Expectativas, esperança e medo

Aqui sentada aprecio a existência.

Sempre sou tomada por expectativa que gera esperança e medo. E mesmo quando acontece de conseguir o que espero,  as expectativas não cessam. Elas se multiplicam, são reforçadas e passo a alimentar novas expectativas.

Se parece inevitável conter o infindável querer devo dar asas as expectativas baseadas sobretudo na condição de impermanência das coisas.  Verdade imutável: Tudo passa! Esta consciência traz alívio. A dor é passageira, a felicidade também. Novos ciclos se iniciam, se fecham. Nunca se reabrem. Abrem-se outros.

Muitas vezes  atravessei tempestades e todas passaram”. Os problemas presentes que estamos atravessando agora, não são os maiores problemas. E os problemas de hoje, serão insignificantes no futuro.

Desigualdades naturais e sociais

criança puxando água
Uma das constantes aspirações do homem é viver numa sociedade de iguais. Mas é claro que as desigualdades naturais são muito mais difíceis de vencer do que as sociais. Aqueles que resistem às reivindicações de maior igualdade são levados a considerar que as desigualdades são naturais e como tais, invencíveis. Ao contrário, aqueles que lutam por maior igualdade estão convencidos de que as desigualdades são sociais ou históricas e podem ser vencidas.

Rousseau, no Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens, sustenta que a natureza fez os homens iguais e a civilização os tornou desiguais, em outras palavras, que a desigualdade entre os homens têm uma origem social e por isso, o homem voltando à natureza, pode retornar à igualdade. Experimente agora considerar o príncipe dos escritores não igualitários, Nietzsche, o anti-Rousseau. Para o autor de Além do bem e do mal, os homens são por natureza desiguais e apenas a sociedade, com sua moral de rebanho, com sua religião baseada na compaixão pelos defeituosos, é que fez que eles se tornassem iguais. Onde Rousseau vê desigualdades artificiais e portanto condenáveis e superáveis, Nietzsche vê desigualdades naturais e portanto não condenáveis nem superáveis.

( baseado no livro Elogio da serenidade, Norberto Bobbio)

O fluxo da existência

Talvez apenas aqueles que entendem o quão frágil a vida é sabem o bem precioso que ela representa e como é importante levá-la a sério. Levar a vida a sério não significa gastar toda a energia meditando, categorizando e classificando nossos atos. Temos que trabalhar e ganhar a vida, mas não devemos ficar entalados numa existência metódica, sem qualquer ponto de vista do significado mais profundo da vida. Nossa tarefa é encontrar um equilíbrio, buscar um caminho do meio, para aprendermos a não nos doarmos em atividades estranhas e preocupações fúteis, mas para simplificarmos nossas vidas cada vez mais.

A chave para o equilíbrio da vida moderna é a simplicidade, viver com o que é  necessário e justo, apostar nos relacionamento humano, no conhecimento que traz a libertação, na calma diante das adversidades. Assim como as rochas que ao serem chicoteadas pelas ondas, não sofrem nenhum dano, mas são esculpidas em belas formas, nossos personagens podem ser moldados, podemos aprender com as perdas e decepções, que devidamente compreendidos, podem vir a ser uma fonte inesperada de força interior. Fortes ou fracos a nossa existência tem sido tão transitória como as nuvens no verão. Tudo muda e por esta razão podemos assistir nascimento e morte, dia e noite, sol e chuva e  qual dança de formas transitórias num mesmo dia,

Viver exige compartilhamento, conhecimento e esforço. Não é uma mera sensação agradável, uma experiência, que é uma questão de acaso, e sorte, tampouco um filme de histórias de amores felizes e infelizes. Não caia no erro de achar que viver bem é esbaldar-se em consumo e felicidade, na m estar na moda e posar de bem sucedido para influenciar as pessoas. Não! Até porque o que especificamente torna uma pessoa atraente independe da moda da época. E para tornar-se um mestre na arte de viver é preciso estudar a teoria e praticar e nada no mundo pode ser mais importante que esta arte. Talvez aqui tenhamos falhado. Nossa cultura enumera quase tudo como mais importante do que aprender a arte de viver e amar.

Eduardo Galeano num belo ensaio diz que somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. Diz que vivemos em plena cultura da aparência, onde o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus. Tem sido mesmo assim? Enfim, o choque entre transitoriedade e relações duradoras, passado e futuro, vida séria, vida fugaz, o que somos e o que fazemos, produz um comportamento que parece o de uma sociedade que celebra distrações estéreis, que passam longe da verdade.

Sem falsas premissas

Em um momento ou outro tenho hábito de questionar quem eu sou, o que tenho feito e se estou fazendo o que deixa-me feliz, se estou aprendendo as lições valiosas que as experiências proporcionam, mais do que as doutrinas que estudo. Em verdade quero estar confortável no mundo que vivo, sabendo interpretar os sinais que conectam o mundo interior ao exterior.

Não pretendo viver sendo neutra. Talvez, ao me formar no próximo semestre, eu me dê conta de que não serei uma boa socióloga e antropóloga, porque não perderei a mania de olhar carinhosamente para o outro. Não perderei a postura reflexiva e culpada diante de certas realidades, não perderei minha imaginação em detrimento de nenhuma teoria culta . Sou e serei sempre acessível à compreensão do cotidiano, através de debates públicos, da proteção ao mais fraco, da libertação das amarras morais e do reconhecimento que precisamos avançar muito para transformar as ansiedades em projetos de defesa dos ideais de justiça social e de solidariedade, para que a maioria das atividades rotineiras dos governos possam ser voltadas para as necessidades de bem-estar das pessoas.

A essência da vida, o real, as contradições que envolvem os diálogos, as disparidades produzidas pela desigualdade são partes do complexo mundo que estou aprendendo a interpretar, compreender e deixar-me inspirar. Não tão fácil aos 50 anos, quanto seria aos 30, debruçar sobre um conjunto interminável de produção intelectual nacional e estrangeira e tirar daí a substancia para alargar  a perspectiva  política e crítica, para conciliar temas controversos que me provocam com questões práticas, como minha paixão pela política e meu envolvimento com as comunidades que estudo.

Enfim, a Sociologia, Antropologia e a Ciência Política me levaram a mergulhar fundo nas condições de existência de um universo que eu não desconhecia, muito pelo contrário, sempre permearam meu mundo:  o índio, o negro, o migrante, o político, os empregados, a elite, as fronteiras, os movimentos sociais. Porém na academia aprende-se a desmascarar os mitos, descortinar as verdades e reconstruir as histórias.

Milan Kundera, no livro, Imortalidade fala do desejo das pessoas de permanecer na memória coletiva depois de desaparecer do mundo terreno, diz que emitimos opiniões, exercemos atividades militantes para sermos notados, para termos nossa imagem fixada na memória dos outros. Porém, só o talento e a inteligência são atributos merecedores da imortalidade. E se, a imortalidade sem talento, conseguida à custa da desvalorização do talento do outro, torna-se ridícula e fútil, não podemos nos abandonar a uma imortalidade vazia de sentido, ou a uma realidade que nos obrigue ao conformismo.

A Fragilidade do Amor

A promessa de aprender a arte de amar é uma oferta falsa, enganosa, mas que se deseja ardentemente que seja verdadeira, para construir a experiência amorosa à semelhança de outras mercadorias, que fascinam e seduzem, exibindo todas as características e prometem desejo sem ansiedade, esforço sem suor e resultados sem esforço.

Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois seres.

Nisso reside a assombrosa fragilidade do amor, lado a lado com sua maldita recusa em suportar com leveza a vulnerabilidade. Todo amor empenha-se em subjugar, mas quando triunfa, encontra a derradeira derrota. Todo amor luta para enterrar as fontes de sua precariedade e incerteza, mas, se obtém êxito, logo começa a se enfraquecer e definhar.

Zygmunt Bauman ( O Amor Líquido)

À medida que…

À medida que a nossa fé amadurece, podemos nos observar claramente, inclusive as falhas e fraquezas.

À medida que tentamos superar as deficiências, aprendemos a humildade. À medida que mudamos, reconhecemos também os esforços e as virtudes dos outros.

Quando entramos em contato com nossa verdadeira natureza, podemos ser verdadeiramente úteis e benéficos; não somente para nós mesmos e para nossos  interesses, mas também para os outros e suas necessidades.

A generosidade ensina os outros a perder o medo de serem bons.

Amor, inexplicável!

O amor é o sentimento que nos distingue e nos faz transcender em beleza.                                                                        O amor… ah o amor! Inexplicável quando chega, implacável quando se instala e se abre em flechas, corações e flores.   O amor tem textura, sabor e cheiro. Ama pois de peito aberto, a contemplar a lua…a imaginá-la tua.                                 Ama assim, dá-se todo, pois só assim vale amar!

Uns e Outros

Temos o direito de manter o encantamento pela vida mesmo em meio ao caos que nos encontramos. Não devemos nos sentir culpados pelo mal praticado por outros, não podemos infligir culpa a quem não tem, generalizar os sentimentos de alegria ou frustração, de violência ou amor. A vida é plena: Uns fazem arte, outros fazem Guerra; uns se abraçam, outros insultam.

Quanto mais eu deixo de julgar mais eu sou capaz de olhar ao redor com  compaixão e amor. Muitas pessoas estão cientes de que o amor é a única coisa necessária para curar o mundo, porém, não conseguem convencer os outros.

Enquanto o homem acreditar (com certa razão) que o mundo é, de fato, objetivamente chato; repetidas cenas de acordar, comer, trabalhar, dormir, repetir, reproduzir e morrer, um ciclo monótono de repetição mecânica, as vezes, desprovido de significado, não irá entender que viver é reinventar um novo amanhã, todos os dias!

Espelhos

A crise do mundo é uma manifestação da crise interior que se remoe dentro de nós. Somos espelhos um para o outro.E a imagem refletida no espelho não muda até que mudemos. O velho mundo gosta de riqueza e transformações velozes. Correr atrás disso é o que move a maioria das pessoas. A vida, porém, contém de tudo. Lágrimas, livros, poemas, violência, pôr do sol, injustiça e amor. Nós é que somos frágeis e finitos. E sobreviver é realmente uma alegria. A beleza é sobreviver e não essa desorientação toda que se vê. A beleza está na luta. A beleza é uma razão para lutar.