Empobrecimento existencial

“Diga-me quais são os seus valores e eu lhes direi qual é a sua identidade”
Zygmunt Bauman

As identidades são mutáveis e estão em contínuo processo de construção, desconstrução e reconstrução. Essa falta de identidade fixa é um produto da pós modernidade. Esse processo de despersonalização do indivíduo, imerso no oceano da indiferença existencial, é a característica por excelência da ideia de uma vida precária, em condições de incerteza constante. A insegurança nos estimula a assumir uma ação defensiva. Preocupa-me saber o que estamos fazendo com o nosso tempo neste planeta e como escolhemos viver nossos momentos aqui.

Nada contra a beleza, nada contra cuidar-se. Contra o exagero, o apego às futilidades e a prática desmedida de não aceitar-se. Vejo pessoas aturdidas, gastando a maior parte de seu tempo e dinheiro para tornarem-se outras pessoas.
O processo de construção da identidade é vendido como algo que é divertido, como algo que deve ser prazeroso e como algo que é indicativo de liberdade individual. Basta olhar para os vários perfis das redes sociais e sites para ver que a expressão da identidade é algo associado ao prazer e a aparência. Tornou-se uma parte normal da vida gastar uma quantidade considerável de tempo, esforço e dinheiro na construção, manutenção e transformação contínua de si mesmo. Embora possamos pensar que somos livres, na verdade somos obrigados a nos engajar num processo de reinvenção contínua, porque nossa vida social está condicionada a um fluxo muito acelerado.

A maioria das pessoas estão insatisfeitas consigo mesmas. Reclamam dos cabelos, do cheiro, do olhar, dos peitos. Isso não deve ser assim. Nossa cultura está cheia de mulheres de rostos plastificados, sorrisos sem expressão alguma. Homens de emoções engarrafadas, que compram relógios e carros caros, esperando que um dia isso os faça sentirem-se homens especiais.
Esse descompasso entrou nos relacionamentos. A mesma atitude crítica, o julgamento de que o outro nunca é bom o suficiente, impede que as pessoas vivam seus amores plenamente. Parece que algumas pessoas nunca vão encontrar a paz de espírito, nunca descobrirão quem realmente são e todas as tentativas de se encontrar através da reinvenção de si mesmos nunca será satisfatória.

É assim que nós deparamos com a maior tragédia do nosso tempo: a futilidade, que faz com que as fofocas de celebridades sejam mais importantes para as pessoas do que a fome, a guerra e a doença em todas as partes do mundo. Porém, ninguém é forçado a nada, as escolhas vão sendo feitas ao longo da vida e no final, sem surpresas, somos o que construímos em corpo e alma. Se todos soubéssemos o quão poderosos e bonitos podemos ser, não viveríamos a alimentar o potencial caótico dentro de cada momento dessa curta e emocionante viagem que chamamos de vida.

Não se afaste dos seus sonhos

No meio de toda turbulência da vida cotidiana o universo está encantado com você; diante de tudo que o amor incondicional pode proporcionar, ame porque você escolheu acolher esse belo sentimento dentro de você.
Viva sua vida com propósito, com liberdades pessoais. Faça escolhas simples que nutrem de alegrias a sua alma, cultive boas relações com os ente queridos.
Faça escolhas com base em ficar perto de suas paixões . O propósito, a vocação e a paixão expande tudo em seu mundo, transporta você para a zona de atração, de fluxo e sincronicidade com o universo. Você não pode livrar-se de todas as coisas negativas do mundo, mas você pode concentrar sua atenção nas coisas que fazem você sentir-se bem.

Eu aprendi que devo me esforçar mais, depositar toda dedicação nas minhas lutas para que meus sonhos não caiam no lado entorpecido vida. Estou agindo para que o próximo ano seja um ano de transformação, um tempo de olhar para as coisas improváveis e perceber que elas estão ficando ao alcance das mãos.
Eu aprendi a abraçar todos os aspectos de minha personalidade, minhas dualidades, minhas convicções, incertezas e contradições. Foi o melhor caminho que encontrei para conquistar o balanceamento entre as verdades, as transformações e as rupturas necessárias quando se quer estabelecer-se numa vida mais leve, sem tendência a culpas, sem frustrações e sem o esvaziamento que causam os relacionamentos superficiais.
Eu aprendi que o cuidado não pode transformar -se em preocupação, ansiedade e estresse, porque isso drena a energia, esgota o vigor físico e psíquico. Embora eu tenha preocupações genuínas com a família e amigos, não quero ser identificada como super protetora, instigadora. Só tenho que ser compreensiva, pois a preocupação excessiva nunca traz soluções equilibradas para os problemas.

O equilíbrio ė importante em todas as áreas da vida. E os sonhos estão lá, entre a razão e a adversidade. Não os perca de vista, não os deixe se distanciarem. O sonho alimenta-se da espera e embora em nosso tempo, tenhamos gradualmente abolido a palavra “espera”, ela mantém-se necessária entre o caminho e o sonho. Não há nada de errado em esperar…se no final a felicidade estará lá.
Não e preciso anular o passado para se olhar para frente, para renascer e viver um eu diferente. Ė completamente aceitável, embora tremendamente difícil, impor a si mesmo novos valores morais, mudar de rumo, aceitar o que antes parecia não caber na estreita realidade que se vivia.

E apesar de tudo, de todos os dogmas, da teimosia, do egoísmo, da ignorância e ódio, a estrela da humanidade tem brilhado e pode brilhar ainda mais com o engajamento em causas sociais pela liberdade e pelo fim da extrema pobreza. As mudanças são lentas, mas podem acontecer. E a razão da minha esperança ė baseada no que diz a antropóloga Margaret Mead: ” Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos preocupados e comprometidos possam mudar o mundo”.

Natal ė um período de comprometimento com o estabelecimento de valores supra religiosos, de certo aconchego familiar. Pode ser também o momento ideal para demonstrar generosidade, escolher o abraço apertado ao presente caro, de afastar-se das grifes que exploram o meio ambiente e os animais e escolher um presente produzido com preocupação ambiental e técnicas sustentáveis.
Que neste Natal o prazer não esteja relacionado com o limite do cartão de crédito, com a banalidade das coisas fugazes, que as vozes se juntem num coro vigoroso contra as injustiças, os abusos e a violência. Que uma nova consciência nos aproxime do sonho de vivermos num mundo melhor.

A vida se passa na companhia da incerteza

Quantas rotas seguidas pelos homens que buscam a felicidade já foram redesenhadas? Todas as frases envolvendo a palavra “felicidade” seguramente provocarão controvérsias. Para um bom observador, a felicidade de uma pessoa pode ser bem difícil de distinguir da infelicidade de uma outra. A maioria dos homens contemporâneos considerariam óbvias as afirmação de que quem tem mais dinheiro é mais propício à felicidade do que quem tem menos, quem tem bons amigos prenuncia mais felicidade do que quem tem poucos, que gozar de boa saúde é bem melhor que estar doente. Mas essas pessoas não conseguem afirmar que as mesmas coisas que os fazem felizes hoje, continuarão a encantá-las e a lhes proporcionar prazer para todo o sempre.

Recaio sempre com as teorias de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, que no livro a Arte da Vida, analisa a possibilidade de que o caminho para a felicidade passa hoje pelas lojas e, quanto mais exclusivas, maior a felicidade alcançada. Atingir a felicidade significa a aquisição de coisas que outras pessoas não têm chance nem perspectiva de adquirir. A felicidade exige que tenhamos mais que os nossos competidores. Somos uma sociedade de compradores e estamos felizes enquanto vislumbramos a possibilidade de sacar o cartão de crédito.

A correlação entre poder econômico e felicidade é amplamente considerada uma das verdades mais íntimas e menos questionáveis, embora preferíssemos todos crer que os bens essenciais para a felicidade não tem preço de mercado, não podem ser adquiridos com cartão de crédito, porque você não vai encontrar amor nem amizade numa loja. É nossa intenção restaurar a importância das coisas que fazem a vida valer a pena e dizer que encontramos nossa felicidade quando estamos alinhados com o que somos, com nossos valores fundamentais e com a nossa verdade.

Quando fazemos isso, nós encontramos nosso fluxo. As pessoas em geral querem se encaixar, querem integrar, encontrar amigos, ser amadas e ser aceitas. É desejo de todo homem viver feliz, mas quando se trata de ver claramente o que torna a vida feliz, eles tateiam em busca da luz; e de fato, uma das dificuldades de atingir a vida feliz é que, quanto maior a energia que o homem gasta empenhando-se por ela, mais dela se afasta caso tenha errado em algum ponto do caminho. Sêneca, sobre a vida feliz.

Não existe remédio para muitos dos nossos dilemas; não importa o quanto se tente, ninguém estará livre de tentações. Porém, não há necessidade de cobiçar, invejar e apoderar-se do que é e outro. Imagine sua vida como se fosse um banquete onde você deve se comportar com cortesia. Quando os pratos lhe forem passados, estenda a mão e sirva-se de uma porção moderada. Se algum prato não lhe for apresentado, aproveite o que já está no seu. Ou se o prato ainda não chegou até você, espere pacientemente a sua vez. Você vai ganhar sua porção correta quando chegar a hora, ensina-nos Epicteto, filósofo grego.

Emoções como herança

A chuva cai sobre o justo
E também sobre o sujeito injusto;
Mas principalmente sobre o justo,
Porque o injusto tem o guarda-chuva do justo.

É pelos atos que praticamos nas relações com os homens, que nos tornamos justos ou injustos. Para florescer no que viemos aqui para ser, é importante simplificar a vida. No estudo sobre a evolução da mente, Geertz já dizia que a criança sente o amor na sua pele, antes de senti-lo no seu coração; aprende a contar pelos dedos antes de contar na cabeça. As ideias, mas sobretudo as emoções são as heranças que devemos deixar.

Não podemos nos envolver com uma ordem genérica de educação. Temos que manter nossa forma particular de olhar a vida, de construir a rotina, de construir o mundo. A vida cotidiana, com a família em volta deve valorizar produções culturais, concepções simbólicas, os valores éticos.
Não há como reinventar. A vida é construída nos pilares basilares do prazer, da verdade, do amor, conhecimento e valores. Sim, somos seres muitos emocionais e ao educar transferimos sentimentos impulsivos e ensinamos exercícios tortuosos que remetem a vencer, a superar; mas é absolutamente preciso controlar os estímulos do medo, da raiva, do se sobrepor a qualquer preço, para impedir o sofrimento causado pela instabilidade afetiva. Não motivar as crianças pelo medo, pois que o medo opera afastando-os do amor.

O problema do sofrimento recai sempre na questão do merecimento. Embora nem sempre, mas quase sempre, o sofrimento é considerado cruel e também não merecido pelo sofredor. Nem sempre somos capazes de colocar nossas emoções indisciplinadas em ordem e nem sempre nossos julgamentos morais são isentos, principalmente se são afetados os nossos filhos.
Nosso modo de vida moderno está cheio de desculpas, nossas agendas cheias de compromissos, nossas cabeças cheias de medo. E o quem inspirado nossas crianças?

Padronizar a educação das crianças é o mesmo que destrui-las. Mante-las em atividades desde que se levantam até a hora que eles vão dormir, é roubar-lhes a oportunidade de experimentar o silêncio, o sossego, a preguiça boa. Ao estudar a interpretação das culturas, as formas e sentimentos, é bastante aplicável que para desenvolver normalmente a criança não pode ter seu tempo estruturado de forma mecânica e nem deve sentir pesado em si a influência e a expectativa dos pais. Agir com calma e deixar experimentar provoca respostas igualmente positivas.
Criar filhos para serem indivíduos misericordiosos, responsáveis e justos não é tarefa fácil!

Nostalgia – um compromisso com o passado

O que cai no passado vai tornando-se distante e estranho. Houve um tempo em que a nostalgia era considerada uma doença mental. Parece incrível, mas a saudade de um tempo, cujos sintomas podem ser desde crises de choro, batimento cardíaco irregular, falta de apetite, dificuldade de concentração, era atribuída aos demônios que habitavam o mundo interior.

Embora a nostalgia seja hoje considerada apenas uma experiência emocional benéfica, cerca de 80% das pessoas do planeta sentem-se nostálgicas pelo menos uma vez por semana. Há razão para pensar que a nostalgia manifesta-se de forma ruim, que tem componentes negativos, porque é muitas vezes vivenciada como uma perda ou saudade de um bom momento que não volta. Longe de ser vista como uma doença da mente, os psicólogos modernos veem a nostalgia como um antídoto ao tédio, pois a saudade comprovadamente pode dar significado a vida. A nostalgia combate solidão.

Como somos seres sociais, quando nostálgicos nos lembramos de nossas conexões com os outros, de afetos trocados e negligenciados. Isso reabre possibilidades de contato reparador.
Admito que sou quase sempre nostálgica. A nostalgia me parece um recurso mental valioso para reabilitar certos caminhos por onde já andei. Não precisa haver o sentimento que o mundo era melhor e mais culto, que as músicas tinham letras e melodias melhores. Não, não é saudade que eu sinto do passado, é um compromisso contínuo que tenho com ele, de não negá-lo, de não deixá-lo lá no fundo mofando.

Reminiscência nostálgica pode ajudar a manter esse sentido de continuidade, apesar do fluxo constante de mudança que enfrentamos ao longo da vida. É reconfortante perceber o quão rica nossas vidas têm sido, quanta alegria, trabalho, sucesso e emoção temos vivido. Quando estamos tristes ou desanimados, pode ser edificante lembrar que ainda somos a pessoa que foi muito feliz, forte e produtivo no passado.

A música é especialmente evocativa de emoção. As letras nostálgicas também capturam memórias felizes e a exuberância da juventude. a letra emocional de uma música pode envolver o ouvinte em uma reflexão sobre quem ele era antes e como ele chegou ao seu eu presente.
De toda forma, olhar para trás não faz mal a ninguém. Os jovens estão nostálgicos também. A própria realidade vai sendo fundamentalmente alterada por um mundo altamente midiatizado e neste admirável mundo novo, podemos apertar uma tecla e correlacionar nossas lembranças pessoais com o que estava acontecendo naquele dia, na mesma hora em qualquer parte do mundo.

Nossas lembranças estão armazenadas em discos rígidos, nossas fotos de viagens, das pessoas que conhecemos estão seguras em arquivos nas nuvens, mas eu vou tentar salvá-las também na minha mente e no meu coração.

O amor é expansivo, o medo, é exclusivo

buddhist-child-726x400“Siga seu coração” são palavras de ordem que temos ouvido muito ultimamente, mas a mente pode confundir um puxão emocional com a intuição que vem do coração. É preciso prática para discernir a diferença.

Aprendi através de tentativas e erros que a sedução do romance não é sempre o que o coração quer. O coração muitas vezes fala-nos em silêncio e o senso comum tende a racionalizar apenas os nossos desejos e reações. Na mente, os exemplos e julgamentos estão no controle. O coração, porém, é decididamente diferente, é mais suave, embora o que sugere o coração, possa envolver medo e uma paz que não exista. São como duas estações de rádio distintas. Quando se entra em sintonia com a estação do coração, a atitude ajusta e encontra-se respostas para muitas coisas.

É preciso aprender a equilibrar a natureza emocional e questões não resolvidas praticando qualidades que exalam do coração, como a compaixão, perdão, gratidão e carinho. Observe como essa radiação prolongada de cuidado afeta seu corpo, emoções e pensamentos. O coração é nossa casa emocional, onde afloram dúvidas, mágoas, desejos, anseios, alegrias e prazeres. O amor não é algo mensurável nem é um recurso limitado. Ele não conhece limites e não pode ser reduzido a uma definição ou interpretação restritiva. Amor, mais do que tudo, é uma atitude e uma decisão de buscar a felicidade porque devido a sua natureza expansiva, temos a capacidade de trazer o espírito de amor para tudo o que fazemos.

É um projeto da natureza que coloquemos a cabeça em sincronia com a intenção mais profunda do coração. Dizem que no mundo fascinante do coração, existe um pequeno cérebro em seu próprio interior. Sim, o coração humano, além das funções conhecidas possui um coração-cérebro que pode sentir, aprender e lembrar. O coração tem a sua própria maneira misteriosa de conhecimento, pode falar e influenciar o cérebro de forma coerente, estabilizando as emoções. Quando o ritmo cardíaco é compensado, o corpo, incluindo o cérebro, começa a experimentar todos os tipos de benefícios, entre eles uma maior clareza mental e capacidade intuitiva, incluindo melhor tomada de decisão.

Contudo, o principal trabalho emocional do coração é o amor em todas as suas manifestações. O amor pode abraçar o medo, dar direção à vida. E embora o coração e o cérebro estejam em constante comunicação, podemos intencionalmente direcioná-los a se comunicar de forma benéfica, num alinhamento harmonioso com a intuição.

Ouça o que seu coração tem a dizer, observando os sentimentos e sensações que chegam até você, talvez ele esteja oferecendo um novo sopro de argumentos, embora nem todos racionais. Abrir o coração para ouvir, respeitar e confiar é uma experiência poderosa. O coração é como um rei, enquanto a mente é a conselheira do rei, compara Alexander Lowen em seu livro Bioenergética. Os conselheiros informam o rei sobre o estado de seu reino, no entanto, as decisões são tomadas com base no próprio entendimento intuitivo do rei.

Deixe a vida florescer!

Talvez eu tenha me perdido no caminho do meu objetivo, ou talvez eu nunca tenha encontrado o meu propósito em primeiro lugar.
Talvez eu soubesse exatamente o que deveria alterar, mas não alterei. Teimei e segui. Agora não tenho certeza por onde recomeçar. A vida nem sempre se apresenta clara, certeira. Sei que estou bem, mas bem é estar feliz?
Qualquer coisa que não seja a liberdade me é demasiadamente pouco, a paz deve ser profunda, plena, silenciosa. Sinto que preciso mais do que tenho. Esse contentamento golpeia, não preenche. Preciso tocar os objetivos reais, equipar-me com mais coragem e encontrar as respostas que busco. É tempo de deixar a minha vida florescer!
Intuitivamente eu sempre soube que o caminho estava desviando-se, que a realidade estava a causar danos na minha alma. E minha alma é afeita a desafios, desaforos. Minha alma é forte como forte é minha determinação de mudar a forma de perceber o mundo, as pessoas, a realidade. Estou a buscar a cura para o que me intriga, para o bem que não consigo praticar. Isso me afeta profundamente, por que cavei muito fundo no meu coração, plantei o bem e o mantenho prisioneiro lá dentro. Preciso deixar o bem florescer!
Se escolhi agora olhar para fora de mim mesma neste momento de intensidade emocional, não há culpas, mas não pode haver desculpas ocultas nem posso ficar trancada nessa prisão emocional, onde não há oportunidade de cura. Em vez disso, devo olhar para dentro de mim mesma e não deixar-me perturbar ou sentir medo. Nada pode roubar-me o precioso tempo, a energia e o pensamento limpo. Há um potencial sagrado em meio ao caos. Eu quero libertar-me de toda essa loucura, da indiferença, da arrogância, do descaso,para fazer a diferença no mundo.
O caos convida para dançar, posso declinar o convite e encontrar uma maneira de me mover através do dia-a-dia, às vezes experimentando o que é menos do que o ideal, mas sem comprometer a mente, o coração e o corpo. O que eu quero vem de dentro. È a emoção de estender a mão, de dar uma resposta, de acolher, de liberar novas crenças e sensações.
É assim que vou cultivar um estado de paz interior, o que permite que o corpo se cure. Se você está aqui nesse mundo e eu posso ter a oportunidade de cuidar de você, esta é uma razão para eu cultivar a cura, libertar-me, deixar a minha alma florescer, fazendo o que acredito que cresci para fazer, num novo caminho, de verdade e paz.
Tento e só agora percebo que não mais posso adiar ou evitar esse verdadeiro alinhamento dos meus desejos e necessidades. Eu tenho a pretensão de desfrutar a felicidade e a beleza nesse caminho verdadeiro. É, chegou o momento inevitável de deixar a vida florescer!

Redescobrindo a intimidade

A maioria das pessoas relacionam intimidade apenas com o sexo, enquanto intimidade é o nível de proximidade que se pode ter com as pessoas. É o que acontece entre você, seu parceiro, amigos e familiares, é o momento regado a vinho, bom enredo, onde as conexões são construídas e você vê reflexos de si mesmo no contexto do outro. A intimidade nunca é monogâmica, porque ocorre em várias esferas de relacionamentos e é invariavelmente a prática da reciprocidade. Outra coisa é confundir intimidade com intensidade, e se envolver em relacionamentos onde a paixão está na superficialidade do ar. A verdade é que temos dificuldades com a intimidade, tanto para entende-la quanto para vivencia-la.

Assim, a construção cotidiana da intimidade enxerga a verdade, por isso é um processo arriscado, delicado, que nos faz experimentar a sensação de dependência do outro. Neste universo que a toda hora nos cobra para sermos competitivos, deixar à vista os sentimentos pode ser entendido como um sinal de fraqueza e para evitar a vulnerabilidade exibimos nossa força e independência. Creio que seja mais difícil ainda para os homens, que desde idade muito tenra são ensinados a não deixar os sentimentos excessivamente à mostras.

Quando alguém entra definitivamente em nossas vidas, a intimidade deve ser consentida, os sentimentos devem ser discutidos, os momentos de amor e dor devem ser compartilhados. Numa via de mão dupla devemos verificar os sentimentos dos outros e manter os nossos igualmente aflorados. Para vivermos em intimidade precisamos primeiro ter claro quem somos, o que queremos e o que é verdadeiramente importante para nós, para então permitirmos que nossa essência seja plenamente desnudada.

A bem da verdade, estamos em fase de evitar o confronto íntimo, porque há uma imensidão de relacionamentos frouxos, que nada cobram, nada acrescentam contudo. Seria como se estivéssemos escrevendo o diário intimo de um entre fabricado virtualmente . Abrimos nossa intimidade para estranhos nas mídias sociais, acreditando que conhecendo o cotidiano íntimo dos outros, possamos ter referências para avaliar nossa própria intimidade, não sei. Mas é fato que as novas tecnologias estão nos levando a uma exposição desmedida da nossa intimidade e muita curiosidade pela intimidade do outro.

Ainda assim, talvez movidos pelo medo, abrimos espaço para certa intimidade, mas mantemos, ao mesmo tempo, um relativo afastamento, erguemos uma barreira emocional por medo de sermos descobertos imortais, inseguros, imperfeitos. Medo de sermos descobertos egoístas, empenhados na nossa própria salvação.
Há estudos que afirmam que quando a intimidade do relacionamento não é satisfatória, sobretudo na vertente amorosa, para as mulheres, a separação é inevitável, o que não ocorre com os homens. A nossa cultura ainda promove a excelência do homem arredio, invulnerável, embora a intimidade reforça os traços e não deforma as formas.

É preciso curar o que causa a doença

Devo estar mais atenta ou medrosa. O fato é que nunca percebi tantas pessoas doentes, com doenças graves, no ambiente de trabalho, entre amigos, indivíduos simples e figuras proeminentes. Um número crescente de pessoas de idades variadas. Assustada fui ler sobre o assunto, observar se isso já não é um fato social, cujo quadro não pode mais ser alterado. Entendi que o esqueleto do homem dá sinal visível de saturação.

Impressionante detalhe é que os sintomas estão mascarados e também, como há uma falta de lógica no estabelecimento das doenças, referindo-me aos hábitos de vida das pessoas e até dos cuidados que muitos dedicam aos seus corpos. Há certos parâmetros que delineia o que realmente faz as pessoas saudáveis e o que as predispõem à doenças, assim como alguns experimentam curas de doenças em estágio considerados incuráveis, outros permanecem doentes mesmo quando recebem os melhores cuidados médicos. A pensar fico se não seria também necessário estender a cura a alma das pessoas, provocar-lhes até que reajam e acionem o poder de autocura que todos possuímos em nosso sistema. Temos que ser participantes ativos do processo de prevenção as doenças ou mesmo quando pacientes, com doenças já estabelecidas.

Estamos tão confortavelmente acostumados a entregar a solução dos problemas aos médicos, que curam as feridas, extirpam os tumores, mas não lhes cabem preencher o vazio da alma que não encontra fonte inspiradora para viver. Devemos incorporar o coração no processo de prevenção e cura senão não suportamos o fardo do stress, das cobranças por resultados financeiros positivos, das respostas certas, decisões irretocáveis e tudo isso talvez regado a estimulantes, calmantes, bebidas, cigarros e jantares. Por isso mesmo quando cuidamos do corpo, fazemos check-up, controlamos pressão arterial, níveis de colesterol, e não sei o que mais…estamos tratando da superficialidade do nosso ser. Mas estamos abordando o coração de maneira certa?

Estamos nos livrando do que nos pesa os ombros? Estamos lidando com o desconforto e promovendo mudanças em nossas vidas? O que significa de fato curar-se?
Não tenho as respostas para minhas indagações, mas penso que a cura deve ser algo além do processo externo da doença. É preciso curar o que provoca a doença, senão ela, sorrateira se repete. O médico ao diagnosticar uma doença grave expõe uma vulnerabilidade existencial propícia para o restauro da harmonia emocional. Com a alma curada, o corpo segue a frequência. Em um mundo perfeito, corpo e alma se conectam e afugentam os desequilíbrios e a doença encontra resistência para instalar-se.
Há muitas coisas que podemos fazer para aumentar a força do sistema imunológico e reduzir a susceptibilidade a doenças; assegurar uma dieta saudável e equilibrada, basear as refeições em vegetais; escolher não fumar, manter o peso, estabelecer um modo de vida saudável; ser ativo e, sobretudo inspirar-se nas atividades divertidas e ao ar livre.

Os pesquisadores constroem conhecimentos para o avanço da pesquisa do câncer, buscam recursos dos países ricos para enfrentar a despesa global que o câncer causa e tentam reduzir as mortes causadas pela doença. Mesmo assim advertem que as mortes relacionadas ao câncer continuarão crescendo e até 2030, 12 milhões de pessoas no mundo, terão morrido em decorrência dos vários tipos da doença.

O conflito entre ser e ter

Estamos sempre esperando conseguir o trabalho perfeito, esperando perder peso, esperando a permissão dos pais para sair de casa e começar a própria vida, esperando encontrar o sr. ou a sra perfeita, esperando nos livrar das dívidas antes de começar a carreira dos sonhos, esperando encontrar um propósito na vida, a espera de alguém, em algum lugar para dizer o que é importante, esperando alguém para nos mostrar como fazer diferença no mundo. Enfim quando vamos começar a viver em vez de apenas existir?

Temos medo de assumir nossas escolhas e algo sair errado. Tememos assumir um caminho e este não nos levar a realização. Por esta razão nunca estamos completamente satisfeitos com o que está acontecendo conosco no momento. Na verdade, a ideia de que precisamos de algo que não temos é a raiz do nosso descontentamento. Mesmo pessoas que alcançaram tudo o que sempre sonharam, sentem que há algo faltando. Estão tão acostumados esperar por algo mais, que tudo é insuficiente.

Cultivamos o hábito de sentir insatisfação, isto vale para ricos e pobres, por mais solitário ou extrovertido que sejamos. A percepção da falta inerente do que está sempre fora de alcance, serve apenas para garantir doses diárias de sofrimento.
Não há nada de errado com o desejo, no entanto, se você mudar sua atenção para o que você é, ao invés o que você acumulou, e se concentrar em viver este momento em sua plenitude, em vez do sofrimento causado pela ausência de seu desejo, você estará aberto para receber, para realmente ver tudo que a vida está lhe trazendo em cada momento. O estado de ser é o que importa, é o que pode trazer alegria. Não é o que conseguimos ter na vida que deve nos trazer contentamento, este não depende de circunstâncias externas.

Observando as articulações da mente, podemos descobrir que quando sentimos que algo está faltando, não descansamos até que tenhamos conseguido isso, esse artifício é apenas uma desculpa para não estarmos plenamente vivendo o presente. É sábio viver no presente porque isso é tudo que temos. O futuro é algo para se olhar lá na frente e não é algo a ser temido. É simplesmente um lugar que ainda não chegamos; então tudo o que temos é o agora.
Não deveríamos viver em espera. Esperar pode ser um convite para a decepção.

Talvez devêssemos aprender a estimar tudo o que temos, afugentar o hábito de sentir insatisfeito, que tem se tornado comum em nossas vidas. Isto é verdade para os ricos e os pobres, para os solitários ou seres sociais que circulam entre nós.
Se você se concentrar no que você é e experimentar este momento em sua plenitude, o objeto de seu desejo vem a ti, vem por si só. Ser é a coisa mais importante, porque é o que vai lhe trazer alegria. Isso não significa que eu não tenho mais metas ou projetos: isso significa apenas que a minha realização não depende mais só de resultado. Agora, eu coloco toda a minha paixão em criar e explorar minhas buscas, mas se algo não sair como planejado, com paciência, recomeço.
Quando você se vê procurando distrações, enfrentando o desconhecido. Esteja contigo mesmo, sem qualquer muleta. Não se apegue a ilusões. Mergulhe fundo, e, em seguida, mais profundo. Conheça a si mesmo. Esta é a única coisa que você realmente necessita.