Muitos de nós anunciamos nossos planos antes mesmo de eles estarem finalizados, por isso transmitimos meias verdades, rascunhos e tentativas de acertos. Geralmente as pessoas antecipam seus projetos para avaliar as validações, para obter comentários em retorno e para carimbar a ideia como sua antes que outro o faça. Observe que em se tratando de política, quando os projetos são demasiadamente antecipados, perde-se tempo dando explicações, justificando as escolhas, defendendo posições que não foram avaliadas pelas bases e partidos ainda. Quando ninguém percebe nossos movimentos, ninguém pode pará-los.
Ao passo que, se os movimentos políticos forem canalizados em viagens, participação em eventos abertos, entrevistas que não comprometam a integridade do processo eleitoral que se avizinha, acaba-se conseguindo uma boa divulgação da imagem, dos projetos e abre-se caminho para a aproximação de novas pessoas, sem que esse comportamento, por ora, fale em candidatura e voto. Percebo também que, uma quase exigência do agir político é a urgente necessidade de forçar a ocupação ou ampliação dos espaços de participação e fala e somente há silêncio num espaço de fala.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, atravessamos um momento político proibitivo. Não é hora de mudar de partido, não é hora de definir candidatura ou cargo eletivo, não é hora de descartar companheiro, tampouco, aliar-se a outros. Por isso, todo movimento precipitado agora, expõe e atrai a ira, a cobiça de adversários e próprios correligionários, além de atiçar denúncias ao TRE sobre precipitações ao observar a Lei Eleitoral. Embora o político não precise fazer malabarismo para ter sua imagem destacada, para pedir votos explicitamente, ele tem apenas o curto período de 40 dias.
Na política, manter segredos, chega a ser uma subversão, porém, os cientistas políticos temem que a antecipação de movimentos políticos, impactem na construção do projeto futuro, devido aos desgastes naturais trazidos pelos comentários e julgamentos e pelo afastamento de pessoas que se sentiram preteridas no arranjo geral. Na essência, o momento certo de movimentar-se é quando as construções de candidaturas estão sólidas, a mensagem sobre quem vai atuar onde esteja clara para todos e as estratégias para mobilizar tempo, recurso e discurso estejam disponíveis no cenário, pois é impossível, no jogo político, esconder o conflito, os mascaramentos e as resistências. Então, Para que ocupar-se disso agora?
O melhor é estar correndo por fora, conversando muito com o comando nacional ou regional do partido, com a popularidade em alta, ocupando espaços importantes. Ou como diria o inesquecível Leonel de Moura Brizola: “melhor é comer o mingau pelas beiradas”. Comer pelas beiradas é uma expressão, bastante popular, quer dizer; avançar aos pouquinhos. Aprendemos com nossas avós que mingau quente deve ser comido pelas beiradas, para não queimar. A expressão cai como uma luva quando falamos sobre política. Na política, há partidos e políticos que passaram décadas no poder comendo pelas beiradas, fazendo articulações seguras e sem alarde para preservar as posições conquistadas. Lição de sabedoria.
