O voto transforma sussurro em grito

Posicionar-se politicamente não significa permitir que as pessoas te usem como uma caixa de ressonância para expressar a opinião e opção delas.

A participação política é algo tão incrível quanto ameaçador. Li tempos atrás uma entrevista em que o ex senador republicano Fran Millar, disse não concordar e ter se preocupado com a decisão do governo americano de facilitar o acesso ao voto nas eleições, ampliando o número de urnas e locais de votação, sobretudo em regiões da periferia. Segundo o Senador, isso poderia elevar o número de eleitores negros e outras minorias e poderia promover mudanças não desejadas nos redutos Republicanos, além disso, o Senador disse que preferiria receber votos de pessoas mais educadas do que dos africanos americanos. A esta altura o Senador americano, derrotado, deve ter aprendido que na pequena cabine de votação o valor do voto é absolutamente igual.

A verdade sobre a política é encontrada onde nem todos se preocupam ou tem habilidade para enxergar. No livro O sinal e o ruído, o autor e estatístico Nate Silver diz que as pessoas gostam de política porque gostam de estatísticas, de previsões, tanto do tempo quanto do futuro e que mais de 90% dos fatos políticos são previsíveis, mas que ironicamente, a maioria das previsões são erradas, sobretudo devido às incertezas que permeiam todo o processo eleitoral. O autor tornou-se famoso nos Estados Unidos depois de fazer vários prognósticos corretos sobre o vencedor da corrida presidencial em 49 dos 50 estados americanos.

Falamos muito sobre política na superficialidade, fazemos prognósticos baseados em achismos e por isso  a desinformação política é uma grande preocupação no período que antecede as eleições de outubro próximo. O Brasil é o sexto país no mundo com maior número de usuários de mídias sociais. Com mais de 147 milhões de usuários no país, o WhatsApp é um veículo muito popular e o mais eficaz para disseminar narrativas falsas e desinformação entre os eleitores brasileiros, sem deixar grandes pegadas digitais, o que significa que é impossível saber quantas pessoas viram um conteúdo ou como exatamente o conteúdo viajou, por meio de prints e compartilhamento.

Foi exatamente o que vivenciamos nos períodos críticos da Covid-19. Pesquisadores da Universidade de Pelotas descobriram que a desinformação, alarmes e notícias falsas eram em grande parte transmitidas a partir de bases pró-Bolsonaro, em grupos de WhatsApp. O Telegram tem sido, cada vez mais usado em divulgação para o mesmo fim, com a vantagem que os grupos podem ter 200 mil membros (os grupos do WhatsApp são limitados a 256). É importante ter critério quanto a escolha da fonte de informação que vai alimentar você e sua família.

O período de pré-campanha efetivamente começou e ao perceber a movimentação, você pode estar se perguntando se a sua participação política realmente pode fazer a diferença. Afirmo que sim. A começar, busque informação confiável, seu voto é o passaporte para seu futuro pelos próximos quatro anos. Não votar ou tratar com displicência o voto é rejeitar sua capacidade de influenciar a forma como sua vida será afetada pelas ações governamentais, que via de regra e nunca de forma linear, atingem todos. Individualmente seu voto pode parecer apenas um sussurro, mas quando o seu voto se soma com outros, o sussurro vira grito e todos ouvem.

Reconfiguração das forças políticas

Deputadas e deputados federais ou estaduais que pretendiam trocar de partido antes das eleições 2022 tiveram 30 dias para fazê-lo sem perder o mandato por infidelidade partidária. Chama-se a esse “arranjo” de janela partidária, que terminou no dia 1º de abril passado, entre desconfortos e construção de novos projetos. Essa regra está prevista em lei e o entendimento é que o mandato dos parlamentares (deputados e vereadores) pertence aos partidos e não aos candidatos eleitos. Toda essa reviravolta partidária que ocorreu na última semana mostra a complexidade do sistema eleitoral brasileiro, da qual os parlamentares têm se aproveitado para se reacomodar no sistema.

Do ponto de vista político, os parlamentares devem mudar de partido quando  perceberem que seus pontos de vistas não mais estão alinhados com a linha de conduta adotada pelo partido ao qual estão filiados, porém, n prática, a decisão e os critérios da mudança de partido tem muito mais a ver com a possibilidade de se aumentar as chances de se eleger ou para juntar-se interessadamente ao grupo dos líderes nacionais que apoiam. Essa contextualização justifica o reposicionamento de muitos parlamentares federais e estaduais que migraram para o PL, partido do Presidente da República, que da noite para o dia se tornou a maior bancada da Câmara Federal no momento, saltou de 33 para 78 deputados.

De muito bom, houve a significativa diminuição no número de partidos que disputarão as eleições em outubro próximo. Na última eleição geral de 2018, 30 partidos elegeram representantes, com as fusões e trocas de legendes, o número de partidos caiu para 23.  

Praticamente nada na política é constante, as mudanças de partido ocorrem antes mesmo da abertura da janela partidária, principalmente nos casos de fusão de partidos e registro de novos partidos, o que não implica em perda de mandato para quem migra. Não é um troca-troca fechado em si mesmo, segundo o cientista político João Beato a troca de partido no ano eleitoral permite uma reconfiguração das forças políticas no cenário das eleições, sem que partidos ou mandatários sejam prejudicados, por outro lado, uma mudança de partido ocorrida em decisão solitária, pode influenciar negativamente o eleitor, colocando o candidato em risco de perder, sobretudo projetos de reeleição, se a mudança não for discutida com os apoiadores políticos.

Os dirigentes partidários do estado atravessaram meses em conversas públicas e de bastidores para a construção de candidaturas fortes, de puxadores de votos para eleger uma boa bancada na Assembleia Legislativa e pelo menos um deputado federal, o que muda radicalmente a configuração do partido em termo nacional e é responsabilidade de todos os dirigentes ajudar a cumprir a cláusula de desempenho, que fixa número de deputados federais eleitos para que os partidos possam ter acesso e quanto receberão do fundo eleitoral partidário.

No estado tenta-se construir, até o momento, sem sucesso, um grupo de oposição para disputar contra o governador Mauro Mendes, que com o caixa equilibrado segue para uma agenda recheada de lançamentos e inaugurações de obras. Dos 24 parlamentares estaduais, 11 mudaram de partido, aproveitando a janela partidária: Allan Kardec, que concorre a deputado federal, Sebastião Rezende, Xuxu Dal Molin, Dr. Gimenez, Wilson Santos, João Batista, Faissal, Elizeu, Claudinei, Cattani e Ulysses.

Uma das principais discussões no país neste momento trata da nova tentativa de construir uma terceira via como alternativa à polarização entre Bolsonaro e Lula. Há tempo porque nenhuma construção em andamento traz somente elementos novos. Há composições com políticos que vem de eleições bem sucedidas para governo e senado, outros não foram bem sucedidos, mas o nome ficou massificado. E a eleição é a soma de todos esses contrastes e arranjos.

Não sejamos guiados como ovelhas

2022 – ano de eleição e não há hora melhor para exercitarmos nossa liberdade debatendo temas políticos e outros temas que interferem nas boas práticas políticas. Estamos diante de um círculo eleitoral, que é um dos mais divididos que vimos na história recente do país, com um presidente altamente polarizado concorrendo à reeleição, uma pandemia viral que vem há mais de dois anos causando estragos em todo o país. Em tempo tão polarizado é tentador recuar, silenciar.  Mas ensina-nos o ex-presidente americano George Washington que: “Se a liberdade de expressão nos é retirada, então mudos e silenciosos, podemos ser guiados, como ovelhas para o matadouro.”

É preciso ter personalidade para dizer o que se pensa. E personalidade não é um dom, não tem nenhum caráter romântico ou naturalista. É sim, a soma do sentido da vida, dos valores desenvolvidos durante a trajetória, construídos com profunda e sincera humanidade. Pensar igual ou diferente, alinhar-se do mesmo lado ou em campo oposto, em qualquer área da vida diz muito sobre respeito à compreensão do homem que quer ganhar clareza sobre si, sobre seu tempo e seus contemporâneos.

O objetivo das discussões não é mudar a mente das pessoas e sim, fazer com que as pessoas aceitem os pontos de vista umas das outras de maneira civilizada. Se quero ser vista e ouvida, também tenho que ver e ouvir os outros. É assim que o verdadeiro diálogo começa. Se eu falar civilizadamente, provavelmente serei ouvida e receberei respostas civilizadas. Ouvir o que pensa o outro diz muito sobre ir modelando a vida, como se fosse uma obra de arte e não apenas defender nossas próprias crenças, sobre isso ensina-nos o ex-primeiro ministro Winston Churchill: “o conceito de liberdade de expressão de algumas pessoas é que elas são livres para dizer o que quiserem, mas se alguém disser algo em resposta, isso é uma ofensa.”

Há uma pesquisa produzida pelo Instituto Avon, em parceria com o Coletivo Papo de Homem, intitulada “Derrubando muros e construindo pontes: como conversar com quem pensa muito diferente de nós”, Em temas considerados delicados, como: gênero, a grande maioria afirma que o principal obstáculo é o tom agressivo e as frases prontas que permeiam essas conversas, as pessoas, em grau menor sentem-se com a sensação de contribuição para o debate, embora também reconheçam que o nem sempre é possível estabelecer um ambiente acolhedor para essas conversas.

Para qualquer lado que viremos a chave da discussão, esbarramos na polarização, nas fakes news e muitos seguem acreditando naquilo que lhes agradam e desacreditam por completo verdades ditas por pessoas com as quais não compartilham a ideologia política. Outras pessoas, quando percebem que a conversa está encaminhando-se para um ambiente de vigorosa discórdia, passam a concordar com a argumentação emocional do outro, para evitar a discussão.

O diálogo com quem pensa diferente deve ser fundamentalmente baseado no respeito, isso deveria bastar para que duas pessoas que jamais sentariam numa mesma mesa, tivessem um diálogo interessante. Mas, lamentavelmente, uma das conclusões da pesquisa é que 8 em cada 10 pessoas sequer tentam conversar com quem pensa diferente.

É certo que não estamos o tempo todo construindo pontes ou fechados entre muros, grande parte do tempo, estamos em trânsito, ouvindo, falando com as pessoas, inclusive com as que estão fechados entre muros, ampliando e moldando as bases das nossas crenças. É preciso ler muito, fortalecer os argumentos com fatos e filosofia, é preciso reconhecer e manter como elemento saudável, a contradição e as dúvidas. Estamos em constante fluxo, aprendemos e evoluímos todos os dias.

Sofrendo tanto, poucas chegam tão longe

Na edição de 2021 do Women Map of Women in Politics, os dados mostram recordes históricos para o número de países com mulheres Chefes de Estado, bem como para a parcela de mulheres escolhidas como ministras. As mulheres ministras, no entanto, continuam a dominar pastas que cobrem assuntos sociais, assuntos da mulher e igualdade de gênero, educação. Dada a evidência de que as mulheres políticas são geralmente mais propensas do que os homens a apoiar pautas sociais e não apenas isso.

Um longo caminho a percorrer.

Lei que garanta a representação das mulheres na política existe, mas a necessidade das mulheres na política não é reconhecida e nem sempre apoiada pelos homens que dominam o cenário. Segundo o pesquisador, doutor em demografia, José Eustáquio Alves, a dificuldade para se alcançar a paridade de gênero na política não é culpa do eleitor, que elegeu e reelegeu Dilma Rousseff presidente, mas sim, dos partidos políticos, que criam barreiras para viabilizar candidaturas femininas.

É essencial que a mulher que ocupa um espaço de poder, abra caminho para outras entrarem.

Apesar de representarem mais de 51,8% da população e mais de 52% do eleitorado brasileiro, mulheres ainda são minoria na política. No Brasil, cumprindo o mandato de governadora há apenas uma mulher, Wilma de Faria, no estado do Rio Grande do Norte. Nos 89 anos em que as mulheres conquistaram o direito de serem eleitas sómente 6 Estados brasileiros já elegeram mulheres governadoras. A primeira eleita foi Roseana Sarney há 28 anos. Das 5.570 prefeituras apenas 658 cidades brasileiras são comandadas por mulheres desde janeiro de 2021. Dos 141 municípios de Mato Grosso, apenas 15 são comandados por mullheres.

A violência política contra as mulheres ser crime previsto em lei que tramitou demoradamente na Câmara e foi aprovada por unanimidade no Senado, sancionada pelo Presidente Bolsonaro desde o ano passado, proibindo a discriminação e a desigualdade de tratamento por gênero, raça em todos os espaços de representação política. Segundo a Agência Senado, a lei proibe obstaculizar ou restringir os direitos políticos das mulheres, não apenas durante as eleições, mas no exercício de qualquer função política ou pública. Também serão punidas práticas que depreciem a condição da mulher ou estimulem sua discriminação em razão do sexo feminino ou em relação a cor, raça ou etnia. 

Não basta serem chamadas de guerreiras, determinadas, com mais sensibilidade do que os homens. Na prática, na busca ou no exercício de seus direitos políticos, as mulheres continuam enfrentando humilhações, piadas sexualizadas, insultos, rumores sobre sua vida privada, aparência, sofrem exclusão, constantes interrupções nos debates legislativos e não são igualmente acudidas pelo financiamento com o fundo partidário para suas campanhas eleitorais.

Ao ler sobre a luta das mulheres para ocupar espaço político, sobretudo quando são ativistas nas causas incômodas aos poderes autoritários, levou-me a conhecer a história recente da jovem mexicana Elisa Zepeda Lagunas, 37 anos, defensora dos direitos e da participação das mulheres nas decisões do governo local. Foi a primeira prefeita do município de Eloxochitlán de Flores Magón, no distrito de Oaxaca e deputada para o Congresso Estadual de Oaxaca.

Na caminhada sofreu todo tipo de violência política. Ao destacar-se na organização de manifestações, em 2014 foi alertada pela administração municipal que as mulheres não deveriam participar da vida pública, nem ocupar-se de fazer denúncias. Ao participar de uma assembleia política, a casa onde estava sofreu uma emboscada por alguns homens da administração municipal.

No ataque, assassinaram seu irmão, feriram sua mãe, Elisa teve o carro e casa queimados.  Foi levada pelos agressores, torturada, deixada para morrer. Não morreu. Fotografou-se banhada em sangue e enviou a foto com pedido de socorro para ativistas dos direitos humanos, procuradoria do estado, autoridades nacionais. Uma comissão de inevestigação foi instaurada e os autores do crime foram condenados à prisão. Recebeu proteção do estado e isso permitiu que ela continuasse com seu ativismo.

Quando chegou a eleição municipal, pela primeira vez a população local escolheu uma mulher. Elisa foi eleita o correspondente ao cargo de prefeita, em 2016. Em 2018 candidatou-se ao Congresso Estadual de Oaxaca e elegeu-se deputada. Em campanha pela reeleição este ano, desistiu! Carros estranhos foram flagrados fazendo campana nas proximidades do comitê e os agressores que foram presos em 2014, foram colocados em liberdade.

Aqui muito se tentou, pouco se fez

Aqui muito se tentou, pouco se fez… a inteligência é minguada*

Os políticos afinam seus discursos, os dirigentes partidários saem a campo a procura de outsiders, de preferência com discurso de exaltação da ética e da honestidade para disputar as eleições de outubro próximo. Essa estratégia, contudo, é centenária e foi assim na busca de um nome fora das oligarquias que dominavam a política no interior de Alagoas, que um dos maiores escritores brasileiros elegeu-se prefeito.

Em 1927, a cidadezinha de Palmeiras dos Índios elegeu seu mais famoso prefeito, Graciliano Ramos de Oliveira, o escritor de renome mundial autor de obras como,  Vidas secas e Memórias do Cárcere, entre muitas outras.

Administrativamente, o município de Palmeiras dos Índios, no agreste alagoano, não ia bem, precisava de mudança. Graciliano Ramos, relutou e por fim aceitou concorrer convencido por amigos de diferentes grupos políticos que apostaram na sua honradez. Aceitou o desafio não sem antes disparar contra os que duvidaram dele: “Apareça o filho da puta que disse que eu não sabia montar em burro bravo!”

Não participou da campanha eleitoral, não fez promessas, não se envolveu em articulações políticas para a escolha dos vereadores mesmo ciente que Palmeira dos Índios não fugia do padrão das cidades pequenas e pobres do agreste, onde o poder dos fazendeiros se sobrepunha ao interesse coletivo e os figurões afrontavam as leis vigentes. Graciliano Ramos foi eleito no pleito de 7 de outubro de 1927. Não teve adversário.

Sem se amedrontar com os poderosos, começou a cobrar o cumprimento das leis, negando favores aos políticos tradicionais da região. Cobrava resultados dos auxiliares e impaciente substituia ocupantes de cargos de confiança que não cumprissem horário e as ordens do prefeito, sem considerar o parentesco com seus apoiadores.

Proibiu a movimentação de gado, cavalos, porcos pelas ruas, muitos propretários insistiam na prática. O prefeito ordenou que todos os bichos encontrados nas ruas fossem recolhidos e o propretário, multado. Ao saber que seu pai, Sebastião Ramos, não acatara a ordem, mandou o fiscal multá-lo. Magoado, o pai veio reclamar com o filho prefeito. Alarmado ouviu de Graciliano que “prefeito não tem pai” e que mandaria apreender os animais toda vez que fossem deixados soltos na rua.

Em outro episódio, Graciliano demitiu seu secretário de Finanças ao desconfiar de sua lisura no cuidado com os cofres do município. O secretário era o irmão do vice-prefeito, que imediatamente foi até o prefeito reclamar da exoneração e dizer que, se o irmão saísse, ele sairia também. O escritor não se abalou e continuou a governar sem vice-prefeito.

Se de um lado a sua postura desassombrada contrariava interesses das oligarquias, por outro ganhava a simpatia da gente comum, pelas obras realizadas, construção de escolas, estradas, nas quais utilizava a mão de obra dos presos.

Ao fim do primeiro ano de mandato Graciliano escreveu no relatório de prestação de contas: “Dos funcionários que encontrei restam poucos: saíram os que faziam política no trabalho e os que não faziam coisa nenhuma”. Os relatórios sobre as contas de Palmeiras dos Índios chamavam a atenção do governador, pela austeridade nos gastos relatados e pela escrita inusitada, que narrava a situação do município e dos moradores com bom humor e ironia.

A administração de Palmeira dos Índios começou a figurar como um exemplo de trabalho e honestidade, o que colocou o município em uma situação de destaque e  levou o governador a convidar Graciliano Ramos para assumir a chefia da Imprensa Oficial do Estado.

Dois anos após tomar posse, Graciliano Ramos aceitou o convite do governador, renunciou à Prefeitura de Palmeira dos Índios em 30 de abril de 1930, para assumir a Imprensa Oficial do Estado, em Maceió. As pessoas que tiveram seus interesses contrariados comemoraram a sua saída da prefeitura. Tempo depois, Gracialiano Ramos foi nomeado o equivalente a Secretário de Educação do Estado de Alagoas.

Palmeiras dos Índios é hoje o quarto maior município de Alagoas.

*frase de Graciliano Ramos num dos relatórios de prestação de contas enviados ao governador de Alagoas.

2022-uma conversa inadiável

Desde a década de 1950, os cientistas políticos teorizam que a polarização, o fato de ver o mundo adicionado a um viés ideológico em tudo, está associada a incapacidade de tolerar a incerteza e a uma necessidade de manter crenças previsíveis sobre tudo. Descobriram que a percepção polarizada,  percepções ideologicamente distorcidas da mesma realidade é mais forte nas pessoas com  menor tolerância à incerteza em geral, isto mostra que parte da animosidade e mal-entendidos que vemos entre as pessoas não se deve a diferenças irreconciliáveis ​​nas crenças políticas, mas depende de fatores surpreendentes  e potencialmente solucionáveis, como a constante incerteza que todos nós experimentamos na vida diária.

Muitas das nossas diferenças são sobre valores fundamentais e não apenas sobre política porém, o senso comum resgistra que estamos mais divididos do que nunca, por razões políticas. Faltando dez meses para as eleições gerais de 2022, fico imaginando o quanto a polarização política reduziu a qualidade do tempo das familias que se reuniram à mesa de jantar na passagem do ano.

Quando surgem diferenças, muitos de nós, não sabemos como e quando persuadir ou apenas escutar. Nossas conversas políticas geralmente giram em torno da proclamação entusiasmada das nossas próprias crenças, enquanto questionamos as motivações e a moralidade de quem se opõe a nós, embora saibamos que não é assim que se muda a mente de pessoas com convicções fortes. Nossas declarações políticas não precisam ser consensuais, basta que sejam respeitosas.

Em 2022 vamos ter que falar sobre política em que pese não termos aprendido a lidar com  nossas crenças e respeitar as crenças alheias ao mesmo tempo. Com a família, costumamos supor que temos muito em comum e quando as diferenças despontam marcantes, a discussão é inevitavel, é como se um membro da nossa família estivesse nos sabotando, colocando nosso bem-estar em risco.

Com familiares e amigos nos sentimos tentados a partir para o convencimento e compartilhamento de nossas crenças mais do que fazemos com conhecidos com quem não temos interações próximas porque tememos ser encurralados e não dispor de argumentos bem construídos para sustentar uma discussão com pessoas cujo conhecimento não sabemos até onde vai. Agravamos o problema quando pensamos na política como uma fator segregador de pessoas entre justas e erradas. É como uma forma de dominação. Ou seja, um lado está certo e o outro lado está errado e não há qualquer pista que permita às pessoas descobrirem o que é certo e errado nesta perspectiva singular.

Percebemos que a divisão ocupa nossa imaginação coletiva e por incrível que pareça, isso agrada a milhares. Somos um país aleatoriamente formado a partir de sérias divisões culturais, raciais, regionais e históricas. Nosso sistema partidário dissolve os debates e transforma-os em batalhas, o que faz nossas discussões políticas parecerem impiedosas e desrespeitosas.

Falar além das diferenças não significa comprometer a identidade política ou os valores de alguém, nem é um compromisso centrista. Penso que as pessoas podem se identificar com ideologias políticas específicas, mas permanecerem sensíveis às necessidades dos que raramente são partidários por natureza. 2022 será um ano político mas não precisamos utilizar marcadores de identidade política nas nossas conversas. Uma conversa boa pode encerrar-se em uma conversa respeitosa.

Polarização e o sonho da terceira via

O jogo político de 2022 efetivamente começou. Tento me recluir para ler, pensar, matutar bem a questão, sedimentar minha posição para o ano que vem. Vejamos o que já temos colocado no tabuleiro:

O presidente Bolsonaro já definiu o novo partido (PL), pelo qual disputará à reeleição, o ex-presidente Lula, segue fiel ao partido dos Trabalhadores e ambos aguardam a confirmação das candidaturas que brigam entre si pelo posto cobiçado de terceira via das eleições presidenciais.

Os tucanos escolheram o governador João Dória para ser candidato a presidente, Ciro Gomes não entra em disputa interna no partido, onde é candidato praticamente unânime, o ex-juiz Sérgio Moro, filiou-se ao Podemos e entrou definitivamente na disputa.

Na última semana, o MDB apresentou a senadora Simone Tebet como candidata a presidente. Mulher sensível e engajada, presidiu a Comissão de Justiça no Senado. Se ela se apropriar de um discurso destemido, contemplando as pautas de interesse do público feminino, pode fazer bonito na eleição, considerando a lógica de que as mulheres são detentoras de 52% dos votos.

Detalhes, uns atraentes, outros intrigantes são adicionados aos arranjos para viabilizar as candidaturas majoritárias; de um lado, ideologias que polarizam crônicamente as discussões e do outro lado, as tais federações que devem unir num bloco só vários partidos para reforçar determinadas candidaturas. No âmbito da polarização, pelo que temos percebido nas pesquisas, Bolsonaro e Lula somados deixam espaço apenas para mais um candidato com chance de ser bem votado e interferir no resultado do primeiro turno. Esse voto, no terceiro colocado, será o voto útil, ao qual muitos amigos e analistas tendem convergir como opção.

Muito difícil porém, combinar esta estratégia com os eleitores não ideológicos, que embora queiram evitar um segundo turno polarizado entre Lula e Bolsonaro, estão espalhados e alheios, esperando as pesquisas sinalizarem crescimento real de Dória, Ciro, Moro, Simone, Mandeta ou quem mais surgir.

Localmente, não vivemos o cenário de polarização e a reeleição do governador Mauro Mendes é aparentemente tranquila, se o prefeito Emanuel Pinheiro não entrar efetivamente na disputa, como candidato, ele próprio. Nomes do agro, depois do case de sucesso do Blairo Maggi, vão surgir sempre, mas eleição de governador não é assim tão simples; eu quero, eu vou.

Como sabemos, Blairo era um nome conhecido nacionalmente como empresário, destacou-se quando foi suplente do senador Jonas e viabilizou-se politicamente com apoio de grandes nomes da política de Mato Grosso. Balbinotti, sem grupo de apoio, contando com possível amizade à distância com o presidente da República, não segura uma candidatura ao governo, deve estar ensaiando vôo para a Câmara Federal.

O prefeito Zé do Pátio é considerado um forte candidato ao governo, embora não tenha admitido isso ainda, viria apoiado por uma frente progressista vigorosa e protegido pela figura jurídica da federação, que obrigaria diversos partidos a apoiá-lo em nome da manutenção e fortalecimento da candidatura do ex-presidente Lula.

Mas, intempestivo, começou mal, atropelou o Partido dos Trabalhadores ao anunciar a criação de um comitê pró-Lula e avocar para si a coordenação da campanha no Estado, onde o Partido dos Trabalhadores tem uma bancada respeitavel de deputada federal (Rosa Neide) e dois deputados estaduais (Lúdio Cabral e Valdir Barranco).

Fora da majoritária observa-se o espaço que pode ser deixado na disputa de deputado federal com a saída do deputado Neri Geller para concorrer ao Senado. O grupo PSD/PP, que tem se mantido unido e ampliado a força com a eleição do senador Carlos Fávaro, não deve abrir mão de manter o espaço e tem cacifado o deputado Neri para acirrar o embate com o senador Wellington Fagundes em torno da única vaga oferecida ao Senado.

O senador Wellington Fagundes tem o palanque reforçado pelo correligionário Bolsonaro, o que é importante num estado que tem 141 municípios e 122 deles deram vitória a Bolsonaro em 2018.

Porém, a realidade hoje é outra depois de 616 mil mortos pela Covid e descontrole no aumento do custo de vida, com a gasolina em alta de 40% no ano de 2021, empurrando a inflação de setembro para 10,25%, o maior índice dos últimos 27 anos. Isto sim, pode ser determinante numa eleição.

Lembramos que análise política não deve ser guardada nem para a semana seguinte. Retrata o momento em que a conversa acontece e muito pouco além.

Em busca da batida perfeita

Conheci o sociólogo Fábio Gomes num seminário sobre reputação política no mandato, em Brasília, 2019. A palestra veio de encontro a um tema que sempre considerei muito importante e o meio político, muitas vezes, vira-lhe a cara, a construção da reputação de mandato, para que eventos esporádicos, mesmo que arranhem a imagem, não destruam a reputação.

Fabio disse que “a imagem é pontual, todo mundo vê, são notícias quentes, que todo mundo comenta. A reputação é uma construção sólida, é o que estrutura a imagem, o que as vêzes, nem é percebido. A imagem arranhada, restaura. Reputação arranhada é difícil restaurar, quase sempre, é fim de jogo”.

Metáforas e lendas mitológicas foram utilizadas para fazer a distinção entre imagem e reputação (não são sinônimos). Imagem política é reforçada por um fato acertado aqui, um fato errado acolá. Reputação é a soma do tempo, a média que se tira da história de vida, a média dos factuais, onde erros podem ser relevados diante dos acertos e nem sempre determinam baixa na reputação.

Ele diz que estamos em busca da batida perfeita na política. Políticos não devem fazer discurso em cima do que não lê, o contexto da reputação leva em conta a a vida como ela é, o mundo da vida real, a construção do discurso, do conhecimento, das expectativas que são criadas. Não se constroi boa reputação política sendo do tipo “eu faço, eu resolvo, eu falo e você curte e compartilha porque eu tenho a batida política perfeita”.

No ambiente polarizado que engoliu o diálogo, o bom senso, o filtro, a própria razão, os indivíduos aceitam e reproduzem todo conteúdo vindo de seus líderes políticos, como se estivessem ouvindo a batida perfeita, o sociólogo recorreu a lenda mitológica de Zeus, o rei dos deuses, Hera, sua esposa e Eco, uma contadora de histórias. Hera desconfiou que Zeus a traia com Eco. Jogou Eco no Vale das Penitências com a maldição de que ela nunca mais pronunciaria uma palavra espontânea. A partir da maldição, Eco só repetiria o que ouvisse.

Alí, circulando no vale, Eco conheceu Narciso, por quem se apaixonou mas devido a maldição não conseguiu se comunicar com o belo jovem que ao perceber que Eco so repetia o que ouvia, afastou-se. Desiludida, Eco embrenhou-se numa caverna e definhou até a morte, deixando apenas sua voz ecoando pelo vale. A maldição de Eco pode ser percebida em muitos processos de comunicação política entre o lider e os seguidores.

Construir e reforçar a reputação para que esta seja submetida aos filtros ideológicos e sociais dos seguidores é um trunfo do qual, poucos lídere políticos se valerão porque não investiram tempo e discernimento na busca pelo bem comum, pelo diálogo com menos militância e paixão e mais razão,
maior percepção da realidade e menos subjetivismo, mais compromisso com a verdade, tolerância às ideias divergentes.

Não, não estou falando de um mito grego, mas de políticos que existem e que honestamente admitem não ter encontrado a batida perfeita, não estão aprisionados e amaldiçoados com a perda da palavra espontânea e não disparam bala mágica com mensagens que não podem ser questionadas ou contrariadas.

Políticos que não gostam de ser contrariados se comunicam com seus eleitores baseados na “teoria da bala mágica” ou seja, apostam que suas mensagens são tiros certeiros que adentram a mente dos seguidores sem encontrar resistência, da mesma forma que uma bala penetra a pele e se aloja sem dificuldade no corpo da vítima. Segundo essa teoria, a mensagem política deve surtir o efeito de uma bala disparada por uma arma de fogo. Não importa o conteúdo, são precisas e os indivíduos que as recebem, são vulneráveis e facilmente manipuláveis.

Cautela no novo código eleitoral

Em regime de urgência a Câmara dos Deputados começou votar o texto do projeto do novo Código Eleitoral, como forma de consolidar toda a legislação eleitoral e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral, abrangendo vários temas, como mudanças na regra de inelegibilidade, na fidelidade partidária, prestação de contas, pesquisas eleitorais, gastos de campanha, acesso a recursos do fundo partidário para partidos políticos, diminuição da sub-repesentatação das mulheres, por exemplo, entre outros.

O Código eleitoral vigente está absolutamente alicerçado em premissas autoritárias. Está vigente desde 1965 e vem recebendo remendos pontuais, desde então. O projeto é complexo e permeado por poucos pontos polêmicos, alguns acrescentados como destaques, que já foram retirados ou votados semana passada. A elaboração do novo código contou com a contribuição de mais de 100 pessoas, entre eles, pesquisadores, professores, advogados, membros do Ministério Público, magistrados, representantes da sociedade civil organizada, visando atualizar as disposições e imperfeições do sistema político eleitoral brasileiro e suas idiossincrasias, como o fato de suportar a existência de 34 partidos políticos devidamente registrados no TSE.

O regime de urgência foi contestado por vários parlamentares principalmente porque tal recurso permite a votação do projeto sem passar por votação em nenhuma comissão da Câmara Federal, o que realmente não cumpre o rito básico do processo legislativo normal. Contudo deve enfrentar dificuldade de ser votada também em regime de urgência no Senado, uma casa mais pautada pelo seguimento do rito e das normas burocráticas, onde nenhuma grande mudança ocorre sem debates. Para valer já para as próximas eleições todo o rito, de finalização da votação na Câmara, no Senado e sansão presidencial deverá ocorrer até um ano antes das próximas eleições, ou seja, início de outubro.

A votação na Câmara começou com um recuo; a retirada do projeto de um dos principais temas polêmicos: a quarentena de cinco anos de desligamento do cargo que seria exigida de juízes, membros do Ministério Público, guardas municipais, militares e policiais para poderem concorrer às eleições, o que inviabilizaria muitas candidaturas, entre elas, de Sérgio Moro e do Delegado Flávio Strigueta, para citar um nome nacional e um local.

Foi aprovado o destaque que trata da distribuição das “sobras” eleitorais, que são as vagas não preenchidas pelo sistema proporcional, (total de votos válidos obtidos pelo partido com todos os candidatos da legenda). Pela nova regra, essa vaga só poderá ser acessada por partido que obtiver 80% do quociente eleitoral e candidatos com no mínimo 20% do quociente eleitoral. Atualmente, todos os partidos que tenham participado das eleições, independentemente do número de votos, podem participar da distribuição das sobras. Lembrando que o projeto segue para votação no Senado.

O projeto altera também as regras de fidelidade partidária, estendendo para o executivo, governadores, prefeitos e presidente a obrigação de permanecerem na legenda após a eleição. Atualmente, apenas parlamentares são obrigados a cumprir fidelidade partidária com o partido pelo qual se elegeram. Um dos destaques já aprovados pelos parlamentares foi sobre a janela de mudança de partido, que tem permitido a dança de partidos sem penalidades, no mês de março de cada ano eleitoral. Pelo destaque aprovado a janela ocorrerá apenas 30 dias anteriores ao prazo de filiação partidária.

Enfim, o projeto do novo código eleitoral teve o texto base aprovado, alguns destaques votados e outros que serão colocados em votação esta semana, tenta discorrer acerca de todas as áreas conflitantes, que tem gerado demandas judiciais ao final de cada processo eleitoral, como a distribuição da verba pública partidária, cuja proporcionalidade é sempre confusa e discutível por ser utilizada fora do propósito de amenizar as desigualdades econômicas entre candidatos e se dar mais transparência às disputas eleitorais.

Um dos principais pontos que precisa efetivamente avançar diz respeito ao aumento do quantitativo na representatividade feminina, sobretudo nos parlamentos. Existe até um projeto em andamento, fora do projeto do Novo Código Eleitoral, que aprova reserva de cadeiras à mulheres para a Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas dos estados, e as Câmaras Municipais. 28 países já têm legislação que estabelece reserva de ocupação de cadeiras para mulheres no parlamento, uma ação bem mais afirmativa do que cota para ser candidata.

A extensão da mentira na República

Cerca de 134 milhões de brasileiros tem acesso à internet, mais de 100 milhões são usuários frequentes das mídias sociais, o que significa quase metade da população do país, segundo matéria da Agência Brasil. Contudo, a maioria das informações compartilhadas não são verificadas, são incompletas e de qualidade questionável. São as chamadas “fake News”, que se sobrepõem a outros distúrbios da informação, como desinformação, informações equivocadas ou enganosas e informações falsas que são divulgadas propositadamente para enganar ou confundir as pessoas.

Frequentemente, a mentira tem sido utilizada, na sociedade, como um instrumento de manipulação do homem pelo homem e a doença aguda da nossa sociedade, a adoração de alguns líderes políticos, facilita a manipulação e propagação de notícias falsas. Existem simplesmente muitas “verdades” aceitas que não são verdadeiras. Falsas versões de eventos, fatos claramente deturpados assumiram um papel estranhamente dominante na vida nacional.

Platão, na obra “A República”, mostra-se complacente com a mentira e admite que determinada classe social, como médicos e governantes podem mentir se for para o bem de seus pacientes e para o bem comum dos cidadãos. Aristóteles, porém, em sua obra “Ética a Nicômaco”, considera que nunca é permitido dizer uma mentira.

Santo Agostinho rejeitou todo e qualquer tipo de mentira, não aceitando nenhuma justificativa para a sua prática. Foi um dos primeiros pensadores a esmiuçar e sistematizar o tema. Ele elaborou teses sobre a mentira em dois tratados, intitulados “Sobre a Mentira” e “Contra a Mentira”.  Santo Agostinho fala dos mentirosos e enganadores, que não apenas revelam, mas também ocultam o pensamento. “Ninguém poderá duvidar que mente aquele que com ânimo deliberado diz algo falso com intenção de enganar”. A mentira é explicada como uma significação falsa unida à vontade deliberada de enganar outros.

A doutrina do duplo coração de Santo Agostinho sobre a mentira, fala da divergência entre aquilo que se crê interiormente e aquilo que se fala. Por isso se diz que o mentiroso tem um duplo coração: aquele que sabe que é verdade e se cala, e outro, aquele que fala sabendo que é tudo falso.

Na filosofia moderna, Immanuel Kant, no livro “À paz perpétua” diz que a condição prática moral para a paz perpétua na república é a aceitação universal do princípio da verdade ou, a proibição total da mentira. “Tu não deves mentir nem mesmo na mais piedosa das intenções”.

Fiódor Dostoiévski, em “Os irmãos Karamázov, encerra as citações sobre a mentira: “O principal é não mentir para si mesmo. Quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade nem em si, nem nos outros e, portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais. Sem respeitar ninguém acaba na total bestialidade em seus vícios, e tudo isso movido pela contínua mentira para os outros e para si mesmo”.

Diante da vulnerabilidade de quem se informa por meio das mídias sociais, não causa surpresa que políticos de todos os lados possam ignorar os fatos narrados pela mídia de notícias e, em vez disso, usar a mídia social para fazer seus seguidores acreditarem e compartilharem suas afirmações, preferencialmente, as falsas. No mínimo, devemos ser mais rigorosos com as notícias que escolhemos ler e passamos adiante.