O silêncio é uma mentira

Há uma frase que não sei a quem atribuir que diz que integridade é dizer a mim mesmo a verdade e honestidade é dizer a verdade para outras pessoas. O necessário é posicionar-se, mostrar anuência, discordância, expressar os sentimentos, enfim. Embora sábios e profetas das tradições cristãs tenham enumerado os benefícios salutares do silêncio, que acalma o corpo, oferece equilíbrio, são através das palavras que desenvolvemos a empatia. O silêncio está mais associado ao pesadelo desconfortável do confinamento solitário, enquanto o ruído da fala nos iguala com liberdade e prazer.

Após confiar em si mesmo, é hora de encontrar alguém em quem confiar. Se uma pessoa te respeita, ela vai respeitar o que você tem a dizer. Para obter algo que você nunca teve, você tem que fazer algo que você nunca fez antes e manter a boca fechada serve apenas para reforçar o medo num sinal de conivência.

Não hesite, não dê desculpas pela forma como você se sente. Mesmo que tenha dificuldade para se expressar, fechar-se em silêncio, porque está com medo de falar não faz bem a ninguém. Levanta a mão, peça desculpas por sua impertinência, isso pode ser arriscado, mas faz a diferença. Fale sua opinião sempre que uma ação afetar você diretamente. Atenha-se aos fatos e ignore as emoções para aumentar suas chances de ser ouvido, declare os seus sentimentos e necessidades, sem fazer acusações.

Posicionar-se não significa permitir que as pessoas te usem como uma caixa de ressonância para expressar a opinião delas. Crescemos acostumados a guardar o que ouvimos, o que vemos, o que passamos, o que sofremos. De certa forma fomos desencorajados a expressar nossos sentimentos, a compartilhar nossos problemas, como se tivéssemos tido uma constipação emocional. Observe que há muito mais espaço fora do que dentro de nós mesmos, então quando você sentir que foi tratado injustamente por alguém, faça-se ouvir, tome medidas para combatê-lo, expresse seu descontentamento, para que tudo isso não desencadeie nenhum aperto no peito, porque se você optar por falar quando sentir-se emocional, pode comprometer o desenvolvimento do seu ponto de vista.

Não é necessário arrastar-se em incidentes do passado para falar de situações que causam dor no presente, pois a maioria das pessoas acreditam que é moralmente justificado tudo o que fazem. Ao abrir-se para externar seus pensamentos, escolha as palavras com cuidado, pensa no que vai dizer, mas diga. O silêncio pode machucar, pois a opressão só existe onde há silêncio. E a ausência de palavras pode causar tantos danos quanto falar demais.

Reflexão sobre os processos de transformação da família

Em algumas afirmações não cabem contestações. Por si, elas expressam uma realidade pesquisada, comprovada e pronto. Na defensiva, muitos querem colocar seus conceitos em fatos e dados absolutamente consolidados, como é o caso do estudo das diferentes formas de famílias estabelecidas na sociedade contemporânea brasileira, conduzido por Parry Scott, Professor titular de Antropologia na Universidade Federal de Pernambuco.

   Ao analisar dados seriamente pesquisados, aprendi que devemos nos ater a eles, frios como estão no papel. Pois bem, há uma mudança substancial na forma como se tem realizado a conjugalidade nas famílias brasileiras: Há menos casais com filhos do que havia certo tempo atrás e esses casais que optaram por ter filhos, tem em média 2,5 filhos por casal; há mais pessoas morando sozinhas; há mais mulheres chefiando famílias e há mais casais formados por pessoas do mesmo sexo.

   Há aumento significativo de famílias sem casais, casas chefiadas por mulheres chefes de família, tanto na classe pobre quanto nas camadas mais abastadas; há mais mulheres morando sozinhas do que homens. O número de homens chefes de família, sem esposas é muito insignificante no Brasil. Os homens moram sós quando mais jovens, para experimentarem um período de liberdade e individualidade.

   A separação e posterior constituição de uma nova família não encontra nenhuma estigmatização na atual sociedade brasileira. Essas alianças fragmentadas geram arranjos conjugais múltiplos; crianças com dois pais ou duas mães. Embora muitas mulheres, por temerem que uma nova conjugalidade possa causar prejuízo na relação com as filhas, principalmente, tenham decidido manterem-se sozinhas na chefia da família.

   Os arranjos conjugais homossexuais são parte de uma inegável realidade, onde os casais, que valorizam a qualidade do relacionamento, buscam ter condições, sem necessidade de acionar aparato judicial, de resolver questões de cidadania, herança e adoção de filhos. As pessoas estão se tornando avós muito jovens e a expectativa de vida tem aumentado, sobretudo para as mulheres, que vivem de 6 a 8 anos mais que os homens. Esses avós redescobrem novas atividades, lançam-se numa nova rotina de vida a sós, ou reconstroem suas vidas, formando novas alianças conjugais.

   Segundo Fox, o único agrupamento familiar elementar é o da mãe e seus filhos, porque esse laço é inevitável, é dado. Os demais, fluem, modificam, modernizam-se, são variáveis. Não podemos ignorar as novas configurações na construção da identidade social ao nosso redor. A família, é certo, é o ponto de estabelecimento de alianças entre grupos. A vida social, que é estabelecida na base da troca é um jogo complexo, onde as famílias sem casais estão sendo colocadas a prova, pois mesmo num mundo de alianças quebráveis, a valorização das alianças continua firme.

Fidelidade partidária II

No período democrático de 1946-64 não havia restrição para a troca de filiação partidária, as mudanças ocorreram, porém, com pouca intensidade. Eminentes figuras da política brasileira estiveram sempre ligadas a um mesmo partido: Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola ao PTB; Tancredo Neves, ao PSD; Carlos Lacerda e Afonso Arinos à UDN, diz o texto publicado pela Consultoria Legislativa do Senado Federal.

As trocas de partido vêm marcando a política brasileira desde a redemocratização do país, em 1985. Mas o STF já mostrou que é a favor da fidelidade partidária, embora coubesse muito mais ao Congresso do que ao Supremo disciplinar essas incongruências estruturais. Lendo artigos e observações de juristas e políticos, entre os quais, Paulo Brossard, Franco Montoro, Michel Temer, Dalmo Dallari e Gilmar Mendes, percebi a preocupação com as consequências que essas migrações causariam, entre elas, o enfraquecimento dos partidos políticos, o rompimento da relação ideológica com os eleitores e a contaminação do processo democrático. Embora seja um erro grave, por aqui não se vota em partido, vota-se em pessoas, porque o cidadão não percebe que o partido é seu complemento. Porém, a individualização começa no interior das convenções partidárias, que escolhem os candidatos.

Não sei qual seria o grau de satisfação dos eleitores com os partidos brasileiros, mas é certo que há um distanciamento entre dirigentes partidários e seus filiados, mesmo políticos eleitos; imagine, então, com o filiado que não detém mandato. Temos hoje 30 partidos registrados no site da Justiça Eleitoral e mais alguns com registro em andamento. Muitos com programas idênticos, outros, vagos, sem atuação relevante e marcados por decisões oportunistas, mas todos em prontidão para requerer o mandato do eleito que deixar o partido. Nessas condições, mesmo sujeitando-se ao rigor da lei, não se pode esperar outra coisa senão a vontade de mudar de partido.

Há de se considerar esse outro extremo em que os políticos ficam reféns daqueles que controlam as executivas partidárias. Deveria haver certo equilíbrio na legislação, onde os partidos tenham real influência sobre o comportamento dos políticos eleitos por suas siglas, mas também dificultar que os ocupantes de cargos eletivos fiquem à mercê dos dirigentes. É estranho observar que o sistema eleitoral prevê fidelidade a um membro do partido, enquanto do próprio partido não é cobrado coerência e fidelidade, na formação das coligações, por exemplo. Vê-se então que os pretensos infiéis não são os únicos vilões, pois muitos deixam o partido por não encontrarem espaço dentro dele, por serem excluídos de suas decisões e posicionamentos.

È inegável que grande parte dos parlamentares brasileiros pensam mais em seus interesses individuais do que no interesse do partido e no bem-estar dos eleitores que os elegeram. E não vai aqui nenhuma linha contra o Instituto da Fidelidade Partidária, o questionamento é sobre a ditadura que se impõe aos políticos, que uma vez eleitos por um partido, sem punição, é impossível mudar. Não se pode vislumbrar novos rumos, aderir a uma outra linha de pensamento, talvez seja este o único relacionamento fadado a durar até que a morte os separe, partido e eleito. Quanto ao mandato, bem, se pertence ao partido apenas, o político não pode perder o que nunca teve.

Fidelidade Partidária I

O instituto da fidelidade partidária surgiu em meio à ditadura militar, quando o Congresso Nacional autorizou a criação de organizações com competências atribuídas de partidos políticos, com apenas duas legendas para acomodar as diferenças internas dentro do regime, dando origem à Arena (Aliança Renovadora Nacional) e ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro), situação e oposição, respectivamente.

O patrulhamento partidário foi a forma encontrada pelo governo militar para garantir a maioria no Congresso. Em 1969, sutilmente inseriram na constituição do instituto da fidelidade partidária, a cassação dos mandatos dos políticos que mudassem de sigla. A Constituição escrita em 1988 eximiu-se da responsabilidade e deixou a cargo dos estatutos dos próprios partidos políticos regulamentar a fidelidade partidária, que é justificada, entre outras razões, para controlar o surgimento dos partidos de aluguel. Feito que não logrou êxito, são tantos aí na ativa.

O Brasil não tem tradição de dar aos partidos políticos um papel de grande relevância, embora para se candidatar, o indivíduo deve estar filiado a um partido, com o qual tenha a mínima afinidade ideológica, pois os partidos políticos são agentes importantes na consolidação da vontade do povo. Porém, é fato que a Constituição não exige a permanência do parlamentar no partido, assim como não prevê impedimentos para a troca de partidos. Mas, de acordo com a resolução em vigor no TSE, que disciplina o processo da perda de cargo eletivo e de justificação de desfiliação partidária, o partido político interessado pode pedir, na Justiça Eleitoral, a decretação da perda de cargo eletivo em decorrência de desfiliação partidária sem justa causa.

E por justa causa entende-se a incorporação ou fusão do partido, a criação de novo partido, a mudança substancial ou o desvio reiterado do programa partidário e discriminação pessoal. O Senado aprovou uma proposta de emenda à Constituição (PEC 23/07) que assegura aos partidos a titularidade dos mandatos parlamentares. De acordo com o texto, a fidelidade partidária passou a valer desde 1º de janeiro de 2010.

No site do Senado Federal há literatura vasta sobre o tema, onde li a argumentação do jurista brasileiro Clèmerson Clève, que é contra a punição severa com cassação de mandato. Segundo ele, o instituto da fidelidade partidária, deve aplicar penas moderadas, para impedir que se estabeleça uma ditadura partidária. Para o jurista, o partido não pode dispor livremente sobre o mandato. Salienta ainda que o mandato no Brasil é representativo, não imperativo, de onde decorre que a fidelidade partidária deve ser utilizada de forma moderada, jamais agredindo os direitos fundamentais do parlamentar, em especial a liberdade de consciência.

Semana passada o deputado estadual Alceu Maron (PSDB/PR) teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. A decisão foi proferida por maioria, atendendo a solicitação do PPS, partido do qual o deputado havia pedido desfiliação. O deputado disse, porém, na defesa que ele deixou o partido em virtude de uma mudança de programa do PPS, que passou a apoiar um prefeito antes considerado oposição ao partido. Como se vê, o tema é demasiadamente complexo, assim como as argumentações e interpretações que recebe por parte do judiciário e da classe política.

Direitos iguais entre homens e mulheres interessa a ambos sexos

Ainda haja um longo caminho a percorrer antes que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens, embora neste mês de fevereiro comemora-se os 50 anos do lançamento do livro de Betty Friedan, “A Mística Feminina”, lançado em 1963, que deu início a uma fase radical do movimento feminista.

O feminismo é a luta por direitos iguais entre homens e mulheres e o lançamento do livro reforçou o movimento de libertação das mulheres das amarras machistas que lhes tolhiam os direitos mínimos de liberdade e igualdade com relação aos direitos concedidos aos homens, na sociedade, em casa e no ambiente de trabalho. O livro, que em sua primeira tiragem vendeu 1,4 milhão de cópias, causou forte impacto na discussão apaixonada sobre o papel das mulheres na sociedade moderna. Friedan morreu em 2006, aos 85 anos de idade. O movimento radical apoiado por muitas de nossas mães surgiu nos anos 60 e questionava a concentração da vida das mulheres na criação dos filhos e no cuidado com os maridos e o surgimento de um vazio existencial.

O livro foi traduzido para mais de dez idiomas, mas as mensagens chegaram dentro da compreensão de cada cultura. E a principal mensagem era a valorização das mulheres dentro da coletividade, o direito de escolha. O que Betty Friedan criticava era o bloqueio total ao acesso das mulheres em qualquer atividade que não fosse doméstica.

Eu fiquei impressionada com as estratégias, psicologia e pelo tom de simpatia nas colocações. Não há vítimas culpando alguém e sim um sentimento de solidariedade entre as mulheres. Parece que Betty Friedan queria a aprovação dos homens, mesmo quando ela os execrava. O que é intrigante no livro é o papel de Friedan como alguém que queria melhorar as condições de vida das mulheres, sem perder o amor dos homens. O feminismo claramente não resolveu todos os problemas que as mulheres enfrentavam, mas ajudou que elas se reposicionassem em suas gerações. A liberdade gozada pelas mulheres é o que é hoje, porque o movimento feminista foi o que foi no passado, disse a socióloga e ativista brasileira Heleieth Saffioti.

Entretanto, o movimento pela liberdade das mulheres no Brasil e no mundo tem uma história de luta bem anterior a data do lançamento do livro de Betty Friedan. No primeiro Código Civil, de 1916 era latente a tradição da inferioridade feminina; com o casamento, as mulheres eram submetidas ao pátrio poder, consideradas incapazes juridicamente, como crianças, não podiam agir como cidadãs livres e adultas, nem mesmo para assinar um contrato.

A admissão de mulheres nas faculdades data de 1879, a primeira médica se formou em 1887, a primeira brasileira a obter o direito de advogar veio em 1899, o direito ao voto foi conquistado em 1932, tudo isso com muita luta e preconceito. Entre as principais militantes brasileiras estava a pesquisadora paulista Bertha Lutz. A partir dos anos 1970, percebe-se maior participação feminina no mercado de trabalho. As diferenças salariais, no entanto, são perceptíveis até hoje.

Assim era o mundo antes do movimento feminista. Foi contra esse mundo que as feministas lutaram e toleraram a indiferença e a ridicularização por parte de muitos homens. Ao libertar as mulheres, o feminismo também liberta o homem da obrigação histórica de estar no comando, de ser o provedor da família.
A melhor resposta que li sobre toda a intolerância ao feminismo veio da congressista democrata americana Pat Schroeder. Quando ela chegou ao Congresso pela primeira vez em 1973, um Deputado perguntou: “Como você pode ser uma congressista e uma mãe ao mesmo tempo?”
Pat respondeu: “Eu tenho um cérebro e um útero e eu uso os dois.”

Quando o controle vai longe demais

Eu começo a achar que há algo de pernicioso na criação de certas regras quando prefeito de Nova York, Michael Bloomberg propôs e o Conselho Municipal de Saúde aprovou uma medida para restringir o tamanho dos copos de refrigerantes que o comércio de fast-food vende. Falta do que fazer? Preocupação deliberada com a obesidade, sobretudo das crianças americanas ou apenas uma tentativa de controlar o comportamento, restringindo as escolhas das pessoas, tentativa desastrada de usar a lei para promover um certo patrulhamento?
As regras até podem ser para o bem, o que questiono é que não cabe ao governo determinar quantas calorias posso consumir, se devo ou não fumar, ingerir açúcar ou adoçante. Cabe ao indivíduo determinar o que é bom para si e para seus filhos. Essa interferência expõe uma linha de conduta de governo arbitrário.

Há tempos o sistema de ordenamento alimentar está estourado. 1 bilhão de pessoas na terra passam fome, outro bilhão são obesos. Por aqui, os acontecimentos que ocuparam a mídia na semana passada deixaram-me apreensiva quanto ao patrulhamento deliberado e excessivo do modo de pensar e expressar sobre determinados temas. Veio o financiamento e o desfile da Mangueira e todas as matérias publicadas cobravam um posicionamento de repúdio, intolerância e de contrariedade com a forma como as coisas aconteceram; só que eu não sei como as coisas aconteceram, então como posso emitir julgamento?

O Papa renunciou e novamente os artigos publicados induziram a um posicionamento de repreensão do fato, como no texto publicado num grande jornal, onde ao Papa, um chefe de Estado, fez-se referencias chulas; Como posso eu acompanhar tal juízo se nada sei e suponho que pouquíssimas pessoas no mundo saibam o que ocorre nos bastidores do Vaticano.
Na política o mesmo ocorre. Há um véu de puritanismo nas crônicas escritas. O adversário é o corrupto, o inaceitável, mas eu? eu sou o outro lado da moeda, sou adepto da moralidade inequívoca. Será?

As gerações passadas tiveram o direito de desfrutar e destruir os recursos naturais da terra; a conta veio para a nossa geração; temos que adotar um padrão de vida sustentável para não comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as suas necessidades. Isso é imposição de limitações! E esse patrulhamento é muito sério. Uma vida sustentável é difícil de definir e de se levar, porque se refere a tudo o que fazemos e afeta nossas escolhas diárias. O requerimento por uma postura de consumo sustentável não vem com bula de indicações e modo de usar. Na tarja preta lê-se apenas: medicamento de uso obrigatório.

Há uma pressão exagerada para que adotemos pensamentos e posturas padronizadas, mas como conciliar pensamentos e posturas iguais numa sociedade de desiguais?

Quando exemplos falam mais alto que as palavras

Ser gentil faz tão bem quanto ser alvo de uma gentileza.

É errôneo pensar que as crianças não observam o mundo dos adultos; as crianças podem mostrar sinais de empatia e preocupação desde uma idade muito tenra. Eles reagem com preocupação quando veem infelicidade, querendo ajudar ou corrigir o problema.

Li atenta estudos recentes que enfatizam a importância do pai deixar que seus filhos saibam o quanto significa que eles se comportam com bondade e responsabilidade. Quando você vê seu filho fazendo algo que você acha que é impensado ou cruel, diga de imediato que você não quer que ele faça isso, fale com firmeza e honestidade. Esta reação emocional precisa ser acompanhada pela explicação do por que você desaprova a atitude. Seja franco, honesto e aberto com seus filhos; a ideia é ensiná-los, não fazê-los sentirem-se culpados.
Vale lembrar a antiga crença de que os exemplos falam mais alto que as palavras.

“O Poder da Gentileza” é um livro do escritor italiano Piero Ferrucci, prefaciado por Dalai Lama, que traça um argumento poderoso para a bondade como uma forma de conduta. Ferrucci vê o declínio da gentileza e bondade todos os dias e chama isso de “resfriamento global” e relaciona-se com o ritmo que segue a vida moderna. Argumenta que as pessoas gentis e amáveis estão destinadas a viver uma vida muito mais interessante e gratificante do que aqueles que não têm essa qualidade. Estes estão muito melhores equipados para enfrentar a vida em toda a sua imprevisibilidade selvagem e precariedade assustadora. Completa dizendo que as pessoas gentis são mais resistentes e mais capazes de recuperar das vicissitudes da vida.

Ao longo dos capítulos do livro, o autor apresenta os vários aspectos da bondade: honestidade, carinho, perdão, contato, sensação de pertencimento, confiança, atenção, empatia, humildade, paciência, generosidade, respeito, flexibilidade, lealdade, gratidão e alegria. O escritor vai contando deliciosos contos da mitologia grega, do folclore, romances modernos, do cinema italiano, contos populares africanos. No capítulo dedicado a alegria, há distinção útil entre duas noções de felicidade. A primeira é a abordagem hedonista, que trata a felicidade como prazer máximo, com o mínimo de dor. O segundo é eudemonista; a felicidade como fundamento e objetivo da vida. A bondade é a fonte da qual flui tantas outras qualidades positivas, como perdão, honestidade, paciência e generosidade.

A experiência mostra que há apenas uma maneira confiável de transmitir bondade para a próxima geração; sendo exemplo, mostrando a gentileza e bondade, não como um evento especial ou como um momento de ensinamento, mas como atitude diária, parte do dia-a-dia, fazendo as coisas boas sem alarde. Os pequenos olhinhos vão ver, copiar e compreender. Se você demonstra constantemente carinho e compaixão, é mais provável que seus filhos vão ser também assim. As crianças assistem a seus pais e outros adultos em busca de pistas sobre como se comportar.

O que mais inspira uma criança a se importar com os outros é o cuidado que ela recebe. Especialistas afirmam que quando as crianças sentem que têm uma base segura em casa, elas são mais propensos a se aventurar e prestar atenção aos outros. Fico pensando que obra prima é o homem, na razão, na forma. Só falta-lhe mesmo abraçar seus filhos e ensinar-lhes que é imensamente importante que tentemos fazer de nossas vidas, algo positivo. Definitivamente não nascemos para ser motivo de aflição ou para prejudicar outros.

Os meninos do século XXI

Em um mundo onde a violência e a crueldade parecem estar se tornando comum e quase aceitável, muitos pais se perguntam o que podem fazer para ajudar seus filhos a se tornarem mais amáveis e gentis, para desenvolver neles o sentimento de carinho e compaixão pelos outros.
Os pais, é claro, não podem controlar completamente todas as coisas que afetam a vida de seus filhos. Afinal, as crianças passam muito tempo no mundo real, o que muitas vezes é duro, insensível, ou simplesmente infeliz. E as crianças têm suas próprias personalidades e características que os pais não podem alterar.

Pesquisas realizadas na última década indicam claramente que muitos meninos não estão cumprindo as expectativas com relação ao rendimento escolar, enquanto as meninas estão indo muito bem. Por que isso está ocorrendo?
Na década de 60 e 70, havia preocupações quanto ao baixo rendimento das meninas no sistema de ensino. As meninas iam bem nas disciplinas de menor status e eram menos propensas a entrar na universidade do que os meninos que iam bem em matemática, física e química. A posição inverteu-se na década de 90, quando as meninas foram avançando e superando as adversidades. Li e fiquei em dúvida se esta é uma análise imparcial ou se o sistema de ensino foi subliminarmente alterado para atender às meninas.

A pesquisa indica que os meninos estão menos comprometidos com a escola, mais propensos a serem encaminhados para a coordenação e psicólogo da escola, a serem punidos nas escolas e em casa, e quando punidos são suscetíveis a enfrentar penalidades mais severas que as meninas. Os meninos são mais propensos a apanhar em casa e a enfrentar o abuso verbal dos adultos.
Alguns meninos parecem ser negligenciados e, portanto, não desenvolvem bom relacionamento com os professores enquanto a maioria das meninas constroem cuidadosamente essa teia. Muitos gurus da educação de crianças afirmam que os meninos não são mais difíceis de educar, são diferentes e precisam ser abordados de forma diferente, sem denomização.

Os meninos não são menos emocionais , mas são mais estressados emocionalmente e quando estão estressados evitam a fonte do conflito. Sofrem em silencio. Meninos amadurecem mais lentamente do que as meninas e como resultado são mais lentos para desenvolver o controle de seus impulsos. Talvez isso justifique o registro de que noventa e cinco por cento dos homicídios juvenis ocorridos no mundo são cometidos por meninos.

Educar meninos pode significar muito mais do que observar o desempenho acadêmico dos mesmos; o enfoque deveria ser o desenvolvimento de toda a essência espiritual, moral, emocional, intelectual, física e social desses homenzinhos. Em resposta as preocupações sobre o desenvolvimento ético das crianças, muitos estudiosos sugerem programas de educação de caráter do qual a cidadania é uma parte. Isso reforçaria em todos os graus a compreensão de seus direitos e obrigações como cidadãos.

Porém nada se iguala ao papel único que os pais desempenham na vida dos meninos. Os meninos cujos pais são emocionalmente próximos e altamente envolvidos são mais propensos a obterem bom aproveitamento escolar e são menos inclinados a cometer atos delinquentes. A pesquisa mostra que o fator mais influente no desenvolvimento da empatia de um menino é ter o pai envolvido no seu cuidado diário.

Eu tenho um sonho…

O Presidente dos Estados Unidos Barack Obama iniciou seu segundo mandato fazendo o juramento com as mãos sobre a bíblia que pertenceu ao reverendo Martin Luther King, que é homenageado em todo país na terceira segunda-feira de janeiro.
Martin Luther King Jr. nasceu em 15 de janeiro de 1929, filho e neto de pastores religiosos, por isso não surpreende que ele tenha se tornado um pastor também. Luther King tornou-se o líder dos movimentos de direitos civis e uma das pessoas mais influentes que a América já produziu.

Luther King nasceu e cresceu no sul segregado e com apenas 15 anos foi direto para a Faculdade de Atlanta, graduou-se em Sociologia. Quis continuar os estudos e mudou-se para a Pensilvânia para estudar Teologia. No seminário, ele estudou os ensinamentos do líder espiritual indiano Mohandas Gandhi, que advertia contra a eficácia da violência como uma forma de promover a mudança social. Em 1955 terminou o doutorado na Universidade de Boston.
O processo de integração entre negros e brancos estava acontecendo de forma lenta e traumática nos Estados Unidos e uma das grandes preocupações de Luther King era unificar as pessoas de ambos os lados, independente da raça, através da resistência pacífica. Ele defendeu a causa de direitos iguais para todos e insistiu nas marchas de protestos não violentos para chamar a atenção para a segregação, para que as pessoas percebessem que eram todas iguais e que os direitos humanos básicos deveriam ser concedidos a todos, sem distinção de cor da pele ou nacionalidade.

Ainda muito jovem, aos 30 anos, começou a levar multidões para as marchas por todo o país; como orador inspirado e inflamado foi capaz de se conectar com os cidadãos pretos e brancos.

Com um doutorado na mão, Luther King era um líder espiritual que queria avançar na causa dos direitos civis, sem uso da violência. Incitou então, o boicote aos ônibus americanos, onde aos negros cabia a parte traseira do veículo. O espírito do boicote de Montgomery, começou com a recusa de Rosa Parks em sentar-se na parte de trás do ônibus, durou mais de um ano, até que a Suprema Corte decidiu que as leis que exigiam a segregação nos ônibus eram ilegais.
Durante o boicote viu-se a exposição da figura do líder carismático e determinado. Luther King foi preso mais de vinte vezes e também foi alvo de violência e ameaças contra sua vida. Em uma de suas prisões, ele escreveu uma carta pública onde descreveu suas crenças e reafirmou a esperança no futuro da América igualitária.

Foi eleito presidente de uma das principais organizações de direitos civis dos Estados Unidos em 1957, ano em que o Congresso aprovou a nova Lei de Direitos Civis. Um de seus melhores momentos foi o pronunciamento do famoso discurso que ele fez em Washington, em 1963, quando comandou uma marcha com mais de 250.000 pessoas e entre outras belas frases, disse: “Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade”.

Em 1964, aos 35 anos, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz. No discurso de agradecimento anunciou que iria entregar todo o dinheiro que recebeu junto com o prêmio para ajudar a avançar o movimento dos direitos civis nos Estado Unidos. Tão famoso como era, Martin Luther King Jr. estava sempre envolvido numa manifestação ou marcha pela ampliação dos direitos civis. Dia 04 de abril de 1968, viajou para o que seria sua última marcha de protesto; uma reunião em solidariedade à greve dos trabalhadores da coleta de lixo em Memphis, Tennessee. Foi morto a tiros.
Sua mensagem de não-violência foi ouvida por todos os lados. Sua esperança de viver em uma América sem distinção de cores parece um avanço real e talvez não existisse Barack Obama presidente se não fosse a luta do líder negro Martin Luther King.

Nós não temos nada a temer senão o próprio medo

A frase do título deste artigo foi pronunciada pelo ex-presidente americano, Roosevelt (1933-1945), diante do quadro desolador da grande depressão americana e da segunda guerra mundial. Cada geração dá legitimidade a seus medos e realmente acredita que este é o mais assustador.

Eu sempre considerei o medo da mudança como um mecanismo de defesa. Geralmente queremos que os outros mudem, que os outros nos garantam segurança e felicidade. Nosso medo mais comum é o medo do desconhecido, da incerteza diante da criação dos filhos, da manutenção física da vida. Temos medo de uma lista de coisas que nunca acaba e muda a cada dia. Se vivemos a nossa vida com medo, em vez de reconhecer o seu verdadeiro propósito, deixaremos corroer a qualidade de nossas vidas e de nossos relacionamentos.

Você já reparou que a maioria das coisas que nos preocupam parecem não passar? Quando ficamos presos ao medo, um pensamento terrível começa a controlar a nossa vida, o sono e as decisões são sofridas, adiadas. O medo pode até ter um fim legítimo para nossa sobrevivência, como a sinalização de que devemos resolver certos conflitos e pode funcionar como um lembrete para refletir, mudar e agir de uma maneira nova. Uma vez que estamos cientes desta distinção, temos uma escolha sobre como nós respondemos aos nossos medos.

Para desfazermos do medo devemos aprender a confiar em nosso próprio instinto, intuição e percepção. Somos os criadores dos nossos pensamentos, emoções e, portanto, da nossa experiência. O medo de cair não deve nos impedir de viver certas experiências. A sensação inicial de medo, no entanto serve para alertar para a necessidade de pensar nos detalhes a fim de proteger, mas não para ficar obcecado pelo perigo. O medo é portanto, o nosso grito de alerta e não um agente imobilizador.

Em geral, se nós nos esforçamos para mudar nossas vidas é a fim de melhorá-las, para alterar as condições que nos impedem de ter sucesso em nossas carreiras ou em nossos relacionamentos. Entretanto a mudança autêntica dá um monte de trabalho e, geralmente envolve enfrentamento da dor, que faz parte da própria natureza da mudança em si, da sua imprevisibilidade. Muitas pessoas têm um forte medo da mudança por apego ao que é familiar; mesmo que não seja algo gratificante, preferem ficar com a infelicidade cotidiana que já conhecem bem, se apegam às rotinas de repetição, como se todos os dias fossem iguais, como se o tempo tivesse parado.

Todo mundo sente medo. O medo é uma resposta natural ao perigo, mas também pode ser alimentado, como o medo do fracasso, de estar fora de controle ou de estar só. Há o medo do futuro e da morte, do amor e da rejeição e não podemos confiar, porque somos dominados pela dúvida e insegurança. “Há um mundo de amor e há um mundo de medo, e ele está em pé bem na frente de nós”, disse o músico Bruce Springsteen numa entrevista. “E muitas vezes o medo que sentimos é mais real e, muito mais urgente do que o sentimento de amor. É estranho, mas quando esse mundo de amor vem correndo, um mundo de medo vem com ele. Para se abrir para o amor, você tem que abraçar o medo também”.