Qualidades que políticos modernos devem ter

2024 será o superano das eleições no mundo. Cerca da metade da população mundial, 4 bilhões de eleitores, em 80 países, segundo cálculos da Agência France Presse-AFP irão às urnas em 2024, incluindo Estados Unidos, Rússia e a Índia, com incríveis 945 milhões de indianos convocados para as eleições gerais neste país que é o mais populoso do planeta com 1,428 bilhão de pessoas.  

No dia 6 de outubro, data do primeiro turno das Eleições Municipais 2024, 152 milhões de eleitores estarão aptos a votar para prefeito, vice-prefeito e vereador em 5.568 mil municípios do país, lembrando que as eleições municipais são estratégicas para partidos e políticos para o planejamento das eleições gerais de 2026.

Mato Grosso tem mais de 2.5 milhões de eleitores aptos a votar. Cuiabá representa 17,4% do eleitorado total do estado com 439 mil eleitores.

Uma boa combinação de certas características pessoais, habilidades e talentos são necessários para determinado profissional, empresário, cantor ser bem-sucedido. Mas será que o mesmo se aplica à política, à ciência e à arte de governar? A política é uma atividade muito importante, cujas ações e determinações são imprescindíveis para desenvolver cidades, comunidades e nações.  Por enfrentar muitas críticas e pressão implacável o universo da política é muitas vezes desgastante.    

Os políticos têm as maiores responsabilidades nas sociedades democráticas, mas a maioria deles não está necessariamente equipado com as qualidades e competências ideais. Algumas qualidades que bons políticos modernos devem ter incluem honestidade (alguém que honra os seus compromissos), autoconsciência, deferência para com os outros (colocar os outros em primeiro lugar) e alguém que cumpre com o que diz.

Se olharmos para os políticos em geral, raramente os vemos com estes traços ou qualidades de personalidade. Muitos ainda são literalmente analfabetos outros justificam a corrupção, colocam os seus próprios interesses em primeiro lugar e raramente cumprem o que prometem.

Por esta razão muitos cidadãos optam por não participar da vida política e também por se sentirem frequentemente ignoradas ou com poder limitado para influenciar uma mudança ou tomada de decisões. Outra barreira é a pobreza, a lida diária para sobreviver. As pessoas comuns precisam correr atrás do ganha pão e concentram suas horas em atividades de sobrevivência.

De toda forma a política é inegavelmente atraente. No livro ‘Como não ser um político’, o autor, um ex diplomata, ministro britânico e deputado por oito anos, Rory Stewart, fala de si mesmo, um homem genuinamente decente, com um desejo real de alcançar resultados políticos positivos, que se sentiu desconfortável por ter que conviver com a hipocrisia política e com a ignorância dos colegas que o rodeava. Deixou a lição de que a política é uma cultura que privilegia a campanha em detrimento de uma governança cuidadosa, pesquisas de opinião são mais importantes do que debates aprofundados sobre políticas e que anúncios são feitos onde nada é implementado.

Nada a fazer. As eleições se aproximam e até a ONU tem publicado artigos e chamamentos orientando as pessoas a se informarem e participarem ativamente dos pleitos eleitorais.

A política não é uma escola de produzir vilões

As pessoas, cenários e eventos não estão congelados no tempo. Eles são processos e os processos, por definição, são sujeitos a mudanças constantes e evoluções em muitas direções.

Além disso, eles carregam em si um monte de contradições. É exatamente isso que torna o processo político dinâmico, contraditório e apaixonante.

Nas últimas semanas assistimos uma série de eventos, encontros e falas verdadeiramente impactantes. Pesquisas de intenção de votos, possibilidades de coligações inimagináveis, alinhamentos de discursos, comparações com situações de um passado recente e fotos, muitas fotos para mostrar que estão se movimentando, mudando de cidades e de palanques.

E você engrossa o percentual dos eleitores que diz que não acompanha a política e sequer se importa em conhecer os candidatos. Isso não pode ser sério! E o que significa seu desinteresse para a política e para a democracia?

Todos nós formamos expectativas e acabamos ficando desapontados com o corporativismo, com a corrupção, com os perfis simpáticos criados para enganar o cidadão. Lembre-se que os políticos saem do nosso meio, não possuem poderes mágicos para resolver nenhum problema e são, assim como eu e você, pessoas imperfeitas. Não são, portanto, heróis infalíveis nem vilões.

As candidaturas podem ser marcadas por polêmicas, mas que sejam também repertórios de boas demandas. O ambiente onde transitam os políticos não são arenas de guerra. O que implica contudo assegurar, que este não é um mundo de evidências gentis.

Leituras e estratégias colocadas à luz do dia exporiam obstinação e teimosia, traições e negações, que faria qualquer explicação, mesmo de gênios brilhantes, perder-se.

As pesquisas divulgadas enfatizam a falta de interesse dos cidadãos pela política, a desconfiança nas propostas e apontam a tendência de elevado número de pessoas a anular o voto. Claro que isso é lícito mas é angustiante o desperdício da oportunidade, num momento que o número de eleitores aumenta e encolhe o interesse e a confiança na política. Esse abismo real precisa ser revertido.

Em meio as todo esse barulho, ouso afirmar que a sede do governo, do Parlamento estadual e do Congresso Nacional não são escolas que produzem vilões. Façamos uma distinção. Os que por ventura estão lá foram pinçados equivocadamente da sociedade e merecem ser alijados do sistema, por serem assumidamente brandos no exercício do poder, desleixados ou por manterem-se perto demais de interesses conflitantes.

Pode ser que não tenhamos debates públicos apaixonantes, que sejam então civilizados e atraentes porque o público está efetivamente disperso e eventualmente pode despertar para votar em candidatos independentes o suficiente para sustentarem suas candidaturas fora do sistema de alianças tradicionais.

Uma moral em casa e outra na praça

Precisamos acordar com o sentimento de que algo bom irá acontecer, mesmo que ao longo do dia nossa esperança seja alvejada por fatos imprevistos e negativos.

Não alienar-se, nem tampouco entregar-se à sensação de que caminhamos para o fim do mundo, diante dos fatos que têm abalado nossos dias. Como escreveu Benedetto Croce, filósofo italiano, que foi senador em seu país: política não se faz com água benta, mas em nenhum caso, é lícito romper a fé.

Para além do inferno das delações e operações, a vida pulsa e a cidade, o Estado e o país não podem parar.

Na coluna do economista Ricardo Amorim, uma boa nova. O PIB de Mato Grosso deve crescer mais de 5% neste ano capitaneado pelo agronegócio, claro. Na contramão da notícia de Amorim, os indicadores sociais apontam que o Brasil acaba de ganhar exatamente 5,9 milhões de novos pobres.

Geraldo Alckmin lança-se efetivamente candidato à presidência da República e quer antecipar a agenda de campanha percorrendo a BR-163, de Santarém até Cuiabá, para avaliar a questão da infraestrutura no país.

Há general do Exército ameaçando intervenção militar se o Judiciário não conseguir solucionar os problemas dos políticos com a corrupção. O general já levou bronca do superior que, em nota, reafirma o compromisso da instituição com a legalidade, estabilidade e legitimidade.

Sabe que está rolando o maior festival de música do planeta no Rio de Janeiro? O Rock in Rio é um show também de diversidade e política. Onde a dragqueen brasileira, Pabllo Vittar dividiu o palco com estrela internacional e levantou o público com danças ousadas e muito carisma, mas o coro que tem unido a galera, é político: “Fora Temer”.

Tento ser otimista, porém, o ânimo se arrefece quando leio que Bolsonaro e Magno Malta lideram a votação popular para eleger o “Congressista do ano”. O consenso é sempre condicionado às circunstâncias, e neste caso é também humilhação à pátria.

Haveremos de caçar jeito de viver, de aprender com os erros nossos e dos outros e estabelecermos um parâmetro novo que nos impeça de avançar o sinal, mesmo quando o momento parecer propício e vantajoso.

Reconheço a inquietação e desordem do momento e qualquer análise crítica e séria deve passar pela construção das novas relações necessárias para elaborar um novo projeto de desenvolvimento para o país porque, da forma que está, o Estado brasileiro está incontrolável.

Eu nunca vi estes diálogos acontecerem, embora toda filosofia política prega que no âmbito do Estado, a vida política se constitui de um processo de elaboração permanente de diálogo. Quem sabe agora?

O ponto no qual chegamos deve ser tão discutido quanto à necessidade de encontrarmos uma forma de seguir adiantenuma concepção democrática de responsabilizar quem deve ser responsabilizado, cobrar ressarcimento de quem levou vantagens indevidas, garantir o direito pleno de defesa ao que sente-se injustiçado.

Mas, a vida não pode parar, as instituições não devem ficar estagnadas apesar de terem sido atingidas em sua essência. Não há mais como ter uma moral em casa e outra na praça.