o tele-tudo porém, diminuirá mais ainda o contato pessoal e as conexões sociais.

A sobrecarga à saúde mental vem da disseminação de informações falsas, a manipulação aparentemente imparável da percepção, emoção e ação pública por meio de desinformação online, das mentiras e discurso de ódio deliberadamente engatilhados para propagar preconceitos e medos destrutivos, causarão danos significativos na formulação de raciocínio baseados em evidências. A desinformação será desenfreada: A propaganda digital é imparável, causa danos e é de rápida propagação e não há como reparar a reputação ou a mente atingida.

Enfim, o melhor e o pior da natureza humana tendem a ser amplificado em 2025. Todos os vivos hoje estão sob vigilância persistente de uma série de tecnologias, e as empresas de tecnologia não precisam mais de câmeras, de sinais de Wi-Fi a fios de cabelo, é possível reconhecer o indivíduo, sem passar por escaneamentos faciais. Dá medo!

A mesma conexão digital que gera empatia, traz conscientização sobre os males que a humanidade enfrenta e reação pública positiva às denúncias, acaba também sendo espaço impiedoso para declarações xenofóbicas, intolerantes e isso fará crescer as comunidades fechadas e polarizadas, que gravitam em torno de si mesmas, alimentando falsas crenças e sem liberdade para pensar e divergir. Aqui, o que critico é a rede de dependência do indivíduo à uma multidão, como uma necessidade social de pertencer a determinado grupo, em vez de viver imperturbável sua libertação.

Marcel Fafchamps, professor de economia e membro sênior do Centro de Democracia, Desenvolvimento e Estado de Direito da Universidade de Stanford, comentou sobre a ampliação da desigualdade e injustiça caracterizadas pela mudança da privacidade e inserção de ferramentas de tecnologias para controlar sem ética alguma a vida das pessoas, incluindo aplicativos de telefone que identificam ​​interações sociais e localizam as pessoas. Essas ferramentas, já são usadas por regimes totalitários para controlar melhor a população e como resultado, a democracia entrará na defensiva e sua disseminação poderá ser revertida em muitas partes do mundo e as próprias democracias infringirão mais as liberdades civis entrando em uma era pós-democrática.

Enfim, seja livre para ler, abstrair, crer ou divergir sobre a sensação que estudiosos tem do que nos consigna o ano que se aproxima.

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