O tolo é caracterizado pela falta de discernimento, pela incapacidade de perceber o sofrimento e as causas da sua existência, e pela adesão à crenças e comportamentos que o levam a um ciclo de vida artificial. O tolo geralmente se perde em minúcias, mesquinharias e de todo tipo de banalidades. A autorreflexão, introspecção e contemplação não fazem o menor sentido para um tolo, porque ele não pensa existencial e profundamente sobre vida.
O tolo subestima os dilemas existenciais, pois, não vê nada além de si mesmo, vive completamente embrulhado em seu conteúdo egoísta e raso. Em Espinosa, o tolo é uma figura amoral, é aquele que não consegue compreender a realidade e, portanto, permanece preso em um ciclo de superficialidades. Platão, por exemplo, utilizava a figura do tolo para criticar a sofística e defender a busca pela verdade através da razão. Uma célebre frase atribuída a Platão afirma que “o sábio fala porque tem algo a dizer e o tolo porque precisa dizer algo.” Ao não compreender a verdade, o tolo age de forma impulsiva e egoísta, atraindo sofrimento para si e muitos em seu entorno.
Escrevo essa introdução sobre o tolo, para falar sobre a influenciadora Vírgina Fonseca, o falso profeta, missionário Miguel Oliveira e sobre pessoas adultas pais e mães de bebês reborn, criaturas que adotam bonecas hiper-realistas, como se filhos fossem.
Tão jovem e já aprendiz de charlatão, o mini missionário Miguel Oliveira não deve ser nenhum instrumento de Deus para a realização de curas e milagres. Deve ser sim, um enganador, explorador da fé, da crença e da vulnerabilidade das pessoas para a obtenção de doações, de forma enganosa e abusiva. No púlpito da igreja disse que quanto mais rápido a doação for feita, na mesma velocidade o milagre chega até o fiel. Rasgou laudos médicos, prometeu cura de doenças graves, como câncer. Acabou denunciado ao Ministério Público pelo Conselho Tutelar, afastado das pregações e das mídias sociais pela justiça, porém profetizou um retorno ‘assustador’.
Já tramita, na Câmara dos Deputados, um Projeto de Lei (PL nº 1341/23), que criminaliza e pune o charlatanismo religioso e quem promover, divulgar ou realizar falsos milagres, curas ou outras manifestações supostamente sobrenaturais com o intuito de obter vantagens financeiras.
Virginia Fonseca, arrolada para ser ouvida na CPI das Bets, com acusação de criar falsas expectativas e negligenciar informações sobre os malefícios do jogo, que banca sua vida de luxo, não é muito diferente do profeta Miguel. Mente, engana, explora a boa-fé de pessoas vulneráveis e se mostrou indiferente e ignorante ao ser ouvida no Senado, alegando que sequer percebe o mal que causa na vida das pessoas, porque considera o jogo um complemento de renda. O profeta vende a cura, a subida aos céus, a influenciadora vende a ‘sorte grande’, o dinheiro fácil à custa do vício e do comprometimento da miserável renda familiar em jogos de azar.
Há uma linha de explicação que os bebês reborns são usados por razões terapêuticas, como perda de filhos, ansiedade, estresse e depressão, transtorno bipolar. Mas há também histórias ridículas, que não me causam outra reação senão o riso debochado, como o relato de uma advogada que foi procurada para regulamentar a “convivência” de uma mãe com a boneca e impedir que a ex-companheira da cliente tivesse acesso à “filha reborn”. São demandas reais”, disse a advogada. Mulheres de condutas ilícitas e antiéticas, simulam a maternidade para obter vantagens indevidas em serviços prioritários. Já há várias leis tramitando mirando o uso indevido desses bonecos em serviços públicos e privados.
Minha perplexidade diante desses seres estranhos que ocuparam a mídia recentemente, na verdade, meu pesadelo, é que essas pessoas votam e influenciam votos.