Sim, a política está piorando a saúde mental das pessoas. É o que mostram estudos e pesquisas feitas no Reino Unido e Estados Unidos. No Brasil, em Mato Grosso, em meio à polarização política que não cessa e a aproximação das eleições, a política se tornou uma fonte significativa de estresse para muitos políticos e eleitores, empresários, professores e efetivos das forças de segurança. Em audiências públicas durante a semana, foram feitos relatos de servidores adoecidos por falta de melhores condições de trabalho, pela tensão e risco que a própria profissão os expõe e notadamente há a falta do apoio emocional efetivo e humanizado por aqueles que estão em posição de oferecer políticas públicas que possa minimamente reparar-lhes a vulnerabilidade.
A política coletiva ou individual tem um custo diário. Seria interessante ver até que ponto a política cotidiana afeta a saúde mental dos cidadãos de outros países menos polarizados ou com sistemas políticos diferentes. O cientista político americano Kevin Smith, da Universidade de Nebraska disse que muitas pessoas veem a política como algo que exige um conjunto significativo de custos para sua saúde social, emocional, psicológica e até física, ou seja, as pessoas estão se envolvendo na política e criando um problema de saúde pública.
Médicos ligados a Associação Psiquiátrica Americana, relataram que nunca conversaram tanto sobre política com seus pacientes, como nos últimos anos e que a política divisionista adotada em vários países (citados Brasil e Estados Unidos) tem afetado a saúde mental e trazido temas políticos para as salas de terapias como uma fonte significativa de ansiedade e negatividade, sobretudo entre os mais jovens, politicamente engajados e de oposição ao governo. Ouvidos nos relatos, os pacientes admitem que a política faz parte das razões, pelas quais, buscam a terapia.
A política não é algo que afeta as pessoas apenas a cada quatro anos durante as eleições, ela está infiltrada na vida cotidiana e tem severo impacto no nosso dia a dia. A política moderna, suas controvérsias diárias, alguns graus de incivilidade impõem um fardo emocional constante, faz desenvolver doenças, especialmente transtornos de ansiedade, depressão e do sono e os indivíduos que percebem altos níveis de polarização são mais propensos a relatar o desenvolvimento de transtornos depressivos.
Há dias leio um estudo da Queens University sobre a relação da política com o estresse, ansiedade e depressão. Os políticos não estão imunes. O estresse, ansiedade citados envolve o trato com a política, o discutir política e fazer política. Mas algo se perdeu na maneira como as pessoas pensam sobre política e o que nos é devido por coexistirmos em sociedade. Na realidade, estamos nos estressando, discutindo, divergindo de pessoas que nunca conhecemos e nunca conheceremos.
Sem paciência para terapia, tampouco competência para terapeuta, creio que a grande maioria de nós não quer viver num ambiente dividido e contencioso. Temos muito mais em comum do que diferenças, mas é uma tendência humana nos categorizar, rotular e dividir. O processo de adulterar e desumanizar nossos semelhantes é um mal antigo e isso nos leva a olhar para o sofrimento dos outros sem compreensão e empatia.