A pandemia e o processo de globalização

O sociólogo Octavio Ianni ao discorrer sobre a sociedade mundial disse que o mundo é uma realidade social, complexa, difícil, impressionante, fascinante mas pouco conhecido. O mundo está abalado. Tudo o que parecia estável sofre transformação. Mesmo o que permanece, não é a mesma coisa.
Altera-se a forma como nos relacionamos. Fomos todos levados para um cenário novo, inesperado e assustador.

É como se a própria terra assumisse uma fisionomia distinta, com o horizonte da globalização a nos ameaçar, com o surgimento de um vírus impiedoso e global.

Quase todos os lugares foram alcançados, cada ponto do espaço na metrópole ou na pequena cidade e somente a minha e a sua casa é o que temos de proteção.
Sob muitos aspectos essa nova situação muda definitivamente nossa ideia de lugar, de espaço. Voltamo-nos para dentro de nós mesmos e num prazo de 30 dias estamos nos reconhecendo numa rotina sem dinamismo, carregada de preocupações.
Estamos todos sendo desafiados e levados por um caminho que muitos antes de nós trilharam ao vivenciarem outras epidemias e 2 grandes guerras.
Se tentares ir para outras terras, não acharás novas terras, esta epidemia há de seguir-te por onde andares.

A afirmação de que os seres humanos estão hoje em contato uns com os outros, em todo o mundo, como nunca na história, não tem controvérsia e isso diz respeito a globalização, processo em que os povos do mundo compartilham uma sociedade global dinâmica. A globalização ou globalismo não é um processo de comunhão simplesmente político-econômico, mas também social, cultural, compreendendo problemas que podem ir de ecológicos e religiosos a problemas de saúde pública. E eis que um surto globalizado abala nossas relações e nos impõe o distanciamento social.

O novo coronavírus está se transformando em um enorme teste de estresse para a globalização. À medida que as cadeias de suprimentos se rompem, as nações acumulam equipamentos de proteção, suprimentos e equipamentos médicos, limitam as viagens, vigiam as fronteiras. A crise está forçando uma grande reavaliação da economia global interconectada. A globalização promoveu uma profunda interdependência entre empresas e nações, que as torna mais vulneráveis ​​a choques inesperados. Agora, empresas e nações estão descobrindo o quanto são vulneráveis.

Mas a lição do novo coronavírus não é que a globalização falhou. A lição é que a globalização é frágil, apesar ou por causa de seus benefícios. Por décadas, os esforços incansáveis ​​de empresas individuais para eliminar a concorrência geraram riqueza sem precedentes.

Não é de surpreender que a epidemia do COVID-19 esteja sendo usada nas narrativas nacionalistas, como se vê aqui no Brasil. Para muitos as origens chinesas da doença simplesmente reafirmam a crença de que a China representa um perigo para o mundo e não se pode confiar que  se comporte de maneira responsável. Em um mundo inundado de desinformação, o COVID-19 está contribuindo para aumentar as conversas errôneas.

No âmbito destas configurações qualquer fato que ocorre em qualquer lugar do mundo, pode produzir efeitos imediatos em outros lugares. Cada vez mais pessoas experienciam viagens internacionais e casamentos transnacionais.
Quais lições tiraremos para vida depois que a vida se restabelecer normal? Modificarão os significados das fronteiras?

Medo da fome e da morte

Essa loucura que o mundo está passando é fato inusitado para todos, em todos os continentes. Não existe vacina tampouco medicamento certo para o tratamento, ninguém conhece a receita para lidar com esta gigantesca crise epidêmica e  ainda não há um modelo matemático para evitar o caos econômico. Devemos então, dentro desta realidade mundial exposta e complexa, renovar a  confiança na ciência e evitar causar mal coletivo com discursos imprudentes.

O século XXI demoniza nossas vidas, irremediavelmente! Há uma imensidão de  pessoas no mundo que vão viver essa epidemia, estão sendo contagiadas, desenvolvendo a doença e não tem prognostico de quando retomarão suas vidas. Mas todos indistintamente atravessaremos a tensão de nos saber cercados do vírus por todos os lados, com medo da transmissão em família, medo dos vizinhos, com pavor de supermercados e shoppings.

Fico indignada ao extremo ao saber de pessoas ficando sem tratamento adequado, pelo colapso inevitável do nosso sistema de saúde. Mas também é muita coisa junta num momento em que o interesse público tem que prevalecer: o país em pandemia, um presidente tresloucado.

Pode-se pensar tudo durante a longa duração do isolamento social, entretanto vale mesmo lançar o olhar para observar e compreender as relações entre a estrutura da sociedade. Recomenda-se “ninguém” ao lado, uns porém, estão largados, experimentando, em toda sua crueza, a pressão dos dias que se arrastam opacos.

A pandemia veio com envergadura global e aos poucos foi juntando os povos do mundo para compartilhar a mesma epidemia, os mesmos medos: de perder o emprego, de perder-se em dívidas, de perder a vida. A sociedade global, em parte colaborativa, em parte fechada na ignorância, espera que os testes de medicamentos sejam apresentados num tempo menor que a auto imunização propagada.

Bem meus caros, o sofrimento nos catapulta além da nossa zona de conforto, lança nossas vidas ordenadas no caos. Resta consolo lembrar que experiências de profunda tristeza podem se tornar oportunidades de transformação. Quando nossos alicerces e segurança são significativamente abalados por algo a princípio desconhecido, depois intratável, um espaço inesperado pode se abrir em nossos corações, dando-nos uma capacidade de amor e compaixão que nunca experimentamos antes.

 

 

Fazer descer a virtude do céu

Os sujeitos estão fragilizados. São cada vez mais os dedos que se queimam enquanto o calor das discussões e das as emoções são atiçadas.

A socióloga polonesa Elzbieta Tarkowska, citada algumas vezes por Zygmunt Bauman, diz que a indefinição e insatisfação que permeia nossas vidas, remete à ideia de caos porque estamos de certa forma vivendo um estado de coisas caracterizados pelo fluido, pela ausência de forma, a indeterminação, a indiferenciação, a total confusão.

No estado de caos a mudança é permanente, a situação parece aos que nela estão envolvidos obscura, ilegível e imprevisível. Entendo que o caos descrito por Tarkowska é um estado de coisas em que tudo pode acontecer, um estado em que a probabilidade de um certo acontecimento não é superior à de qualquer outro, ou ainda que fosse qualquer o caso, não poderíamos prevê-lo.  A existência caótica é desprovida de estrutura, de lógica; sem clara distribuição das probabilidades e a ausência de intervenção no desenrolar-se dos acontecimentos cotidianos.

As transgressões vão acontecendo, deixando brechas até que o absurdo se infiltra nas nossas vidas.

O confronto com o caos seria já por si só bastante perturbador e doloroso. Mas a novidade do fato é que cá estamos nós, absortos, indiferentes em meio a toda desorganização de nossas existências.

A ordem tão almejada pela modernidade existe, enquanto existir a desordem, porque as duas são faces da mesma moeda. As pessoas se adaptam facilmente à riqueza ostentada e à miséria interior exibida. Tudo está no palco do espetáculo. Catástrofes, crueldades, epidemias e outras tragédias figuram na ordem do dia.

No mundo contemporâneo o que conta é a habilidade de se mover, não importa se para frente ou para trás. Na vida pós-moderna não devemos deixar que a identidade se fixe.  Somos seres multi facetados.

O mundo em que vivemos está cada dia mais assustador, ambíguo, incontrolável, violento, instável. A vida política, inclusive foi atingida por uma evidente fase de desconsideração.

A ciência tem explorado a complexidade, o imprevisível e o inédito, evidencia-se que não há mais a busca obsessiva pela harmonia tão procurada na modernidade. Um caminho parece, claramente traçado, pelo menos no que se refere a observação geral. É o caminho da perda do sentido, do conformismo, da apatia e da repetição de formas vazias, disse Castoriades, filosofo greco/francês, quando escreveu sobre a ascensão da insignificância.

Embora haja uma exigência de novos objetivos políticos e de novas atitudes humanas, por seguir caminhos dignos, o que vejo são poucos sinais de que isto esteja acontecendo.

 

 

 

 

Um complexo poder

Há diferença assustadora de intensidade entre ver, ouvir, falar e observar e calar.
Passei um ano inteiro exercitando o silêncio, aprendendo a conter a inesperada
vontade de me expor, de expor meus pontos de vistas, de elogiar ou criticar a classe
política, de demonstrar afinidade ou oposição. Não foram poucas as contrariedades, a
oposição silenciosa à muitos projetos do governo federal, não foram poucas as
oportunidades de romper e voltar a expressar-me livremente, mas fiquei tentada a
experimentar a situação nova, a exercitar novas possibilidades interiores. Então, deixei
o tempo passar consciente de que valorizaria e jamais apagaria as experiências
valorosas vivenciadas, mas as usaria a favor do amadurecimento e crescimento
profissional.
Um ano dedicada a um projeto que teve dificuldades desde seu início, um projeto que
mereceu acompanhamento e preocupação o tempo todo. Mas é importante trabalhar
com determinação, lealdade e metas em todas as circunstâncias.
O ambiente político é rico em jogos, subterfúgios, poder e perdas e em Brasília, talvez,
esse panorama seja mais visível e fácil de ser contemplado do que em qualquer outro
lugar. Ali, nos corredores do Senado, poucos sorrisos, passos apressados refletem
tanto a indiferença dos senadores que não gostam de ser parados quanto a vaidade
dos que puxam atrás de si um cordão de assessores, tão vaidosos quanto o
parlamentar.
Mas ali é o lugar onde os ritos que sustentam a república são diariamente exercitados,
seguindo normas regimentais dúbias e antigas, burladas frequentemente para
favorecer grupos influentes na casa. Ali, as disputas diárias são várias, nas comissões,
nas CPIs, no plenário. Todos querem aparecer bem na foto que será a manchete do
dia. Uma equipe grande se desdobra no atendimento político, na assessoria de
imprensa, assessoria parlamentar e tantos outros setores. Ali, o jogo tem quer jogado
em time, não há muito espaço para arrancadas individuais.
O Senado, que eu achei sisudo e burocrático é ao mesmo tempo uma grande tela,
onde se vê ao vivo a história sendo contada. Um complexo poder da república, dotado
de mil possibilidades e flexibilidades para que tudo, absolutamente tudo, seja possível
fazer e/ou desfazer, dentro da imutável lentidão entre discussões, votações e sanções.
Na composição da Casa, a paridade na representação dos estados é um ponto
destacado. Tem-se realmente a impressão que a geografia não importa tanto. O
presidente veio de um estado pequeno, o Amapá e tem voz sobre os senadores de
estados grandes e importantes.

Ali, as crises são vivenciadas no âmago de suas explosões e depois os senadores
fazem cara de paisagem como se nada tivesse ocorrido; as emendas parlamentares
são pagas como moeda de troca em votações de assuntos de interesse do governo,
como sempre foi e exatamente como acontece nos estados. Mas ali tudo acontece
com certa suntuosidade.
O Senado tem público de visitação pequeno, são grandes empresários, embaixadores,
ministros, técnicos, executivos e políticos tradicionais que postulam indicação para
grandes cargos nos órgãos federais. Não se compara ao calor da Câmara dos
Deputados onde os corredores são ocupados por manifestantes, ministros, prefeitos e
vereadores de todo o Brasil.
A excepcionalidade está na moldura de grandeza que se dá ao cargo, tanto que,
vislumbrando uma eleição extemporânea para o cargo, por conta da cassação do
mandato da Senadora Selma Arruda, quase 20 nomes são citados como possíveis
candidatos.
Diria que o eleitor deve atentar-se a não comparar currículos de pretensos candidatos
como se estivesse contratando um funcionário. A grandeza da casa exige bem mais
do que isso!

Enxergamos aquilo que reforça nossas convicções

Cidadãos querem ser candidatos para reforçarem suas convicções políticas, o
pregador aborda o fiel baseado em suas convicções religiosas, a família educa de
acordo com suas convicções morais. A vida porém, é mais saudável num espaço de
múltiplas visões e conflitos.
Temos testemunhado a ascensão do radicalismo por todos os lados e a raiva e
polarização são as forças vitais de qualquer movimento radical. Estou sentindo as
possibilidades de diálogo cada vez mais reduzidas, a capacidade de entendimento cada
vez menos praticada, já nem mesmo tentada. Nos diálogos já não se tenta convencer,
apenas marcar divergência.
O tom em que esses ideais são proferidos me irrita infinitamente. Onde quer que
estejamos estamos construindo muros de ideais, ideologias, intolerância e não
estamos bem intencionados quando propomos diálogo. Diálogo, em tese seria
submeter minhas próprias ideias à sua experiência, sem leva-la em consideração.
Sempre queremos ser vistos como certos, sempre certos. Mas como viver a certeza
diante do pluralismo, que mais remete a tolerância e ao encorajamento de lançar-se à
perspectivas conflitantes? Será necessário aflorar muito mais do que um ajuste
ideológico para cultivarmos a coragem necessária para não erguermos cercas entre o
que pensamos e o que pensa o outro. Precisamos educar nossos corações para o
convício e tolerância.
A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar
profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que
se está fazendo, reforçar as convicções exibicionistas. Entre nossas exibições e dos
outros, há um contexto a ser explorado, diferenças econômicas e sociais gritantes,
cenários e expressões que são reflexos das realidades individuais.
É fundamental notar que nem toda realidade compartilhada é objetiva. A subjetividade
eleva os níveis da realidade que revelamos. As convicções são geradas e reforçadas
nem sempre com base em valores do conhecimento, mas permeadas pela vaidade e
pelo desmerecimento do que é o outro. Uma das razões, pelas quais se atribui
relevância e valores a objetos, como casas, roupas e carros. Estes, passam a ter
importância porque reforçam e refletem parte do que somos; a superficialidade.
Objetos reforçam convicções. Objetos dão significados a realidade. E assim, o que
temos e a forma como percebemos as coisas em nossas mentes, se tornam nossas
verdades. Sem dar ouvidos, sem perceber o outro, sem adentrar no mundo do outro,
sem sorver conhecimento numa fonte diferente. Não ser capaz de conviver com
realidade, ideais e ideologias diferentes é o que tem nos tornado arredios, arrogantes
ou ignorantes.
Baseada em suas convicções esdrúxulas, ignorando a relevância da cultura e da
leitura, a Secretária de Educação do Estado de Rondônia listou nada menos que 43
obras clássicas da literatura brasileira e as baniu das escolas públicas, por considerar,
segundo o estreitamento de sua visão sobre a educação, que os livros contém
conteúdos inadequados. Entre os autores estão Mário de Andrade, Rubem Fonseca e
Machado de Assis. Partiu ela da premissa egoísta; se eu não gosto, ninguém aqui vai
ler.

Classifico como absurda essa ideia de que só existe uma verdade, e esta é a minha.
Sobre isso o filósofo francês, Foucault disse que as verdades nunca são livres, são
sempre manipuladas e vão gerar formas de comportamentos diversos e
constrangimentos.
Todos os assuntos estão polarizados. Ou somos contra ou a favor, ou somos aliados
ou adversários ferrenhos. Assim é quando discutimos as questões climáticas, religião,
futebol, corrupção, os rumos da economia, indicações ao Oscar e a política segue esta
vertente perigosa.
Por mais que sejamos ideológicos, os opostos não precisam se odiar, tampouco
menosprezar quem tenta fazer a paz reinar entre eles. Considero conviver um
exercício de observação e aprendizado fabuloso. A troca, sem intervenção, me
completa. Valores e princípios diferentes agregam sabor a existência. Acho que nasci
com a intuição para buscar a sabedoria que está no meio.

As grades que sustentam a democracia

Um certo frio percorre “a espinha” de quem lê Como as Democracias Morrem, o fabuloso livro escrito pelos Cientistas Políticos americanos, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt.

O livro foi escrito após muitos anos de estudos e levanta uma questão, até então improvável no consciente da maioria dos americanos: estaria a democracia americana em perigo? Os professores de Harvard dedicaram mais de vinte anos estudando o colapso das democracias na Europa e na América Latina, e acreditam que a resposta é sim, apesar dos sinais, nem sempre perceptíveis aos olhos dos cidadãos.

Os exemplos são históricos e globais, porém vamos tomar o recorte puramente das explicações das atitudes que contribuem para o esmorecimento da democracia, vamos enfatizar as atitudes que fazem paralelo com situação brasileira atual e observar em que nível de estabilidade ou instabilidade nos encontramos.

Observam que a democracia não termina mais com uma revolução ou golpe militar, mas com o lento e contínuo enfraquecimento de instituições, como o judiciário e a imprensa, e a gradual erosão das normas políticas observadas e respeitadas de longa data.

É dito que as democracias não morrem mais apenas nas mãos de generais, mas através de atos de líderes eleitos, presidentes ou primeiros-ministros que subvertem o próprio processo que os levou ao poder e com frequência, as democracias vão morrendo aos poucos, em etapas sutis, para não favorecer a reação da oposição.

É incrível, mas o retrocesso democrático hoje, pode começar com o resultado das urnas A maioria dos países realiza eleições regulares. Desde o final da Guerra Fria, a maior parte dos colapsos democráticos foi causado pelos próprios governos eleitos democraticamente.

Sem sinal de violência nas ruas, com a Constituição e outras instituições democráticas, vigentes. Os presidentes eleitos mantêm a aparência de democracia enquanto corroem a sua essência com atos autoritários. Como não há um único momento em que o regime ultrapassa o limite visível para a ditadura, nada é capaz de disparar o alarme na sociedade, mesmo quando a erosão avança e já compromete.

Ensinam os professores que as democracias funcionam melhor e sobrevivem mais tempo onde os sistemas de freios e contrapesos funcionam e onde as constituições são reforçadas por normas democráticas, mesmo as não escritas.

Hoje, contudo, as grades de proteção da democracia estão se enfraquecendo e  há regras que os autores observam que podem provar o esfacelamento do comportamento democrático:

  • A utilização da Receita Federal como arma política, auditando severamente e somente os oponentes relevantes, ou seja, imposição de lei seletiva.
  • Ver a imprensa e oposição como inimigos; É notável nos autocratas, a intolerância à crítica e a disposição de usar o poder para punir aqueles que venham a criticá-los.
  • Rejeição às regras democráticas do jogo ou compromisso frágil com elas:
  • Negação da legitimidade dos oponentes político: Descrevem os rivais como comunistas ou ameaças à ordem constitucional. Um sistema contínuo de desqualificação dos rivais partidários;
  • Tolerância ou encorajamento à violência: Laços com gangues armadas, forças paramilitares, milícias, guerrilhas ou outras organizações envolvidas em violência ilícita.
  • Elogios a atos significativos de violência política e medidas repressivas tomadas no passado ou em outros lugares do mundo, por outros governos.

Resta, ao final, a conclusão óbvia que figuras autoritárias não podem ser domesticadas.

Os solitários dirigentes partidários

É cobrado que os partidos sejam, assim como empresas, competitivos, entretanto nem todo bom político é bom dirigente partidário. No momento, promovem atos de filiações, apresentam empresários como potenciais candidatos, é o vale tudo para ganhar espaço nas mídias e nos corações dos eleitores e fatias gordas do Fundo Partidário.

Além de preparar o partido para as eleições municipais de 2020 e fortalecer as bases, alguns partidos miram atingir metas e colocar-se entre os dez maiores partidos brasileiros, para terem acesso a valores significativos do fundo partidário, que é fator de fascínio dos dirigentes e dos candidatos, mas também se tornaram munição na guerra interna, a exemplo do que aconteceu no PSL.

A saber que, o MDB lidera o ranking com 2,39 milhões de filiados, seguido pelo PT com 1,59, PSDB com 1,46, PP com 1,44 e o PDT com 1,25, etc…,observando que esses números sofrem alteração a todo instante.

É impressionantemente tímida a participação do cidadão nos momentos que antecedem as eleições. Os dirigentes partidários, solitariamente montam suas chapas, articulam com outros partidos e lideranças. E devem até gostar dessa autonomia delegada pelo pouco caso. Daqui a pouco, nas convenções, apresentam candidaturas que mais representam a si mesmos.

As convenções partidárias, sem peso algum para formular candidaturas, simplesmente formalizam o que fora acordado, via de regra, por discussão entre parlamentares com mandato. Tem sido assim e não creio que mudança alguma possa acontecer num curto período de tempo. Estamos acomodados em exercer o voto de acordo com a lista de candidatos democraticamente elaborada por executivas e comissões provisórias, também instituídas em ações solitárias dos dirigentes.

As executivas nacionais dos partidos não são tão solidárias com as estaduais e assim segue a toada com as, quase sempre comissões provisórias nos municípios. A falta de informação é grande. Quantos dirigentes partidários já tem um diagnóstico do tamanho do partido nos municípios e dos possíveis candidatos mapeados no estado?

Quem tem pretensão política precisa de capacitação para ocupar espaços, precisa minimamente conhecer as bandeiras defendidas pelo partido no âmbito nacional e devem conhecer pessoalmente os dirigentes locais.

Os dirigentes partidários tem que inovar, investir na valorização da formação política, treinar a militância para lidar com as modalidades de campanhas digitais, além de formar quadro político qualificado, tanto de dirigentes, candidatos e colaboradores.

Os presidentes dos partidos não podem mais trabalhar apenas visando as próximas eleições, instalando-se em ambientes favoráveis, onde há muitos cabos eleitorais. Além de promoverem certa orientação aos filiados, devem normatizar as reuniões pequenas, frequentes e proveitosas, focadas no quesito de atingir metas com dinheiro curto. Recomenda-se que antes de enfrentar um ano eleitoral estejam zerados todos os problemas financeiros e administrativos remanescentes de campanhas anteriores.

A remuneração dos dirigentes partidários é permitida por meio do Fundo Partidário, aos dirigentes com dedicação exclusiva.

A ambiguidade das nossas emoções

Para se conquistar uma vida mais equilibrada é importante aumentar a consciência a respeito do corpo, da mente, das emoções e relações. Estar mais presente à vida, encontrar um meio de velejar com segurança entre os rochedos perigosos que circundam nossos caminhos, sem nos tornarmos frios, indisponíveis e intocados pela dor dos outros.

Lidar com nossas emoções é sempre um grande desafio. Entretanto, identificar e melhorar nossas qualidades emocionais pode ser uma possibilidade real de aprender que as coisas não são tão ruins ou tão boas quanto parecem. E perceberíamos isto se não vivêssemos com o coração à flor da pele.

Cultivar a empatia e respirar emoções mais saudáveis, são ferramentas eficazes para melhorar nossos relacionamentos. O conhecimento sobre as emoções que correm soltas, pode ajudar a lidar com as emoções aflitivas e a cultivar um equilíbrio emocional que afete a vida, de forma positiva.

Não estamos acostumados a estar no momento presente, nossa mente habitualmente sente-se atraída em direção ao passado e ao futuro. Porém, preocupar-se em demasia com o futuro, pode nos tornar ansiosos crônicos; se refletimos seguidamente sobre o passado podemos nos tornar nostálgicos crônicos, então, consideremos conduzir à atenção plena para o momento presente, como um possível remédio para ambos deslocamentos.

Devemos nos ver mais claramente. Conhecer e apreciar nosso próprio processo de pensar. Nos tornarmos especialistas em apreciar. Sem medo de ficarmos a sós com os pensamentos e medos. Todos nós temos a capacidade de sentir ternura, assim como somos capazes de experimentar um coração partido, a dor e a incerteza. Então, não entre nessa de projetar a possibilidade de viver a distrair a mente. A distração pode resultar numa receita favorável a ansiedade, infelicidade e estresse.

A noção de espiritualidade tem sido ampliada para abarcar um leque de interpretações que almejam torná-la um indicador de bem-estar. A filosofia budista se baseia na afirmação de que nós sofremos  e causamos sofrimento aos outros  porque insistimos em não ver o mundo como ele é.

Honestamente, acabamos nos habituando a sermos zeladores. Zeladores do corpo, da mente, da casa. Zeladores, tudo bem. Não podemos ser escravos.

Coisas fora do lugar

Do despertar a hora de deitar me ocorre uma inconveniente sensação de que há muitas coisas fora do lugar nos caminhos da vida. As pessoas estão menos flexíveis com “bolas foras”, descuidos tão naturais no dia-a-dia e isso nos faz nos sentirmos, às vezes, inadequados.

Vigia-se para interpelar, para cobrar retratação.

É um prazer estranho expor o suposto erro do outro. Em casos severos, indivíduos podem passar a evitar a interação social com medo de serem ridicularizados, rejeitados ou humilhados, após exposição.

Estamos vindo um claro momento de retração das emoções autênticas. E para onde vai a espontaneidade, a discordância saudável de tudo o que não é uma caixa fechada? Falar para contestar ou para acrescentar, eis a questão.

O ator americano Keanu Reeves, discretíssimo com a vida pessoal, resolver aparecer em público com a namorada. Uma artista plástica americana. A foto foi milimetricamente esmiuçada em todas as mídias. Criticaram a aparência da mulher, a roupa, os modos e decidiram (fãs) que a mulher parecia inapropriada para o ator, inclusive concluíram que ela aparenta mais velha do que ele. A mulher é uma artista plástica e em momento algum, ocorreu a alguém falar sobre a qualidade da vida profissional dela. Vês, a superficialidade em que nos metemos?

Este caso é apenas um exemplo, que nos faz concluir que Keanu Reeves estava certo quando não compartilhava a vida íntima. Ou então, não creio que seja perfil dele, deveria repercutir uma resposta na mesma mídia e no mesmo tom.

Semanas atrás, a atriz brasileira Cléo Pires fez um desabafo sobre as críticas que vem recebendo porque engordou muito. Ela falou do medo dos julgamentos, da vergonha que acabou adquirindo de ir as ruas, mas disse também que tem respondido à altura os que questionam o fato de ela estar “fora dos padrões”. Ela está em tratamento contra a compulsão de comer.

Padrão tem significado diferente para pessoas diferentes.

As faíscas de indignação estão propensas a prosperar ao menor ruído. Estamos nos sentindo críticos poderosos demais depois que nos aliamos as mídias sociais.

Entretanto, não deve nos dar prazer fazer as pessoas se encolherem, fazer com que se sintam inseguras. É muito importante que estejamos atentos, que sejamos honestos ao interpretarmos as mensagens alheias, sem julgamentos apressados.

Nunca é tarde e em qualquer tempo, tratemos de iniciar a reconstrução de nossas existências, porém, não espere perfeição de ninguém. Há muitas pessoas que vestem lindas embalagens mas são absolutamente sem conteúdo e dissimuladas por dentro.

Na dúvida, seja educado e acolhedor e não aja como se fosse a única luz que brilha no mundo.

Xingamentos e constrangimentos

Por que os partidos políticos não são definitivamente atrativos? Porque não trabalham a questão da representação?

Não há incentivo para os jovens, para as mulheres, para os negros. Não são amplamente discutidas as necessidades e quais seriam os ganhos dos partidos se fossem compostos levando-se em conta uma representação mais balanceada.

Ainda que consideremos o elevado índice de renovação que houve sobretudo no Congresso Nacional e no legislativo do nosso estado, as práticas partidárias são requentadas. Brigam por falta de ideologias, por proposições equivocadas, pela disputa de posições de prestígios. Temos assistido a dias de terror na mídia.

Parlamentares escrachados, o melhor termo que pude encontrar para não ser vulgar, escrachando os outros, colocando apelidos sem o menor receio de estarem sendo inconvenientes. Motivo? Birra, mimo e aquela velha mania de entender o partido político como a extensão do quintal da casa, onde os dirigentes partidários, apesar dos riscos inerentes a generalização, agem como empresários políticos, donos de um negócio rentável: o partido.

Dias melhores, outros de recaídas. Assim tem sido. A política partidária brasileira, com raras exceções, tem sustentado discussões elevadas, tem proporcionado filiações de políticos de nível para o engrandecimento das disputas eleitorais. O que deveria ser regra, a preparação do político para a vida pública, acontece minimamente com 03 ou 04 partidos. Eu, sendo generosa!

Ao deterem o monopólio sobre a aceitação de quem serão os políticos, os partidos iniciam seus vexaminosos movimentos em torno do poder. Seria interessante o desenvolvimento sério do sistema partidário, até porque os partidos são veículos de acesso aos cargos públicos e deveriam ser o mais importante elo de identificação dos políticos com seus seguidores.

Do ponto de vista do eleitor comum, faz até sentido prestar pouca atenção às questões políticas e, em vez disso dedicar maior parte do tempo a administração da vida pessoal, porque na maioria das vezes, as decisões são tomadas a portas fechadas, e os filiados são chamados depois, apenas para validar as decisões tomadas. Lembremos que a ignorância política é um problema que pode trazer sérias consequências.

A apatia e baixa participação dos eleitores na política são exatamente reflexo da fragmentação dos partidos políticos brasileiros. Os partidos não emplacaram suas marcas no gosto do cidadão. Partidos sérios não vivem de parlamentares celebridades nem de ecos das mídias sociais.

É, os partidos políticos precisam verdadeiramente, de análise sociológica.