A natureza do homem é julgar

Não julgue os outros. Isso é obviamente mais fácil falar do que praticar. Muitas pessoas alimentadas pela insegurança desdenham o trabalho dos outros, veem erros, culpas e má-fé em tudo. Isso os faz pensar que fariam melhor, que produziriam melhores resultados, mas será que a estratégia de colocar os outros para baixo para construir a própria auto estima dá certo? Dificilmente.

Em vez de aceitar incondicionalmente as pessoas por quem elas são, optamos por julga-las. Há muitas razões que nos levam a cair nessa armadilha. Podemos julgar os outros porque não compartilhamos o mesmo pensamento; por que esperamos o pior e na maioria das vezes, porque queremos prejudicar alguém.
Quase todos os pontos mencionados expressam uma visão negativa, pessimista ou fatalista, porque o julgador não espera as coisas fluírem para avaliar, ele não tenta entender o mecanismo de funcionamento do sistema. Precipitadamente ele enxerga o caos porque no fundo ele quer mesmo que tudo dê errado. Há sempre quem culpar.
Somos rápidos para encontrar defeitos nos outros e pronunciar o nosso julgamento sobre eles, sem levar em conta os nossos próprios defeitos ou lidar com nossos problemas, quando somos confrontados.

O ideal seria não julgar ninguém, tampouco a nós mesmos. Devemos ser encorajados a melhorar nossa própria performance diante dos outros e nos nossos afazeres e gastar menos tempo julgando, tentando corrigir ou alterando o que não se encaixa nos padrões que determinamos como corretos.
Sempre que você se pegar julgando, criticando, tente uma abordagem diferente: aceita, entenda e coopera. Isso pode levar a alguns resultados bem mais positivos.

Isto pode ser aplicado a qualquer coisa que você faz: seja com as outras pessoas no trabalho, na política e na mídia. Quando as pessoas dispõem de fórum para debates e não utiliza as ferramentas adequadamente, partindo para o julgamento peremptório ou afobado, incorre em erros, se deixa levar e não contribui. O que faz alguém crer que apenas ela tem o poder de ver o que está errado? Um visionário?
Às vezes somos rápidos para julgar ou formar uma opinião sobre os outros, sobretudo quando nós não conhecemos as motivações. Julgamos e condenamos antes de conhecer os fatos ou verdades sobre um assunto. Há uma citação de Booker T. Washington, que diz: “ Eu não permito a nenhum homem diminuir e degradar minha alma fazendo-me odiá-lo”. É isso que às vezes fazemos quando julgamos os outros, degradamos a nossa própria alma.

Devemos nos importar pouco com o Julgamento dos outros. Os homens são tão diversos quanto contraditórios e é impossível atender as suas demandas vaidosas e satisfazê-los.
Seja autêntico e verdadeiro. Esqueça a plateia, as bravatas e não discuta os erros dos outros apenas para sentir-se a melhor pessoa do mundo. A tendência de julgar uma pessoa como alguém que não tem qualidades positivas é uma estratégia do ego para evitar sentimentos desconfortáveis, são falas para provocar reações emocionais.

Se você julga as pessoas, você não tem tempo para amá-las, teria dito Madre Tereza de Calcutá.

É preciso abandonar a zona de conforto

Para vivermos nossos sonhos, devemos nos esticar para além da nossa zona de conforto e experimentar coisas novas, mesmo quando não sabemos como elas vão terminar. É importante se abandonar ao medo do desconhecido e confiar que seremos capazes de lidar com os obstáculos e desafios. Nem sempre isso significa saltar sem uma rede de proteção, sem qualquer apoio ou conhecimento do que você está fazendo. Significa simplesmente, dar pequenos passos na direção em que você quer ir.

Pessoas que só assumem o que elas sabem que pode fazer bem, são as que vivem dentro da zona de conforto. É uma tendência natural que as pessoas queiram ficar cômodas e seguras dentro de suas realidades habituais, mesmo sendo, às vezes, infelizes. Mas a segurança deve ser encontrada dentro de nós mesmos. Segurança para participar, contestar, entender e mudar. Sair da zona de conforto é o melhor método de promover o crescimento pessoal e profissional. Pisar fora do barro que amassamos todos os dias demanda coragem e determinação. O crescimento, obviamente será proporcional à mudança que promovemos ou ao desconforto que talvez, estejamos querendo experimentar. Eu aprendi a crescer numa sensação, às vezes incômoda, de desconforto. Os desafios não vem mansos e se a mudança não assusta, talvez ela não esteja de fato acontecendo.

Não adianta fazer um acordo consigo para deixar a zona de conforto, é preciso comprometer-se a experimentar um caminho novo, vencer medo, ver para além da fronteira do que os olhos enxergam. Conhecendo bem a si mesmo, você sempre identificará o momento oportuno para uma grande mudança. Cometer erros e de forma responsável aprender com eles é parte desse exercício.
É preciso, assim muita coragem para dar um passo atrás de um trabalho ou produto que não estão totalmente prontos. Mas pensa no prazer imenso de lapidar algo com seu conhecimento, com sua perícia. Como será ser desafiado, estar completamente desconfortável fora da sua zona de proteção? Não é bom estar animado, correspondendo à novas expectativas, lidando com novas estratégias?

A nossa natureza conservadora impede nosso movimento e nossa interação com o que é novo. Mas vale espiar e conhecer novos valores, culturas diferentes, novas políticas que estão sendo implementadas aqui e ali. Não deixa, porém, de ser um desafio encontrar pessoas cujos valores se assemelham aos nossos, mas se quisermos crescer, há um vasto mundo de possibilidades também nos espiando. A zona de conforto nos protege de perigos, muitas vezes, apenas imaginários. Perceba que sair da sua zona de conforto pode ser também divertido, apesar do que sua mente medrosa pode estar dizendo antes de você começar. Mas lá atrás, todos nós um dia começamos algo novo e certamente temos muitas memórias positivas dos riscos que corremos e das chances que aproveitamos. Nada excitante, divertido e importante acontece quando nos calamos.

Muitas pessoas se dispuseram a sair de suas zonas de conforto na semana passada, para discutir temas polêmicos, que podem interferir diretamente na vida dos indivíduos. Sair da zona de conforto também significa estar mais envolvido nas conversas, exercitar pessoalmente os direitos, sensibilizar-se com as situações sociais, ir ganhando coragem, se expondo gradualmente, independentemente de quem você é, onde você mora.
Vivenciar a cultura de apoiar, encorajar e promover a tomada de risco e incerteza, vai deixar você mais corajoso quando chegar a hora de pular de cabeça rumo ao desconhecido.

Mas se você olha para o caminho que você está seguindo e gosta de onde você está, você pode aproveitar o passeio. Mas se você não gosta do destino, a única solução é abandonar sua zona de conforto, saltar e mudar para uma nova pista.

A natureza do amor

O amor desempenha um papel enorme e inevitável em nossas culturas. Discute-se o amor no filme, na música, na novela, de forma séria e densa, ou com certa ironia. É um assunto constante no amadurecimento de nossas vidas, com um tom quase sempre vibrante. Dia 14 de fevereiro ocorre a celebração do amor quase no mundo inteiro. Isto remonta aos tempos antigos, quando as pessoas pagavam honras ao deus romano da fertilidade. Outras lendas envolvem o nome de Saint Valentine ou Valentinus. Em algumas teorias ele aparece como sendo um padre que fazia casamentos escondidos do Imperador Romano Claudius II, que preferia que seus guerreiros fossem homens sem famílias.

A natureza do amor tem sido, desde o tempo dos gregos, um esteio na filosofia, produzindo teorias que vão desde a concepção materialista, em que se vê o amor como um fenômeno puramente físico, um desejo ou elemento genético que determina nosso comportamento, até as teorias do amor intensamente espiritual. O tratamento filosófico transcende uma variedade de explicações, em formatos de declarações ou argumentos sobre o amor e sua natureza e papel na vida das pessoas.

O amor deve transcender o desejo sexual e a aparência física? Como podemos conhecê-lo, compreendê-lo a ponto de fazer declarações sobre o que sentimos pelo outro? Novamente, ele é retratado intimamente ligado às emoções. Mas seria ele uma condição puramente emocional? Sócrates argumentava que vislumbramos o amor, porém sua verdadeira essência pode não ser compreendida por todos.

Outro ponto de vista seria que, aqueles que não o sentem ou nunca o experimentaram, são incapazes de compreender a grandeza do amor e, por isso, sentem apenas desejo físico. Isso porque o sentimento seria para os que possuem as faculdades mais elevadas. Para viver o amor romântico é necessário adentrar-se em outras esferas. Ele é considerado um estágio mais elevado do que a atração sexual ou física por si só.

Um estudo importante, realizado por John e Julie Gottman sobre relacionamentos, constatou que os casais que apresentaram sinais mais evidentes de amor e felicidade são aqueles que nutrem grande amizade um pelo outro. Numa relação amorosa, a amizade permite que cada um seja conhecido como um indivíduo. Sentir que seu parceiro está interessado em conhecer você e dedicar-se a conhecê-lo melhor, faz com que o amor seja mantido vivo e a chama da paixão permaneça forte.

Um casal alimenta a amizade quando trava conversas interessantes e íntimas, porém simples. Basta perguntar ao seu parceiro como ele está se sentindo para criar um diálogo e construir a ligação emocional. Afinal, no relacionamento, cada um deve trazer mais do que o sexo para a vida do outro. A vida a dois deve ser recheada de momentos de diversão, aventura, conversa, carinho e apoio. A conexão deve dar-se em vários níveis. Isso vai aprofundar a natureza do amor dentro do relacionamento. Segundo o estudo dos Gottman, quando os rituais de conexão amorosa são bem feitos num relacionamento, ajudam os casais a celebrarem seus vínculos e ficarem juntos apesar de todos os tipos de provações.

Em todos os textos prevalece a ideia do amor romântico, que na versão de Aristóteles, faz duas pessoas encontrarem no outro a alma das virtudes. O amor, ainda segundo Aristóteles, é algo exclusivo, porque seria um excesso de sentimentos que se revela numa só pessoa.

Homens aprisionados

Um trecho da República, de Platão, a “Alegoria da Caverna” é uma figura de clássica alegoria à condição humana. É uma história que mostra como a verdadeira realidade nem sempre é o que parece ser na superfície. A alegoria da caverna é um diálogo fictício entre Sócrates e Glaucon, irmão de Platão.
Três prisioneiros foram acorrentados no interior de uma caverna durante muito tempo. Eles foram acorrentados com a cabeça virada contra a parede da caverna e tudo o que podiam ver e ouvir eram as sombras, estampadas nessa parede dos objetos carregados por aqueles que passavam às suas costas, à frente de uma grande fogueira e os ecos dos ruídos vindos do mundo exterior. Esta era a única realidade que eles conheciam.
Então um dia, um prisioneiro consegue libertar-se.

Ele está cego pela luz fora da caverna e espantado ao ver uma realidade completamente nova de pessoas, animais e objetos que ele nunca conheceu. Ele volta a caverna para contar aos amigos prisioneiros a notícia, mas para seu espanto eles não acreditam que existe outra vida lá fora e para eles o mundo das sombras é a única realidade. A alegoria da caverna serve supostamente para explicar como algumas pessoas ainda vivem acorrentadas em uma caverna e o que podemos fazer para nos libertar da escuridão e alcançar o entendimento e a verdade e como podemos escolher entre ser um homem sem dote ou o rei das sombras.

A alegoria da caverna insinua que nossa tragédia reside simplesmente na nossa recusa em reconhecer que vivemos em uma certa condição de prisão perpétua, agarrando-nos às imagens e sons das sombras e fechando os olhos para a realidade.
A alegoria inteira poderia ser interpretada em múltiplas dimensões; misticamente, psicologicamente e politicamente.

A consciência é o primeiro passo no processo de compreender os fatos, sair da escuridão e enfrentar o mundo real com posicionamento, sem negligência. Ao nos libertarmos das ilusões que cegam passamos a existir dentro dos princípios que acreditamos válidos.
À medida que as decisões dos outros afetam ou beneficiam nossas vidas, devemos procurar entende-las. Esse entendimento, em seguida, nos dá a oportunidade e liberdade para mudarmos as coisas que queremos mudar. Não devemos viver fora do âmbito da comunidade e dos governos da nossa cidade. Mas para tomar decisões e fazer escolhas temos que ter certa percepção do mundo.

Percepção realista do mundo de hoje inclui todos os sinais de alerta. Não devemos ter medo de sermos inadequados, não devemos temer o poder dos outros, não podemos permitir que a nossa luz nos assuste.

E você, como está percebendo o mundo? O que está acontecendo a sua volta? Você sente as ações do governo no sua vida cotidiana? Ver o mundo como ele realmente é, sem nenhuma mediação imposta é um sonho perseguido desde a Antiguidade.

Percepção, em termos simples, é a compreensão ou a consciência de algo por meio de um ou mais dos sentidos – visão, audição, tato, paladar e olfato. Você pode, por exemplo, perceber a presença de uma pessoa em uma sala, porque você testemunhou com seus próprios olhos, ouviu passos ou sentiu a vibração de alguém andando pelo chão. Essa seria uma percepção básica do nosso mundo físico.
Assim, suas percepções gerais não são apenas sobre como você percebe o mundo ao assistir notícias, mas como você está respondendo ao mundo que você percebe através das notícias. Você está vendo e respondendo ao mundo com bondade, sem julgamento, respeito e compaixão ou através da lente da insegurança, preocupação, resignação, medo ou raiva?

Portanto sair da caverna é aceitar a luz da percepção, compreender o mundo, aprender o funcionamento da estrutura básica dos negócios, da política e da vida. Porque o que aprisiona o homem é a incerteza diante do descortinar do novo dia, o que aprisiona o homem é a não deliberada vontade de romper, de seguir um rumo, de ser livre.
O homem aprisionado não vê adiante, não rompe com conceitos estreitos, fica lá furtivo e silencioso, olhando a vida através da sombra estampada na parede da caverna.

As metas da Declaração do Milênio

No ano de 2000, representantes de 191 países assinaram em conjunto com as Nações unidas, a Declaração do Milênio; um compromisso, considerado importantíssimo para libertar a humanidade da extrema pobreza, do analfabetismo e da fome. Definiram então 8 metas a serem alcançadas até o ano de 2015:

Erradicar a extrema pobreza e a fome;

Atingir a meta universal de conclusão do ensino básico;

Promover a igualdade entre homens e mulheres;

Reduzir a mortalidade infantil;

Melhorar o atendimento a saúde materna;

Combater a AIDS, Malária e outras doenças;

Garantir a sustentabilidade ambiental e

Desenvolver parcerias globais para o desenvolvimento.

No relatório emitido em 2011, assinado pelo Sub- Secretário Geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Relações Sociais, Sha Zukang, está o detalhamento da avaliação severa dos avanços ou cumprimento das metas. Ao ler o relatório fica claro que muitas vidas foram salvas ou mudadas para melhor desde que os líderes mundiais assinaram a declaração, que ajudou a definir as prioridades nacionais e depois globais. A pobreza diminuiu em muitos países devido as intervenções focadas nas áreas críticas citadas. A meta estabelecida  para 2015  é baixar a taxa de pobreza global para 23% e com esforço redobrado trabalhar com a possibilidade de 15%. Ser pobre, do sexo feminino e ainda viver em uma zona de conflito aumenta
a probabilidade de que a criança vai estar fora da escola, entretanto a taxa de escolarização de crianças na escola primária subiu 7 pontos percentuais desde 1999.   As ações direcionadas conseguiram também reduzir a mortalidade infantil, sobretudo devido a melhora na cobertura das vacinas. As incidências de morte por malária foram reduzidas em 20% em todo o mundo e essa meta foi atingida com intervenção rígida dos agentes comunitários de saúde, governos e parceiros. Novas infecções pelo HIV estão diminuindo de forma constante, graças ao aumento dos valores destinados a pesquisas e aumento do número de pessoas recebendo terapias, o que tem reduzido o número de mortes relacionadas à AIDS. O progresso tem sido desigual na melhoria do acesso a água potável  e o esforço para garantir isso não surtiu ainda o efeito esperado, muitos países e comunidades encontram-se vulneráveis. As oportunidades de emprego em setores produtivos continuam a castigar as mulheres. O homens preencheram quase todas as vagas, especialmente no mundo em desenvolvimento. Os avanços em saneamento ignoram os pobres e há aproximadamente 828 milhões de pessoas no mundo, vivendo em condições de favelados.

Os líderes mundiais que se reuniram em 2010 para a análise do documento reafirmaram o compromisso com a paz, igualdade, equidade e sustentabilidade e chamaram a atenção para os desafios de estancar as desigualdades e assegurar o acesso de mulheres e meninas à educação básica, serviços de saúde e oportunidades de trabalho. No site do Ministério das Relações Exteriores o assunto é tratado dentro do panorama internacional e o Governo Brasileiro mostra-se comprometido no cumprimento de tais metas, porém enfatiza que é necessário mais empenho dos países ricos para ajudar os mais pobres a vencerem as mazelas da pobreza. Faltando apenas 03 anos para findar o prazo estabelecido no documento, o Brasil anuncia que cumpriu a meta imposta pela ONU de reduzir em 50% o número de pessoas que passam fome. Agora o objetivo é erradica-la. A última década foi de transformação notável e de crises aparentemente intermináveis. Nós vimos milhares de pessoas saltarem da pobreza para as fileiras da classe média, mas enfrentamos problemas persistentes como as doença, pobreza, crises financeiras e guerras. Talvez precisamos mesmo de líderes, que estejam dispostos a enfrentar esses desafios.

O engajamento político deve ir além do ato de votar

Como mudar o mundo? Aqueles que estão preocupados com os rumos perigosos do desenvolvimento global estão questionando isso com certa veemência porque as instituições têm-se revelado muito tímidas nas reunião que tratam dos desafios ambientais e sociais do nosso tempo. Ainda bem que, sonhadores, podemos imaginar o despertar de um novo ator social: um movimento coordenado de cidadãos globais que lutam em todas as frentes tentando construir uma civilização planetária justa e sustentável.

O Projeto Carnegie encomendou uma análise oportuna sobre a formação dos valores, conhecimentos, habilidades e motivação que garantam o engajamento político e cívico das pessoas ao longo de suas vidas. A preocupante queda na participação dos jovens nos processos eleitorais é uma justificativa e tanto para os programas de engajamento cívico e político, a exemplo do próprio projeto da Carnegie.

Estas são questões legítimas, que lançam desafios de longo prazo tentando aumentar a participação do indivíduo na política. Mesmo se todos os jovens adultos que já confirmaram suas intenções de votar comparecerem nas cabines de votação, não devemos anunciar que a missão foi cumprida e desmantelar os nossos programas. O fato de que jovens de hoje votam menos que os mais velhos fizeram na mesma idade é apenas uma peça de um poderoso conjunto de razões para incentivar a cidadania engajada.

A necessidade de esforços engajamento contínuo deve ser forte e vigilante, para a reversão dessa realidade num agradável ponto de dados mostrando o aumento de voto entre os jovens. Impossível? Não. Porque mesmo assim, muitas categorias ainda estariam sub-representadas nas urnas. Então, ao invés de descansar, qualquer ascensão na votação entre os jovens adultos deve incentivar novos trabalhos, particularmente para que nenhum grupo se sinta excluído do processo político.

Embora a participação dos eleitores seja certamente importante, existem outras razões para observar atentamente e apoiar os esforços de engajamento cívico e político. Todos os cidadãos são absolutamente necessários para a legitimidade da governança democrática e para reforçar nossa cultura democrática. Na excitação de uma campanha no entanto, é preciso também se preocupar com a qualidade geral da participação dos eleitores. E essa preocupação pode ser externada no trabalho para aumentar o conhecimento político relevante, as habilidades e motivações que podem apoiar a cidadania empenhada e eficaz. Todo esforço para validar o engajamento político serve para promover valores cívicos que apoiam a participação política plena.

Não temos um cenário ideal de participação democrática nas eleições e portanto muito trabalho está por vir. Se melhorarmos a qualidade geral da nossa participação na vida política, onde a democracia é entendida como a meta definitiva, também precisamos continuar a promover o voto e outras variedades de modos de participação que contribuam para uma cultura democrática e vibrante do desenvolvimento do cidadão. Nós também precisamos ir além da mera contagem de votos. Jovens e adultos devem decidir através de atos políticos, como e por que eles devem exercer voz e influência política.

As campanhas políticas são momentos fragmentados e impotentes para alavancar a transformação holística, para criar uma visão alternativa e estrategicamente eficaz que possa despertar a consciência e propor uma nova forma de organização política. A medida que evoluímos com um projeto que deve promover uma política de confiança, também selamos um compromisso de unidade e equilíbrio com os movimentos populares, que desenvolveram inúmeras identidades nacionais mais nclusivas e conscientes. Podemos observar o prenúncio do movimento no coro crescente dos cidadãos associados chamando para uma mudança fundamental do curso de nossas vidas.

Organizações e indivíduos têm trabalhado assiduamente em toda a extensão dos problemas ambientais e sociais que o mundo enfrenta. Os grandes encontros anuais do Fórum Social Mundial, os protestos em todo o mundo contra as guerras, os movimentos globais por justiça social e meio ambiente, além de campanhas coordenadas para influenciar a política internacional são as expressões tangíveis da crescente preocupação do público.

E como nos aproximamos dos governos da nossa sociedade global? Uma resposta adequada deve abordar a participação efetiva e consciente do cidadão no processo eleitoral local, enfrentar os desafios contra a fragmentação da nossa ordem política, fazer coro na ladainha de críticas dos problemas supra-nacionais, como; mudança climática, estabilidade financeira, o conflito cultural, comida, segurança, o esgotamento dos recursos naturais, a globalização econômica e a lista continua…Imagina o avanço de um movimento global de cidadãos preocupados, articulados e envolvidos na promoção da mudança, representando de fato o surgimento da sociedade civil engajada, onde o envolvimento político iria muito além do ato de votar.

Talvez nos encontramos hoje no meio de uma crise eleitoral, onde a fé e confiança em nossos sistemas de voto estejam corroídas. Mas, se a democracia significa o governo por, de, e para todas as pessoas, e não apenas para uns poucos privilegiados, temos de estar preocupados com aumento da inclusão das vozes e dos votos que exercem influência em todas as arenas políticas.

Feliz ano de resoluções práticas e tangíveis

 A confiança sempre foi a base da promessa. A crise de confiança que estamos vivendo faz entrar em colapso todo nosso processo de segurança. Sem confiança nossa estrutura racha. A confiança é um conceito interessante. É o que mantém em funcionamento as estruturas da sociedade. Evolutivamente falando, devemos confiar para sobreviver. A confiança exige discrição, tato, transparência, trabalho bem feito, engajamento  e reciprocidade.  E então, curiosamente o que nos leva a não confiar em nossos próprios projetos e consequentemente em nós mesmos?

Devemos refletir sobre nossas aspirações e definir metas significativas para melhorar a saúde e acessar a felicidade. Isso soa bem, mas quantos de nós realmente manteremos  nossa resoluções de Ano Novo depois de passado um mês ou dois?
Não seremos muitos, de acordo com um estudo realizado pela psicólogo americano Richard Wiseman. A pesquisa mostra que 52% das pessoas estavam confiantes de que  atingiriam suas metas no ano passado, mas apenas 12% conseguiram.  Aqueles que tomaram medidas significativas para alcançar suas resoluções, definiram-nas, confiaram nos seus objetivos estão entre os que mais conseguiram realizar seus desejos, ao contrário daqueles que não firmaram qualquer compromisso específico.
É  fundamental definir os objetivos com sinceridade e tomar resoluções práticas e tangíveis. 
A confiança é a palavra chave. Nada de objetivos nebulosos como, “eu vou ser saudável, eu vou economizar”. Seja específico consigo mesmo e quantifique as metas; vai malhar quantas vezes na semana, depositar quanto na poupança? Na sequencia inicie o processo de realização das metas, colocando em prática os passos administráveis para executar seu projeto.

Para escrever realmente esse capítulo no seu livro, você deve reservar tempo para si mesmo, para planejar e acompanhar o progresso de seu projeto. Mantenha o controle de quantas vezes, em pensamento, você quis desistir dos seus objetivos. Preste atenção à auto-sabotagem da mente, que pode ter uma tendência a depreciar nossos valores. Cada pensamento que temos é uma intenção. É normal sentir medo, dúvida, ou se preocupar, mas para progredir, é importante deixar para trás os sentimentos negativos. Confie! Não se tranque nos seus objetivos. Converse com quem compartilha a mesma resolução para avaliar os progressos e os desafios.  
Situações de estresse pode levar você a deslizar em seus objetivos, porém mantenha-se firme no cumprimento de suas promessas temporais, que geralmente primam pela falta de originalidade, mesmo quando mudam os atores entrevistados. O psiquiatra americano Lorenzo Norris, de Washington e o residente Rachna Vanjani, da Universidade de Boston foram ouvidos numa pesquisa para identificar também quais seriam as resoluções de ano novo que os médicos aprovariam em seus pacientes.  Claro que em primeiro lugar eles esperam que seus pacientes confiem e cumpram suas decisões, como por exemplo,  praticar algum tipo de exercício.  Apesar do lugar comum, essa é uma promessa que se cumprida, transformaria a mente, o corpo e a alma. Reparar os sinais emitidos pelo corpo, pode ser tarde demais, a visita periódica ao médico, o check-up não é uma idéia ruim. Cuidados com a alimentação é recomendado para manter os nível de  energia no organismo, além de práticas solidárias simples, como ser grato e gentil.

Se lhe falta inspiração, as sugestões dos psiquiatras para melhorar sua condição de felicidade seria;  levar uma vida mais saudável, ler mais para inteirar-se dos fatos e ampliar suas perspectivas para poder discutir todos os assuntos pertinentes narrados pela mídia, aprender  um novo idioma, ajudar os outros e economizar algum dinheiro.

 Uma coisa é certa. A vida raramente sai como planejado. Precisamos manter o foco e a atenção no que mais importa, senão corremos o risco de ver as demandas cotidianas roubando nossa possibilidade de melhor futuro.

 

O consumo excessivo reforça as desigualdades

O mundo não é feito apenas de etiquetas de números e preços.

Considerado o maior estudo já realizado para traçar o perfil do novo consumidor global, a TNS Gallup, pesquisou 26 países, entre eles o Brasil, questionando a ordem da demanda do consumidor, suas decisões sobre determinados produtos e as razões pelas quais se migra para uma marca ou outra e o que, de fato afeta a escolha dos consumidores. O estudo oferece uma visão que permite às empresas compreender as percepções dos clientes e o engajamento dos mesmos nas questões climáticas e a utilização dos recursos naturais de forma consciente. Será que está surgindo aí um novo consumidor que se relaciona com marcas globais, tem atitude aberta com relação a ecologia e busca informação ao escolher determinado produto ou serviço?

O consumidor brasileiro descobriu a internet. Otimista com o pequeno aumento do poder aquisitivo, 20% dos consumidores brasileiros declararam já haver feito compras na internet. O consumo não precisa ser voraz, a palavra de ordem é consumir de forma consciente, evitar filas intermináveis, engarrafamentos, locais abarrotados de gente, falta de tempo para verificar os melhores preços. Fuja da regra que impera no período de natal, onde os gastos são, via de regra, descontrolados, há desperdício de tudo. Pensa no funcionamento de toda cadeia produtiva para fazer chegar as lojas o seu presente, por exemplo, maior extração de matéria natural, maior consumo de energia, aumento de lixo, emissão de gases na atmosfera.

A natureza sofre por todos os lados e vale lembrar que a humanidade já consome 50% a mais do que o planeta consegue repor e absorver de danos. O brasileiro Instituto Akatu e o Instituto americano Worldwatch, lançaram uma versão do relatório “Estado do Mundo – 2010”, um documento que retrata as questões ambientais, sobretudo sob o ponto de vista do consumo predador. O estudo enfatiza o dado que apenas um sexto da população do planeta consome 78% de toda a produção mundial.

Segundo dados do relatório, na última década, a humanidade aumentou seu consumo de bens e serviços em 28%, com a carga pesando nos veículos, computadores e telefones celulares. Para produzir tantos bens, é preciso usar cada vez mais recursos naturais.
Além de excessivo, o consumo é desigual. Os 65 países com maior renda, que somam 16% da população mundial, foram responsáveis por 78% dos gastos em bens e serviços.

Os americanos, que detém 5% da população mundial, abocanharam uma fatia de 32% do consumo global. Se todos vivessem como os americanos, o planeta só comportaria uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Atualmente já somos sete bilhões. A pior notícia é que a partir de agora, nem mesmo mantendo um padrão de consumo médio, será possível atender igualmente todos os habitantes do planeta. A conclusão do relatório não deixa dúvidas: sem uma mudança cultural que valorize a sustentabilidade e não o consumismo, não haverá esforços governamentais ou avanços tecnológicos capazes de salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas.

O Instituto Akatu inovou ao ligar sem rodeios o consumo e a sustentabilidade do planeta, mais fortemente ameaçado por conta das crises consumistas do final do ano. Eis aqui a uma série de medidas elencadas que podem frear o ímpeto do consumo irresponsável:

1ª – Planeje os gastos. Antes de sair às compras, estipule um valor limite e respeite-o.
2ª – Convide com antecedência. Se você pretende convidar familiares ou amigos para a ceia faça-o com antecedência. Busque confirmação para comprar produtos na medida e evitar desperdícios.
3ª – Faça a lista de produtos. Mesmo que tenha recurso disponível, resista aos novos itens atraentes que podem aparecer.
4ª – Compare preços sempre. A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) sempre alerta para a variação dos preços dos produtos durante as datas festivas. Pesquise e compare preços.
5ª – Compre pela internet. Na média, os produtos comprados via internet são até 15% mais baratos, e a maioria das lojas entrega em até dez dias, segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. Além de economizar dinheiro, você economiza combustível. Um veículo a menos poluindo.
6ª – Elimine aos poucos os itens da lista. Aproveite o caminho de volta para casa depois do trabalho e compre os produtos listados. Você contribui para diminuir o trânsito e a superlotação das regiões comerciais nos dias que antecedem o Natal.
7ª – Não tenha vergonha de pechinchar. Na hora de compra, principalmente se pagar a vista e em dinheiro, não deixe de pedir desconto.
8ª – Escolha seu presente agora e compre depois. O varejo nem sempre consegue acabar com os estoques do Natal e, em geral, depois do dia 25, fazem descontos que podem achegar a metade dos preços dos produtos.

Bem, Feliz Natal e boas compras com responsabilidade!

Ninguém se sente ouvido

O bem mais precioso que você pode oferecer a alguém é sua atenção. Nem sempre queremos alguém para nos dar conselhos, as vezes precisamos de alguém que queira nos ouvir.

Fartos das pessoas dizendo o que devemos fazer, ouvimos vozes vindas de todas as direções. A escuta ativa é quando você está ouvindo para saber mais sobre alguém, que é diferente da escuta defensiva, que ocorre quando você está apenas à espera de sua vez de rebater o que você ouviu. Aprender a ouvir a si mesmo dessa maneira é igualmente revelador. A essência do nosso eu mais profundo está no espaço entre o que falamos e no silêncio a que raramente se presta atenção.

Nossa comunicação está escorregando para uma escuta defensiva, cheia de medo e silêncio desconfortável. Ninguém se sente ouvido. Na verdade a forma mais poderosa em que podemos testemunhar o nosso amor é quando podemos parar de fazer tudo e concentrar toda a nossa atenção sobre a pessoa que está falando. Ouvir não só para que alguém veja, mas para que a pessoa sinta que por trás de suas palavras há sabedoria do coração e da mente. Ouvir também é um ato de curiosidade e exige atenção total ao momento em que você está compartilhando com alguém.

Quanto mais você praticar ouvir ativamente, mais evidente se torna que as palavras realmente não descrevem as coisas tão bem. Dar atenção integral às pessoas que você ama lhe dá a chance de se conectar de uma maneira que apenas falar não consegue. Há nessa escuta o poder de um silêncio amoroso, que dá as pessoas que se preocupam a chance de descobrir o que está dentro delas.

Cultivando esta escuta curiosa em seus relacionamentos é um dos mais poderosos meios para transformá-la porque o julgamento é substituído pela empatia e unifica a experiência de quem fala e quem ouve de tal forma que conecta os nossos ouvidos ao nosso coração. Falhas de comunicação ocorrem frequentemente no trabalho e em nossos relacionamentos pessoais, sobretudo devido a pressa com que nos comunicamos. E os efeitos da má comunicação pode ser muito prejudicial. O problema pode ser devido a pessoa não se manifestar ou não ouvir atentamente. Se você soa apressado e distraído quando você diz algo, as pessoas podem pensar que você não está interessado ou se sentir ofendidas, porque parece que elas não são importantes para você. Se você não pode ouvir uma pessoa, diga isso a ela, mas abra uma janela para que ela possa falar com você mais tarde.

Não alimente suposições falsas sobre alguém ou sobre alguma coisa. Ouça as pessoas. Seja acessível para que as pessoas se sintam confortáveis dirigindo-se à você para pedir esclarecimentos. Pratique a escuta ativa.
Eu acho que as pessoas precisam ter mais tempo com outras pessoas. Todos devemos desacelerar e tornar a comunicação mais fácil e mais eficiente, abrindo sempre uma nova página de escuta e tolerância. Nem sempre precisamos emitir nossa própria opinião, as pessoas gostam de serem ouvidas sem interrupção. E esteja certo de que um bom ouvinte também rouba a cena.

Imagine um mundo onde as pessoas realmente ouçam uns aos outros.
E você domina bem uma conversa, deixa que outras pessoas falem também?

Há uma grande quantidade de pessoas que gostam de falar sobre si, sobre o que eles fazem e sobre o que eles não fizeram, sobre sua saúde, ideias, etc. As pessoas que falam demais sobre si mesmas esquecem-se que a conversa é uma atividade de mão dupla.

Quando estamos dispostos a ouvir os outros, nós ganhamos muito:
– Vamos ser mais apreciados pelas pessoas com quem falamos,
– Ampliaremos nossos pontos de vista e perspectivas,
– Vamos ter relacionamentos mais harmoniosos,
– Ouvir desenvolve a paciência e a tolerância,
– Ouvir as pessoas vai nos ajudar a entendê-las e as suas necessidades

Próxima vez que você conversar com alguém, tente ouvir mais.  Você pode aceitar ou não as idéias dela, você pode não gostar de algumas críticas.
Ouvir bem, é um poderoso meio de influência tanto quanto falar bem.

Não interrompa alguém que está falando. Ouça com atenção. Mantenha a mente aberta e o ouvido paciente para detectar se o que estão falando é proveniente do coração. Pare o que você está fazendo. Não há nada mais frustrante do que tentar se comunicar com alguém que está grudado no telefone. Ouça não simplesmente as palavras, visualize a situação, ou uma cena ou pessoa que está sendo descrito para você.
Dizem os especialistas que falamos a uma taxa de cerca de 125 palavras por minuto, podemos pensar e ouvir quatro vezes essa taxa.

Ouvir não é nada fácil. “as vezes basta ser o colo que acolhe, a palavra que conforta e o silencio que respeita.” (Cora Coralina).

Terra – o Planeta genoroso

 
    Não há dúvidas de que o Planeta Terra tem sido um Planeta generoso. Tudo o que os humanos precisam para sobreviver e prosperar tem sido provido; alimentos, água, plantas medicinais, materiais para construção de abrigo, e até o clima e esses presentes são chamados pelos cientistas de serviços ecossistêmicos. No momento atual da vida estamos tão desconectados do mundo natural que é, às vezes, conveniente esquecermos que a natureza permanece generosa como sempre, mesmo quando maltratada.
 
O aumento tecnológico e industrial pode ter nos distanciado superficialmente da natureza, mas não tem mudado nossa dependência do mundo natural: a maioria dos bens que usamos e consumimos diariamente são produtos resultados de múltiplas interações depois de extraídos da natureza, e muitas destas interações estão em perigo. Além de bens físicos, o mundo natural providencia embora menos perceptível, presentes como a beleza, arte e espiritualidade. A natureza tem nos dado sem cobrar nada em troca. Não há no mundo substância física que humanos possam precisar mais do que água potável: sem água podemos sobreviver por apenas alguns dias. Enquanto a poluição e o desperdício ameaçam várias fontes de água potável do mundo. Ecossistemas saudáveis de água fresca – bacias hidrográficas, pantanais e florestas limpam naturalmente a poluição da água.
 
Quanto maior a biodiversidade no ecossistema, a água será purificada mais rápida e de forma mais eficiente. Várias plantas precisam de outras espécies para mover as sementes da planta-mãe para um novo solo. As sementes são espalhadas por uma variedade incrível de “trabalhadores”: pássaros, morcegos, roedores, elefantes, antas, e até peixes, como prova a recente descoberta de pesquisadores. Dispersão de sementes é especialmente importante em florestas tropicais onde a maioria das plantas dependem de animais para se mover.
 
Quase todas as pragas têm inimigos naturais. A perda, ou mesmo diminuição dos predadores que naturalmente se alimentam de pragas pode ter impactos massivos na agricultura e no ecossistema. O chão sob nossos pés importa mais do que costumamos pensar. Solo fértil e saudável proporciona ótimos lares para plantas, enquanto promovem uma série de ciclos naturais: da reciclagem dos nutrientes à purificação da água. Embora o solo seja renovável, ele também é sensível ao uso excessivo e degradação, que são geralmente causados pela agricultura industrial, poluição e fertilizantes. Vegetação natural e qualidade de solo também atenua o excesso de erosão, que pode ter impactos dramáticos da perda das terras agrícolas e litorais que podem simplesmente desaparecer dentro do mar. Além de tudo isso natureza é nosso mais grandioso armário de medicamentos: até à data de hoje, ela tem provido a humanidade com uma infinidade de medicamentos que salvam vidas.
 
Não há dúvidas de que medicamentos adicionalmente importantes ainda dormem inexplorados no ecossistema mundial. Na verdade, pesquisadores estimam que menos de 1% das espécies conhecidas mundialmente têm sido completamente inspecionadas por seus valores medicinais. No entanto os ecossistemas que têm oferecido algumas das drogas mais importantes e promissoras do mundo são as florestas tropicais, pântanos e recifes de corais. Portanto preservar ecossistemas e espécies hoje pode beneficiar e mesmo salvar milhões de vidas.
Mas além de fazer o mundo um lugar menos solitário, menos chato, e mais bonito – razões admiráveis por si mesmas – muitos dos serviços proporcionados pela biodiversidade são similares àquelas providenciadas por toda a natureza. Biodiversidade produz alimentos, fibras, produtos de madeira, limpa a água, controla pragas na agricultura e dispersa as plantas do mundo, e providencia recreações de contemplação. E o mundo natural ajuda a regular o clima da Terra.
 
Na costumeira tensão entre a economia e o ambiente, por exemplo, um fator é geralmente negligenciado: o meio ambiente sustenta toda a economia ambiental. Sem solo fértil, água potável, florestas saudáveis e clima estável, a economia do mundo enfrentaria desastres irreversíveis.
 
Ao pôr em perigo o meio ambiente, nós comprometemos a economia também. Há que se levar em conta o relacionamento da natureza com a espiritualidade humana. Na maioria das religiões do mundo, o mundo natural é devidamente reverenciado. Na Cristandade, o paraíso terrestre existia em um jardim. Budistas acreditam que todo tipo de vida é sagrada e merece compaixão. Para os Hindus cada pedaço da natureza é relacionada a uma divindade. Os muçulmanos acreditam que o mundo foi criado por Alá e foi dado aos humanos somente como um presente para ser mantido em confiança.
 
Culturas Indígenas do mundo inteiro celebram a natureza como se fosse sua mãe. Enfim, para entender melhor a importância real da natureza para o espírito humano, basta passar um tempo a sós, contemplando a imensidão da vida natural. Na verdade ninguém precisa ser religioso para entender a importância da natureza para o espírito humano. Porém a partir do momento, que o ser humano se conscientizar da importância de suas atitudes para o equilíbrio da natureza, estaremos construindo um mundo melhor e em sinergia com o generoso planeta.