Críticos Contumazes

Para muitos, ser inteligente, significa ser crítico. As pessoas devem ser críticas, os jovens especialmente precisam ser críticos. Isso é bom indício que a pessoa não é enganada facilmente, além de ser um sinal de erudição. A crítica é uma atitude de desaprovação de alguém ou de alguma coisa com base em falhas, criticar é apontar coisas que de certa forma não faz sentido para quem elabora a crítica. Cuidado, porque as críticas podem conter conteúdo ideológico, religioso, entre outros e pode mais parecer um soco no estômago do que uma dica útil.

A reflexão crítica é essencial para o crescimento intelectual, A crítica mais parece um soco no estômago do que uma dica útil e quase sempre tem a conotação de um ataque pessoal. A crítica provoca atitude defensiva, que funciona como uma resposta impensada. A crítica pode também ter o tom da vingança.

As críticas expõem as diferenças entre as pessoas, as diferenças são quase sempre fontes de conflitos, embora naturais e inevitáveis. Criticamos abertamente o estilo de vida, a cultura, as experiências passadas, a moral e os valores do outro e raramente nos expomos à nossa própria auto crítica. Ou seja, somos impiedosos para julgar, para discordar e extremamente lenientes com o que nos diz respeito. Criticamos sobretudo ações, das quais somos alijados, projetos dos quais não somos beneficiados. Criticamos quando estamos com raiva, quando somos preteridos. Isso constrói?

A crítica como ataque é um estilo letal de ciclo negativo que cria apenas impasses. É preciso deixar claro que não existe um mundo sem mediação, imparcial, prisioneiro dos pontos de vistas. Hoje, tudo o que sabemos é reforçado, validado pela internet, o que de certa forma, enfraquece nossos julgamentos qualitativos, porque não precisamos nos aprofundar para entender os fatos. O grampo capta as conversas, a mídia brinca com as palavras e o que era para ser sério, vira crítica generalizada. E generalização conduz a inevitável vulgarização.

Engraçado observar como criticamos o estilo de vida do outro, a questão do gosto, da música, da arte e da moda. Recaem críticas sobre o pensamento político, o agrupamento ideológico. Tudo. Criticamos absolutamente tudo.   Parece estranho a difusão das vozes que se elevam em coro contra o que foi feito, contra o que há por fazer. Temo estar certa ao julgar que as críticas mais contundentes denotam extrema desconexão com a vontade de acertar, de mudar o rumo. Soam como ecos distantes de jovens mais temerosos do que corajosos para mudar o mundo.

Derrubando estereótipo de País do samba e futebol

Se a Inglaterra inventou o futebol para o mundo, o Brasil encarregou-se de tornar o esporte popular e tem o time mais bem sucedido da história, com cinco títulos de campeão mundial. Há registros que colocam o futebol como o esporte mais popular do mundo e desde 1930, a Copa do Mundo revela-se como um evento multinacional, multi racial, que tem sempre aspectos culturais ou políticos envolvidos na sua realização. O que entendo ser absolutamente compreensível, visto que é um momento em que o mundo inteiro está de olho no que acontece no país sede e é garantida a divulgação das reivindicações, a exposição das mazelas em todas as mídias nacionais e internacionais. O futebol pode funcionar como uma ferramenta interessante para mostrar que mudamos. Nos dias atuais nem os grandes times nacionais tem conseguido colocar grande público nos estádios.

Li com surpresa que até o sisudo banco de investimento Goldman Sachs produziu um relatório interessante sobre a copa do mundo, sob o título “A Copa do Mundo e a Economia em 2014”. O relatório é amplo e analisa a evolução econômica do país sede da copa, dos países participantes e estatisticamente indica o possível vencedor. Não tenho a intenção de deixa-los curiosos.

As seleções foram estudadas desde 1960 e também levaram em conta que os times sul-americanos venceram os Mundiais disputados no continente. Acertadamente a previsão para o Brasil vencer na Copa na Africa do Sul, era de apenas 26% de chance. Deu no que deu. O Brasil foi eliminado nas quartas de final. Economicamente, o estudo aponta que apenas nos três primeiros meses após a copa, há certo ganho no mercado de ações para o país vencedor e país sede, depois esse ganho tende a diluir-se e tudo volta ao normal.

Uma deliciosa leitura sobre as Copas do Mundo é o livro de James Montague, jornalista e escritor britânico, que documentou vários jogos de classificação para as Copas e reforça a relação estreita entre futebol e política quando relata o caso ocorrido com a Seleção da Eritréia, um pequeno país africano, cujo time nacional foi jogar  em Kampala, capital da Uganda pela Associação de Futebol da África Central e do Leste. Após a derrota de 2 X 0 para Ruanda, todos os dezesseis jogadores desapareceram, ou melhor desertaram e pediram asilo na Uganda.

Lembra James Mantague que não é raro jogadores da Eritréia aproveitarem-se das viagens internacionais para fugir do País. Isso ocorreu com seis jogadores em 2007, doze jogadores fugiram em 2009 para o Quênia e 13 jogares já haviam fugido para a Tanzânia. O técnico atual do time menospreza os jovens fujões e garante que eles foram substituídos por uma nova geração de jovens raçudos, nos quais ele “quase acredita”. Já a ONU alega que centenas de eritreus fogem do país todos os meses por causa do governo repressivo e da extrema pobreza. Viu como funciona? O futebol garante a mídia para dar visibilidade às denuncias também.

Sonho e poesia

A realização de um sonho envolve tanta poesia

Nada me passa em preto e branco, nada cria distancia.

Apego-me ao cheiro, ao som e ao aconchego de quem passa  e

deixa um sorriso.

Sonho com coisas rimadas, com carinho, compaixão,

Paixão em noites enluaradas.

Eu sonho e escrevo,

Sonho e te vejo

Sonho e desejo

que toda poesia viva em meu sonho.

O homem que vende a sua versão dos fatos

A utilização cada vez mais frequente da delação premiada levou-me a ler e leigamente tentar entender a lógica que movimenta esse instituto dentro do ordenamento jurídico do Estado. Poderia ter recorrido ao filho e amigos advogados brilhantes, mas decidi enfrentar minha limitação intelectual e até reproduzir frases que li sobre essa prática que tem provocado reações diversas e aguçou-me a curiosidade.

A delação premiada é um mecanismo criado por lei para tentar resolver alguns crimes com maior facilidade e baseia-se na ajuda de um réu, que confessa suas práticas ilícitas e delata outras pessoas por envolvimento com as mesmas. Simples assim: o Estado através da delação premiada deixa de castigar a caráter o autor de um crime e lhe oferece um prêmio em troca de informações. Um negócio qualquer. Aqui o cidadão vende a versão dos fatos, com as provas que possui ou segundo os interesses dele.

Muitos advogados fazem duras críticas ao uso do instituto da delação premiada, chegando a afirmar que não fariam a defesa de quem dela se utilizasse, por entenderem que quem faz uso da delação são pessoas sem senso ético, que para obterem benefícios negociam com a polícia e com o Ministério Público prestando informações que só interessam aos órgãos envolvidos nas acusações. Muitos dizem que os delatores podem dizer o que é útil para a acusação e são, muitas vezes, induzidos a fazerem declarações tendenciosas.

Ainda que o instituto possa merecer críticas e deva ser utilizado com cautela, é importante saber que a delação premiada não é invenção da legislação brasileira. É amplamente aplicado nos Estados Unidos e na Itália. O fato de a legislação prever a delação premiada significa, a priori, o reconhecimento da ineficiência do Estado ao apurar pelos métodos tradicionais os atos ilícitos praticados por organizações ou pessoas. Achei difícil entender como o legislador, que dá tratamento rigoroso a determinados crimes, possibilita ao membro de uma quadrilha a negociação com o aparelho jurídico do Estado. Incongruente não?

Certo é que é temerário tomar as declarações do delator como verdade absoluta. Vale refletir sobre a valoração que as palavras do acusado assumem no processo. Assim sendo, delação não pode servir como prova absoluta contra aquele que está sendo delatado, porque muitas vezes, movido por vingança, acordos espúrios e até para salvar a própria pele, o delator acrescenta à história fatos irreais, contornos inexistentes. Existe a possibilidade de o delator colaborar falsamente com a justiça, com a finalidade de usufruir dos benefícios oferecidos pela lei, entretanto, se descoberto, pode perder as regalias e voltar a ser réu comum.

Nem tudo o que li foram críticas. Há os que reconhecem a delação premiada como um instrumento legal e até democrático, colocado à disposição do Estado. Em último caso, é um mal necessário, valendo-se da máxima de que os fins justificam os meios.

Há muito a considerar

Sob todas as perspectivas, gostamos de ser elogiados, nunca criticados. No entanto, os seres sublimes não são movidos por elogios ou críticas. Isto é o que você tem que almejar também. Seja sempre verdadeiro. Mostre-se em seus excessos, suas carências, nas atribulações do dia-a-dia, as pequenas e grandes imperfeições.

Não haveremos de encontrar uma vida perfeita. Há dias de contentamento, dias de lágrimas, dias de ser forte, dias de praticar a tolerância. Ao longo da vida acumulamos conhecimento, paixões e perdas. Não prometa, tenta ser um pouco melhor a cada dia. Não lamenta, procura compreender e aceitar. Além do que somos, do que pensamos, do que queremos há uma infinidade de pequenas coisas a considerar.

Os três tipos de preguiça

O ócio é, em certos casos,  a liberdade de ter o tempo sob seu controle. Aristóteles acreditava que a vida com tempo suficiente para ponderar o que é essencial, era mais suscetível de conduzir a felicidade do que a vida do comerciante ou do político muito ocupado.

O Budismo descreve três tipos de preguiça que devem ser combatidas: a preguiça quando não queremos fazer nada e preferimos ficar na cama, por apatia; a preguiça quando nos sentirmos incapazes de realizar algo e protelamos por insegurança e medo de falhar e o terceiro tipo de preguiça é estar demasiadamente ocupado com as coisas mundanas, nos mantendo ocupados para evitar a solidão, para não estarmos frente a frente com nossos problemas, com nossa própria intimidade. É a preguiça de interiorizar-se, de compreender profundamente o movimento natural da vida, do universo, sua natureza e como esta opera.

Há caminhos alternativos entre as classificações de preguiça. São os momentos em que damos espaço para a contemplação, para o afloramento dos sentimentos e emoções conturbados pela barulheira do mundo exterior. Precisamos exercitar o “fazer nada”, que nos remete ao encontro de quem somos e não do que fazemos. Embora não seja esta uma visão da contemporaneidade, pois que, a vida ativa é o modelo dominante, certa dose de preguiça pode ser bom para a saúde.

Lembro-me do sociólogo italiano Domenico de Masi, defensor da tese do ócio criativo, como uma forma de estimularmos a criatividade, que nos levaria a romper com os padrões rígidos impostos pelas nossas obrigações. Em seu livro, ele cita Platão e as condições de vida consideradas ideais pelo filósofo em O banquete: “Conviver com um grupo de amigos criativos, paixão pela beleza e pela verdade, liberdade carismática e tempo à disposição sem a angústia de prazos e vencimentos improrrogáveis. Felicidade, afinal, consiste também no fato de não ter prazos a cumprir. Precisamos, portanto, nos educar para gozar a vida e não, apenas, para exercermos profissões”.

Sombra do mal

O homem caminha atento, afoito

Prepara o golpe preciso.

Um olhar sem aviso e fim…

Todos os sentimentos morrem em mim.

Quando as forças colidem

Faço-me fraca,

Porque não sei ser o que abomino

A força bruta, o jogo,

A ignorância, o veneno.

Homens que caminham em disfarces

São sombras do mal que ainda não fizeram.

Nem tudo em mim é sinônimo

Pois que a doçura some,

Meias palavras são pronunciadas

Como ação profilática para afastar o mal.

O que inspira a razão

Nem sempre são motivos reais,

Vez são sutis

Outras, puro caos.

Buracos Negros

Apesar de ser da natureza humana ampliar os seus horizontes e desvendar os territórios inexplorados, ainda existem lugares misteriosos na terra, onde escondem-se seres humanos numa ação deliberada de violência ou acidente. Acreditávamos que a tecnologia moderna tornaria o mundo um espaço menor e mais controlado, já que podemos olhar praticamente para qualquer destino pela internet, conferir fotos, vídeos, e até mesmo conversar com as pessoas nesses lugares distantes em segundos. No entanto, mesmo com toda tecnologia disponível nos dias de hoje, ainda existem algumas fronteiras inexploradas na terra, onde ocorrem fatos impressionantes e desafiam a inteligência das autoridades políticas e científicas.

Voltando à Idade das Trevas, quando as pessoas desapareciam o tempo todo com as Cruzadas e doenças, no mundo moderno tais desaparecimentos são quase impossíveis. Quando as pessoas desaparecem geralmente foram mortas ou sequestradas, mas o ponto é que normalmente tem-se algum tipo de pista. Há empresas especializadas em rastreamento e monitoramento dos cidadãos e embora achem extremamente difícil uma pessoa apagar literalmente seus rastros sobre a terra, há pessoas que evaporaram sem deixar pistas e isso deve ser devastador para as famílias. Como entender que uma pessoa que você ama desapareceu sem deixar vestígios?

As pessoas somem hoje vitimadas pelo tráfico humano, que é uma prática moderna de escravidão e alimenta uma crescente indústria criminosa com bases no mundo inteiro. Atua no recrutamento, acolhimento e transporte de pessoas para fins de exploração. As vítimas de tráfico humano são pessoas forçadas a práticas sexuais ilegais ou trabalho escravo em fábricas, fazendas e grandes corporações. O tráfico sexual – pornografia, prostituição e abuso sexual de crianças -, é um dos setores mais lucrativos do comércio ilegal de pessoas. Na Nigéria mais de 300 meninas foram sequestradas por um grupo extremista, algumas conseguiram escapar, mas 276 continuam ainda desaparecidas e devem ter sido vendidas como escravas sexuais em países vizinhos, onde os controles do fluxo migratório nas faixas de fronteiras são frouxos exatamente para contribuir com as práticas criminosas.

Como explicar a invisibilidade de vários caminhões carregados de garotas? Pois bem, ainda nessa época da internet, da NSA, da comunicação instantânea, é possível, embora raro, que um avião com 239 passageiros desapareça, exatamente porque nenhum equipamento projetado para transmitir a posição da aeronave funcionou e sobre seu destino até agora, nada de concreto se sabe. Percebemos agora que um Boeing 777 é algo muito grande para sumir deliberadamente, mas aprendemos que o oceano é imensamente muito mais vasto do que imaginávamos.

Vê-se portanto, que na terra, céu e mar há mistérios que nossa eficiência não consegue rastrear.

Não!

“Não vou impedir a candidatura de ninguém em lugar nenhum, não vou travar o direito de nenhum postulante ser candidato sob pretexto de manter a união em torno do meu nome. Não sou candidato a Governador”, anunciou o senador Blairo Maggi em entrevista à imprensa, semana passada.

Há uma cultura em torno da qual nos sentimos pressionados a dizer sim aos apelos de amigos e dos grupos aos quais pertencemos. Mas real, é dizer sim quando há inspiração, vontade, desafios a serem vencidos; quando todo o roteiro causa certo encantamento e provocação. É isso que move os homens. É preciso estar confiante e seguro para colocar-se numa posição de negação a disputa de um pleito, visto que para muitos, isso seria a realização de um sonho alimentado há anos.

Mas devemos entender que somos todos seres humanos com funções iguais, mas com aspirações absolutamente distintas e que a exposição que o exercício do poder causa ao cidadão e família, a invasão à vida privada deve ser algo que contribui enormemente para desaquecer a tesão. Esse mapa de contrariedades, a falta de estímulo para brigar por uma posição já conhecida é compreensível. Ademais, Blairo Maggi é um senador que está na metade de um mandato eletivo. Não estará, portanto, distanciado do núcleo do poder político do Estado.

Deveríamos todos aprender a dizer “não” aos postos que não estejam alinhados com nossos ideais no momento, aos projetos que são muito mais de outros do que nossos, a uma consumação de tempo e imagem para debater algo que repetidamente temos negado. Por isso somos livres! Para exercer o direito de negar aos outros o que nos pedem. Muitos políticos parecem entrar na política para serem aplaudidos, para serem unanimidades. Mas é importante contradizer-se e ao grupo também, é importante reconhecer quando o momento não é propício, quando a vontade não é suficiente para abraçar o pleito. Jamais vai existir uma decisão política que agrade a todos. È importante fazer o que não é convencional em política: dizer não. Creio que os eleitores gostam de políticos que vão direto ao ponto.

Repetidamente dizemos sim quando nosso intimo diz “não”.  Vaidosos, temos o desejo de sermos aclamados, de sermos acolhidos e temendo rejeição e incompreensão, acabamos cedendo e nos sobrecarregando com compromissos que não validam nossa competência. Se ao contrário disso,  chamamos a decisão para nós mesmos, estamos imediatamente criando um ambiente mais harmonioso, que pode beneficiar a todos que nos rodeiam. Talvez valha aqui a máxima de que nunca devemos comprometer nossa paz, seja para nossos filhos, cônjuges ou amigos. É imprescindível estarmos motivados por impulsos vibrantes, para que nossa energia seja utilizada de forma contributiva. Outro, porém, é que quando dizemos “não”, a negação é feita num determinado momento e não há mal nenhum em mudar de opinião, contanto que seja para melhor.

Os quatro Bardos

Bardo é uma palavra tibetana que significa transição.

Nada é permanente e todos passamos por períodos de transição, períodos de grandes incertezas. A vida é um intervalo entre nascimento e morte. A experiência do bardo acontece ai, o tempo todo que vivemos. Nossa existência é dividida em quatro realidades, quatro bardos:  O bardo desta vida, todo período do nascimento até a morte; o bardo doloroso da morte, o bardo luminoso do pós morte e o bardo cármico, do renascimento, ou do que viremos a ser.

Nesse mundo turbulento que estamos inseridos, vivemos o bardo da nossa existência fragmentada e ameaçada. Muitos de nós não entendemos à impermanência que permeia todos os lados da vida. A transitoriedade da vida nos mostra que toda segurança material que lutamos tanto para adquirir pode desaparecer num piscar de olhos. Embora a mudança constante possa nos fazer infelizes, a roda da existência gira implacável, mesmo em meio a raios de agonia. Nossas emoções fluem como água e levam para o buraco as experiências que acumulamos, as respostas óbvias que tínhamos para tudo. A história tem provado uma e outra vez e vai continuar provando que nada neste mundo é duradouro. Todas as coisas com as quais nos agarramos se transformam, resplandecem ou acabam.

Tantas lições para aprender! Eventualmente nos agarramos ao que nos parece permanente, confiável e imutável.  No mundo físico, pensamos em rochas e montanhas como coisas imutáveis. No entanto, a ação do tempo provoca grandes mudanças nas formações rochosas. 

O que é que faz com que a transitoriedade difunda tanto terror em nossas vidas? Talvez porque seja inegociável.

Nenhuma opção senão aceitar humildemente que nada podemos fazer para mudar o que é inegociável. Mesmo tomados por sensação estranha de súbita imobilidade, devemos seguir o fluxo da vida, nos adaptarmos as mudanças e entender que nada do que temos tem garantia de permanência. Mudanças acontecem a toda hora e com todos. Precisamos sentir, ajustar e, em seguida, aproveitar ao máximo o que a vida nos dá. Temos que aprender absorver os sentimentos de perda e tristeza, e seguir em frente com o que temos.

Emocionalmente, todos nós ansiamos pela estabilidade permanente, sonhamos com segurança financeira, família feliz, boa saúde e juventude. No entanto, enquanto nossa visão míope persistir, temos a tendência de viver relações inflexíveis no mundo flexível que nos rodeia.  Eu diria que o medo do impermanente não é de todo um problema dos jovens, porque esta geração já é definida por aquilo que é passageiro, o que é novo envelhece em um ritmo cada vez mais acelerado. A incapacidade de se comprometer, a opcionalidade, são características desta época em que tudo é vivido em alta velocidade.

Muitas pessoas assimilam bem a natureza mutável da vida, tanto que nota-se em muitos, um certo agir que parece desapaixonado.  Acredito que seja possível descobrir uma forma de felicidade também passageira, transitória, que proporcione um centro de segurança neste círculo da impermanência. Sim, pode ser possível dar uma base sólida a esse mundo incerto.   E desde que a transitoriedade é a única característica permanente das nossas vidas no planeta, devemos viver relacionados com o que é transitório porque vida e morte estão na palma da mão.