Fuga

Não há medo nesse silêncio,
Não há palavra contida nem riso abafado.
Fiquei assim… sentei-me no canto da sala.                                                                                                        Nosso pensamento que poderia coincidir,
Hoje diverge sem tréguas e sem explicação,
Que consequência pode decorrer da minha ilusão
Se no fundo imperativo manda meu coração?
Não há nada mais que esse silêncio.
Não há o que salvar.
Não reconheço sequer o vulto do que fomos.

É assim que os amores terminam

Não é simples tampouco sem dor que admito perder você,
de vista, de pensamento; por falta de tentar, de retomar a conversa interrompida.
A escolha não feita, a mesa desfeita, a vida revirada.
É assim que os amores terminam, que as portas se fecham, que os caminhos se distanciam.
As mãos se esfregam, o olhar se perde, a cabeça pende. O vulto se distancia,
as promessas são quebradas, o sonho se encerra.
Eu sigo, você volta, nosso caminho torto transcende nossa capacidade de reinventar o amor,
que desintegrou na totalidade.
Não há o que provar. A dor e o silencio tem gosto de nada.