Não tenhamos medo de sermos inadequados

Há momentos na história em que pessoas de todo o mundo precisam levantar-se para dizer que algo está errado e pedir mudança. Em muitos países houve revolta por causa do desemprego, distribuição de renda, falta de liberdade e desigualdade social, gerando um sentimento de que o sistema político é injusto e está descontrolado. A globalização no estágio atual expôs as mazelas das relações também desempenhou um papel importante disseminando  novas ideias além das fronteiras. A juventude ao redor do mundo começou a acordar e acender faíscas de indignação aqui e acolá. 

Eu estou certa de que novos horizontes surgirão com tomada de decisão corajosa, com ousadia para mudar e quebrar elos poderosos. Ninguém, nenhuma autoridade, nenhuma organização ou qualquer coisa que percebemos como poderosa em nossa realidade pode, eventualmente, vencer á disposição de mudar quando os cidadãos percebem que algo está errado, quando são invadidos por um sentimento de que estão sendo ignorados. 

Ao longo do tempo as desigualdades aumentam e no dia-a-dia as mudanças não são percebidas, as chances de melhoria de vida são afetadas pela má distribuição de renda e pelo descaso, que distraidamente vai se transformando em auxílios governamentais. Mas e o amanhã? Ao pensar no amanhã troque o seu voto por um futuro digno, com possibilidade de produzir, de estudar, de ser tratado com humanidade quando cair doente. Esse mundo é possível se você não perder sua bússola moral.

De você depende o futuro e não do sistema político. Porque o sistema não conseguiu impedir que as crises políticas e econômicas se instalassem, não conseguiu resolver as crises, ele não conseguiu amenizar as desigualdades, falhou em proteger aqueles que são mais fracos, e não conseguiu impedir o crescimento abusivo das grandes corporações. Os políticos ouvem você sobretudo através do seu voto, pois ele determina o rumo que você escolhe, ele pode amplificar a sua voz ou simplesmente deixar enriquecer os ricos à custa do resto da sociedade.

Em um trecho do discurso de posse, no ano de 1994, Nelson Mandela dirigiu-se ao povo sul-africano pedindo-os que não tivessem medo de expressar o seu poder. Disse ele: “Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é que somos poderosos demais. É a nossa luz, não a escuridão, que nos assusta mais. Nós nos perguntamos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e famoso? Na verdade, por que você não seria? Você é um filho de Deus. Representar um papel pequeno não serve ao mundo. Não há nada de iluminado em se encolher, para que as pessoas não se sintam inseguras ao seu redor.”

Há o suficiente para a necessidade de todos, não há suficiente para a ganância de todos

O grande desafio que todos nós enfrentamos são muito claros: a pobreza corroendo nosso tecido social; nossos ecossistemas sendo devastados; a ameaça bem documentada de mudança climática. E ainda assim muitos de nossos líderes políticos tendem a não colocar estes desafios como prioridades em suas agendas.
Como podemos conciliar a demanda de crescimento econômico com um futuro mais justo e mais sustentável? Estas são as aflições de muitos e também do Arcebispo Sul-africano, Desmond Tutu, que criou um fórum onde pede a jovens selecionados da Suécia, Brasil, Nigéria e China, que discutam entre si se a ideia progressiva do desenvolvimento sustentável é algo que apenas os países ricos podem pagar para ter.

Ao longo do debate, que pude acompanhar via e-mail, sempre recheado de formulações arrojadas, os jovens, quase unânimes afirmam que a maioria dos líderes dos países ricos e pobres colocam os desafios de se combater as alterações climáticas e a injustiça social, como se fosse uma espécie de luxo, algo que deve ser feito, quando sobrar tempo e recurso.
Acreditam que os políticos atuais são muito fluentes em encontrar soluções para crises já instaladas e frustram-se ao constatar que não há comprometimento com soluções de longo prazo, que trariam prosperidade, justiça social e sustentabilidade. Tanto países pobres quanto países ricos tem oportunidades diárias de repensar seus investimentos, visando o bem-estar dos seres humanos.
A jovem sueca admite que seu país é o maior consumidor de energia per capita do mundo e que se cada pessoa no planeta consumisse tanto recurso quanto a média sueca, a nossa Terra não conseguiria fornecer o suficiente. É um país que atingiu um nível de desenvolvimento que nosso planeta simplesmente não pode pagar.

Ela diz que a dificuldade do jovem em promover a mudança de comportamento radical é que eles já nasceram dentro desse sistema de consumo exacerbado, mas certamente não nasceram para aceitar esse estado de comportamento predador.
O jovem brasileiro reconhece a urgência de todos os líderes mundiais abraçarem o desenvolvimento sustentável como prioridade em suas agendas para garantirem um ambiente digno, bem-estar e ambiente seguro para seus cidadãos. Ele aponta a corrupção dos governos como uma das causas que impede a verdadeira mudança, e também o financiamento privado das campanhas políticas, que amarram candidatos eleitos aos interesses dos grupos privados que os financiaram. No Brasil, os interesses de curto prazo e o crescimento a qualquer custo tem gerado desperdícios e impedido a prática de políticas efetivas contra a destruição e a pobreza.
Culpar os governos é uma retórica que aos poucos cai em desuso porque todos nós devemos apresentar alguma alternativa decisiva para uma vida sustentável, seja através de mudanças culturais, compromissos voluntários ou políticas públicas eficientes. Durante as discussões fica o sentimento que o desenvolvimento sustentável pleno só será abraçado pelos políticos se for apresentado como um exercício lucrativo.

Pois bem, tanto o Arcebispo Tutu quanto o grupo de jovens asseguram que o desenvolvimento sustentável não deve ser visto como um luxo, é de fato, a única opção que temos; a vida sustentável tem que ser vista em sua totalidade, como uma maneira de criar um ambiente limpo ao mesmo tempo, gerar emprego e renda, só assim os líderes políticos entenderiam sua premência, falando a linguagem da economia.
A questão do desenvolvimento sustentável não está restrita a plantar árvores, replantar florestas. É muito mais que isso. É plantar o sentimento de pertencimento ao planeta que nutre nossas vidas.
O título do artigo é uma frase do líder pacifista indiano, Mahatma Gandhi.

Nos governos democráticos não deveria existir pobres

Lendo um artigo sobre as democracias desenvolvidas, contextualizando a tendência de que as mesmas possuem foco na base industrial e sistemas de governo complexos, a maioria da população deveria ser de ricos e uma minoria pobre. Claro que num governo democrático, além das diferenças sociais, existem as diferenças étnicas, religiosas e de gêneros. Se o regime é democrático, por que existe a exclusão social? Não existiria um meio de abraçar a todos indistintamente numa forma de governo que seria para contemplar plenamente o povo?
O que percebemos é que as democracias ainda dependem do apoio dos ricos e por isso tendem a praticar a política voltada para o favorecimento destes em detrimento das necessidades dos mais pobres. O governo democrático precisa ter moderada propensão ao apetite pelos resultados financeiros encerrado em si.
A grande fraqueza do governo democrático são suas promessas de fazer, onde as vezes, o esforço de enganar ainda é bem maior do que o esforço de realizar.

Os ricos preocupam-se principalmente com a tributação de riqueza em geral e segurança, os pobres se preocupam principalmente com os benefícios gerais do estado de bem-estar, com escolas, hospitais, segurança, transporte e com os impostos que incidem nos bens de consumo básico.
Levantou-se a hipótese de que a solução para a maioria das questões sociais, tendem a ter impacto sobre a classe mais abastada. Grandes mudanças nos níveis das prestações de assistência social podem alterar o nível geral de tributação e isso amarra as decisões de avançar, porque os governos temem a reação dos ricos. Os governos democráticos precisam oferecer ajuda necessária para a sua população mais pobre, mas de maneira que promova o bem-estar e menos dependência. Entretanto, as estratégias de redução da pobreza só surtirão efeitos se houver conhecimento da percepção dos pobres quanto a sua própria condição . E as condições de vida dos pobres, segundo eles mesmos, são críticas e geralmente negativas. Os pobres tem plena consciência da sua falta de voz, poder e independência. A pobreza os deixa vulneráveis à humilhação e os empurra para a ruptura com a convivência saudável.

É preciso parar de pensar nos poucos, para cuidar de todos. Só assim estreitaremos a lacuna que separa os ricos dos pobres.
Onde quer que ocorra, a pobreza contribui significativamente para a desarmonia social, para o sofrimento e conflitos. Se continuarmos nosso caminho atual vamos permitir que esta lacuna fique cada vez maior. Devemos também sentir a responsabilidade para com os indivíduos pobres da nossa comunidade, nós devemos despertar para a compaixão por aqueles que sofrem, porque a compaixão afirma os princípios da dignidade e igualdade para todos, porém devemos também nos comprometer em assegurar a justiça social, abraçando a causa da redução da pobreza. O governo brasileiro anunciou na noite do domingo, Dia das Mães, o lançamento da Ação Brasil Carinhoso. Segundo a presidenta, um programa para tirar da miséria absoluta todas as famílias brasileiras que tenham crianças com até 6 anos de idade. Para a presidenta é profundamente triste que as situações de extrema pobreza se concentrem com mais força entre crianças e jovens, razão pela qual, o programa prevê a construção de 1.500 creches em todo o país.

Em um discurso antigo, o Dalai Lama disse:“Se somos sérios em nosso compromisso com os princípios fundamentais da igualdade, que eu acredito estar no cerne do conceito de direitos humanos, a disparidade econômica de hoje não pode mais ser ignorada. Não basta apenas dizer que todos os seres humanos devem gozar de igual dignidade. Isso deve ser traduzido em ação.”

A Diferença entre ser mãe na Noruega e no Afeganistão

Quase todas as estatísticas vão muito além de meros números. Neste caso que apresento aqui, o desespero humano, a esperança perdida mostra que às mães devem ser dadas as oportunidades que necessitam para quebrar o ciclo da pobreza e melhorar a vida para si e seus filhos. Todos os anos cerca de 343 mil mulheres morrem durante a gravidez ou durante o parto.
A organização internacional Save the Children publicou o décimo segundo relatório anual sobre as mães do mundo. A pesquisa traz à luz a disparidade entre os tratamentos recebidos pelas mães nos mais diversos países e abre-se corajosamente para o entendimento de que uma mulher entenderia e cuidaria melhor de outra mulher. Relata a falta de profissionais de saúde no mundo em desenvolvimento e na necessidade de mais profissionais do sexo feminino para salvar a vida das mães e dos bebês, porque 50 milhões de mulheres no mundo em desenvolvimento, dão à luz sem ajuda de nenhum profissional. Porém apenas o acesso à educação à mulheres jovens criaria oportunidade de sobreviver, criar os filhos e prosperar. .
Eis a lista dos 10 melhores lugares do mundo para ser mãe: Noruega, Austrália e Islândia, Suécia, Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Bélgica, Holanda e França.

Os 10 piores países são: República Centro-Africana, Sudão, Mali, Eritreia, República Democrática do Congo, Chade, Iêmen, Guiné-Bissau, Nigéria e Afeganistão. Os Estados Unidos classificado, segundo a pesquisa no ranking geral em 31º lugar e o Brasil em 58º.
Num quadro comparativo pode-se ver o alarmante fosso que separa as mães norueguesas das mães afegãs ou etíopes. Na Noruega 100 por cento dos partos são assistidos por profissionais de saúde qualificados, no Afeganistão, menos de 15 por cento, na Etiópia, nem 6 por cento. Na Nigéria, o risco de uma mulher morrer por causa da gravidez ou causa relacionada ao parto é de 1 em 7. Na Itália o risco de morte materna é menos de 1 em 25.000 mulheres. Os números não soam frios, porque a indignação corre as veias. Lembra quando linhas acima citamos a educação? Pois bem, uma mulher no Afeganistão, Angola, Chade e Guiné-Bissau recebe menos de cinco anos de educação formal,enquanto na Austrália e Nova Zelândia, a mulher permanece na escola por mais de 20 anos.

São investimentos rentáveis, que salvam vidas, que deveriam ser prioridade para os líderes políticos do mundo todo.
No Brasil, que ocupa a 58ª posição no ranking, cerca de 51 por cento das mulheres são mães que admitem que não conseguem equilibrar bem o tempo entre o trabalho e os filhos e por isso sentem-se culpadas. No tempo que passam em casa, cuidam dos filhos, escutam suas histórias e os orientam. São mães com tantos rótulos, agrupadas de tantas formas distintas, classe A/B, C/D, mães solteiras, mães adotivas ou simplesmente mães, que revelam o que todos sabemos; a maternidade transforma a vida da mulher, apesar do trabalho, da preocupação constante, da omissão dos companheiros.

No Brasil e na América Latina convive-se com o risco premente da gravidez precoce, são meninas de 15 a 19 anos, geralmente solteiras, que incham as estatísticas de histórias tristes. Muitas tornam-se mães porque foram abusadas.
A diretora executiva da ONU Mulheres, ex-presidente do Chile, a médica Michelle Bachelet, defendeu recentemente uma abertura e favorecimento para maior participação das mulheres nas discussões políticas no Brasil e no mundo. Segundo Bachelet apenas 19 por cento dos parlamentares do mundo são mulheres, quase todas mães e não há democracia, não há desenvolvimento sem um olhar mais carinhoso para as mulheres.

A pobreza urbana e a indiferença do poder público

“Políticas de combate à pobreza urbana: um quadro geral de ação”. Este estudo é o resultado do projeto “Cidades: a gestão das transformações sociais e do meio ambiente”, um projeto de pesquisa-ação realizado pelo programa MOST e dado como contribuição para a Unesco, foi coordenado por Geneviève Domenach-Chich, que atribuiu ao Projeto Cidades o objetivo de incentivar iniciativas destinadas a melhorar a qualidade de vida e incentivar os cidadãos a desempenhar o seu papel no ambiente urbano.

O Projeto foi implementado como parte de uma estratégia para combater a pobreza e beneficiar as populações urbanas mais carentes. Fica claro também que os moradores devem ter iniciativas pró-ativas para melhorar sua própria condição de vida.

O projeto contribui para a formação de agentes locais nas áreas de gestão social e ambiental, desencadeia um processo de desenvolvimento e facilita a transição de uma estratégia anti-pobreza para uma estratégia de desenvolvimento, contribui para a construção de uma cultura democrática com senso de preocupação comum com o bem-estar, através de parceria entre as pessoas e os seus representantes eleitos e, portanto, visa reduzir a distância entre as pessoas e o poder local. O elatório lança luz sobre instituições como reguladores da vida social, um papel que nem as associações de bairro nem as ONG de desenvolvimento podem assumir, apenas o poder público.

A democracia deveria ser uma arena pública para lidar com os conflitos. Entretanto, um grande problema que enfrentam os projetos de desenvolvimento urbano é o fenômeno muitas vezes observado que os pobres são suspeitos para a política e para os políticos. As pessoas carentes se sentem distantes da arena política e das questões da sociedade. Esse distanciamento quase sempre é criado pelos compadrios políticos e pela perda de legitimidade dos órgãos públicos ou simplesmente pela ausência deles onde o cidadão pobre vive. O poder local não pode ficar desacreditado, não se pode creditar as ONGs ou associações o cumprimento de deveres que são de responsabilidade do poder público.

Não há nenhuma forma outra de combater a pobreza sem estar pronto para lidar com os conflitos que inevitavelmente são desencadeados em um ambiente urbano, porque as pessoas sistematicamente tornam o poder público o alvo de suas denúncias, as pessoas se ressentem desse distanciamento. Os órgãos democráticos devem ouvir as vozes dispersas da sociedade civil, das populações marginalizadas pela pobreza.

A pobreza é muito mais do que renda, é a falta de comida, de trabalho, dinheiro, abrigo e roupas. Pobreza é a sensação de impotência diante da vida, é não ter voz, não ter liberdade, é ansiedade e medo do futuro, da extorsão, da brutalidade. A maioria dos pobres urbanos são condenados a viver no isolamento social; é como viver num cativeiro, esperando ser resgatado. Enquanto isso, a criminalidade aumenta, a violência explode. E estas formas marginais de comportamento ocorrem exatamente porque o poder público local deixa de desempenhar o seu papel de acolher os mais necessitados.

De modo geral as pessoas pobres não têm sido capazes de tirar proveito das novas oportunidades econômicas por causa da falta de conexões, de informações, de habilidades, de apoio e de crédito. Os pobres, que trabalham principalmente no setor informal, experimentam uma vida insegura e imprevisível; os trabalhos não são confiáveis ​​e tem baixos retornos. Para os pobres ouvidos na pesquisa uma vida boa ou bem-estar é a paz de espírito, é uma boa saúde, o sentimento de pertencer a uma comunidade, segurança, a liberdade de escolha e ação e uma fonte estável de renda, para que não falte comida.

Redescobrindo o Brasil

O Brasil é o quinto maior país do mundo em extensão territorial e a quinta nação mais populosa do planeta, ficando atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos e Indonésia, respectivamente.

Bem, o Brasil é o Brasil – um país imenso e único, povoado em sua maioria por brancos, depois pardos e pretos e 817 mil pessoas se auto declararam indígenas.

O Brasil, um país de muitos contrastes e matizes diversas, único país que fala Português em um hemisfério de vizinhos de língua espanhola, o que não é fácil de explicar sobre um país que é fácil de apreciar e de amar.

Nosso território já era habitado por uma grande população de índígenas, que viviam segundo suas próprias organizações tribais e tradições, quando os portugueses desembarcaram aqui em 22 de abril de 1500. Porém até agora o Brasil não foi totalmente descoberto, há ainda um território vasto e misterioso a ser descoberto pelos próprios brasileiros. Apresentam no exterior uma imagem ainda distorcida de um belo país, que é um refúgio para o futebol, corrupção, violência, samba, liberdade e carnaval.

A situação estável do Brasil político atrai investidores e sua democracia duramente conquistada também fornece aos investidores estrangeiros a garantia que não haverá por aqui nenhuma revolução popular. As ditaduras militares não vingaram no Brasil e o poder civil foi retomado em 1985.
O desenvolvimento veio de certa forma rápido. O país já tem um automóvel para cada cinco brasileiros, embora em várias cidades já têm menos de dois habitantes por veículo, como ocorre na Alemanha e Estados Unidos. Segundo a pesquisa o número de veículos em circulação no País cresce em ritmo muito superior ao da população.

O Brasil tem hoje 137 mil milionários e cerca de 30 bilionários. O cálculo é da revista americana Forbes, que avisa: essa tendência deve continuar por pelo menos mais três anos. No mapa dos mais ricos, estão Rio e São Paulo, com 70% deles.

Em meio ao crescimento populacional e econômico, alguns dados revelados pelo próprio IBGE nos remete a uma realidade desanimadora. Há ainda 14,1 milhões de analfabetos no País, a maioria homens ainda jovens, que moram na Região Nordeste, mais de 7 milhões de crianças trabalham no Brasil quando deveriam estar nas salas de aulas.

A violência apresenta números escabrosos divulgados pelo Departamento Penitenciário Nacional – DEPEN , 513.802 brasileiros estão presos, com um número de presos 69% superior ao número de vagas existentes nos estabelecimentos penais do país. Daí o círculo vicioso da superlotação e da não recuperação do preso. E por que estão presos? Bem no Brasil, 137 pessoas são assassinadas por dia.

O Brasil tem inacreditáveis 16,2 milhões de pessoas vivendo em condições de pobreza extrema, segundo dados do Censo 2010 divulgados pelo IBGE. Para que uma pessoa esteja enquadrada no conceito de pobreza extrema, ela deve ter renda mensal de até R$ 70 por mês ou pouco mais de R$ 2 por dia.

Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para melhorar o padrão de vida de sua população.  Acometidos ainda por problemas básicos como a má distribuição de renda e injustiças sociais, a maioria dos brasileiros parece fazer vista grossa para seus milhões de pessoas famintas, que são escondidas nos arredores ou debaixo dos viadutos das grandes cidades.

Voto não tem preço, tem padrão

James Madison – quarto presidente dos Estados Unidos e uma das muitas mãos e cérebros que escreveram a Constituição Americana, pontuou certa vez que as pessoas devem ter virtude e inteligência para selecionar homens de virtude e sabedoria para governar. Disse que se não há virtude entre nós,  que estamos numa situação miserável, porque não se pode supor que qualquer forma de governo vai garantir a liberdade ou a felicidade, sem governantes virtuosos.

A virtude e inteligência deverão ser exercidas por quem seleciona esses homens, a virtude deve estar sobretudo nos homens da comunidade. Então, a questão não é simplesmente confiar nos políticos, mas sim, confiar nas pessoas que estão a escolhê-los. A principal utilidade do voto moderno está na possibilidade de coagir um regime a perder em favor de uma crescente onda de escândalos, de violência e de travessuras políticas ou econômicas.

Considerando o argumento de que a liberdade inspira as pessoas a votar em quem elas querem, não seria necessário gastar tanto dinheiro em campanhas para persuadi-las. Hoje, mesmo com a evolução indiscutível dos sistemas de controle, ainda é simplesmente impossível regular gastos de campanhas e as contribuições efetivamente recebidas de forma minimamente coerente.

Eu não devo vender meu voto pelo maior lance porque seria isso o mesmo que despir-me do mais elementar direito político e da minha liberdade. A rendição dos meus direitos e liberdades em prol do dinheiro seria definitivamente terrível para o status de alguém considerado um cidadão livre. Vender o voto é algo como qualquer outra prática ou operação entre sistemas corrompidos. Como encarar as pessoas de frente, confrontá-las sobre qualquer assunto, se elas sabem que você pode ser comprado a qualquer preço?
Mas essa prática é tão real, na sua gama de resultados onde os ricos, principalmente, mas não necessariamente sempre vencem. Eu acho que faria mais sentido manter o dinheiro fora da política, embora isso seja complicado e nem um pouco atraente para as campanhas.

Porém o que há de atraente a respeito da posição de gastar o quanto quiser para comprar votos clandestinamente?
Quem venderia o voto? Os eleitores pobres, as pessoas mais carentes e que iriam vender por um preço insignificante para o candidato. Os eleitores mais pobres se unidos, poderiam ter grande influencia para mudar a sociedade em seu favor, porque eles podem balançar o sistema político, expressando seus valores. Ao subverter a ordem e venderem seus votos, reduzem sua influencia social em troca de uma ilusão de favorecimento financeiro.

Argumento que o voto não é só um direito, mas é também uma tutela. Você tem o voto não para avançar nos próprios interesses privados, mas a fim de avançar ao encontro do bem público. O eleitor deve esforçar-se para situar o que é bem público e ter boa fé para votar, porque dentro desse raciocínio, vender o voto é alienar um bem público para fins privados.

Gastar dinheiro em publicidade para convencer os outros a votarem no entanto, não se qualificaria como corrupção, mas o dinheiro gasto nas campanhas eleitorais contudo, é uma forma extremamente ineficiente e velada de compra de votos. Meu voto não tem preço, tem um padrão.

Mostre ser um homem honesto, que acredita na democracia e nas lutas cotidianas em defesa desses conceitos que embora imprescindíveis, são frequentemente violados. Eu voto baseada nos princípios morais, valores éticos, voto nos trabalhadores incansáveis , em homens valentes e entusiasmados diante das adversidades. Homens que com ousadia transformam atrasos em inovações. Voto no homem, que mesmo asfixiado pelo orçamento, trabalha em benefício do povo, independente de toda e qualquer condição política e social.
E você, quanto acha que vale seu voto?

O voto é ainda obrigatório em muitas democracias

Uma votação livre e transparente deveria ser o começo do que é exigido de uma democracia. Contudo, existem atualmente 32 países com voto obrigatório em todo o mundo. Entre esses incluem-se: Austrália, Argentina, Brasil, Chile, Equador, Uruguai, Cingapura, Chipre, Grécia e outros. Desses 32 países, 12 fazem cumprir literalmente as leis do voto obrigatório com sanções e cobrança de taxas contra quem não comparece para votar. A Austrália é um país considerado particularmente especial no quesito da obrigatoriedade do voto, porque é uma democracia considerada madura. Os Australianos são obrigados a votar nas eleições federais desde 1924 e pesquisas recentes mostram que regularmente setenta a oitenta por cento dos australianos apoiam o voto obrigatório e exercem esse direito.

No Brasil, o voto é obrigatório desde 1932 e transformado em norma constitucional a partir de 1934. Regulamentado para dar credibilidade ao processo eleitoral, foi justificado como algo conveniente ao interesse social. No Brasil as eleições são pelo sistema universal e direto com voto obrigatório e secreto. O voto é obrigatório para homens e mulheres com mais de 18 anos e facultativo para os analfabetos, para os maiores de 70 anos e para os jovens com idades entre 16 e 18 anos. A participação da sociedade no processo eleitoral brasileiro cresceu muito devido a concessão do direito do voto ao analfabeto e aos jovens maiores de dezesseis anos.

O debate que me envolve é sobre o que acrescenta o voto obrigatório a uma democracia, se melhora a participação do eleitor, aumenta a consciência dos eleitores sobre as principais questões políticas, e se reduz gastos de campanha. O voto obrigatório deve ser visto como um dever ou meramente um direito?

Diter Nohlen, cientista político alemão, um estudioso dos sistemas eleitorais e procedimentos de voto, sobretudo na América Latina diz que a adoção do voto obrigatório é uma medida institucional válida em muitos regimes democráticos, até porque, além de garantir presença da maioria no processo eleitoral, serve também para garantir a participação de grupos religiosos e minorias que se opunham a participar e proibiam seus seguidores de votar.
É uma coisa boa conseguir apoio para um candidato que você estima e confia. É razoável exortar os seus vizinhos e informar-lhes sobre questões que afetam sua comunidade. Mas é irresponsável incentivar o voto apenas para “votar”. Esse ato em si não expressa nenhuma virtude cívica .

Grande parte do eleitorado mostra-se totalmente desinteressada na política, não sabe nada sobre os candidatos, e não querem lidar com compromissos fora de hora para fazer proposições. Nesse caso o o processo eleitoral apenas recebe votos aleatórios para suprir o sistema com informações distorcidas e induzidas.

A votação é não só um direito, mas uma responsabilidade. Um ponto de liberdade, onde todos têm a palavra e a responsabilidade de expressar a sua opinião, caso contrário o sistema não funciona. O direito de votar deveria se sobrepor a obrigatoriedade e as pessoas deveriam exercer esse direito sem serem abordadas ou mesmo conduzidas pelos candidatos. Mas há ainda muitas razões obscuras pelas quais algumas pessoas não se interessam pela política. O voto obrigatório empurra essas pessoas desinteressadas a votar sem preferência por um candidato em particular, sem desejo algum de contribuir com o histórico do sistema político. Não creio que um ato forçado possa adicionar legitimidade a um governo.

Mas na contramão do questionamento, alguns estudos apontam todavia, que o voto obrigatório proporciona altos níveis de participação e isso diminui o risco de instabilidade política criada por crises ou líderes de índole duvidosa, porém carismáticos. Será?

O Direito, o Dever e a Obrigação de votar

Na democracia brasileira, o indivíduo tem direito ao voto, embora seja também obrigado a votar, então esse direito implica também uma obrigação. Não são direitos e obrigações forças quase antagônicas? Um direito é algo que você tem o privilégio de ser concedido, ao passo que uma obrigação é algo que lhe é determinado a fazer.

Votar é um dever cívico e isso deveria bastar considerando que seria provavelmente verdade que a maioria dos cidadãos sentem que têm obrigações com suas cidades. É preciso ter cuidado para distinguir entre fazer algo que é para o bem comum e algo que não tem nenhum benefício para a cidade e seria apenas vantagem para certos políticos. O ato de votar só tem valor se produzir algum benefício tangível para a comunidade. O voto em si, em cumprimento à obrigação legal, não tem muito sentido.

É o cidadão que vota que pode informar, educar e mudar mentalidades, atitudes e práticas. Se estamos bem informados e educados, podemos fazer a diferença na luta por um mundo melhor. Na eleição municipal a cidade fica em nossas mãos, para melhor ou para pior. Governos, organizações não-governamentais e indivíduos devem se engajar em uma conversa global sobre as comunidades que eles querem ter no futuro.

A base de uma forte estrutura institucional para o desenvolvimento de uma cidade são as pessoas. Pessoas como consumidores, ativistas, voluntários e cidadãos responsáveis. As pessoas ativamente envolvidas em suas comunidades e sociedades podem garantir ações para combater eficazmente as questões prementes que estancam o desenvolvimento da cidade.

Ao discutir o futuro que queremos para nossa cidade, o objetivo é incentivar as pessoas a imaginar como as sociedades podem construir um governo que promove a prosperidade para todos, sem degradação. Oportunidades de promover mudanças não aparecem todos os dias e o período eleitoral pode ser, além de todo o mal que alguns lhe atribui, uma oportunidade única para discutir os desafios que enfrentamos e as soluções que podemos perseguir para abordar os novos desafios emergentes, visualizar e planejar o caminho que queremos trilhar.

O mau político está aí por toda parte, ensaiando passos novos para encantar você. Manifeste sua sabedoria e discernimento para orientar, guiar e inspirar o processo político a um resultado notável. Na solenidade política ouvi atentamente a fala de uma autoridade criticando a indiferença política de muitos, sobretudo dos que detêm conhecimento. A certa hora, a autoridade disse que a Lei da Ficha limpa seria absolutamente desnecessária se o cidadão cumprisse com sua responsabilidade de votar analisando o perfil dos candidatos e espontaneamente barrando os maus políticos. Mas as pessoas, ainda indiferentes ao que se passa na sua comunidade, excluem-se da responsabilidade e eximem-se de toda culpa. Daí ser necessário criar uma lei para fazer cumprir um dever.

Precisamos renovar sempre, as ideias e as pessoas por que o ato de administrar não pode ser um trabalho meramente metódico. A sociedade ​​precisa contar com os cidadãos sensíveis e responsáveis, com organizações da sociedade civil que se elevam à altura do desafio com engajamento cívico para alcançar o desenvolvimento e transformar a vida das pessoas.

Uma revolução virá, queiramos ou não, pois, não podemos mais alterar a sua inevitabilidade. E um mundo novo só pode ser construído em parceria com cidadãos responsáveis e o indivíduo pronto para entrar numa sociedade com outro indivíduo tem o direito e o dever de tomar informação sobre a vida privada do novo sócio, porque disso depende a confirmação dos compromissos de um para com o outro.

A natureza do homem é julgar

Não julgue os outros. Isso é obviamente mais fácil falar do que praticar. Muitas pessoas alimentadas pela insegurança desdenham o trabalho dos outros, veem erros, culpas e má-fé em tudo. Isso os faz pensar que fariam melhor, que produziriam melhores resultados, mas será que a estratégia de colocar os outros para baixo para construir a própria auto estima dá certo? Dificilmente.

Em vez de aceitar incondicionalmente as pessoas por quem elas são, optamos por julga-las. Há muitas razões que nos levam a cair nessa armadilha. Podemos julgar os outros porque não compartilhamos o mesmo pensamento; por que esperamos o pior e na maioria das vezes, porque queremos prejudicar alguém.
Quase todos os pontos mencionados expressam uma visão negativa, pessimista ou fatalista, porque o julgador não espera as coisas fluírem para avaliar, ele não tenta entender o mecanismo de funcionamento do sistema. Precipitadamente ele enxerga o caos porque no fundo ele quer mesmo que tudo dê errado. Há sempre quem culpar.
Somos rápidos para encontrar defeitos nos outros e pronunciar o nosso julgamento sobre eles, sem levar em conta os nossos próprios defeitos ou lidar com nossos problemas, quando somos confrontados.

O ideal seria não julgar ninguém, tampouco a nós mesmos. Devemos ser encorajados a melhorar nossa própria performance diante dos outros e nos nossos afazeres e gastar menos tempo julgando, tentando corrigir ou alterando o que não se encaixa nos padrões que determinamos como corretos.
Sempre que você se pegar julgando, criticando, tente uma abordagem diferente: aceita, entenda e coopera. Isso pode levar a alguns resultados bem mais positivos.

Isto pode ser aplicado a qualquer coisa que você faz: seja com as outras pessoas no trabalho, na política e na mídia. Quando as pessoas dispõem de fórum para debates e não utiliza as ferramentas adequadamente, partindo para o julgamento peremptório ou afobado, incorre em erros, se deixa levar e não contribui. O que faz alguém crer que apenas ela tem o poder de ver o que está errado? Um visionário?
Às vezes somos rápidos para julgar ou formar uma opinião sobre os outros, sobretudo quando nós não conhecemos as motivações. Julgamos e condenamos antes de conhecer os fatos ou verdades sobre um assunto. Há uma citação de Booker T. Washington, que diz: “ Eu não permito a nenhum homem diminuir e degradar minha alma fazendo-me odiá-lo”. É isso que às vezes fazemos quando julgamos os outros, degradamos a nossa própria alma.

Devemos nos importar pouco com o Julgamento dos outros. Os homens são tão diversos quanto contraditórios e é impossível atender as suas demandas vaidosas e satisfazê-los.
Seja autêntico e verdadeiro. Esqueça a plateia, as bravatas e não discuta os erros dos outros apenas para sentir-se a melhor pessoa do mundo. A tendência de julgar uma pessoa como alguém que não tem qualidades positivas é uma estratégia do ego para evitar sentimentos desconfortáveis, são falas para provocar reações emocionais.

Se você julga as pessoas, você não tem tempo para amá-las, teria dito Madre Tereza de Calcutá.