Osegundo turno segue quente em Cuiabá e em outras 50 cidades brasileiras. O segundo turno é uma eleição em que se aproveita a maioria das experiências aplicadas no primeiro turno, mas é um novo momento muito complicado, com espaço de tempo muito curto para trabalhar as novas estratégias e tem o desafio interno, dentro da campanha de acomodar, de abrir espaço para as novas adesões, para os novos apoios, que irão, ao final, na contagem dos votos, fazer a diferença.
Essa questão de flexibilizar para receber novos apoios é tão importante que li uma entrevista do presidente do PL, afirmando que: “o pessoal da extrema direita do partido precisa aceitar a aproximação com o centro e o diálogo com setores da esquerda para vencer as eleições de 2026”.
Então, as eleições locais nem terminaram e estão sendo utilizadas por políticos e analistas políticos como o termômetro do apoio público aos governos e partidos para as eleições gerais, em 2026. Em análises locais e nacionais percebo que as eleições que ainda não findaram serão mais do que a escolha dos 5.568 prefeitos e 57.119 vereadores país afora. Desse resultado surgirá um mapa desenhando dos possíveis rumos do Brasil na próxima eleição. Não diria que os futuros prefeitos e vereadores serão cabos eleitorais dos candidatos de 2026 mas seguramente serão as pessoas que influenciarão os eleitores no próximo pleito.
Estudando os impactos e influências das eleições municipais nas eleições gerais, há forte tendência entre os cientistas políticos de que a eleição municipal não é uma prévia da eleição geral até porque o que foi colocado à vista em 2024 foi a avaliação das forças políticas, do desempenho dos partidos e dos parlamentares com mandato. O eleitor gosta de parlamentar que atua fortemente nos municípios e obviamente quem tem grande número de prefeitos e vereadores entre os apoiadores sai com larga vantagem. Isso nem é teoria política, é matemática.
Embora os analistas creiam que os resultados das eleições municipais expressem preocupações locais e não tendências nacionais, eu creio que os eleitores utilizam as eleições em arenas locais para expressarem a satisfação ou insatisfação com os governos estaduais e nacional.
A dinâmica das duas eleições, contudo, não obedece a mesma lógica, tanto que o PT em 2020 teve um dos mais fracos desempenhos desde a fundação da sigla e elegeu apenas 183 prefeitos. Dois anos depois, nas eleições gerais, retomou a Presidência da República, elegendo o presidente Lula para o terceiro mandato. De acordo com o cientista político Rafael Cortez, professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), a ligação entre os dois pleitos se dá mais no campo das ideias da elite política, porque o eleitor não guarda relação nem preferencias entre as duas eleições e o efeito de uma eleição sobre a outra vai se diluindo.
Vamos acompanhar o desempenho do PSD, de Gilberto Kassab, que terminou o primeiro turno como o partido com a maior capilaridade política do País, elegeu 888 prefeitos de norte a sul e espera estar na disputa direta para a presidência da República ou no Palácio dos Bandeirantes em São Paulo. Vamos observar para ver até que ponto ter mais prefeitos e vereadores significa estar bem-posicionado para uma grande disputa.
Em alguma medida, é claro que a eleição municipal dá o cenário de poder com que os partidos vão jogar quando forem construir os seus palanques e suas estratégias eleitorais, num ambiente que já foi modificado para melhor em 2024. 241 pessoas LGBTQIA+ foram eleitas vereadoras, um aumento de 400% na representação nos legislativos municipais. As eleições municipais mandam recado para 2026.