Como se os outros não existissem

A grande maioria das pessoas ficam ricas porque trabalham arduamente perseguindo esse fim,  porém ao longo do trajeto, são efetivamente favorecidas pela legislação brasileira que adula os bem sucedidos.  São estas as pessoas que mais se beneficiam do sistema político e atuam dentro da lógica capitalista de que uma indústria orientada para o lucro não investe absolutamente para ajudar as pessoas ou em produzir bens que as pessoas não possam pagar.

Privilegiados ou não, não devemos ignorar as realidades que se desvelam a nossa volta. Vivenciar a cidadania é uma ferramenta essencial para a criação de um mundo melhor. É muito fácil ser indiferente e irônico e conceber o processo democrático como algo pronto, dado.

Mas não é bem assim. Precisamos compreender as  tendências globais para apoiar legislações que criam infraestruturas duradouras de paz e abordam as causas da violência, a situação da pobreza que castiga centenas de crianças, os idosos desassistidos, as pessoas sem abrigo, a violência contra as mulheres, o preconceito, os migrantes.

O aumento das desigualdades, o distanciamento entre países pobres e ricos enfraquece a confiança no futuro, sobretudo pelo uso perverso do dinheiro para alimentar a modernidade efêmera, onde as pessoas menos favorecidas não existem nas prioridades dos homens ricos e influentes. Um exemplo? O Ebola. A doença surgiu há 40 anos, mas como a doença está confinada a países africanos pobres, não há incentivo para a produção de vacinas ou medicamento eficaz. Não vão gastar dinheiro enquanto somente os africanos se infectam. O que vão fazer? Isolar a África.

Já faz certo tempo estamos hospedando muitos imigrantes. Indivíduos cuja língua não falamos, desconhecemos a cultura e a quem geralmente olhamos com desconfiança e acusação silenciosa de que vivem às nossas custas e  estão a roubar nossos empregos. São biólogos, técnicos de informática, auxiliares administrativos que falam 4 idiomas e trabalham como ajudantes de pedreiros.  A não valorização do conhecimento dos imigrantes haitianos é explicitamente entendida como indiferença, movida pelo preconceito.

A primeira cirurgia reparadora para mulheres vítimas de violência foi realizada na capital, num projeto com apoio do governo e poucos parceiros privados, embora tenhamos uma vasta lista de renomados cirurgiões plásticos operando nos hospitais particulares da cidade. D. Eliane, operada semana passada, foi vítima de queimaduras no rosto e pescoço pelo ex-companheiro e amanhã, quarta-feira D. Isaína será operada para reparar as cicatrizes no abdômen, onde recebeu uma facada do parceiro. Há uma centena de mulheres na fila. Essa é a dimensão de alguns problemas sociais que merecem sofrer a interferência saudável do empresário privado. A acumulação de riqueza não pode cegar e gerar um sentimento de propensão ao egoísmo delirante, que confirma o fluxo incessante de dinheiro correndo em sentido oposto aos cidadãos mais vulneráveis.

Negociação permanente

Assisti o documentário “Carta da Escola Estadual Emanoel Pinheiro para as Escolas de Florianópolis”, embalado por uma trilha musical tocante. Eliseu Xumxum, um dos narradores do filme, fala sobretudo sobre o racismo invisível, praticado por pessoas que negam ser racistas e se envolvem em práticas racistas a todo momento.

Relatam as perturbações que ocorrem dentro do âmbito das relações do homem negro fora das comunidades quilombolas. Eliseu mora no  bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, região tradicionalmente conhecida como Capão de Negro, que abrigava comunidades quilombolas desde o século XIX, onde a dança do Congo era dançada nas ruas. Depois vieram as intervenções dos homens brancos. Doa-se um pedaço de terra para um, para outros, muda-se o nome da comunidade.

Eu não tenho receita do que seja um exemplo de harmonia racial, mas parece uma ação apropriada para uma sociedade saudável, desaprovar o racismo por qualquer pessoa de qualquer raça sobre qualquer pessoa de qualquer raça.

Quando as pessoas usam seus privilégios sociais para denunciar preconceitos, para falar de igualdade ela pode causar um forte impacto sobre o bem-estar psicológico das minorias. No entanto, é preciso aprofundar as discussões, estabelecer debate freqüente, pois em circunstancias preocupantes, os membros dos grupos majoritários, que geralmente não são alvo de preconceitos não conseguem sequer ter certeza quando algo tendencioso de fato é narrado.

As mídias sociais que estão recebendo pressão para limitar o discurso do ódio e do preconceito, e o documentário são apenas formas de comunicar o que se passa nesta época marcada pela inquietação e indiferença, com problemas graves que passam muito além da economia e política, e tem relação intrínseca com a qualidade de vida interior que estamos vivendo.  Mensagens de apoio precisam ser seguidas de atitudes que demonstrem mudança do comportamento social.

Atualmente há apreensão sobre a direção que nossas vidas estão tomando diante dos estilos de emoções que ansiamos, da insensibilidade dos homens para com os que não são semelhantes e não freqüentam a mesma realidade. Com frequência é assim. A diferença de perspectiva ocorre entre aqueles que são alvo de preconceito e aqueles que não são. O preconceito racial tem um custo elevado para a auto afirmação dos vitimados, como diz dona Luzia no documentário. Muitas vezes, ela não sabe onde é o lugar dela na sociedade, por ter certeza que sua presença em muitos locais, será recebida com estranheza.

Nesta questão de preconceito racial é necessário haver um toque de pele para que se efetive a promessa de aceitação entre seres humanos de cores diferentes, porque muitos autores, entre eles Guillaumin, sustentam que o racismo tem origem numa predisposição natural que muitas pessoas apresentam para a hostilidade contra grupos diferentes. Este 20 de novembro marca o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Espero que o feriado possibilite reflexão sobre a situação dos negros no Brasil.

Espectro do medo ronda a política brasileira

Não importa o resultado das eleições, o Brasil continuará sendo o maior país da América Latina, nossas instituições democráticas continuarão sólidas.  Avanços acontecem inexoravelmente, independente de quem for o presidente; rupturas e adoção de novas  políticas públicas também. Então, medo de que? De quem? A democracia não produz o socialismo e os programas de transferência de renda em governo democrático, não são extintos sem a votação do Congresso. Segundo artigo datado deste mês na revista Forbes, o Brasil está melhor agora do que há 12 anos e apesar da economia mais fraca, os investidores não estão deixando o país. Não estamos na década de 1990.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman diz que a maioria dos medos humanos transcendem os limites de tempo e espaço enquanto permanecem na fantasia e estes regulam o comportamento dos seres humanos mesmo quando não há ameaça direta, mas velada.  Os perigos e medos derivados das ameaças irresponsavelmente propagadas contaminam a ordem social, pois o medo é mais terrível quando se é difuso, disperso, e quando ele flutua livremente por todos os lugares, sem amarras, âncoras, ou uma causa clara.

Ao adotarem a prática da disseminação do medo, os marqueteiros políticos desafiam a eficácia da política baseada na racionalidade e capitalizam as emoções e ansiedades dos eleitores, manipulam seus medos, fazendo com que estes se transformem em votos. A política do medo é definida como uma estratégia para lidar com o desconhecido, com a insatisfação e agitação popular.  A dinâmica adotada aqui está fora desses paradigmas, pois convenhamos, não há desconhecidos, tampouco estranhos nessa eleição.

Como analisar a emoção do medo neste contexto senão como uma forma de política de varejo, que em si mesma não é satisfatória? Creio que a verdadeira questão é apoiar quem acreditamos que tem as ferramentas para realmente resolver o problema da desigualdade, quem tem controle sobre a estrutura governamental para promover mais mudanças, desenvolvimento econômico mais equitativo e políticas públicas, que possam ter impacto sobre a desigualdade no longo prazo.

A política é um jogo de relações públicas. É por isso que há continuidade nas administrações; porque vários comportamentos são sistematizados, tem amarras legais na burocracia estatal e as mudanças tem que ser gradativas.  Não há cenário que possibilite uma reforma total nas instituições existentes, uma redistribuição radical do poder político e econômico. Em tempo, a reconstrução política passa inevitavelmente pela reconstrução da sociedade.

Convergências entre desiguais

Depois de uma campanha tão áspera, considerada pelos analistas, as eleições mais disputadas dos últimos anos, marcada por debates mal humorados,  acusações de corrupção e intolerância de ambos os lados, finalmente neste domingo, diante de um batalhão de diplomatas estrangeiros, cerca de 100, representando vários países, que acompanharam  a votação e o processo de totalização, a presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita.

Dilma contou apoio de cerca de 9 partidos, embora nem todos unidos na sua base para pedir votos para a candidata. Reeleita, manteve a maioria no Congresso para votações que exigem maioria simples, porém terá que ampliar o arco de alianças no caso de fazer reformas mais profundas, as quais exigem votação favorável de no mínimo três quintos da Câmara e do Senado. No meio de toda alegria e incerteza, muitos se perguntam o que esta eleição especificamente significou para o Brasil, num contexto político e econômico mais amplo. Em suma, o que podemos esperar do Brasil nesses quatro anos?

Mesmo que não estejamos vivendo o boom, quando, empurrada pelas exportações de commodities, a economia brasileira crescia mais de 5 por cento ao ano, 30 milhões de pessoas saíram da pobreza e o desemprego está perto de bater um recorde de baixa e isso reforça muito a popularidade da presidente Dilma, em função também da extensão dos programas: Prouni,  Fies e o Pronatec. Os programas sociais serão mantidos e ampliados, baseando-me na lógica do que tem sido o governo de Dilma Rousseff até aqui. Suas prioridades devem permanecer nos mesmos países onde hoje concentra os negócios brasileiros, na América Latina, África e Ásia. Porém espero que a presidente conduza a política externa com menos pragmatismo e mais idealismo, colocando-se objetivamente contra os conflitos na Síria e no Iraque e também na Ucrânia.

Havemos de cobrar do governo melhor desempenho desta que é considerada a sétima economia do mundo; punição exemplar para se encerrar o ciclo de corrupção na Petrobrás, onde não basta o inquérito parlamentar já instaurado.

Os ganhos sócio-econômicos dos últimos 12 anos foram suficientes para que os eleitores a escolhessem em detrimento da candidatura de uma ambientalista mundialmente conhecida  e de um senador social-democrata, que prometia impulsionar a economia.  Agora é hora do que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso chama de convergência entre desiguais. Diz ele que as alianças são feitas somente entre os desiguais, pois do contrário não seria preciso fazer alianças; os que são iguais em termos de objetivos, que pensam e querem as mesmas coisas, já estão juntos, e não precisam se aliar.

A Mídia e os Eleitores

Dias atrás li a queixa de um parlamentar federal acerca da cobertura jornalística feita nas instituições políticas, em particular no Congresso Nacional. Diz o parlamentar que as matérias feitas, de modo geral, não contribuem para se ter uma avaliação adequada sobre o funcionamento e desempenho do Parlamento, pois são essencialmente negativas e não fazem distinção entre o desempenho medíocre de alguns membros dos deputados e senadores que realizam bom trabalho nas comissões parlamentares.

Houve uma proliferação de programas, considerados jornalísticos, voltados a persuadir os eleitores considerados desinteressados em política ou indecisos. É nítido que os meios de comunicação exercem determinado grau de influência nos eleitores, porém, creio que é muito difícil analisar com a profundidade de uma pesquisa, a extensão com a qual a propaganda política contribui para a consolidação ou transformação do voto. A mídia foi amplamente considerada um elemento auxiliar nas tomadas de decisões e esta foi uma das razões das críticas, porque esta função estaria em desacordo com o ofício de seleção, construção e transmissão da informação ao eleitor.

Como imparcialidade e neutralidade não existem em questões políticas, os proprietários dos meios de comunicação se relacionam com os políticos, seguem determinadas correntes ideológicas e pessoalmente pendem para um lado ou para outro, o que é absolutamente natural, desde que reservem tempo e espaço igual, nas mídias que dirigem, para todos os candidatos. Sem nenhuma intenção de relativizar a influência dos veículos de comunicação na campanha eleitoral, tomo para análise o perfil dos dois deputados estaduais eleitos com a mais expressiva votação em Mato Grosso; o deputado com grande poder de articulação, grupo político consolidado, é notadamente avesso à aparição na TV e somente agora inicia uma movimentação tímida nas mídias sociais.

A propaganda política não lhe fez falta alguma e confirmou-se o que era esperado; foi a campeão de votos, uma jovem moderna de 25 anos, com milhares de seguidores nas mídias sociais, teve a votação prevista desde o início do pleito, a maioria eleitores herdados do pai, segundo a própria deputada. Confirma-se aqui a vitória dos deputados, baseada nos seus grupos de relacionamentos.

A realização de eleições democráticas é um processo extremamente competitivo e apesar da leitura crítica e da contraditória eficácia, é inegável que os meios de comunicação tem relevante papel social nas eleições, transformando as campanhas em algo mais dinâmico, com mais diálogo. Sendo que muitas pessoas buscam informações sobre política nos noticiários, é particularmente importante que os meios de comunicação adotem uma abordagem balanceada e imparcial nos noticiários, reportando os fatos sem nenhum tipo de discriminação contra este ou aquele candidato.

Mudança?

Apesar de todas as reclamações e frustrações, que fazem parte da política brasileira, as eleições e o momento do voto são, queiram ou não admitir, um modelo de ordem e eficiência, onde claro, ocorrem excessos, pois falamos em eficiência, não em perfeição. A palavra mudança fez parte do slogan da maioria das campanhas e esteve também na boca de muitos eleitores, sobretudo jovens, que se por um lado demonstravam decepção com os políticos, por outro, se mostravam confiantes no processo eleitoral como protagonista de uma mudança efetiva, embora muitos relutassem em votar contra um governo que melhorou as condições de vida de muitas famílias nos últimos anos.

Sendo esta a primeira eleição depois dos protestos de rua ocorridos no ano de 2012 e que revelaram o poder de transformação das mídias sociais, ironicamente a palavra mudança ficou restrita aos arroubos de intenções dos eleitores, que na hora de votar, foram bem econômicos em termos de inovação. Os eleitores não ousaram e a prova disso é que o índice de renovação real na Câmara atingiu a marca de 43,5%, um índice que historicamente sempre ficou dentro desse percentual, segundo fonte da Agência Câmara de Notícias.

O PT elegeu novamente a maior bancada da Câmara Federal, seguido do PMDB, exatamente como nas eleições de 2010. Os dois partidos elegerem menos deputados do que em 2010, em relação à bancada atual, porém uma flutuação irrisória. De todos os 32 partidos registrados, apenas o PSDB cresceu e elegeu 11 deputados federais a mais. Outra prova de que a palavra mudança foi absurdamente utilizada é verificada quando se vê que filhos, netos e herdeiros de políticos tradicionais foram eleitos com votações expressivas; como o neto de Mário Covas, filha de Anthony Garotinho, filho de Jair Bolsonaro, o jovem Hélder Barbalho, filho de Jader Barbalho, que levou as eleições do Pará para o segundo turno.

Mais ainda, ao conferir que os deputados recordistas de votos são os contraversos de eleições passadas; do apresentador de TV Celso Russomano, o palhaço Tiririca, novamente com mais de 1 milhão de votos e Jair Bolsonaro, que teve tantos votos, que acabou ‘puxando’ outros deputados de seu partido. Neste contexto talvez, apenas o Maranhão tenha votado pela mudança radical, declarando o fim da oligarquia Sarney no estado. Um caso isolado, todavia, pois há vários casos de deputados reeleitos, que estão no poder há mais de 20 anos.

A repentina onda clamando por mudança fica definitivamente para as eleições locais em 2016, porque em 2014 ela não ocorreu. Agora é torcer para que as promessas sejam cumpridas, para que a reforma política se consolide, até para propiciar a renovação que parecia estar à vista e foi adiada pela vontade soberana do eleitorado conservador.

O futuro das próximas eleições

O ano é 2014. As eleições estão aí. Em apenas quatro dias estaremos exercendo nosso direito de escolher os políticos que nos representarão. Tempo para pensar, conhecer e escolher tivemos, agora, é só comparecer a zona eleitoral convicto de que fez a melhor escolha e aguardar o resultado. Somos 142,8 milhões de eleitores, mais da metade são mulheres, para votar em candidatos majoritariamente homens. Ainda não foi desta vez e a parcela feminina ainda é inferior à exigida pela legislação brasileira, que assegura 30% das vagas de candidatos para as mulheres. Em relação à escolaridade, quase metade dos candidatos tem curso superior, enquanto apenas 5% dos eleitores tem formação universitária.

O próprio eleitor abriu mão do voto secreto. Parece estar na moda declarar-se ao candidato nas mídias sociais cuja penetração nesta campanha teve repercussão absolutamente positiva, trazendo um clima de verdade, com a publicação de declarações e informações sobre o abusos e irregularidades. Isso não deveria ser um problema, mas a transparência tem causado tensão elevada aqui e ali. Ambos, os eleitores e os candidatos estão amarrados aos aplicativos da internet, num sistema de monitoramento que transforma as eleições numa guerra baseada em fatos e muitos boatos. Líderes políticos atuais são fortemente dependentes de ferramentas tecnológicas como celulares, Internet e mídia social.

No mundo virtual, as eleições 2014 começaram muito cedo, até pareceu um processo contínuo desde as eleições passadas, com as assessorias desempenhando o papel fundamental de não deixar cair no esquecimento os arranjos políticos iniciados há 2 anos.  A democracia da internet tem sido amplamente utilizada pelos ativistas políticos para disseminar contra informações, ou seja, imputar informações falsas no meio das verdadeiras, principalmente nas fontes confiáveis. Os profissionais do marketing têm vários objetivos ao injetar esse tipo de material na internet, mas a razão primordial é manipular o discurso on-line, fomentar uma verdadeira guerra com memes virais, ferramentas de humor, que desarma ou propaga uma notícia com ironia e escracho.

Eu, particularmente gosto de receber os discursos produzidos em Live Streaming, que posso assistir ao vivo, onde estiver; as postagens feitas no Facebook, se não geram debate apaixonado, pelo menos permitem o acompanhamento da movimentação da agenda dos candidatos. As pessoas foram confiando e abraçando as mídias sociais para propagarem tendências ideológicas ou apenas para replicar fatos e dar mais visibilidade aos candidatos de sua preferência. Não é regra, mas creio que a internet concedeu poder as pessoas, para exporem suas preferências, importando-se cada vez com o julgamento dos outros.

No bom sentido, a internet tem funcionado como um eficiente dispositivo portátil, propiciando uma comunicação contínua entre os candidatos e os eleitores, compartilhando imagens, mensagens e volume de campanha.

Votar é algo tão incrível quanto ameaçador que o senador americano Fran Millar, do partido Republicano, anunciou semana passada não concordar e estar preocupado com a decisão do governo de facilitar o acesso ao voto nas eleições em final de outubro, ampliando o número de urnas e locais de votação, sobretudo em regiões da periferia. Segundo o Senador, isso pode elevar o número de eleitores negros e outras minorias e pode ferir o domínio Republicano na área e além disso, o Senador preferiria receber votos de pessoas mais educadas do que dos africanos americanos. O eleitor escolhe, o político, quando muito, pode espernear.

Surto de catastrófes

Domingo passado houve grandes manifestações nas principais cidades do mundo, em apoio a Conferência sobre Mudanças Climática, que está acontecendo hoje na sede da ONU em Nova Iorque. Os participantes, entre autoridades, ativistas, personalidades do mundo artístico, indígenas de vários países, inclusive Marcos Terena, de Mato Grosso do Sul, repetiam que se preocupam com as mudanças climáticas porque elas afetam a vida humana nos pontos mais cruciais, como saúde, economia e educação.

Enfim, a cúpula do mundo político e empresarial precisa aproveitar o momento para agir de forma decisiva e mudar seus comportamentos indiferentes e vorazes, que visam respostas imediatas, lucros indecentes em detrimento das práticas vanguardistas de produção sustentável, já disponíveis para todos os setores produtivos.

A questão é mesmo emergencial, segundo especialistas, e não há um plano B quando várias formas de vida estão sendo condenadas a extinção. Espero que o calor da grande manifestação contamine os mais de 120 chefes de Estado e de Governo, esperados para a Conferência, no sentido de canalizar esforço, poderio econômico e mesmo toda retórica que o tema proporciona para estabelecer critérios concretos, medidas de impulso significativo para domar as mudanças climáticas que tem causado certo surto de impropriedade na natureza.

Precisamos de ação rápida para estancar a transição dos cenários para catástrofes, que incluem ondas de calor implacável, secas que afetam regiões metropolitanas importantes, como a cidade de São Paulo; chuvas torrenciais, que causam enchentes. Obviamente muitas outras cadeias são afetadas e eu, sem grande conhecimento, restrinjo-me ao que sinto, vejo e leio sobre o quanto o clima tem sido alterado em toda parte do mundo.

Embora haja uma percepção generalizada de que o consumo e mesmo a adoção de práticas ambientais sustentáveis, implica em aumento de despesas , o que de certa forma confirma-se, pelos preços ainda elevados dos alimentos orgânicos e dos produtos fabricados com baixa emissão de carbono, o discurso é que precisamos reduzir os riscos da mitigação do meio ambiente, fazendo escolhas simples, como não jogar lixo na rua, economizar água e energia em casa e no trabalho, repudiar produtos, cuja fabricação demanda morte de animais, ou  danos à natureza.

Na campanha eleitoral em curso, vê-se nitidamente que houve redução da produção de material gráfico, que logo vira lixo atirado nas ruas, sem pudor, pelos próprios cabos eleitorais. Poderíamos ter zerado esse item se seguíssemos a lei, que proíbe inclusive distribuição de santinhos, adesivos e panfletos em vias públicas. Enfim, todo comportamento no sentido de melhorar a qualidade de vida é bem-vindo, e garantem-nos os ambientalistas que é perfeitamente possível reduzir as agressões ao meio ambiente, criando empregos e produzindo. Dê uma chance ao planeta Terra!

Fidelidade entre o político e o eleitor

Sem protesto público, sem provocações, oposição e desafios, a democracia morre. Diria que, quase sem exceções, os políticos brasileiros estão provando do próprio veneno ao não levarem a sério a reforma partidária. O sistema político é irremediavelmente antiquado e esta é uma das razões do distanciamento entre os políticos e o cidadão e entre o cidadão e o voto.  As campanhas eleitorais hoje estão demasiadamente despolitizadas e a principal lição a aprender não é ideológica, mas prática. O estado pode ser popular, pode ser grande, mas tem que funcionar. Temos que pagar impostos, mas os serviços públicos e privados, sobretudo educação, saúde e transportes devem ser decentes; os programas de benefícios devem existir, porém, devem ser colocados em bases sólidas para evitar o comprometimento das políticas públicas em favor de gerações futuras. É preciso combater a desigualdade com um modelo de estado eficiente e ágil. É crucial que o governo esteja disposto a acabar com a corrupção.

Muitas pessoas e toda a classe política está consciente dos problemas gigantes que fragilizam o sistema político vigente, que vão da impunidade à maneira nada convencional pela qual os empresários ricos controlam a política, promovendo o financiamento de campanhas. Porém, a reforma política está emperrada e é empurrada desde que inicialmente fora trazida à tona, décadas atrás. Enquanto isso vê-se uma desordem constituída e legalizada, com a atuação de 32 partidos compondo o quadro político brasileiro.

É do entendimento do  ministro do STF Dias Toffoli, que as decisões judiciais andam em desacordo com a realidade do mundo político, que o horário político na TV virou business e que a discrepância entre as coligações regionais e a nacional é cada vez maior. Ao falar sobre a fidelidade partidária, disse que a proliferação dos partidos ocorreu porque a Justiça determinou que se mudar de partido, o político eleito perde o mandato, mas se criar partido, não. Então, eles criam partidos.

Temo que haja um abismo cada vez maior entre os grandes partidos e o eleitor, porém está cada vez mais tênue a linha que separa alguns setores que se dizem oposição mas tem relação íntima de negócios com o governo. Para mudar as práticas políticas talvez seja necessário renovar e renovação não tem ligação direta com idade, mas com perspectivas e estabelecimentos de novas formas de fazer política. Convenções mais democráticas e transparentes seria um bom começo e de fato, é onde as candidaturas começam. Depois, é só abandonar as velhas práticas  de poder excessivo, de familiocracia, direita e esquerda e favorecimento aos aliados. A aliança deve ser com o povo, fundada em boas ideias para dar fôlego novo ao espectro político.

A vida por um fio

Cultive amor onde haja dor. A você foi dado a vida, porque você é forte o suficiente para vive-la.

Viver sem medo e sem expectativas fantásticas. Tudo na vida tem seu tempo, seu tamanho . Observe as manifestações ao seu redor e deixa ir-se.

Não prometa, tenta ser. Não lamenta, procura compreender. Além do que somos, do que pensamos, do que queremos há uma infinidade de outras considerações. Não somos o centro de tudo.

Se temos paz interior o mundo físico pode ser relativo; se estamos aprendendo a controlar a ira, a vaidade, o desamor, estamos construindo fortaleza na alma. E para manter o equilíbrio é necessário não esticar nem afrouxar por demais o fio que sustenta a vida.