Parlamentares de 20 países defendem o protagonismo da mulher na POLÍTICA

Os dados do Observatório Nacional da Mulher na Política apontam que o Brasil tem um dos menores índices de representação de mulheres nos parlamentos do mundo. Ocupa a posição 133 entre 173 países. A Secretaria da Mulher da Câmara Federal promove estudos e pesquisas para entender as razões e traçar estratégias para superar a sub-representação das mulheres na política brasileira, uma arena que tem sido historicamente dominada pelos homens.

A verdade inconveniente no Brasil é que os partidos políticos são parte central do problema, já que são a porta de entrada para a política formal, uma vez que recrutam e selecionam candidatos para os cargos eletivos. Nesta perspectiva, é tentador perguntar se há urgência na pauta dos partidos em abrir a porta à participação igualitária das mulheres, pois é onde elas precisam transitar primeiro antes de irem para uma disputa.

Apesar da nossa insignificância no ranking mundial, o Brasil sediou um encontro inédito, liderado e conduzido por mulheres que reuniu 170 parlamentares de 20 países (do G-20) no primeiro encontro de representantes mulheres das melhores economias do mundo. O encontro, coordenado pela Deputada Federal Benedita da Silva, coordenadora da Bancada Feminina na Câmara, aconteceu em Maceió, semana passada, sob o lema “Construindo um Mundo Justo e um Planeta Sustentável”. Também estavam presentes, representantes de organismos internacionais importantes, como ONU, Mercosul, União Europeia, para em coro defenderam a ampliação da participação feminina nas agendas globais do G20, com foco na justiça climática e no combate às desigualdades.

O Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira recepcionou as parlamentares, afirmando que é preciso consolidar a participação feminina na política, na economia e na sociedade. A agenda incluiu debate acalorado sobre o aumento da representação feminina nos espaços de tomada de decisão, promoveu discussões sobre avanços legislativos e políticas públicas para as mulheres. O encontro foi pensado como um espaço e uma oportunidade para ampliar a participação das mulheres legisladoras em debates que estão no centro das atenções no mundo todo e celebrado como um marco na construção de uma forte rede global de mulheres brigando pelo protagonismo delas nas decisões políticas. E a coordenadora Benedita da Silva afirmou “que as mulheres não querem ser mais. Tampouco permitiremos ser menos, ou menores. Como mulheres parlamentares temos a missão de desafiar os estereótipos”.

É importante incluir a agenda das mulheres no centro de debates que acontecem no mundo, porque as mulheres parlamentares e profissionais de qualquer área tem se queixado da sobrecarga no contexto atual da divisão do trabalho, onde além do trabalho formal, ainda cuidam da casa e são, na maioria, responsáveis pela educação dos filhos. As parlamentares concordam que um novo cenário de lutas precisa ser construído e os principais eixos perpassam pela busca de compensação pelos impactos das mudanças climáticas; pelo comprometimento dos parlamentares em buscar junto aos países parte do G20, a inclusão dos direitos das mulheres nas pautas políticas e nos orçamentos; recomendar que os parlamentares adotem postura de reconhecimento das desigualdades de gênero; que facilitem financiamentos de programas para promover a igualdade entre homens e mulheres.

É muito importante fortalecer os parlamentos para apoiar a adoção de cotas, reserva de assentos e financiamento para aumentar a participação das mulheres no poder e alcançar a paridade em cargos eleitos e administrativos.

Desde 2015 todas as mulheres do planeta podem votar. No Brasil apenas 45 cidades brasileiras têm maioria de vereadoras nas câmaras municipais e ainda temos mais de três mil câmaras municipais que não têm sequer uma vereadora.

A rádio Mulher de Bafatá

Um animal imperfeito, sem fé, sem lei, sem medo, sem consistência”. Ditado francês do século XVII sobre as mulheres. Era uma época em que a violência era realizada com total apoio de homens brutalmente poderosos. Por muito tempo, as mulheres não foram ouvidas ou acreditadas quando ousavam falar a verdade diante do poder desses homens.

A violência contra as mulheres assume muitas formas. Pode ser físico, sexual ou emocional. Pode ser público ou privado, online ou offline, perpetrado por um estranho ou por um parceiro íntimo. Independentemente de como, onde ou por que acontece, tem graves consequências a curto e longo prazo para as mulheres e jovens vítimas de violência e assédio sexual, práticas que transcendem qualquer cultura, geografia, raça, religião, política ou local de trabalho.

Na longínqua Guiné-Bissau, um país africano, a violência contra mulheres é muita e as denúncias eram poucas. Para facilitar as denúncias, da união de várias associações de mulheres com uma parlamentar surgiu a Rádio Mulher de Bafatá, uma tentativa de emancipar e dar voz as mulheres da região leste da Guiné-Bissau. Muito difundida na Guiné e no exterior, a rádio só de mulheres está, há algum tempo, movimentando uma região onde elas sofrem discriminação e violência frequentemente, inclusive a mutilação genital. A ONU, reconheceu que a rádio funciona como um instrumento pedagógico de difusão dos direitos humanos.

A seguir, apenas um flash, um recorte mínimo do que lemos na semana que antecede o dia Internacional da Mulher no Brasil: A fala eloquente e misógina do vereador Noé Monteiro de Barros, aqui de Mato Grosso, de que não há mulher bonita na cidade onde ele mora, como se função de vereador fosse legislar sobre padrões de beleza.

Em Mato Grosso, casos de feminicídios ocorreram recentemente em Cáceres, Santo Antônio de Leverger, Peixoto de Azevedo. Mato Grosso terminou o ano de 2023 como o terceiro estado com maior taxa de feminicídio no Brasil, 90% superior à média brasileira e segunda maior taxa de estupros.

No interior de São Paulo ocorreu o caso mais brutal. Uma mulher denunciou o marido por violência, conseguiu medida protetiva e trancou-se em casa, mas horas depois, ele invadiu a casa, a matou e arrancou-lhe coração.

Um casal discute no trânsito, nas ruas de Porto Alegre, RS, o homem brutalmente toma o bebê dos braços da mãe e o atira pela janela do carro em movimento. A mãe abriu a porta e se jogou do carro para socorrer o bebê de apenas 11 meses. A mulher está internada em estado grave, com traumatismo craniano, o bebê sobrevive até o momento.

Falando de mulheres, no mês da mulher, li a matéria extraordinária sobre a professora emérita da Faculdade de Medicina do Bronx, o bairro mais pobre de Nova Iorque, a americana Ruth Gottesman, que doou 1 bilhão de dólares para quitar as mensalidades de todos os alunos matriculados e manter para sempre a gratuidade do curso de medicina, onde ela, doutora em Educação, trabalhou por 50 anos. Foi inevitável fazer uma comparação com os investimentos feitos por homens bilionários.  

Apesar de fazerem doações a instituições de caridade e bolsas de estudos, Elon Musk pagou 44 bilhões de dólares pela vaidade de comandar o Twitter, que hoje tem valor de mercado de 19 bilhões. Jeff Bezos investe 1 bilhão de dólares por ano para colocar sua nave espacial em órbita em voos que duram apenas 10 minutos.