O investimento na prevenção da violência contra a mulher deve ter alta prioridade

A violência de gênero é um problema de longa data no Brasil e diante dos níveis alarmantes, sobretudo no estado, governo e população estão investindo esforço, pesquisas e políticas públicas para melhorar a aplicação das punições, mas, devem concentrar esforços para investigar e implantar ações que visem coibir a violência. Precisamos desesperadamente, aí incluo todos, fazer mais no que diz respeito à formulação, implementação e monitoramento de políticas eficazes de prevenção e proteção às mulheres, porque apesar do debate público sobre papéis de gênero e violência de gênero, não houve uma redução significativa no número de vítimas, nem, em termos gerais, aumentou o número de pessoas que buscaram ajuda.

No Senado Federal, parte da programação do ‘agosto lilás’ aconteceu uma sessão temática no Plenário, com representantes do parlamento, governo e sociedade civil para debater caminhos para além das leis específicas, como a Lei Maria da Penha e Lei do Feminicídio que consigam coibir a violência dentro dos lares. O debate reforçou que toda possibilidade de prevenção ao feminicídio passa pela elevação da condição social da mulher, com a participação maior de mulheres nos espaços econômicos de decisão, para retirá-las da posição subalterna que são colocadas nos relacionamentos.

Enquanto isso não ocorre, o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado em 2025, mostram com grande preocupação o aumento das taxas de violência e assassinato de mulheres no Brasil, onde uma pesquisa revelou que quase metade das mulheres brasileiras, cerca de 40,7%  com mais de 16 anos sofreram violência por parte de um parceiro ou ex-parceiro, a maioria da violência, 60 desses casos, aconteceram na casa da vítima casa, muitas na frente de familiares, incluindo crianças. A pesquisa mostra que o sentimento das mulheres agredidas é de solidão, abandono e desconfiança no estado para garantir a justiça e o recomeço de uma nova vida.

O Observatório Caliandra, ligado ao Ministério Público Estadual registrou 36 feminicídios em Mato Grosso até o momento. Os últimos dias foram críticos para as mulheres no estado: Larissa Bezerra teve a casa incendiada pelo ex-parceiro; a violência política mostrou o detestável vereador Gilson chamando prefeita Iraci Ferreira de ‘cachorra viciada’ na tribuna da Câmara Municipal; um homem assassinou a ex-namorada  Ana Paula Abreu com 18 facadas e enviou fotos para os familiares dela e para o próprio irmão; a estudante Jacyra Grampola foi morta pelo ex-namorado em Sorriso; a jornalista  Angélica Gomes foi agredida em plena rua, na frente de testemunhas, quando cobria um acidente de trânsito; encerrando a semana, a servidora pública Makiane Brito foi assassinada pelo ex-namorado, dentro de casa, na frente da mãe e da filha.

O Instituto Natura, o Senado Federal e a Associação Gênero e Número criaram uma plataforma e atualizaram dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, que mostram que o desafio continua gigantesco e não há sinal que indique a diminuição da violência contra a mulher. O estudo revela que a maioria dos casos de feminicídio são crimes que poderiam ser evitados se como sociedade, falássemos mais abertamente sobre o assunto. A dor causada pela violência é silenciosa, muitos casos não são denunciados por medo ou vergonha. A plataforma reforça a responsabilidade de todos, no sentido de intervir e questionar falas e atitudes ofensivas e agressivas ou subjetivas dirigidas às mulheres, indicando controle, ciúme excessivo e isolamento. É preciso dar a esses comportamentos, o nome real: violência.

Adianta acirrar a discussão em torno da prisão perpétua e pena de morte para o agressor ou assassino da mulher se não fazemos valer as penas vigentes no código penal? A prisão perpétua é proibida no Brasil pelo art. 5º, inciso XLVII, da Constituição Federal de 1988: “não haverá penas de caráter perpétuo”. Esse artigo faz parte dos núcleos protegidos pelas cláusulas pétreas (que não podem ser alterados) e isso significa que para a prisão perpétua e pena de morte fossem permitidos no Brasil, seria necessário romper a ordem constitucional, convocar uma Assembleia Constituinte e escrever uma nova Constituição. Impossível? Não, improvável. Ainda assim estaremos falando do assassino enquanto a pauta prioritária deve ser a proteção, a prevenção da violência e do crime contra a mulher.   

Exposição nenhuma é conteúdo fofo

Não existe um ‘influenciador’ que eu siga e da grande maioria nunca ouvi falar. Considero, no verbo presente, uma perda de tempo. Ao conversar com meu neto de 11 anos, ele disse que conhece e assiste vídeos do Felca e nunca havia ouvido falar em Hytalo tampouco em Kamilinha. Alívio! Após o vídeo denúncia vir à tona, me informei demoradamente sobre o ocorrido, sobretudo lendo especialistas e governo dada a seriedade e gravidade do tema exposto. Nas mídias, há tempos, o pediatra brasileiro Daniel Becker, palestrante, consultor do UNICEF e da OMS, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem sido uma voz ativa nas denúncias e na defesa do desenvolvimento infantil saudável e tem denunciado que crianças pobres têm sido manipuladas para monetizar conteúdos perniciosos.

Mas, quem prestou atenção nos gritos e argumentos do Dr. Becker pela aprovação do Projeto de Lei 2628/2022, de autoria do Senador Alessandro Vieira, que dispõe sobre a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais? O Senado fez o trabalho cuidadoso, com apoio da sociedade civil, das entidades de proteção à criança. A polarização absurda, que se sobrepõe a tudo neste país, fez com que parlamentares de vários partidos conseguissem evitar que o PL 2628/2022 fosse votado, temendo que sua aprovação calasse seus discursos de ódio e desinformação na internet.

O Dr. Becker tem lutado, arrebanhado apoios para a aprovação do Projeto de Lei que regulamenta as redes sociais, visando auxiliar no combate a esse tipo de exposição e exploração. Diz ele que o Projeto de Lei foi amplamente discutido com especialistas, ele próprio participou e orientou alguns trechos, porque teme que os riscos trazidos pela internet, de modo geral, sejam completamente naturalizados e sejam tratados como parte inevitável da vida moderna. A pré-adolescente que foi submetida a realizar uma cirurgia para colocar prótese nas mamas, o rebolado para impressionar homens adultos babões, é apenas uma das formas de adultização, que junto a outras são como uma amputação da infância, a extirpação de um período da vida, que geralmente dura 12 anos.

Agora, a pergunta incômoda: ‘Por que não ouviram o Dr. Daniel? Especialista sério, pediatra, pesquisador, professor, que tem colocado suas falas de forma incisiva, às vezes acusatórias aos parlamentares que não se preocupam em pautar o Projeto de Lei 2628/2022, que regulamenta o mundo digital e seus conteúdos nocivos, aos pais, que tudo consentem, ora por comodismo, outra por vantagens financeiras e quase nunca por ignorância. Porque as mídias não ampliaram a voz do Dr. Daniel Becker, assim como fizeram com esse moço que denunciou?  O ‘influenciador’ Felca, agiu pelo bem, prestou um serviço de utilidade pública, tem mérito, claro, mas percebe-se que ele travou uma guerra direta com nome e sobrenome para atingir outro ‘influenciador’, que já deveria ter sido observado, denunciado e tirado do ar, se o Projeto de Lei tivesse sido aprovado na Câmara dos Deputados.

Falhamos todos. Lamentavelmente a sociedade, as mídias, a classe política e o governo estão optando por dar credibilidade a quem ganha mais ‘likes’ nos seus vídeos, sejam de denúncias ou outra abordagem qualquer. Numa mesma rede social, dr. Daniel tem apenas 1 milhão e oitocentos mil seguidores, o ‘influenciador’ tem mais de 17 milhões.

Agora, muitos pegarão carona no vídeo, que acumula mais de 36 milhões de visualizações, o PL deve ser pautado e votado. Enquanto isso, resta perguntar onde andam os Conselheiros Tutelares, os guardadores do Estatuto da Criança e do Adolescente, que não se levantaram sequer para questionar a hipocrisia das redes sociais, que dizem não permitir contas de crianças abaixo de 13 anos, mas abre-lhes a participação literal em contas alheias, de conteúdo notadamente exploratório sexual e financeiramente. Li o comentário de um pai que administra a conta de conteúdo comportado da filha, embora seja uma criança de 10 anos. Ele diz que todos os dias, atinge o limite de bloqueios de homens adultos pervertidos, enviando mensagens inapropriadas para a criança e ainda assim, mantém a conta ativa.

Ao falarmos da exposição de crianças na internet, não nos limitemos a criticar os pobres. Cantores famosos postam a rotina de suas crianças, dirigindo carros, fazendo dancinhas, em momentos constrangedores ou íntimos de birras e choros atrás de engajamento. Isso é exploração. No esquecido Estatuto da Criança e do Adolescente reza que a criança deve ter protegida sua dignidade, a imagem e o desenvolvimento.

O amor não pode ser perigo mortal

Se o amor muitas vezes machuca, não dá para mensurar a dor que o ódio é capaz de provocar. Em tempo em que predomina a aspereza, a necessidade de machucar, de diminuir e ofender, o espetáculo da grosseria, da violência está no meio das discussões, novamente e sempre. Não temos controle sobre o outro, embora acreditemos que conhecemos profundamente as pessoas com quem nos relacionamos, a quem atribuímos expectativa sobre nossa felicidade. O amor de quem te ama não está sobre seu controle. Ame-o de volta, mas concentre-se nas coisas que estão sob seu controle. Assim, se perder o amor, não perderá a identidade.

A raiva é uma emoção destrutiva, mas causa raiva e repulsa contar os socos, olhar para o rosto desfigurado de uma jovem mulher que foi brutalmente espancada, sabendo o namorado que a cena brutal estava sendo filmada e poderia ser usada contra ele. Logo no dia seguinte, aqui perto, tiros calaram os sonhos de uma migrante que fez sua travessia com as filhas em busca de uma vida melhor no Brasil. Mas logo aqui? O quinto país do mundo que mais mata mulheres, com arma branca, tiro, socos. O estado de Mato Grosso há dois anos é o estado brasileiro onde mais se mata mulheres. 2,5 casos por 100 mil habitantes, a maior taxa de feminicídio do país. Mato Grosso tem 2 cidades entre as dez mais matam mulheres no país, Sorriso e Tangará da Serra e os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, confirma ainda que os assassinos dormem ao lado.

Em geral, a violência parte de homens com vínculos afetivos com as vítimas. E o uso das câmeras de celular que poderiam aumentar o risco de o agressor ser identificado e denunciado não causa intimidação. A violência é um espetáculo que não tem freio. Numa cidade de Mato Grosso, há dias atrás, o ex-companheiro atacou a ex-mulher sob as vistas de dois outros homens que passavam pela rua e calmamente escolhiam o melhor ângulo para filmar as agressões e tentativa de assassinato.

A cantora Joelma sempre nas mídias performando alegremente, revela para a mesma mídia o inferno que viveu durante 18 anos de um relacionamento repleto de abusos físicos, psicológicos e materiais. As idas e vindas, as promessas rompidas, o ciclo se repetindo, com olhos roxos, lábio partido, ameaça de ser jogada pela janela de um hotel. Essas denúncias dão visibilidade ao tema e reforçam a urgência de discutirmos a prevenção e a conscientização sobre a violência contra a mulher.

Ocorre que as famílias não conversam sobre a violência, a escola não encaixa o tema na grade escolar, as medidas de segurança pública não conseguem antecipar medidas de proteção, sobretudo porque a violência é mascarada com cenas de arrependimento, choro, promessas e as agressões são trancadas dentro dos lares, como um segredo de família, é o que sente o corregedor nacional do Ministério Público, o procurador Ângelo Fabiano Farias da Costa, que quase solitariamente colocou o combate à violência doméstica como a prioridade absoluta de sua gestão. O dr. Ângelo tem viajado pelo Brasil, analisando de que forma o Ministério Público pode se tornar mais ágil, oferecer rede de proteção efetiva, mais conscientização das mulheres para que busquem apoio e medidas protetivas o quanto antes. 64% das vítimas de feminicídio são mortas dentro de casa.

Por mais que o tema da violência contra a mulher tenha ganhado destaque em todas as mídias, nas políticas públicas dos governos, o procurador registra que não há nenhum arrefecimento, os números e as imagens continuam assustadores.

O Senado italiano não buscou meio termo para tratar o tema, recrudesceu a pena o máximo possível e aprovou, por unanimidade, 161 votos favoráveis e nenhum contra a pena de prisão perpétua, para quem comete feminicídio. O projeto precisa ainda ser aprovado na Câmara Baixa. Há prisão perpétua no sistema jurídico italiano e a pena já foi aplicada em 2024 depois de grande mobilização e pressão diante do assassinato da jovem Giulia Cecchettin, morta pelo ex-namorado.

Trocar a velha ignorância por conhecimento

Precisamos trazer novas perspectivas para os relacionamentos abalados pela divisão política, religiosa e outras e para os que se incomodam com a polarização que permeia as tentativas de se manter uma conversa generosa com familiares e amigos. Lembrando que uma das características dos humanos é a capacidade de atualizar suas próprias crenças e promover atualização na mente de outras pessoas. Todos nós temos o poder de renunciar às velhas crenças e trocar a velha ignorância por conhecimentos novos.

Quando as pessoas têm a capacidade de mudar, mas há pouco incentivo para mudanças, elas permanecem praticamente as mesmas de uma geração para outra, mas quando a pressão para se adaptar aumenta, o ritmo da evolução aumenta também. Anos atrás, milhares de pessoas, comungando um pensamento conspiratório e se posicionaram contra a vacinação contra a Covid-19. Nem ao perceberem, inclusive em seus meios familiares, o aumento escandaloso do número de mortes, refizeram seus comentários. A ciência se fez ouvir forte, divulgou os protocolos científicos rigorosos e as etapas de testes antes de as vacinas serem aprovadas, diante disso, muitos reviram seus pontos de vistas polarizados, atravessados por conteúdos políticos ignorantes e aceitaram se vacinar e estimularam a vacinação dos seus

Para ver o mundo de uma maneira, você precisa ter conhecimento de outras maneiras de se viver, para interpretar a cultura, a religião e a política de uma maneira, você precisa ter ou ter tido conexão com várias culturas, religiões e ideais políticos. Para a Sociologia, a maioria das mudanças sociais ocorrem quando grande parte de uma população quebra a resistência e muda completamente o modo de pensar sobre determinado tema depois de décadas e isso se transforma em uma mudança social generalizada. 

“Como as mentes mudam” é um livro fascinante do jovem jornalista e escritor americano David McRaney, que explora o que acontece no cérebro quando ele passa de uma forma de pensar para outra, reforçando o peso da ciência por trás das crenças, valores e atitudes. O autor recorre a vários comportamentos que que passaram por questionamentos polarizados, divididos tensamente como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, repudiado com preconceito e violência, é hoje protegido por leis em muitos países e mesmo onde o casamento não é legalizado, há aceitação. Cita também que não somente algumas pessoas, mas várias nações saíram de uma situação de fumar até dentro de aviões para o banimento do cigarro até em bares e restaurantes. Como essas mentes mudaram?

Fatos e evidências não bastam para mudar a opinião de uma pessoa ou de uma comunidade, o autor explora o poder da persuasão e da autoconfiança como fontes poderosas para alterar a realidade formada no cérebro.  A autoconfiança é fruto do conhecimento e persuasão é definida cientificamente é o ato de mudar a mente sem coerção. Não é tampouco, uma tentativa de desmerecer intelectual ou moralmente a pessoa que você tenta convencer. Ou seja, quando a pessoa com quem você discute sente-se livre para rejeitar suas preferências, é onde a persuasão ética opera. 

Sob argumentos carregados de polarização, ódio político e movidos por informações falsas muitos brasileiros defendem que não houve nada senão atos de vandalismo no dia 08 de janeiro de 2023. Como bem disse McRaney, um dos maiores problemas que as pessoas enfrentam para enxergar a realidade e mudarem seus pensamentos é a metralhadora giratória de fake news, teorias conspiratórias e discurso de ódio criados para alimentar o caos. Entretanto, entre os incitadores já há quem diga que era apenas uma manifestação que tomou rumo de uma tragédia, mas que ele não concorda com atos de vandalismo. O que levou essa mente a mudar?  

A confiança na política não deve ser fé cega

2024 foi um ano marcante para as eleições, cerca da metade da população do mundo foi às urnas em 76 países, o maior número já registado. Também acabou sendo um ano difícil para os candidatos alinharem seus discursos aos seus partidos políticos tradicionais, resistentes às mudanças e modernização de pautas. Abalados pelo aumento dos preços, divididos por questões culturais e radicalismo político, irritados com a falta de solução para os problemas estruturais de sempre nas áreas da saúde, educação e segurança, os eleitores de toda parte enviaram uma mensagem de frustração.

Muitas pessoas ainda se sentem desconectadas de lideranças maiores, dos partidos e das instituições políticas na capital do estado ou Brasília e, compartilham a crença de que os partidos e líderes do establishment estão fora de contato com os cidadãos comuns, portanto, o eleitor tentou encontrar ressonância de seus sonhos e esperanças nas lideranças locais.

2025, um ano não eleitoral, um ano silencioso que traz maior fluidez em todos os trâmites e relações da vida pública, inclusive, é o ano onde sentiremos os efeitos das mudanças que foram chanceladas nas urnas ano passado e nem sempre veremos ou ouviremos, mas certamente é o ano de avaliação dos apoios políticos e financeiros concedidos nas eleições de 2024, de avaliar propostas para mudanças de partidos, articulações e composições nacionais visando disputas próximas. Há tratativas avançadas para a construção de novas federações, fusão permanente de partidos, troca no comando nacional de partidos importantes, visando ampliar as filiações e fortalecer minimamente o vínculo de confiança entre políticos e povo.

Li o relatório do Edelman Trust Barometer, uma empresa de comunicação global que estuda há mais de 25 anos, por meio de gerenciamento de reputação, a influência da confiança da sociedade no governo, na mídia, empresas e ONGs, lançado em Londres em 25 de janeiro passado, onde o ano de 2025 foi apresentado com uma leitura política preocupante, de um fato que não é novo.

A confiança na classe política foi mencionada como um fator crítico em toda parte do globo e explorada no relacionamento entre governos e as pessoas que dependem de seus serviços. A confiança nas instituições; mídia, governo e classe política em geral, continua a diminuir e a culpa é compartilhada com as próprias pessoas que foram pesquisadas e não conseguem sequer distinguir fatos de informação falsa, um universo de pessoas que se enquadram na categoria de ativismo hostil, sobretudo nas mídias sociais. Ou seja, são pessoas que lamentam, xingam e espalham notícias falsas induzidas por líderes radicais, algoritmos e robôs. 

O relatório encontrou pessoas cautelosas com governos que não cumprem promessas e veículos de mídia que priorizam a espetacularização da notícia em vez de divulgar e esclarecer os fatos relevantes. Ao final, os estudos veem no ceticismo uma força poderosa para a responsabilização e apontam que sem desconfiança, não mantemos as instituições honestas e as democracias fortes. Ainda bem!

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na abertura dos trabalhos semana passada declarou, que 2025 é o ano preparatório para as eleições de 2026. Portanto, um ano semi eleitoral. A Ministra Carmen Lúcia, sempre com apontamentos precisos disse que trabalha “com cuidado especial para garantir ao cidadão informação correta, o ano todo, para que haja, sempre, manifestação de liberdade, não exposição manipulada de ódios e violências”.

Em ano sem eleições, as pesquisas de opinião pública relacionadas a postulantes de candidaturas podem ser livremente encomendadas e divulgadas, sem registro na Justiça Eleitoral.  A artilharia montada em 2025 pelos políticos, na construção de suas reputações pessoais e políticas está apontada para as eleições de 2026 e o TSE vigilante, espera que as mulheres em número expressivamente maior se apresentem para ocupar espaços políticos importantes e não sejam abatidas pela violência política de gênero dentro dos partidos. O TSE promete empenho rigoroso no enfrentamento às ´fakes news` para que estas, não interfiram no resultado das eleições e para impedir que a desigualdade financeira promova, como tem sido, a derrota da representatividade das minorias.

Para conviver precisamos aterrizar no mundo

Douglas Rushkoff é um autor e documentarista que estuda a autonomia humana na era digital. O teórico da mídia, escritor, colunista e acadêmico americano, professor de Teoria da Mídia e Economia Digital na City University of New York, Queens College, onde ensina, discute e questiona a tecnologia, digitalidades e humanidade em nosso tempo. Suas teorias e compreensão nos ajuda a pensar em alternativas para um futuro que possa se renovar a partir desse momento em que que os humanos estão sendo desvalorizados na era digital.

No momento, há uma verdade incômoda no alinhamento da elite do Vale do Silício com o governo de Donald Trump. As empresas estão buscando tratamento especial, influência e desregulamentação. Isso basta para ‘dominar o mundo’. O dono da Amazon, Jeff Bezos, anos atrás disse que o presidente Trump era “perigoso”, cujo comportamento poderia destruir a democracia americana. O CEO da OpenAI, Sam Altman, já comparou Trump a Adolf Hitler. Pararam com demagogia e estavam enfileirados, sorridentes na posse do presidente americano.

O contraponto e enfrentamento de Douglas Rushkoff é com a premissa do Vale do Silício de que os seres humanos são o problema e a tecnologia é a solução, por isso, induzem os humanos a agirem como algoritmos. “Eu queria escrever um livro na era digital que nos ajudasse a realmente identificar e recuperar o que torna os seres humanos especiais, criativos, peculiares, imaginativos. A tecnologia não é algo ruim por si só. O problema surge quando tentam fazer com que os humanos operem da mesma maneira previsível, rápida e automatizada, cumprindo métricas predefinidas. Aí, perdemos os benefícios do que significa ser humano”.

Quando estamos online, estamos em um mundo criado por empresas que buscam extrair tempo, valor e dados, por todos os meios possíveis. Ele diz que as plataformas, sem exceção estão lá para, armazenar nossas informações, sobretudo enquanto consumidores e mais recentemente, diante da polarização vigente em toda parte do mundo, vigiar e explorar nossos ideais políticos. Rushkoff promove uma discussão baseada em como as midas, enquanto espaço de manobra, nos afasta da realidade, da nossa individualidade e humanidade, nos colocando em padrões pré-estabelecidos de consumidores de produtos que nos empurram.

A preocupação parece ser a teoria de importantes engenheiros digitais, de que em um tempo não tão distante, computadores superinteligentes e inteligência artificial serão capazes de induzir as ações e controlar vidas humanas. Há pesquisas que provam que a humanidade e a interação humana foram drasticamente afetadas pelas mídias sociais e plataformas como Facebook, Twitter, Instagram e YouTube e as pessoas não conseguem mais se comunicar normalmente. Cientistas e sociólogos combinaram um discurso sobre o que acontece quando as mídias sociais e a Internet afetam nosso potencial de humanidade e liberdade e destacam que a humanidade ainda é um grande problema neste mundo em evolução tecnológica.

Não devemos nos divorciar dos valores, dos fluxos e refluxos que nos tornam humanos, por isso, defende a humanidade como um jogo coletivo, e a necessidade de reocuparmos a realidade, policiando para manter a soberania humana e evitar que nos tornemos escravos da era digital. Não podemos deixar de lado o mundo que conhecemos, e mergulhar na ilusão de que temos acesso à pessoas que vivem distantes de nós, porque compartilhamos conteúdos nas mídias sociais. Temo pela transformação que o mergulho profundo e sem filtro na internet, pode causar. Minha estratégia, ingênua, talvez, é permanecer o mais humana possível e resistir, na alma, a pressão das corporações, que buscam lucros gigantescos, transformando pessoas anônimas e insignificantes em fenômenos lucrativos nas redes sociais.

O conselho de Rushkoff é simples: Quando as coisas começarem a acelerar descontroladamente, “pressione pausa, faça bloqueios, denuncie e se necessário, dê um tempo off line”.

Migração – uma longa e incerta travessia

Os Estados Unidos têm a maior população de brasileiros em todo o mundo, são mais de 2 milhões e 100 mil imigrantes, entre regulares e irregulares, conforme dados do Ministério das Relações Exteriores. Somente no ano passado1.648 brasileiros foram deportados a partir da entrada ilegal pela fronteira com o México. Não encontrei dados sobre o número de pessoas que entram no país de avião, com visto de turista e tentam permanecer. Desde a campanha, o presidente Donald Trump prometeu leis duras contra os imigrantes, espalhou notícias falsas sobre imigrantes haitianos, dizendo que “em Springfield, eles estão comendo cachorros. As pessoas que chegaram estão comendo gatos. Elas estão comendo os pets das pessoas que vivem aqui”.

Elegeu-se presidente e iniciou o processo de deportação dois dias após a posse. Além disso, as primeiras ordens executivas de Trump incluíram a medida para acabar com a cidadania por direito de nascença e outra medida declarando a paralisação do programa de admissão de refugiados. Basicamente, isso significa que migrantes sem documentos presos nos portos de entrada não poderão solicitar asilo e enfrentarão um processo de remoção imediata.

Mas vejamos a condição de pessoas que estão no entorno mais próximo do presidente Trump. A esposa, Melania Trump nasceu na antiga Iugoslávia, hoje, Eslovênia, trabalhou um tempo ilegalmente nos Estados Unidos, de acordo com a investigação da agência Associated Press. Portanto, Barron, o filho querido de Trump é filho de uma imigrante. O vice-presidente americano, J.D. Vance, é casado com Usha, filha de imigrantes indianos. Marco Rubio, o Secretário mais importante do governo Trump é filho de imigrantes cubanos, que chegaram nos Estados Unidos ilegalmente, sem dinheiro e sem falar uma palavra em inglês. O maior influenciador e financiador da campanha, Elon Musk é sul-africano, nasceu em Pretória, na África do Sul, migrou para o Canadá e só depois veio para os Estados Unidos. Ou seja, considerados imigrantes indesejáveis nos Estados Unidos sob Trump, são os negros e pobres de origem hispânica e brasileira.

Arnold Schwarzenegger nasceu na Áustria, é ator, ex-governador da Califórnia, republicano, rompeu com Trump por não apoiar sobretudo a política de perseguição aos imigrantes, reconhecendo-se como um deles, condição que a turma mais próxima de Donald Trump preferiu ignorar.

O indivíduo que migra, regular ou não, coloca no contexto da migração a sua autonomia e a liberdade de buscar novos lugares para construir a vida, para produzir sua própria história. Desfaz-se do drama para buscar a liberdade. Sou uma estudiosa das migrações modernas, do movimento de pessoas pelo mundo, onde cerca de 3,6% da população do mundo vive em países diferentes de onde nasceram, movidos principalmente por razões econômicas e conflitos. O tema é extremamente complexo e envolto em películas de discriminação e preconceito étnico racial.

A imigração legal, de acordo com as leis migratórias de cada país, é, em geral, um processo lento, caro, mas possível e preferível. A exigência mais elementar é que se fale o idioma, que tenha todos os documentos e certificados traduzidos oficialmente para o inglês, apresentar um fiador, ‘sponser’, de preferência que seja o empregador, endereço de moradia, comprovar com extratos bancários, renda compatível a uma vida dolarizada. Feito tudo isso, muita paciência e reza para ter o visto concedido, o que não garante uma vida sem estranhamentos e acusações de roubar empregos e onerar os serviços públicos implantados para os locais.

A imigração ilegal não é uma condição boa para o imigrante, que não consegue acesso aos serviços públicos, sobretudo, educação e saúde, vive sob a tensão de ser abordado pelas autoridades e essas condições por si, já marginaliza o imigrante, cuja maioria, se muda com o intuito de trabalhar e ajudar às famílias que permaneceram em seus países. Muitos têm curso superior, mas não têm o registro de suas profissões para trabalhar nos Estados Unidos, por isso executam trabalhos que mesmo o americano pobre se sujeita, como cuidar de crianças, lavar pratos, limpar o chão e fazer turnos na madrugada nos bares e hospitais. Não são criminosos, não comem os animaizinhos de estimação, enfrentaram dilemas e perdas ao partir, pagam aos coiotes um valor bem maior do que pagariam numa passagem aérea e se sujeitam a uma longa e incerta travessia.

Não calar nada

Escrevo livremente neste espaço do RDNews há 12 anos. Aqui, torno público e dou ênfase às minhas pesquisas, estudos sobre questões de gênero, desigualdade social, processos migratórios e política.  A sociologia me encoraja a de me expor, me aproxima de muitos, me distancia de alguns poucos, me traz reconhecimento e críticas, que aceito e utilizo no meu processo de crescimento pessoal. Neste espaço, aprendi a liberar meus textos de padrões rígidos dos artigos acadêmicos ou científicos e ganhei visibilidade como cientista social.

Após a apresentação de trabalho publicado e processo seletivo, percebo a indescritível honra de adentrar no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, uma Casa centenária, fundada pelo então presidente do Estado de Mato Grosso e Arcebispo Dom Francisco de Aquino Corrêa e entre seus membros estão destacados sobrenomes da sociedade e da política mato-grossense, comprometidos com a prestação de um trabalho contributivo para ajudar a preservar, acompanhar e narrar a história que Mato Grosso vai construindo.

A vida, o passado, a sensação profunda de pertencimento a região do Araguaia, onde nasci, em Ponte Branca, Barra do Garças, onde morei, levou-me naturalmente a escolher como patrono um homem que viveu mais de 50 anos às margens do Rio Araguaia, o bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, um migrante, evangelizador, defensor dos direitos humanos, sobretudo dos indígenas, que foi enviado ao Brasil em plena ditadura militar. Foi ordenado bispo e marcou a data com a divulgação de uma Carta Pastoral chamada Uma Igreja da Amazônia em Conflito com o Latifúndio e a Marginalização Social, onde denunciava que indígenas e trabalhadores viviam em regime de escravidão. Pela dureza de sua escrita, dizia: “Todos temos momentos de comunicação emocionada, intensa”.

Dom Pedro sofreu perseguições políticas, ameaças de morte, que ele respondia com a linha de uma poesia sua: “Eu morrerei de pé, como as árvores. Me matarão de pé”. Os governos militares abriram vários processos de expulsão do Brasil contra Dom Pedro, porque desconfiavam do envolvimento da Prelazia e do bispo com os movimentos da Guerrilha do Araguaia. Teve, porém, em todos os momentos, a defesa vigorosa do Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns. Permaneceu e fortaleceu a Prelazia, que respondia por 15 municípios e fazia divisa com Pará e Tocantins. Sua voz tornou-se nacional e internacionalmente respeitada. Escreveu vários livros. Contribuiu com a criação do Conselho Indigenista Missionário, CIMI e Comissão Pastoral da Terra. Teve sua vida retratada no filme “Descalço sobre a terra vermelha” e biografia escrita pela jornalista Ana Helena Tavares, “Um bispo contra todas as cercas: a vida e as causas de Pedro Casaldáliga”.

Ao completar 75 anos apresentou, conforme a tradição, pedido de renúncia à Prelazia. Eu o conheci em 2006, morando na casa pastoral, ativo nos trabalhos religiosos e comunitários, sendo visitado, entrevistado por pessoas de várias partes do mundo. Recebeu título de Doutor Honoris Causa da Unicamp, deu nome ao Campus da Unemat em Luciara. Mais tarde foi acometido pelo Mal de Parkinson. Continuou com o trabalho pastoral.

Aos 92 anos, em tratamento em Batatais-SP, nos deixou, não sem antes tratar de seu próprio sepultamento. Pediu para ser enterrado em um pequeno cemitério, onde eram sepultados os indigentes, debaixo do pé de pequi. Assim foi feito!

Viveu e morreu com o lema que perseguiu:

Não ter nada.

Não levar nada.

Não poder nada.

Não pedir nada.

E, de passagem, não matar nada, não calar nada.

Somente o Evangelho como uma faca afiada.

Onde muitos veem a obsessão pelo pessimismo, vejo a dureza da vida

Li um artigo interessante essa semana, onde um psicólogo afirma que está havendo uma obsessão coletiva pelo pessimismo, que o mundo conectado está se tornando um lugar cada vez melhor e que essa obsessão é algo deslocado da realidade.

“Eu me permito ser um pouco alegre, porque me disseram que é bom para a saúde” Voltaire, filósofo iluminista frencês. Porém, eu substituiria a palavra pessimismo por otimismo, porque observo grande parcela da população e sem exceção, todas as mídias, cobrarem e exibirem um mundo de otimismo implacável, sem verificação da realidade e até mesmo negando a existência de problemas sociais crônicos, onde estão navegando coaches, líderes espirituais e mentores, hipoteticamente habilitados, induzindo as pessoas a acreditarem que viverão o paraíso na terra e num passe de mágica terão a vida transformada em uma sucessão de vitórias fáceis. O otimismo obsessivo diante da promessa de prosperar da noite para o dia, pode cegar para as duras realidades da vida, negligenciar riscos ou até mesmo negar a existência das nossas limitações.

Não fico listando as causas do fim do mundo, falo das coisas como elas são, falo das ameaças reais, da violência crônica que persegue as mulheres todos os dias e em todos os lugares, da dificuldade de se ocupar igualmente homens e mulheres os mesmos espaços públicos, do descaso diante de problemas sociais, velhos conhecidos de todos os políticos que poderiam inverter as estatísticas, falo da cara da miséria, da pobreza de oscila entre pobreza extrema e pobreza, que para a grande maioria da população esse é o limite da ascensão social. Narro sem ânimo as cenas de racismo e preconceito, porque eles se repetem à miudamente.

O pessimismo não é irrealista. Em sua essência, o pessimismo é a expectativa de que os piores resultados são mais prováveis ​​do que os melhores. Muitos   sociólogos argumentam que os humanos têm uma predisposição evolutiva para se concentrar em perigos e ameaças, pois essa sensibilidade foi historicamente vital para a nossa sobrevivência.  

No mundo digitalmente conectado, as mídias se encarregam de pesar a mão, e as formas como o pessimismo se manifesta é amplificada por algoritmos que priorizam más notícias, reforçando a percepção de que tudo está desmoronando e o otimismo exagerado pode desviar o foco das perspectivas reais de derrota, pode levar a ignorar riscos e envolver-se numa teia de ilusões. A verdade é que o mundo é cheio de desafios e perigos perpétuos, os problemas são tão vastos e complexos e não há um engajamento coletivo para resolvê-los, a perpetuação da desigualdade social, da violência, da reação significativa da natureza à sua destruição, tem consequências profundas na vida do otimista e do pessimista.  

Sejamos a razão. Tomando os últimos dias como exemplo, a narrativa é tensa e carregada, mas vamos relembrar o mínimo: O rateio aleatório de dinheiro público para servidores no Natal, época em que a maioria dos brasileiros não tem dinheiro para o pão e presente para os filhos; criança sendo vítima de abuso de homem predador em local público, mulher amarrada, jogada ao Rio para morrer em agonia. Longe daqui, mas no mesmo planeta que habitamos, o fogo impiedoso arde e destrói uma cidade inteira. O que tem de novo nestas manchetes? Pessimismo? Não. As cenas são brutalmente reais, ainda assim, o sonho e a esperança operam diante de casos que cortam como uma navalha.  

Como suas escolhas definem seu futuro

Viver, como disse o filósofo e escritor francês Jean Paul Sartre, é isto: ficar se equilibrando o tempo todo entre escolhas e consequências. Temos que parar de colocar a culpa do que não conseguimos realizar no destino, na pouca fé e lembrar que tudo acontece como consequência das nossas escolhas, algumas equivocadas, de outras nos arrependeremos, outras nos orgulharemos e ainda algumas nos assombrarão para sempre.

O psiquiatra e psicanalista suíço Carl Jung disse uma vez: “Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que eu escolho me tornar”. Esta citação poderosa captura a essência da resiliência humana e o poder da escolha pessoal, enfatiza que nossas identidades não são gravadas em pedra por nossas experiências passadas, mas sim, são continuamente moldadas pelas decisões tomamos todos os dias. Esta citação serve como um lembrete que o passado, embora significativo é apenas um capítulo da vida, que embora possa nos moldar não nos definem na totalidade.

Dezembro e janeiro são meses que nos inspiram a exteriorizar as resoluções, promessas significativas de crescimento emocional, econômico, físico ou mental. Parece impossível chegar à passagem do ano sem idealizar como queremos que seja o novo ano. Como indivíduos, nos esforçamos para melhorar, mudar, ou de alguma forma alcançar aquilo que percebemos que nos falta. Nossa sociedade impiedosa, grita sobre as evidências do que nos falta: não somos bonitos o suficiente, ricos o suficiente, magros o suficiente, ambiciosos o suficiente, felizes o suficiente. No próximo momento já estamos traçando metas, corrigindo a rota para alcançarmos sucesso nessa sociedade que é rápida em rotular e categorizar o indivíduo com base em seu passado. 

Pois bem, em Sartre e Carl Jung, nossas escolhas são o acúmulo de decisões que tomamos, das ações, atitudes e crenças diárias. Todos os dias, fazemos escolhas e na grande tapeçaria da vida, cada fio conta para o crescimento e evolução pessoal ou não. Somos criaturas dinâmicas, em constante evolução e ao traçar metas assumimos a total responsabilidade pela realização delas, diante da maneira como enfrentamos os desafios, abraçamos as oportunidades e aprendemos com experiências decorrentes de nossas decisões. A filosofia pela qual nossas decisões definem nossas vidas se apresenta como uma perspectiva fortalecedora. Ela incentiva uma abordagem proativa à vida, nos incentiva ir além dos limites das forças externas e participar ativamente da criação ou reformulação do nosso destino.  

Na vida, tomamos decisões diariamente. Decisões relativamente fáceis, baseadas na tradição, no costume, na religião, mas as vezes, uma situação inesperada surge e exige que tomemos uma decisão diante de um cenário novo. Como você decide então?  Como você segue em frente? Como você decide o que fazer para atender aos seus melhores interesses? A filosofia e os estudos ensinam só nós podemos agir por nós mesmos, mas não existimos sozinhos. Haverá muitas pessoas ao seu redor lhe dando os “melhores” conselhos com as mais sinceras intenções. Alguns realmente parecem se importar com você.

É muita pressão! Há pessoas que nos influenciam e há pessoas que querem controlar nosso destino. Quem você escuta?