41% dos mato-grossenses não se identificam com a direita, esquerda ou centro

Um novo ‘player’ no cenário das eleições de 2026, não significa esquentar figuras tradicionalmente conhecidas para disputar o executivo estadual.  Um novo jogador seria uma figura que despertaria o senso de novidade e alternativa viável, que se posicionaria como uma terceira via ou renovação plena. Não percebo nenhum movimento que indique a existência dessa figura. Um novo player, que não seja retratado com um aventureiro surge em tempos esporádicos, quase sempre para tirar votos de um grupo e redesenhar a campanha com a criação de um novo grupo, como ocorreu em 2002.

É de conhecimento de todos e confirmado pelo Instituto de Pesquisa DataSenado, em estudo do ano passado sobre o posicionamento político dos brasileiros, que Mato Grosso é uma das cinco unidades da federação, num grupo em que estão Rondônia, Santa Catarina, Paraná e Roraima, com maior número de eleitores de direita, cerca de 36%, 9% se declararam progressistas e 8% do centro, enquanto 41% não se identifica com nenhuma destas tipificações e 6% não quiseram responder. Chama atenção o número de mato-grossenses que não se consideram de direita, nem de esquerda e nem de centro. É por aí a campanha: sem player novo e alto investimento político para conquistar esses 41%.

Senão, vejamos, o caminho natural promove a candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta, um político forte, prefeito que transformou a pacata Lucas do Rio Verde num importante polo do agronegócio do estado, foi deputado estadual, é vice-governador, com visibilidade e independência. As variáveis indicam que o grupo teria ainda as opções de fomentar as candidaturas do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, que está na política desde os 22 anos de idade quando se elegeu vereador em Jaciara, onde foi prefeito reeleito, é deputado no terceiro mandato e presidente da Assembleia Legislativa e segue com o projeto de recondução ao quarto mandato e Cidinho Santos, ex-prefeito, ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios e ex-senador, que parece mais disposto a investir o tempo e prestígio para eleger o amigo Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, presidente do País.

Por outro lado, o Senador Wellington Fagundes, político há décadas, deputado federal de cinco mandatos, senador reeleito com mais de 825 mil votos, que há tempos sonha e articula a candidatura ao executivo. São 2 grupos separados apenas pelo extremismo e polarização exacerbada que contaminou a política em anos recentes, mas que sempre estiveram próximos, compartilham ideais políticos e colocam em dúvida inclusive, o voto da maioria dos eleitores e o Senador Carlos Fávaro, que ganhou grande visibilidade presidindo entidade ligada ao agro, foi vice-governador do estado, secretário, elegeu-se senador, é ministro da agricultura e deve agregar no seu entorno uma federação progressista, com apoio do presidente da República.

As possibilidades recaem sobre homens conhecidos, com longa trajetória na política. Não são pessoas com tradição de ideário extremista, capazes de incitar cidadãos a invadir, saquear e defecar nas sedes dos poderes. Ao contrário, são homens que entendem que o estado precisa assentar as diferenças para avançar em pautas que nos envergonham, como a epidemia e quase tradição no estado de assassinar mulheres.

Com senso de observação aguçado pela sociologia e ciência política, não percebo nenhuma possibilidade da entrada de um novo ‘player’ na campanha para governo no próximo ano. Não creio que haja cenário, tampouco personagem para encampar tal novidade. Absolutamente diferente do cenário de 2002, quando um ‘player’ novo percebeu a saturação do protagonismo do governo de Dante de Oliveira, que politicamente ocupava demasiado espaço, em importância local e nacional e decretou o seu fim.

Pacificação política

Uma frase importante sobre a crise institucional ocorrida nesta semana foi escrita numa manifestação, inclusiva muito criticada da Ordem dos Advogados do Brasil, mas salvo a frase: “Não se constrói democracia sabotando o próprio país. Ataques à soberania nacional são inadmissíveis. A liberdade de expressão é um valor constitucional, mas não pode servir de escudo para práticas antidemocráticas.” Sabotagem contra o Brasil tem ocorrido há certo tempo, quando o delírio e paixão injustificável pelos Estados Unidos, levou um deputado brasileiro a tramar contra a soberania e interesses nacionais e recentemente, nesta semana, a sabotagem ganhou o contorno de indisciplina com parlamentares amotinados na Câmara e no Senado, durante dois dias, desmoralizaram suas próprias lutas e pautas devido ao formato de circo imposto momentaneamente nos plenários, quando tentaram impor negociações de interesses pessoalizados, atrapalhando votações de interesse do povo.

Quando finalmente o presidente da Câmara, Hugo Mota conseguiu oficialmente restabelecer os trabalhos, ainda no meio do tumulto, fez um pronunciamento: “Nós não podemos negociar a nossa democracia, o nosso país, que tem que estar sempre em primeiro lugar, e não deixarmos que projetos individuais, projetos pessoais ou até projetos eleitorais possam estar à frente daquilo que é maior do que todos nós, que é o nosso povo, que é a nossa população que tanto precisa das nossas decisões.”

Em todos os aspectos, a democracia não é um regime onde tudo é permitido. A democracia envolve limites e a submissão da lei. E apesar da obstrução de pauta ser um instrumento democrático previsto no regimento das duas Casas, a presepada sem precedentes, que paralisou o parlamento, foi pautada pelo excesso, falta de educação, num momento em que todos os parlamentares deveriam estar negociando acordos para pacificar o Brasil. Estamos todos, eleitores, sociólogos, cientistas políticos, exaustos desse clima desequilibrado, com diálogos interrompidos por ofensas e ataques de políticos nacionais, em tentativas de abalar a soberania nacional.

O que o governo de muitos países e do Brasil tem reforçado é que seus países são soberanos e nós deveríamos nos orgulhar e lutar para que a independência do nosso país seja uma pauta inegociável. As tentativas de desmoralizar as instituições tem um único propósito, negociar e pressionar para livrar o ex-presidente das medidas cautelares impostas pela justiça e garantir continuidade do mandato de um parlamentar que há quase cinco meses não comparece ao trabalho e se autoexilou em outro país. A ausência sem justificativa a um terço das sessões é uma das hipóteses que prevê perda de mandato.

Caminhamos para eleições gerais daqui há um ano, com demandas urgentes em nosso estado, como a violência brutal contra a mulher, o crescimento e dominação das facções criminosas, a conclusão da obra de duplicação da BR-163, que todos os dias registra acidentes com vítimas fatais, como a colisão frontal entre uma carreta e ônibus, que deixou 11 mortos no local e vários feridos, inclusive em estado grave. Não podemos ficar aqui esticando a corda da polarização, torcendo contra a vitalidade da democracia brasileira e agindo contra nossos mercados comerciais, aplaudindo medidas de retaliação e intromissão estrangeira. O mercado caça jeito, novos parceiros surgem, como uma companhia aérea da Dinamarca que comprou 45 jatos da Embraer e pediu preferência para comprar mais 10, companhia aérea mexicana adquiriu 20 aeronaves brasileiras, a China está ampliando significativamente as importações do café brasileiro e autorizou recentemente 183 novas empresas brasileiras a exportar café para o país, além disso, vários itens que estavam sobretaxados tiveram as tarifas revistas e retiradas.

Portanto, a vida segue, a diplomacia opera dentro de suas lógicas e devemos parar de superestimar a hostilidade e recorrência à violência política e organização de motins desrespeitosos e violentos, que tiveram que ser negociados com pulso firme pelas lideranças partidárias.

O que nós queremos é que o debate seja restabelecido.

A confiança na política não deve ser fé cega

2024 foi um ano marcante para as eleições, cerca da metade da população do mundo foi às urnas em 76 países, o maior número já registado. Também acabou sendo um ano difícil para os candidatos alinharem seus discursos aos seus partidos políticos tradicionais, resistentes às mudanças e modernização de pautas. Abalados pelo aumento dos preços, divididos por questões culturais e radicalismo político, irritados com a falta de solução para os problemas estruturais de sempre nas áreas da saúde, educação e segurança, os eleitores de toda parte enviaram uma mensagem de frustração.

Muitas pessoas ainda se sentem desconectadas de lideranças maiores, dos partidos e das instituições políticas na capital do estado ou Brasília e, compartilham a crença de que os partidos e líderes do establishment estão fora de contato com os cidadãos comuns, portanto, o eleitor tentou encontrar ressonância de seus sonhos e esperanças nas lideranças locais.

2025, um ano não eleitoral, um ano silencioso que traz maior fluidez em todos os trâmites e relações da vida pública, inclusive, é o ano onde sentiremos os efeitos das mudanças que foram chanceladas nas urnas ano passado e nem sempre veremos ou ouviremos, mas certamente é o ano de avaliação dos apoios políticos e financeiros concedidos nas eleições de 2024, de avaliar propostas para mudanças de partidos, articulações e composições nacionais visando disputas próximas. Há tratativas avançadas para a construção de novas federações, fusão permanente de partidos, troca no comando nacional de partidos importantes, visando ampliar as filiações e fortalecer minimamente o vínculo de confiança entre políticos e povo.

Li o relatório do Edelman Trust Barometer, uma empresa de comunicação global que estuda há mais de 25 anos, por meio de gerenciamento de reputação, a influência da confiança da sociedade no governo, na mídia, empresas e ONGs, lançado em Londres em 25 de janeiro passado, onde o ano de 2025 foi apresentado com uma leitura política preocupante, de um fato que não é novo.

A confiança na classe política foi mencionada como um fator crítico em toda parte do globo e explorada no relacionamento entre governos e as pessoas que dependem de seus serviços. A confiança nas instituições; mídia, governo e classe política em geral, continua a diminuir e a culpa é compartilhada com as próprias pessoas que foram pesquisadas e não conseguem sequer distinguir fatos de informação falsa, um universo de pessoas que se enquadram na categoria de ativismo hostil, sobretudo nas mídias sociais. Ou seja, são pessoas que lamentam, xingam e espalham notícias falsas induzidas por líderes radicais, algoritmos e robôs. 

O relatório encontrou pessoas cautelosas com governos que não cumprem promessas e veículos de mídia que priorizam a espetacularização da notícia em vez de divulgar e esclarecer os fatos relevantes. Ao final, os estudos veem no ceticismo uma força poderosa para a responsabilização e apontam que sem desconfiança, não mantemos as instituições honestas e as democracias fortes. Ainda bem!

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na abertura dos trabalhos semana passada declarou, que 2025 é o ano preparatório para as eleições de 2026. Portanto, um ano semi eleitoral. A Ministra Carmen Lúcia, sempre com apontamentos precisos disse que trabalha “com cuidado especial para garantir ao cidadão informação correta, o ano todo, para que haja, sempre, manifestação de liberdade, não exposição manipulada de ódios e violências”.

Em ano sem eleições, as pesquisas de opinião pública relacionadas a postulantes de candidaturas podem ser livremente encomendadas e divulgadas, sem registro na Justiça Eleitoral.  A artilharia montada em 2025 pelos políticos, na construção de suas reputações pessoais e políticas está apontada para as eleições de 2026 e o TSE vigilante, espera que as mulheres em número expressivamente maior se apresentem para ocupar espaços políticos importantes e não sejam abatidas pela violência política de gênero dentro dos partidos. O TSE promete empenho rigoroso no enfrentamento às ´fakes news` para que estas, não interfiram no resultado das eleições e para impedir que a desigualdade financeira promova, como tem sido, a derrota da representatividade das minorias.

A polarização não parece ser uma manifestação efêmera

Em 2017, o historiador e escritor polonês, Karol Modzelewski, figura proeminente do movimento Solidariedade da Polônia, observou: “Agora existem duas Polônias. Recebemos as mesmas notícias mas não lemos os eventos da mesma maneira. Também não temos os mesmos valores. É como se estivéssemos perdendo nossa linguagem comum. Já não ouvimos uns aos outros e já não falamos uns com os outros. Pior, não queremos mais falar um com o outro”.

Um novo estudo sobre polarização política liderado por cientistas políticos da centenária Brown University, fundada em 1794 nos Estados Unidos mostrou que a polarização – percepções ideologicamente distorcidas da mesma realidade – é mais forte em pessoas com menor tolerância à incerteza em estágios gerais da vida. Isso estabelece que parte da animosidade e mal-entendido que vemos na sociedade não se deve a diferenças irreconciliáveis ​​em crenças apenas políticas, mas depende do grau de incerteza que as pessoas experimentam na vida cotidiana.

As interpretações dos fatos carregados de ideologia distorcida trouxeram consequência terrível para nosso mundo político. Grupos políticos tornaram-se ideologicamente mais homogêneos, distintos e desconfiados das pessoas que seguem do outro lado e as imagens dos apoiadores tornaram-se ridiculamente estereotipadas, para seguir, agradar e mostrar identificação cega com o líder.

Esse recrudescimento ideológico foi trazido para dentro dos lares, para os estilos de vida em sociedade. A diversidade de convivência mingou. Não estamos mais falando apenas de uma política polarizada, mas de uma sociedade dividida onde liberais, progressistas e conservadores cada vez mais se segregam. As pessoas intolerantes e preconceituosas estão mais confortáveis para deixarem escapar ‘suas verdades’, como o pronunciamento gravado da advogada mineira ridicularizando os nordestinos. Todo mal extravasado no discurso sempre existiu na mente da advogada, o momento polarizado a deixou confiante para se expressar.

Não é um bom sinal para a democracia quando as pessoas começam a usar a política para justificar todos os ângulos da vida. O pluralismo político pressupõe que os indivíduos e seus padrões de relacionamento determinam suas lealdades políticas, mas com a política partidária em segundo plano, organizando interesses e identidades, mas não ditando a vida cotidiana e as relações sociais.

Em contraste, quando o partidarismo ideológico assume o controle e afeta substancialmente as relações sociais que as pessoas expressam em público, a polarização partidária se torna esse processo descontrolado, que estamos vivenciando.

É cedo para entender se a atual onda de polarização vai remodelar permanentemente o cenário político e social do Brasil, ou se, ao contrário, é uma  paixão, que em breve vai passar.

O limite do intolerável

A forte divisão política que antecede a eleição do próximo domingo no Brasil tem sido retratada nos noticiários internacionais como uma batalha pelo futuro da democracia na maior nação da América do Sul e muitos analistas temem que aqui possa acontecer cenas idênticas da barbárie que ocorreu nos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021, quando o presidente Biden venceu as eleições e Donald Trump colocou em dúvida o mesmo sistema eleitoral, que o havia elegido e incitou um gigantesco quebra-quebra no Capitólio. Coincidentemente o presidente Bolsonaro tenta deslegitimar o sistema eleitoral que o elegeu deputado federal 7 vezes consecutivas e elegeu também seus três filhos.

Bolsonaro que foi esfaqueado em um comício em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018, não aprendeu nada com a violência que sofreu. Alertado sobre os excessos de suas falas e exemplos o presidente tem minimizado o problema e se eximido de qualquer culpa ou incitação à violência, até mesmo diante das imagens recentes do excelentíssimo empunhando uma câmara fotográfica como se fosse uma arma e disparado: ‘vamos fuzilar a petralhada’. Cenas e palavras de apologia à tortura e violência tem sido constante ao longo do mandato.

A violência política é esse descalabro que tem início na intolerância às diferenças, que tem levado milhares de pessoas a experimentar uma sensação absurda de insegurança para se expressar politicamente.

O Datafolha, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública realizaram uma pesquisa que mostra que 67% da população brasileira está refém do medo da violência política e que, em apenas um mês 3,2% dos entrevistados relataram terem sido vítimas de ameaças por causa de suas convicções partidárias. A ameaça à democracia tem início nesse medo das pessoas de se posicionar, nesse silencio imposto pela divulgação de inúmeros casos de agressões e até mortes provocadas por desentendimento político.

Sabemos que numa democracia saudável se vive num estado que garante a todos os cidadãos a liberdade de se manifestarem e a democracia é o único regime que permite um ambiente de debate respeitoso. O que estamos vendo no país são cenas de irracionalidade, como um carro atravessando uma manifestação pacífica de adversários; o próprio mandatário do país, em reação irada, ao vivo num debate ataca uma jornalista, não se desculpa e abre precedente para um parlamentar aliado ameaçar a jornalista num outro momento. A violência política tem várias caras, várias formas de atingir, de tentar diminuir o oponente, como o caso ocorrido essa semana em Feira de Santana, (BA), onde um candidato a deputado federal teve a fachada de sua casa pichada com a frase racista ‘fique na senzala’; um senhor de Camboriú, (SC) foi morto a socos e pontapés por um jovem de 44 anos após discutirem sobre política em local público, cenas registradas juntadas ao Boletim de Ocorrência.

Até o juiz federal Renato Borelli, responsável pelo mandado de prisão do ex-ministro da Educação de Bolsonaro, denunciou que sofreu ameaças de perfis ligados a grupos de apoio ao presidente. O juiz teve o carro atingido por fezes e ovos, além de uma pedrada. O Conselho Nacional de Justiça recomendou que a Justiça Federal providencie medidas para sua proteção. A Polícia Federal está investigando os perfis dos valentões, até para saber se são homens reais ou se escondem atrás de robôs.

Não, não são dias fáceis, considerando que o número de casos de violência ocorridos devido a intolerância política pode ser imensamente maior do que os relatados na imprensa. A grande maioria dos casos não devem ter sidos notificados, mais um sinal da banalização da violência, num país armado até os dentes. De 2018 a 2022 o número de armas registradas subiu 473% e de acordo com o Anuário de Segurança Pública, 4,4 milhões de armas estão nas mãos de particulares, dos cidadãos do bem que se exaltam à menor contrariedade.

Como não ter medo?

Polarização e o sonho da terceira via

O jogo político de 2022 efetivamente começou. Tento me recluir para ler, pensar, matutar bem a questão, sedimentar minha posição para o ano que vem. Vejamos o que já temos colocado no tabuleiro:

O presidente Bolsonaro já definiu o novo partido (PL), pelo qual disputará à reeleição, o ex-presidente Lula, segue fiel ao partido dos Trabalhadores e ambos aguardam a confirmação das candidaturas que brigam entre si pelo posto cobiçado de terceira via das eleições presidenciais.

Os tucanos escolheram o governador João Dória para ser candidato a presidente, Ciro Gomes não entra em disputa interna no partido, onde é candidato praticamente unânime, o ex-juiz Sérgio Moro, filiou-se ao Podemos e entrou definitivamente na disputa.

Na última semana, o MDB apresentou a senadora Simone Tebet como candidata a presidente. Mulher sensível e engajada, presidiu a Comissão de Justiça no Senado. Se ela se apropriar de um discurso destemido, contemplando as pautas de interesse do público feminino, pode fazer bonito na eleição, considerando a lógica de que as mulheres são detentoras de 52% dos votos.

Detalhes, uns atraentes, outros intrigantes são adicionados aos arranjos para viabilizar as candidaturas majoritárias; de um lado, ideologias que polarizam crônicamente as discussões e do outro lado, as tais federações que devem unir num bloco só vários partidos para reforçar determinadas candidaturas. No âmbito da polarização, pelo que temos percebido nas pesquisas, Bolsonaro e Lula somados deixam espaço apenas para mais um candidato com chance de ser bem votado e interferir no resultado do primeiro turno. Esse voto, no terceiro colocado, será o voto útil, ao qual muitos amigos e analistas tendem convergir como opção.

Muito difícil porém, combinar esta estratégia com os eleitores não ideológicos, que embora queiram evitar um segundo turno polarizado entre Lula e Bolsonaro, estão espalhados e alheios, esperando as pesquisas sinalizarem crescimento real de Dória, Ciro, Moro, Simone, Mandeta ou quem mais surgir.

Localmente, não vivemos o cenário de polarização e a reeleição do governador Mauro Mendes é aparentemente tranquila, se o prefeito Emanuel Pinheiro não entrar efetivamente na disputa, como candidato, ele próprio. Nomes do agro, depois do case de sucesso do Blairo Maggi, vão surgir sempre, mas eleição de governador não é assim tão simples; eu quero, eu vou.

Como sabemos, Blairo era um nome conhecido nacionalmente como empresário, destacou-se quando foi suplente do senador Jonas e viabilizou-se politicamente com apoio de grandes nomes da política de Mato Grosso. Balbinotti, sem grupo de apoio, contando com possível amizade à distância com o presidente da República, não segura uma candidatura ao governo, deve estar ensaiando vôo para a Câmara Federal.

O prefeito Zé do Pátio é considerado um forte candidato ao governo, embora não tenha admitido isso ainda, viria apoiado por uma frente progressista vigorosa e protegido pela figura jurídica da federação, que obrigaria diversos partidos a apoiá-lo em nome da manutenção e fortalecimento da candidatura do ex-presidente Lula.

Mas, intempestivo, começou mal, atropelou o Partido dos Trabalhadores ao anunciar a criação de um comitê pró-Lula e avocar para si a coordenação da campanha no Estado, onde o Partido dos Trabalhadores tem uma bancada respeitavel de deputada federal (Rosa Neide) e dois deputados estaduais (Lúdio Cabral e Valdir Barranco).

Fora da majoritária observa-se o espaço que pode ser deixado na disputa de deputado federal com a saída do deputado Neri Geller para concorrer ao Senado. O grupo PSD/PP, que tem se mantido unido e ampliado a força com a eleição do senador Carlos Fávaro, não deve abrir mão de manter o espaço e tem cacifado o deputado Neri para acirrar o embate com o senador Wellington Fagundes em torno da única vaga oferecida ao Senado.

O senador Wellington Fagundes tem o palanque reforçado pelo correligionário Bolsonaro, o que é importante num estado que tem 141 municípios e 122 deles deram vitória a Bolsonaro em 2018.

Porém, a realidade hoje é outra depois de 616 mil mortos pela Covid e descontrole no aumento do custo de vida, com a gasolina em alta de 40% no ano de 2021, empurrando a inflação de setembro para 10,25%, o maior índice dos últimos 27 anos. Isto sim, pode ser determinante numa eleição.

Lembramos que análise política não deve ser guardada nem para a semana seguinte. Retrata o momento em que a conversa acontece e muito pouco além.