A mais velha e menorzinha das quatro irmãs

Começo o artigo revelando uma grande frustração. Não nasci em Cuiabá! Há 10 anos sou cidadã cuiabana, através do título concedido pelo vereador, hoje presidente da Câmara, Chico 2000. Amanhã, 08 de abril, Cuiabá completa 305 anos, com 650.912 mil habitantes, segundo senso de 2022. É a mais velha e menos populosa das capitais do Centro-Oeste brasileiro. Campo Grande tem 124 anos, 898 mil habitantes; Goiânia tem 90 anos e 1.437.366 mil habitantes e Brasília, a caçulinha com 63 anos tem 2.817.381 mil habitantes. O estado do Tocantins ao ser emancipado de Goiás passou a pertencer a região norte do país, devido a semelhança de vegetação e clima com outros estados da região norte, com os quais faz divisa, como o Pará.

Sou uma mato-grossense, nascida numa cidade às margens do Rio Araguaia, uma condição sine qua non para minha existência. Ponte Branca, divisa com o Estado de Goiás, antigamente conhecida como Alcantilado do Araguaya, ainda que pequena, ostenta a grandeza do Rio que a corta é próxima de Barra do Garças, onde morei e de onde parti em 1990, rumo à Capital, onde grande parte da minha família já morava.

Minhas memórias de Cuiabá são, portanto, de um passado recente, mas nem por isso desimportante. Desde os anos 1980 eu estava sempre por aqui. Sem tempo para adaptações, aprendi a caminhar pelas ladeiras, pelas ruas tortas e estreitas. Descobri a cultura rica de Cuiabá pelas mãos de uma importante produtora cultural e cineasta, Glorinha Albués, que fazia projetos para elevar a arte, o cinema, as festas de santo, a poesia, para ocupar os quintais tradicionais, como o da D. Domingas Leonor.

As manifestações musicais, o Siriri, Cururu, Rasqueado e Lambadão, fui aprendendo a identificar e apreciar com o Dr. João Elóy nos eventos promovidos pela prefeitura de Cuiabá, já organizados por mim, como coordenadora de cerimonial, na gestão do mais ilustre de todos os cuiabanos, o ex-deputado estadual e federal e ex-prefeito Roberto França.

Radialista e comentarista esportivo à beira do gramado, Roberto França contava muitas histórias sobre futebol em Cuiabá. Ouvi muito falar do dia memorável que marcou a história do nosso futebol, quando o Santos, com Pelé escalado para jogar contra o Dom Bosco, desembarcou no aeroporto Marechal Rondon, no ano de 1965. Roberto França era ainda um jovem de 16 anos. Uma multidão de cuiabanos invadiu a pista e Pelé deixou o aeroporto no carro do governador. No hotel, um Pelé humilde e simpático saía a porta, atendia os fãs, em delírio, como conta também o pesquisador José Augusto Tenuta. No estádio Dutrinha, o Dom Bosco foi goleado por 6X2. Ninguém chorou! Viram o rei, em pessoa!

No quente mês de outubro de 1991 outra visita ilustre, cheia de simbolismo da fé que arrebata o coração dos cuiabanos, de uma cidade católica, porém carregada das peculiaridades e sincretismo que permeia a questão da religiosidade no Brasil. Desembarca e beija o solo mato-grossense, São Papa João Paulo II, que presidiu a Santa Missa para mais de 200 mil pessoas, junto com Dom Bonifácio Piccinini. O Senador Jayme Campos governava o Estado.

Conheci pessoalmente políticos importantes em Cuiabá, como Leonel Brizola e Mário Covas, trabalhei nas visitas oficiais dos presidentes Fernando Henrique Cardoso, Dilma, Temer, Lula e Michelle Bachelet em visitas oficiais a Mato Grosso, oficialmente hospedados em Cuiabá. Destaco um e outro, como o ato de filiação do governador cuiabano Dante de Oliveira ao PSDB, em 1997, em Cuiabá, organizado por Roberto França, com a presença do então governador de São Paulo, Mário Covas, a inauguração da Ponte Sérgio Mota, no ano de 2002, com o prefeito Jayme Campos caminhando para o centro da ponte, partindo de Várzea Grande, Roberto França, do lado de Cuiabá, caminhando rumo ao centro, onde os esperava para declarar inaugurada a ponte, o Presidente Fernando Henrique Cardoso, acompanhado pelo governador Dante de Oliveira, pela viúva do ex-ministro das Comunicações Sérgio Mota e pelo embaixador da Itália no Brasil.

No mês de maio de 2009, o presidente da Fifa, Joseph Blater anunciou e apresentou Cuiabá ao mundo como uma das cidades sedes da copa do mundo de 2014. Blairo Maggi era o governador do Estado. Participei de todos os estágios da realização da Copa do Mundo em Cuiabá, onde muito se discutia se deixaria legado ou não para a cidade. Deixei aos pessimistas, os resmungos e me dediquei a minha missão de receber os organizadores da Copa em Cuiabá, promover encontros com embaixadores e chefes de delegações. Quando foi divulgada a tabela dos jogos, alegrei-me e tratei de aprender, treinar para receber com zêlo e competência a mulher que mais me inspirava na política, a médica e presidente do Chile, Michelle Bachelet, que passou 12 horas em Cuiabá.

Feliz 305 anos Cuiabá!