A arte de comer pelas beiradas

Muitos de nós anunciamos nossos planos antes mesmo de eles estarem finalizados, por isso transmitimos meias verdades, rascunhos e tentativas de acertos. Geralmente as pessoas antecipam seus projetos para avaliar as validações, para obter comentários em retorno e para carimbar a ideia como sua antes que outro o faça. Observe que em se tratando de política, quando os projetos são demasiadamente antecipados, perde-se tempo dando explicações, justificando as escolhas, defendendo posições que não foram avaliadas pelas bases e partidos ainda.  Quando ninguém percebe nossos movimentos, ninguém pode pará-los.

Ao passo que, se os movimentos políticos forem canalizados em viagens, participação em eventos abertos, entrevistas que não comprometam a integridade do processo eleitoral que se avizinha, acaba-se conseguindo uma boa divulgação da imagem, dos projetos e abre-se caminho para a aproximação de novas pessoas, sem que esse comportamento, por ora, fale em candidatura e voto. Percebo também que, uma quase exigência do agir político é a urgente necessidade de forçar a ocupação ou ampliação dos espaços de participação e fala e somente há silêncio num espaço de fala.  

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, atravessamos um momento político proibitivo. Não é hora de mudar de partido, não é hora de definir candidatura ou cargo eletivo, não é hora de descartar companheiro, tampouco, aliar-se a outros. Por isso, todo movimento precipitado agora, expõe e atrai a ira, a cobiça de adversários e próprios correligionários, além de atiçar denúncias ao TRE sobre precipitações ao observar a Lei Eleitoral. Embora o político não precise fazer malabarismo para ter sua imagem destacada, para pedir votos explicitamente, ele tem apenas o curto período de 40 dias.

Na política, manter segredos, chega a ser uma subversão, porém, os cientistas políticos temem que a antecipação de movimentos políticos, impactem na construção do projeto futuro, devido aos desgastes naturais trazidos pelos comentários e julgamentos e pelo afastamento de pessoas que se sentiram preteridas no arranjo geral. Na essência, o momento certo de movimentar-se é quando as construções de candidaturas estão sólidas, a mensagem sobre quem vai atuar onde esteja clara para todos e as estratégias para mobilizar tempo, recurso e discurso estejam disponíveis no cenário, pois é impossível, no jogo político, esconder o conflito, os mascaramentos e as resistências. Então, Para que ocupar-se disso agora?

O melhor é estar correndo por fora, conversando muito com o comando nacional ou regional do partido, com a popularidade em alta, ocupando espaços importantes. Ou como diria o inesquecível Leonel de Moura Brizola: “melhor é comer o mingau pelas beiradas”. Comer pelas beiradas é uma expressão, bastante popular, quer dizer; avançar aos pouquinhos. Aprendemos com nossas avós que mingau quente deve ser comido pelas beiradas, para não queimar. A expressão cai como uma luva quando falamos sobre política. Na política, há partidos e políticos que passaram décadas no poder comendo pelas beiradas, fazendo articulações seguras e sem alarde para preservar as posições conquistadas.  Lição de sabedoria.    

Um vende a cura, a outra vende a sorte grande e outras enganam a si mesmas

O tolo é caracterizado pela falta de discernimento, pela incapacidade de perceber o sofrimento e as causas da sua existência, e pela adesão à crenças e comportamentos que o levam a um ciclo de vida artificial. O tolo geralmente se perde em minúcias, mesquinharias e de todo tipo de banalidades. A autorreflexão, introspecção e contemplação não fazem o menor sentido para um tolo, porque ele não pensa existencial e profundamente sobre vida.

O tolo subestima os dilemas existenciais, pois, não vê nada além de si mesmo, vive completamente embrulhado em seu conteúdo egoísta e raso. Em Espinosa, o tolo é uma figura amoral, é aquele que não consegue compreender a realidade e, portanto, permanece preso em um ciclo de superficialidades. Platão, por exemplo, utilizava a figura do tolo para criticar a sofística e defender a busca pela verdade através da razão. Uma célebre frase atribuída a Platão afirma que “o sábio fala porque tem algo a dizer e o tolo porque precisa dizer algo.” Ao não compreender a verdade, o tolo age de forma impulsiva e egoísta, atraindo sofrimento para si e muitos em seu entorno.   

Escrevo essa introdução sobre o tolo, para falar sobre a influenciadora Vírgina Fonseca, o falso profeta, missionário Miguel Oliveira e sobre pessoas adultas pais e mães de bebês reborn, criaturas que adotam bonecas hiper-realistas, como se filhos fossem.

Tão jovem e já aprendiz de charlatão, o mini missionário Miguel Oliveira não deve ser nenhum instrumento de Deus para a realização de curas e milagres. Deve ser sim, um enganador, explorador da fé, da crença e da vulnerabilidade das pessoas para a obtenção de doações, de forma enganosa e abusiva. No púlpito da igreja disse que quanto mais rápido a doação for feita, na mesma velocidade o milagre chega até o fiel. Rasgou laudos médicos, prometeu cura de doenças graves, como câncer. Acabou denunciado ao Ministério Público pelo Conselho Tutelar, afastado das pregações e das mídias sociais pela justiça, porém profetizou um retorno ‘assustador’.

Já tramita, na Câmara dos Deputados, um Projeto de Lei (PL nº 1341/23), que criminaliza e pune o charlatanismo religioso e quem promover, divulgar ou realizar falsos milagres, curas ou outras manifestações supostamente sobrenaturais com o intuito de obter vantagens financeiras.

Virginia Fonseca, arrolada para ser ouvida na CPI das Bets, com acusação de criar falsas expectativas e negligenciar informações sobre os malefícios do jogo, que banca sua vida de luxo, não é muito diferente do profeta Miguel. Mente, engana, explora a boa-fé de pessoas vulneráveis e se mostrou indiferente e ignorante ao ser ouvida no Senado, alegando que sequer percebe o mal que causa na vida das pessoas, porque considera o jogo um complemento de renda. O profeta vende a cura, a subida aos céus, a influenciadora vende a ‘sorte grande’, o dinheiro fácil à custa do vício e do comprometimento da miserável renda familiar em jogos de azar.

Há uma linha de explicação que os bebês reborns são usados ​​por razões terapêuticas, como perda de filhos, ansiedade, estresse e depressão, transtorno bipolar. Mas há também histórias ridículas, que não me causam outra reação senão o riso debochado, como o relato de uma advogada que foi procurada para regulamentar a “convivência” de uma mãe com a boneca e impedir que a ex-companheira da cliente tivesse acesso à “filha reborn”. São demandas reais”, disse a advogada. Mulheres de condutas ilícitas e antiéticas, simulam a maternidade para obter vantagens indevidas em serviços prioritários. Já há várias leis tramitando mirando o uso indevido desses bonecos em serviços públicos e privados.

Minha perplexidade diante desses seres estranhos que ocuparam a mídia recentemente, na verdade, meu pesadelo, é que essas pessoas votam e influenciam votos.

A campanha tornou-se permanente

Com tanto artifício por toda parte, talvez não se possa confiar em ninguém. Lembre-se, porém, que o encolher de ombros substitui o voto. Todo bom escritor e todo bom político compreende a poder de uma boa história, a anedota que arranca riso, a metáfora reveladora. Uma narrativa forte é, na sua forma mais elementar, um ato de sedução e na maioria das seduções, a emoção e carisma superam a lógica. Os políticos precisam ouvir histórias como forma de acumular conhecimento e refletir sobre as possíveis respostas para as questões que afligem as pessoas. É preciso ouvir e contar histórias para processar o cenário em que as informações são colhidas. E onde e quando se ouve histórias? Todos os dias e por toda parte.

Baseado no livro “A Campanha Permanente e seu futuro”, de Norman Ornstein e Thomas E. Mann, participei de um webinário sobre o tema. Os autores citam o talento do presidente americano Franklin Roosevelt para o uso político contínuo no rádio, e talento de John Kennedy para tirar partido da televisão, em aparições quase diárias, e, a destreza verbal de Bill Clinton, seu intelecto aguçado e a energia para explorar as tecnologias da informação e distribuição de conteúdo a seu favor o tempo todo. Clinton fez campanha como candidato ininterruptamente mais do que a grande maioria das pessoas no país. Ele concorreu com sucesso para advogado geral do estado do Arkansas, disputou seis campanhas para governador e venceu cinco, concorreu e venceu duas vezes à presidência dos Estados Unidos. O que aconteceu em termos de técnicas de campanha e refinamentos durante esse período de Clinton foi a campanha permanente, sem tréguas, sem interrupção do discurso de um para outro mandato.  Mas não é apenas a linha temporal da vida política de Clinton que é relevante para a continuidade das campanhas, é, na verdade, a impossibilidade de se manter homens com o mesmo perfil, agindo de uma forma nas campanhas e de outra, moderados, durante seus mandatos.

O termo “campanha permanente” foi popularizado pelo jornalista Sidney Blumenthal, jornalista, ex conselheiro da Casa Branca, destacando uma mudança na dinâmica do poder político, levando os políticos a envolverem-se em atividades políticas que repercutem no sentimento público ao longo de seus mandatos o tempo todo. Claro que há controvérsia. Os críticos argumentam que há necessidade de uma distinção mais clara entre campanha e mandato, embora não haja como fazer campanha sem vislumbrar o mandato, tampouco estar no mandato e não desejar prosseguir nele. Os candidatos se encaixam em um fluxo contínuo de eventos públicos e os políticos com mandatos os criam e participam desses eventos.

A interpretação mais profunda da realidade e a presença política física são fatores que ajudaram a dar origem a uma ideia defendida de que os políticos devem se envolver continuamente em atividades de campanha para entrar efetivamente dentro dos problemas cotidianos. A teoria sugere que os políticos pós-modernos combinem governança com a necessidade de manter boa movimentação, tratando assim seu tempo no cargo como uma campanha contínua. Isso envolve viagens, participações mais frequentes em eventos de visibilidade nas mídias, além de comunicação contínua com o público.

Qual é o resultado da transformação da política e dos assuntos públicos em um ciclo de campanha de 24 horas por dia? Por um lado, o público é regularmente presenteado com uma imagem de deslocamentos, exposição de conflitos, posições de desacordos, contendas sobre questões políticas e sociais, mais do que se pode ver, pode de fato, quando as câmeras e os microfones estão desligados dentro dos gabinetes.  

Há muita pressão extra e desnecessária

Fui criada em uma cultura que me ensinou que o papel mais importante que eu deveria assumir na vida era ser mãe.  Antes dos vinte anos, casei-me e tive dois filhos. Escrever sobre meus triunfos sem mencionar nenhuma das minhas inúmeras dificuldades com a maternidade seria hipocrisia, porque a maternidade é composta de momentos de profunda alegria e profunda insegurança e cansaço. À medida que o Dia das Mães se aproxima, lembro-me da importância de exercermos a compaixão e empatia com todas as mulheres que tentam desesperadamente conciliar suas próprias deficiências com a mãe que idealizaram e que são cobradas a ser.

Falar de maternidade sincera não é falar de atitudes brilhantes, renúncias recheadas de amor. A beleza da maternidade transcende a estética e se manifesta na força, na resiliência e transformação que a mulher experimenta ao tornar-se mãe. A maternidade é um período de profunda mudança, onde a mulher se reinventa e expande a sua capacidade de amar. Enquanto, a frustração, o estresse, a ansiedade, a dúvida e a sobrecarga são reflexos de uma cultura confusa que ainda não descobriu o quanto a saúde e o bem-estar das mães são essenciais para manter a família toda no eixo.

Assisti um vídeo do pediatra brasileiro Daniel Becker, abordando a complexidade da experiência da maternidade, reconhecendo que nem sempre é um período fácil e prazeroso e que é importante apoiar as mães em seus desafios. Ele compartilha mensagens enfatizando a necessidade de termos um olhar e atitude de empatia quando visitamos uma pessoa que acaba de dar à luz. Ele diz: “Visite a mãe e não bebê. Leve uma refeição gostosa, cuide da criança para a mãe descansar um pouco, lave a louça”.

É preciso muito mais do que esforço esporádico para ensinar os filhos sobre justiça, solidariedade, tolerância e amor, é preciso certa maturidade (não necessariamente, idade) para conseguir conciliar mamadeira, choradeira com a carreira. No Brasil, 2,3 milhões de crianças de até 3 anos de idade não frequentam creches por dificuldade de acesso a vagas num contraditório momento em que uma proporção maior lares são chefiados por mães solo, aqueles em que a pessoa de referência é uma mulher com filho.

A maternidade é difícil, é exaustiva. Mas, é a experiência mais gratificante e incrível que uma mulher viverá. Felizmente, cada vez mais, os pais estão desempenhando um papel ativo na criação dos filhos e nas tarefas domésticas, embora no tempo atual ainda vigore, geralmente, o padrão de maternidade sobrecarregada, esperando que as mães entretenham seus filhos, levando-os de uma atividade para outra, trabalhe fora e cuide da casa, fazendo tudo isso em perfeito equilíbrio.

Porém, não existe uma maneira única de ser mãe, e as narrativas sobre a maternidade perfeita perpetuadas pela sociedade, são profundamente prejudiciais e irreais.

Meu marido era pediatra, havia, portanto, muita pressão para que eu me enquadrasse nos propósitos neonatais que a pediatria ainda hoje espera das mães: a expectativa que as mães amamentem por, pelo menos seis meses.

Minha primeira grande divergência. Não me senti confortável amamentando e interrompi o processo nos primeiros dias, apesar de ouvir e acreditar em todas as alegações do benefício que o ato de amor traria para o bebê, mas eu não superei a tempo o estranhamento à cena e não amamentei nenhum dos dois filhos.

Encerrei o assunto sem culpa e sem julgamentos. Decidimos que nossos filhos jamais, por razão nenhuma seriam castigados. Não foram. Podem aí, considerar-me ter sido uma mãe leniente. Tentei ser uma mãe feliz, não perfeita!

A aliança com os homens não é opcional, é crucial

Há chamamento global no sentido de reafirmar o compromisso com um futuro mais justo e seguro para as mulheres. Os relatórios unanimemente indicam que as ações passam pelo processo indissociável da educação transformadora, porque as garantias previstas na Constituição brasileira, por exemplo, não foram suficientes para conter o assédio, a discriminação, a desvalorização, a posse, que são, em muitos casos, o indício das tragédias contra a vida de mulheres. Desnecessário reafirmar que todos, homens e mulheres merecem viver seguros e serem tratados com compaixão, dignidade e respeito. E as mulheres, particularmente, deveriam ser capazes de dizer “não” livres do medo da violência.

Não é o que acontece, infelizmente. Mas quando analisamos as ligações entre as formas de violência de homem contra mulher, podemos perceber claramente os sistemas que permitem isso florescer.

O DataFolha/FBSP 2025 divulgou a 5ª edição do documento Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil e as principais violências sofridas por mulheres brasileiras no ano de 2024 foram: ofensas verbais (17,7 milhões de mulheres); agressão física (8,9 milhões); stalking (8.5 milhões); violência sexual (5.3 milhões) e divulgação de fotos ou vídeos íntimos na internet (1.5 milhão de mulheres).

A educação não corrompe, ela protege. Precisamos mudar a forma como falamos sobre a violência do homem contra a mulher. Precisamos educar nossos garotos não para serem os mais fortes, os mais espertos, mas, para que sejam mais carinhosos, para que se importem mais com o outro. Ter conversas desconfortáveis é agora é um dos meios para criar espaço de fala e escuta seguras na escola e em casa, desafiando estereótipos preconceituosos, sem desviar o olhar. O desafio real não é apagar a masculinidade, mas expandir a forma como falamos sobre isso. Os meninos precisam ser envolvidos como aliados no trabalho de restauração da convivência amorosa entre os gêneros, porque certamente, eles anseiam um mundo melhor, muito além das narrativas tóxicas da masculinidade que acentua a desigualdade. O que devemos trabalhar não é sobre divisão, é sobre responsabilidade e transformação.

A masculinidade não é inerentemente tóxica, mas algumas expectativas de masculinidade podem ser. Quando pensamos que não nos falta ver nada mais diante do quadro de epidemia de violência contra a mulher, eis que a retórica misógina online cresce dentro da manosfera ou machosfera, um termo usado para identificar comunidades misóginas interconectadas online direcionadas a garotos, com conteúdo certeiro para espalhar o ódio contra as mulheres. A novidade nas mídias sociais é um movimento que opera dentro da manosfera chamado incel, que se refere a uma subcultura online de homens, predominantemente jovens e heterossexuais, que concentram absurdas crenças e normas para reativar teorias biológicas estereotipadas de masculinidade onde o homem deve ter poder sobre a mulher.

O termo incel era apenas uma abreviação de “celibatários involuntários”, porém, mudou ao longo do tempo, e agora o termo se refere a homens que acreditam ser incapazes de estabelecer relacionamentos e tendem culpar as mulheres em particular, pela falta de experiências românticas ou sexuais. O movimento incel se tornou profundamente ideológico, promovendo ódio e violência contra mulheres em plataformas de mídias sociais. De acordo com essa visão de mundo extremamente misógina, o movimento incel espalha a versão de que as mulheres selecionam seus parceiros com base apenas na aparência e na riqueza material, por isso elas são vistas como pessoas imorais e indignas de confiança.

Vai ficando cada vez mais difícil corrigir o impacto que essas comunidades online têm sobre os jovens e suas atitudes em relação às mulheres. A ascensão da retórica misógina volta a assombrar às mulheres. E esta não é uma questão que diz respeito apenas as mulheres: a igualdade de gênero exige aliança em todos os níveis. Se queremos uma mudança real, os homens devem desafiar ativamente as narrativas prejudiciais e movimentos de ‘modinha’ que dominam os discursos de uso de força e controle contra às mulheres.  

Por favor não nos esqueçamos dos pobres

Às 7h35 de 21 de abril de 2025 os sinos das igrejas católicas do mundo todo tocaram 88 vezes para anunciar a morte do líder da Igreja Católica por 12 anos. O Papa Francisco, aos 88 anos, volta para a casa do Pai.

O caixão de madeira com o Papa Francisco foi levado à basílica em procissão acompanhado por cardeais, bispos e padre de todo o mundo, sob o olhar presente de líderes mundiais de pelo menos 50 países e 130 delegações estrangeiras. Os procedimentos para velar e sepultar os Papas estão previstos no livro de ritos fúnebres do Vaticano, ‘Ordo Exsequiarum Romani Pontificis’, o Papa Francisco, porém, expressou em testamento escrito em junho de 2022 o desejo de que sua última viagem terrena fosse simples, sem decoração, túmulo na terra e com a singular inscrição: Franciscus.

Ao longo de seu mandato histórico como o primeiro jesuíta e o primeiro latino a liderar a Igreja Católica, o Papa Francisco dedicou seu tempo na terra a elevar os menos favorecidos, os perdidos no vício, os deixados à margem da vida e os presos pelos horrores das guerras. Foi uma voz transcendente em favor da paz, da dignidade humana e da justiça social. Deixa um legado de fé, compaixão e não somente isso. No Parque Tejo em Portugal, o Papa dirigiu uma mensagem potente de humildade aos jovens, durante a Jornada Mundial da Juventude de 2023: “Sede criativos com gratuidade, dai vida a uma sinfonia num mundo que vive de lucros. Assim, sereis revolucionários. Ide e dai, sem medo! Saia, caminhe com os outros, colora o mundo com os teus passos e pinta de Evangelho as estradas da vida. Levanta-te e vai. Levanta-te da terra, porque somos feitos para o Céu”.

O Papa Francisco também compreendeu a urgência em proteger o planeta e chamou todos à responsabilidade de proteger a nossa casa comum. Escreveu a primeira Encíclica Papal sobre o clima “Laudato Si”, em 2015, considerada uma contribuição importante para a mobilização global que resultou no histórico Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, assinado, por 196 países. Os Estados Unidos saíram do acordo nos dois governos de Donald Trump.

Papa Francisco lia muito. Publicou uma carta dizendo que quando não conseguia encontrar o sossego da sua alma para enfrentar as tempestades, procurava ajuda num bom livro Escreveu a “Carta do Sandro Padre Francisco sobre o papel da literatura na educação” e disse que o crente que deseja entrar em diálogo com a cultura do seu tempo, ou com a vida de pessoas concretas, a literatura torna-se indispensável. Na sua lista de leitura encontrei o francês Marcel Proust, o conterrâneo dele, argentino Jorge Luis Borges, o americano-britânico, T.S.Eliot.

Em um mundo cada vez mais fragmentado, Francisco nos lembrou que pertencemos uns aos outros. Pediu-nos que olhássemos nos olhos do outro e víssemos não um estranho, mas uma pessoa próxima; não uma ameaça, mas um reflexo de nós mesmos. Francisco, com humildade e empatia despojou-se das tradições da propagada vida luxuosa do Vaticano e remodelou o papado com seu estilo inclusivo. Em 2017 ganhou uma Lamborghini Huracán personalizada. Leilou o carro e destinou o valor para os projetos humanitários de reconstrução das áreas afetadas pela guerra no Iraque, o valor contribuiu para custear cirurgias na África. Há pouco, já debilitado doou seus bens pessoais a projetos sociais em prisões italianas. É preciso coragem para não ignorar a dor, para tocar as mãos de quem pede uma moeda e olhar nos olhos de quem ajudamos.

“O único momento em que é lícito olhar uma pessoa de cima para baixo é quando queremos ajudá-la a se levantar”.

O Brasil é o país com maior número de católicos no mundo, são cerca de 182 milhões, 13% da população católica do mundo, segundo divulgação da Secretaria de Estado do Vaticano.  A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou que o Papa Francisco foi compreendido pela Igreja como um pastor humilde e corajoso, que conduziu a Igreja com sabedoria evangélica, compaixão e espírito missionário, enfatizando que a verdadeira grandeza da Igreja está em sua capacidade de encontro com as feridas da humanidade”.

A compaixão de Francisco, a coragem de abordar temas polêmicos e antes evitados pode ter promovido pequena evolução nas tradições católicas, mas seguramente ele iniciou processos de transformações e fez da Igreja um espaço para todos, para quem erra, para quem cai, para quem vive em constante dificuldade. Seu amor foi sentido em todos os cantos.    

Os complexos rituais da cultura xinguana

No universo Xinguano o velho é dono da história; o homem, dono da aldeia; e a criança, uma entidade intocável, é dona do futuro.
Faço aqui, um breve exercício de retrospectiva das histórias que ouvi e vivenciei nas viagens ao Parque Indígena do Xingu, de onde extraí a mais pura essência do respeito aos povos originários e suas ancestralidades, suas crenças, como o medo dos mamaés, espíritos que vivem no mundo oculto, alguns, malignos, como Anhangu, um espírito exigente e perigoso. A força do sobrenatural que reside na onça branca que vive no fundo do rio, quem a vê adoece e morre e ela não pode ser abatida porque levaria consigo para a profundeza do rio, todos da aldeia. Ainda, a inexplicável força de cura dos Pajés Sapaim e seu irmão Tacumã, homens que tinham profunda intimidade com o mundo espiritual.

 Sua criação foi resultado da luta política, envolvendo os irmãos Villas Bôas, o Marechal Cândido Rondon, Darcy Ribeiro e muitos outros. 11 municípios fazem divisa com o Parque. O indígena continua sendo visto como um ser exótico e o Parque Indígena do Xingu é hoje uma ilha cercada pelo avanço da soja, pecuária, madeireiras e estradas. 

No mês de outubro de 2003, passei quatro dias, sediada no Posto Indígena Leonardo Villas Bôas, entre os Kamaiurá e Yawalapiti, região denominada Alto Xingu. Nos Kamaiurá, distante, cerca de 10 quilômetros, vivem os indígenas de língua Tupi. O grande chefe Aritana Yawalapiti, surge como uma lenda viva, um homem, que reorganizou e manteve seu povo unido após vencer várias invasões e ataques quando habitavam outras terras, sofreram muitas baixas e se mudaram muitas vezes, até se estabelecerem no Parque Indígena do Xingu. Interferia com autoridade pelo povo xinguano, falava cerca de 9 línguas indígenas.

Os símbolos míticos iam surgindo sutilmente. A fabricação dos corpos dos guerreiros, que sofriam escoriações profundas nas costas e braços antes das grandes celebrações, para que o sangue fraco fosse eliminado antes das lutas corporais huka-huka, um espetáculo, com o qual se encerrava o Kuarup; o respeito indescritível aos mortos; a superstição; a confiança no poder de cura dos pajés, a fabricação dos corpos nas relações sexuais continuadas até que o bebê se forme; a reclusão, que marca a evolução de um estágio de vida para outro e garante a privacidade e equilíbrio para viver as transformações; os guardiões da flauta, que percorrem as ocas apresentando as virgens recém-saídas da clausura. As virgens andam graciosamente atrás dos guardiões e se escondem tímidas quando estes param para apresentá-las a algum parente. Esse ritual marca passagem da infância para vida adulta e no final da cerimônia de apresentação, as jovens indígenas estão prontas para casar-se.

O sensível cerimonial dos homens de mãos dadas em círculo para conhecer a criança que nasce na aldeia. E por fim, o ritual do Kuarup (nome de uma madeira), que revive a narrativa religiosa dos índios do Xingu, centrada na figura de Mawutzinin, um ser eterno, comparado a Deus, responsável pela criação dos primeiros seres humanos a partir de troncos de árvores.  O ritual começa com a chegada dos três troncos (Kuarup), e o choro das famílias em frente aos troncos, adornados com algodão e penas.

Em 2013 visitei a terra indígena Capoto-Jarina, onde vive o cacique e pajé Raoni Metuktire, líder Kayapó, revestido de sua autoridade de líder de uma nação indígena reconhecido e respeitado no mundo inteiro, com seu labret no lábio, sua cultura e seus protocolos, a seu tempo e hora. Voltei ao Parque Indígena do Xingu em 2013 e 2014. Aritana faleceu em 05 de agosto de 2020, devido a complicações causadas pela Covid-19.

O inconcebível acontece com frequência

Para o filósofo e teórico político suíço, Jean-Jacques Rousseau, o homem como ser natural é um ser bom, “os homens não são naturalmente nem reis, nem grandes, nem cortesãos, nem ricos; todos nascem nus e pobres, sujeitos às misérias da vida, às tristezas, aos males, às necessidades, às dores de toda espécie; e finalmente todos estão condenados à morte. Eis o que é realmente do homem, eis o de que nenhum mortal está isento”. Para Rousseau, os homens deveriam ser forçados a ser humanos.

Pessoa em situação de rua não é anjo nem demônio, assim como nenhum de nós e não é isso que pretendo problematizar aqui. Estou falando de um assassino, de um assassinato com requinte de premeditação e banalização da dignidade e da vida humana. Ou você, numa avaliação simplista acha que matou-se o homem porque ele estava em situação de rua? Não. Matou-se um homem para saciar a sede de violência de um homem mau, que ansiava causar dor a alguém incapaz de fazer o mesmo com ele. É dito que o predador quando sai à caça, ele, covardemente atinge o alvo mais vulnerável, mas na ânsia de fazer o mal, poderia ter sido o filho de qualquer um de nós que estivesse usando a camisa da mesma cor da vítima porque o assassino não a conhecia.

Dizer que a violência faz parte do nosso processo evolutivo é uma simplificação tão exagerada quanto propagar que se romantiza a pobreza e as pessoas em situação de rua. Defender o direito à vida de uma pessoa em situação de rua não é romantizar a vida nas ruas, até porque, a cidade, não costuma ser generosa com essas pessoas. Estamos apavorados é com a convivência com o desprezível advogado e procurador que atirou, estamos atônitos com a facilidade com que o assassino, estudado, doutor, de classe social razoável transmuta de um mundo para outro, possivelmente, não pela primeira vez.

Eric Voegelin, filósofo alemão escreveu que o colapso em que se encontra o mundo é fruto da perda da consciência de experiências vitais para a ordem social e existencial. Neste quadro desolador, de deturpação dos valores surgem os homens de espíritos corrompidos, dotados de humanidade doente e desordenada, que Voegelin chama de pneumopatologia. É uma situação em que o indivíduo passa a viver uma realidade paralela, que é a ascensão das trevas: “o estúpido criminoso, não é um “psicopata”, mas algo mais profundo: ele sofre de uma doença do espírito, que acaba por enraizar-se em todo o seu ser.

Apesar de termos avançado muito como espécie e como sociedade, ainda há muitos que mantém os pés no nosso passado pré-histórico, cultivando a tendência de serem violentos e agressivos. Convencionalmente, entende-se que a violência é motivada por emoções negativas, como raiva e medo, mas há estudos que apontam que para muitos homens, a violência é uma arma poderosa e agradável de realização. E esse prazer é reforçado pelos sentimentos de poder e domínio.

Pessoa boa não mata. Homem de família? Todos os homens do mundo o são e alguns são maus e matam, a grande maioria, porém, são homens bons. O governador do estado de Mato Grosso e o presidente da Assembleia Legislativa repudiaram veementemente o crime brutal e vão acompanhar os desdobramentos legais e cobrar rigor na punição e aplicação da pena.

Nunca devemos pensar que o inconcebível não acontece. Acontece, com frequência.  

Respeito na política significa olhar para dentro, discordar sem deslegitimar

Se a política não servir para melhorar a condição humana seria pura expressão do poder. Não interessaria minimamente nem a mim nem a vocês, escreveu Norberto Bobbio, jurista italiano e senador vitalício da Itália, para quem não devemos assistir às coisas deste mundo com inerte resignação, tampouco com previsões ou apostas. “Deixemos as previsões aos astrólogos, e as apostas aos jogadores. Os primeiros contam com as correntes inexoráveis da necessidade, os segundos confiam no acaso. O homem de razão limita-se a levantar hipóteses, partindo de alguns dados de fato”.

Nicolau  Maquiavel, filósofo italiano, que foi diplomata e homem de estado, conhecedor dos mecanismos e instrumentos de poder, escreveu há quase 5 séculos, O Príncipe, um dos mais importantes escritos sobre política do mundo e ensinou que a natureza humana é variável, que os homens são inconstantes e que, se é fácil persuadi-los de alguma coisa, é difícil fortalecê-los ou mantê-los por muito tempo em tal persuasão, porque o povo sempre tem o desejo de mudança na política,  de mudar os governantes, esperando que algo positivo aconteça. Enfim, uma obra que dialoga conosco até os dias de hoje, é política na prática.

Aqui e agora, as opiniões políticas das pessoas tornaram-se as suas identidades, estamos meio bravos, meio descontentes, profundamente divididos, sem diálogo, cheios de rótulos e estereótipos, reforçando atitudes negativas, distorcendo as interpretações das pessoas sobre posicionamento político. Ainda assim, restamos parte esperançosos e tentando enviar mensagens aos políticos expressando a preocupação e a frustração. Se queres perceber em que nível está o pavio do cidadão leia os comentários escritos abaixo das entrevistas de políticos. Há rasgos enormes de descontentamento, sugestões e acusações, que precisam ser ouvidas e respondidas. Não é cedo para falar de política, para se informar, se posicionar, sem se desculpar pelo lado que você escolher.

Não nos preocupemos com a exatidão dos nossos movimentos à esquerda ou à direita, movamos para criar as condições para um desacordo produtivo, baseado em princípios respeitosos. Insistamos no respeito, sem evitar conversas complexas sobre política. Admitamos que o outro está engajado em projeto de viés contrário e respeitar isso não é ser legal, não é ser tolerante. Respeito na política significa olhar para dentro, discordar sem deslegitimar, falar por si e não pela tribo. Buscar a verdade sobre os candidatos e não seguir um ou outro pela aventada facilidade de vitória.

Nunca é cedo para se debater a política. A construção dos projetos leva tempo para amadurecer, depende de tantas coisas que escapam à compreensão profunda de uma maioria, mas que merecem ser acompanhados com atenção, ainda que em partes. A construção do tipo ideal na política também leva tempo. Não há como buscar no outro o reflexo do nosso caráter, das nossas relações, das circunstâncias, das durezas econômicas e sociais que vivemos. Não deve haver ansiedade por trás da escolha do homem em quem votar, até porque é necessário separar o homem dos rótulos que colam nele, com a finalidade de distorcer a imagem e saciar a sede de espetacularização que há na política, muitas vezes apresentada em um palco para manipular e conquistar a audiência.  

Leia sobre política, converse sobre política, envolva-se com a política. Eleve a voz sempre que precisar cobrar direitos. Vinicius de Moraes escreveu que a maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo.

O combate à interferência estrangeira nas eleições de 2026

A interferência e manipulação eleitoral estrangeira não é incomum na história de eleições democráticas. Em 1796, o presidente americano George Washington reclamava da interferência francesa no processo eleitoral americano. Desde o início do século XX tem havido reiteradas denúncias de interferência americana, governo e corporações nos países da América Central. Recentemente, em dezembro de 2024, o principal tribunal constitucional da Romênia cancelou dramaticamente as eleições presidenciais depois que os serviços de segurança alertaram que o governo russo estava promovendo ataques virtuais agressivos contra o processo eleitoral do país do Leste Europeu.

ARTICULISTA DO DIA

Olga LustosaO combate à interferência estrangeira nas eleições de 2026

Por Olga Lustosa 30/03/2025, 05h:00 – Atualizado: 30/03/2025, 08h:09https://www.facebook.com/plugins/like.php?app_id=1393828624201403&channel=https%3A%2F%2Fstaticxx.facebook.com%2Fx%2Fconnect%2Fxd_arbiter%2F%3Fversion%3D46%23cb%3Df288be4b8e1542d4e%26domain%3Dwww.rdnews.com.br%26is_canvas%3Dfalse%26origin%3Dhttps%253A%252F%252Fwww.rdnews.com.br%252Ff0f582888bc8f6b81%26relation%3Dparent.parent&container_width=0&href=https%3A%2F%2Fwww.rdnews.com.br%2Fcolunistas%2Folga-lustosa%2Fo-combate-a-interferencia-estrangeira-nas-eleicoes-de-2026%2F209104&layout=button_count&locale=pt_BR&sdk=joey

Olga Lustosa

Ainterferência e manipulação eleitoral estrangeira não é incomum na história de eleições democráticas. Em 1796, o presidente americano George Washington reclamava da interferência francesa no processo eleitoral americano. Desde o início do século XX tem havido reiteradas denúncias de interferência americana, governo e corporações nos países da América Central. Recentemente, em dezembro de 2024, o principal tribunal constitucional da Romênia cancelou dramaticamente as eleições presidenciais depois que os serviços de segurança alertaram que o governo russo estava promovendo ataques virtuais agressivos contra o processo eleitoral do país do Leste Europeu.

A Rússia, de acordo com avaliações da inteligência americana, trabalhou com o  objetivo de apoiar a candidatura do presidente Donald Trump ano passado. Um grupo russo chamado Storm-1516 foi rastreado pela Microsoft, tentando agir para favorecer Donald Trump. A Rússia, também foi pega contratando secretamente um grupo de comentadores americanos conservadores, empregados através de uma plataforma digital de fachada, para publicar dezenas de vídeos com comentários políticos e notícias falsas, favoráveis a Trump.

Na Alemanha, o governo negou veementemente as alegações do presidente do comitê de inteligência do Parlamento Federal de que a recente eleição federal do país, ocorrida em 23 de fevereiro, passado, foi manipulada por atores estrangeiros. O advogado e político alemão, Konstantin von Notz, do Partido Verde, disse ao jornal Financial Times que houve influência ilegítima no processo de tomada de decisão na última eleição e que o governo alemão tinha que reconhecer que as eleições foram manipuladas com sucesso.

O governo alemão negou, reforçou a negação em todos os canais que pode, porém, um porta-voz do Ministério Federal do Interior e Assuntos Internos admitiu, que não houve interferência no processo eleitoral durante a eleição federal, no sentido de fraude, mas que no período que antecedeu a eleição federal e até sua véspera, houve inúmeras tentativas de influência estrangeira no espaço da informação, com objetivo de quebrar a confiança do povo no processo e influenciar a direção do voto, sobretudo dos eleitores mais qualificados. Apontou o governo russo de haver realizado várias operações no espaço de informação, usando meios clandestinos online.

2026 vem aí com muito mais requinte e não podemos subestimar o impacto da divulgação de vídeos falsos, de notícias pessoais requentadas para manchar a reputação dos candidatos, menos ainda, podemos subestimar o impacto da interferência de ricaços brasileiros e sobretudo americanos no convencimento da direção do voto, num estado que sequer sabem onde se localiza.

A próxima eleição presidencial brasileira (2026) pode ser palco de uma guerra entre tecnologia, notícias falsas e interferência de estrangeiros, no caso, o bilionário Elon Musk e Presidente Donald Trump, assim esperam muitos do núcleo mais próximo de Bolsonaro. Musk já se posicionou no cenário político brasileiro e já desafiou a justiça para defender que discursos de ódio e fake news proliferassem na sua rede social. Há também esperança de que a megaestrutura de seu satélite de comunicação possa ser usada para interromper comunicações ou facilitar ataques cibernéticos ao processo eleitoral no Brasil.

Enfim, já nomearam Elon Musk como o outsider que tentará manipular as eleições brasileiras em 2026. Na contramão, há o fato de que as mídias sociais mais usadas no Brasil, que podem realmente influenciar o tráfego de informações são todas da Meta, do Sr. Mark Zuckerberg.