Sem dramas

O PMDB foi novamente o partido que mais elegeu prefeitos no país. Mérito que o partido conquistou também em 2004, 2008 e 2012, quando era governado pelo PT e agora polariza com o PSDB, a liderança nas Capitais.

A cidade do Rio de janeiro acabou dando o exemplo de um colégio eleitoral independente, ao eliminar os candidatos que exibiram comportamentos inadequados; Flávio Bolsonaro e a homofobia herdada e os deslizes agressivos do candidato João Paulo, acusado de agredir a ex-mulher.

O poder sai definitivamente das mãos do PMDB e a disputa fica cerrada em posições díspares, o bispo da Universal de um lado e o “libertário” do Psol do outro lado.

São Paulo surpreendeu ao eleger João Dória, candidato novato, em 1º turno, mas redimiu-se e elegeu o veterano político Eduardo Suplicy, que de senador sai a vereador mais votado da história da cidade de São Paulo.

Nem perplexa nem decepcionada com o resultado da eleição em Cuiabá! 17 capitais brasileiras terão novas eleições em 30 de outubro. Aqui, aconteceu o que todos esperavam. O Procurador Mauro fez pouco mais do que segurar os 58 mil votos que tivera em 2014, quando saiu candidato a deputado federal. No panorama geral do Estado, o PSDB faz o maior número de prefeitos; considerando a questão de gênero, 15 mulheres comandarão cidades em Mato Grosso, em 2012 foram eleitas 20 prefeitas.

Considerados eleitos, muitos perderam, o que vale dizer que algumas pesquisas induzem a coordenação de campanhas ao erro ou candidatos teimosos ignoram o rumo apontado pelas pesquisas. Não dá para fazer coro a máxima de que não se transfere votos. As vezes sim, e isso depende da conjuntura, do engajamento! Veja o caso de Sinop, o Juarez fez a sucessora.

Com relação à reeleição seguimos com a mesma ideia de que não há verdade absoluta sobre o tema. Alguns prefeitos candidatos à reeleição deram show, arrebanhando a média de 70% dos votos; porém 33 candidatos à reeleição não conseguiram se reeleger e há nomes inacreditáveis como Pitucha, de Alto Garças, Rossato, de Sorriso e Percival, de Rondonópolis.

Comparando, é praticamente a mesma proporção dos prefeitos com mandatos que se reelegeram e que perderam. Enfim, no topo por muito tempo, a não ser os ditadores, somente Jorge Sória, um tipo de prefeito vitalício, que há 27 anos administra a cidade portuária de Iquique no Chile.

Permeada pela crise econômica e pelo enxugamento proposto pela mini reforma política, sobretudo quanto a doação provenientes apenas de pessoas físicas, a eleição ocorreu sem a pirotecnia dos megamarketeiros. Os candidatos ficaram em posições relativamente igualitárias. Valeu andar de casa em casa, olho no olho, a credibilidade, a confiança. Acho que todos os que concorreram devem ser unânimes em repetir o apóstolo Paulo:

“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.”

Quando argumentar não vale a pena

Algo mudou com relação a capacidade dos indivíduos de desenvolverem bons argumentos, esticar as horas contrapondo-se às ideias de seus opositores, sem perder o equilíbrio, sem esboçar reações agressivas, sem deixar escapar obscenidades.

Não refiro-me exclusivamente as mídias sociais não, mas obviamente estas são instrumentos confortáveis atrás das quais os corajosos se escondem para destilar a intolerância com o pensamento, com a vontade e com a hesitação do outro.

Hannah Arendt adverte que a abertura ao diálogo é a precondição da humanidade, em todos os sentidos e que o diálogo verdadeiramente humano é totalmente permeado pelo prazer com o que a outra pessoa diz.

Porém, como dialogar com indivíduos que carregam a convicção de que suas opiniões são expressões da verdade, ou melhor, são as únicas verdades existentes? A opinião dos outros, se diferentes, são meras opiniões.

A mania de sermos o tempo todo passionais é idiossincrasia de gente temperamental que traz o coração na boca e nesse momento político então, a coisa descamba. Os barris de pólvoras estão cheios. Será que é tão difícil defender um ponto de vista, uma candidatura sem perder a cabeça? Confesso que muitas vezes calo-me, sufoco a defesa de uma idéia ou de uma pessoa, sobretudo por entender que a melhor resposta muitas vezes é virar as costas e seguir.

Entretanto não bastasse o policiamento que permeia as mídias, descrevo um tempo de prolongada inquietação que tem conseguido arrefecer a disposição e levar ao anonimato indivíduos que algum tempo atrás expunham-se a si próprios e suas posições políticas  e a respeito de vários outros temas, levando em conta as circunstâncias e a finalidade dos debates.

Dialogar deve estar fora de moda.

Em termos práticos, a comunicação que temos conseguido estabelecer exibe hoje a feiura das pessoas que não respeitam o outro, que não procuram palavras adequadas exatamente porque querem polemizar e provocar. E provocam, sobretudo, silêncio e o desencanto, porque não vale a pena comprometer-se em discussões atravessadas por ressentimentos.

Por questão de especial apreço a quem lê meus artigos, declino de enveredar-me pelo caminho desgastado da intolerância, de escrever com perturbação e descontrole, tentando encarnar em todos os textos, um culto a minha personalidade.

Nenhum ser humano é perfeito, ninguém tem familiares e amigos perfeitos, a vida não é um jogo onde ganha-se sempre e a convivência na maioria das vezes não contamina uns com os pecados dos outros. O ideal seria se estabelecêssemos relações cambiantes: eu te respeito, você me respeita.

O novo não é todo claro

A corrupção é intolerante. Deriva-se de ações violentas e criminosas. Não há outro caminho para combater a corrupção senão a punição severa e o repatriamento dos valores subtraídos ilegalmente. A corrupção não é fruto da esfera racional do ser humano e sim da crença e do ponto de vista, nem tão errôneo assim, de que poucos são punidos ou de que a punição se dá segundo critérios partidarizados.

Parece-me que um sentimento de confiança se estabeleceu de hora para outra, mas calma com o andor, pois o santo continua sendo de barro. O esperado impeachment, a cassação do ex-presidente da Câmara dos Deputados aconteceu e isso realmente nos remete a um novo capítulo da história política brasileira.

Os fatos, porém, devem ser entendidos particularizados e com detalhes. Grande maioria dos deputados que votaram pela cassação de Eduardo Cunha, jogaram para a plateia, já que a cassação seria inevitável, pois igualmente, muitos tem histórico de investigação pela Justiça.

O atual presidente, deputado Rodrigo Maia, que não responde a nenhum processo, foi captado numa troca de mensagens com Léo Pinheiro, da empreiteira OAS, pedindo doação.

Passar o país a limpo não é tão simples. A ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal tomou posse dizendo que não conhece um ser humano que não aspire por Justiça e reconhece que os cidadãos brasileiros não hão de estar satisfeitos com o sistema Judiciário.

Assumiu então a responsabilidade de encontrar soluções para reformar o incongruente e disfuncional sistema Judiciário do país, onde processos e pessoas mofam aguardando julgamentos.

Considerada uma workaholic, uma pessoa que trabalha até o limite das forças, a ministra não enfrentará nenhum fato novo. Convive com a lentidão e ineficiência da Justiça na mais alta corte do país desde 2006, quando tornou-se membro da Suprema Corte.

Em sua posse, na semana passada, lá estavam eles, os infiéis da causa pública, os indignos do poder; ministros e parlamentarescitados e denunciados, contrapondo com os discursos pregando rigor absoluto e enxugamento nas benesses concedidas com dinheiro público.

Fica assim, uma leve esperança em dias melhores, tempos mais austeros, como tem que ser. Enfim, quase tudo novo; o Presidente da República, da Câmara Federal, do Supremo e logo teremos novos prefeitos. Vejamos agora se as pautas se renovarão.

Chega de badalações, bajulações e palavras cordiais. Todos nós queremos um Brasil mais justo e a isso não chegaremos juntando cacos. Pluralizando o que escreveu Cecília Meireles, eu diria que precisamos aprender com a primavera a deixar nos cortar para voltarmos sempre inteiros.

Espaços luminosos ou opacos?

Há várias contribuições para o plano de governo dos candidatos a prefeitos, sobretudo no sentido de tornar as cidades mais humanas, valorizando os espaços de uso comum e tentando, de certa forma, abolir a tendência ou a lógica dos projetos que marcam a divisão entre centro e periferia.

O arquiteto Jaime Lerner, que foi governador do Paraná por dois mandatos e prefeito de Curitiba por três, lança um livro com ensinamentos valiosos sobre mobilidade e racionalidade no uso dos espaços públicos e, em entrevista, acerta um alvo: os candidatos que pretendem ir além de administrar recursos e obras carimbadas com selo do governo federal.

Diz ele que os gestores continuam a incentivar a criação de bairros distantes, que são alcançados apenas por carro, muitos nem linha de ônibus tem.

Lembra Lerner que mobilidade significa colocar moradia perto dos locais onde se acha emprego, pois levar infraestrutura para longe custa uma fortuna e a dependência de carro leva esta categoria de residentes, a se endividar para adquirir automóvel. A onda é explorar a dinâmica da cidade humana e promover soluções para os problemas urbanos e não sublinhar problemas deletérios.

Lerner condena a moda de se criar uma mini cidade dentro dos condomínios, onde se tem espaço para tudo, dentro dos limites dos muros altíssimos e convivência limitada a classes sociais distintas. Em vez disso, propõe, a reorganização de determinadas ruas, para que sejam espaços vivos, de cultura, compras e lazer, só assim, as pessoas sentirão vontade de viver suas cidades. Poucos exemplos em Cuiabá: talvez São Gonçalo Beira Rio e a Praça da Mandioca.

Ao comparar as gestões de prefeito e governador, assegura ter sido melhor prefeito, pois pode trabalhar diretamente com a sociedade e  as experiências mostraram resultados com menos tempo, o que permitiu que as equipes trabalhassem mais rápido e mostrando resultados efetivos em vez de  gastar tempo adaptando projetos nacionais, concebidos sem análise acurada das especificidades locais.

Ao estudar Geografia Humana tive a oportunidade de despertar para os ensinamentos do grande mestre, o geógrafo Milton Santos, que diz que a vida metropolitana deve sempre ser refeita, tanto na forma quanto no dinamismo, para não acabar compartilhando espaços plenos de tédio, angústia e medo.

Assegura que os condomínios caros são construídos longe do centro da cidade, justamente para empurrar os pobres para mais para longe ainda. E aí, voltamos ao Jaime Lerner, quando falou que os espaços públicos da periferia há muito são demarcados por obras de escolas, creches, postos de saúde e igrejas, que funcionam sem nenhum sentido de rede solidária.

Ser prefeito da cidade de Cuiabá hoje é não temer abraçar as adaptações rumo a modernidade, o que significa, entre outras coisas, construir um futuro atraente, mais informal e democrático para seus residentes. Hoje em dia, nos meios de aferição da qualidade de vida nas cidades, o que conta, não é o número de carros que trafegam pelas ruas e sim, o planejamento para tornar a vida dos seres humanos mais feliz.

Poder local

É comum não nos darmos conta dos direitos que temos, do modo como não os reivindicamos e os exercemos. É neste contexto que participar das eleições não é apenas fazer valer um direito, mas também uma forma de manifestar poder e exercer a cidadania que nos permite ter a nossa quota na escolha de quem vai governar nossa cidade nos próximos quatro anos.

Ainda que as pessoas expressem maior apreço pelo cenário nacional é nas eleições municipais que se inicia de fato o processo político nacional.

A experiência que se acumula legislando ou exercendo cargo no Executivo dos municípios é que mais tarde, dá realce a vida dos que aspiram voos mais altos. O poder local é que proporciona a implementação das políticas públicas com interface direta com o cidadão, visando assegurar proteção e atendimento básico, com prestação de serviço que vai desde a coleta do lixo, distribuição de estacionamento público, saúde, transporte, escola. É o desenvolvimento aliado à justiça social.

A melhor maneira de tornar-se influente no lugar onde se vive e trabalha, é participar da política local, atitude que além de fornecer o impulso necessário para revigorar a rede da democracia, é o melhor momento para se colocar, dar voz aos planos e sonhos e para fazer cobranças.O exercício da cidadaniaentretanto, não se limita a liberdade de expressar atendência política, de votar, enfim.

Porém, é nesse contexto quase familiar que a cidadania se confirma, que a escolha do Prefeito deve pairar.Para que o prefeito possa efetivamente, desempenhar bem suas funções, é necessário transformar o serviço público em “serviço para atender bem o público”, com profissionalização e humanização.

Vivemos tempos difíceis, é preciso cuidar da população com carinho, lembrando que projetos para cultura e esporte são instrumentos inclusivos indispensáveis para a plena afirmação da dignidade humana em todas as dimensões.

Agora, por mais que sejamos capazes de elaborar uma extensa lista de razões pelas quais estamos cansados de votar, pode-se tentar uma estratégia nova, invertendo a ordem do desânimo e aprimorando a participação, cedendo ideias, projetos, estando atentos ao que falam e se nos ouvem.

Tomando esse conjunto de cuidados, alerte-se ainda para o fato que agora muitos candidatos exploram o poder financeiro, os amigos influentes, os supostos padrinhos com elevado grau de dignidade, mas não é nessa conjuntura de palanque imponente que devemos votar.

Apesar da dependência ainda usual dos municípios brasileiros pelas transferências de repasses estaduais e federais, a descentralização está cada vez mais na ordem do dia dos municípios.

Aprende-se a confiar

Haveria uma ingenuidade otimista em admitir que a confiança é uma habilidade que pode ser estimulada e aprendida? Ativar o botão para o modo “confiar” num momento de mudança política, leva a reflexão sobre a área que temos sido ativos, os valores que temos negligenciado, sobre as escolhas que temos feito e sobre quem temos prejudicado com nossas convicções e consciência tardia. Não há como corrigir o que já foi. Aprende-se.

Sem querer adotar uma opinião depreciativa, aprende-se que o homem contemporâneo não avalia as consequências de sua mente excitada e indolente. Aprende-se que a corrupção é rasteira e nem sempre dá sinal que está instalando-se.

Aprende-se que os governantes colocam os interesses pessoais acima dos interesses de todos os outros cidadãos, que sabem fazer uso do mal e que o povo nem sempre é moralmente bom e honesto e em muitos casos, aprecia ser seduzido. Aprende-se…por isso é difícil confiar no bom senso dos homens.

Aprende-se que o ideal de igualdade de oportunidades não é sempre um ideal atraente, pois o vulgo nos cobra acúmulo de riqueza, prazeres, boa posição, obediência às leis divinas. Sob muitos aspectos a vida cotidiana torna-se cada vez mais difícil. É grande a pressão e as formas de errar são abundantes.

Nosso hábito tem sido a desconfiança, a alegação que as experiências vividas mais provocam do que aliviam o sofrimento. A sociedade contemporânea tem sido marcada por um contínuo esvaziamento de sentido e cada vez mais os indivíduos sentem-se desconfiados, motivados a isolar-se num sofrimento ético. Ainda assim, é preciso confiar.

Aprende-se a confiar como um caminho possível, ainda que entre suspiros e preocupações, mas as relações recíprocas são as únicas a assegurar condições nas quais podemos gozar de paz verdadeira e duradoura. Aprende-se a confiar lentamente, dependendo de exercícios e práticas a esse respeito.

Entretanto, confiança não é instintiva. A vida com intencionalidade nos joga em algum nível de desconfiança, de insatisfação. A vida nos instiga a desconfiar do inesperado. São as agruras da própria existência humana.

Então, uma relação real deve vislumbrar a confiança como a essência e o sentido da vida e mais do que uma questão de tempo, a confiança se estabelece não permitindo lacuna entre o que se deve ser e o que é.  E isso vale para todas as estâncias da vida.

E eu com isso?

Nada. Nenhum evento da vida deve ser ignorado. Há uma estranha e inegável simbiose em tudo que nos acontece. Um fato está intrinsicamente ligado a um problema mal resolvido ou a um caso de sucesso, ao amor que negamos ou ao amor que doamos. É disso que é feito nossos dias.

Um pequeno pedaço de papel jogado na rua. Não. Não é pequeno exemplo de displicência. É falta de educação cidadã, é falta de importar-se com as consequências ambientais que bueiros entupidos podem causar. Falar aos cotovelos é falta de zelo com as palavras, é sobretudo, arrogância de quem pensa que pode sobrepor seu modo rude de agir sobre outros. É bom lembrar sempre que as verdades de uns pouco, ou quase nada dizem a outros.

Civilidade e respeito mútuo são elementos vitais para construirmos uma rede de relações saudáveis, com debates vigorosos, discussões ideológicas, desacordos, sem que isso cause desconforto algum. Dentro desse prisma devemos nos sentir encorajados e encorajar outros a falar, escrever, ouvir, aprender, sem medo da censura, do gatilho pronto a ser puxado pelos que prezam viver nas zonas confortáveis e evitam explorar questões difíceis de confronto.

Mundo pequeno, mentes estreitas não toleram a criação, as perspectivas de exploração do florescimento de ideias novas. Apesar disso, sigamos compromissados  com a liberdade, com a controvérsia, com a pluralidade.

Superação

A palavra superação foi muito utilizada nos últimos dias para falar sobre a vida dos muitos atletas que disputaram as Olimpíadas e que trouxeram consigo suas histórias de vidas marcadas por tragédias pessoais, como: guerra, abandono, pobreza extrema e tentativas de suicídio.

Os obstáculos são parte da vida e ninguém escapa deles. Porém, lendo a história de vida de alguns, percebe-se que o dom de acreditar no que parece improvável é uma das características dos vencedores. Afinal para que serve uma espada nas mãos de um covarde?

O caminho da superação passa por deixar para trás as condições históricas de privações, de ausência de oportunidades para lançar-se com destemida força para sair do ciclo de pobreza e de dor que aprisiona.

No caso dos atletas brasileiros, o governo deu um empurrãozinho com a implantação do programa Bolsa Pódio, lançado em 2012. Considerando a equipe de 14 judocas convocados para os Jogos Olímpicos, 13 são inscritos no programa e os atletas que disputaram esse modalidade contaram também com a instalação do maior e mais bem equipado centro de treinamento das Américas, construído no interior da Bahia.

Não reli para saber se houve alteração, mas no total, 34 atletas olímpicos estavam inscritos para receber o aporte financeiro do programa governamental.

Agora precisamos invocar o espírito de superação em outras áreas da vida. Quem sabe seja possível após votar o impeachment, após as eleições municipais, após a cassação do Eduardo Cunha, observarmos que continuam crônicos os problemas na saúde, na educação, na segurança e que estamos cansados de viver ressacas nacionais que dão em nada, ondas de ufanismo, exibição de grandeza deste Brasil que parecia destinado a dar certo como a maior economia da América do Sul e parte do grupo de países de economias emergentes, chamados BRICS, junto com Índia, China, África do Sul e Rússia.

Na próxima quinta (25) o Senado faz a votação do processo de impedimento definitivo da Presidente Dilma. Temer assume oficialmente a presidência e sobre ele penderá o peso da superação do ciclo da corrupção e da estabilização econômica e política do país. Como cidadãos brasileiros estamos observando para ver como o Brasil emerge desta grave crise e com que força buscará punir os congressistas arrolados em processos escandalosos se eram estes a base do pilar que sustentava o governo de Dilma, deixaram-na vulnerável e passaram a apoiar o governo do presidente Michel Temer.

Superação é um conceito imprescindível quando falamos em construir o futuro. Vale ressaltar que a corrupção no Brasil não pode ser eliminada examinando e punindo um escândalo de cada vez. Superar este flagelo exige mais do que a troca de presidente.

Exige votação da reforma política, de uma nova estrutura de Estado apoiado por valores como a transparência, responsabilidade e princípios éticos com a coisa pública. Qualquer coisa menos que isso é mera encenação política.

A breve vitória dos refugiados

Uma delegação entrou em campo vitoriosa desde a abertura dos Jogos Olímpicos, na última sexta: a dos refugiados. Aplaudida por longos minutos e aclamada nos jornais do mundo inteiro como o tiro certeiro do Comitê Olímpico Brasileiro. A pequena delegação de 10 atletas carrega estigmas, cicatrizes e dramas imensuráveis.

Dentre estes está o judoca PopoleMisenga, nascido na República Democrática do Congo, que vive no Brasil desde 2013, quando veio participar de campeonato mundial de judô e desertou para fugir de um estado de conflito armado que não tem fim.

Aos 9 anos de idade, Popole, já órfão de mãe, sobreviveu a um ataque que vitimou membros da sua família, fugiu e passou uma semana escondido na floresta até ser resgatado e levado para uma instituição na capital Kinshasa. Ao ser entrevistado, Popole chora e conta que tem dois irmãos, cujos rostos ele não se lembra mais.

É importante observar que a migração, quando se dá em virtude de fuga de guerra, de devastação por terremotos, envolve uma decisão tomada olhando para a terra destruída, para os perigos eminentes que a situação determina, para o sofrimento decorrente do rompimento com a família, com as tradições, de um momento para outro.

Além disso, trata-se de um tipo de migração que não favorece o retorno, no curto prazo, porque as condições para um país se refazer do caos se dão em um processo demorado, leva muitos anos e, nesse ínterim, se o refugiado pensa, sente ou é acometido por um sentimento de saudade insuportável, pelo desejo de voltar, ele entra num momento nostálgico de constatação.

Voltar para onde? O seu lugar foi destruído, sua casa não existe mais. Muitos de seus familiares estão mortos. Então, voltar para quem?

O estrangeiro ainda causa desconfiança, medo, o que leva os migrantes a conviverem com o drama dos deslocamentos clandestinos, que os expõem a sobreviverem em espaços precários e marginalizados. Apenas alguns conseguem acenderem-se socialmente. A maioria, dissolve-se na multidão, anônimos.

Dentre os haitianos destaco Joseph Handerson, um antropólogo que defendeu tese de doutorado em Antropologia Social, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o tema da diáspora haitiana e tem se tornado uma referência no tema migratório, sendo solicitado como palestrante em todos os fóruns que tem ocorrido no Brasil e no exterior.

Para o antropólogo Handerson, quando o haitiano parte, isso não é um ato solitário, pois, ele não parte sozinho, ele parte com a lembrança forte dos seus e com a idéia fixa de ajudar os que ficaram.Joseph Handerson mora em Macapá, onde é professor na Universidade Federal.

Há mais de 3 anos participo de reuniões, grupos de estudos, audiência pública e convivo com muitos amigos refugiados haitianos e nenhum deles fez a travessia pelo fascínio por novas experiências em terras brasileiras. O fluxo migratório haitiano foi empurrado pelo terremoto devastador ocorrido em 2010.

Os refugiados haitianos que moram em Cuiabá vivem uma relação em certo grau ainda indefinida com a cidade. Muito mais vivem entre si, carregando suas tradições e culturas, esperando que a qualquer momento os muros se rompam e eles possam efetivamente serem percebidos e incluídos na vida social e cultural as cidade. Por ora,estão estabelecendo apenas as relações necessárias para se organizarem e viverem aqui.

Estão vivendo um momento em que não falta outra coisa senão serem tratados como iguais.

Não existe base

As campanhas eleitorais devoram tempo, energia e muito recurso. Os momentos que antecedem as convenções são tensos, instáveis e criam uma divisão generalizada entre membros dos partidos e a própria população. Especula-se muito, vazam alguns nomes propositadamente como forma de avaliar a aceitação da pessoa como candidato, ou faz-se conjecturas de possíveis coligações.

Os ciclos eleitorais quase não se fecham. Termina uma eleição já estamos envolvidos em outro momento de ebulição das críticas, das discussões, das promessas. É preciso ouvir, refletir criticamente sobre os problemas que enfrentamos sem radicalismo e sem esconder-se atrás do escudo da neutralidade.

Momentos eleitorais demandam decisão. Porém, nem sempre pode-se declarar a preferência. Para preservar-se e preservar emprego sobretudo.

O período é conturbado. As pessoas atacam a partir de suas perspectivas ideológicas, o que dificulta compreender com precisão como o jogo esta sendo jogado. Nada se sabe ao certo. E essa é a tática. Usar termos abstratos, evasivos para não dar “nomes aos bois” e proteger o projeto.

Amigos se estranham. São colocados de lados opostos num jogo onde grupos entrincheirados ditam as regras nos bastidores. À luz, faz-se silêncio, prometem ouvir e respeitar “as bases”. Nas convenções e momentos pré-convenções, onde os acordos são firmados, não existe base. A maioria dos eleitores são incapazes de exercer qualquer influência apreciável nos debates e nas tomadas de decisões. Os partidos vem para as convenções com chapas fechadas, martelo batido!

Os nomes dos candidatos a vice-prefeitos são experimentados dependendo do grupo onde a conversa acontece. Cada nome que nada agrega! Minimamente deveriam ter votos, dinheiro, bom trânsito no meio político, serviço prestado à cidade. Vice é posição importante dada as vicissitudes da vida, dos projetos, das possibilidades futuras. Exemplo? Michel Temer.

Os nomes dos vereadores que já se lançaram somam o triplo das vagas que as Câmaras municipais oferecem. E todos postam-se vitoriosos. Como? Mentindo para você! Ninguém sai do nada, do mais puro anonimato sonhando ser vereador.

Tem que haver um certo nível de comprometimento, um passado dedicado a alguma causa social, um campo de conhecimento que permita pelo menos discernir o que é atribuição do legislativo municipal. Muitos candidatam-se mirando cargos no executivo municipal, outros simplesmente compram  votos.