A difícil tarefa de criticar sem agredir

Estamos acostumados a debater temas políticos nos limites entre o que o outro pensa e o que quero ouvir, entre a necessidade quase doentia de uns impor sua linha de raciocínio aos outros, sob a pena da contra crítica baseada nas argumentações de ódio. Ainda assim, precisamos conversar muito! Há novas realidades carentes de serem conhecidas e discutidas com respeito às pluralidades. E como trazer temas polêmicos para o centro das discussões sem limitar o discurso e com civilidade?

A crítica é de fato, um jogo. Críticas carregadas em momentos emocionais são geralmente agressivas, de conteúdo duvidoso e despertam portanto, respostas igualmente raivosas e desprovidas de checagem. Criticas são inevitáveis. Vamos ser criticados porque num determinado momento cometemos algum erro ou na contramão da compreensão, quando estamos indo bem demais. Independentemente da motivação ou falta dela, as criticas deveriam ser válidas como um instrumento a nos orientar o rumo, mas que nada!A crítica agressiva implica nada mais do que a imposição de critérios de superioridade para desrespeitar e ridicularizar o outro. Justo não é, mas é o que se vê!

São poucos os que conseguem tecer uma abordagem geral de um quadro desfavorável, com respeito, considerando o contexto que tenha gerado tal quadro.  Poucos pensam que a sociedade está vendo, ouvindo e repudiando a gritaria, que muitos indivíduos fazem uso de reflexão, sem estarem presos aum lado ou outro e não porque estão desalinhados com o sistema, mas ao contrário, porque o sistema permite o contraditório e as interpretações distintas da gritaria e dos xingamentos.

É compreensível que o fenômeno das eleições sempre provoca sentimentos fortes nas pessoas, a disputa é instigada no centro, na periferia, nos debates e na TV e a produção, que deveria explorar o conhecimento e as propostas, apela para o ataca, responde, rebate, suspende, tira do ar, corta tempo e assim, ignorando os elementos que dão clareza e sustentação ao pleito, a hora está chegando e a semana deve ser impiedosamente tensa e panfletaria.

Em vários, quase todos os contextos, a vida contemporânea tem se recriado, porém no quesito eleições, aqui, ali, lá fora tem sido ainda igual a desatenção com quem espera um jogo limpo.A política ainda não encontrou um meio eficiente de progredir na velocidade que as mídias avançam, que as informações chegam às pessoas. Truncada, com reforma para inglês ver, a lei eleitoral não encontrou ainda formas para enfrentar suas próprias deformações efragmentações.

Eu cá, no meu mundinho, preocupada em ter voz, em fazer-me respeitar pelos senhores que querem comandar o espaço que habito, acredito que é possível viver uma nova configuração de valores, com quebra de paradigmas do modo de pensar, perceber e usar as palavras sem baixar o nível.

O espírito da cidade adoeceu

Com o olhar atento ao que acontece no mundo e, especificamente, encarando a realidade local, percebe-se no que está submerso, um mundo de tristeza, medo, loucura e violência. O espírito da nossa cidade adoeceu.

Precisamos de remédios mais poderosos do que os que têm sido utilizados para conter o destempero que nos roubou as virtudes essenciais: a bondade, misericórdia e amor. Ônibus são queimados nas ruas, a chama, porém, amedronta o justo, o bom, o misericordioso. Trancam-se todos. É justo?

A vida do espírito da cidade pede a intensificação das tentativas de salvamento desses momentos de dureza brutal e por comum que possa parecer aos olhos de alguns, a violência tem causa sabida e tratamento negligenciado por todos.

As vítimas, o sistema, o homem marginal são fregueses completamente distintos do mesmo mercado, que os empurra rumo a uma vida onde a corrupção, o poder e o dinheiro compensa tudo, nem que para isso tenham que viver no limite dos perigos típicos de uma cidade quase grande.

Dado as incertezas das coisas, percebo que os meios legítimos para uma vida de paz não estão disponíveis para todos os homens – muitos se desviarão e quando se descaminham, o infortúnio não é só deles, pois juntam-se a força de estruturas paralelas à oficial e ameaçam todos os outros homens.

Diante do fogo, da rajada de balas, dos arrastões não podemos viver em dissonância cognitiva, ignorar os riscos que corremos a todo instante. A atmosfera de loucura é real e talvez tenhamos que ter paciência com o caos instalado.

A urgência e a imensidão de um problema tão sério não se resolve numa ação imediata. Nem sempre o poder público tem resposta para tudo. Rezem!

Qualquer ser, todos os seres, por pequeno que seja é dotado de uma substância espiritual, que precisa ser acionada para se animar e conter os ímpetos da corrupção, dos vícios, das monstruosidades. Da mesma forma, todos os seres são capazes de se esforçar e promover a quebra dos rompantes de loucura.

Existem tantas armas das quais o cidadão deveria apossar-se para começar uma luta justa pela educação, pela saúde e segurança. Armas que não são letais, que não machucam e, além disso, preparam o caminho para uma vida melhor.

Lamentavelmente, armas genuínas não servem a homens obstinados e cegos, que carregam o jugo de seus vícios e suas almas carregam o risco da perdição eterna.

Conversinha de mulher

Algumas mulheres, inegavelmente, ocupam espaços importantes. São influentes, tomadoras de decisões, dão passos agressivos e decisivos na gestão de negócios, demonstram boa performance como investidoras e doam-se à ações filantrópicas.

Em Taiwan, Jamaica, Croácia, Chile, Polônia, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Brasil e muitos outros países há mulheres governando países. As mulheres estão na BM&F, em Wall Street e nas grandes empresas. Aqui na nossa terra, o Tribunal Regional Eleitoral, o do Trabalho, as duas universidades públicas, UFMT e UNEMAT e a Academia de Letras são presididas por mulheres.

No âmbito político, as mulheres não têm a mesma representação nos cargos mais altos; nenhuma senadora ou deputada federal; apenas uma deputada estadual, duas secretárias de Estado e uma vereadora no Legislativo da Capital de Mato Grosso.

A despeito de haver um monte de mulheres fortes, que são líderes, não há o suficiente no mundo dos negócios nem na política. O Brasil ocupa o vergonhoso 29º lugar nas Américas, que tem a Bolívia na dianteira, como o país que tem maior representação feminina no parlamento.

Conversinha de mulher hoje é falar sobre o êxodo do povo sírio, do financiamento americano de guerras perpétuas, da abertura diplomática entre os Estados e Cuba. Conversinha de mulher é opinar sobre as ações coercitivas da Polícia Federal, do poder de Deus transferido aos homens mortais do Ministério Público. Conversinha de mulher é tentar entender onde vamos parar com tantos desmandos. Acreditam alguns que estamos vivendo um processo de depuração. Depois virá a paz…a tão sonhada paz…Isso sim, é sonho de homem. Mulher não acredita nisso! Não agora!

Conversinha de mulher é por fim analisar os dados dos relatórios sobre a violência contra elas e numa perspectiva realista tentar entender porque o aumento das denúncias e da pena não reduzem as agressões. Conversinha de mulher é cobrar dos governos uma reforma política inclusiva, cobrar educação de qualidade para formar os bons cidadãos para a sociedade que queremos ter no futuro; cobrar resposta rápida e eficiente para controlar as “zicas” que tornam a saúde pública vulnerável.

Em certa medida há um amplo espectro de estratégias para tornar as mulheres mais participativas politicamente, para que elas se preocupem mais com a vida cívica e com os contextos culturais e políticos de suas comunidades e o processo de engajamento naturalmente desperta a cobrança para que se coloquem nas disputas eleitorais, principalmente onde há um eleitorado desgostoso com os políticos homens que estão no poder. Não creio que seja somente questão de gênero, mas também a intenção de promover um emparelhamento de condições para romper e definitivamente deixar para trás os séculos de submissão.

Mundo perfeito?

No estado de Australia do Sul o investimento na saúde consome 31,5% do orçamento do Estado. Logo após o nascimento, o bebê é inscrito no MediCare, para ter o acesso e atendimento facilitados nos hospitais públicos. O nascimento do bebê deve constar numa central do governo que controla o pagamento da licença maternidade.

O estado, sem distinção de renda, deposita pouco mais de 1 mil dólares, por um período de 18 semanas à família. Isso ocorre porque, na maioria dos casos, as empresas não pagam salário integral às mães durante a licença de seis meses. Preserva-se o emprego por um ano, mas o salário cai ao nível de um salário mínimo por mês. Óbviamente essas condições podem ser negociadas, mas, em geral, é isso o que acontece.

Pouquíssimos hospitais são privados. O médico não pode cobrar se tiver qualquer vínculo de emprego com o governo, mesmo acompanhando paciente num hospital privado. Meu neto Leonardo nasceu num hospital privado, obstetra particular e pediatra do setor público. O plano de saúde foi acionado para cobrir as despesas do parto e o inesperado nascimento prematuro e duas semanas de UTI neonatal não tiveram custo adicional para os pais.

Uma semana após a alta, a casa é visitada por uma enfermeira, que aqui chamam de Midwives. São especialistas em atendimento pós-parto e trabalham tanto para os médicos quanto para hospitais. Ela supervisiona a cicatrização da cirurgia, pesa, mede o bebê, observa-o sendo amamentado e orienta sobre depressão pós-parto.

Na Austrália cerca de 7 em cada grupo de 10 mulheres sentem-se deprimidas quando retornam para casa com o bebê. Uma situação que preocupa o governo. Tanto que na segunda semana, uma agente de saúde, do governo faz acompanhamento da recuperação da mãe e do bebe. Percebe-se através das perguntas uma outra preocupação, a violência doméstica. Na oportunidade, em tom formal, a agente do governo instrui quanto os endereços das entidades as quais deve-se recorrer em caso de necessidade de auxílio. Ao sair, checa o quarto do bebe.

Grandes hospitais são inúmeros em Adelaide. Entretanto o governo está implantando um novo sistema de saúde, que está gerando críticas por parte dos sindicatos dos serviços da saúde e usuários. O projeto chama-se ¨Transformando a Saúde¨ e inicia com a construção de um imponente hospital central, com atendimento ambulatorial contemplando todas as especialidades, centro para atendimento e cirurgias de média e alta complexidade, centro de reabilitação, laboratórios e centro avançado de pesquisas.

Disseram-me que o povo na verdade, não está interessado nesse complexo, cuja intenção do governo trabalhista é tornar a Austrália do Sul numa referencia nacional em saúde pública. Alegam ainda que o suntuoso edifício pode não atender as necessidades dos médicos e enfermeiros e que fizeram a opção por uma obra de arquitetura estética, que será entregue a população até o meio do ano.

Os antigos hospitais serão transformados em centros de atendimentos especializados, de forma que, uma vez acometido de um mal, o paciente sabe exatamente para qual unidade deve se dirigir. Haverá um hospital público para ortopedia, outro para mulheres e crianças, hospital cardíaco, outro para tratar doenças crônicas e outros. Estes hospitais estão sendo redesenhados como ambiente para cuidar de pessoas em condições de saúde complexas e crônicas.

Explorando o contraditório, percebe-se que este país moderno ignora completamente os 3% da população de origem aborígene. São negligenciados pelos governos, possuem baixa escolaridade, vivem em precária condição de saúde e em estado de pobreza, longe desse mundo aparentemente perfeito.

De Adelaide, Austrália

Trabalhar para sustentar os ciclos da vida

Trabalhar não significa necessariamente ter emprego. Muitas pessoas tem emprego e não trabalham, outros não tem emprego e trabalham muito. Uma nova cultura começa quando o trabalhador e o trabalho são tratados com respeito.
Visualizada rápida no panorama pelas condições de trabalho no mundo, observamos que nos últimos 20 anos, a participação dos salários na renda total dos trabalhadores diminuiu quase 70% em muitos países, apesar de haver registro do aumento da oferta de emprego.
O número de empregos bem pagos e seguros está encolhendo e até o serviço público que era considerado estável e de boas condições, tem sido denunciado como local de trabalho precário. A maioria destes empregos mal pagos e sem proteção trabalhista é ocupado por mulheres.

Em muitos países, a situação dos trabalhadores é muito desesperadora e sem acesso a um emprego formal, sem beneficiar-se dos investimentos em serviços públicos e devido a crescente onda de insegurança, centenas de pessoas morrem cruzando fronteiras enquanto fogem do caos e da pobreza em seus países.

A maioria dos indivíduos trabalham duro todos os dias para dar uma vida melhor para a família e isso começa com o pensamento de uma boa educação. Lutam por bons empregos com bons salários. Lutam pelo acesso a saúde, uma aposentadoria digna. Lutam mesmo pela chance de dar à família uma vida melhor do que a que tiveram. Trabalhar para sustentar os ciclos da vida não é fácil.

O presidente americano Harry Truman, num discurso memorável, feito em Detroit em 1948, após citar os feitos do presidente Roosevelt, que havia corrigido os abusos que eram cometidos contra os trabalhadores norte-americanos, assegurando-lhes elevação na média salarial, a negociação coletiva, o seguro-desemprego, e salvou milhões de casas dos trabalhadores, que iriam a leilão, disse aos trabalhadores que eles sempre tiveram que lutar pelos seus ganhos, mas que a partir dali deveriam lutar pelo futuro do movimento operário, travando uma luta para certificarem-se que seus direitos seriam mantidos e respeitados para sempre.

O trabalho, que faz parte da natureza e da cultura humana, é sistematizado pela rotina e precisa receber o reconhecimento e incentivo que merece e os trabalhadores não podem se ater a máxima de que a cultura do bom trabalho precisa ser demonstrada através do consumo e aquisição de bens materiais, que exaltem a vida exuberante.
Gente infeliz vive a comparar-se. Trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem em desespero para pagar as prestações, mas é através do consumo que estes assinalam suas existências. Embora muitas mercadorias sejam absolutamente necessárias à subsistência, nosso destino não há de ser apenas subsistir, tampouco nos expor numa relação de poder.

As posses materiais não importa qual sejam, devem fornecer minimamente abrigo e comida. Trabalhamos de olho no consumo desde o nascimento das grandes marcas, como a Coca-Cola e Kodak entre os anos 1886 e 1888 respectivamente, que trouxeram a novidade das grandes campanhas publicitárias seduzindo as pessoas, vendendo imagens de uma vida perfeita, ao consumir produtos que traziam bem-estar profundo e a felicidade.

A semente de mostarda

Recusando-se a acreditar que seu filho havia morrido, a senhora Kisa Gotami, carregava-o nos braços, de porta em porta na pequena vila onde morava, implorando por remédio. As pessoas lhe diziam que era muito tarde para tratamento, mas ela não conseguia acreditar nisso. Então, uma pessoa sugeriu a ela que fosse visitar o Buda e pedir-lhe a cura, um remédio. Ela foi com o filho nos braços. Buda disse a ela que trouxesse até ele, semente de mostarda de uma casa que não tivesse tido experiência com nenhuma morte.

A senhora Kisa foi de porta a porta novamente, desta vez, dizendo para as pessoas que Buda precisava de semente de mostarda para fazer remédio para curar-lhe o filho. Ninguém se recusava a dar-lhe semente, mas quando ela perguntava: “ Esta casa já experimentou a morte?” a resposta era sempre, “sim, claro,” e então, ela seguia de mãos vazias.

Depois de algum tempo, ela compreendeu que a impermanência e a morte estão em todos os lares, são universais. Ela retornou ao encontro com o Buda. Quando ele perguntou se ela havia conseguido a semente de mostarda, ela disse:” Ah! Senhor, não há casa onde a morte não tenha entrado. Então, entre as flores silvestres, na margem do rio, sepultei meu filho.
Senhor, o trabalho da semente está feito. Você me restaurou”.

Há o suficiente para a necessidade de todos, não há suficiente para a ganância de todos

O grande desafio que todos nós enfrentamos são muito claros: a pobreza corroendo nosso tecido social; nossos ecossistemas sendo devastados; a ameaça bem documentada de mudança climática. E ainda assim muitos de nossos líderes políticos tendem a não colocar estes desafios como prioridades em suas agendas.
Como podemos conciliar a demanda de crescimento econômico com um futuro mais justo e mais sustentável? Estas são as aflições de muitos e também do Arcebispo Sul-africano, Desmond Tutu, que criou um fórum onde pede a jovens selecionados da Suécia, Brasil, Nigéria e China, que discutam entre si se a ideia progressiva do desenvolvimento sustentável é algo que apenas os países ricos podem pagar para ter.

Ao longo do debate, que pude acompanhar via e-mail, sempre recheado de formulações arrojadas, os jovens, quase unânimes afirmam que a maioria dos líderes dos países ricos e pobres colocam os desafios de se combater as alterações climáticas e a injustiça social, como se fosse uma espécie de luxo, algo que deve ser feito, quando sobrar tempo e recurso.
Acreditam que os políticos atuais são muito fluentes em encontrar soluções para crises já instaladas e frustram-se ao constatar que não há comprometimento com soluções de longo prazo, que trariam prosperidade, justiça social e sustentabilidade. Tanto países pobres quanto países ricos tem oportunidades diárias de repensar seus investimentos, visando o bem-estar dos seres humanos.
A jovem sueca admite que seu país é o maior consumidor de energia per capita do mundo e que se cada pessoa no planeta consumisse tanto recurso quanto a média sueca, a nossa Terra não conseguiria fornecer o suficiente. É um país que atingiu um nível de desenvolvimento que nosso planeta simplesmente não pode pagar.

Ela diz que a dificuldade do jovem em promover a mudança de comportamento radical é que eles já nasceram dentro desse sistema de consumo exacerbado, mas certamente não nasceram para aceitar esse estado de comportamento predador.
O jovem brasileiro reconhece a urgência de todos os líderes mundiais abraçarem o desenvolvimento sustentável como prioridade em suas agendas para garantirem um ambiente digno, bem-estar e ambiente seguro para seus cidadãos. Ele aponta a corrupção dos governos como uma das causas que impede a verdadeira mudança, e também o financiamento privado das campanhas políticas, que amarram candidatos eleitos aos interesses dos grupos privados que os financiaram. No Brasil, os interesses de curto prazo e o crescimento a qualquer custo tem gerado desperdícios e impedido a prática de políticas efetivas contra a destruição e a pobreza.
Culpar os governos é uma retórica que aos poucos cai em desuso porque todos nós devemos apresentar alguma alternativa decisiva para uma vida sustentável, seja através de mudanças culturais, compromissos voluntários ou políticas públicas eficientes. Durante as discussões fica o sentimento que o desenvolvimento sustentável pleno só será abraçado pelos políticos se for apresentado como um exercício lucrativo.

Pois bem, tanto o Arcebispo Tutu quanto o grupo de jovens asseguram que o desenvolvimento sustentável não deve ser visto como um luxo, é de fato, a única opção que temos; a vida sustentável tem que ser vista em sua totalidade, como uma maneira de criar um ambiente limpo ao mesmo tempo, gerar emprego e renda, só assim os líderes políticos entenderiam sua premência, falando a linguagem da economia.
A questão do desenvolvimento sustentável não está restrita a plantar árvores, replantar florestas. É muito mais que isso. É plantar o sentimento de pertencimento ao planeta que nutre nossas vidas.
O título do artigo é uma frase do líder pacifista indiano, Mahatma Gandhi.

Nos governos democráticos não deveria existir pobres

Lendo um artigo sobre as democracias desenvolvidas, contextualizando a tendência de que as mesmas possuem foco na base industrial e sistemas de governo complexos, a maioria da população deveria ser de ricos e uma minoria pobre. Claro que num governo democrático, além das diferenças sociais, existem as diferenças étnicas, religiosas e de gêneros. Se o regime é democrático, por que existe a exclusão social? Não existiria um meio de abraçar a todos indistintamente numa forma de governo que seria para contemplar plenamente o povo?
O que percebemos é que as democracias ainda dependem do apoio dos ricos e por isso tendem a praticar a política voltada para o favorecimento destes em detrimento das necessidades dos mais pobres. O governo democrático precisa ter moderada propensão ao apetite pelos resultados financeiros encerrado em si.
A grande fraqueza do governo democrático são suas promessas de fazer, onde as vezes, o esforço de enganar ainda é bem maior do que o esforço de realizar.

Os ricos preocupam-se principalmente com a tributação de riqueza em geral e segurança, os pobres se preocupam principalmente com os benefícios gerais do estado de bem-estar, com escolas, hospitais, segurança, transporte e com os impostos que incidem nos bens de consumo básico.
Levantou-se a hipótese de que a solução para a maioria das questões sociais, tendem a ter impacto sobre a classe mais abastada. Grandes mudanças nos níveis das prestações de assistência social podem alterar o nível geral de tributação e isso amarra as decisões de avançar, porque os governos temem a reação dos ricos. Os governos democráticos precisam oferecer ajuda necessária para a sua população mais pobre, mas de maneira que promova o bem-estar e menos dependência. Entretanto, as estratégias de redução da pobreza só surtirão efeitos se houver conhecimento da percepção dos pobres quanto a sua própria condição . E as condições de vida dos pobres, segundo eles mesmos, são críticas e geralmente negativas. Os pobres tem plena consciência da sua falta de voz, poder e independência. A pobreza os deixa vulneráveis à humilhação e os empurra para a ruptura com a convivência saudável.

É preciso parar de pensar nos poucos, para cuidar de todos. Só assim estreitaremos a lacuna que separa os ricos dos pobres.
Onde quer que ocorra, a pobreza contribui significativamente para a desarmonia social, para o sofrimento e conflitos. Se continuarmos nosso caminho atual vamos permitir que esta lacuna fique cada vez maior. Devemos também sentir a responsabilidade para com os indivíduos pobres da nossa comunidade, nós devemos despertar para a compaixão por aqueles que sofrem, porque a compaixão afirma os princípios da dignidade e igualdade para todos, porém devemos também nos comprometer em assegurar a justiça social, abraçando a causa da redução da pobreza. O governo brasileiro anunciou na noite do domingo, Dia das Mães, o lançamento da Ação Brasil Carinhoso. Segundo a presidenta, um programa para tirar da miséria absoluta todas as famílias brasileiras que tenham crianças com até 6 anos de idade. Para a presidenta é profundamente triste que as situações de extrema pobreza se concentrem com mais força entre crianças e jovens, razão pela qual, o programa prevê a construção de 1.500 creches em todo o país.

Em um discurso antigo, o Dalai Lama disse:“Se somos sérios em nosso compromisso com os princípios fundamentais da igualdade, que eu acredito estar no cerne do conceito de direitos humanos, a disparidade econômica de hoje não pode mais ser ignorada. Não basta apenas dizer que todos os seres humanos devem gozar de igual dignidade. Isso deve ser traduzido em ação.”

Treze exemplos de mulheres

Numa amanhã de outono, no ano de 2004, treze avós indígenas, vindas do Alaska, América do Norte, Central e Sul, África e Asia, se reuniram em Nova York for 3 dias, com o objetivo lúdico de formar uma aliança global pelo bem da humanidade, para a abertura de uma nova era de compreensão para as questões básicas da saúde, uma era de amor e amizade entre os os povos, um modo de viver mais natural.  Formou-se  o Conselho Internacional de Treze Avós Indígenas, que representam uma aliança global de educação, oração e cura para a Terra, todos os seus habitantes, até as próximas sete gerações vindouras.Estão profundamente preocupadas com a destruição sem precedentes da natureza e a destruição de modo de vida dos indígenas. As avós realizam projetos que protegem as diversas culturas pelo mundo; medicamentos, linguagem e cerimonias de oração e projetos que educam e alimentam crianças.

Essas 13 avós estão em movimento permanente pelo mundo, marchando pela paz, pela preservação e sustentabilidade do modo indígena de viver, rezando pela restauração da paz em áreas de conflitos, compartilhando ensinamentos e profecias nas comunidades que visitam. Estiveram no Brasil, mais precisamente em Brasília em outubro do ano passado. Elas são em pessoas, a prece caminhando em nossa direção, com suas histórias inspiradoras de convivências tribais, inclusive guerras. O Conselho é a voz da sabedoria, uma voz só, única, melodiosa em espiritualidade, diversidade cultural, etinias; uma herança de igualdade, justiça e liberdade para todos. Apesar dos desafios e dos sofrimentos e sacrifícios experimentados, as 13 avós indígenas demonstram coragem suficiente para acreditar que apenas a liberdade pode sustentar a democracia, que apenas a justiça cura dá esperança e que igualdade de oportunidades para todos faz a paz prevalecer.

O princípio que as mantém juntas é a fé. Elas acreditam que foram guiadas para estarem juntas e para desenvolverem o trabalho que fazem. Acreditam que seus caminhos estão conectados entre todas as formas de fé e cultura, mas que são todas alimentadas pela mesma chama: o conhecimento dos ancestrais.

Dentre as 13 avós indígenas há duas brasileiras; Maria Alice Campos Freire, uma das mais velhas do grupo, presa política e exilada, que morou muitos anos na Europa e na África, onde encantou-se com as cerimônias de cura da alma. Anistiada, voltou ao Brasil  e embrenhou-se na Floresta Amazônica , fundou o Centro Medicina da Floresta, que faz uso de plantas típicas da região para curar pessoas doentes. A comunidade é dedicada a trazer paz e felicidade para as pessoas, cuida de crianças e jovens a quem ensina preservar a floresta e de quem espera a continuidade do seu trabalho, através do conhecimento tradicional. Essa avó brasileira acredita que o sofrimento imposto pelo seu passado, tenha ajudado a abrir a sua espiritualidade.

A outra brasileira que compõe o Conselho das 13 Avos Indígenas é Clara Shinobu Iura, psicóloga, filha de migrantes japoneses,formada em filosofia pela USP, desde criança Clara queria ajudar os outros. Tinha visões freqüentes com o planeta em agonia  e deixou que as portas de sua percepção fossem abertas e conviveu com pessoas de diferentes crenças e práticas espirituais, até que juntou-se a avó Maria Alice Campos Freire, na floresta amazônica.Clara, a avó brasileira, crê que as palavras proferidas pelas13 avós são bem recebidas pelos homens que governam o planeta e isso fará despertar a criança que existe em cada um deles, iluminando a experiência espiritual de cada um deles, para que possam reverter o curso da história.

O Conselho Internacional das 13 Avós Indígenas ( Aama Bombo, do Nepal , Takelma Band, Beatrice and Margaret Behan, Rita Pitka, Rita Long  , Estados Unidos, Bernadette, do Gabão, Clara Shinobu e Maria Alice,do Brasil, Flordemayo, da Nicarágua, Julieta Cassimiro, do México, Tsering Dolma, do Tibet e Mona Polaca que serve as Nações Unidas),  são mulheres pequenas, com amor imenso, com fé que pode promover mudanças e dar esperança para a próxima geração.

Falar da mulher através da história dessas 13 belas mulheres, que nos dias de hoje,   oferecem suas preces para iluminar nossa consciência, é falar de uma pequena semente que está sendo plantada em nossos corações. Quando perguntadas o que são: bruxas, videntes, médiuns? Elas respondem: “ Somos mulheres sábias”.

A natureza do homem é julgar

Não julgue os outros. Isso é obviamente mais fácil falar do que praticar. Muitas pessoas alimentadas pela insegurança desdenham o trabalho dos outros, veem erros, culpas e má-fé em tudo. Isso os faz pensar que fariam melhor, que produziriam melhores resultados, mas será que a estratégia de colocar os outros para baixo para construir a própria auto estima dá certo? Dificilmente.

Em vez de aceitar incondicionalmente as pessoas por quem elas são, optamos por julga-las. Há muitas razões que nos levam a cair nessa armadilha. Podemos julgar os outros porque não compartilhamos o mesmo pensamento; por que esperamos o pior e na maioria das vezes, porque queremos prejudicar alguém.
Quase todos os pontos mencionados expressam uma visão negativa, pessimista ou fatalista, porque o julgador não espera as coisas fluírem para avaliar, ele não tenta entender o mecanismo de funcionamento do sistema. Precipitadamente ele enxerga o caos porque no fundo ele quer mesmo que tudo dê errado. Há sempre quem culpar.
Somos rápidos para encontrar defeitos nos outros e pronunciar o nosso julgamento sobre eles, sem levar em conta os nossos próprios defeitos ou lidar com nossos problemas, quando somos confrontados.

O ideal seria não julgar ninguém, tampouco a nós mesmos. Devemos ser encorajados a melhorar nossa própria performance diante dos outros e nos nossos afazeres e gastar menos tempo julgando, tentando corrigir ou alterando o que não se encaixa nos padrões que determinamos como corretos.
Sempre que você se pegar julgando, criticando, tente uma abordagem diferente: aceita, entenda e coopera. Isso pode levar a alguns resultados bem mais positivos.

Isto pode ser aplicado a qualquer coisa que você faz: seja com as outras pessoas no trabalho, na política e na mídia. Quando as pessoas dispõem de fórum para debates e não utiliza as ferramentas adequadamente, partindo para o julgamento peremptório ou afobado, incorre em erros, se deixa levar e não contribui. O que faz alguém crer que apenas ela tem o poder de ver o que está errado? Um visionário?
Às vezes somos rápidos para julgar ou formar uma opinião sobre os outros, sobretudo quando nós não conhecemos as motivações. Julgamos e condenamos antes de conhecer os fatos ou verdades sobre um assunto. Há uma citação de Booker T. Washington, que diz: “ Eu não permito a nenhum homem diminuir e degradar minha alma fazendo-me odiá-lo”. É isso que às vezes fazemos quando julgamos os outros, degradamos a nossa própria alma.

Devemos nos importar pouco com o Julgamento dos outros. Os homens são tão diversos quanto contraditórios e é impossível atender as suas demandas vaidosas e satisfazê-los.
Seja autêntico e verdadeiro. Esqueça a plateia, as bravatas e não discuta os erros dos outros apenas para sentir-se a melhor pessoa do mundo. A tendência de julgar uma pessoa como alguém que não tem qualidades positivas é uma estratégia do ego para evitar sentimentos desconfortáveis, são falas para provocar reações emocionais.

Se você julga as pessoas, você não tem tempo para amá-las, teria dito Madre Tereza de Calcutá.