Respeito na política significa olhar para dentro, discordar sem deslegitimar

Se a política não servir para melhorar a condição humana seria pura expressão do poder. Não interessaria minimamente nem a mim nem a vocês, escreveu Norberto Bobbio, jurista italiano e senador vitalício da Itália, para quem não devemos assistir às coisas deste mundo com inerte resignação, tampouco com previsões ou apostas. “Deixemos as previsões aos astrólogos, e as apostas aos jogadores. Os primeiros contam com as correntes inexoráveis da necessidade, os segundos confiam no acaso. O homem de razão limita-se a levantar hipóteses, partindo de alguns dados de fato”.

Nicolau  Maquiavel, filósofo italiano, que foi diplomata e homem de estado, conhecedor dos mecanismos e instrumentos de poder, escreveu há quase 5 séculos, O Príncipe, um dos mais importantes escritos sobre política do mundo e ensinou que a natureza humana é variável, que os homens são inconstantes e que, se é fácil persuadi-los de alguma coisa, é difícil fortalecê-los ou mantê-los por muito tempo em tal persuasão, porque o povo sempre tem o desejo de mudança na política,  de mudar os governantes, esperando que algo positivo aconteça. Enfim, uma obra que dialoga conosco até os dias de hoje, é política na prática.

Aqui e agora, as opiniões políticas das pessoas tornaram-se as suas identidades, estamos meio bravos, meio descontentes, profundamente divididos, sem diálogo, cheios de rótulos e estereótipos, reforçando atitudes negativas, distorcendo as interpretações das pessoas sobre posicionamento político. Ainda assim, restamos parte esperançosos e tentando enviar mensagens aos políticos expressando a preocupação e a frustração. Se queres perceber em que nível está o pavio do cidadão leia os comentários escritos abaixo das entrevistas de políticos. Há rasgos enormes de descontentamento, sugestões e acusações, que precisam ser ouvidas e respondidas. Não é cedo para falar de política, para se informar, se posicionar, sem se desculpar pelo lado que você escolher.

Não nos preocupemos com a exatidão dos nossos movimentos à esquerda ou à direita, movamos para criar as condições para um desacordo produtivo, baseado em princípios respeitosos. Insistamos no respeito, sem evitar conversas complexas sobre política. Admitamos que o outro está engajado em projeto de viés contrário e respeitar isso não é ser legal, não é ser tolerante. Respeito na política significa olhar para dentro, discordar sem deslegitimar, falar por si e não pela tribo. Buscar a verdade sobre os candidatos e não seguir um ou outro pela aventada facilidade de vitória.

Nunca é cedo para se debater a política. A construção dos projetos leva tempo para amadurecer, depende de tantas coisas que escapam à compreensão profunda de uma maioria, mas que merecem ser acompanhados com atenção, ainda que em partes. A construção do tipo ideal na política também leva tempo. Não há como buscar no outro o reflexo do nosso caráter, das nossas relações, das circunstâncias, das durezas econômicas e sociais que vivemos. Não deve haver ansiedade por trás da escolha do homem em quem votar, até porque é necessário separar o homem dos rótulos que colam nele, com a finalidade de distorcer a imagem e saciar a sede de espetacularização que há na política, muitas vezes apresentada em um palco para manipular e conquistar a audiência.  

Leia sobre política, converse sobre política, envolva-se com a política. Eleve a voz sempre que precisar cobrar direitos. Vinicius de Moraes escreveu que a maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo.

O combate à interferência estrangeira nas eleições de 2026

A interferência e manipulação eleitoral estrangeira não é incomum na história de eleições democráticas. Em 1796, o presidente americano George Washington reclamava da interferência francesa no processo eleitoral americano. Desde o início do século XX tem havido reiteradas denúncias de interferência americana, governo e corporações nos países da América Central. Recentemente, em dezembro de 2024, o principal tribunal constitucional da Romênia cancelou dramaticamente as eleições presidenciais depois que os serviços de segurança alertaram que o governo russo estava promovendo ataques virtuais agressivos contra o processo eleitoral do país do Leste Europeu.

ARTICULISTA DO DIA

Olga LustosaO combate à interferência estrangeira nas eleições de 2026

Por Olga Lustosa 30/03/2025, 05h:00 – Atualizado: 30/03/2025, 08h:09https://www.facebook.com/plugins/like.php?app_id=1393828624201403&channel=https%3A%2F%2Fstaticxx.facebook.com%2Fx%2Fconnect%2Fxd_arbiter%2F%3Fversion%3D46%23cb%3Df288be4b8e1542d4e%26domain%3Dwww.rdnews.com.br%26is_canvas%3Dfalse%26origin%3Dhttps%253A%252F%252Fwww.rdnews.com.br%252Ff0f582888bc8f6b81%26relation%3Dparent.parent&container_width=0&href=https%3A%2F%2Fwww.rdnews.com.br%2Fcolunistas%2Folga-lustosa%2Fo-combate-a-interferencia-estrangeira-nas-eleicoes-de-2026%2F209104&layout=button_count&locale=pt_BR&sdk=joey

Olga Lustosa

Ainterferência e manipulação eleitoral estrangeira não é incomum na história de eleições democráticas. Em 1796, o presidente americano George Washington reclamava da interferência francesa no processo eleitoral americano. Desde o início do século XX tem havido reiteradas denúncias de interferência americana, governo e corporações nos países da América Central. Recentemente, em dezembro de 2024, o principal tribunal constitucional da Romênia cancelou dramaticamente as eleições presidenciais depois que os serviços de segurança alertaram que o governo russo estava promovendo ataques virtuais agressivos contra o processo eleitoral do país do Leste Europeu.

A Rússia, de acordo com avaliações da inteligência americana, trabalhou com o  objetivo de apoiar a candidatura do presidente Donald Trump ano passado. Um grupo russo chamado Storm-1516 foi rastreado pela Microsoft, tentando agir para favorecer Donald Trump. A Rússia, também foi pega contratando secretamente um grupo de comentadores americanos conservadores, empregados através de uma plataforma digital de fachada, para publicar dezenas de vídeos com comentários políticos e notícias falsas, favoráveis a Trump.

Na Alemanha, o governo negou veementemente as alegações do presidente do comitê de inteligência do Parlamento Federal de que a recente eleição federal do país, ocorrida em 23 de fevereiro, passado, foi manipulada por atores estrangeiros. O advogado e político alemão, Konstantin von Notz, do Partido Verde, disse ao jornal Financial Times que houve influência ilegítima no processo de tomada de decisão na última eleição e que o governo alemão tinha que reconhecer que as eleições foram manipuladas com sucesso.

O governo alemão negou, reforçou a negação em todos os canais que pode, porém, um porta-voz do Ministério Federal do Interior e Assuntos Internos admitiu, que não houve interferência no processo eleitoral durante a eleição federal, no sentido de fraude, mas que no período que antecedeu a eleição federal e até sua véspera, houve inúmeras tentativas de influência estrangeira no espaço da informação, com objetivo de quebrar a confiança do povo no processo e influenciar a direção do voto, sobretudo dos eleitores mais qualificados. Apontou o governo russo de haver realizado várias operações no espaço de informação, usando meios clandestinos online.

2026 vem aí com muito mais requinte e não podemos subestimar o impacto da divulgação de vídeos falsos, de notícias pessoais requentadas para manchar a reputação dos candidatos, menos ainda, podemos subestimar o impacto da interferência de ricaços brasileiros e sobretudo americanos no convencimento da direção do voto, num estado que sequer sabem onde se localiza.

A próxima eleição presidencial brasileira (2026) pode ser palco de uma guerra entre tecnologia, notícias falsas e interferência de estrangeiros, no caso, o bilionário Elon Musk e Presidente Donald Trump, assim esperam muitos do núcleo mais próximo de Bolsonaro. Musk já se posicionou no cenário político brasileiro e já desafiou a justiça para defender que discursos de ódio e fake news proliferassem na sua rede social. Há também esperança de que a megaestrutura de seu satélite de comunicação possa ser usada para interromper comunicações ou facilitar ataques cibernéticos ao processo eleitoral no Brasil.

Enfim, já nomearam Elon Musk como o outsider que tentará manipular as eleições brasileiras em 2026. Na contramão, há o fato de que as mídias sociais mais usadas no Brasil, que podem realmente influenciar o tráfego de informações são todas da Meta, do Sr. Mark Zuckerberg.

Hoje a mulher forte, amanhã a mulher doente

Abraçar as lutas faz parte da nossa jornada humana. Mas se você não diz não, seu corpo dirá. A vidas de pessoas com doenças crônicas são relacionadas ao bloqueio de emoções negativas, onde as pessoas são incapazes de focar suas próprias necessidades emocionais e são movidas por um senso de responsabilidade de atender as necessidades dos outros. Tem dificuldade em dizer não. A ampla gama de doenças vai desde o câncer, artrite reumatoide e esclerose múltipla até distúrbios inflamatórios intestinais, síndrome da fadiga crônica e esclerose lateral amiotrófica, asma, psoríase, enxaquecas, fibromialgia e uma série de outras condições.

Dr. Gabor Maté, médico húngaro, naturalizado canadense, de renome mundial, especialista em traumas e os impactos na saúde física e mental, autor de vários livros, é conhecido por suas descobertas inovadoras, as quais, aborda em seus livros e palestras, conectando os pontos entre saúde, ciência, medicina e doença, avaliando que a enfermidade não decorre apenas de falhas genéticas ou biológicas, mas que as disfunções podem ser causadas pelo estresse endêmico e repressão emocional. Atribuir nossas enfermidades à hereditariedade é simplista, confortável, diz ele. Significa que não precisamos olhar para a vida das pessoas nem examinar a sociedade em que elas vivem.

“Eu nunca fico bravo, em vez disso, eu crio um tumor”, diz um personagem de Woody Allen em um dos filmes do diretor. Dr, Gabor diz que há muito mais verdade científica contida nesse comentário engraçado do que muitos médicos reconheceriam. Apesar de todos os progressos técnicos, a prática médica ocidental tradicional rejeita, segundo ele, ‘militantemente’, o papel das emoções no funcionamento fisiológico do organismo humano. A rejeição da unidade entre mente e corpo é um caso típico de negação.

A chocante realidade das mulheres como absorvedoras de emoções, leva Gabor Maté a investigar o papel das mulheres como amortecedoras emocionais, revelando uma verdade muitas vezes esquecida sobre seu papel social.  Um tópico cercado de estereótipos e conceitos errôneos. Pressões e expectativas sociais pesam muito sobre os ombros das mulheres. Da pressão para ter uma determinada aparência às oportunidades desiguais ou limitadas de carreira, são desafios que muitas vezes passam despercebidos ou não são mencionados.    

As mulheres sempre tiveram o papel de amortecedoras emocionais de suas famílias, porque assumem o estresse de pais, cônjuges e filhos, e se sentem culpadas quando não conseguem protegê-los. Desde os anos 30, quando a mulher entrou efetivamente no mercado de trabalho o papel do estresse não foi compartilhado pelos gêneros e a mulher que trabalha, continua quase sempre  desempenhando solitariamente o mesmo papel em casa.  Então esse é um papel de gênero, não determinado biologicamente, mas ditado por uma certa visão patriarcal da posição das mulheres na sociedade.

Em nossa cultura, tanto homens quanto mulheres podem se ver sob forte pressão para suprimir e trair seu verdadeiro eu para se encaixar, para ser aceito. Mas as mulheres geralmente são as escolhidas para cuidar dos outros, negligenciando suas próprias necessidades emocionais, o que tem causado adoecimento coletivo e as levado a consumirem desproporcionalmente medicamentos antidepressivos para suportar o fardo da consequência complexa de todos os relacionamentos pessoais e sociais que abraça.

O descortinamento de um ato macabro

Cinco anos atrás vivenciamos o pânico de ter a morte nos espreitando à porta, devido ao processo pandêmico que demoramos a entender e a responder com responsabilidade e efetividade. No período que durou o isolamento social, o anúncio quase escandaloso do número de mortes diárias, os procedimentos de cura tão incertos quanto dolorosos, o medo de toda população do planeta se resumia ao medo de perder pessoas queridas e morrer a qualquer momento infectado pelo vírus da Covid-19.

Depois da pandemia, voltamos a perceber os outros medos que antes afloravam, retornamos ao medo insistente do recrudescimento da brutalidade contra a mulher, da necessidade mórbida de fazer o outro sangrar até despedaçar o corpo.  

O recente caso da adolescente Emelly Sena, chocou o perito criminal a ponto de ele interromper seu trabalho para se recompor emocionalmente. Foi um crime gravíssimo, onde todos os métodos de crueldade foram aplicados impiedosamente no corpo frágil e vulnerável de uma menina, de 16 anos, que estava prestes a dar à luz. Emelly foi premeditadamente atraída para o local do crime, barbaramente atacada, amarrada, enforcada, mutilada, teve a filha Liara arrancada do ventre com uma faca. A assassina abriu uma cova, depositou o corpo inerte da adolescente, limpou a cena do crime, cuidou do recém-nascido. Uma cena macabra imbricada à outra, de forma assustadora!

A ideia de que uma mulher possa ser violenta, que chegue até mesmo a matar, parece-nos perturbadora. No entanto, esse crime que acaba de afrontar nossa dignidade humana, foi cometido, declaradamente por uma mulher, possivelmente com a colaboração de um ou mais homens. Os homens cometem crimes em proporção muito maior do que as mulheres, se envolvem em mais delitos graves e agressões. A natureza feminina é de cuidar, não de ferir. E, geralmente, costuma ser assim. A violência tem sido uma especialidade masculina, mas algumas mulheres pervertem a sua própria biologia e mostra-se encaixada no mundo perverso da violência, da brutalidade.

É muito doloroso, é tenso e exaustivo ler sobre uma morte hoje, outra, amanhã logo cedo. Um pacto nacional entre parlamentares e autoridades que dirigem os órgãos de educação, segurança pública, sistema prisional, poder judiciário, saúde, direitos humanos, mães e pais precisa movimentar o país urgentemente para institucionalizar mecanismos de proteção às mulheres, porque até aqui, percebemos que não houve efetividade os bons projetos de leis, o que não desmerece as tentativas de isolar e punir os assassinos de mulheres, independente do sexo.

Crime, parcialmente resolvido, no entanto, nem a atenção da equipe médica do Hospital Santa Helena, ao minuciosamente examinar a falsa mãe e acionar a polícia, nem o trabalho perfeito, rápido e técnico das forças policiais impedirão novos casos de violência.

Onde encontraremos a fórmula de educar os homens e mulheres para que sejam bons, para que olhem uns aos outros com amor e empatia, se não, pelo menos com misericórdia? Causa estranheza e inquietação que entre os sete criminosos que marcaram a sociedade brasileira recentemente, um importante jornal destacou três mulheres; Suzane von Richtofen, Eliza Matsunaga e Ana Jatobá. Acrescentemos aí, Nataly Helen.

Até aqui nada foi concedido, tudo foi fruto de lutas

As mulheres são, pela primeira vez em cinco décadas, maioria em todas as grandes regiões do Brasil. As mulheres são mais escolarizadas que os homens, apesar de terem conquistado representatividade como gestoras, apenas 38% exercem cargos de liderança. Das 142 prefeituras de Mato Grosso, apenas 13 são administradas por mulheres. O estado tem a maior participação feminina nas Câmaras Municipais de sua história, das 1.404 vagas para vereador, 277 mulheres foram eleitas, cerca de 20% do total. Cuiabá elegeu 8 vereadoras. Há avanços aqui, retrocessos ou estagnação ali. Essa maioria da população brasileira, ainda sofre com agressões, ameaças, preconceitos, feminicídio e desigualdade salarial.

A história das mulheres foi, durante muito tempo, contada a partir do relato dos homens uma vez que a palavra era concedida somente a eles. Contam que no século XVII, havia uma crença sobre a mulher na sociedade francesa: “um animal imperfeito, sem fé, sem lei, sem medo, sem consistência”.

A incompletude citada e falta de autonomia da mulher seguiu sendo explorada pejorativamente, mesmo resguardando contexto histórico, por filósofos e sociólogos, como o francês Auguste Comte, que inicialmente descreveu as mulheres como seres biologicamente inferiores aos homens cuja missão natural era educar os filhos e zelar pelo lar para mais tarde, propor a transformação da humanidade a partir da educação das mulheres. Em Jean-Jacques Rousseau, a mulher tem mais espírito, o homem mais gênio, a mulher observa, o homem raciocina. Rousseau aconselhava que: “um deve ser ativo e forte, o outro passivo e fraco; para que um queira e possa, basta que o outro resista pouco.”

Na introdução do livro O Segundo Sexo, a filósofa francesa, Simone de Beauvoir, cita o filósofo grego Aristóteles, para quem “a mulher é fêmea em virtude de certa carência de qualidades, devemos considerar o caráter das mulheres como sofrendo de certa deficiência natural”. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer, arremata afirmando que “a mulher sofre de uma miopia intelectual que lhe permite, por uma espécie de intuição, ver de uma maneira penetrante as coisas próximas; mas o seu horizonte é limitado, escapa-lhe o que é distante”.

O tempo passou, a participação feminina começou a ganhar destaque em algumas esferas da vida em sociedade. Porém, Simone de Beauvoir, em 1949, abordou a posição secundária da mulher em relação ao homem na sociedade da época. Uma das frases mais marcantes do livro é: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, que serviu para a filósofa ilustrar que os papéis que associamos às mulheres não são dados a elas inerentemente, em virtude de sua biologia, mas são construídos socialmente, através de lutas e levantes diante da opressão que sofreram. As mulheres aprenderam o que devem ser na vida, que tipo de papéis podem ou não desempenhar.

Betty Friedan, jornalista e psicóloga americana escreveu “A Mística Feminina”, lançado em 1963, denunciando o vazio existencial da vida das mulheres, com a limitação de seus papéis sociais, o que deu início a uma fase radical do movimento de luta por direitos iguais entre homens e mulheres e o lançamento do livro reforçou o movimento de libertação das mulheres das amarras machistas. O livro causou forte impacto na discussão apaixonada sobre o papel das mulheres na sociedade moderna. Simone de Beauvoir e Betty Friedan são leituras imprescindíveis para se entender o contexto em que as lutas por oportunidades e reconhecimento aconteceram e para que as mulheres sigam vigilantes àquilo que tem direito, porque até aqui, quase nada foi oferecido e sim, fruto de conquistas.

A liberdade gozada pelas mulheres é o que é hoje porque o movimento feminista foi o que foi no passado. O que passou a médica e mulher admirável, ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, para do alto de sua experiência dizer que uma mulher na política, muda a mulher. Muitas mulheres na política, mudam a política.

O caminho está sendo pavimentado, com muitas mulheres interessantes ocupando espaços políticos. Uma deputada americana certa vez foi perguntada, com ironia por um colega parlamentar sobre a “incoerência” de ser mãe e deputada ao mesmo tempo, ao que ela respondeu: “Tenho um cérebro e um útero e sei usar os dois”. Quando uma mulher aspira um cargo político, a direção de uma empresa, a presidência de um país, ela o faz pelas mesmas razões que qualquer homem, porque ela entende e firmemente acredita que é capaz de executar bom trabalho.

Que diplomacia é essa?

No ano de 2004 fiz a primeira visita ao Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, no antigo Departamento de Relações Federativas. O governo brasileiro se preparava para receber o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em visita oficial ao país naquele ano e eu precisava aprender a receber autoridades estrangeiras em visita ao estado de Mato Grosso e os códigos de comportamento em caso de viagem oficial ao exterior. Exatamente dez anos depois, no ano de 2014, voltei ao Palácio Itamaraty para me preparar para receber as autoridades estrangeiras que viriam para assistir a Copa do Mundo em Cuiabá, além de vários embaixadores, o vice primeiro-ministro da Rússia, Arkaduy Dvorkovitvh e a Presidente do Chile, Michelle Bachelet. Graças a colaboração de um diplomata enviado para Cuiabá, conduzimos as agendas governamentais sem nenhum embaraço.

Henry Kissinger, ex-secretário de estado norte americano escreveu o livro ‘Diplomacia’, onde descreve o método estabelecido para influenciar as decisões e o comportamento de governos e povos estrangeiros por meio do diálogo, negociação e outras medidas que não envolvam violência. A arte da diplomacia, visa proteger os interesses nacionais, promover a paz e estabilidade internacional, além de fortalecer relações bilaterais e multilaterais entre os Países. O presidente americano Donald Trump, certamente não leu Kissinger, pois, deixa claro, por suas atitudes, que pouco sabe sobre diplomacia.

Em menos de 2 meses na presidência dos Estados Unidos, Donald Trump tentou constranger várias nações estrangeiras. Aleatoriamente começou a se referir ao Golfo do México, como Golfo americano; em um telefonema desrespeitoso para a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen propôs comprar a Groenlândia, a maior ilha do mundo, um território autônomo da Dinamarca, muito rica em recursos naturais, incluindo metais de terras raras, que não está à venda. Trump apresentou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, uma solução, que passa longe da diplomacia, para resolver o conflito entre israelenses e palestinos. Os Estados Unidos assumiriam o controle da Faixa de Gaza, realojaria os palestinos em alguns países e transformaria a área num resort de luxo, a “Riviera do Oriente Médio”.

Em encontro tenso, na última sexta-feira, o presidente americano, com dedo em riste, desferiu ataques grosseiros, para constranger e humilhar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que viajou a Washington para tratar de tema sensível, a guerra. Assunto reservado, que deveria ter sido tratado entre os chefes de estado, sem plateia e sem imprensa. Zelensky pergunta a Trump: que tipo de diplomacia se trata aqui? Trump faltou respeito do começo ao fim do encontro. Prevaleceu a arrogância e vaidade em tempo real.

A Casa Branca convidou um chefe de estado para reunião e tentou submetê-lo a pressão e chantagem. Donald Trump pressionou Zelensky a fechar um acordo sobre o acesso dos Estados Unidos aos minerais estratégicos da Ucrânia. Um acordo, segundo Trump, para compensar a grande ajuda que os EUA forneceram à Ucrânia desde a invasão da Rússia em 2022, Zelensky rejeitou e deixou a Casa Branca sem assinar o documento. Em manifestação pública, líderes de vários países se solidarizam com Zelensky após o bate-boca e reforçam a base de apoio à Ucrânia.

Plantaram até um jornalista aliado para constranger o presidente ucraniano perguntando-lhe a razão de não estar usando terno no Salão Oval da Casa Branca, quando Elon Musk frequenta o local diariamente de camiseta e com uma criança pendurada no pescoço. Que “dress code” é esse?

O processo incivilizado da violência contra a mulher

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) assinou semana passada, um acordo de cooperação com a plataforma de entregas iFood para combater a violência contra a mulher. A plataforma vai capacitar profissionais que realizam entregas para que eles reconheçam pedidos silenciosos de socorro de mulheres que enfrentam situações de violência doméstica. Durante a assinatura do acordo, o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, disse que a violência doméstica no Brasil é uma “epidemia”, e a sociedade precisa ser mobilizada em prol do tema.

Chamou à atenção do mundo inteiro a atitude de uma famosa cantora mexicana chamada Alicia Villarreal, que ao final de um show, esta semana, ao agradecer o público, ergueu a mão, dobrou o polegar sobre a palma e fechou os dedos sobre ele, num sinal amplamente divulgado para pedir ajuda em casos de violência doméstica. O gesto feito em público, numa feira agropecuária, falou por si, se espalhou e ganhou manchete nos principais jornais, que logo noticiaram que havia uma semana a artista tinha registrado uma denúncia contra o marido e foi vista dando entrada em um hospital, com ferimentos aparentes, a cantora entrou com pedido de divórcio.

Em áudio divulgado após seu assassinato, é possível ouvir a jornalista Vanessa Ricarte, de Campo Grande, MS, reportar a um amigo, também jornalista, o seu desapontamento e esgotamento emocional com o atendimento que recebera quando foi registrar a ocorrência de violência doméstica e pedir medida protetiva contra o noivo na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher. A jornalista relatou falta de acolhimento e de orientação e atendimento frio. Mesmo assim, requereu medida protetiva e acompanhada pelo amigo para quem ligara, foi para casa retirar suas coisas. O noivo estava na casa e atacou Vanessa e o amigo, que conseguiu escapar. Vanessa tinha apenas 42 anos.

Se uma jornalista teve essa percepção do atendimento desleixado, sem empatia alguma, imagine o tratamento que é dado a mulheres humildes, sem esclarecimento para fazer essa leitura das entrelinhas do que ela viveu enquanto denunciava. Percebe então, por que muitas são desencorajadas a finalizar a queixa e o pedido de medida protetiva?

Ao final do áudio, ouve-se Vanessa angustiada: “Eu que tenho instrução fui tratada dessa maneira, imagina uma mulher vulnerável lá no meu lugar. Essas que vão para as estatísticas do feminicídio”. Lamentavelmente, Vanessa também virou estatística.

Mato Grosso registrou um aumento significativo nas denúncias de violência contra a mulher em 2024, mesmo assim, mais de 80 crianças ficaram sem mães no período. Muitas mulheres não dimensionam a potencialidade do agressor, vão levando o relacionamento à diante. Porém, em todos os papéis que tratam do tema, há uma tese compartilhada: “Todo agressor de violência doméstica é um potencial feminicida”.

A violência contra a mulher é uma ameaça ao bem-estar de seus filhos. No primeiro mês do ano, em Mato Grosso 2 crianças de três e oito anos de idade perderam a mãe, assassinada pelo marido, na frente das crianças. O assassino foi morto pela polícia e ao perderem pai e mãe, as crianças foram encaminhadas para o Conselho Tutelar, até que algum parente se ofereça para cria-las.

Esta semana saiu a sentença de um assassino, dois anos após o feminicídio cometido contra a esposa na cidade de Cotriguaçu, onde o indivíduo cumpre pena. Ao receber a sentença, a defesa alegou incidente de insanidade mental do réu a ponto de não compreender a gravidade do ato que praticou. A realização do exame, obviamente foi negada.

Cada indivíduo pode ter um modelo de comportamento e pensamento em termos de gênero, mas precisamos questionar e refletir sobre nosso comportamento, pode revelar em que altura da vida, adotamos subconscientemente ou não, uma maneira sexista de pensar.

Ameaça a uma lei de iniciativa popular

A  Lei da Ficha Limpa, implementada em 2010 como um marco no combate à corrupção política no Brasil é um dos raros casos de projetos de iniciativa popular que se transforma em lei. O projeto foi encabeçado por entidades que fazem parte do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), e mobilizou vários setores da sociedade brasileira, entre categorias profissionais, sindicatos e igrejas. Foram obtidas mais de 1 milhão e 600 mil assinaturas em apoio. Pois bem, lamentavelmente esta Lei está no centro de um debate sobre possíveis alterações para propositalmente enfraquecer sua eficácia.  Lei Complementar nº 135, de 2010, também chamada Lei da Ficha Limpa determina que o político que se torna inelegível fica impedido de se candidatar nas eleições que se realizarem durante o restante do mandato que ocupava e nos oito anos seguintes ao término da legislatura.

Nos últimos dias, a Lei da Ficha Limpa voltou ao centro dos debates por conta de um projeto de lei, de autoria do deputado federal Bibo Nunes (PL-RS), que visa reduzir o período de inelegibilidade de políticos condenados, de oito para apenas dois anos. O absurdo reside no fato de que toda movimentação, aplicação de mudanças jurídicas questionáveis seria para beneficiar o ex-presidente Bolsonaro, que seria reabilitado para disputar a eleição de 2026.

Em entrevista procurador do Ministério Público de São Paulo e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, doutor em direito pela USP, diz que a mudança na Lei da Ficha Limpa seria um escárnio para a sociedade brasileira e nesta iniciativa pode-se encontrar tudo menos a defesa do interesse público. Diz que ‘os políticos estão legislando em causa própria e não observando às necessidades da sociedade’. 

A ideia da Lei da Ficha Suja é tirar de circulação, por um período, os maus políticos, já que o período de oito anos corresponde a dois ciclos eleitorais. As leis devem ser elaboradas no interesse da sociedade, não em casuísmos. Ao ser perguntado sobre a lamúria de Bolsonaro de que a Lei da Ficha Limpa só serve para punir a direita, Roberto Livianu desmistificou a choradeira afirmando que ao longo dos anos, políticos de diversas ideologias tiveram seus direitos políticos restringidos com base na aplicação desta lei. Disse que a aplicação da legislação não é exclusiva a um único grupo político. ‘Se for feita uma análise mais aprofundada, fica evidente que esse argumento é completamente insustentável. Dizer que a lei está voltada para a direita, é inconsistente. Essa afirmação tem um caráter ignorante’. Dados da área de estatística do TSE mostra que o percentual de barrados é baixo. No ano de 2024, tivemos 463 mil candidatos no país, dos quais, 1,9 mil foram barrados pela Lei da Ficha Limpa.

O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção relembra que a última manobra para sabotar a Lei da Ficha Limpa, foi feita pela Deputada Dani Cunha, filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, numa tentativa de trazer o pai de volta ao cenário político. É bem isso, querem enfraquecer as leis boas para garantir retorno rápido dos violadores da lei, por abuso de poder político ou econômico e uso indevido dos meios de comunicação, que consideram 8 anos de afastamento das eleições, uma eternidade.

O risco de aprovação existe, já que a inelegibilidade atinge políticos de quase todos os partidos e o presidente da Câmara, recém-empossado, deputado Hugo Mota, na primeira entrevista já declarou que acha justo encurtar a pena para 2 anos. 2025 começa com tentativas de fragilizar o controle sobre a corrupção e a impunidade com a Lei da Ficha Limpa tornando todo mundo em ficha limpa.

A confiança na política não deve ser fé cega

2024 foi um ano marcante para as eleições, cerca da metade da população do mundo foi às urnas em 76 países, o maior número já registado. Também acabou sendo um ano difícil para os candidatos alinharem seus discursos aos seus partidos políticos tradicionais, resistentes às mudanças e modernização de pautas. Abalados pelo aumento dos preços, divididos por questões culturais e radicalismo político, irritados com a falta de solução para os problemas estruturais de sempre nas áreas da saúde, educação e segurança, os eleitores de toda parte enviaram uma mensagem de frustração.

Muitas pessoas ainda se sentem desconectadas de lideranças maiores, dos partidos e das instituições políticas na capital do estado ou Brasília e, compartilham a crença de que os partidos e líderes do establishment estão fora de contato com os cidadãos comuns, portanto, o eleitor tentou encontrar ressonância de seus sonhos e esperanças nas lideranças locais.

2025, um ano não eleitoral, um ano silencioso que traz maior fluidez em todos os trâmites e relações da vida pública, inclusive, é o ano onde sentiremos os efeitos das mudanças que foram chanceladas nas urnas ano passado e nem sempre veremos ou ouviremos, mas certamente é o ano de avaliação dos apoios políticos e financeiros concedidos nas eleições de 2024, de avaliar propostas para mudanças de partidos, articulações e composições nacionais visando disputas próximas. Há tratativas avançadas para a construção de novas federações, fusão permanente de partidos, troca no comando nacional de partidos importantes, visando ampliar as filiações e fortalecer minimamente o vínculo de confiança entre políticos e povo.

Li o relatório do Edelman Trust Barometer, uma empresa de comunicação global que estuda há mais de 25 anos, por meio de gerenciamento de reputação, a influência da confiança da sociedade no governo, na mídia, empresas e ONGs, lançado em Londres em 25 de janeiro passado, onde o ano de 2025 foi apresentado com uma leitura política preocupante, de um fato que não é novo.

A confiança na classe política foi mencionada como um fator crítico em toda parte do globo e explorada no relacionamento entre governos e as pessoas que dependem de seus serviços. A confiança nas instituições; mídia, governo e classe política em geral, continua a diminuir e a culpa é compartilhada com as próprias pessoas que foram pesquisadas e não conseguem sequer distinguir fatos de informação falsa, um universo de pessoas que se enquadram na categoria de ativismo hostil, sobretudo nas mídias sociais. Ou seja, são pessoas que lamentam, xingam e espalham notícias falsas induzidas por líderes radicais, algoritmos e robôs. 

O relatório encontrou pessoas cautelosas com governos que não cumprem promessas e veículos de mídia que priorizam a espetacularização da notícia em vez de divulgar e esclarecer os fatos relevantes. Ao final, os estudos veem no ceticismo uma força poderosa para a responsabilização e apontam que sem desconfiança, não mantemos as instituições honestas e as democracias fortes. Ainda bem!

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na abertura dos trabalhos semana passada declarou, que 2025 é o ano preparatório para as eleições de 2026. Portanto, um ano semi eleitoral. A Ministra Carmen Lúcia, sempre com apontamentos precisos disse que trabalha “com cuidado especial para garantir ao cidadão informação correta, o ano todo, para que haja, sempre, manifestação de liberdade, não exposição manipulada de ódios e violências”.

Em ano sem eleições, as pesquisas de opinião pública relacionadas a postulantes de candidaturas podem ser livremente encomendadas e divulgadas, sem registro na Justiça Eleitoral.  A artilharia montada em 2025 pelos políticos, na construção de suas reputações pessoais e políticas está apontada para as eleições de 2026 e o TSE vigilante, espera que as mulheres em número expressivamente maior se apresentem para ocupar espaços políticos importantes e não sejam abatidas pela violência política de gênero dentro dos partidos. O TSE promete empenho rigoroso no enfrentamento às ´fakes news` para que estas, não interfiram no resultado das eleições e para impedir que a desigualdade financeira promova, como tem sido, a derrota da representatividade das minorias.

Para conviver precisamos aterrizar no mundo

Douglas Rushkoff é um autor e documentarista que estuda a autonomia humana na era digital. O teórico da mídia, escritor, colunista e acadêmico americano, professor de Teoria da Mídia e Economia Digital na City University of New York, Queens College, onde ensina, discute e questiona a tecnologia, digitalidades e humanidade em nosso tempo. Suas teorias e compreensão nos ajuda a pensar em alternativas para um futuro que possa se renovar a partir desse momento em que que os humanos estão sendo desvalorizados na era digital.

No momento, há uma verdade incômoda no alinhamento da elite do Vale do Silício com o governo de Donald Trump. As empresas estão buscando tratamento especial, influência e desregulamentação. Isso basta para ‘dominar o mundo’. O dono da Amazon, Jeff Bezos, anos atrás disse que o presidente Trump era “perigoso”, cujo comportamento poderia destruir a democracia americana. O CEO da OpenAI, Sam Altman, já comparou Trump a Adolf Hitler. Pararam com demagogia e estavam enfileirados, sorridentes na posse do presidente americano.

O contraponto e enfrentamento de Douglas Rushkoff é com a premissa do Vale do Silício de que os seres humanos são o problema e a tecnologia é a solução, por isso, induzem os humanos a agirem como algoritmos. “Eu queria escrever um livro na era digital que nos ajudasse a realmente identificar e recuperar o que torna os seres humanos especiais, criativos, peculiares, imaginativos. A tecnologia não é algo ruim por si só. O problema surge quando tentam fazer com que os humanos operem da mesma maneira previsível, rápida e automatizada, cumprindo métricas predefinidas. Aí, perdemos os benefícios do que significa ser humano”.

Quando estamos online, estamos em um mundo criado por empresas que buscam extrair tempo, valor e dados, por todos os meios possíveis. Ele diz que as plataformas, sem exceção estão lá para, armazenar nossas informações, sobretudo enquanto consumidores e mais recentemente, diante da polarização vigente em toda parte do mundo, vigiar e explorar nossos ideais políticos. Rushkoff promove uma discussão baseada em como as midas, enquanto espaço de manobra, nos afasta da realidade, da nossa individualidade e humanidade, nos colocando em padrões pré-estabelecidos de consumidores de produtos que nos empurram.

A preocupação parece ser a teoria de importantes engenheiros digitais, de que em um tempo não tão distante, computadores superinteligentes e inteligência artificial serão capazes de induzir as ações e controlar vidas humanas. Há pesquisas que provam que a humanidade e a interação humana foram drasticamente afetadas pelas mídias sociais e plataformas como Facebook, Twitter, Instagram e YouTube e as pessoas não conseguem mais se comunicar normalmente. Cientistas e sociólogos combinaram um discurso sobre o que acontece quando as mídias sociais e a Internet afetam nosso potencial de humanidade e liberdade e destacam que a humanidade ainda é um grande problema neste mundo em evolução tecnológica.

Não devemos nos divorciar dos valores, dos fluxos e refluxos que nos tornam humanos, por isso, defende a humanidade como um jogo coletivo, e a necessidade de reocuparmos a realidade, policiando para manter a soberania humana e evitar que nos tornemos escravos da era digital. Não podemos deixar de lado o mundo que conhecemos, e mergulhar na ilusão de que temos acesso à pessoas que vivem distantes de nós, porque compartilhamos conteúdos nas mídias sociais. Temo pela transformação que o mergulho profundo e sem filtro na internet, pode causar. Minha estratégia, ingênua, talvez, é permanecer o mais humana possível e resistir, na alma, a pressão das corporações, que buscam lucros gigantescos, transformando pessoas anônimas e insignificantes em fenômenos lucrativos nas redes sociais.

O conselho de Rushkoff é simples: Quando as coisas começarem a acelerar descontroladamente, “pressione pausa, faça bloqueios, denuncie e se necessário, dê um tempo off line”.