A mão que afaga é a mesma que apedreja

Vale tudo é um tipo de esporte, considerado agressivo e violento, uma luta com poucas regras e limites em que os mais diversos golpes são aceitos, tem a duração de 15 minutos, divididos em 3 blocos chamados de round. Isso quer dizer que um sujeito tem 15 minutos para espancar o outro, tentar nocauteá-lo. Só que normalmente as lutas se dão em igualdade de peso e potencial de bater e defender-se.

O vale tudo do qual vou falar é o que tem estampado as primeiras páginas de todos os jornais locais e nacionais e tem acontecido no ringue em espaço familiar, na sala, quarto e qualquer lugar público. Sim, tem tido audiência! A luta desigual em força física, tem acontecido inclusive, na frente das crianças e muitas vezes tem a duração de uma noite toda.

O que está acontecendo com os homens? A mão que afaga tem sido a mesma mão que espanca impiedosamente.

Temos lido sobre sessões de tortura, mordidas que arrancaram pedaços da face e dos lábios, casas incendiadas, animais de estimação sendo envenenados. Como pode o amor transformar-se em ódio brutal, como pode compartilhar uma gestação e depois matar o bebê apunhalado com chave de fendas por retaliação ao fim do relacionamento?

O que tem cegado os homens, que explodem em fúria, espancam, atiram, queimam, arrancam coração? Como crer que tenham sido humanos um dia?

O fim, não apenas de um relacionamento mas de tudo na vida é coisa certa, não perceberam ainda?

A ignorância de depositar no outro a responsabilidade sobre a própria felicidade e a confiança de que as coisas vão se ajeitar, de que a violência não vai se repetir tem resultado em mortes absurdas.

Os indomáveis estão à solta, os alvos estão ao alcance e vulneráveis e imagino o medo que tem permeado algumas relações, sobretudo quando baixa a noite.

Não estamos conseguindo superar a violência praticada por homens contra mulheres, na qual o agressor e vítima estão intimamente ligados à explicação dessa violência, quase sempre perpetrada pelos homens para manter o controle e o domínio sobre “sua” mulher. O fato é que, geralmente, as mulheres estão emocionalmente e economicamente envolvidas com seus agressores.

Torna-se cada vez mais evidente que os abusos cometidos contra crianças e adolescentes é tanto mais comum quanto mais severo nos segundo casamentos, com a figura dos padrastos. Mas a agressão contra as mulheres está acontecendo em toda esfera de relacionamentos.

Temos percebido a justiça mais ágil, os assassinos logo presos, mas nas manchetes do dia seguinte um novo rosto com marcas roxas estampará as capas dos jornais. Mais um assassino será preso e assim tem sido cumprido o círculo de sonhos, casamentos filhos, espancamentos e mortes.

Boas práticas e tentativas de diminuir a violência têm acontecido nos Conselho, nos Governos, com adoção de políticas públicas para prevenção e combate à violência, porém todas tem sido ineficientes no sentido literal de seus propósitos, inclusive a ativista Maria da Penha, que cede seu nome à Lei de proteção à mulher, criticou a Lei num evento recente, justamente porque não tem, com efeito, conseguido proteger as mulheres.

Nem um pio sobre envelhecimento

Há várias ciências baseadas num completo conhecimento do eu e as meticulosas explorações das descobertas da mente ao longo de séculos permitiram que se obtivesse um quadro bem completo tanto da vida quanto da morte.

Os ensinamentos budistas mostram com precisão o que acontece se nos prepararmos para o envelhecimento e o que ocorrerá se não nos prepararmos. Os efeitos da recusa poderá nos aprisionar no ciclo incontrolável da ilusão, do nascimento, juventude e beleza, como um processo de sofrimento contínuo. Para quem se prepara a velhice não chega como uma derrota, mas como o coroamento de um ciclo da vida.

Entretanto, vamos e voltamos, trotamos e dançamos e nenhum pio sobre o envelhecimento. Tudo parece bem conosco. Mas aí quando a velhice chega, pega-nos de surpresa e despreparados. Que fúria, que desespero!

Reescrevo, alterando uma só palavra no que escreveu o filósofo francês Montaigne: “Não há lugar na Terra onde a velhice não nos encontre – mesmo que voltemos a cabeça uma e outra vez olhando em todas as direções, como numa terra estranha e suspeita. Se houvesse algum modo de conseguir abrigo contra os golpes da velhice, mas é loucura pensar que se pode evita-la”.

Para começar a tirar da velhice seu grande trunfo sobre nós, adotemos o caminho contrário ao usual; vamos privar o envelhecimento da sua estranheza, vamos acostumarmo-nos a ele. Vamos esperar pela velhice.

A vida é um vasto mistério. E não é certo que todos envelheceremos um dia. Nosso desejo instintivo é viver e seguir vivendo, livres e jovens. Temos medo da velhice porque não sabemos quem somos, não conhecemos as infindáveis coisas que entrelaçadas sustentam nossa identidade. Se nos tirarem os suportes provisórios ficamos frente a frente conosco, com alguém que não conhecemos. Não é por conta do medo desse encontro que sempre preenchemos qualquer tempo livre com atividades, que trocamos o silêncio por uma música, um filme? Penso nas pessoas que passam anos trabalhando e quando se aposentam descobrem que não sabem o que fazer consigo mesmas.

Por mais que certas habilidades mentais diminuam com a idade os cientistas estão descobrindo que a mente fica mais afiada com uma série de habilidades vitais.  As pessoas também aprendem a lidar com os conflitos sociais de maneira mais eficaz. Acontece que administrar emoções é uma habilidade que em si  levamos  décadas para dominar.

Conforme os anos progridem, o mesmo acontece com os nossos níveis de conhecimento e sabedoria. Cada ano nos leva mais perto desse objetivo, com o tempo eliminando inibições e medos imaturos.

A vida seguirá sempre incerta, esta é sua natureza, mas esperançosamente, à medida que avançamos na idade, esperamos que nossas vidas alcançem um nível de estabilidade razoável.

Na minha idade, já viajei para alguns lugares, conheci o fogo apaixonado em alguns romances, tive muitos contratempos, cometi erros, magoei pessoas, tropecei mas aprendi e acrescentei bens valiosos no meu portfólio: a tolerância, a generosidade, a esperança e a experiência.

Vida, morte e renascimento

Quase todas as grandes tradições espirituais do mundo cristão dizem que a morte não é o fim. Todas pregam sobre algum tipo de vida futura, numa dimensão outra e mesmo a possibilidade de continuarem humanos.

O que vivem num deserto espiritual, destituído de significados, podem crer que essa vida é tudo o que existe e por acreditar que a vida se exaure, as pessoas modernas vivem a saquear as riquezas da natureza e de suas existências para satisfazer suas vaidades imediatas.

Muitas pessoas quando pensam na morte, o fazem de maneira frívola, dizem que se a morte chega para todos, tudo bem, um dia vai chegar aqui também. Mas não é bem assim. Não se deve correr da morte, tampouco desmerece-la ou viver aterrorizado por ela.

Pois a morte não é aniquilação e perda. Aqueles que não creem na vida após a morte são exatamente os que sustentam suas vidas no curto prazo, sem grandes preocupações com as consequências de seus atos. Esses, vão vivendo seus dias felizes até que a morte emite sinais que se aproxima e aí nenhuma lembrança de felicidade ou extremo conforto pode proteger do sofrimento.

Penso no mundo moderno que hoje vivemos, reverenciando a juventude, sexo e poder, nos escondendo da velhice natural que chega, inexoravelmente!

Quase sempre quando alguém muito próximo morre, inventamos a máxima de que temos que deixar os mortos em paz. Isso nada mais é do que uma negação clara e dolorosa de pensar sobre o futuro do morto.

A morte não é deprimente nem excitante. É um fato da vida.

Os que creem tem tempo para preparar uma boa morte. Os que não creem são devastados por remorsos e arrependimentos tardios. Pessoas morrem despreparadas, assim como viveram despreparadas para viver.

A jornada da vida nos oferece oportunidades para mudar, para nos preparar com paz de espírito para a morte e a eternidade. Eternidade exatamente com o teor poético de Vinicius de Moraes. Vida eterna enquanto durar.

Na abordagem budista, que solitariamente estudo há uns cinco anos ou bem mais, a vida e morte são parte de um todo, onde a morte é o começo de um novo capítulo da vida.

No Livro Tibetano dos Mortos e no Livro Tibetano do Viver e Morrer, aos quais tenho de dedicado a ler, entender e interpretar aprendi muito sobre as realidades transitórias, vida em constante mudança, os meus “bardos”. E tal busca, sem razão aparente, tem servido continuamente para que eu reflita serenamente sobre minha vida, morte e renascimento.

Como disse o poeta e santo tibetano, Milarepa: “Minha religião é viver – e morrer – sem arrependimentos”.

Seja como quer aparecer

Tenho consciência de mim. Não de como apareço para mim mesma ou para os outros, mas do que realmente sou. Não deve haver nenhuma linha separando o que você é e o que você quer aparentar. As paixões e emoções da alma não devem ficar guardadas na monótona mesmice do mundo das aparências. É saudável deixar transparecer o que vai no mundo interior, onde defeitos e virtudes buscam sobressair.

A maioria das pessoas depende exclusivamente do mundo externo para o seu bem-estar emocional, ou melhor, sua felicidade (ou falta dela); depende inteiramente do mundo físico e de suas constantes mudanças, que inclui todas as suas manifestações culturais e sociais nas quais nos tornamos coletivamente tão investidos.

Em outras palavras, o senso de felicidade de muitas pessoas depende do impossível – manter a permanência daquilo que é inerentemente impermanente.

Acreditam que o que mais importa é o que está fora de nós e, por causa disso, o senso de quem são – o senso interno de si – permanece separado do resto da realidade. É o que podemos chamar de aparência não autêntica.

Não há beleza no que é falso. Não há beleza no caminho tortuoso que leva a criação da realidade paralela. Embora, as mídias sociais tenham sido utilizadas para forjar perfis falsos, para expor fatos existentes apenas no mundo imaginário e criativo de quem inventa para si, uma história que nunca viveu, seria mais fácil utilizá-las para dar visibilidade ao mundo interior, para louvar os benefícios de uma vida justa e verdadeira.

Muitas narrativas são inventadas para criar encanto, muitas personalidades são deturpadas para causar emoção. Mas o interior vazio, a superficialidade das atitudes são colocadas à prova sempre que se lê com cuidado certos artigos e posts.

Procure conhecer a verdade, leia nas entrelinhas, analise os olhares perdidos num mundo de vaidades e falsidades e busca deliberada por elogios e afagos. No silêncio que povoa o mundo interior é que reside a verdade, alí perceptível, à mostra às possibilidades de se recriar a realidade, baseada na mais pura idoneidade.

Seja o que você é. Permita que sua essência se destaque, que vagarosamente suas verdades cubram as superficialidades e que suas palavras e atitudes sejam o retrato perfeito do que lhe vai na alma.

Não afasta-te do teu íntimo para agradar os outros. Faça escolhas inspiradas para agradar a si mesmo. O fracasso e o sucesso dependem da sustentação da sua imagem apresentada quando se está sozinho. A aparência falsa, que de certa forma, exige telespectadores, uma hora dissolve-se, inevitavelmente!

Esta ignorância da falta de verdade mantém você preso a um ciclo de sofrimento, que gira continuamente em torno do prazer porém, o certo é despertar do sonho para permanecer na verdadeira beleza e felicidade de tudo que é real.

Hannah Arendt diz que em todos os termos, onde quer que haja uma pluralidade de seres vivos, há diferença, e essa diferença não é percebida do lado de fora, mas é inerente a cada ente

Ressignificação da vida

Devemos respeitar as inclinações e direitos dos indivíduos, ainda daqueles que seguem caminhos familiares, religiosos e políticos diferentes. Devemos tentar a promoção da harmonia entre os seres, entre os círculos de convivência ou entre estranhos.

Apesar das visões divergentes e até aversão uns pelos outros, reflito sobre como combater o discurso de raiva que permeia todos os diálogos de jovens, velhos, doutos e autodidatas, “direita e de esquerda” e, enquanto estou nessa atmosfera dominada pela raiva na fala e na mente, qual é a melhor prática que posso desenvolver para que possamos compartilhar pelo menos um ponto em comum: acreditar na vigorosa defesa da liberdade?

Reconhecendo a impermanência dos momentos, reconheço também que a intolerância não foi gerada por nenhuma força extraterrestre, nem tampouco por um destino imutável. A intolerância surge das nossas relações cotidianas, dos nossos hábitos, é criação da mente humana. E o “ser” do homem é uma fonte inesgotável de possibilidades.

Se a intolerância e outras práticas igualmente nefastas interferem nos nossos projetos existenciais, isso exige uma ressignificação de nossas vidas. O caminho precisa ser percorrido, inexorável! Ressignificar a vida é produzir sentidos para a experiência, pensar nas coisas de outro modo, adotar novos pontos de vista, levar em consideração fatores menos tensos, levar o outro para passear.

A ressignificação da vida implica um processo de reordenamento dos pensamentos e das atitudes desestabilizadas pela inquietação. Dar novo rumo às crenças e aos problemas orgânicos e existenciais. Para dar um novo significado à vida, precisamos nos fazer perguntas e não aceitarmos as respostas engasgadas transmitida pela cultura, pela sociedade, pela família, pela religião ou pelo estado.

A busca de sentido, do viver tranquilo, da interpretação de novas experiências é uma construção progressiva de significados, de situações das diversas esferas da vida, de histórias acumuladas, de receitas e fórmulas, de passeios agradáveis. A introdução de uma nova concepção no modo de viver, como resposta, exige que a pessoa se situe em um novo contexto existencial.

Sentir-se inundada pela tolerância e acolhimento ao que é diferente não deve causar nenhum constrangimento, não obriga a curvar-se ou render-se aos conceitos dos outros. Não é necessário sair de si para enxergar respeito no outro, para aprender com o outro, para passear com o outro.

Desconhecido é somente aquilo que ainda não sabemos.

Valores

Recentemente, tenho me perguntado: O que eu estou valorizando agora? Que valores tenho levado em consideração antes de fazer minhas escolhas? Quais valores eu realmente endosso?

Valores funcionam como princípios orientadores; eles são ferramentas de navegação no mar revolto da  vida humana. Eles nos ajudam a discernir quem queremos ser e como queremos viver. Ao contrário dos objetivos, os valores não são atingidos, obtidos ou concluídos. Eles estão além do sucesso ou do fracasso. Eles são simplesmente incorporados à vida que vivemos.

Eu valorizo a sabedoria e os ensinamentos que me ajudam a sentir gratidão, a entender o sofrimento. Eu valorizo viver em alinhamento com minhas aspirações, com minhas possibilidades e muitas vezes, até com meu contraditório.

Tradicionalmente valorizo a simplicidade e a amizade e causa-me desgosto profundo quando por descuido, minha mente é invadida por certezas ilusórias ou mal intencionadas.

Eu valorizo à essência humana, que abranda o sofrimento como parte da liberdade e esvazia o sentimento doloroso da dúvida.

Eu valorizo ​​a reciprocidade e o comprometimento nos relacionamentos, eu valorizo ​​a clareza e a especificidade da minha vida como o único canal através do qual eu posso atualizar meus valores, lembrando sempre que existem outros caminhos e outros valores que são igualmente valorizados e valiosos.

Tenho dado valor o custo de viver com consciência, inteira!

Estamos sendo silenciados?

Muitos de nós estamos sendo silenciados pelo politicamente correto, embora tenhamos o direito legal de nos expressar sobre o que queremos. Contudo, é inegável a pressão social para não fazermos uso dessa liberdade, uma pressão que, em tese tenta restringir a liberdade real de nos manifestarmos.

Temos que falar e nos posicionar diante das coisas que acreditamos, das doutrinas que professamos, nas quais pensamos frequentemente; mas devemos sempre, nos colocar na posição, pelo menos mental daqueles que pensam diferente.

Não é possível na contemporaneidade limitar ou censurar a vibrante fala ou escrita de quem quer que seja que vá contra as primeiras impressões publicadas. Não é saudável um querer regular o que pensa o outro, querer no rompante da arrogância, doutrinar o pensamento do outro. Não há de haver censura nos comentários caprichosos emitidos sobre os temas do cotidiano; Lava Jato, Moro, VLT, o menino Rhuan ou qualquer tema que afete nosso ambiente social.

Não temos que ser servis e reprodutores de comentários sem graça. O homem não pode mais aceitar restrições, não pode temer o enfrentamento no campo das ideias, embora seja notório a vigilância sobre o posicionamento ideológico, político ou religioso. Vaga sob nós uma grande rede que tudo vê e tudo quer controlar. Mas a sociedade ideal é plural, diversa e não se iguala nos pensamentos e atitudes.

Posicionar os debates atuais em torno dos limites do que podemos falar ou escrever é um argumento tosco. Ninguém pode decidir por outro o que é apropriado e o que deve ser eliminado do discurso público. A tensão que existe deve incomodar os que não aprenderam a ouvir e considerar o outro.

Unificação de mandatos

O deputado federal Rogério Peninha Mendonça, MDB, SC, apresentou na Câmara Federal uma Proposta de Emenda Constitucional PEC para unificar as eleições no Brasil. Os prefeitos vibram com a possibilidade de terem seus mandatos estendidos em mais 2 anos. Se aprovada na sua integralidade, da PEC anula as eleições de 2020.

Além da argumentação da redução dos gastos de campanha, os prefeitos entendem que não havendo o pleito de 2020, a classe política poderá concentrar-se nas Reformas que o governo federal tenta colocar em pauta.

Os prefeitos se manifestam quase unanimemente favoráveis a extensão de seus mandatos e alegam que o custo da eleição municipal, em torno de R$12 bilhões, sendo que 80% desse valor é dinheiro público, é a causa da movimentação.

Quanto aos custos, não há nenhuma comprovação válida que haja redução porque os custos de uma campanha são divididos entre custos operacionais; publicidade, cabos eleitorais e lideranças comunitárias; publicidade online e impressa. As campanhas para prefeito e vereadores continuarão tendo seus custos, que se incorporarão aos outros.

A redução se daria apenas nos custos operacionais dos tribunais e do processo eleitoral.

Uma campanha política, um momento de disputa pela atenção e convencimento do eleitor é o momento em que o candidato precisa mostrar suas características ao eleitor.

Quando temos as eleições separadas, candidatos a vereança disputam a atenção com candidatos a vereança e a prefeito. Para você ter noção de grandeza, temos 5.570 municípios e, em ano de eleições municipais, pouco mais de 450 mil candidatos.

Repare que nas eleições municipais o foco de atenção fica quase sempre na disputa majoritária, a dos prefeitos.  Candidatos a vereança tem um número muito maior de concorrentes diretos e menor exposição midiática do que os prefeitos, logo, precisam investir mais.

Considerando que a proposta do deputado seja aprovada, vereadores e prefeitos terão que disputar a atenção com deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores e com o presidente do país.

Os processos eleitorais a cada dois anos abrem uma janela de exposição para quem é candidato estar presente junto ao eleitorado em um momento em que o eleitor está com seu foco na política. Ao passo que fazer eleições a cada cinco anos, votando de uma vez só em prefeito, governador, presidente, senador, deputado e vereador, pode afastar a discussão política do dia-a-dia da sociedade.

É muito comum que políticos de todos os níveis se envolvam em todas as eleições, até presidencial. Se o espaçamento maior se der entre as eleições, os pretensos candidatos terão que investir muito mais em suas campanhas para retomar a comunicação com os eleitores.

Para o novato ficará ainda mais difícil entrar na política, porque quem está com mandato tem exposição garantida e chance muito maior de reeleger-se.

A proposta, que a princípio mais parece demagógica, visto que há tantas formas, não utilizadas de se cortar despesas, inclusive nos gabinetes dos parlamentares.

Assustados com as mudanças trazidas pelo ano de 2018, muitos prefeitos temem enfrentar o processo de reeleição e então, apostam nas eleições num prazo mais longo.

Existem 107 Propostas de Emenda Constitucional (PEC) e diversos projetos de lei que abordam a reforma política, espaço apropriado para este tipo de debate.

 

Articulação política é ato republicano

No parlamento, tanto os 81 senadores quanto os 513 deputados federais foram eleitos comprometidos, eles mesmos, com suas bases, com as reformas menores que prometeram para os segmentos que representam. Estão, portanto, engajados em projetos próprios e de certa forma, até o momento, ainda estão alheios aos chamamentos para votar. Enfim, o parlamento em outros incentivos e outras preocupações.

Os líderes do governo e o próprio governo parecem ignorar essa dinâmica e por não terem tomado tempo para conhecer os parlamentares e até por desdenhar o apoio parlamentar, devem pagar um preço por isso. Sem construir uma base moldada na confiança não é possível contar com apoio. E isso não significa  corrupção, não é toma lá dá cá, Isto é pragmatismo, articulação política.

Na pressão, com mensagens cifradas em redes socias, não é possível reverter o quadro de estagnação. Os parlamentares, a maioria acostumados e com bom trânsito político não vão, sem entendimento e diálogo, votar com o governo e aprovar a reforma da previdência nem mais tarde, nenhuma outra reforma.

Os parlamentares, devido as características de seus mandatos, podem sofrer uma derrota aqui, outra acolá. Ao governo, seria bom, colecionar vitórias porque o povo é impaciente e não gosta de perder.

Além disso, qualquer derrota envia sinais de alarmes aos mercados, aos políticos, aos eleitores, passando a mensagem que o governo está sem controle das situações políticas e do país.

Governo e Parlamentares precisam se alinhar em interesses e urgências de maneira republicana, em torno de políticas de médio e longo prazo. Se os parlamentares adotarem postura de total independência, o perigo pode começar a rondar o governo.

Ainda há tempo, o mercado e a população ainda estão se ajustando. Mas é uma espera, cheia de interrogações.

As lições estão aí

O sistema carcerário abriga figurões. Temos várias condenações, pessoas cumprindo pena, pessoas que no passado não imaginávamos que poderiam responder por seus desvios. São ex presidentes da República, funcionários de altos escalões de empresas públicas e privadas e parlamentares.

Enfim, a corrupção estava entranhada em todos os meandros das instituições republicanas e partidos políticos.

A tradição da impunidade está sendo alterada. É preciso reconhecer que há avanços, porém, a  sociedade precisa se fortalecer na direção da integridade e honestidade até que cheguemos a um ponto em que a corrupção não tenha mais meios para contra atacar.

O momento nos tira do debate ideológico e partidário, e nos desloca para termos o foco nas lições dos últimos anos, no combate à corrupção até como forma de tirar o impacto dos roubos da economia, dos serviços públicos que são os primeiros a serem afetados.

Os corruptos não esperam e não querem ser punidos. Às leis, contudo, devem ser aplicadas indistintamente e o cidadão que não respeita os bens públicos, as pessoas, independentemente de sua classe social, devem ir para a cadeia. A corrupção mata no pronto socorro e tira investimento da educação.

A ignorância favorece as explicações caolhas dos corruptos.

O enfrentamento à corrupção esbarra, na maioria das vezes, na incapacidade do corrupto, admitir-se como tal. Mas é avanço considerável que o sistema judiciário tenha aprendido a aplicar penas aos ricos e influentes também.