Os homens de espírito corrompido

Apesar do aumento do número de mortes surpreendentemente violentas, crises humanitárias, assassinatos em massa, isso não tem sequer incitado uma resposta global igualmente contundente. O que será preciso para despertar a compaixão e mover uma ação grandiosa de intolerância à violência?

Estamos vivendo o que deve ser o paradoxo de compaixão. Quanto mais pessoas morrem, menos nos importamos; é esse o efeito da singularidade, um fenômeno em que as pessoas tendem a se importar menos com as atrocidades em massa do que com tragédias particulares. Há uma certa ignorância intencional quando o tema é a violência.

Eric Voegelin, filósofo alemão nascido em 1901, escreveu que o colapso em que se encontra o mundo é fruto da perda da consciência de experiências vitais para a ordem social e existencial. Neste quadro desolador, de deturpação dos valores surgem os homens de espíritos corrompidos, dotados de humanidade notavelmente desordenada e doente, que Voegelin chama de pneumopatologia. É uma situação em que o indivíduo pode estar aqui mentalmente, mas está desconectado da realidade e passa a viver uma realidade paralela, que é a ascenção das trevas. Como diria Voegelin: “o estúpido criminoso, não é um “psicopata”, mas algo mais profundo: sofre de uma doença do espírito, que acaba por enraizar-se em todo o ser da pessoa.

Não sei o que se deve fazer, mas é preciso demonizar os agressores, definir regras que ditam como responder aos casos de extrema violência, bem como adotar meios preventivos para evitá-las. Os países devem ser expostos em suas hipocrisias e perante as nações devem justificar suas razões para a falta de ação nos casos de violência. Não serve ao mundo sermos apenas testemunhas passivas de um século de assassinatos em massa e uma série de outras graves formas de violência. Os números de mortos vitimados pela violência não podem tornar-se estatísticas secas. E mesmo quando há silêncio na mídia, isso não significa que a violência não esteja acontecendo. As crianças estão morrendo, as pessoas adultas estão morrendo vitimadas pela violência e pela falta efetiva de ação do homem de bem.

Um velho índio Cherokee conversava com seu neto sobre a vida. Ele disse para o garoto: Há uma luta dentro de mim. É uma luta terrível, entre dois lobos.
Um é mau – é furioso, invejoso, triste, arrependido, mesquinho, arrogante, guarda ressentimentos, é inferior, mente, tem falso orgulho, duvida de si mesmo, sente-se superior.
O outro é bom – é alegre, tem paz, amor, esperança, serenidade, bondade, benevolência, generosidade, verdade, compaixão e fé.
Esta mesma luta acontece dentro de você e dentro de todas as pessoas também, disse o velho Cherokee. O garoto pensou isso por um minuto e então perguntou para o avô, “Qual dos lobos vencerá?”
O avô respondeu: “ Aquele que você alimentar mais.”

Os homens da capa preta

Assim como era no passado, o poder político no Brasil quase nunca é caracterizado pelo caráter institucional; na maioria das instituições prevalece o caráter eminentemente pessoal e por isso o respeito é devido às pessoas e não às instituições.

O Supremo Tribunal Federal, a mais alta instância do Poder Judiciário no País, foi criado pelo Decreto número 848, de 11 de outubro de 1890. A a primeira sessão ocorreu em 28 de fevereiro de 1891, no Rio de Janeiro, em sessão extraordinária, onde se reuniram os 15 ministros. Desde que foi promulgada a 1ª Constituição Republicana, em 1891, os artigo 55 e 56 já previam que o Supremo Tribunal Federal seria composto por cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo presidente da República, sujeitando-se a aprovação ao Senado.

Atualmente o Tribunal compõe-se de 11 ministros, cujos cargos são vitalícios e se aposentam compulsoriamente aos 70 anos. O Supremo, que foi criado sob inspiração norte-americana, nasceu para ser o intérprete máximo da Constituição republicana, dos direitos fundamentais e da estabilidade institucional; consolidou-se no cenário político nacional como um verdadeiro Poder de Estado e um Tribunal de Defesa das Liberdades Públicas, principalmente devido aos excessos cometidos pelo Poder Executivo. Muitas mentes brilhantes por lá passaram e pelo site do STF pude constatar que cerca de 180 ministros integraram a corte, participaram de julgamentos históricos, como o banimento da família real do Brasil, o estabelecimento do governo militar, a improbidade administrativa do Collor e agora o julgamento do processo do mensalão.

Os bate-bocas sempre foram protagonizados por membros da corte, onde a retórica, a contundência, por vezes resvala no desrespeito. Mas isso sempre existiu, até porque há muita controvérsia e os pontos de vista quase nunca coincidem. O decano da corte, ministro Celso de Mello, um apaziguador de ânimos, disse que: “Eventual contraposição dialética em torno da interpretação dos fatos, isso, na verdade, faz parte”. Porém, o sociólogo Marcos Coimbra, do Instituto de Pesquisa Vox Populi, em entrevista, afirmou que são poucos os que ainda acreditam que a cúpula do Judiciário brasileiro seja apolítica. O sociólogo critica também o apego dos ministros à notoriedade e o alinhamento com a mídia.

O julgamento do mensalão, que ao contrário do que muitos brasileiros imaginavam, não termina em pizza, com o Tribunal decidindo pela culpabilidade de políticos de vários partidos no esquema de compra de votos e apoio político, vem como prova de que se nossas instituições não são perfeitas, estão amadurecendo. O ex-ministro Paulo Brossard disse que temos sido muito lenientes com os casos de corrupção política e lembrou, em entrevista, o caso de um ex-governador brasileiro, sobre o qual o povo dizia: “ele rouba, mas faz”.

Apresentado em tom de exagero pela mídia como o “menino pobre que mudou o Brasil”, o relator da ação penal do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, foi indicado pelo também menino pobre e ex-presidente Lula em 2003. O colegiado é de alto nível e tudo, absolutamente tudo está previsto no estatuto de mais de 400 páginas, de leitura difícil para leigos como eu. Nas sessões ordinárias ou extraordinárias, todos devem usar a capa preta, as vestes talares (hoje fabricadas por costureiros famosos como Ermenegildo Zegna) e se um fala francês, outro fala alemão, outro escreve poesias, outro toca guitarra. Nada demais!

A espiritualidade, o Engajamento Político e a Vida Pública

“Eu não poderia levar uma vida religiosa se não me identificasse com a humanidade inteira, e isso eu não poderia fazer se não fizesse parte da politica”, disse Ghandi.

A Fundação Ford apóia um trabalho de pesquisa para traçar o contorno das novas práticas e expressões espirituais e suas implicações em participação de atividades civis e políticas nos Estados Unidos. O projeto propõe estudar as consequências do aumento gradativo de componentes da espiritualidade na vida política. Muitas pessoas conhecidas por seus engajamentos espirituais estão se envolvendo nas questões sociais e políticas.

O que o estudo quer apurar é se o envolvimento dessas pessoas difere de alguma forma do engajamento dos outros e quais são as alternativas que trazem esse grupo de pessoas espiritualmente mais elevadas. As conferências para discutir o tema da Espiritualidade, Engajamento Político e Vida Pública, conta com a participação de instituições tradicionais, que construíram boa reputação em atividades espirituais e outras do mundo acadêmico, como a Universidade de Boston.

Pessoas que percorrem um caminho espiritual, buscando o crescimento pessoal, a prática de atitudes desprendidas, pensamento elevado em bondade seriam recomendadas a estarem envolvidas nas questões sociais e políticas e há uma razão importante para isso: Pessoas em viagens espirituais são adeptas da mudança, da transformação. E se você pode promover uma mudança na sua vida, isso pode ser estendido a um grupo maior de pessoas.

Dezessete mil crianças morrem de fome a cada dia na terra, nós somos a única espécie no planeta, que sistematicamente destrói o próprio habitat. Esses fatos só vão mudar quando trazermos para a resolução dos problemas homens dotados de coração mais comprometido com o amor, com a inclusão e com a bondade. É de um envolvimento que transforma as questões morais e sociais que estamos falando. Sem essas coisas, o mundo não se conecta mais.

Nós evoluímos a um ponto de estarmos prontos para efetivar profundas mudanças. Mas por que elas não acontecem? Talvez porque muitas pessoas ainda insistem em não participar de atividades políticas justamente porque não acreditam na mudança. Porém precisamos contribuir com reflexões e inserções sérias, para que possamos começar uma nova conversa sobre política, com uma nova visão de mundo civil e espiritual; adotando valores humanitários como o princípio organizador da civilização humana e não a economia, como tem sido.

Não devemos desviar o olhar do cenário político, seja ele qual for. Podemos sempre levar a perspectiva do amor, compaixão e respeito para nossas ações, até que cada pessoa possa encontrar o seu próprio senso de identidade dentro do mundo. Se as coisas da política perseguem o bem comum, onde a política falhar, a espiritualidade pode intervir para trazer equilíbrio e harmonia e construir uma organização humana de natureza perfeita.

Erasmo escreveu “A educação do príncipe cristão” em 1515 e nos ensinamentos diz ao príncipe que para ser um ótimo governante, ele não poderia ser superado naqueles bens que verdadeiramente lhe pertenciam: a grandeza de alma, a temperança e a honestidade. Quando o príncipe lhe pergunta qual seria a sua cruz, a resposta foi a seguinte: “ A sua cruz é não praticar o mal contra ninguém”.

O bem-estar da liberdade compensa os machucados

Jean-Jacques Rousseau, nascido em Genebra, na Suíça, foi um dos mais consagrados filósofos no século XVIII. Suas obras inspiraram reformas políticas e educacionais. Em sua filosofia da educação, enalteceu a educação natural, baseada em um acordo livre entre o mestre e o aluno.

Acabo de ler Emílio, um livro publicado em 1762, que embora criticado por setores pedagógicos, que citam a obra como uma leitura equivocada para os educadores, apresenta uma reflexão romanceada de como educar permitindo que as crianças se desenvolvam de forma independente e criativa, em contato com a natureza. A criança aprende valores que a tornaria comprometida com a sociedade, sem nenhuma idéia de superioridade, valorizando a liberdade e igualdade. Emilio soa como um tratado sobre as qualidades naturais do homem, sua bondade e liberdade.
A educação das crianças colocada como prioridade pelos pais, que teriam o dever de educar os filhos, seres humanos sociáveis e cidadãos aos olhos do Estado. O contraditório aí é que o próprio Rousseau não o fez. Pai de cinco filhos, entregou-os todos a um orfanato.

Entretanto, o desafio de educar Emilio é ligar intrinsicamente os valores corrompidos da cultura aos preconceitos e destruí-los para então buscar a simplicidade da natureza e uni-la às necessidades da sociedade. O Emilio, de Rousseau é criado no campo, tem vida simples, o que facilita o desenvolvimento do bem maior da formação humana para o pensador suíço: a liberdade. “Em vez de deixá-lo estragar-se no ar corrompido de um quarto, que seja levado diariamente até um prado. Ali, que corra, se divirta, caia cem vezes por dia, tanto melhor, aprenderá mais cedo a se levantar”. ensina Rousseau.
Rompendo padrões conservadores, à criança não se deve impor o que quer que ela seja. Ignorando todos os modelos de educação, Rousseau proclama que a criança não tem que se tornar outra coisa senão naquilo que ela deve ser; “Viver é o ofício que eu quero lhe ensinar. Saindo de minhas mãos ela não será, reconheço, nem magistrado, nem soldado, nem sacerdote; antes de tudo ela será um homem”.
Rousseau chama a atenção para os primeiros sentimentos da criança, que quando mal dirigidos fazem com que elas deem os primeiros passos para o mal.
Por isso nas brincadeiras e jogos Emilio é ensinado a desenvolver o raciocínio, a criatividade e sobretudo agir com bondade.

Rousseau evoca a compaixão, o bom coração como sentimentos que devem ser cultivados por Emílio, assim como o respeito profundo por si mesmo e pelo outro. Forma-se o bom coração controlando a natureza humana, sondando as emoções, as paixões, as habilidades, as virtudes estampadas na alma.
A educação segue a tendência, hoje moderna, da interatividade, é espontânea, divertida e contextualizada para promover a felicidade, sem imposição institucional. Emilio aprende que deve ter um perfil que se oponha aos dos jovens de vida cotidiana deteriorada; deve ter vigor de um atleta, força no corpo e na alma e a razão de um sábio. Deve seguir as leis eternas da natureza, escritas no fundo do seu coração pela consciência e pela razão. A liberdade em Emílio está no seu coração de homem livre; ele a carrega consigo por toda parte.

No livro Emílio, ou da educação, Rousseau mostra que a educação pode promover no homem um processo de preservação de suas condições naturais como a liberdade e a autenticidade. Ocupando o aluno imaginário com todas as boas ações possíveis, Rousseau apresenta no final Emilio, um homem total, virtuoso, o homem natural que aprendeu a viver em harmonia com a natureza e com seus semelhantes.

Perfeitamente Imperfeitos

Surpreendentemente, os tapetes persas legítimos quase sempre apresentam imperfeições intencionais. Na verdade, há um velho ditado persa que diz: “Um tapete persa é perfeitamente imperfeito e precisamente impreciso”. Esta noção de intencionalmente incluir pequenas irregularidades, além de manter na linha de produção os tecelões humildes, é derivada da crença religiosa de que Deus é o único ser perfeito e que a tentativa de produzir algo de perfeição absoluta seria ameaçar a posição do Todo-Poderoso. Você poderá encontrar nos grossos tapetes persas uma cor principal que sofre variação de tom de uma extremidade a outra. Estas imperfeições, porém, conferem aos tapetes o caráter e a autenticidade.

   A mitologia grega criou seus deuses com aparência humana, para apresentá-los como seres sujeitos à imperfeições, suscetíveis às paixões e intempéries. Não há lugares ou pessoas perfeitas e não há exceção à essa regra. Podemos ser no máximo um “insight” do bom comportamento humano. O que é perfeito, talvez a natureza, não é criação do homem que aqui vive.

   O que existe é a pressão para que sejamos perfeitos. O perfeccionismo é como um relatório interminável, que mantém as pessoas completamente envolvidas numa auto-avaliação eterna, colhendo frustrações, ansiedade e depressão. Levado ao extremo, o perfeccionismo fica no meio do caminho da competência. Isso prejudica o desempenho, em vez de ajudar. A vida é temporária e condicionada a imperfeição. Aceitar a verdade da imperfeição é saudável e mesmo libertador. Não tem nada a ver com descuido e desleixo. Significa baixar a guarda e desapegar da idéia rígida e inflexível sobre como as coisas devem ser.

   Poderíamos pensar em nossas imperfeições como impedimentos, mas as imperfeições são uma grande parte do que somos e minhas imperfeições não são apenas um bom instrumento de triagem, elas são realmente as chaves para a convivência comigo. Na minha vulnerabilidade, autenticidade, coragem, e, por vezes desconfortável nível de imperfeição, está o ingrediente secreto. Ao expor de forma corajosa as minhas imperfeições, liberto os outros para fazerem o mesmo diante de mim.

   E você é corajoso o suficiente para compartilhar suas imperfeições? A perfeição é uma obsessão para muitas mulheres e um negócio lucrativo para os cirurgiões plásticos. Entretanto, seguimos o curso, com ruga, celulite e pele flácida aqui e acolá. Por que prender-se a um padrão de perfeição de beleza se o mesmo é inatingível? Depois repara; existe beleza na imperfeição!

   Angustio-me quando as coisas começam a parecer muito perfeitas, como se isso despertasse a minha desconfiança e me fizesse gritar: “eu não confio em você até você deixar-me ver a sua sombra, sua vergonha, sua dor, tristeza, decepção, a arrogância, o julgamento, a rigidez e constatar em ti a imperfeição que marca todos nós. Somos seres imperfeitos, por isso não há vantagem em julgarmos a nós mesmos ou um ao outro, e na compreensão desta verdade está a aceitação da imperfeição, que deixada à mostra, torna-nos mais livres

Quando viver pode ser simples e prazeroso

A vida é cheia de prazeres simples, cuja lista completa seria bastante extensa. O prazer é a gratificação dos sentidos ou da mente, é a sensação agradável, a felicidade produzida pela expectativa ou pelo gozo de algo bom. O prazer representa uma amostra dos acontecimentos bons que ocorrem todos os dias.

Podemos experimentar a sensação de prazer em pequenas coisas, como por exemplo, quando deixamos o olhar vagar inadvertidamente pela rua e fitamos alguém do sexo oposto que cruza o nosso caminho. A troca de olhar causa uma sensação de prazer momentânea, uma curiosidade que dura uma fração de segundo, mas que faz bem. Assistir pessoas passando e contemplar os passos seguros, incertos, silenciosos, ruidosos, de pessoas altas, pessoas pequenas, magras, gordas e iguais. Cada movimento pende para um lado, tem um compasso diferenciado e expressões difusas. Num cenário natural esse conjunto de pessoas, rebolados e expressões produzem efeito hipnotizador.

Lembrar e contar histórias reais e engraçadas. Um dos papéis mais atraentes de um grupo de amigos é o do contador de histórias. Todos gostam de compartilhar histórias das conquistas que geram sempre uma curiosidade quase maliciosa. É gratificante estar entre amigos ouvindo ou contando uma história verdadeira, recheada de renúncias, desencontros que causa risos anos mais tarde. Ficar na cama em dia de chuva, ouvindo o barulho leve do vento batendo na janela, você estica e fica em perfeita sintonia com seu travesseiro e o quarto se torna um santuário. O único lugar que você gostaria de estar naquele momento.

Ouvir música causa um bem estar indescritível, a melodia transporta as pessoas de um mundo ao outro. Não importa qual seja o cenário, ouvir a música certa no momento certo é um desses prazeres simples da vida que imediatamente levanta o espírito, como um convite para dançar. Algumas músicas são para certos momentos e quando o som chega aos ouvidos, a vida ganha um significado mais cristalino. Não há prazer mais simples e satisfatório do que relembrar os velhos tempos com os amigos, ouvindo a música da época. Os melhores momentos das nossas vidas foram passados com amigos, com fundo musical e muita cena.

Contemplar uma bela paisagem pela janela do carro… o carro segue e o olhar se perde como se fosse possível trazer a imagem distante num zoom. A cabeça pende para o lado de fora. O cheiro das flores, da vegetação, o verde. O cenário do sonho bem ali, mas faltou olhos, tempo e paciência para enxergar. Receber um elogio inesperado num dia sem grande brilho, sem grandes acertos faz o dia tornar-se especial. A espontaneidade dá credibilidade ao elogio, além de elevar o valor das palavras.

Fazer alguém sorrir para aliviar o estado de estresse diante das cobranças cotidianas. Emendar uma frase tola, provocar o riso só para ajudar a descontrair e desconstruir o clima pesado de ansiedade. A vida é extraordinária nos momentos em que você está rindo tanto que mal consegue respirar. Este momento de riso profundo seduz, encanta e define valores mais positivos para o coração. Terminar com as sessões de adiamento e de desculpas e começar a caminhar, a exercitar-se. No final bate uma sensação de realização, de bem-estar com o corpo e mente, que traz leveza à vida. É prazeroso desafiar a preguiça. É algo assim…você no topo das prioridades. E se a família vem junto melhor ainda!

Passear de mãos dadas com alguém que você ama é um sutil, porém sensual contato físico, um gesto simples, romântico, que se não automático, alimenta a sensação de felicidade e proteção. Milhares de outras atitudes simples trazem sentimento de felicidade, que embora momentâneo torna a vida mais prazerosa e agradável. Olhar a vida com olhos de quem sabe viver é um exercício diário que devemos aprender a praticar.

O que vem depois da eleição é tão importante quanto a eleição em si

O grande desafio é lançado após as eleições. Como viveremos os próximos quatro anos é um questionamento vital tanto quanto saber como esses desafios serão superados. Mesmo quem seguiu atentamente o programa de governo dos candidatos, precisa agora de nova posição, pois no nome do novo prefeito recai não apenas desafios e propostas, mas sobretudo responsabilidades.

E embora estejamos acostumados a cobrar resultados instantâneos, os problemas que enfrentamos hoje não serão resolvidos tão rapidamente ou facilmente. É preciso construir um novo momento para Cuiabá, uma cidade castigada pela omissão; sem tempo a perder é preciso centrar fogo na solução dos problemas, é preciso governar com coragem e sem coleira, sem acomodar desejos pessoais na quota das prioridades.

Os laços devem se estreitar entre o prefeito e o povo, a relação recíproca entre ambos é incondicional, sem a qual não seria sequer possível o processo democrático das eleições. Embora não haja nada de errado com o projeto de entusiasmar eleitores, essa etapa acabou. Como pano de fundo agora, vê-se o descaso e o abandono da nossa cidade, a pobreza que alargou na periferia, a falta de médicos no pronto socorro e nas policlínicas, ônibus sucateados, falta de creches…problemas municipais que emergem há tempos sem solução.

Amparado pela Lei 10.609, publicada em 2002, o grupo de transição de governo pode iniciar o trabalho a qualquer momento. O processo tem por objetivo assegurar que o prefeito eleito possa receber informações e dados necessários ao exercício da função, assim que tomar posse. Esse é o momento de troca de conhecimento entre a gestão que termina e o novo governo. Na opinião do professor doutor em Sociologia Política da Universidade de Brasília (Unb) Rodolfo Teixeira, essa operação é absolutamente necessária para que o eleito possa ter uma noção concreta de como fará para implementar suas propostas.

Cuiabá, sob os cuidados do governo do Estado, se prepara para estar à altura de ser uma das cidades sedes da Copa do Mundo em 2014. Aos programas da matriz de responsabilidade da FIFA, como a Arena Pantanal e os centros de treinamentos, somou-se outras grandes obras de infraestrutura e intervenções de mobilidade urbana que estão, a olhos nus, visíveis até para quem tem má vontade de enxergá-las. Estão aí as grandes trincheiras, os viadutos, as travessias urbanas, as obras de desbloqueios que criam novas alternativas de trânsito, a duplicação da ponte que liga Cuiabá a Várzea Grande e ainda programas de capacitação em áreas diversas para melhorar o atendimento ao turista e torcedor que visitar a cidade.

É premente que Cuiabá tenha um governante à altura da sua beleza e importância como centro geodésico da América do Sul.

A virtude positiva de expressar gratidão

Temos vivido tensos e com medo de não ter o suficiente para viver. O medo está em toda parte. Mas a prática da gratidão é um longo caminho para aliviar esses sentimentos desconfortáveis de medo da escassez. Onde há gratidão, não há espaço no coração do homem para o medo.

A vida pode ser muito provocadora, a ambição eleva assustadoramente o nível de ansiedade. Quando você tem o suficiente, agradeça por que isso pode ser benéfico para a saúde. A virtude positiva de dar graças é uma expressão de gratidão, um reconhecimento que expressa a bondade.

Um artigo do Wall Street Journal escrito por Melinda Beck, sugere que a manutenção de uma atitude de gratidão pode melhorar o psicológico, o emocional e o bem-estar físico da pessoa. O artigo afirma que a gratidão e agradecimento, podem ser cultivados para mudar velhos padrões. Adultos que frequentemente sentem gratos tem mais energia, otimismo, conexões sociais e felicidade, são mais propensos a perseguir objetivos mais elevados, sentirem-se mais satisfeitos com seus amigos e familiares. Os pesquisados que mantém sentimento de gratidão são mais propensos a fazer progressos em direção a importantes objetivos pessoais, em comparação com indivíduos amuados e eternamente insatisfeitos.

Pode ser difícil mostrar gratidão, porque é necessário humildade. Entretanto as pessoas podem aprender a ser gratas, a cultivar esse sentimento manso, que pode ser traduzido por um sorriso, uma palavra, um abraço forte, uma visita. A gratidão pode ainda ser a cura para o materialismo e uma das melhores maneiras de aumentar a felicidade e sensação de bem-estar.
A gratidão brota de um momento de introspecção, portanto, identificar e expressar gratidão às vezes pode ser difícil, especialmente se você não acha que tem muito a agradecer.

É claro que precisamos vigiar permanentemente nossa mente para que não passemos mais tempo reclamando do que apreciando a vida. Nem sempre quando escolhemos o caminho mais fácil, fazemos a melhor escolha.
Voltando ao básico, devemos ser gratos por estarmos vivos. Não devemos concentrar em coisas materiais que podemos e queremos ainda adquirir, mas devemos debruçar sobre o que já temos, por exemplo; a saúde , o trabalho, o teto sobre nossas cabeças, saber de onde vem a próxima refeição. Quando se trata de ser grato, acho que sabemos exatamente por onde começar; agradecendo pelo dom da vida. Seja qual for o seu fardo, eu espero que você tenha motivos para ser grato, também.

Podemos ser gratos até por algumas dificuldades que vivenciamos em nossas vidas e reconhecê-las como experiência, amadurecimento e cura dos males da nossa alma. Nada existe sem essa dualidade de positivo e negativo. Em vez de resistir as dificuldades, podemos escolher enfrentar as emoções que nos cercam. Pois embora a maioria de nós acredita que a emoção é criada por causa do problema, é o problema que é criado por causa de determinadas emoções.

A eterna busca do homem em si mesmo

A discussão aqui envolve uma realidade muito presente, a angústia e o desespero. O que se seriam estes dois conceitos aplicados no atual ser humano e na sua concepção de mundo ? O filósofo e teólogo dinamarquês, Soren Aabye Kierkegaard, criador do existencialismo, corrente de pensamento da qual se distingue Jean-Paul Sartre, e para a qual o objeto próprio da reflexão filosófica é o homem na sua real existência.

O ato de buscar-se exige coragem e determinação pois é necessário assumir as consequências de tal atitude. Mergulhar em si mesmo significa assumir as escolhas feitas e principalmente vive-las de modo intenso, de forma que exista libertação de tudo o que aliena o homem. Portanto, o foco da discussão é a busca do homem em si mesmo e a busca pela sua real existência.
O ato de angustiar-se e desesperar-se são características marcantes do homem. O ato de buscar a sua essência em si mesmo, é necessariamente o ato do angustiar-se, pois o homem deve iniciar uma nova construção da sua existência. O desesperar-se seria a falta de esperança, o fim de tudo, onde nada mais pode influenciar o homem, onde ele deve apresentar-se a si mesmo sem mascaras.

Mostrar o real modo de existir seria o ato de mergulho em si mesmo. O homem convive com todos os que estão ao seu redor, com a família, amigos, colegas de trabalho, tem relacionamentos sociais, mas se este mesmo homem não consegue se encontrar verdadeiramente consigo mesmo, consequentemente ele cai no desespero.
Uma das principais características do homem que está em desespero é a de se tornar vítima de circunstâncias, ou de atos externos que acontecem no meio em que ele está vivendo. Embora o homem mantenha a tendência de procurar uma saída, mas esta procura incessante pode agravar a situação de desespero.

No entanto, quando o homem reconhece a sua situação de desespero ele aproxima-se da cura, pois este fato de reconhecer–se desesperado é o passo mais importante para a cura. A simples afirmação de não estar desesperado é uma máscara usada para encobrir a situação que se está vivendo. O desespero é uma doença do espírito. Por esta razão também descobre-se que bem antes de estarmos desesperados já estávamos em desespero. O que aconteceu foi um simples afloramento do que estava latente em nosso íntimo.

A angústia é um sentimento de inquietude que está presente na fonte da livre opção. Não tem um objeto definido, como o medo e o pecado, seu objeto é quase um nada. Não é uma falta, não é um fardo. A angústia é o solo da liberdade, pois para se definir melhor, a angústia é a própria possibilidade de liberdade, mas nem sempre encontramos o caminho para esta liberdade, e a única forma de liberdade que conseguimos foi a opressão do outro.

O sentimento de angustia do homem está relacionado com as suas escolhas. Ao viver o processo da escolha o homem mergulha em um grande abismo de angústia, pois ao fazer tal escolha o homem deve assumir a responsabilidade por tais. Então, todos os seres humanos estão condenados a viver a angústia, pois todos um dia vão fazer suas escolhas.