Clichês relacionados ao sexo feminino

doodlemujeresNo palco político mulheres bonitas e atraentes recebem tratamento desrespeitoso porque a vida sexual de mulheres políticas é sempre assunto controverso aos olhos do público.

O sociólogo francês Pierre Bourdieu, no livro Dominação Masculina, sustenta que as diferenças na socialização do poder é que os homens amam os jogos pelo poder e as mulheres amam os homens que sabem jogar.

Eleita com a maior votação de Roraima, a deputada federal pelo PSDB Shéridan Oliveira faltou à sessão de votação da denúncia contra o presidente Temer, semana passada, entretanto, ao ter o nome chamado para votar, um colega parlamentar soltou um sonoro e escrachado “gostosa”, ouvido por todos no plenário.

A deputada, mãe de duas meninas referiu-se a cena como algo machista e medieval e afirma que vai entrar com representação contra o parlamentar na Comissão de Ética da Câmara Federal.

Vale observar que existe um persistente ceticismo e má vontade quanto a capacidade da mulher em balancear a vida amorosa, familiar e a carreira política. Mulheres solteiras ou casadas sem filhos presumidamente parecem ter mais tempo para dedicar-se às obrigações públicas, entretanto até estas enfrentam dificuldades para conter as críticas e criar expectativa positiva quanto aos mandatos.

Também semana passada, a nova líder do partido dos trabalhadores e líder da oposição na Nova Zelândia, deputada Jacinda Ardem, reagiu irritada com a repetida pergunta nas entrevistas centrada na capacidade da deputada conciliar uma possível gravidez com suas funções públicas.

É realmente inaceitável creditar a esse item tamanha relevância, mas a deputada de 36 anos, sem filhos estaria sendo cobrada pelo temor dos neozelandeses de que Jacinda, tenha que solicitar licença maternidade após uma possível escolha para ser primeira-ministra.

Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido também não tem filhos e durante a campanha foi atacada em entrevista por uma parlamentar do seu próprio partido, alegando ser ela, uma escolha melhor do que May, porque era mãe de três filhos e isso garantia que teria uma participação muito maior e mais efetiva no futuro do país. Dias depois, teve que fazer pedido público de desculpas e engolir a indicação de Teresa May.

A mulher mais poderosa do mundo na atualidade, a chanceler alemã Angela Merkel, no segundo casamento, sem filhos biológicos, talvez seja a única mulher a conviver confortavelmente com a situação.

A Alemanha, civilizada e com leis severas que protegem a privacidade dos cidadãos, não se interessa pelo assunto privado da chanceler e nem mesmo os motivos pelos quais ela não teve filhos é abordado na imprensa, o que não impediu um adversário político de tentar colar nela a imagem de uma mulher com biografia sem a experiência da maioria das mulheres: a maternidade. Ele falou ao vento, ela o venceu nas eleições no ano de 2005.

Há fortes evidências que a solteirice, a beleza e a falta de filhos são inadequados para mulheres políticas. Se não têm filhos preocupam-se dizendo que não podem entender completamente as políticas sociais, que estas são preocupações das famílias. E, se têm filhos, perguntam se vão se ausentar no período de licença maternidade equem ficaria em casa cuidando das crianças. Assim é complicado.

Como as pessoas se tornam monstros?

Red-Queen-alice-in-wonderland-2009-7296677-500-323Esta pergunta tem sido feita amiúde e intermitente por filósofos, psicólogos e sociólogos por séculos. É ficção e simplismo pensar que pessoas privilegiadas estão impermeáveis do lado do bem e os outros, do lado do mal.

A linha entre o bem e o mal é, para todos os efeitos, permeável e móvel, no sentido que pessoas boas podem ser seduzidas a exercer o mal e pessoas ruins podem se regenerar.

Teoricamente, não somos nem bons nem maus, mas uma complexa personalidade que age de acordo com a circunstância. É infinita a capacidade da mente humana de se tornar o que quer que seja: gentil ou cruel, compassivo ou indiferente, criativo ou destrutivo.

Isso define o contexto para a compreensão dos seres humanos que são transformados de pessoas comuns e boas em perpetradores do mal. Segundo os estudos e a tese do Dr. Stanley Milgram,1963 e transformada no filme “O Experimento”, de 2015, o mal é encomendado intencionalmente por quem tem poder e praticado pelos que devotam obediência cega à autoridade.

O estudo comprova ainda que o sistema cria as situações que corrompem os indivíduos e o sistema é a estrutura legal, política, econômica e culturalonde o poder fabrica os indivíduos ruins ou torna as pessoas comuns em agentes destrutivos, quando estes não possuem recursos necessários para resistir a sedução da autoridade.

O estudo de campo dividiu pessoas em 16 grupos em diferentes ambientes de trabalho. Um voluntário apresentava-se para participar da experiência, sem saber que seria avaliado na sua capacidade de obedecer irrefletidamente as ordens. Era colocado no comando de uma falsa máquina de dar choques, com fios ligados a um ator contratado, que fingia-se de voluntário.

O voluntário era instruído pela autoridade e dava uma tarefa para o ator e se este acertava, ganhava prêmio em dinheiro, se errava, a autoridade ordenava que apertasse o botão de choque.  O mal começava com o botão de 15 volts, o segundo erro mais 15 volts até o último de 450 volts. Mesmo crendo que os choques eram verdadeiros, os voluntários, que trabalhavam próximos da autoridade que lhe dava as ordens, poucas vezes se recusavam a cumprí-la.

O estudo foi apresentado no viés da mão pesada das autoridades institucionais e privadas, para influenciar o comportamento do indivíduo e o resultado chocou a comunidade dos pesquisadores americanos, pois poucas pessoas se rebelaram a cumprir a ordem de dar o choque e nenhuma diferença foi constatada entre homens e mulheres.

Portanto, Milgram quantificou o mal como a propensão das pessoas a obedecer cegamente à autoridade, a ir até o fim cumprindo ordens, mesmo quando estas podem proporcionar dor.

A obediência cega à autoridade começa com a desumanização do outro, com o conformismo, falta de senso crítico ao cumprimento das regras estabelecidas e pela tolerância passiva ao mal ou indiferença. Transportando a Experiência de Milgram para os males praticados em nome de autoridades brasileiras, que culminaram com a operação Lava Jato, por exemplo, que completa três anos de investigações, prisões e delações, não há negar que o mal está impregnado no sistema e serve-se das autoridades políticas e empresariais vaidosas e gananciosas que exercem o poder com ilimitada ascendência sobre as pessoas comuns.

O amor não conhece sua profundidade

 

Nem sempre preciso de planos. Ás vezes é na desordem das palavras não ditas, no coração confuso, na inquieta alma que repousa na profundidade do meu ser, que consigo expressar o meu amor.

Nem sempre preciso de olho no olho. Ás vezes é no afastamento silencioso, na cabeça que pende em desacordo que meus sentimentos conflitantes ameaçam se confessar.

Amo imperfeitamente.

Nem sempre tento tanto. Ás vezes deixo as palavras atenciosas sem importância, e, diante de uma vasta estrada, sigo o caminho rumo ao nada e deixo-te partir.

Nem sempre restauro meu coração quebrado. Ás vezes, a temporalidade da vida, tira-me coisas que me haviam sido concedidas. Deixo-as ir. Porque nem sempre tenho planos para estas.

O homem sem qualidades

“O que é um homem sem qualidade? É um nada. E esse é o problema. Há milhões assim. É essa a raça que nossa época produziu. Algo imponderável como uma orquestra que desafina e não por falta de talento apenas. É que falta tudo”, escreve Robert Musil no livro desconcertante sobre o homem em sua condição terrena envolto na absoluta falta de valores morais, intitulado “O homem sem qualidades”.

O romance traz personagens vivendo relações autênticas, sem emoção ou sentimentos positivos, substituindo a inspiração pela intuição e nos confronta com comentários irônicos que tentam mostrar à fragmentação e à dissolução dos valores éticos na modernidade.

Trata de seres que colocam o mundo cotidiano em suspensão, deixam aberto suas naturezas esquivas, aproveitam-se da situação política, dos revezes econômicos, da desigualdade e da irracionalidade como condição para disseminar a moralidade falsa, julgamentos e comentários incapazes de exprimir a menor compaixão ou respeito pela vida do outro ser humano.

De toda parte, o homem está se preparando, de maneira cada vez mais disforme para exercer na plenitude a espessa capacidade de ser vil, de pronunciar palavras cujo significado talvez até desconheça, mas é preciso impressionar, que seja negativamente, mas impressionar.

É incômodo conviver com pessoas que zombam de tudo, que conseguem fazer piada com a dor alheia, que politizam até os mortos e seus velórios, que entram em transe diante da possibilidade de explorar as veias do mal, pronunciando discurso de ódio, principalmente na internet.

Ao ler o homem sem qualidades, pensei que ao nascer desprovido de sentimentos bons, o homem poderia esforçar-se para adquirir certos valores morais ou espirituais de forma a amansar o ímpeto selvagem que lhe compele a cultivar espinhos no coração.

As manifestações destemperadas não mais típicas da arrogância da juventude, dos espíritos afoitos, são usadas a bel-prazer por gente de todas as idades.

É difícil combater os homens sem qualidades com ideias singulares, com filosofias humanistas. Tampouco se consegue adivinhar a profissão dos homens sem qualidades porque eles estão em toda parte; são médicos, comerciantes, artistas, políticos e professores, para quem nada é sólido; ficam zangados e zombam, se entristecem, rejeitam o que os comovem.

Sem sentir, assim como na água, estamos nadando num mar de fogo, onde o mesmo acontecimento tem muitos lados e a mesma relação tem um monte de sentimentos transversos entre o bem e o mal.

Pelejo para ampliar minhas qualidades, cobro-me exaustivamente para adquirir novo modo de pensar mais humanizado e com respeito pela vida do outro. Erro seguidamente. Entre remorso e fraqueza sinto que não quero repartir minha existência com pessoas sem qualidades e ainda dotados dessa monstruosa mistura de insensibilidade e indiferença que tem permeado as nossas redes de relacionamentos.

O círculo vicioso da violência

Dia 25 de Novembro, foi instituído o dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher. Uma semana antes, a apresentadora da TV portuguesa Cristina Ferreira, lançou o livro “Sentir”, no qual revela ter sido assediada sexualmente em vários momentos de determinadas fases de sua carreira.

Não a conhecia, tampouco li o livro, mas assustei-me com os comentários que li logo abaixo da matéria sobre o lançamento do livro.

Muitos, inúmeros homens demonstraram ignorância e conduziram as palavras pelo caminho da brutalidade. Concluíam, sem nenhum constrangimento, que via de regra, as mulheres reclamam, mas gostam de sofrer assédios e que somente conseguem ascender profissionalmente, as que se sujeitam a dormir com seus chefes, em troca de favores e promoções.

Razão esta, segundo o comentário, que leva os rostinhos bonitinhos e atributos mais abaixo, serem altamente levados em conta na hora das contratações.

Alguns senhores, pude senti-los irritados, chegam a dizer que as mulheres já deveriam estar acostumadas e saber lidar com o assédio e aceitá-lo como parte natural do processo de ascensão profissional feminina. Outros, sem perder tempo argumentando diz que isso tudo é invenção da cabeça histérica das mulheres para irritar os homens.

Causa-me estremeção a mentalidade misógina que existe arraigada nas sociedades de quase todas as partes do mundo. Entendo que o tema não pode ser tratado com leveza. É inaceitável a tendência de desvalorização ou banalização do ato do assédio, dos olhares insinuantes e comentários jocosos dos chefes, de membros da família, dos falsos amigos, nas residências e nos espaços públicos.

Não, não acho que as mulheres tenham que ter jogo de cintura para sair dessas situações pelo simples fato de que elas (as situações constrangedoras) não deveriam acontecer. Não, não é somente na horizontal que as mulheres ascendem.

Circula nas redes sociais um vídeo, onde um jovem ucraniano parte para cima da namorada e durante alguns minutos desfecha-lhe golpes no rosto, na cabeça, chutes e não satisfeito, arrasta-a pelos cabelos até a entrada do elevador. O fato ocorreu recentemente, numa cidadezinha espanhola.

As autoridades locais perceberam que não havia registro policial desse espancamento e de posse das imagens gravadas por um circuito interno, foi atrás da história. A mulher temia sofrer mais violência e ser extraditada se denunciasse. O valentão está preso e sem direito ao pagamento de fiança.

O feminicídio, que é o assassinato de mulheres pelo fato de serem mulheres, ocorre muito no âmbito familiar, nas relações afetivas, e é uma violência que tem a estratégia de humilhar, desmoralizar o ser feminino e se estende por todas as culturas e localidades.

Os números do último relatório da ONU mostram que, numa proporção mundial, uma em cada três mulheres já foram vítimas de violência física ou sexual. As autoridades no tema, embora reconheçam que há muito por fazer no enfrentamento da dolorosa sequência de crimes, dizem que a violência contra a mulher não é um processo inevitável e pode ser prevenida com mais educação e punição exemplar.

O Ministério Público, em parceria com o governo, Assembleia e Tribunal de Contas lançou ontem o projeto “Homens que Agradam, Não Agridem”, destinado a fortalecer o enfrentamento à violência contra mulheres.

A difícil tarefa de criticar sem agredir

Estamos acostumados a debater temas políticos nos limites entre o que o outro pensa e o que quero ouvir, entre a necessidade quase doentia de uns impor sua linha de raciocínio aos outros, sob a pena da contra crítica baseada nas argumentações de ódio. Ainda assim, precisamos conversar muito! Há novas realidades carentes de serem conhecidas e discutidas com respeito às pluralidades. E como trazer temas polêmicos para o centro das discussões sem limitar o discurso e com civilidade?

A crítica é de fato, um jogo. Críticas carregadas em momentos emocionais são geralmente agressivas, de conteúdo duvidoso e despertam portanto, respostas igualmente raivosas e desprovidas de checagem. Criticas são inevitáveis. Vamos ser criticados porque num determinado momento cometemos algum erro ou na contramão da compreensão, quando estamos indo bem demais. Independentemente da motivação ou falta dela, as criticas deveriam ser válidas como um instrumento a nos orientar o rumo, mas que nada!A crítica agressiva implica nada mais do que a imposição de critérios de superioridade para desrespeitar e ridicularizar o outro. Justo não é, mas é o que se vê!

São poucos os que conseguem tecer uma abordagem geral de um quadro desfavorável, com respeito, considerando o contexto que tenha gerado tal quadro.  Poucos pensam que a sociedade está vendo, ouvindo e repudiando a gritaria, que muitos indivíduos fazem uso de reflexão, sem estarem presos aum lado ou outro e não porque estão desalinhados com o sistema, mas ao contrário, porque o sistema permite o contraditório e as interpretações distintas da gritaria e dos xingamentos.

É compreensível que o fenômeno das eleições sempre provoca sentimentos fortes nas pessoas, a disputa é instigada no centro, na periferia, nos debates e na TV e a produção, que deveria explorar o conhecimento e as propostas, apela para o ataca, responde, rebate, suspende, tira do ar, corta tempo e assim, ignorando os elementos que dão clareza e sustentação ao pleito, a hora está chegando e a semana deve ser impiedosamente tensa e panfletaria.

Em vários, quase todos os contextos, a vida contemporânea tem se recriado, porém no quesito eleições, aqui, ali, lá fora tem sido ainda igual a desatenção com quem espera um jogo limpo.A política ainda não encontrou um meio eficiente de progredir na velocidade que as mídias avançam, que as informações chegam às pessoas. Truncada, com reforma para inglês ver, a lei eleitoral não encontrou ainda formas para enfrentar suas próprias deformações efragmentações.

Eu cá, no meu mundinho, preocupada em ter voz, em fazer-me respeitar pelos senhores que querem comandar o espaço que habito, acredito que é possível viver uma nova configuração de valores, com quebra de paradigmas do modo de pensar, perceber e usar as palavras sem baixar o nível.

O espírito da cidade adoeceu

Com o olhar atento ao que acontece no mundo e, especificamente, encarando a realidade local, percebe-se no que está submerso, um mundo de tristeza, medo, loucura e violência. O espírito da nossa cidade adoeceu.

Precisamos de remédios mais poderosos do que os que têm sido utilizados para conter o destempero que nos roubou as virtudes essenciais: a bondade, misericórdia e amor. Ônibus são queimados nas ruas, a chama, porém, amedronta o justo, o bom, o misericordioso. Trancam-se todos. É justo?

A vida do espírito da cidade pede a intensificação das tentativas de salvamento desses momentos de dureza brutal e por comum que possa parecer aos olhos de alguns, a violência tem causa sabida e tratamento negligenciado por todos.

As vítimas, o sistema, o homem marginal são fregueses completamente distintos do mesmo mercado, que os empurra rumo a uma vida onde a corrupção, o poder e o dinheiro compensa tudo, nem que para isso tenham que viver no limite dos perigos típicos de uma cidade quase grande.

Dado as incertezas das coisas, percebo que os meios legítimos para uma vida de paz não estão disponíveis para todos os homens – muitos se desviarão e quando se descaminham, o infortúnio não é só deles, pois juntam-se a força de estruturas paralelas à oficial e ameaçam todos os outros homens.

Diante do fogo, da rajada de balas, dos arrastões não podemos viver em dissonância cognitiva, ignorar os riscos que corremos a todo instante. A atmosfera de loucura é real e talvez tenhamos que ter paciência com o caos instalado.

A urgência e a imensidão de um problema tão sério não se resolve numa ação imediata. Nem sempre o poder público tem resposta para tudo. Rezem!

Qualquer ser, todos os seres, por pequeno que seja é dotado de uma substância espiritual, que precisa ser acionada para se animar e conter os ímpetos da corrupção, dos vícios, das monstruosidades. Da mesma forma, todos os seres são capazes de se esforçar e promover a quebra dos rompantes de loucura.

Existem tantas armas das quais o cidadão deveria apossar-se para começar uma luta justa pela educação, pela saúde e segurança. Armas que não são letais, que não machucam e, além disso, preparam o caminho para uma vida melhor.

Lamentavelmente, armas genuínas não servem a homens obstinados e cegos, que carregam o jugo de seus vícios e suas almas carregam o risco da perdição eterna.

Conversinha de mulher

Algumas mulheres, inegavelmente, ocupam espaços importantes. São influentes, tomadoras de decisões, dão passos agressivos e decisivos na gestão de negócios, demonstram boa performance como investidoras e doam-se à ações filantrópicas.

Em Taiwan, Jamaica, Croácia, Chile, Polônia, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Brasil e muitos outros países há mulheres governando países. As mulheres estão na BM&F, em Wall Street e nas grandes empresas. Aqui na nossa terra, o Tribunal Regional Eleitoral, o do Trabalho, as duas universidades públicas, UFMT e UNEMAT e a Academia de Letras são presididas por mulheres.

No âmbito político, as mulheres não têm a mesma representação nos cargos mais altos; nenhuma senadora ou deputada federal; apenas uma deputada estadual, duas secretárias de Estado e uma vereadora no Legislativo da Capital de Mato Grosso.

A despeito de haver um monte de mulheres fortes, que são líderes, não há o suficiente no mundo dos negócios nem na política. O Brasil ocupa o vergonhoso 29º lugar nas Américas, que tem a Bolívia na dianteira, como o país que tem maior representação feminina no parlamento.

Conversinha de mulher hoje é falar sobre o êxodo do povo sírio, do financiamento americano de guerras perpétuas, da abertura diplomática entre os Estados e Cuba. Conversinha de mulher é opinar sobre as ações coercitivas da Polícia Federal, do poder de Deus transferido aos homens mortais do Ministério Público. Conversinha de mulher é tentar entender onde vamos parar com tantos desmandos. Acreditam alguns que estamos vivendo um processo de depuração. Depois virá a paz…a tão sonhada paz…Isso sim, é sonho de homem. Mulher não acredita nisso! Não agora!

Conversinha de mulher é por fim analisar os dados dos relatórios sobre a violência contra elas e numa perspectiva realista tentar entender porque o aumento das denúncias e da pena não reduzem as agressões. Conversinha de mulher é cobrar dos governos uma reforma política inclusiva, cobrar educação de qualidade para formar os bons cidadãos para a sociedade que queremos ter no futuro; cobrar resposta rápida e eficiente para controlar as “zicas” que tornam a saúde pública vulnerável.

Em certa medida há um amplo espectro de estratégias para tornar as mulheres mais participativas politicamente, para que elas se preocupem mais com a vida cívica e com os contextos culturais e políticos de suas comunidades e o processo de engajamento naturalmente desperta a cobrança para que se coloquem nas disputas eleitorais, principalmente onde há um eleitorado desgostoso com os políticos homens que estão no poder. Não creio que seja somente questão de gênero, mas também a intenção de promover um emparelhamento de condições para romper e definitivamente deixar para trás os séculos de submissão.

Mundo perfeito?

No estado de Australia do Sul o investimento na saúde consome 31,5% do orçamento do Estado. Logo após o nascimento, o bebê é inscrito no MediCare, para ter o acesso e atendimento facilitados nos hospitais públicos. O nascimento do bebê deve constar numa central do governo que controla o pagamento da licença maternidade.

O estado, sem distinção de renda, deposita pouco mais de 1 mil dólares, por um período de 18 semanas à família. Isso ocorre porque, na maioria dos casos, as empresas não pagam salário integral às mães durante a licença de seis meses. Preserva-se o emprego por um ano, mas o salário cai ao nível de um salário mínimo por mês. Óbviamente essas condições podem ser negociadas, mas, em geral, é isso o que acontece.

Pouquíssimos hospitais são privados. O médico não pode cobrar se tiver qualquer vínculo de emprego com o governo, mesmo acompanhando paciente num hospital privado. Meu neto Leonardo nasceu num hospital privado, obstetra particular e pediatra do setor público. O plano de saúde foi acionado para cobrir as despesas do parto e o inesperado nascimento prematuro e duas semanas de UTI neonatal não tiveram custo adicional para os pais.

Uma semana após a alta, a casa é visitada por uma enfermeira, que aqui chamam de Midwives. São especialistas em atendimento pós-parto e trabalham tanto para os médicos quanto para hospitais. Ela supervisiona a cicatrização da cirurgia, pesa, mede o bebê, observa-o sendo amamentado e orienta sobre depressão pós-parto.

Na Austrália cerca de 7 em cada grupo de 10 mulheres sentem-se deprimidas quando retornam para casa com o bebê. Uma situação que preocupa o governo. Tanto que na segunda semana, uma agente de saúde, do governo faz acompanhamento da recuperação da mãe e do bebe. Percebe-se através das perguntas uma outra preocupação, a violência doméstica. Na oportunidade, em tom formal, a agente do governo instrui quanto os endereços das entidades as quais deve-se recorrer em caso de necessidade de auxílio. Ao sair, checa o quarto do bebe.

Grandes hospitais são inúmeros em Adelaide. Entretanto o governo está implantando um novo sistema de saúde, que está gerando críticas por parte dos sindicatos dos serviços da saúde e usuários. O projeto chama-se ¨Transformando a Saúde¨ e inicia com a construção de um imponente hospital central, com atendimento ambulatorial contemplando todas as especialidades, centro para atendimento e cirurgias de média e alta complexidade, centro de reabilitação, laboratórios e centro avançado de pesquisas.

Disseram-me que o povo na verdade, não está interessado nesse complexo, cuja intenção do governo trabalhista é tornar a Austrália do Sul numa referencia nacional em saúde pública. Alegam ainda que o suntuoso edifício pode não atender as necessidades dos médicos e enfermeiros e que fizeram a opção por uma obra de arquitetura estética, que será entregue a população até o meio do ano.

Os antigos hospitais serão transformados em centros de atendimentos especializados, de forma que, uma vez acometido de um mal, o paciente sabe exatamente para qual unidade deve se dirigir. Haverá um hospital público para ortopedia, outro para mulheres e crianças, hospital cardíaco, outro para tratar doenças crônicas e outros. Estes hospitais estão sendo redesenhados como ambiente para cuidar de pessoas em condições de saúde complexas e crônicas.

Explorando o contraditório, percebe-se que este país moderno ignora completamente os 3% da população de origem aborígene. São negligenciados pelos governos, possuem baixa escolaridade, vivem em precária condição de saúde e em estado de pobreza, longe desse mundo aparentemente perfeito.

De Adelaide, Austrália

Trabalhar para sustentar os ciclos da vida

Trabalhar não significa necessariamente ter emprego. Muitas pessoas tem emprego e não trabalham, outros não tem emprego e trabalham muito. Uma nova cultura começa quando o trabalhador e o trabalho são tratados com respeito.
Visualizada rápida no panorama pelas condições de trabalho no mundo, observamos que nos últimos 20 anos, a participação dos salários na renda total dos trabalhadores diminuiu quase 70% em muitos países, apesar de haver registro do aumento da oferta de emprego.
O número de empregos bem pagos e seguros está encolhendo e até o serviço público que era considerado estável e de boas condições, tem sido denunciado como local de trabalho precário. A maioria destes empregos mal pagos e sem proteção trabalhista é ocupado por mulheres.

Em muitos países, a situação dos trabalhadores é muito desesperadora e sem acesso a um emprego formal, sem beneficiar-se dos investimentos em serviços públicos e devido a crescente onda de insegurança, centenas de pessoas morrem cruzando fronteiras enquanto fogem do caos e da pobreza em seus países.

A maioria dos indivíduos trabalham duro todos os dias para dar uma vida melhor para a família e isso começa com o pensamento de uma boa educação. Lutam por bons empregos com bons salários. Lutam pelo acesso a saúde, uma aposentadoria digna. Lutam mesmo pela chance de dar à família uma vida melhor do que a que tiveram. Trabalhar para sustentar os ciclos da vida não é fácil.

O presidente americano Harry Truman, num discurso memorável, feito em Detroit em 1948, após citar os feitos do presidente Roosevelt, que havia corrigido os abusos que eram cometidos contra os trabalhadores norte-americanos, assegurando-lhes elevação na média salarial, a negociação coletiva, o seguro-desemprego, e salvou milhões de casas dos trabalhadores, que iriam a leilão, disse aos trabalhadores que eles sempre tiveram que lutar pelos seus ganhos, mas que a partir dali deveriam lutar pelo futuro do movimento operário, travando uma luta para certificarem-se que seus direitos seriam mantidos e respeitados para sempre.

O trabalho, que faz parte da natureza e da cultura humana, é sistematizado pela rotina e precisa receber o reconhecimento e incentivo que merece e os trabalhadores não podem se ater a máxima de que a cultura do bom trabalho precisa ser demonstrada através do consumo e aquisição de bens materiais, que exaltem a vida exuberante.
Gente infeliz vive a comparar-se. Trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem em desespero para pagar as prestações, mas é através do consumo que estes assinalam suas existências. Embora muitas mercadorias sejam absolutamente necessárias à subsistência, nosso destino não há de ser apenas subsistir, tampouco nos expor numa relação de poder.

As posses materiais não importa qual sejam, devem fornecer minimamente abrigo e comida. Trabalhamos de olho no consumo desde o nascimento das grandes marcas, como a Coca-Cola e Kodak entre os anos 1886 e 1888 respectivamente, que trouxeram a novidade das grandes campanhas publicitárias seduzindo as pessoas, vendendo imagens de uma vida perfeita, ao consumir produtos que traziam bem-estar profundo e a felicidade.