Cinco anos atrás vivenciamos o pânico de ter a morte nos espreitando à porta, devido ao processo pandêmico que demoramos a entender e a responder com responsabilidade e efetividade. No período que durou o isolamento social, o anúncio quase escandaloso do número de mortes diárias, os procedimentos de cura tão incertos quanto dolorosos, o medo de toda população do planeta se resumia ao medo de perder pessoas queridas e morrer a qualquer momento infectado pelo vírus da Covid-19.
Depois da pandemia, voltamos a perceber os outros medos que antes afloravam, retornamos ao medo insistente do recrudescimento da brutalidade contra a mulher, da necessidade mórbida de fazer o outro sangrar até despedaçar o corpo.
O recente caso da adolescente Emelly Sena, chocou o perito criminal a ponto de ele interromper seu trabalho para se recompor emocionalmente. Foi um crime gravíssimo, onde todos os métodos de crueldade foram aplicados impiedosamente no corpo frágil e vulnerável de uma menina, de 16 anos, que estava prestes a dar à luz. Emelly foi premeditadamente atraída para o local do crime, barbaramente atacada, amarrada, enforcada, mutilada, teve a filha Liara arrancada do ventre com uma faca. A assassina abriu uma cova, depositou o corpo inerte da adolescente, limpou a cena do crime, cuidou do recém-nascido. Uma cena macabra imbricada à outra, de forma assustadora!
A ideia de que uma mulher possa ser violenta, que chegue até mesmo a matar, parece-nos perturbadora. No entanto, esse crime que acaba de afrontar nossa dignidade humana, foi cometido, declaradamente por uma mulher, possivelmente com a colaboração de um ou mais homens. Os homens cometem crimes em proporção muito maior do que as mulheres, se envolvem em mais delitos graves e agressões. A natureza feminina é de cuidar, não de ferir. E, geralmente, costuma ser assim. A violência tem sido uma especialidade masculina, mas algumas mulheres pervertem a sua própria biologia e mostra-se encaixada no mundo perverso da violência, da brutalidade.
É muito doloroso, é tenso e exaustivo ler sobre uma morte hoje, outra, amanhã logo cedo. Um pacto nacional entre parlamentares e autoridades que dirigem os órgãos de educação, segurança pública, sistema prisional, poder judiciário, saúde, direitos humanos, mães e pais precisa movimentar o país urgentemente para institucionalizar mecanismos de proteção às mulheres, porque até aqui, percebemos que não houve efetividade os bons projetos de leis, o que não desmerece as tentativas de isolar e punir os assassinos de mulheres, independente do sexo.
Crime, parcialmente resolvido, no entanto, nem a atenção da equipe médica do Hospital Santa Helena, ao minuciosamente examinar a falsa mãe e acionar a polícia, nem o trabalho perfeito, rápido e técnico das forças policiais impedirão novos casos de violência.
Onde encontraremos a fórmula de educar os homens e mulheres para que sejam bons, para que olhem uns aos outros com amor e empatia, se não, pelo menos com misericórdia? Causa estranheza e inquietação que entre os sete criminosos que marcaram a sociedade brasileira recentemente, um importante jornal destacou três mulheres; Suzane von Richtofen, Eliza Matsunaga e Ana Jatobá. Acrescentemos aí, Nataly Helen.