Não me conformei em seguir analisando somente fatos negativos e sai à caça de notícias afirmativas, mas não de fatos efêmeros. Queria explorar uma tese nova, ser apresentada a um projeto que leve as pessoas a viver mais felizes.
Cadastrei-me para assistir uma palestra ao vivo da economista Clair Brown, da Universidade da Califórnia/ Berkeley, onde ela abordaria um tema inusitado; faria um paralelo da transversalidade das práticas budistas na seara fria da economia, algo que ele pesquisara profundamente e narrara no livro intitulado “Economia Budista”.
A teoria foi ancorada em três pilares distintos: a qualidade de vida, a sustentabilidade e o compartilhamento da riqueza. Dra Clair tem pesquisas publicadas abordando o desemprego, a pobreza e padrão de vida dos americanos.
Naturalmente não é fácil para uma economista propor que a economia exerça uma função até certo ponto holística de pregar o equilíbrio entre o trabalho e as funções familiares e definir desempenho econômico a partir da premissa que prosperidade e qualidade de vida não são bens alienáveis ao consumo e que a riqueza interior é igualmente importante para nossa felicidade.
Estamos acostumados com a definição de conforto sob uma ótica materialista e o estudo nos leva a possibilidade de um sistema econômico baseado também na felicidade não material. O ponto de partida da palestra é a explicação de que a riqueza, os bens materiais são adquiridos para produzir conforto e por conforto, entende-se, não apenas ter bens, mas sentir-se bem com o uso dos bens acumulados, é estar ajustado e feliz na posição conquistada. A economista da UC Berkeley, defende que o sistema econômico pode também ser moldado no altruísmo, apostando numa vida cheia de significados, interligada aos acontecimentos e as pessoas e a felicidade vem após certificar que as pessoas ao seu redor também levam uma vida confortável e digna, sem problemas de falta de água, comida e energia.
Não é quantidade de bens materiais que produzem a felicidade. O sistema econômico pode funcionar de outra maneira, encorajando mudanças pessoais que possam trazer à tona o melhor que há nas pessoas. Se colocadas no quadro social correto, o altruísmo e compaixão das pessoas sobressairão. Mas se continuarem mergulhadas nesta economia de mercado, onde todos se agarram a tudo para vencer o outro, é muito difícil pensar em outra coisa senão em si mesmo.
A definição de qualidade de vida vai muito além das medidas econômicas padrão. Boa qualidade de vida significa viver com as necessidades básicas atendidas, dentro de um sistema que funciona igualmente para todos na área da educação, saúde, segurança e infraestrutura.
A teoria não desmerece o consumo, até porque todo mundo precisa adquirir certos bens para ter uma vida confortável. Mas, o enriquecimento deixa de ser um valor intrínseco da eficiência e uma vez que se atinge o padrão básico, o indivíduo pode dedicar-se a dar novo significado à vida e ajudar o outro passa a ser uma forma de desfrutar do conforto que se conseguiu.
Desde a antiguidade clássica, o poder esteve vinculado aos homens que concentram em suas mãos o destino de seus contemporâneos, somando-se a isto, a extrema complexidade do ser humano e o fato de políticos atuarem dentro de instituições com capacidade de impor comportamentos, fazer promessas mirabolantes e impulsionados pela vaidade e ambição tornam-se seres suscetíveis de atos de caráter não genuínos.
Esta pergunta tem sido feita amiúde e intermitente por filósofos, psicólogos e sociólogos por séculos. É ficção e simplismo pensar que pessoas privilegiadas estão impermeáveis do lado do bem e os outros, do lado do mal.
Não há nuances sutis para quem tem a tendência de ser visceral, ou seja, colocar todos os órgãos internos do corpo a serviço da emoção. Ao ler um artigo, estendo a leitura aos comentários anotados abaixo e aí sim, é possível ver como as pessoas se metem na vida alheia com munição pesada de conservadorismo, repreensão e julgamentos precipitados.