No ano de 2004 fiz a primeira visita ao Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, no antigo Departamento de Relações Federativas. O governo brasileiro se preparava para receber o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em visita oficial ao país naquele ano e eu precisava aprender a receber autoridades estrangeiras em visita ao estado de Mato Grosso e os códigos de comportamento em caso de viagem oficial ao exterior. Exatamente dez anos depois, no ano de 2014, voltei ao Palácio Itamaraty para me preparar para receber as autoridades estrangeiras que viriam para assistir a Copa do Mundo em Cuiabá, além de vários embaixadores, o vice primeiro-ministro da Rússia, Arkaduy Dvorkovitvh e a Presidente do Chile, Michelle Bachelet. Graças a colaboração de um diplomata enviado para Cuiabá, conduzimos as agendas governamentais sem nenhum embaraço.
Henry Kissinger, ex-secretário de estado norte americano escreveu o livro ‘Diplomacia’, onde descreve o método estabelecido para influenciar as decisões e o comportamento de governos e povos estrangeiros por meio do diálogo, negociação e outras medidas que não envolvam violência. A arte da diplomacia, visa proteger os interesses nacionais, promover a paz e estabilidade internacional, além de fortalecer relações bilaterais e multilaterais entre os Países. O presidente americano Donald Trump, certamente não leu Kissinger, pois, deixa claro, por suas atitudes, que pouco sabe sobre diplomacia.
Em menos de 2 meses na presidência dos Estados Unidos, Donald Trump tentou constranger várias nações estrangeiras. Aleatoriamente começou a se referir ao Golfo do México, como Golfo americano; em um telefonema desrespeitoso para a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen propôs comprar a Groenlândia, a maior ilha do mundo, um território autônomo da Dinamarca, muito rica em recursos naturais, incluindo metais de terras raras, que não está à venda. Trump apresentou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, uma solução, que passa longe da diplomacia, para resolver o conflito entre israelenses e palestinos. Os Estados Unidos assumiriam o controle da Faixa de Gaza, realojaria os palestinos em alguns países e transformaria a área num resort de luxo, a “Riviera do Oriente Médio”.
Em encontro tenso, na última sexta-feira, o presidente americano, com dedo em riste, desferiu ataques grosseiros, para constranger e humilhar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que viajou a Washington para tratar de tema sensível, a guerra. Assunto reservado, que deveria ter sido tratado entre os chefes de estado, sem plateia e sem imprensa. Zelensky pergunta a Trump: que tipo de diplomacia se trata aqui? Trump faltou respeito do começo ao fim do encontro. Prevaleceu a arrogância e vaidade em tempo real.
A Casa Branca convidou um chefe de estado para reunião e tentou submetê-lo a pressão e chantagem. Donald Trump pressionou Zelensky a fechar um acordo sobre o acesso dos Estados Unidos aos minerais estratégicos da Ucrânia. Um acordo, segundo Trump, para compensar a grande ajuda que os EUA forneceram à Ucrânia desde a invasão da Rússia em 2022, Zelensky rejeitou e deixou a Casa Branca sem assinar o documento. Em manifestação pública, líderes de vários países se solidarizam com Zelensky após o bate-boca e reforçam a base de apoio à Ucrânia.
Plantaram até um jornalista aliado para constranger o presidente ucraniano perguntando-lhe a razão de não estar usando terno no Salão Oval da Casa Branca, quando Elon Musk frequenta o local diariamente de camiseta e com uma criança pendurada no pescoço. Que “dress code” é esse?