A cor da sua pele não deve determinar seu futuro

Esta é uma semana em que muito se fala sobre as questões raciais, rendem homenagens aos negros mas é impressionante como o preconceito tem se mantido latente ao longo dos séculos.

Foi estabelecido a data de 20 de Novembro como dia nacional de Zumbi e Consciência Negra. A data é uma homenagem póstuma à Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo do Brasil Colonial, o quilombo dos Palmares, no Estado de Alagoas.

E, por muitos anos, Zumbi foi o comandante da resistência dos negros contra a escravidão. No Senado não deram relevância a figura de Zumbi e a data foi aprovada apenas para comemoração e não para entrar na relação de feriados nacionais.

Mato Grosso, desde o final do ano de 2002, através de uma lei de autoria das lideranças partidárias determina feriado em todos os municípios, talvez porque o Estado conhece bem a história de quilombos e quilombolas desde que Vila Bela da Santíssima Trindade foi a Capital do Estado e abrigou talvez o mais destacado dos quilombos; o do Quariterê, construído numa área escondida e longe da cidade; abrigava os escravos que fugiam das senzalas, subsistiam de plantações e era governado pela rainha Teresa de Benguela que exercia forte influência sobre negros e índigenas contra a escravidão.

O quilombo do Quariterê foi invadido num cerco militar, famílias foram assassinadas e os sobreviventes levados presos para serem torturados em Vila Bela. Teresa suicidou-se no caminho.

Vila Bela, uma cidade que visitei várias vezes, tem a maioria da população declarada negra, resistiu ao ostracismo quando a capital mudou-se para Cuiabá e marcou sua história na cultura das festas de origem africanas, como o chorado e congo, que atraem multidões para assistir os ritos dramáticos, os cantos lúgubres que homenageiam os santos católicos.

De Vila Bela ao complexo territorial de Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, uma comunidade onde vivem desde o ano de 1800 cerca de 300 famílias descendentes de escravos. Os quilombolas vivem em eterna vigilância, pois são constantemente ameaçados por fazendeiros da região.

E agora, em outubro passado, a comunidade de Pequizeiro, dentro da região quilombola de Mata Cavalo foi invadida pela Polícia Federal para promover o despejo (que chamaram de ação de desocupação de área) em favor de ação movida por fazendeiros. As famílias arrancadas da área recorreram.

Houve manifestação significativa favorável à permanência dos quilombolas na área, porque afinal, Mata Cavalo é a casa de Seo Antônio Mulato, um senhor apaixonante de mais de 110 anos de idade, que adora contar “causos”. das brigas que empreendeu para que os filhos e outras crianças pudessem frequentar a escola.

Lugar exato onde conheci Seo Antonio Mulato no dia da inauguração da escola na comunidade, que homenageava a filha dele, a professora Tereza Conceição Arruda, falecida.

Campo para exercer o preconceito racial não deveria existir em Mato Grosso, um Estado onde 60% da população é negra e parda e Cuiabá é uma Capital com maioria da população também negra, mas trata esses filhos como o resto do país: os negros são os mais atingidos pelo desemprego, a quem são oferecidos os menores salários exatamente por ter escolaridade mais baixa que os brancos; quase todas as empregadas domésticas são negras, moram nas periferias onde a saúde pública, a educação e a segurança não chegam. É muito difícil ascender social e financeira nesse universo de desigualdades, fruto de políticas públicas tendenciosas, senão preconceituosas.

O sacrifício pelo livre pensar de Giordano Bruno

Revi o filme sobre o filósofo Italiano Giordano Bruno, que havia assistido há certo tempo na sala de aula, quando cursava Ciências Sociais.
Filipe Bruno nasceu em Nola, Itália em 1548 e recebeu o nome de Giordano quando ingressou no convento São Domingos, onde foi ordenado sacerdote.
Inquieto e independente, teve problemas com seus superiores desde o período de estudante e até processo por insubordinação foi instaurado contra ele. Mas, por outro lado, seu talento intelectual despertou a admiração de muitos.
Criticava o pensamento intelectual da época e teve que fugir de Nápoles para Roma e depois para a Suíça, onde estudou o pensamento teológico protestante, que ao final, considerou tão restritivo quanto o dos católicos.
Viveu também na França, conquistou a simpatia de Henrique III. Viajou para a Inglaterra, mas não integrou-se com os docentes de Oxford, tampouco com os Luteranos na Alemanha.
Foi denunciado ao Santo Ofício por seu interesse pela magia.
Bruno era um visionário, alimentava sua filosofia com a teoria de que o universo era infinito, com vida inteligente em outros planetas. Bruno também discorria sobre os poderes extraordinários de seres humanos e ainda, ridicularizava alguns milagres de Cristo e até a virgindade de Maria.
O filme mostra todo o processo e a execução do filósofo, que foi torturado durante oito anos, até ser condenado à morte na fogueira, em 1600. Morreu sem negar seus pontos de vista filosóficos, suas teorias contrárias aos dogmas da Igreja Católica.

A Filosofia de Giordano Bruno
Bruno surgiu num momento de intolerância religiosa e poderia ser considerado um mago-filósofo, que mantinha-se dentro dos limites da ortodoxia cristã. Seu pensamento porém, conduzia à magia sob o pretexto de que é necessário aceitar o diferente, com a riqueza de seus pontos de vista. Uma mistura de filosofia e alquimia.
O pensamento de Giordano Bruno era holistico ( teoria segundo a qual, o homem é um todo indivisível, que só pode ser explicado o físico e psíquico conjuntamente), naturalista e espiritualista.