O mundo sombrio das mulheres nos países em desenvolvimento

Desde 1.900, as mulheres travam debates críticos contra a opressão e desigualdade de oportunidades nos mercados de trabalho e, em 1.908, aconteceu na cidade de Nova Iorque a primeira marcha envolvendo 15 mil mulheres, exigindo redução da carga horária, melhores salários e direito ao voto. Entendo a democracia como sinônimo de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres na sociedade e no governo. Mas ironicamente, as mulheres representam a maioria dos eleitores, contudo, poucas ainda são candidatas por aqui e pelo mundo afora.

————————
A mulher, com oportunidade de participar
da economia, tem aumento na renda
familiar, investe em educação
e saúde dos filhos
————————

Trabalho forçado e tráfico de mulheres são hoje formas modernas de escravidão, que expõem histórias terríveis de abuso, exploração, ameaças com uso de força. Mais de 600 mil pessoas são traficadas durante um ano e 70% são mulheres. Em muitos países, as mulheres são ainda propriedade de alguém,sofrem mutilações e humilhações públicas. Sem nenhuma voz política para trazer o alento da mudança, essas mulheres são vítimas da violência doméstica e de estupro sistemático.

Acontecimentos recentes no Oriente Médio marcam, de forma indelével a vida das mulheres. Uma poeta do Bahrein, de 20 anos está presa por recitar poemas criticando o governo. País onde a liberdade de expressão tem suas barreiras e não pode haver referencia aos governantes. Yemen, Líbia e Síria são países que em comum, compartilham o tratamento injusto e bruto as mulheres. A preocupação com a violência contra as mulheres nem sempre é só retórica.

A jornalista saudita Nadina Al Bedair, numa entrevista a televisão nega que esteja havendo avanço na relação do estado com a mulher na Arabia Saudita, onde os direitos humanos não são observ ados. As mulheres, embora estejam reagindo, ainda não podem dirigir ou votar. No Brasil, quinto país em mortes violentas de mulheres, a taxa de feminicidio está em alta. Mulheres são vítimas de violência sistemática quando rompem relacionamentos.

A leitura do livro “Half the Sky”,( Metade do Céu), escrito por Nicholas D. Kristof e Sheryl WuDunn, vencedores do prêmio Pulitzer, é uma narrativa que abre o panorama sombrio do mundo povoado pelas mulheres e faz chamamento contra o mais perverso tipo de violação dos direitos humanos; a opressão das mulheres nos países em desenvolvimento, onde reconhece-se claramente que as mulheres sofrem desproporcionalmente com as causas da pobreza.

Segundo as Nações Unidas a 60% das pessoas mais pobres do mundo, são mulheres. A pobreza não é algo inevitável. É fruto de decisões políticas equivocadas , das práticas e crenças que impedem as pessoas, sobretudo as mulheres de desenvolverem suas potencialidades.

Segundo os autores, a chave para amenizar a questão é transformar a opressão em oportunidades, é prover as mulheres de possibilidades entrar no mundo formal dos negócios, é dar-lhes acesso aos financiamentos para montarem pequenos comércios. A mulher, com oportunidade de participar da economia, tem aumento na renda familiar, investe em educação e saúde dos filhos. Investir nas mulheres significaria aliviar a pobreza e diminuir a corrupção. Dotar as mulheres de oportunidades de negócios seria transformá-las em agentes reais da mudança.

Hoje governos e organizações não-governamentais tentam promover políticas eficientes para proteger os direitos das mulheres. No G-20 há solicitação para se colocar a abertura dos créditos as mulheres na agenda de discussão deste ano de 2011, como meio efetivo de aumentar a prosperidade global. Na perspectiva do Instituto Clinton de Iniciativa Global – é preciso educar as meninas com qualidade para se reescrever o futuro das mulheres e para que isso ocorra é premente a inclusão financeira da mulher até o ano 2020.

Há organizações que já efetivamente realizam projetos de inclusão financeira das mulheres. Li sobre o projeto “Pro Mujer”, que financia pequenos projetos comerciais, planos de saúde e treinamento para mulheres empreendedoras em cinco países da America Latina e que no ano de 2010, distribuiu 204 milhões de dólares em empréstimos para mulheres. Observação feita por Organizaçao internacional aponta que entre as 10 maiores democracias do mundo há maior proporção de mulheres ocupando cargos na estrutura do governo.

Há mulher presidente, primeira-ministra, astronauta, médica, advogada, executiva de grandes corporações, mas apenas em alguns países. No Brasil, governado pela primeira vez por uma mulher, as empregadas domésticas constituem a única categoria que não é contemplada na Legislação Trabalhista, por mero descaso. Isso deve ser reparado.

A representação global das mulheres nos governos é ainda ínfima, apenas 19,1 % dos assentos nos parlamentos mundiais são ocupados por mulheres e sem ter assento à mesa, a mulher não pode legislar, negociar a paz ou formular uma agenda de reforma do futuro. “Queremos um mundo onde não existam desigualdades baseadas na classe, em gênero, em raça, em nenhum país. Queremos um mundo onde as necessidades básicas se convertam em direitos básicos e onde a pobreza e todas as formas de violência sejam eliminadas”. (Conferencia Mundial de Mulheres em Nairobi, em 1985).

O olhar voltado para a cultura indígena

A cultura se movimenta.

As pessoas são alimentadas e moldadas segundo sua cultura. O que é sagrado para uma, pode ser profano para outra. Deve-se compreender uma cultura a partir do seu cotidiano, conhecer a identidade e o que pensa e fala quem produz as riquezas culturais.
A cultura de um povo é como o conjunto dos textos escritos pela vida deles, pelos ritos, canções, danças, jogos e troca de presentes.
È através das diferenças que nos reconhecemos nos outros, pois a distância é um elemento essencial para a percepção dos contrastes. Reconhecemos nosso próprio costume quando observamos um costume diferente. Alteridade é isso; reconhecer-se no outro.

Muitos grupos produzem suas próprias fronteiras, para resguardar seu modo de viver e pensar. Aos poucos devemos quebrar essas barreiras, porque se não compreendemos um povo, não temos como nos situar entre eles. As Culturas diferentes geram um modo peculiar de produzir história. História que as pessoas herdam, usam, renovam os hábitos e costumes, acrescentam e transmitem aos outros, numa relação de troca que acontece a todo momento.
A cultura é nosso modo de vida, é o legado que recebemos e depois deixamos para o nosso grupo social.

Falar de cultura em plena semana de aniversário de 50 anos da criação do Parque Indígena do Xingu mais parece um pretexto para eu penetrar nesse mundo extraordinário, onde índio não é só homem pintado de jenipapo e urucum, mas um ser supersticioso, que conta historias fantásticas, como escreveu Orlando Villas Boas, no livro A Arte dos Pajés.

Tive a sorte de ter ido ao Parque Indígena do Xingú algumas vezes, caminhar ao lado do grande Líder Aritana Yawalapiti, ouvir entusiasmada os projetos de Ianacolá. Hospedamos no Posto Leonardo e dalí, montados num velho trator visitamos os Kamayurá, dormimos em redes na casa dos hóspedes, um grande salão de uso comunitário. Presenciamos a ordem que se estabelecia naturalmente ali, na divisão da comida e do trabalho. Nos alimentamos de peixe assado, de beiju de mandioca e pequi. Mas os ovos de tracajá e carne de caça eram também servidos.

Todo movimento era uma demonstração cultural carregada de simbolismo e magia. Tentávamos entender um pouco de cada cena que se passava diante dos nossos olhos perplexos; a paisagem, as cores, a nudez!
As aldeias são dominadas por grupos de descendência, mas o índios xinguanos desenvolveram rituais de interação entre as tribos diversas, como os casamentos e a prática do moitará e isso foi tornando suas culturas similares.

No inicio do período de seca, os índios começam a movimentar o sistema de troca, chamado moitará. As trocas são controladas pelos Caciques e podem se dar entre aldeias ou entre famílias. Eles carregam os objetos que pretendem trocar; artesanato, frutas, redes e se dirigem a casa escolhida para iniciar a negociação. Víamos os objetos serem passados de mão em mão e de repente, um objeto era colocado no chão pela família visitada. Esse era o objeto escolhido e se a negociação fosse aceita pelo visitante, estava feito o moitará.

As crenças e as práticas das mesmas levam à superstições e aos ritos, tais como; o da flauta sagrada, tocada na casa dos homens, onde se passam os ritos masculinos e que as mulheres não devem vêr e nem tampouco saber quem as toca. E se por ventura tocadas no pátio da aldeia, mulheres e crianças ficam trancadas nas casas até o término do ritual. No mundo dos Kamayurá a proibição não é apenas visual, é também auditiva, as mulheres não devem sequer ouvir o som das flautas.
A eficácia das práticas mágicas dependem da crença na magia por parte do doente ou enfeitiçado.

No mundo Xinguano sómente os homens podem se tornar Xamãs. Os Xamãs são grandes feiticeiros, homens que mantém relações íntimas com as forças naturais, controlam as relações das aldeias com o mundo sobrenatural, a relação entre o homem e o espírito que habita a floresta e os rios, que traz doenças, invade as casas e se transforma em animal da floresta.

Os espíritos aparecem apenas para as pessoas doentes e para o Xamã em transe. Quando não são curados, a morte é recebida com tranqüilidade e não há incompatibilidade alguma entre a alegria e a morte. E a dança em homenagem aos mortos é conhecida como Quarup. Uma cerimônia que as palavras não descrevem mas é o ritual do Adeus Aldeia das Almas e acontece nem sempre, numa data fixa, porque depende da chegada do período de seca. Cada povo indígena celebra seu próprio Quarup, convidam as aldeias vizinhas, dura dois dias regados a muita música e comida farta.

A morte não é o fim para os povos xinguanos. Os mortos se reencontram na Aldeia das Almas.
O Parque Indígena do Xingú não é um mundo perfeito,  mas agora está em festa e daqui eu penso no universo xinguano com encantamento e relembro Geertz dizendo que é importante que um ser humano possa ser um completo enigma para outro ser humano.

Valorização da ignorância

Os valores e a integridade não podem ser medidos por orientação sexual, credo, raça ou qualquer outro balizamento preconceituoso. Não ser homofóbico é o mesmo que não ser racista. Onde quer que vamos na sociedade de hoje, o preconceito e a discriminação estão ainda vivos e latentes, embora não admitamos isso.
O preconceito coletivo praticado por um grupo social inteiro é também dirigido a um grupo social e deixa conseqüências nocivas nas minorias golpeadas e age a luz da ilegalidade porque vai contra o princípio da dignidade da pessoa humana – art. 1o, III, da Constituição Federal. Em Aristóteles os desiguais devem ser tratados desigualmente, na medida de suas desigualdades. O núcleo duro do sistema, por assim dizer, é o princípio da dignidade da pessoa humana, isso porque o ser humano deve ser posto a salvo de qualquer situação indigna.
———————————–
Na sociedade hoje, o preconceito e a
discriminação estão ainda vivos e
latentes, embora não admitamos
———————————–

Ninguém dever ser discriminado ou tratado com diferenciação por razão alguma. Discriminar é não reconhecer os direitos do outro, é ter atitude de desconfiança com quem é diferente, sendo que entre os homens existem desigualdades naturais. A discriminação repousa sobre como se observa e se ensina a encarar a diversidade. Se com respeito e compreensão, a discriminação não encontra campo fértil para florescer, se com intolerância contra a essência da alma do outro, gera ofensa, desrespeito e pode desencadear violência.

Para Bobbio, o juízo negativo dado a homossexualidade tem origem histórica e é produto da mentalidade de grupos formados também historicamente e que precisam evoluir. No regime democrático as pessoas podem expressar suas opiniões livremente e ao se chocarem no campo das idéias, elas se depuram, naturalmente. Mas ao Estado, não creio caber meter-se nas relações privadas entre pais e filhos. Não cabe abordar levianamente assuntos sérios que merecem trato diário.

Não se educa um jovem livre de preconceitos na leitura apressada de uma cartilha tampouco numa sessão de cinema improvisada na sala de aula. É preciso muito mais que isso para educar um cidadão pleno, que respeita, que aceita e que convive com todos sem indiferença, sem repulsa. Ser hétero ou homo não deve ser um fator determinante para que nos afastemos ou nos relacionemos com alguém.
O Ministério da Educação está vivendo momentos de lapsos e políticas desencontradas com o anseio da comunidade escolar em geral. Primeiro, indo contra todas as teorias da lingüística, defendendo a ideia de que não existe mais o certo e o errado na língua portuguesa. Enfim, a disseminação da valorização da ignorância,

Agora preocupado com o resultado de uma pesquisa feita na rede pública do país, que detectou que há cerca de 6 mil escolas que são ambientes hostis para homossexuais, onde ocorrem casos sistemáticos de homofobia. O MEC lança e depois recolhe uma cartilha e vídeos do projeto “Escola sem Homofobia”, que seriam distribuídos para professores e alunos do ensino médio ainda este ano. Segundo o Ministro Haddad, o governo investiu R$ 1,8 milhão para a produção do material e formação dos professores no tema.

Assisti a um dos vídeos e desconheço a íntegra do conteúdo programático do kit, mas estudando Sociologia da Educação, tenho aprendido que a demanda da educação é outra e que passa longe desses rumores sobre prevenção ou estímulo a homossexualidade. O MEC poderia propor as instituições de ensino uma matéria sobre a sexualidade, para o jovem conhecer melhor a si mesmo, mas direcionar o foco para a questão macro da violação dos direitos humanos nas escolas, na questão da violência, do bullying, infra-estrutura precária e professores mal remunerados.

No site do MEC há um atalho chamado “ Dia a dia do seu filho” ensina os pais a verificarem como anda o atendimento a educação do filho. Destila uma centena de orientações básicas e muito simples, que se observadas e cumpridas nas escolas já promoveriam uma acentuada melhoria na qualidade do ensino.
Deveria ser uma aspiração do homem viver numa sociedade de diferentes que respeita a individualidade das pessoas, considerando que cada ser humano é um conjunto de substantivos e adjetivos, sem que nenhum deles o defina completamente.

Processo Político

Estive muito envolvida no processo eleitoral e hoje reconheço que satisfaz-me o sabor inigualável da vitória.
Meses a fio planejando, contando os votos, divulgando idéias e projetos, acreditando na possibilidade de vencer. O desgaste ao qual me submetí foi imenso, a insegurança de contar com promessas veladas, com acordos aparentemente sem sustentação política e aliados desconfiados. Mas as dificuldades foram vencidas uma a uma, com seriedade e determinação.
Convenço-me agora que a vitória acontece, sobretudo quando nos expomos, quando superamos nossas fraquezas, preconceitos e quando vencemos as velhas práticas e conceitos.
A vitória vem quando vencemos um desafio após o outro, dia após dia.

A escolha

Os amigos me libertam do paradigma de que estar bem é ter alguém;
Eu tenho a mente e o coração livres porque preciso desse espaço para existir por inteira. Não saberia ser a metade de outra pessoa. É assim que minha consciência opera, dentro de um espaço próprio.
Já quis ir com alguém, quis que alguém ficasse, mas essa vontade é efêmera. Espero passar. Sou eu amadurecida, responsabilizando apenas a mim mesma pela minha felicidade!

Mensagem de paz no dia dos namorados

Este Dia dos Namorados Enviar cartas de amor para o Zimbábue
Todos os anos para comemorar Dia dos Namorados, a WOZA, uma organização pacifista constituída por mulheres leva seus membros às ruas para espalhar a sua mensagem de amor: “amor a si mesmo, a família, a comunidade e ao país”. Este ano, os membros do WOZA expressaram preocupação sobre o potencial de violência durante as eleições antecipadas. Zimbabuanos devem retornar às urnas este ano, para votar uma nova constituição e potencialmente novas eleições presidenciais e parlamentares. Há muita confusão sobre este assunto, exatamente quando e quais votações irão ocorrer, mas não há confusão sobre um ponto: qualquer voto deve ser livre, justo, sem violência e em conformidade com normas nacionais e internacionais.
As eleições passadas, de 2008 no Zimbábue foram marcadas com altos níveis de violência política. A Anistia Internacional documentou assassinatos, tortura e desaparecimentos. Membros políticos da oposição, sociedade civil e defensores dos direitos humanos foram particularmente visados. Women of Zimbabwe Arise (WOZA) está muito envolvida no processo de implementação da nova Constituição do Zimbabwe, medo de que a constituição seja escrita e dirigida ao abuso político. Muitos líderes, presidentes de outros países africanos estão pessoalmente envolvidos no precesso eleitoral do Zimbabwe, estabelecendo mecanismo de segurança que sejam suficientes para prevenir a corrupção, a violência e garantir a liberdade e justo acesso para a mídia atuar dentro do país.
Dia 14 de fevereiro, dia dos Namorados no país, as mulheres estão nas ruas com suas mensagens de amor e paz.

A liberdade como caminho


Entender uma crise politica que se desenrrola em outro continente, que envolve componentes históricos, culturais, religiosos não é tarefa que se resume a ler e falar. Atenta, ouvi muito, compartilhei e alinhei o pensamento com amigos que respeito. Aqui portanto, mais escrevo sobre o que ouvi nos 18 dias que antecederam a derrubada do governo de Hosni Mubarak do que emito considerações próprias de quem defende o caminho da liberdade, do respeito aos direitos humanos e da democracia em qualquer continente.
O Egito, por sua geografia já é um país complexo. Situado no norte da África,com 80 milhões de habitantes, tem a maior população do mundo árabe, quase 99% da população vivendo nos 4% de área ao longo do Vale do Rio Nilo. O Islã é a religião oficial e mais de 90% dos egípcios são mulçumanos. Faz fronteira com vários países africanos e do oriente médio e a capital, Cairo tem 8 milhoes de habitantes.
Ouvi de um amigo Israelense que há muita preocupação com o que pode acontecer com Israel nos momentos pós crise do Egito, por que de certa forma Mubarak garantia estabilidade a Israel, mas meu amigo e toda família compartilharam com o povo Egipcio toda aflição e esperança na derrubada do governo corrupto e ditatorial de Mubarak, que violava direitos humanos e reprimia a oposição.
A voz do povo, o poder da mídia instantanea, sobretudo facebook e twitter, é algo que não se pode subestimar. O apelo dos jovens na praça Tahrir , a distribuição de comida e cobertor por simpatizantes, como outro amigo, desta vez, egipcio, que me confidenciou em e-mail que morreu de inveja dos jovens que lá se juntavam.
A Praça Tahrir foi o palco, o epicentro das manifestações que culminaram com a queda do governo Mubarak.
Na Tahrir Square, meu amigo não ousou perguntar como as pessoas se sentiam. Disse-me ele que a aparencia deles transcendia um espírito de pessoas que não eram apenas humanas, por isso ele decidiu chamá-los de “Anjos da Tahrir Square”. Anjos que estavam povoando um céu de sombras e ruínas, mas que sabiam que não seria em vão.
Disse-me meu amigo Egipcio que voltou para casa e não conseguiu dormir nas vinte e quatro horas seguintes. Ele queria escrever, contar para todo mundo que ele havia visto anjos em forma de humanos, lutando para que ele e a família dele tivessem dias melhores.
Na praça Abdel Moneim Riad Square, o clima era mais tenso, era exatamente a linha de fogo contra os manifestantes. Não era seguro transitar por ali, mas ele foi levar comida e cobertores e a todo momento era advertido que não deveria permanecer lá.
Daqui, tão distante, troquei mais de vinte e-mails com meus dois amigos, o Israelense e o Egipcio, para fazer um paralelo do sentimento que envolvia um e outro e que de certa forma, envolvia-me também.
Quando o Vice Presidente Omar Suleiman anunciou na TV que Mubarak havia deixado o governo, recebi um emocionado e-mail: “ você viu, você viu na TV? Nós conseguimos! O Egito está livre de Mubarak”
Percebi que o que virá agora não é temido, tampouco desconhecido para o povo egipcio, que mediu as consequencias e avançou rumo a mudança. Portanto, dias dificeis, porém não incertos, virão pela frente.
O Secretário geral da Onu admitiu hoje, que o mérito maior da derrubada do governo foi a voz do povo egípcio, particularmente dos jovens, que de maneira pacífica e corajosa, exerceram os seus legítimos direitos e que agora cabe a eles, determinar o futuro do País que querem.
Devo ter cuidado ao referir-me a “democratização” e ao processo de mudança que o Egito enfrentará, porque democracia, claro, não surge da noite para o dia e, inevitavelmente a sociedade vai precisar de tempo e esforço para pôr em prática a cultura da democracia. Este é um processo e não um único evento. .

Nem poeta, nem insone

Eu aqui pela madrugada…Não sou poeta nem insone, nem que não goste de dormir.
Mas eu gosto de ver a noite pela janela…Esse silencio que inquieta e encanta.
A noite silenciosa não me remete à solidão; apenas acomoda algum desassossego que carrego na alma.
A dor que não entendo, chamo de subjetiva, o amor não correspondido chamo de abstrato.
Meu corpo aqui está, meu coração angustiado por um coração distante.
Nada no amor é lógico, não se explica o que se busca.Tantas vezes perdi a fé.
O que é o amor então?
serenidade,
desejo,
paixão,
tesão e
colo?
Mas não queira viver amor assim tão sereno,
não queira sentir amor que não dói…
Por que aí, eu acho que não é amor!