Viver com alegria e distantes das coisas que nos aprisionam

O nosso conhecimento não vem necessariamente de fora, mas ele já se encontra de certo modo em nós, na nossa alma, ali reminiscente, já nasceu conosco. É uma questão, portanto, de redescobri-lo, reencontrá-lo em nós mesmos. E aí nós vamos achando no interior da nossa alma aquilo que é a verdade das coisas. O filósofo Clóvis de Barros, que é formado em Jornalismo e Direito, mestre em Ciência política e doutor em Ciências da Comunicação, exemplifica essa crença citando o diálogo de Platão, em que Sócrates conversa com um escravo de Menon, um jovem, que consegue responder com inteligência todos os questionamentos do filósofo. O iletrado escravo de Menon, demonstra inclusive por conta própria, o teorema de Pitágoras. Então, nesse sentido, a teoria da reminiscência mostra que tenho inteligência para entender o que se espera de mim e tenho liberdade para viver ou não em direção a esse propósito, porque o que preciso para aprender está dentro de mim.

O filósofo Clóvis de Barros, esteve em Cuiabá há uma semana e num encontro rápido, devido as recomendações de seus médicos para evitar contato próximo com pessoas, devido a sua condição de saúde, (há dois anos foi diagnosticado com ‘Doença de Behçet’, rara e incurável) pude dizer-lhe que sou assinante dos seus canais e recebo diariamente, as 6 horas manhã, suas reflexões matinais e que muitas vezes, a mensagem vem como uma ‘pedrada’ e destrói minha habitual arrogância de pensar que muito sei. Sorrindo, ele me disse: esse é meu objetivo: ‘criar nas pessoas condições psicológicas para enfrentar suas realidades entristecedoras’.

Algo deve ser o ponto de sustentação da vida que queremos eternizar. Não devemos viver somente na superfície, buscando crescimento profissional e dinheiro; sofrer, cair é parte inevitável da existência; aí, a filosofia de Clóvis de Barros vira conselho: “atribua valor a sua existência porque a vida não tem valor em si, quem dá valor é você; arrisque mais, tenha encontros tristes, sofra queda de potência; deixa que a sabedoria respingue em todos os momentos da vida; alinha a sua vida ao que você é; não se torne escravo das circunstâncias, mesmo que o que você é não pague todas as contas”. Enfático finalizou. ‘Eu escolhi ser professor, muitos escolheram ser poderosos senadores. Sou hoje, o professor dos senadores’. Ligeiramente arrogante, potente, sábio e profundo, com o estilo direto que o caracteriza.

Na palestra ele centrou na nossa pequenez, na insignificância que representamos diante do universo todo e ao mesmo tempo na graça que recebemos por fazermos parte do todo, que se deteriora e depois se reorganiza e o pouco que éramos minutos atrás, se reconstitui em outro lugar, em outro corpo, em outro todo. De repente, Clóvis ergueu a voz e se perguntou:

“Eu sou do tamanho de um grão de areia?  Não, menos, respondeu.

Por que tenho valor se sou tão pequeno? Porque você é uma parte do todo”.

Alertou sobre a imprevisibilidade da vida, a finitude, razão pela qual, não devemos fugir da realidade, não devemos ficar aterrorizados pela perda da nossa potência, da nossa significância; devemos entender as adversidades, passar de um estágio de vida para outro com mais alegria e distantes das coisas que nos aprisionam e apequenam. Falou da vocação humana para a alegria, que é nosso estágio mais potente. A alegria deve ser repetida, buscada em todas as coisas porque passar da alegria para o medo e tristeza é a pior equação possível. A tristeza das pessoas tem como causa a alegria que o triste vê no outro e entristecedores de plantão, estão em toda parte tentando nos derrubar.

Ao falar sutilmente sobre sua condição de saúde, ao contrário do senso comum, que fala de resiliência como um sentimento de aceitação diante do fracasso, Clóvis de Barros exibiu a sua resiliência como sinal de resistência e dignidade diante do ato de apanhar e ter forças para seguir em frente, se comprometendo com o que faz sentido e com a mania de colocar a esperança na frente do temor e do medo.

A correlação enttre a violência contra a mulher e saúde mental

A violência contra a mulher tem várias faces. Cada mulher é diferente e o impacto individual e cumulativo de cada ato de violência depende de muitos fatores complexos. Embora cada mulher sofra violência de forma única, há muitos efeitos comuns de viver com o estigma da violência e viver com medo. Antigamente as mulheres mantinham-se em silêncio sobre a violência, mas agora estão encorajadas a denunciar e procurar ajuda. A justiça de gênero, todavia, não pode ser estabelecida enquanto as estruturas misóginas não forem resolvidas.

Há um ano, os pesquisadores que participaram da Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde para debater as consequências da masculinidade sobre a saúde das mulheres, corroboraram a tese de que a violência contra a mulher tem alta correlação com transtornos mentais. Depressão, ansiedade, transtorno do sono, transtorno de estresse pós-traumático, ideação suicida e distúrbios mentais podem estar diretamente relacionados com relações abusivas e violentas contra as mulheres.

Enquanto foi diretora-executiva da ONU Mulheres, Michele Bachelet, médica, ex-presidente do Chile trabalhou focada em pesquisas e literaturas sobre a violência contra as mulheres por acreditar que essa violência é uma das violações mais frequentes dos direitos humanos, e, está enraizada no desequilíbrio de poder entre os gêneros, além de ser uma ameaça para a saúde das mulheres e dos seus filhos e sobretudo, um fator de risco para o desencadeamento de problemas de saúde mental das mulheres.

A violência é como uma pandemia silenciosa e não deixa nenhum país ou comunidade intocados. A violência é vivenciada por mulheres em casa, no local de trabalho, consultórios médicos e em espaços públicos, sem tréguas.

O livro ‘Violência contra as mulheres em todo o mundo’ e ‘Aspectos específicos da violência’, lido e adotado por Bachelet, examina o efeito da violência contra as mulheres na sua saúde em geral, na sua capacidade de trabalho, nas relações familiares e nas diversas formas de traumas e fornece provas substanciais da difusão da violência contra as mulheres em todo o mundo, destacando particularmente a desigualdade de gênero, como causa profunda da violência, que detona diretamente a saúde mental das mulheres.

A Organização Panamericana de Saúde, formalmente já reconhece a violência de gênero contra a mulher como um fator de adoecimento mental e desde então, várias perspectivas de estudos foram abertas, relacionando diretamente a violência praticada por parte do parceiro íntimo, do ex-parceiro, abuso sexual por parceiros do trabalho, situações de coerção, como causas de resultados fatais, como homicídios e suicídios. Fora essas tragédias, normalmente, a violência leva à vários transtornos de ansiedade, já citados e outros, como exaustão emocional, auto culpa, perda de humor e isolamento.

O livro, as pesquisas, são apelos a uma maior sensibilização na promoção de mudanças no sistema de tratamento de violência nas políticas de saúde mental.

Todavia, apesar das evidências, a maioria das políticas e programas de saúde mental não inclui voluntariamente a questão da violência como causa primeira para investigação, ainda.

Enquanto isso precisamos confrontar a masculinidade tóxica de quem é o vetor da violência contra as mulheres, porque são eles que espancam e matam.

As mudanças que podem ter efeito poderoso em nós

Acontecimentos pessoais, política, religião, atos de guerra e epidemias podem alterar inesperadamente a nossa relação com o mundo que nos rodeia. Esta é uma das coisas boas da condição humana, a maneira como moldamos nosso mundo diante das mudanças que somos forçados a absorver. Se as mudanças tecnológicas conseguiram proporcionar a emancipação do homem comum, agora é necessário criar um mundo mais relevante, num cenário mais existencialista, o ser humano com seu todo, livre, responsável por sua existência.  

Apesar dos últimos anos terem sido marcados por progressos significativos em vários domínios, como a ciência, a medicina e a tecnologia, ao mesmo tempo, o número de problemas na sociedade atual tem estagnado ou aumentado constantemente, conforme uma lista elaborada pela ONU sobre os 10 maiores problemas do mundo atual e suas possíveis soluções, as quais, se foram tentadas, falharam.

Estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e Banco Mundial, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, aponta, talvez, o único dado positivo das pesquisas que li durante a semana. 3 milhões de famílias beneficiárias do programa Bolsa Família saíram da pobreza extrema neste ano. Em Mato Grosso, ainda há 265 mil famílias que recebem o benefício do Governo Federal.

Em julho de 2023 foi publicado o Anuário Brasileiro de Segurança Pública com dados produzidos pelas Polícias e Tribunais de Justiça dos estados brasileiros, que mostraram o crescimento dos feminicídios, das violências sexuais, das agressões em decorrência de violência doméstica, bem como dos acionamentos ao número de emergência, indicando o crescimento de todas as formas de violência contra mulheres.

Os números reforçam a tese de que o Estado brasileiro tem falhado na tarefa de proteger as meninas e mulheres: os feminicídios e homicídios femininos tiveram crescimento de 2,6% este ano, 1.902 mulheres foram assassinadas e os estupros apresentaram crescimento de 16,3%. Percebe-se pelos noticiários, pelas vezes que nos assustamos e que reagimos indignadas que os assassinatos e as demais formas de crimes contra a vida de mulheres tiveram crescimento.

As questões ambientais, outro tema que ocupa a lista de grandes problemas mundiais, de forma direta e transversal, mas aqui no Brasil, podemos tratá-los como tragédias anunciadas, repetidas de tempo em tempo, sem punição e sem reparo de danos causados. No ano de 2015 assistimos perplexos, uma das maiores tragédias ambientais do país, que matou 19 pessoas em Mariana, MG, soterradas na lama tóxica dos rejeitos de minério de ferro. 8 anos depois, nenhum réu foi punido criminalmente e os crimes ambientais, como a lama tóxica que percorreu quase 600km, devem prescrever em até um ano. 

Se a justiça tivesse agido, punido diretores da empresa Samarco, possivelmente teria barrado a ganância e o descaso com vidas humanas pelas grandes corporações e não teria acontecido Brumadinho quatro anos depois, deixando um rastro de 270 pessoas mortas. Quatro anos depois de haver causado a tragédia, a empresa Vale registrou um aumento expressivo (33,6%) nos lucros líquidos.

Presenciamos a tragédia anunciada em Maceió semana passada. Vidas foram poupadas graças a ação rápida e vigilante da prefeitura, porque entre vidas, de pessoas da classe média baixa e pobres, o mundo corporativo sempre fará a opção pela expansão de seus negócios. Enfim, as mudanças que podem ter o efeito poderoso sobre nós e nossa existência neste planeta, estão acontecendo a passos de formiga e sem vontade.

Teor de pessimismo, na política e no cotidiano

A fadiga que sentimos não é tanto do trabalho acumulado, mas de um cotidiano feito de rotina e de vazio. O que mais cansa não é trabalhar muito. O que mais cansa é viver pouco, viver sem sonhos.’ Mia Couto, escritor moçambicano.

Fadiga é sentir os sentimentos genuínos colapsarem pela distância sempre mantida entre os avanços que almejamos e o pouco que nos é concedido, através das lutas diárias. O que cansa é perceber a transmutação dos atos de violência contra as mulheres para um movimento de manipulação, invalidação de sentimentos e comportamentos através da crítica destrutiva e chantagem. O ciclo na violência se arrasta de um ano para o seguinte, alterado em sua forma e intensidade. O Laboratório de Estudos de Feminicídios registrou 1.153 feminicídios de janeiro a julho deste ano, uma média diária de 3,81 feminicídios consumados. 

O cotidiano sofreu um processo mudança positivo no caso de violência contra a mulher praticado por jogadores de futebol. No ano de 2013, o jogador Robinho foi acusado de cometer crime sexual contra uma jovem na Itália. Não foi preso lá e fugiu para o Brasil. A justiça Italiana o condenou a 9 anos de prisão em 2020. A justiça brasileira não pode extraditá-lo. Resultado? Nunca cumpriu pena lá tampouco aqui. Já o jogador Daniel Alves está preso desde janeiro na Espanha pelo mesmo crime e diante da inflexibilidade das autoridades, já admite confessar o crime. Se condenado, pode ficar até 15 anos preso.

Eduardo Galeano, escritor uruguaio escreveu um ensaio onde diz que somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. Diz que vivemos em plena cultura da aparência, onde o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus. 

Por isso cansa tomar conhecimento que o racismo agora é exposto em uma mensagem deixada no aplicativo de entrega. Uma senhora pediu que não mandassem uma pessoa negra fazer a entrega da refeição. Uma desconfortável afirmação que a cor das mãos poderia sujar a comida. A cor, estamos sempre recorrendo as estatísticas para não sermos injustos. Um estudo denominado Pele Alvo: a bala não erra o negro, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, divulgado na última quinta-feira, mostra que a cada 100 mortos pela polícia em oito estados brasileiros, 65 eram negros, ou seja, 87%.

Cansa o frenesi político deslocado da realidade em ano de decisões eleitorais. E no ano de 2024, mais de 70 países, onde vivem mais da metade da população mundial terão eleições. Aqui no Brasil, as eleições municipais ainda ocorrerão em clima de polarização entre o ex-presidente e o presidente, que devem se engajar nas disputas locais com discursos inflamados servem para influenciar eleitores desavisados, com pouca ligação com o que realmente pretendem fazer os candidatos depois de eleitos.

Estamos vivendo sob o signo da singularidade. Um fenômeno onde as pessoas tendem a se importar menos com as atrocidades em massa do que com as tragédias particulares. Estamos diante de uma profusão de imagens trágicas das guerras na África, Europa e Oriente Médio e nenhum dos grandes líderes mundiais, nenhuma organização internacional tem se colocado como um jogador intransigente para colocar um fim nos conflitos, que devem adentrar 2024.

No mundo físico, já sabemos que uma guerra só termina com a completa aniquilação do mais fraco.

Não seja normal. Seja você.

Maya Angelou, uma das escritoras americanas mais premiadas de sua geração, subverteu a normalidade de sua época, ao tornar-se, aos 17anos a primeira motorista negra de ônibus em São Francisco. Numa época em que não era comum, assumiu-se mãe solteira. Alguns anos depois, tornou-se a primeira negra roteirista e diretora em Hollywood. E mesmo depois de morta, torna-se, em 2022, a primeira mulher negra a ter o rosto em uma moeda norte-americana e proclamou com orgulho suas palavras: “Se você está sempre tentando ser ‘normal’, nunca saberá o quão incrível você pode ser.”

Normal pode ser semelhante ao usual, médio, típico ou esperado. Normal implica em conformidade com um padrão preconcebido, que pode limitar seu potencial. Você pode nunca alcançar o extraordinário, desde que opte por permanecer comum. Normal geralmente não significa estender os limites. Normal geralmente não significa pensar fora da caixa. Normal geralmente não significa alcançar a grandeza. Atos normais, rotineiros, não mudam o mundo.

O mundo ‘normal’ sugere que existe uma maneira certa e errada de ser uma pessoa e não há. Existe um espectro de comportamento aceitável na sociedade e ele é vasto e varia muito. As pessoas geralmente querem ser aceitas socialmente e o caminho considerado mais fácil é se encaixar no comportamento da multidão. Para fazer isso, você pode se sentir pressionado a pensar e se comportar de uma determinada maneira.

As pessoas não são facilmente categorizadas, e isso é ótimo. A vida humana é muito orgânica para ser rigidamente classificada. Normal pode ser mais uma abstração do que uma experiência humana. Se esforçar para viver dentro da normalidade pode restringir a criatividade, o prazer, a graça. Ser curioso e criativo, ao contrário, requer correr riscos. Preocupar-se em viver de acordo com um padrão individual coloca a ênfase, o brilho da pessoa no resultado.

O conceito de normalidade é mais um ideal subjetivo do que realidade. Cada cultura desenvolve seu próprio código sobre o que é normal. A normalidade é um enigma e uma ilusão. O que uma cultura pode considerar comum, outra pode achar incomum. Em situações cotidianas, as pessoas julgam a normalidade tomando os outros como sua própria referência de comportamento normal. Nesse sentido, a normalidade aos olhos dos outros, quando você tenta ser o que outra pessoa considera normal, pode perder uma parte de sua essência no processo de imitação.

Imagine o tédio que seria, se na vida fossemos iguais, se possuíssemos características e qualidades únicas. Rótulos são úteis para mercadorias, mas não se encaixam no mundo confuso das emoções humanas e traços de personalidade.  Se o normal é equiparado ao status quo, então a anormalidade torna-se igual à inconformidade.

 Todo mundo é único à sua maneira, mas o que torna algumas pessoas tão diferentes de todas as outras? Muitas vezes as diferenças são usadas para tornar os outros inferiores e insignificantes, porém, os relacionamentos autênticos começam com o reconhecimento, compreensão e aceitação das nossas anormalidades.

Pouco a pouco, o pouco se torna muito

Normalmente, quando traçamos nosso plano para a vida, colocamos a bandeira de chegada no final e pensamos: ‘Quando eu chegar lá, vou comemorar’. Faz todo o sentido se esperamos ter uma linha reta até a vitória, porém, de forma alguma, precisamos esperar atingir o objetivo para ser feliz, podemos comemorar as pequenas vitórias que teremos pelo caminho e ser feliz a partir da largada. Isso nos dará motivação para continuar avançando ao enfrentarmos obstáculos.

A professora Teresa Amabile, da Harvard Business School e o pesquisador Steven Kramer são autores do livro “O Princípio do Progresso”, onde revelam o segredo por trás das pessoas efetivamente produtivas; o progresso. Em entrevista ao jornal The New York Times, a professora ensina que mesmo que não saibamos como receber um elogio ou mesmo que não andemos recebendo reconhecimento externo, ainda podemos nos beneficiar psicologicamente, se festejarmos nossas conquistas sozinhos, mesmo que não sejam avanços ou sucessos enormes, são significativos e devemos no sentir feliz por isso. Amabile diz que “precisamos abraçar o poder dessas pequenas vitórias e aprender a ficar à vontade com o reconhecimento e elogios”.

Enfatizando o poder das pequenas vitórias, o estudo mostra que os pequenos passos são cumulativos, não apenas na prática, mas também emocionalmente. O progresso, por menor que seja, contribui para a alegria, engajamento e criatividade. E não são necessárias ferramentas ou circunstâncias especiais. Gerenciar a vida, o tempo para o progresso tem muito mais a ver com a atitude do que com dinheiro ou equipamentos.

Os pesquisadores dizem que a pesquisa é inequívoca e que à medida que a vida interior da pessoa é inconstante, o mesmo acontece com o desempenho pessoal e profissional. E progredir no trabalho é o estimulante mais poderoso para ter uma vida interior profissional de sucesso e que celebrar cada vitória, não importa o tamanho do progresso obtido é fundamental e cada vez que atingirmos uma marca significativa, devemos encontrar uma maneira de celebrar, de vibrar e responder os elogios, como um presente que merecemos por estarmos trabalhando incansavelmente para alcançar um objetivo maior.

Às vezes não temos nosso trabalho reconhecido, por mais que nos esforcemos, nem sempre somos notados e recebemos tapinhas nas costas nos parabenizando, por isso não devemos nos sentir arrogantes ou convencidos quando aceitamos e respondemos afirmativamente a um elogio. No entanto, mesmo na ausência de reconhecimento, é possível nos sentirmos imensamente felizes por avançarmos em um trabalho que é significativo para nós.

O poder dos contratempos para aumentar a frustração é mais de três vezes mais forte do que o poder do progresso para diminuir a frustração, alertam os autores. Sabemos que vamos encontrar nosso quinhão de obstáculos desde a partida até a linha de chegada, às vezes parece que não estamos fazendo nenhum progresso, desanimamos e falhamos. Todos nós falhamos e o fracasso não significa que não teremos sucesso no futuro. Significa apenas que ainda não estamos lá.

Embora eu seja uma pessoa com o hábito de parar e refletir sobre minhas ações, não tenho o hábito de comemorar minhas pequenas vitórias diárias, observo agora que é fácil perceber que nos dias em que reconheço e me alegro com minha vida, com minhas pequenas conquistas, me sinto mais confiante e feliz.

É, como diz o clichê, a vida não é sobre o destino, é sobre a jornada. Quando deixamos de fazer uma pausa e reconhecer nossos pequenos sucessos, é muito provável que sintamos fadiga e a sensação de que estamos andando em círculo. Mas quando fazemos questão de parar para comemorar e nos presentear pelas pequenas coisas que conseguimos, alimentamos nossos propósitos e a confiança.

Sobre conhecer a si mesma e ser compreendida

“Ser você mesmo, simplesmente ser você mesmo, é uma experiência tão incrível e totalmente única que é difícil convencer a si mesmo de que algo tão singular acontece com todo mundo”, escreveu a filósofa Simone de Beauvoir em sua biografia.

Temos partes de nós que são desconhecidas dos outros e muitas vezes até de nós mesmos.

Somos incompreendidos porque não há ninguém exatamente como nós. Somos únicos e portanto, ser incompreendido parece fazer parte da experiência humana.

Mas é fundamental perceber que não somos os únicos incompreendidos e que na mesma medida entendemos mal os outros.

Apesar de sermos mal compreendidos somos cobrados a ser nós mesmos em um mundo que está constantemente tentando fazer de nós outras pessoas. E a forma mais comum de desespero é não ser quem você é intimamente.

O filósofo Friedrich Nietzsche perguntou: “Como podemos nos encontrar novamente? Como pode o homem conhecer a si mesmo?”

O paradoxo de conhecer a si mesmo é que nunca termina. Apesar do esforço ser infinito, isso não significa que deva ser abandonado. Assim como viver uma vida totalmente virtuosa não é realista, devemos nos esforçar para trilhar o caminho do auto conhecimento. Como muitos empreendimentos valiosos, conhecer e entender a si mesmo é uma busca sem fim.

A realidade humana está sempre se expandindo, sempre mudando. Então, no que eu me transformo  e como eu me reconheço se estou apenas aderindo aos rótulos? É importante entender em quem estamos nos tornando, é importante entender nosso passado para que possamos nos ver numa perspectiva panorâmica, é importante assinalar qual é o eu do qual estamos tentando estar cientes, que está sempre em fluxo, sempre mudando.

Não podemos eliminar nossa solidão porque não podemos  eliminar nossa singularidade. Digo isso para justificar o meu propósito de viver cem por cento o que é minha essência e tentar ser minimamente compreendida a partir das minhas particularidades, do meu tempo e imperfeições.

Quanto melhor e com mais precisão expressarmos nosso estado interior, mais as pessoas nos entenderão. Meu objetivo implícito e explícito, é me libertar das correntes da expectativa e alcançar um estado de auto-realização, onde não exista barreira entre meus objetivos, pensamentos e capacidade de me expressar.

Às vezes, as barreiras entre nós e nossos objetivos são externas. Podemos considerar que temos barreiras técnicas, logísticas, raciais, políticas, familiares ou financeiras, entre outras, que nos impedem até mesmo de iniciar nossa busca interior. Por outro lado, podemos ter barreiras mentais internas e outras ansiedades que primeiro precisamos superar para alcançar nosso estado interior ideal.

São os gestos que imortalizam as pessoas

No livro “A Imortalidade”, Milan Kundera, consagrado escritor tcheco, fala do desejo das pessoas de permanecer na memória coletiva depois de desaparecer do mundo terreno, a verdadeira vida para muitos é viver no pensamento do outro. O autor diz que emitimos opiniões, exercemos atividades militantes para sermos notados, para termos nossa imagem fixada na memória dos outros. Os bens que impressionam não garantem a imortalidade, para permanecer na memória dos outros, temos que colocar encanto em tudo, tornar público o gesto, o sorriso, a sedução.  

O essencial, porém, é o que não pode ser dito, senão vivido. Para o autor, são os gestos que tornam as pessoas imortais. O que eterniza a personagem do livro, é um gesto, um aceno cheio de simbolismo e sensualidade de uma mulher de meia-idade, à beira de uma piscina. A expressão do gesto arrebatou o coração do autor e sustentou o romance. Contudo, Kundera pontua que o gesto não revela a essência da mulher, pelo contrário, “a mulher revela o encanto de um gesto”. 

De fato, as grandes narrativas têm sido substituídas por imagens memoráveis ​​perpetuadas na mente e no imaginário de milhares de pessoas, desde o cotidiano gesto da mão que entrega a rosa com amor, os arroubos gestuais dos discursos dos políticos até a imagem de Lionel Messi levantando a taça da copa do mundo. Nenhuma palavra dita por Messi ou pelo adversário Mbappé ou outros se sobrepõe as imagens que correram o mundo da espetacular final. Toda a preparação, a pressão, o alto desempenho dos jogadores foram projetados nas imagens capturadas. 

Não é preciso palavra para descrever a cena de Messi correndo desgarrado dos colegas da seleção para solitariamente se unir em abraço ao goleiro deitado na grama. As imagens reencarnam inevitavelmente ao longo da história, apesar da mortalidade dos indivíduos. 

O momento atravessado por notícias falsas, por promessas vãs, falácias contribui para reduzir a importância do discurso, das metáforas, do embate de ideias meramente auto afirmativas. Na vida política brasileira atual, faltou um gesto de solidariedade ou gratidão do presidente Bolsonaro para os apoiadores sentirem-se abraçados, acolhidos, para guardarem boa memória afetiva dos protestos e do presidente. Os apoiadores, expostos à sol e chuva na frente dos quartéis, seu líder, encolhido e recolhido no palácio, emburrado, emudecido, seco.

A base do eu não é o pensamento, a palavra, assim como os personagens de Kundera, precisamos construir imagens significativas se quisermos evitar o apagamento da nossa individualidade na mente dos outros.

A universalidade da dor

A Primeira Nobre Verdade do Budismo nos ensina que há sofrimento em todas as instâncias da vida; é inevitável. E não devemos alimentar qualquer ilusão de que seja o contrário, não é possível ao ser humano conquistar total satisfação neste mundo, há momentos que desejamos poder mudar o final da história que estamos vivendo, às vezes, perdemos o que nos importa, somos separados daqueles que amamos, nossos corpos falham à medida que envelhecemos, nos sentimos impotentes ou feridos ou nossas vidas parecem estar se esvaindo. 

Seres humanos sofreram na antiguidade, sofrem hoje em dia e muito provavelmente também irão sofrer no futuro. Sofremos todos, desde os seres humanos mais privilegiados aos mais desesperados e desprivilegiados. Toda a gente, em todo o lado sofre. É uma ligação que temos em comum, todos compreendemos. 

E não é a impermanência das coisas que nos faz sofrer, é nossa ignorância, que nos faz pensar que a felicidade eterna pode ser obtida por meio de coisas materiais e transitórias. 

O Budismo percebe a universalidade da dor e repousa sua filosofia sobre esse eixo e para curar essa condição semelhante à doença, primeiro temos que reconhecer a existência do sofrimento, encontrar sua causa e, em seguida, buscar o caminho de treinamento semelhante à medicina para restaurar nossa boa saúde interior. Isso, contudo, não é causa para proclamar que o Budismo é uma prática pessimista mas, ao contrário, ensina que a verdade repousa no caminho do meio entre pessimismo e otimismo.

Seria o sofrimento uma condição inerente ao simples fato de estarmos vivos, temendo a morte, o sofrimento latente, aquele que está presente mesmo nos momentos mais felizes: o medo consciente ou não das perdas, da impermanência, da deterioração dos laços, do fim dos bons momentos: coisas se quebram, pessoas morrem, sofremos porque vivemos presos a um mundo de ilusões constantemente mutáveis. O sofrimento, segundo o Manual Diagnóstico e Transtornos Mentais (DSM) é algo difícil de definir, pode ser uma experiência, uma resposta emocional a tantas aflições sociais.

Entre os textos Budistas antigos e a análise do sociólogo Zygmunt Bauman diante do mal-estar na pós-modernidade, reveladas em quase todos os seus livros, há certa simbiose e uma vigorosa reflexão sobre os anseios, a violação de valores nas periferias do mundo, o individualismo e as relações efêmeras, que acabam provocando um vazio existencial, que dá sobrecarga ao sofrimento inerente, que já nos pesa os ombros. Entre os filósofos, o alemão Arthur Schopenhauer utiliza a máxima que “toda vida é sofrimento”, porque, segundo ele, nada existe fora da manifestação da vontade e a vontade é faminta, daí a caça, a angústia e o sofrimento. “Para todo ser vivo, o sofrimento e a morte são tão certos como a existência”.

Breaking News

breaking-newsBreaking News é uma palavra já incorporada ao vocabulário de quase todos os idiomas falados no mundo, significa “última notícia, notícia quentinha”. Esta palavra traduz exatamente a quantidade, não a qualidade de notícias que tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Tudo perde a importância diante da última notícia que aparece nas telas. Tanto que a tragédias não explicadas no Brasil, o aumento das tarifas públicas, desabamento de prédio, as reformas anunciadas pelo governo são misturadas com meteorologia, economia, num só bloco dos jornais, para confundir a compreensão das mesmas.

Vivemos como se estivéssemos lendo seguindo as linhas com os olhos e a mente, tomando outro caminho. Esse estado instável pode ser benéfico para a criatividade, mas,  seguramente é péssimo quando o analisamos do ponto de vista de focalizar a atenção em um problema. Este pensar discursivo de entender de tudo, sofrer por tudo, chorar por mortos alheios não é um estado aprofundado em sinceridade e empatia. Virou mania!

Talvez não seja impossível, no entanto, não creio que podemos desencadear sensações sinceras diante de todos as notícias que ouvimos. Mas estamos assim, tentando nos identificar com o emaranhado de notícias que ouvimos. A busca pela notícia se tornou insaciável e confusos entre serenidade e indiferença nos apegamos à repetição de mantras vulgares de elogios ou críticas, mas temos que nos manifestar.

A instantaneidade das coisas nos priva de tempo para assimilar os fatos, dar-lhes roupagens coerentes, análises razoáveis e assim pecamos tentando viver um momento que sequer entendemos, mas insistimos em emitir opinião sobre tudo porque essa é uma  visão de senso comum dos seres conectados, interativos e modernos.

As notícias arrebentam nas ondas modernas dos streamings, internet, televisão e cá, sem tempo para sentar, ouvimos e passamos adiante o que nem verdade deve ser. Mas temos que ser rápidos, a próxima notícia já está sendo trabalhada para vir, com mensagens subliminares contidas, com boa ou má fé para preencher esse vazio insaciável por novidades. Saiba que tudo isso não passa de mera intoxicação consumista de bens de mídia e ideias.

Nem tão engraçados, engajados, admirados temos que ser.  Existe vida entre uma notícia e outra, existem comentários pontuais, conexão com as mídias dentro de um arrazoado de vida moderna, onde sobra tempo para ler, acompanhar os filhos, assistir um bom filme, onde o personagem central não tenha, necessariamente que transversalizar ou rivalizar com sua realizade.

Acompanhar as manchetes é muito importante, mas o consumo excessivo de notícias pode distrair a mente quanto ao que precisa ser feito e dependendo do nível de vício, você pode precisar de intervenção para recuperar o fluxo de uma rotina saudável.