É preciso abandonar a zona de conforto

Para vivermos nossos sonhos, devemos nos esticar para além da nossa zona de conforto e experimentar coisas novas, mesmo quando não sabemos como elas vão terminar. É importante se abandonar ao medo do desconhecido e confiar que seremos capazes de lidar com os obstáculos e desafios. Nem sempre isso significa saltar sem uma rede de proteção, sem qualquer apoio ou conhecimento do que você está fazendo. Significa simplesmente, dar pequenos passos na direção em que você quer ir.

Pessoas que só assumem o que elas sabem que pode fazer bem, são as que vivem dentro da zona de conforto. É uma tendência natural que as pessoas queiram ficar cômodas e seguras dentro de suas realidades habituais, mesmo sendo, às vezes, infelizes. Mas a segurança deve ser encontrada dentro de nós mesmos. Segurança para participar, contestar, entender e mudar. Sair da zona de conforto é o melhor método de promover o crescimento pessoal e profissional. Pisar fora do barro que amassamos todos os dias demanda coragem e determinação. O crescimento, obviamente será proporcional à mudança que promovemos ou ao desconforto que talvez, estejamos querendo experimentar. Eu aprendi a crescer numa sensação, às vezes incômoda, de desconforto. Os desafios não vem mansos e se a mudança não assusta, talvez ela não esteja de fato acontecendo.

Não adianta fazer um acordo consigo para deixar a zona de conforto, é preciso comprometer-se a experimentar um caminho novo, vencer medo, ver para além da fronteira do que os olhos enxergam. Conhecendo bem a si mesmo, você sempre identificará o momento oportuno para uma grande mudança. Cometer erros e de forma responsável aprender com eles é parte desse exercício.
É preciso, assim muita coragem para dar um passo atrás de um trabalho ou produto que não estão totalmente prontos. Mas pensa no prazer imenso de lapidar algo com seu conhecimento, com sua perícia. Como será ser desafiado, estar completamente desconfortável fora da sua zona de proteção? Não é bom estar animado, correspondendo à novas expectativas, lidando com novas estratégias?

A nossa natureza conservadora impede nosso movimento e nossa interação com o que é novo. Mas vale espiar e conhecer novos valores, culturas diferentes, novas políticas que estão sendo implementadas aqui e ali. Não deixa, porém, de ser um desafio encontrar pessoas cujos valores se assemelham aos nossos, mas se quisermos crescer, há um vasto mundo de possibilidades também nos espiando. A zona de conforto nos protege de perigos, muitas vezes, apenas imaginários. Perceba que sair da sua zona de conforto pode ser também divertido, apesar do que sua mente medrosa pode estar dizendo antes de você começar. Mas lá atrás, todos nós um dia começamos algo novo e certamente temos muitas memórias positivas dos riscos que corremos e das chances que aproveitamos. Nada excitante, divertido e importante acontece quando nos calamos.

Muitas pessoas se dispuseram a sair de suas zonas de conforto na semana passada, para discutir temas polêmicos, que podem interferir diretamente na vida dos indivíduos. Sair da zona de conforto também significa estar mais envolvido nas conversas, exercitar pessoalmente os direitos, sensibilizar-se com as situações sociais, ir ganhando coragem, se expondo gradualmente, independentemente de quem você é, onde você mora.
Vivenciar a cultura de apoiar, encorajar e promover a tomada de risco e incerteza, vai deixar você mais corajoso quando chegar a hora de pular de cabeça rumo ao desconhecido.

Mas se você olha para o caminho que você está seguindo e gosta de onde você está, você pode aproveitar o passeio. Mas se você não gosta do destino, a única solução é abandonar sua zona de conforto, saltar e mudar para uma nova pista.

Homens aprisionados

Um trecho da República, de Platão, a “Alegoria da Caverna” é uma figura de clássica alegoria à condição humana. É uma história que mostra como a verdadeira realidade nem sempre é o que parece ser na superfície. A alegoria da caverna é um diálogo fictício entre Sócrates e Glaucon, irmão de Platão.
Três prisioneiros foram acorrentados no interior de uma caverna durante muito tempo. Eles foram acorrentados com a cabeça virada contra a parede da caverna e tudo o que podiam ver e ouvir eram as sombras, estampadas nessa parede dos objetos carregados por aqueles que passavam às suas costas, à frente de uma grande fogueira e os ecos dos ruídos vindos do mundo exterior. Esta era a única realidade que eles conheciam.
Então um dia, um prisioneiro consegue libertar-se.

Ele está cego pela luz fora da caverna e espantado ao ver uma realidade completamente nova de pessoas, animais e objetos que ele nunca conheceu. Ele volta a caverna para contar aos amigos prisioneiros a notícia, mas para seu espanto eles não acreditam que existe outra vida lá fora e para eles o mundo das sombras é a única realidade. A alegoria da caverna serve supostamente para explicar como algumas pessoas ainda vivem acorrentadas em uma caverna e o que podemos fazer para nos libertar da escuridão e alcançar o entendimento e a verdade e como podemos escolher entre ser um homem sem dote ou o rei das sombras.

A alegoria da caverna insinua que nossa tragédia reside simplesmente na nossa recusa em reconhecer que vivemos em uma certa condição de prisão perpétua, agarrando-nos às imagens e sons das sombras e fechando os olhos para a realidade.
A alegoria inteira poderia ser interpretada em múltiplas dimensões; misticamente, psicologicamente e politicamente.

A consciência é o primeiro passo no processo de compreender os fatos, sair da escuridão e enfrentar o mundo real com posicionamento, sem negligência. Ao nos libertarmos das ilusões que cegam passamos a existir dentro dos princípios que acreditamos válidos.
À medida que as decisões dos outros afetam ou beneficiam nossas vidas, devemos procurar entende-las. Esse entendimento, em seguida, nos dá a oportunidade e liberdade para mudarmos as coisas que queremos mudar. Não devemos viver fora do âmbito da comunidade e dos governos da nossa cidade. Mas para tomar decisões e fazer escolhas temos que ter certa percepção do mundo.

Percepção realista do mundo de hoje inclui todos os sinais de alerta. Não devemos ter medo de sermos inadequados, não devemos temer o poder dos outros, não podemos permitir que a nossa luz nos assuste.

E você, como está percebendo o mundo? O que está acontecendo a sua volta? Você sente as ações do governo no sua vida cotidiana? Ver o mundo como ele realmente é, sem nenhuma mediação imposta é um sonho perseguido desde a Antiguidade.

Percepção, em termos simples, é a compreensão ou a consciência de algo por meio de um ou mais dos sentidos – visão, audição, tato, paladar e olfato. Você pode, por exemplo, perceber a presença de uma pessoa em uma sala, porque você testemunhou com seus próprios olhos, ouviu passos ou sentiu a vibração de alguém andando pelo chão. Essa seria uma percepção básica do nosso mundo físico.
Assim, suas percepções gerais não são apenas sobre como você percebe o mundo ao assistir notícias, mas como você está respondendo ao mundo que você percebe através das notícias. Você está vendo e respondendo ao mundo com bondade, sem julgamento, respeito e compaixão ou através da lente da insegurança, preocupação, resignação, medo ou raiva?

Portanto sair da caverna é aceitar a luz da percepção, compreender o mundo, aprender o funcionamento da estrutura básica dos negócios, da política e da vida. Porque o que aprisiona o homem é a incerteza diante do descortinar do novo dia, o que aprisiona o homem é a não deliberada vontade de romper, de seguir um rumo, de ser livre.
O homem aprisionado não vê adiante, não rompe com conceitos estreitos, fica lá furtivo e silencioso, olhando a vida através da sombra estampada na parede da caverna.

As metas da Declaração do Milênio

No ano de 2000, representantes de 191 países assinaram em conjunto com as Nações unidas, a Declaração do Milênio; um compromisso, considerado importantíssimo para libertar a humanidade da extrema pobreza, do analfabetismo e da fome. Definiram então 8 metas a serem alcançadas até o ano de 2015:

Erradicar a extrema pobreza e a fome;

Atingir a meta universal de conclusão do ensino básico;

Promover a igualdade entre homens e mulheres;

Reduzir a mortalidade infantil;

Melhorar o atendimento a saúde materna;

Combater a AIDS, Malária e outras doenças;

Garantir a sustentabilidade ambiental e

Desenvolver parcerias globais para o desenvolvimento.

No relatório emitido em 2011, assinado pelo Sub- Secretário Geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Relações Sociais, Sha Zukang, está o detalhamento da avaliação severa dos avanços ou cumprimento das metas. Ao ler o relatório fica claro que muitas vidas foram salvas ou mudadas para melhor desde que os líderes mundiais assinaram a declaração, que ajudou a definir as prioridades nacionais e depois globais. A pobreza diminuiu em muitos países devido as intervenções focadas nas áreas críticas citadas. A meta estabelecida  para 2015  é baixar a taxa de pobreza global para 23% e com esforço redobrado trabalhar com a possibilidade de 15%. Ser pobre, do sexo feminino e ainda viver em uma zona de conflito aumenta
a probabilidade de que a criança vai estar fora da escola, entretanto a taxa de escolarização de crianças na escola primária subiu 7 pontos percentuais desde 1999.   As ações direcionadas conseguiram também reduzir a mortalidade infantil, sobretudo devido a melhora na cobertura das vacinas. As incidências de morte por malária foram reduzidas em 20% em todo o mundo e essa meta foi atingida com intervenção rígida dos agentes comunitários de saúde, governos e parceiros. Novas infecções pelo HIV estão diminuindo de forma constante, graças ao aumento dos valores destinados a pesquisas e aumento do número de pessoas recebendo terapias, o que tem reduzido o número de mortes relacionadas à AIDS. O progresso tem sido desigual na melhoria do acesso a água potável  e o esforço para garantir isso não surtiu ainda o efeito esperado, muitos países e comunidades encontram-se vulneráveis. As oportunidades de emprego em setores produtivos continuam a castigar as mulheres. O homens preencheram quase todas as vagas, especialmente no mundo em desenvolvimento. Os avanços em saneamento ignoram os pobres e há aproximadamente 828 milhões de pessoas no mundo, vivendo em condições de favelados.

Os líderes mundiais que se reuniram em 2010 para a análise do documento reafirmaram o compromisso com a paz, igualdade, equidade e sustentabilidade e chamaram a atenção para os desafios de estancar as desigualdades e assegurar o acesso de mulheres e meninas à educação básica, serviços de saúde e oportunidades de trabalho. No site do Ministério das Relações Exteriores o assunto é tratado dentro do panorama internacional e o Governo Brasileiro mostra-se comprometido no cumprimento de tais metas, porém enfatiza que é necessário mais empenho dos países ricos para ajudar os mais pobres a vencerem as mazelas da pobreza. Faltando apenas 03 anos para findar o prazo estabelecido no documento, o Brasil anuncia que cumpriu a meta imposta pela ONU de reduzir em 50% o número de pessoas que passam fome. Agora o objetivo é erradica-la. A última década foi de transformação notável e de crises aparentemente intermináveis. Nós vimos milhares de pessoas saltarem da pobreza para as fileiras da classe média, mas enfrentamos problemas persistentes como as doença, pobreza, crises financeiras e guerras. Talvez precisamos mesmo de líderes, que estejam dispostos a enfrentar esses desafios.

O engajamento político deve ir além do ato de votar

Como mudar o mundo? Aqueles que estão preocupados com os rumos perigosos do desenvolvimento global estão questionando isso com certa veemência porque as instituições têm-se revelado muito tímidas nas reunião que tratam dos desafios ambientais e sociais do nosso tempo. Ainda bem que, sonhadores, podemos imaginar o despertar de um novo ator social: um movimento coordenado de cidadãos globais que lutam em todas as frentes tentando construir uma civilização planetária justa e sustentável.

O Projeto Carnegie encomendou uma análise oportuna sobre a formação dos valores, conhecimentos, habilidades e motivação que garantam o engajamento político e cívico das pessoas ao longo de suas vidas. A preocupante queda na participação dos jovens nos processos eleitorais é uma justificativa e tanto para os programas de engajamento cívico e político, a exemplo do próprio projeto da Carnegie.

Estas são questões legítimas, que lançam desafios de longo prazo tentando aumentar a participação do indivíduo na política. Mesmo se todos os jovens adultos que já confirmaram suas intenções de votar comparecerem nas cabines de votação, não devemos anunciar que a missão foi cumprida e desmantelar os nossos programas. O fato de que jovens de hoje votam menos que os mais velhos fizeram na mesma idade é apenas uma peça de um poderoso conjunto de razões para incentivar a cidadania engajada.

A necessidade de esforços engajamento contínuo deve ser forte e vigilante, para a reversão dessa realidade num agradável ponto de dados mostrando o aumento de voto entre os jovens. Impossível? Não. Porque mesmo assim, muitas categorias ainda estariam sub-representadas nas urnas. Então, ao invés de descansar, qualquer ascensão na votação entre os jovens adultos deve incentivar novos trabalhos, particularmente para que nenhum grupo se sinta excluído do processo político.

Embora a participação dos eleitores seja certamente importante, existem outras razões para observar atentamente e apoiar os esforços de engajamento cívico e político. Todos os cidadãos são absolutamente necessários para a legitimidade da governança democrática e para reforçar nossa cultura democrática. Na excitação de uma campanha no entanto, é preciso também se preocupar com a qualidade geral da participação dos eleitores. E essa preocupação pode ser externada no trabalho para aumentar o conhecimento político relevante, as habilidades e motivações que podem apoiar a cidadania empenhada e eficaz. Todo esforço para validar o engajamento político serve para promover valores cívicos que apoiam a participação política plena.

Não temos um cenário ideal de participação democrática nas eleições e portanto muito trabalho está por vir. Se melhorarmos a qualidade geral da nossa participação na vida política, onde a democracia é entendida como a meta definitiva, também precisamos continuar a promover o voto e outras variedades de modos de participação que contribuam para uma cultura democrática e vibrante do desenvolvimento do cidadão. Nós também precisamos ir além da mera contagem de votos. Jovens e adultos devem decidir através de atos políticos, como e por que eles devem exercer voz e influência política.

As campanhas políticas são momentos fragmentados e impotentes para alavancar a transformação holística, para criar uma visão alternativa e estrategicamente eficaz que possa despertar a consciência e propor uma nova forma de organização política. A medida que evoluímos com um projeto que deve promover uma política de confiança, também selamos um compromisso de unidade e equilíbrio com os movimentos populares, que desenvolveram inúmeras identidades nacionais mais nclusivas e conscientes. Podemos observar o prenúncio do movimento no coro crescente dos cidadãos associados chamando para uma mudança fundamental do curso de nossas vidas.

Organizações e indivíduos têm trabalhado assiduamente em toda a extensão dos problemas ambientais e sociais que o mundo enfrenta. Os grandes encontros anuais do Fórum Social Mundial, os protestos em todo o mundo contra as guerras, os movimentos globais por justiça social e meio ambiente, além de campanhas coordenadas para influenciar a política internacional são as expressões tangíveis da crescente preocupação do público.

E como nos aproximamos dos governos da nossa sociedade global? Uma resposta adequada deve abordar a participação efetiva e consciente do cidadão no processo eleitoral local, enfrentar os desafios contra a fragmentação da nossa ordem política, fazer coro na ladainha de críticas dos problemas supra-nacionais, como; mudança climática, estabilidade financeira, o conflito cultural, comida, segurança, o esgotamento dos recursos naturais, a globalização econômica e a lista continua…Imagina o avanço de um movimento global de cidadãos preocupados, articulados e envolvidos na promoção da mudança, representando de fato o surgimento da sociedade civil engajada, onde o envolvimento político iria muito além do ato de votar.

Talvez nos encontramos hoje no meio de uma crise eleitoral, onde a fé e confiança em nossos sistemas de voto estejam corroídas. Mas, se a democracia significa o governo por, de, e para todas as pessoas, e não apenas para uns poucos privilegiados, temos de estar preocupados com aumento da inclusão das vozes e dos votos que exercem influência em todas as arenas políticas.

O consumo excessivo reforça as desigualdades

O mundo não é feito apenas de etiquetas de números e preços.

Considerado o maior estudo já realizado para traçar o perfil do novo consumidor global, a TNS Gallup, pesquisou 26 países, entre eles o Brasil, questionando a ordem da demanda do consumidor, suas decisões sobre determinados produtos e as razões pelas quais se migra para uma marca ou outra e o que, de fato afeta a escolha dos consumidores. O estudo oferece uma visão que permite às empresas compreender as percepções dos clientes e o engajamento dos mesmos nas questões climáticas e a utilização dos recursos naturais de forma consciente. Será que está surgindo aí um novo consumidor que se relaciona com marcas globais, tem atitude aberta com relação a ecologia e busca informação ao escolher determinado produto ou serviço?

O consumidor brasileiro descobriu a internet. Otimista com o pequeno aumento do poder aquisitivo, 20% dos consumidores brasileiros declararam já haver feito compras na internet. O consumo não precisa ser voraz, a palavra de ordem é consumir de forma consciente, evitar filas intermináveis, engarrafamentos, locais abarrotados de gente, falta de tempo para verificar os melhores preços. Fuja da regra que impera no período de natal, onde os gastos são, via de regra, descontrolados, há desperdício de tudo. Pensa no funcionamento de toda cadeia produtiva para fazer chegar as lojas o seu presente, por exemplo, maior extração de matéria natural, maior consumo de energia, aumento de lixo, emissão de gases na atmosfera.

A natureza sofre por todos os lados e vale lembrar que a humanidade já consome 50% a mais do que o planeta consegue repor e absorver de danos. O brasileiro Instituto Akatu e o Instituto americano Worldwatch, lançaram uma versão do relatório “Estado do Mundo – 2010”, um documento que retrata as questões ambientais, sobretudo sob o ponto de vista do consumo predador. O estudo enfatiza o dado que apenas um sexto da população do planeta consome 78% de toda a produção mundial.

Segundo dados do relatório, na última década, a humanidade aumentou seu consumo de bens e serviços em 28%, com a carga pesando nos veículos, computadores e telefones celulares. Para produzir tantos bens, é preciso usar cada vez mais recursos naturais.
Além de excessivo, o consumo é desigual. Os 65 países com maior renda, que somam 16% da população mundial, foram responsáveis por 78% dos gastos em bens e serviços.

Os americanos, que detém 5% da população mundial, abocanharam uma fatia de 32% do consumo global. Se todos vivessem como os americanos, o planeta só comportaria uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Atualmente já somos sete bilhões. A pior notícia é que a partir de agora, nem mesmo mantendo um padrão de consumo médio, será possível atender igualmente todos os habitantes do planeta. A conclusão do relatório não deixa dúvidas: sem uma mudança cultural que valorize a sustentabilidade e não o consumismo, não haverá esforços governamentais ou avanços tecnológicos capazes de salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas.

O Instituto Akatu inovou ao ligar sem rodeios o consumo e a sustentabilidade do planeta, mais fortemente ameaçado por conta das crises consumistas do final do ano. Eis aqui a uma série de medidas elencadas que podem frear o ímpeto do consumo irresponsável:

1ª – Planeje os gastos. Antes de sair às compras, estipule um valor limite e respeite-o.
2ª – Convide com antecedência. Se você pretende convidar familiares ou amigos para a ceia faça-o com antecedência. Busque confirmação para comprar produtos na medida e evitar desperdícios.
3ª – Faça a lista de produtos. Mesmo que tenha recurso disponível, resista aos novos itens atraentes que podem aparecer.
4ª – Compare preços sempre. A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) sempre alerta para a variação dos preços dos produtos durante as datas festivas. Pesquise e compare preços.
5ª – Compre pela internet. Na média, os produtos comprados via internet são até 15% mais baratos, e a maioria das lojas entrega em até dez dias, segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. Além de economizar dinheiro, você economiza combustível. Um veículo a menos poluindo.
6ª – Elimine aos poucos os itens da lista. Aproveite o caminho de volta para casa depois do trabalho e compre os produtos listados. Você contribui para diminuir o trânsito e a superlotação das regiões comerciais nos dias que antecedem o Natal.
7ª – Não tenha vergonha de pechinchar. Na hora de compra, principalmente se pagar a vista e em dinheiro, não deixe de pedir desconto.
8ª – Escolha seu presente agora e compre depois. O varejo nem sempre consegue acabar com os estoques do Natal e, em geral, depois do dia 25, fazem descontos que podem achegar a metade dos preços dos produtos.

Bem, Feliz Natal e boas compras com responsabilidade!

O Livro Verde do coronel

O coronel Líbio Muammar Kadafi, ditador que teve a morte anunciada, aos 69 anos, em 20 de outubro, deve ter cumprido as três etapas de uma vida plena na terra; teve vários filhos, deve, em algum momento da vida ter plantado uma árvore e pasmem: escreveu um livro! Uma obra conhecida como “O Livro Verde”, traduzido para 90 idiomas detalha com requintes de hipocrisia suas insanas teorias políticas. Lançado em 1975, o livro, que seria leitura obrigatória, explana o pensamento político irracional do ditador líbio, que fez o povo viver por 42 anos sob o jugo dos preceitos subtitulados como “A solução para os problemas da democracia; a base social para a Terceira teoria Universal”, teoria que rejeita o capitalismo e igualmente o socialismo.

Entre tantas pérolas há que se destacar o reconhecimento iluminado de que as mulheres são seres humanos e diferentes dos homens porque menstruam e que os ciclos de dominação das raças aponta agora para a supremacia da raça negra; concede a todos o direito de se expressar através de qualquer meio, até para expressar sua própria insanidade; critica a educação obrigatória porque a vê como forma de coerção e o emprego de material didático é entendido com um ato ditatorial; colocar uma criança na creche é igualmente tirânico e viola a liberdade natural da criança; amontoá-las numa creche seria um processo semelhante ao de se engordar pintos num aviário; trabalhar em troca de salários seria algo indecente, pois a nenhum trabalhador seria dado o direito de ganhar mais do que o necessário para satisfazer suas necessidades; quanto as práticas culturais, o Livro Verde ensina que nenhum beduíno tem interesse na representação, no teatro ou cinema porque são homens inteiros.

O ditador Kadafi assumiu o governo da Líbia em 1º de setembro 1969, em meio a um golpe de estado, quando derrubou do poder o rei Idris, que visitava a Grécia. Assumiu a Presidência do Conselho de Comando da Revolução prometendo a unidade do mundo árabe. Buscou alianças e fusões efêmeras com o Egito, Tunísia, Argélia e Marrocos. Em 1971, criou a União Socialista Árabe, único partido no país.

A ditadura tem ligação com sociedades abaladas por grandes transformações e instala-se geralmente em sociedade de baixo grau de modernização econômica e social, utilizando-se da mobilização de grande parte da população, para subjugar a outra parte. Segundo o Dicionário de Política, do filósofo Italiano Norberto Bobbio, a ditadura caracteriza-se sobretudo pelo poder ilimitado concedido ao ditador e pela precariedade das regras de sucessão do poder político.

Ademais, o Governo ditatorial não é freado pelas leis, porque coloca-se sempre, acima delas e transforma em lei,suas vontades pessoais. As normas jurídicas são frágeis e ineficazes e quase sempre ignoradas de forma discreta ou acintosa. Não há limites concretos para regular a conduta do ditador ou do grupo que o assiste. No caso da Líbia, a figura do Coronel,com seus traços psicológicos alterados se tornou a mais fiel personificação do poder.

A ditadura, negação do processo democrático, contrasta com as condições políticas claras e objetivas, daí porque sua continuidade não pode ser garantida de modo ordenado ou regular. O povo explode,mais cedo ou mais tarde, como explodiram os jovens no Egito e na Tunísia e agora na Síria.

Para o presidente da OTAN Anders Fogh Rasmussen, o reino do medo do coronel Kadafi chegou ao fim, após 42 anos e a Líbia pode pôr um ponto final em um longo e sombrio capítulo de sua história, e virar a página.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse em entrevista que este dia marca uma transição histórica para a Líbia e que isso é apenas o começo de um caminho que vai ser difícil e cheio de desafios. Os Líbios só podem cumprir a promessa de futuro melhor através da reconciliação, considerando o momento um tempo de cura, onde a inclusão e o pluralismo devem nortear as ações do Conselho Nacional Transitório. Cidadãos que há oito meses empunhavam armas,carregam agora a bandeira da liberdade e a queda do ditador deve abrir caminho para a construção da democracia no país e deixar a era de opressão e terror para trás.

Entretanto, segundo a revista foreignpolicy,em agosto de 2010 havia 40 ditadores no mundo, governando cerca de 1.9 bilhões de pessoas. Apesar de todos os ditadores serem maus em suas próprias essências, há um aspecto insidioso que os identifica; são revolucionários que se tornaram tiranos.

Eis aqui, segundo a revista, os cinco piores ditadores do mundo:

1 – Kim Jong II, da Coréia do Norte, no poder desde 1994;
2 – Than Shwe, da Birmânia, no poder desde 1992;
3 – Hu Jintao, China, no poder desde 2002;
4 – Robert Mugabe, Zimbábue, no poder desde 1980;
5 – Principe Abdullah, Arábia Saudita, no poder desde 1995.

Troca de alianças na ponta da espada

ca19057eeb3f500b9260e3f1e3492cca--s-wedding-wedding-vintagePara os espartanos, no século VII aC, o casamento era o único meio de produzir guerreiros. Homens fisicamente mais fracos procuravam mulheres mais fortes para possibilitar o nascimento de guerreiros vigorosos. O povo Viking realizava seus casamentos ao ar livre em uma sexta-feira, num tributo a “Frigg”, a deusa do casamento. O ritual envolvia a troca de espadas entre as família. A esposa mantinha a espada ancestral de seu marido até que seu filho primogênito atingisse a idade de lutar.

As alianças eram trocadas na ponta das espadas e os juramentos, trocados sobre a ponta da espada do noivo. No ano de 1.400, na Rússia, antes do casamento, num ritual íntimo, a noiva recebia um banho e um pouco da água era guardada para o marido beber após a cerimônia de casamento.

A celebração do casamento turco dura vários dias e a noiva retorna a casa dos pais no dia seguinte a celebração para rever a família e os amigos. Sobre o vestido branco de seda, a noiva usa uma capa de veludo vermelho. Noivas gregas usavam véus amarelos ou vermelhos, que representavam o fogo. Estes véus coloridos eram supostamente para proteger as noivas dos maus espíritos e demônios.

Nos Emirados Emirados Árabes, as autoridades encorajam jovens casais a contrair matrimônio com ajuda financeira, emprego e até apoio psicológico. A França contribuiu com os aspectos da etiqueta e ar solene que caracterizam a cerimônia de casamento, o vestido branco, o uso do bouquet e os toques de sino.

Sábado passado inacreditáveis 1.610 casais desfilaram pela passarela vermelha estendida ao lado do estádio de Sinop, para terem suas bodas celebradas no melhor estilo do que prega a etiqueta francesa, Entraram ao som da tradicional Marcha Nupcial de Mendelssohn, executada pela Orquestra Jovem de Mato Grosso. Ouvia-se história de casais que estão juntos há tanto tempo que os filhos também já constituiram famílias e todos, pais e filhos, procuravam naquele ato legalizarem as suas uniões. Embora no Código Civil Brasileiro, no artigo que trata da união estável, diz que a mesma “é reconhecida como entidade familiar entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”.

Apesar dos avanços e dos direitos comuns, com ou sem união formal, o casamento continua sendo a base para a maioria das famílias e a idade média do primeiro casamento tem subido continuamente; as noivas com idade média de 31 anos e os noivos com 34,3. A mesma estatística apresenta o fato de que as uniões não formalizadas tendem a terminar mais cedo que as uniões concebidas através do juiz de paz e de benção religiosa.

Algumas preocupações sociais que rondam os casamentos são apontadas num relatório da ONU, como sendo, a formação da família, respeito a cultura do outro, divisão de tarefas, condições mínimas de garantir saúde, educação, moradia e respeito as leis e regras de convivência. Mas uma nuvem negra paira sobre a instituição do casamento em muitos países. Há aproximadamente 60 milhões de crianças noivas no mundo, com idades que variam de 7 a 14 anos. Isso equivale ao raciocínio matemático de que a cada 3 segundos uma criança é prometida em casamento.

Há agências especializadas em programa de aconselhamento pré-nupcial, propondo estratégias para manter o relacionamento saudável e vencer os desafios, incluindo a gerência de dinheiro e relação com parentes.

Contradizendo o espírito festivo e semblantes felizes que presenciamos, Michel de Montaigne, filósofo francês disse que: “O casamento é como uma gaiola “encantada”, vê-se as aves fora desesperadas para entrar, e as que estão dentro igualmente desesperadas para sair.”

7 bilhões de razões para se importar

A população mundial atingiu a marca de 7 bilhões de pessoas na semana passada. O crescimento tem sido de 1,5% ao ano. Em 22 de julho de 1999, o serviço de censo americano anunciou que havíamos atingido o número de 6 bilhões de pessoas habitando o planeta terra. A taxa de crescimento anual atingiu o ponto máximo no final dos anos 60, quando beirava 2,20%. Atualmente a taxa de crescimento está em declínio e deverá cair ainda mais nos próximos anos, mas a população mundial continuará crescendo, porém num ritmo mais lento, comparando-se ao passado recente. Pode-se constatar que a população mundial dobrou em 40 anos e agora há previsão de que levará 42 anos para crescer 50%.
Há uma estimativa interessante que aponta que, desde o surgimento da raça humana, cerca de 106 bilhões de pessoas já passaram pelo planeta terra.

Na aldeia global são faladas cerca de 6.000 línguas, mas mais da metade falam dialetos chineses, inglês, indiano, espanhol, árabe, bengale e português. As crenças se dividem sobretudo entre cristãos, mulçumanos, hindus, budistas e judeus.
No planeta falta água potável, sistemas sanitários adequados, pessoas respiram ar poluído, nem todas as famílias tem eletricidade em casa, nem todas as crianças frequentam escolas, nem todas que frequentam aprendem a ler, num sistema educacional ainda machista, onde mais meninos são ensinados a ler do que meninas.
Temos então 7 bilhões de razões para prestar mais atenção no planeta, para ter mais cuidado um com o outro, atentarmos sobre os efeitos devastadores causados pelo aumento da população em nossas comunidades, respeitar o meio ambiente, observar a disponibilidade de recursos naturais e, mais importante, cuidar mais da saúde e do bem-estar sobretudo das mulheres e suas crianças.

A superpopulação é o maior perigo para o planeta, tanto que as mudanças globais e o aquecimento são insignificantes quando comparado com a explosão do crescimento populacional. Quanto mais estendemos nossas cidades e comunidades, mais nós contribuímos para a extinção de espécies de outras formas de vida.
Os fenômenos da população é aqui bem explicado: Quando a população de uma espécie cresce além da sua capacidade para sustentar sua população, a doença e a fome reduzem a população para um tamanho menor, de modo a torna-la sustentável. No caso da humanidade, nós estamos enfrentando a fome, o desequilíbrio ambiental e devemos enfrentar baixas significativas por causa de conflitos para acessar os recursos cada vez mais escassos.
Temos razão de estar aflitos e com certo medo, disse um pesquisador do Yale School of Forestry and Environmental Studies. O século 21 mal começou e já há 1 bilhão de pessoas mais do que em Outubro de 1999 – com as perspectivas desoladoras para o futuro da energia e abastecimento de alimentos.

É precisamente porque nossa população é tão grande e continua crescendo, que devemos cuidar cada vez mais das novas gerações, que assim como muitos de nós, estão fora de sincronia com a sustentabilidade em suas dietas, em seus modos de se mover, e em seus desejos de manter a temperatura agradável, não importa o que esteja acontecendo lá fora. – Isso não faz de nós pessoas terríveis. Mas, o fato é que, coletivamente, esses comportamentos estão nos movendo para zonas de perigo.
Todos nós temos a responsabilidade e a oportunidade de fazer do mundo um lugar melhor nos próximos anos, inspirar as pessoas a se doarem, promover o diálogo consciente entre diferentes credos, culturas e efetivamente caminhar para a transição. Nada fácil viver num mundo com 7 bilhões de pessoas absolutamente únicas.

É imprescindível a conclusão do projeto de pavimentação da BR 163, trecho Cuiabá – Santarém

Considerada uma das principais vias de escoamento da produção de Mato Grosso, a BR 163 vem sendo prometida, lançada, iniciada, paralisada, retomada as obras, desde o governo de Itamar Franco. Hoje, há parcerias ali entre Governo Federal, Governo do Estado, Empreiteiras, Exército e está avançando, contra o tempo, contra as mazelas da poeira, das pontes estreitas. São cerca de 60 pontes de madeiras que estão sendo substituídas. Pelos governos de ambos estados, a BR 163 é considerada a espinha dorsal dos projetos de logística e desenvolvimento por abrir novas perspectivas de progresso para a região.
Viajei com olhos atentos, olhando a estrada, os estragos, as vidas e vilas que se amontoam no curso da BR. Ao longo do planejamento da viagem, depois de centenas de telefonemas e e-mails pude conhecer algumas pessoas que demonstraram de forma contundente, que a luta do povo em algumas regiões, depende muito do espírito solidário, da determinação, articulação e liderança de alguns poucos.

Logo que se ultrapassa a fronteira entre Mato Grosso e Pará, está localizado o pequeno Distrito de Castelo de Sonhos. Distante 1.100 km do município sede, Altamira, considerado o maior município do mundo, em extensão territorial.O distrito tem um sub-prefeito, mas é a comunidade que se organiza e realiza inclusive obras, em parceria com os comerciantes locais, que em coro pedem a emancipação do distrito e para tanto aguardam esperançosos a alteração na lei, diferenciada, que dispõe sobre a criação de municípios na região Amazônica.

Em Castelo de Sonhos foi criada a Associação de Produtores Rurais do Vale da Garça, que declarada de utilidade pública, é presidida por uma mulher, a Preta, que não sossega, anda pra lá e pra cá, reclama, dá ordens e organiza tudo impecavelmente, com ajuda de seus diretores. A Associação tem vida financeira própria, promove festas, cobra, arrecada e sobretudo, cuida de gente, com respeito. Nascida no Paraná, filha de produtores rurais pobres, veio para Mato Grosso criança, depois de percorrer com os pais os Estados de Rondônia e Acre em busca de oportunidade. Casou-se aos 15 anos em Mato Grosso, criou 5 filhos. Criou no sentido literal da palavra, deu-lhes estudo, dignidade e esperança. Mora em Castelo de Sonhos há 12 anos e desde então luta com dificuldade e afinco para melhorar a vida dos habitantes de Castelo de Sonhos.

Preta relatou os avanços que a Associação tem conseguido para este lugar que não tem hospital, não tem telefonia celular e sofre apagões constantes, um deles, recentemente, durou 3 dias. Mas as melhorias vão aparecendo aqui e acolá, um médico a mais para o PSF, projeto e convênio para a construção do primeiro hospital para a comunidade, que conta hoje com cerca de 10 mil moradores e tem ainda grande número de adolescentes sem escolas. Preta já foi recebida pelo ex Presidente Lula. Corajosa manifestou-se de forma irônica, escreveu Brasil com Z numa faixa e abriu-a na frente do Presidente e explicou que escreveu com Z porque os moradores de Castelo de Sonhos se sentiam como estrangeiros, fora do processo de desenvolvimento do país. A Associação tem lutas diversas em curso, entre elas, a regularização de áreas para doação para construção do hospital, a ampliação dos limites ou reversão da lei que criou a Floresta Nacional do Jamanxim.

A criação inesperada da reserva rendeu ato de protesto liderado por diversas Entidades e a Associação presidida por Preta, que coordenou boicote a uma série de oficinas sobre manejo, oferecidas pelo Ibama. História como a de Preta, deve existir muitas no eixo da estrada e a propósito, dois sonhos povoam a mente dos castelenses: a emancipação e a conclusão da BR 163.

O crônico flagelo da fome

Eu não saberia descrever o quanto dói a sensação de fome e não alegro-me ao ler o último relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que no ano passado divulgou dados sobre o número de pessoas que passam fome no mundo e ao detalhar o relatório enfatizou que a cada 6 segundos uma criança morre acometida por alguma doença relacionada à fome. O número estimado de pessoas subnutridas é de um bilhão e vinte e três milhões de pessoas, das quais 578 milhões vivem na Asia e no Pacifico. Dois terços das pessoas que passam fome vivem em 7 países: Bangladesh, China, Congo, Etiopia, India, Indonésia e Pakistão.

A FAO comemorou ao constatar que pela primeira vez em 15 anos caiu o número de pessoas subnutridas e o Brasil pelo segundo ano consecutivo lidera o ranking dos países com melhor performance no combate à fome.

Embora os números tenham sido consideravelmente reduzidos, é ainda inaceitável que a erradicação da fome não seja prioridade zero dos governos, que segundo aponta a FAO devem investir mais na agricultura, combinado com a expansão da rede de assistência social e criar mecanismos eficientes para proteger as pessoas com mais vulnerabilidade.

O corte promovido pelo governo americano nos programas de ajuda alimentar e combate a fome pode comprometer drásticamente os países africanos que se encontram mergulhados numa terrível seca. A comida não foi tratada como um aspecto crucial da política internacional, sabendo o governo americano que não pode haver paz ou estabilidade quando se administra uma multidão faminta. As imagens, sobretudo, de crianças desnutridas á beira da morte voltam a cena nos noticiários internacionais. A imagem choca, mas se repete, alimentada por ingredientes externos como a seca, a guerra, os terremotos, difíceis acessos aos meios de produção e a indiferença.

Essas pessoas que sofrem com a flagelo da fome não representam apenas os números atualizados de uma estatística, são pessoas, homens e mulheres muito pobres que lutam para criar seus filhos. Os dados assombraram a própria ONU durante a reunião de cúpula em setembro do ano passado em Nova York, onde discutiam medidas que poderiam acelerar o progresso nos países pobres. Fixou-se aí então, algumas metas e a primeira das quais é acabar com a pobreza e a fome.

É preciso incitar os líderes mundiais a tomar medidas firmes e urgentes para acabar com a fome, a tratar a questão com seriedade e a buscar incessantemente medidas que possam ajudar a construir um futuro para as crianças e jovens. Com US$ 25 milhões por ano, seria possível reduzir sensivelmente o quadro de desnutrição nos 15 mais famintos países da África e da América Latina e salvar da fome pelo menos 900 mil crianças nos próximos quatro anos.

O Brasil, um país de contrastes vive boa fase de crescimento econômico, foi apontado no relatório como um país que tem avançado para reduzir o número de pessoas desnutridas especialmente devido a atuação positiva da economia nos anos passados, contudo ainda prevalece a máxima onde os 10% mais ricos detém quase toda a renda nacional e à margem vive um exército escandaloso de 15,6 milhões de pessoas subnutridas.

Anos atrás conheci Mark London, advogado e escritor americano que apaixonou-se pela história da BR-163, no trecho que liga Cuiabá a Santarém, e em seus apontamentos relatou preocupação com a miséria e a fome que se abatiam sobre as pessoas que viviam ao longo da BR. Acabo de percorrer o trajeto e constatei que os bolsões de miséria transformaram-se em pequenos vilarejos e distritos, dotados de precária estrutura, mas o fantasma da fome não mais povoa o trajeto da rodovia.