Douglas Rushkoff é um autor e documentarista que estuda a autonomia humana na era digital. O teórico da mídia, escritor, colunista e acadêmico americano, professor de Teoria da Mídia e Economia Digital na City University of New York, Queens College, onde ensina, discute e questiona a tecnologia, digitalidades e humanidade em nosso tempo. Suas teorias e compreensão nos ajuda a pensar em alternativas para um futuro que possa se renovar a partir desse momento em que que os humanos estão sendo desvalorizados na era digital.
No momento, há uma verdade incômoda no alinhamento da elite do Vale do Silício com o governo de Donald Trump. As empresas estão buscando tratamento especial, influência e desregulamentação. Isso basta para ‘dominar o mundo’. O dono da Amazon, Jeff Bezos, anos atrás disse que o presidente Trump era “perigoso”, cujo comportamento poderia destruir a democracia americana. O CEO da OpenAI, Sam Altman, já comparou Trump a Adolf Hitler. Pararam com demagogia e estavam enfileirados, sorridentes na posse do presidente americano.
O contraponto e enfrentamento de Douglas Rushkoff é com a premissa do Vale do Silício de que os seres humanos são o problema e a tecnologia é a solução, por isso, induzem os humanos a agirem como algoritmos. “Eu queria escrever um livro na era digital que nos ajudasse a realmente identificar e recuperar o que torna os seres humanos especiais, criativos, peculiares, imaginativos. A tecnologia não é algo ruim por si só. O problema surge quando tentam fazer com que os humanos operem da mesma maneira previsível, rápida e automatizada, cumprindo métricas predefinidas. Aí, perdemos os benefícios do que significa ser humano”.
Quando estamos online, estamos em um mundo criado por empresas que buscam extrair tempo, valor e dados, por todos os meios possíveis. Ele diz que as plataformas, sem exceção estão lá para, armazenar nossas informações, sobretudo enquanto consumidores e mais recentemente, diante da polarização vigente em toda parte do mundo, vigiar e explorar nossos ideais políticos. Rushkoff promove uma discussão baseada em como as midas, enquanto espaço de manobra, nos afasta da realidade, da nossa individualidade e humanidade, nos colocando em padrões pré-estabelecidos de consumidores de produtos que nos empurram.
A preocupação parece ser a teoria de importantes engenheiros digitais, de que em um tempo não tão distante, computadores superinteligentes e inteligência artificial serão capazes de induzir as ações e controlar vidas humanas. Há pesquisas que provam que a humanidade e a interação humana foram drasticamente afetadas pelas mídias sociais e plataformas como Facebook, Twitter, Instagram e YouTube e as pessoas não conseguem mais se comunicar normalmente. Cientistas e sociólogos combinaram um discurso sobre o que acontece quando as mídias sociais e a Internet afetam nosso potencial de humanidade e liberdade e destacam que a humanidade ainda é um grande problema neste mundo em evolução tecnológica.
Não devemos nos divorciar dos valores, dos fluxos e refluxos que nos tornam humanos, por isso, defende a humanidade como um jogo coletivo, e a necessidade de reocuparmos a realidade, policiando para manter a soberania humana e evitar que nos tornemos escravos da era digital. Não podemos deixar de lado o mundo que conhecemos, e mergulhar na ilusão de que temos acesso à pessoas que vivem distantes de nós, porque compartilhamos conteúdos nas mídias sociais. Temo pela transformação que o mergulho profundo e sem filtro na internet, pode causar. Minha estratégia, ingênua, talvez, é permanecer o mais humana possível e resistir, na alma, a pressão das corporações, que buscam lucros gigantescos, transformando pessoas anônimas e insignificantes em fenômenos lucrativos nas redes sociais.
O conselho de Rushkoff é simples: Quando as coisas começarem a acelerar descontroladamente, “pressione pausa, faça bloqueios, denuncie e se necessário, dê um tempo off line”.