A sua peculiar maneira de falar, certa vez, o presidente americano Donald Trump, tentou explicar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia: “Às vezes, você vê duas crianças brigando feito loucas, elas se odeiam, brigam em um parque e você tenta separá-las, elas, porém, não querem ser separadas. Às vezes, é melhor deixá-las brigar um pouco.” Hoje, com essas palavras, poderia estar falando de si e de seu ex-amigo bilionário Elon Musk, que se envolvem numa briga, com trocas de insultos públicos.
Embora a mídia americana e observadores políticos venham especulando que Donald Trump e Elon Musk acabariam se desentendendo, poucos previram a velocidade e a ferocidade com que a briga explodiu nas redes sociais. Afinal, trata-se do relacionamento político conveniente de dois homens com egos gigantes, que não suportam ser contrariados.
Elon Musk financiou parte da campanha de Trump e emprestou-lhe a imagem do homem visionário que abriria o caminho da vida em Marte. A poderosa aliança política e empresarial iniciou com a solidariedade e promessa de apoio de Elon Musk a Donald Trump logo após a tentativa de assassinato do presidente americano. De acordo com o site de monitoramento de financiamento de campanha Open Secrets, ao longo do último ano, as doações de Musk a Trump e outros republicanos foram enormes, totalizaram US$ 290 milhões de dólares. Por isso Elon Musk fala de ingratidão.
A rixa entre o presidente e seu ex-assessor, Elon Musk, veio à tona, após o bilionário da tecnologia criticar o projeto de lei de impostos e gastos públicos, peça central do governo de Trump. Aí, o parquinho literalmente pegou fogo. Trump decepcionado com as críticas anunciou isso que poderia ser o fim de seu ótimo relacionamento com o bilionário. Musk não demorou e acusou o presidente de ingratidão, acrescentando inclusive, que sem ele Trump teria perdido a eleição.
Esses relacionamentos que incluem financiamento político, contratos governamentais, relações pessoais torna complicado o fim da aliança e, independentemente do rumo que a discussão tome, têm o potencial de prejudicar a ambos de várias maneiras. Segundo matérias veiculadas na mídia americana, embora conhecesse o projeto de lei dos gastos desde a sua concepção, Elon Musk estava em pleno lobby no Senado, o que é legal nos Estados Unidos desde 1946, contra o próprio governo, argumentando que o projeto aumentaria irresponsavelmente a dívida dos Estados Unidos e chamou o projeto de abominação repugnante.
Trump defende-se acusando Elon Musk de estar chateado porque seus negócios privados seriam afetados e ameaçou cortar os contratos governamentais de Elon Musk. O parquinho continuará em chamas. Elon Musk deu a entender que poderá investir muito dinheiro na oposição a Trump, inclusive aventando a possibilidade de criar um partido. Trump pode não ter muita vantagem sobre o homem mais rico do mundo no curto prazo. Cancelar ou rescindir contratos governamentais seria um processo legal complicado e demorado, e por algum tempo, o governo dos EUA continuará fazendo negócios significativos com as empresas de Elon Musk.
O que acontece quando a pessoa mais rica do mundo e o político mais poderoso têm uma briga tão acirrada? O mundo está observando e não é um cenário bonito. Donald Trump e Elon Musk voltaram seus megafones um contra o outro em uma guerra de acusações, mentiras, exageros e ameaças. O preço das ações da Tesla despencou 14% dia 04 de junho, porém, Musk insiste no pedido de impeachment de Trump e o desafiou a cortar abruptamente o financiamento de suas empresas.