Aspectos populares das marcas globais

O consumo popular ganhou muitos adeptos com a progressão da classe social de milhares de pessoas, assistidos ou não pelos governos entraram no universo do consumo. Houve um fortalecimento do poder de compra das classes C e D. Esses emergentes são a novidade econômica e social dos últimos tempos.
A sociedade atual é uma sociedade em que uma parcela das pessoas que compra bens e serviços vivencia a explosão do consumo, em geral, pela busca excessiva pelo prazer; o hedonismo – privilégio das classes mais altas. As elites consomem produtos de luxo, que tem certa áurea de sedução e que estão no topo da moda, na mídia, como símbolo de distinção social e como objeto de competição entre as classes.

Além disso, a compra de produtos fabricados por empresas globais é o meio que permite os sujeitos vivenciarem, de fato, o processo da globalização entrando em suas vidas.
Há um discurso moralizante que permeia o tema dos gastos dos setores de baixa renda, onde diz que os pobres devem gastar apenas com o que é necessário para sua sobrevivência, ou seja, eles devem apenas alimentar a prole, fugir do crediário, algo considerado moralmente incorreto. A pobreza, cujo conceito não é relativo é mensurável, não deixa de ser a situação em que o indivíduo não tem condições para assumir prestação alguma.

Os moradores da periferia se espelham nas elites e dentro de suas condições usam produtos pirateados, imitações de grifes famosas. A falsificação, no caso, confere uma democratização do consumo e estilo de vida. O povão, como muitos preferem ser chamados pode não ter dinheiro para comprar os mesmos produtos, mas pode dar-se ao luxo de usar o mesmo estilo de produto que os ricos exibem.

Algumas marcas tem sido objeto de desejo da classe rica e os produtos que fabricam são copiados e distribuídas no mundo inteiro. O produto do luxo torna-se acessível aos pobres. Não raro mulheres ricas compram itens falsificados e os exibem como legítimos nas altas rodas sociais, sem nenhum receio que alguém as reconheça como falsas. Afinal, o poder de quem usa uma bolsa Louis Vuitton é que a legitima como produto original ou falso. Tal produto é sumariamente taxada de falsificado quando usado por uma moradora da periferia.

A questão da marca é o que predomina no imaginário popular. Para as pessoas é muito importante estar inserido no que representa o símbolo da marca. É importante carregar e compartilhar esse símbolo, não importa se o produto é verdadeiro, a marca é a mesma, o símbolo tem a mesma representação. O que interessa é estar socializado com o que dá prestigio e confere status. A ordem é consumir as marcas globais, trabalhar imensamente para trocar o dinheiro pela sensação de pertencer e se identificar com o mesmo universo.

O amor é expansivo, o medo, é exclusivo

buddhist-child-726x400“Siga seu coração” são palavras de ordem que temos ouvido muito ultimamente, mas a mente pode confundir um puxão emocional com a intuição que vem do coração. É preciso prática para discernir a diferença.

Aprendi através de tentativas e erros que a sedução do romance não é sempre o que o coração quer. O coração muitas vezes fala-nos em silêncio e o senso comum tende a racionalizar apenas os nossos desejos e reações. Na mente, os exemplos e julgamentos estão no controle. O coração, porém, é decididamente diferente, é mais suave, embora o que sugere o coração, possa envolver medo e uma paz que não exista. São como duas estações de rádio distintas. Quando se entra em sintonia com a estação do coração, a atitude ajusta e encontra-se respostas para muitas coisas.

É preciso aprender a equilibrar a natureza emocional e questões não resolvidas praticando qualidades que exalam do coração, como a compaixão, perdão, gratidão e carinho. Observe como essa radiação prolongada de cuidado afeta seu corpo, emoções e pensamentos. O coração é nossa casa emocional, onde afloram dúvidas, mágoas, desejos, anseios, alegrias e prazeres. O amor não é algo mensurável nem é um recurso limitado. Ele não conhece limites e não pode ser reduzido a uma definição ou interpretação restritiva. Amor, mais do que tudo, é uma atitude e uma decisão de buscar a felicidade porque devido a sua natureza expansiva, temos a capacidade de trazer o espírito de amor para tudo o que fazemos.

É um projeto da natureza que coloquemos a cabeça em sincronia com a intenção mais profunda do coração. Dizem que no mundo fascinante do coração, existe um pequeno cérebro em seu próprio interior. Sim, o coração humano, além das funções conhecidas possui um coração-cérebro que pode sentir, aprender e lembrar. O coração tem a sua própria maneira misteriosa de conhecimento, pode falar e influenciar o cérebro de forma coerente, estabilizando as emoções. Quando o ritmo cardíaco é compensado, o corpo, incluindo o cérebro, começa a experimentar todos os tipos de benefícios, entre eles uma maior clareza mental e capacidade intuitiva, incluindo melhor tomada de decisão.

Contudo, o principal trabalho emocional do coração é o amor em todas as suas manifestações. O amor pode abraçar o medo, dar direção à vida. E embora o coração e o cérebro estejam em constante comunicação, podemos intencionalmente direcioná-los a se comunicar de forma benéfica, num alinhamento harmonioso com a intuição.

Ouça o que seu coração tem a dizer, observando os sentimentos e sensações que chegam até você, talvez ele esteja oferecendo um novo sopro de argumentos, embora nem todos racionais. Abrir o coração para ouvir, respeitar e confiar é uma experiência poderosa. O coração é como um rei, enquanto a mente é a conselheira do rei, compara Alexander Lowen em seu livro Bioenergética. Os conselheiros informam o rei sobre o estado de seu reino, no entanto, as decisões são tomadas com base no próprio entendimento intuitivo do rei.

Driblar as crises ou aprender com elas?

Baseado em fatos e números o mundo está passando por transformação interessante. A maioria das pessoas hoje vive mais do que seus pais, são mais bem nutridas, gozam de melhor saúde, são melhor educadas, e tem perspectivas econômicas mais favoráveis. Contudo, há também muitas coisas a lamentar e corrigir, como a pobreza sem fim e a desigualdade marcante que ainda persiste, mesmo em meio a riqueza de tantos. Doenças antigas e novas nos ameaçam, as práticas sustentáveis de vida, das quais nossa espécie depende para sua sobrevivência, estão sendo gravemente perturbadas pelas nossas próprias atividades cotidianas.

As grandes disparidades permanecem dentro de todos os países, a desigualdade tende a aumentar, embora a maioria dos países em desenvolvimento tenham melhorado substancialmente seus índices de ascensão no patamar social. O Brasil é citado como um dos países que teve grande avanço na área, juntamente com a China, Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia.

No entanto, o Brasil ainda é o lar de muitos pobres do mundo. Sem investimento em pessoas, o retorno para as tentativas de melhorar o índice de desenvolvimento humano tende a ser limitado. O sucesso, quando medido, é mais provável que seja o resultado de mera integração com a economia e não acompanhado por investimento em pessoas, instituições de educação, saúde, proteção social, capacitação e tudo mais que possa permitir que as pessoas pobres participem efetivamente do crescimento do país. A importância da justiça e da igualdade de oportunidades, os direitos humanos, a democracia vai muito além da medição do progresso, na forma de renda.

Os protestos, especialmente por pessoas educadas, tendem a entrar em erupção, quando estas se sentem excluídas da influência política e quando as perspectivas econômicas são sombrias e reduzem as oportunidades. Ao se engajarem em tais protestos, cobram pelo menos uma política de inovação social. A história está repleta de revoltas populares contra governos que não ouvem e não respondem. Essas revoltas, despertam a desconfiança e podem inviabilizar o desenvolvimento e o crescimento econômico.

Os pobres lutam para expressar suas preocupações, e os governos nem sempre asseguram que os serviços cheguem onde eles estão. A igualdade de tratamento é fundamental para a estabilidade política e social e mesmo que nem todos esses serviços sejam fornecidos pelo poder publico, os cidadãos precisam ter acesso seguro às formas de proporcionar o seu desenvolvimento.
As pessoas devem ser capazes de influenciar a formulação de políticas públicas e cobrar resultados, os jovens em particular, devem ser capazes de olhar para a frente, para as oportunidades e ampliarem a participação na política. É difícil prever quando a sociedade vai chegar a um ponto de inflexão. As revoltas ocorridas são lembrete de que as pessoas, especialmente os jovens, colocam grande expectativa na possibilidade de conseguir um bom emprego, querem ser ouvidos nos assuntos que influenciam suas vidas e mais, devem ser tratados com respeito.

Deixe a vida florescer!

Talvez eu tenha me perdido no caminho do meu objetivo, ou talvez eu nunca tenha encontrado o meu propósito em primeiro lugar.
Talvez eu soubesse exatamente o que deveria alterar, mas não alterei. Teimei e segui. Agora não tenho certeza por onde recomeçar. A vida nem sempre se apresenta clara, certeira. Sei que estou bem, mas bem é estar feliz?
Qualquer coisa que não seja a liberdade me é demasiadamente pouco, a paz deve ser profunda, plena, silenciosa. Sinto que preciso mais do que tenho. Esse contentamento golpeia, não preenche. Preciso tocar os objetivos reais, equipar-me com mais coragem e encontrar as respostas que busco. É tempo de deixar a minha vida florescer!
Intuitivamente eu sempre soube que o caminho estava desviando-se, que a realidade estava a causar danos na minha alma. E minha alma é afeita a desafios, desaforos. Minha alma é forte como forte é minha determinação de mudar a forma de perceber o mundo, as pessoas, a realidade. Estou a buscar a cura para o que me intriga, para o bem que não consigo praticar. Isso me afeta profundamente, por que cavei muito fundo no meu coração, plantei o bem e o mantenho prisioneiro lá dentro. Preciso deixar o bem florescer!
Se escolhi agora olhar para fora de mim mesma neste momento de intensidade emocional, não há culpas, mas não pode haver desculpas ocultas nem posso ficar trancada nessa prisão emocional, onde não há oportunidade de cura. Em vez disso, devo olhar para dentro de mim mesma e não deixar-me perturbar ou sentir medo. Nada pode roubar-me o precioso tempo, a energia e o pensamento limpo. Há um potencial sagrado em meio ao caos. Eu quero libertar-me de toda essa loucura, da indiferença, da arrogância, do descaso,para fazer a diferença no mundo.
O caos convida para dançar, posso declinar o convite e encontrar uma maneira de me mover através do dia-a-dia, às vezes experimentando o que é menos do que o ideal, mas sem comprometer a mente, o coração e o corpo. O que eu quero vem de dentro. È a emoção de estender a mão, de dar uma resposta, de acolher, de liberar novas crenças e sensações.
É assim que vou cultivar um estado de paz interior, o que permite que o corpo se cure. Se você está aqui nesse mundo e eu posso ter a oportunidade de cuidar de você, esta é uma razão para eu cultivar a cura, libertar-me, deixar a minha alma florescer, fazendo o que acredito que cresci para fazer, num novo caminho, de verdade e paz.
Tento e só agora percebo que não mais posso adiar ou evitar esse verdadeiro alinhamento dos meus desejos e necessidades. Eu tenho a pretensão de desfrutar a felicidade e a beleza nesse caminho verdadeiro. É, chegou o momento inevitável de deixar a vida florescer!

Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem salvar o mundo

Malala Yousafzai , uma ativista a favor da educação é a menina paquistanesa que foi ferida a tiros por um extremista talibã, por frequentar assiduamente a escola. Ela discursou na ONU, em 12 de julho passado, quando completou 16 anos e viu a data ser institucionalizada como “ Dia de Malala”. Usando um xale da ex-premier do Paquistão Benazir Bhutto, que foi assassinada em 27 de dezembro de 2007, agradeceu todas as preces, ajuda e cuidados, dos quais dependeu para sua recuperação, na Inglaterra, para onde mudou-se com a família.

Malala foi firme ao apelar aos governantes que garantam a educação obrigatória e gratuita para as crianças em todo o mundo. No discurso proferido na assembleia das Nações Unidas, falou pouco de si e deu ênfase ao desafio de tornar a educação o carro chefe a mover o mundo.

“Hoje não é o dia de Malala. Hoje é o dia de cada mulher, cada menino e menina que levantou a voz pelos seus direitos. Milhares de pessoas foram mortas pelos terroristas e milhões ficaram feridos. Eu sou apenas um deles. Então, aqui estou eu, uma menina, entre muitas outras, que não fala por si, mas por aqueles que não podem ser ouvidos, por aqueles que lutaram pelos seus direitos. O seu direito de viver em paz, o direito de ser tratado com dignidade, o direito à igualdade de oportunidades, o direito de ser educado. Queridos amigos, em 9 de outubro de 2012, os terroristas acertaram um tiro no lado esquerdo da minha testa. Eles achavam que as balas iam me calar, mas não conseguiram. Em vez do silêncio, despertaram milhares de outras vozes.

Os terroristas pensaram que iriam mudar meus objetivos e frear as minhas ambições. Mas nada mudou na minha vida a não ser que a fraqueza, o medo e a desesperança morreram e uma nova força, poder e coragem nasceram em mim. Eu sou a mesma menina, minhas esperanças e meus sonhos são os mesmos. Estou aqui para falar sobre o direito à educação para todas as crianças. Nós percebemos a importância da luz quando vivemos na escuridão, percebemos a importância da nossa voz quando nos obrigam ao silêncio. No Paquistão, eu percebi a importância de canetas e livros quando vi as armas apontadas. Os extremistas têm medo de livros e canetas. O poder da educação assusta.

Apelamos a todos os governos para lutar contra a violência, para proteger as crianças da brutalidade. Apelamos aos países desenvolvidos para apoiar a expansão das oportunidades de educação para as meninas no mundo em desenvolvimento. Apelamos para que sejam todos tolerantes, para que rejeitem preconceitos de casta, credo, seita, cor, religião. Nós não podemos ter sucesso quando metade de nós está retida na escuridão. Queremos escolas e educação para um futuro de paz para as crianças.

Não podemos esquecer que milhões de pessoas estão sofrendo com a pobreza, com a injustiça e com a ignorância. Não devemos esquecer que milhões de crianças estão fora das escolas. Não devemos esquecer que os nossos irmãos e irmãs estão à espera de um futuro pacífico e brilhante. Por isso então, vamos travar uma luta gloriosa contra o analfabetismo, vamos pegar nossos livros e nossas canetas, pois são eles nossas armas mais poderosas. A educação é a única solução. Educação em primeiro lugar”!

Segundo dados da Unesco, 57 milhões de crianças estão fora das escolas.

O fascinante mundo das crises

Cidadãos ativistas estão mudando o mundo. Se você tem acompanhado as notícias ultimamente, provavelmente deve estar sentindo-se inspirado a iniciar seu próprio movimento de mudança.
O mundo é agora uma rede de inovações interligadas, onde os problemas e soluções são compartilhados em tempo real. Em um mundo de tanto crescimento exponencial e acelerada inovação, embora pareça, o homem não pode ser visto solitário num universo particular. Ele está ligado a uma série de relações, deslocamentos, vizinhanças e crenças. Este poder de conexão revela o que somos capazes de fazer se trabalharmos seriamente para redefinir o crescimento e o desenvolvimento que desejamos. Nesse contexto de novidade não há nenhuma razão para pensar que a política e a economia seriam imunes aos protestos. O povo saiu do bunker e começou a emitir sinais de que quer mudança.
Como é que vamos estender os cuidados de saúde, educação, segurança, inclusão financeira e outros serviços sociais de forma honesta para as populações que mais precisam? No mundo hoje milhões de pessoas são defensores dos direitos humanos e a colaboração entre os meios de comunicação, tecnologia e direitos humanos cria um sistema favorável para a mudança social. Veja só, como uma história pessoal, uma imagem são ferramentas eficazes para interferir e mudar as políticas, leis e comportamentos. Li uma reportagem citando dados de como as imagens feitas por celulares, enviadas para organizações de direitos humanos, reduziu a mobilização de crianças, enviadas como soldados em conflitos armados na República do Congo e ainda colocou na prisão o grande general que os recrutava, conhecido como o “senhor da guerra”. É a coisa certa a fazer, usar os recursos da tecnologia para coibir os abusos. O YouTube em parceria com diversas entidades lançou o canal dos Direitos Humanos, com proteção da identidade dos denunciantes e jornalistas e ativistas do mundo inteiro estão sendo incentivados a doar as imagens colhidas de abusos, corrupção e violência para que sejam publicadas no canal.
Partamos do princípio que ser consciente e honesto compensa e que os valores sociais e morais devem ser trazidos à mesa em todas as circunstancias de negociações. Devemos confrontar as informações que recebemos, confrontar os mundos antagônicos da miséria, da falta de educação e saúde com o mundo da corrupção, do enriquecimento inexplicável e denunciar.
E mesmo a partir desse ponto, há muitos obstáculos no caminho para o avanço social, porque as vezes, o contentamento sonolento de muitos tira o foco do que é realmente urgente e importante. A verdadeira urgência concentra-se em debruçar no polemico tema da reforma política.

Dia Internacional de Nelson Mandela

Dia 18 de julho próximo será o Dia Internacional de Nelson Mandela, data que também celebra os 95 anos de seu nascimento. Os líderes do movimento clamam os cidadãos a dedicarem 67 minutos para atos de caridade em suas comunidades. Faz 67 anos que Nelson Mandela devota a sua vida a lutar pela liberdade.

Atrás no tempo, em 1948, a África do Sul estabeleceu o regime da segregação racial em sua constituição. O objetivo era manter os brancos no controle do país, onde os negros não tinham direitos políticos, com a consagração da lei de separação e discriminação por raça no ambiente multicultural do século XX. Filho adotivo de um chefe tribal da etnia Xhosa, Nelson Mandela cresceu com um pé na cultura tradicional da sua tribo e o outro na realidade hostil de uma nação dominada pela discriminação racial. A carreira no direito acrescentou-lhe consciência política e Mandela envolveu-se ativamente na Liga da Juventude da ANC, liderando campanhas e desafiando as políticas discriminatórias do governo Sul-Africano.

Defendia sempre a resistência não-violenta contra o aparthied e nunca gabou-se de ser orador brilhante, tampouco um líder destemido. Como presidente do Congresso Nacional Africano, Mandela exerceu uma liderança moral guiada pelo sonho de ver a África do Sul unida. A luta contra o apartheid intensificou-se na década de 80 e em 1990-1991 a lei do apartheid foi revogada. Mandela, a figura-chave na história da derrota desse sistema perverso, foi eleito presidente em 1994.

Long Walk to Freedom (Longa Caminhada até a Liberdade) é a comovente autobiografia de Nelson Rolihlahla Mandela , um livro que começou a escrever escondido em 1974, já na prisão de Robben Island, onde conta a história extraordinária de sua vida, descreve o ritual de isolamento e cerimônias que marcaram a passagem da infância para a juventude. Ganhou uma bolsa de estudos em Londres, formou-se em direito para ser conselheiro do rei de sua tribo. Mas os anos turbulentos de conflitos raciais, levaram-no a várias prisões, banimento, até que em 1964 fora condenado, sentenciado a prisão perpétua e recolhido em Robben Island.

A cela onde lia-se “N Mandela 466/64” significava que Mandela era o 466º prisioneiro, admitido na ilha, no ano de 1964. Tinha 46 anos de idade, era considerado preso político e perigoso, pois poderia contaminar os outros com seu ideal de igualdade e liberdade. Ficou ali preso por 27 anos. Sabia desde o primeiro dia que cairia doente com algum mal pulmonar, porque a prisão, construída às pressas, tinha as paredes úmidas e pelo chão se formava poças de água durante a noite.

Aclamado como o maior líder moral e político do nosso tempo, desde Mahatma Gandhi, é um herói internacional cujas realizações rendeu-lhe o Prêmio Nobel da Paz de 1993. Aos 94 anos, hospitalizado desde 8 de junho, é acompanhado de perto por um de seus melhores amigos, o arcebispo emérito Desmond Tutu, que disse que mesmo terrivelmente doente, Mandela continua unindo a África do Sul, agora, em preces pelo seu restabelecimento e que o povo não deve lamentar-se, mas lembrar-se do mais precioso momento que Nelson Mandela proporcionou ao país: o reencontro do povo com a liberdade!

Nada permanece igual após milhares de vozes clamarem por mudança

O que os políticos mais querem agora é entender o que está acontecendo no país. Muitos acompanham perplexos as manifestações que ganharam as ruas e, apesar de a presidente Dilma ter dito que está orgulhosa das vozes que clamam por mudança, ela poderia ter se antecipado a esse clamor, porque não está claro onde os protestos irão a partir daqui, o certo é que o fogo foi aceso e será difícil apagá-lo.

O Instituto Datafolha pesquisou o perfil dos manifestantes na grande São Paulo e surpreende que 84/5 não tenha filiação partidária, 77% tem educação superior, 22% são estudantes e 71% estão participando de atos de protestos pela primeira vez. E as razões dos protestos não têm um foco único, no rastro das manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus, os manifestantes foram agregando outras insatisfações; o aumento das dívidas pessoais, a queda do real, que perdeu 8,7% em relação ao dólar nos últimos três meses, o preço dos alimentos, que subiu até maio mais que o dobro da inflação anual.

Diferente do que ocorre agora, o movimento das Diretas Já foi uma das manifestações com maior participação popular da história do Brasil. Iniciada em 1983, no governo militar de João Baptista Figueiredo e tinha uma pauta única de reivindicação; exigia eleição direta para presidente da República. Havia uma única chance de ocorrer eleições livres, que seria a aprovação da emenda constitucional proposta pelo deputado mato-grossense Dante de Oliveira. Foram várias manifestações populares, mas dois megacomícios marcaram o movimento, pouco antes de ser votada a emenda Dante de Oliveira; no Rio de Janeiro, no dia 10 de abril de 1984 e outro no dia 16 em São Paulo. Mais de um milhão de pessoas esteve na Praça da Sé, em São Paulo. A emenda não foi aprovada. Perdeu por apenas 22 votos, mas a ditadura estava com os dias contados a partir dalí e no discurso histórico de Ulisses Guimarães em 5 de outubro de 1988, ao promulgar a nova Constituição, ele declarou que a nação mudou pela força das manifestações nas ruas.

Em 1989, o Brasil realizou a primeira eleição direta após três décadas. Fernando Collor apresentou-se como um “caçador de marajás”. Pouco tempo após sua posse, uma sequência enlouquecida de denúncias de corrupção. Em 1992, seu próprio irmão, Pedro Collor confirmou todas as denúncias. Acuado, Fernando Collor foi à televisão, pediu ao povo que organizasse grandes manifestações de apoio a ele, que fossem os jovens às ruas vestidos com as cores da bandeira nacional. A estratégia não funcionou e os jovens foram para as ruas com as caras-pintadas, vestidos de preto e pedindo a saída de Collor da Presidência. A partir daí também não foi mais possível conter a mudança. O pedido de impeachment foi aprovado na Câmara e no Senado.

O governo da presidente Dilma Rousseff enfrenta os maiores protestos em 20 anos e a onda de insatisfação não foi detectada previamente pelo governo. E será que tudo começou mesmo com o aumento das tarifas de ônibus? Não teria havido ecos de insatisfação lá atrás quando em maio o preço do tomate subiu acima de 100% e virou deboche na mídia, ou quando foi divulgada a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria, indicando que a aprovação do governo Dilma Rousseff havia caído de 63% em março para 55% em junho? É fácil falar agora, mas não seria tudo isso indício de uma possível explosão?

Certamente o desafio agora é garantir a realização dos eventos comprometidos e assegurar que as necessidades prioritárias elencadas nas manifestações sejam atendidas, porque os protestos se estendem ao longo de classe social, raça e filiação política.

Tempo de maturação

O universo tem paciência proverbial. Se precisamos aprender alguma coisa, alguma verdade a um novo nível de consciência, compaixão e confiança, há uma conspiração para que tenhamos a oportunidade de aprender essa lição, embora normalmente chamamos essas oportunidades de estresse, problema, provação e perseguição, porque temos uma fonte quase infinita de formas negativas de ver os tempos difíceis, que muitas vezes são oportunidades inestimáveis para aprender, crescer e confiar, além de evoluir. Isso é maturação.

O primeiro passo é mergulhar nos momentos escuros, ficar em contato com a realidade nua e crua, avaliar com retidão as possibilidades de avançar, recuar ou simplesmente esperar. A maturação é esse momento em que a espera é feita de observação, de reticências, dúvidas e por que não? de muito medo. Maturação não é somente uma palavra. É a arte de perder a pressa, de não responder no afogadilho habitual, de não ceder ao que o outro quer, de conter a palavra que vai ser mal interpretada.

Quando domamos a técnica de não disparar o gatilho ao primeiro sinal de ameaça, estamos aprendendo a enxergar através de uma boa lente, através da qual se pode ver as circunstâncias que poderiam ser muito carregadas emocionalmente. Isso aplica-se nos relacionamentos da vida pessoal, social e sobretudo na política, onde os processos são cada vez mais antecipados e um ano a frente já é discussão do passado.

A maturação do vinho faz muita diferença na qualidade do produto. O tradicional vinho do Porto reserva, tem a fase de envelhecimento de 7 anos, os Tawnies envelhecidos, considerados especiais levam de 10 a 40 anos, os incomparáveis californianos Chateau Montelena Cabernet e Geyserville Zinfandel datam de1992 e 1978, respectivamente. Tempo necessário para depurar a textura e o aroma e para ganhar maciez e elegância. Também nós devemos fazer uso do tempo para pacificar as expressões de vingança, raiva e insegurança e aprender a perceber o outro a partir de um estado de equilíbrio e elegância. A evolução e crescimento pessoal é uma meta do ser humano, que deve estar sempre vigilante contra a maré da impaciência, da avidez e da sofreguidão.

A vida pode ser fácil. A evolução é arte. Viver, às cegas, com respostas prontas, atitudes de massa é precipitar-se no abismo incontestável que engole os afoitos. Evoluir é um processo lento nesse universo que é infinitamente paciente com nosso crescimento, com o detalhamento das fases de conversão, isolamento, descobertas e transformações, que começam com a integração da sombra e do ego potencialmente maduros. E o que temos à nossa disposição é uma enorme capacidade de assumir o comando da nossa própria maturação.

O mundo físico e o mundo do invisível

 Os seres humanos têm se envolvido em um debate entre natureza versus criação, um dilema com tom de destino versus livre arbítrio. O questionamento agora é se você é a pessoa que é porque nasceu assim, ou por causa do ambiente em que você foi criado.

   A ciência que estudaria exclusivamente o mundo físico, baseado nas gravações, medições e observações entra agora na compreensão do mundo invisível, da metafísica e das crenças. O doutor Bruce Lipton é uma autoridade internacionalmente reconhecida na ponte entre a ciência e o espírito, um biólogo celular por formação, autor do livro “A Biologia da Crença”, sobre as suas observações das pequenas coisas na vida e nas células e o efeito que os pensamentos, como energia, têm sobre nosso bem-estar geral. Ele desconstrói a crença que o gene e o DNA controlam o corpo, ao contrário, diz ele, o DNA é controlado por sinais exteriores, por mensagens energéticas emanadas do pensamento. O trabalho do doutor Lipton é sobre as interligações entre a energia de nossas crenças e o comportamento surpreendente das células.

   A ideia de que as células são extremamente inteligentes na realização de tarefas complexas não é um fato recém-descoberto, embora haja a crença quase religiosa de que somos programados pelo DNA, que seria o código para o nosso comportamento físico e mental. E essa crença tem nos mantido em posição de vítimas de coisas sobre as quais achamos que não temos controle, vítimas da hereditariedade de comportamento e doenças como câncer, diabetes, obesidade e outras doenças. O que o estudo do doutor Bruce comprova é que isso não é bem verdade. Diz ele que somos nós os dirigentes da nossa própria criação, que precisamos aprender a emitir sinais claros para a nossa mente, porque nosso cérebro é o regente de uma orquestra com 50 trilhões de células, prontas para entrar em ação assim que acionadas.

   Ao nos sentirmos inseguros e ameaçados, tendemos a deixar tal sentimento dominar nossa mente e, então, imagina 50 trilhões de células saudáveis recebendo a comunicação de que estão sendo ameaçadas. Portanto, cuidado, ao sentir raiva, você libera uma química diferente no sangue e essa alteração, muda o destino das células. Essa alteração depende da maneira como respondemos ao meio em que vivemos, da maneira como nosso cérebro percebe o que acontece e processa essa informação. É a partir daí que nossa mente ordena a liberação da química que controla o comportamento e a genética das células.

   Não somos reféns do DNA. No estudo, o DNA é uma espécie de servo das células e não o rei, o caminho do coração é um servo de todos os órgãos, mas é o cérebro que domina o controle de todas as atividades do corpo e da mente. Apesar de termos ouvido por mais de 50 anos que os genes controlam nossas vidas, é nosso cérebro que controla os genes e num passeio sobre a evolução da espécie humana, fica a afirmação de que a maneira como percebemos o mundo, nossas crenças cotidianas podem, sim, afetar nossa saúde.