Fuga

Não há medo nesse silêncio,
Não há palavra contida nem riso abafado.
Fiquei assim… sentei-me no canto da sala.                                                                                                        Nosso pensamento que poderia coincidir,
Hoje diverge sem tréguas e sem explicação,
Que consequência pode decorrer da minha ilusão
Se no fundo imperativo manda meu coração?
Não há nada mais que esse silêncio.
Não há o que salvar.
Não reconheço sequer o vulto do que fomos.

O crônico flagelo da fome

Eu não saberia descrever o quanto dói a sensação de fome e não alegro-me ao ler o último relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que no ano passado divulgou dados sobre o número de pessoas que passam fome no mundo e ao detalhar o relatório enfatizou que a cada 6 segundos uma criança morre acometida por alguma doença relacionada à fome. O número estimado de pessoas subnutridas é de um bilhão e vinte e três milhões de pessoas, das quais 578 milhões vivem na Asia e no Pacifico. Dois terços das pessoas que passam fome vivem em 7 países: Bangladesh, China, Congo, Etiopia, India, Indonésia e Pakistão.

A FAO comemorou ao constatar que pela primeira vez em 15 anos caiu o número de pessoas subnutridas e o Brasil pelo segundo ano consecutivo lidera o ranking dos países com melhor performance no combate à fome.

Embora os números tenham sido consideravelmente reduzidos, é ainda inaceitável que a erradicação da fome não seja prioridade zero dos governos, que segundo aponta a FAO devem investir mais na agricultura, combinado com a expansão da rede de assistência social e criar mecanismos eficientes para proteger as pessoas com mais vulnerabilidade.

O corte promovido pelo governo americano nos programas de ajuda alimentar e combate a fome pode comprometer drásticamente os países africanos que se encontram mergulhados numa terrível seca. A comida não foi tratada como um aspecto crucial da política internacional, sabendo o governo americano que não pode haver paz ou estabilidade quando se administra uma multidão faminta. As imagens, sobretudo, de crianças desnutridas á beira da morte voltam a cena nos noticiários internacionais. A imagem choca, mas se repete, alimentada por ingredientes externos como a seca, a guerra, os terremotos, difíceis acessos aos meios de produção e a indiferença.

Essas pessoas que sofrem com a flagelo da fome não representam apenas os números atualizados de uma estatística, são pessoas, homens e mulheres muito pobres que lutam para criar seus filhos. Os dados assombraram a própria ONU durante a reunião de cúpula em setembro do ano passado em Nova York, onde discutiam medidas que poderiam acelerar o progresso nos países pobres. Fixou-se aí então, algumas metas e a primeira das quais é acabar com a pobreza e a fome.

É preciso incitar os líderes mundiais a tomar medidas firmes e urgentes para acabar com a fome, a tratar a questão com seriedade e a buscar incessantemente medidas que possam ajudar a construir um futuro para as crianças e jovens. Com US$ 25 milhões por ano, seria possível reduzir sensivelmente o quadro de desnutrição nos 15 mais famintos países da África e da América Latina e salvar da fome pelo menos 900 mil crianças nos próximos quatro anos.

O Brasil, um país de contrastes vive boa fase de crescimento econômico, foi apontado no relatório como um país que tem avançado para reduzir o número de pessoas desnutridas especialmente devido a atuação positiva da economia nos anos passados, contudo ainda prevalece a máxima onde os 10% mais ricos detém quase toda a renda nacional e à margem vive um exército escandaloso de 15,6 milhões de pessoas subnutridas.

Anos atrás conheci Mark London, advogado e escritor americano que apaixonou-se pela história da BR-163, no trecho que liga Cuiabá a Santarém, e em seus apontamentos relatou preocupação com a miséria e a fome que se abatiam sobre as pessoas que viviam ao longo da BR. Acabo de percorrer o trajeto e constatei que os bolsões de miséria transformaram-se em pequenos vilarejos e distritos, dotados de precária estrutura, mas o fantasma da fome não mais povoa o trajeto da rodovia.

É assim que os amores terminam

Não é simples tampouco sem dor que admito perder você,
de vista, de pensamento; por falta de tentar, de retomar a conversa interrompida.
A escolha não feita, a mesa desfeita, a vida revirada.
É assim que os amores terminam, que as portas se fecham, que os caminhos se distanciam.
As mãos se esfregam, o olhar se perde, a cabeça pende. O vulto se distancia,
as promessas são quebradas, o sonho se encerra.
Eu sigo, você volta, nosso caminho torto transcende nossa capacidade de reinventar o amor,
que desintegrou na totalidade.
Não há o que provar. A dor e o silencio tem gosto de nada.

A cultura do voluntariado como manifestação de cidadania

“Nunca há um ano sem crises humanitárias e onde há pessoas em necessidade, há bons homens e mulheres se unindo para aliviar o sofrimento e trazer esperança.” observa o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon.
O trabalho voluntário é a oportunidade de fazer a diferença na vida das crianças carentes e adultos, transmitindo educação e aconselhamento nas escolas e orfanatos, informação sobre o HIV e cuidados médicos.
O voluntariado brasileiro teve início em 1543, quando foi fundada a primeira Santa Casa de Misericórdia no estado de São Paulo. A noção de voluntariado era bastante ligada as atividades religiosas, coordenadas pela Igreja Católica. Tempos depois surgiu a Rede Feminina de Combate ao Câncer, uma organização filantrópica de âmbito nacional, que existe desde 1946.

No início dos anos 1980, o voluntariado ganhou popularidade e em 1983 a doutora Zilda Arns Neumann e o então arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Majella fundaram a Pastoral da Criança, com o objetivo de combater a alta taxa de mortalidade infantil. Foi então que desenvolveu a metodologia comunitária de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres. Os líderes comunitários eram capacitados e transmitiam às mães ensinamentos para combater grande parte das doenças e a marginalidade das crianças. Após 28 anos, a Pastoral acompanha 1.256.079 famílias, 1.598.804 crianças, 85.617 gestantes. Está presente em 4.000 municípios brasileiros e em 20 países, onde transmitem solidariedade e conhecimentos sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres.

Dra. Zilda Arns Neumann, médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), enveredou pelos caminhos da saúde pública e dedicou a vida a salvar vidas com medidas simples, educativas, preventivas e acima de tudo, eficazes. Em 2006, ela foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.
Morreu tragicamente no terremoto que devastou o Haiti dia 12 de janeiro de 2010, em Porto Príncipe quando acabara de fazer um pronunciamento sobre seus métodos e hidratar e alimentar as crianças pobres.
Se viva, estaria, dia 25 de agosto, quinta-feira, completando 77 anos de idade.

Outro momento importante para a disseminação do voluntariado foi em 1996, quando a Fundação Abrinq e o conselho da Comunidade Solidária lançaram o “Programa de Estímulo ao Trabalho Voluntário no Brasil”. Desde então, quase todas as capitais brasileiras fundaram organizações que atuam tanto na captação como na capacitação de entidades e de voluntários.
Segundo dados do Portal do Voluntário, os voluntários têm alto nível de escolaridade, 23% têm pós-graduação e 20% completaram o ensino superior – e que 31% deles têm entre 18 e 34 anos e 53% são mulheres. Em média, conforme aponta a pesquisa “Doações e trabalho voluntário no Brasil, dirigidas por Leilah Landim e Maria Celi Scalon, cada voluntário doa em média74 horas de trabalho por ano. No Canadá, por exemplo, esse número é de 191 horas anuais.
No Brasil o serviço voluntário foi regulamentado pela lei 9.608/98, que esclarece que o serviço voluntário não gera vínculo empregatício e nenhuma obrigação de natureza trabalhista.
Ação voluntária emana valores de solidariedade e de iniciativa em favor de outros. O voluntário atua como um agente de transformação social, com forte inserção na comunidade, tendo um importante papel integrador. Através da participação voluntária, as pessoas encontram espaço para seu crescimento pessoal e sua auto realização.
Mesmo as organizações humanitárias famosas, como a Cruz Vermelha, Save the Children e Médicos Sem Fronteiras também são dependentes de voluntários.

A antropóloga Ruth Cardoso fundou em 1995 a Comunidade Solidária que, através da ação de voluntários, fortaleceu as ações sociais no Brasil, estimulando a criação de mais de 40 Centros de Voluntários nas principais cidades brasileiras. Ruth Cardoso disse em entrevista que o brasileiro é solidário, que o gesto de solidariedade faz parte da nossa cultura. Confirmou que as pesquisas indicavam que 1 em cada 5 adultos exercia atividade voluntária. Ou seja, grande número de pessoas doam tempo, trabalho e talento para ajudar quem precisa. Dra Ruth Cardoso pontuou que cada problema social é uma oportunidade de ação cidadã. Voluntariado é um hábito do coração e uma virtude cívica. Solicitados a doar o melhor que temos dentro de nós, a tendência é a uma reação generosa.

Juventude: Divergência entre realidade e oportunidade

Comemora-se em 12 de agosto o dia Mundial da Juventude e no âmbito das comemorações um movimento imenso de jovens do mundo inteiro segue rumo à Espanha, país escolhido para sediar o grande encontro global, que a cada três anos se realiza em algum lugar do mundo. Embora vinculado a Igreja católica, o movimento avançou por outros credos e há de se ressaltar que o momento é muito oportuno para trazer os jovens à mesa de discussão de temas importantes. Momento de demonstrar confiança, tolerância e estender a mão para que eles possam construir algo de novo na vida deles, que está sendo impulsionada à mudanças bruscas de comportamento, de prioridades governamentais.

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Além da limitação financeira ou falta de
ofertas existentes, a verdade é que o
jovem está envolvido também numa
miséria cultural sem precedentes
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Milhares de jovens com destino a Madrid e Sevilha estão tentando vencer esse momento de desânimo e encontrar respostas para suas aflições e inseguranças, nem sempre expressas pelos meios tradicionais. Mas mandam recados irados ou irônicos para quem os ignora. A maioria dos jovens que participaram das últimas manifestações, tanto na Inglaterra quanto na Síria, Israel ou Chile, dizem que estão fazendo campanha por justiça social e para mudar a abordagem dos governos nos temas relacionados à juventude, que sente-se excluída e diretamente atingida nos cortes dos governos e na falta de emprego.

Tyler Ament, diretor da Coalizão Internacional da Juventude, participou em Nova York do Encontro da ONU, que está acontecendo como parte do Ano Internacional da Juventude, sob o tema geral “Juventude: Diálogo e Compreensão Mútua” e levou uma mensagem melancólica e depois esperançosa dos jovens, que a priori se definem como sobreviventes de um horizonte escuro, para logo adiante, se comprometerem a livrarem-se do medo dos desafios e confiar num amanhã de esperança e liberdade autentica.

Não sei ao certo o que, mas algo está levando os jovens a viverem um revés de seus próprios sonhos e minha convicção é que a juventude tem um papel extremamente significativo na transformação da sociedade. Desde 1995 a ONU trabalha o Programa de Ação Mundial para a Juventude, para orientar os governos, as organizações nacionais e internacionais e para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do potencial jovem ao máximo. Mas mesmo assim, admitem Membros da Assembleia Geral da ONU, os jovens continuam a enfrentar muitos obstáculos e desafios que dificultam a sua transição para a idade adulta.

Há no mundo, aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas com idades entre 15 e 24 anos e esse número deve permanecer nessa faixa até o ano 2050. Embora representem 25% da força de trabalho, os jovens desempregados somam 44% do total da população sem emprego. O resultado é que existe cerca de 125 milhões de jovens trabalhadores pobres. Os jovens ainda estão no centro da epidemia global de HIV, com 5.4 milhões de pessoas contaminadas, o que comprova a ineficiência dos sistemas disponíveis de acesso a informação para prevenir a transmissão do HIV. Também há política de saúde inadequada e serviços de apoio social insuficientes.

A América Latina abriga cerca de 100 milhões de jovens, que representam 18,5% da população da região. Aqui então, as perspectivas de vida diferem substancialmente de uma região para outra, sobretudo no que concerne as oportunidades disponíveis e prioridades. A inserção dos jovens no mercado de trabalho é um assunto atual na agenda contemporânea de debates no mundo inteiro. Não apenas pela conciliação entre trabalho e estudo, como também pela qualidade do trabalho que exercem.

No Brasil, os jovens de 15 a 24 anos totalizam 34 milhões de pessoas, destes, quase metade vive em famílias consideradas pobres, 5% considerados inativos, não estudam nem trabalham. Além da limitação financeira ou a falta de ofertas existentes, a verdade é que o jovem está envolvido também numa miséria cultural sem precedentes. O relatório da ONU sugere que se traga aos jovens novas perspectivas para o desenvolvimento de uma aliança global, que possa ampliar a plataforma de diálogo com a sociedade, estimular a produção de conhecimento e estabelecer um vínculo de respeito e princípios.

“O respeito e o amor devem se estender àqueles que pensam e operam diferentemente de nós, pois com quanto mais humanidade e amor entrarmos em seu modo de sentir, mais facilmente poderemos iniciar com eles um diálogo”, diz trecho da carta de monsenhor Maggiolini, citado por Bobbio em seu livro Elogio da Serenidade.

Na contramão da evolução comportamental, o não reconhecimento da paternidade ainda é problema no Brasil

Os pais de hoje já começaram a assumir papéis muito diferentes dos pais das gerações anteriores.
O que trouxe essa mudança de papéis para os homens, como pais?
Isso, em decorrência de uma nova forma de organização da família, mudanças na sociedade contemporânea, como aumento no número de mulheres entrando no mercado de trabalho, proporção de nascimentos fora de casamento, além do aumento de famílias de pai ou mãe solteiros.

Nas décadas mais recentes, a mudança do papel econômico das mulheres tem tido grande impacto o papel dos pais. Mas o pai moderno se reinventou. O pai de hoje não é mais o ganha-pão tradicional, casado e disciplinador da família. Pesquisa psicológica entre famílias de todas as etnias sugere que o afeto do pai e seu envolvimento direto com a criação dos filhos ajuda a promover o desenvolvimento social e emocional das crianças e isso não rivaliza com o papel das mães, porque pai e mãe atuam em pólos distintos da formação do caráter da criança.

De acordo com os estudos publicados por Engle e Breaux ,no relacionamento pai e filhos, o pai deve: 1) construir uma relação de cuidado com os filhos, envolvendo-se por meio de interação, disponibilidade e responsabilidade ; passando parte do seu tempo com a criança; bem como estar presente, já que há evidências de que o contato com o pai acarreta menos problemas de comportamento, mais senso de habilidade para fazer coisas e maior auto-estima na criança; 2) tomar a responsabilidade econômica pela criança e 3) reduzir as chances de criar um filho fora de uma parceria com a mãe da criança (o que pode reduzir seu vínculo com a criança).

Alia-se a esses conselhos, outros tantos sugeridos no livro; como comportar-se de modo amoroso e dedicado, criar um clima doméstico e acolhedor. Manter o olhar atento no filho. Interromper as atividades para ouvi-lo, para brincar.
As mudanças são significativas e tendem a causar impacto positivo no papel das relações pai e filho. Os múltiplos papeis que se espera que os pais explorem, segundo diversos artigos publicados na revista Scielo, estão ligados aos aspectos mais diversos da paternidade; como tomada de decisões, motivação e mecanismos para exercer influencia sobre os filhos.

A assimilação dessas regras que constituem a identidade moral das crianças, devem ter características muito mais humanas quando o pai com o qual a criança se identifica está em casa. Esse pai deve se mostrar com todas as suas competências e fraquezas, enfim, uma figura real. Cultuando a imagem do pai herói, as crianças correm o risco de se identificar mais ou também com os ídolos da mídia, com celebridades.
O pai retratado por U2 na música “ Sometimes you can´t make it on your own” ( às vezes você não pode fazer tudo sozinho); escrita por Bono Vox dedicada ao pai durão, que fingia que as coisas estavam sempre bem e sob controle, que resolvia tudo sozinho para poupar a família. Na música, Bono desconstrói a imagem desse pai infalível e pede ao pai que aceite que nem sempre se consegue fazer tudo sozinho e que o pai não tem que estar sempre certo.

Os pais desempenham um papel particularmente forte no desenvolvimento das crianças para a abertura para o mundo. Os homens parecem ter uma tendência para excitar, surpreender e eles também tendem a incentivar as crianças a assumir riscos, enquanto, ao mesmo tempo garantem a segurança, permitindo assim que as crianças aprendam a ser mais corajosas em situações desconhecidas, bem como para defender-se. Mas essa dinâmica só pode ser eficaz no contexto de um vínculo emocional concreto e sólido entre pai e filho. Pais modernos ou antigos, jovens ou nem tanto, não se desobriguem a educar seus filhos. Escola e Família não tem a mesma função.

Na contramão da evolução comportamental dos pais, o não reconhecimento da paternidade ainda é um sério problema no Brasil. Cerca de 30% das crianças brasileiras não tem o nome de seus pais em seus registros de nascimento, é o que revela a pesquisa da socióloga Ana Liési Thurler. E numa tentativa de amenizar ou solucionar o constrangimento a que são expostas essas crianças, a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça – CNJ lançou o projeto “Pai presente”, cujo objetivo é identificar os pais que não reconhecem seus filhos e garantir que assumam as suas responsabilidades.Determina ainda que as corregedorias dos Tribunais de Justiça de todo o Brasil identifiquem os pais de 4,85 milhões de pessoas que têm essa lacuna no registro de nascimento. 3,8 milhões são jovens com menos de 18 anos

O Cidadão é a base do sistema político

Faz realmente diferença em nossas vidas que tipo de governo temos? Nós temos realmente escolhas ou é a forma do nosso governo algo sobre o qual não temos poder algum? Por que deveríamos aprender e envolver com política?
Benjamin Constant no livro Escritos de política disse ser a democracia a autoridade depositada nas mãos de todos. Os cidadãos possuem direitos individuais que estão acima da autoridade que governa, como a liberdade individual, liberdade de opinião e liberdade religiosa.

Precisamos nos envolver não apenas por causa dos discursos dos ideais sublimes da democracia, mas porque é nossa responsabilidade como cidadãos.
Você deve prestar mais atenção na verdade, envolver-se e votar; porque goste ou não os políticos são eleitos, irão recolher impostos e definir todas as regras que afetarão a sua vida.
Pois bem, é direito seu envolver-se ou pular fora do processo, abster-se. As pessoas se queixam do governo municipal, estadual ou federal, dos impostos, educação , saúde e segurança. Se você se importa …fale por meio das urnas. Se você é apaixonado por uma causa específica, junte-se a um grupo de trabalho sobre a causa, sugira, levanta a voz, apresenta proposta, faça-se ouvir.
O governo deve ser mínimo e o cidadão deve agigantar-se gozando de sua liberdade, de seus direitos civis, que reflitam os valores de sua luta. No entanto, a participação na política convencional é geralmente a única maneira de efetuar mudanças, inclusive na forma de fazer política.

A política é para questionar, participar, colocar as questões sem negligenciar as preocupações, partindo de sua perspectiva idealista e aceitar os desafios. Um bom começo na prática de fazer política é ganhar a confiança da comunidade.
Estar sempre interessado na política local. A familiaridade com a comunidade faz você lidar com os céticos, com a pobreza que habita a casa ao lado da sua, tomando o serviço da comunidade à sério o suficiente para ganhar o respeito dos moradores. Faça isso porque se você não se sente representado por seu governo, a única solução é montar sua própria base e fazer política na sua comunidade, com valores definidos baseados na honestidade e solidariedade e no desejo de interferir nas decisões governamentais. Conceda poder político a si mesmo para produzir os efeitos pretendidos sobre as outras pessoas.

Adote a política como instrumento para promover investigação da natureza, causas e efeitos do governo que refletem diretamente na sua vida. Realmente faz diferença se somos bem ou mau governados. Ao traçarmos os efeitos de diferentes formas de governo, direita ou esquerda, podemos aprender quais são as qualidades necessárias para fazer a melhor forma de governo. Em outras palavras, nada existe como o conhecimento político.

Mesmo se as diferentes formas de governo foram, e ainda são as causas da prosperidade, da vida, pobreza e morte, como então, somos capazes de influenciar os regimes que nos governam ou somos governados por causas mais profundas sobre as quais temos nenhum controle?

A visão fatalista de que não temos escolhas reais a fazer na política surgiu em formas diferentes em momentos diferentes da história. No século 19 – a crença predominante era a ideia de progresso histórico: a história mudou em uma linha reta da barbárie primitiva para os estágios da civilização. Mas mais uma vez isto implicava admitir que o caminho pelo qual as sociedades eram governadas dependiam de causas sociais nem sempre passíveis de controle humano . E isso significava que as pessoas não tinham grandes escolhas para fazer sobre as formas de governo.
No entanto hoje vemos uma reação contra a globalização na forma de movimentos políticos preocupados com o meio ambiente, ou o impacto dos mercados globais em nações em desenvolvimento ou a qualidade de nivelamento por baixo da cultura global.
Mais uma vez, estas são questões sobre as quais escolhas coletivas têm de ser feitas e elas são essencialmente questões de interesses políticos.

O investimento em capital cultural

A herança cultural é tudo o que o homem adquire ao longo do seu processo de formação; conhecimento, crença, arte, moral, lei e costumes, entretanto a cultura está sempre sujeita aos estágios da evolução. Temos que olhar atentos as modificações, o renascimento, os detalhes da vida diária para construirmos a nossa história.
Respeitar a herança cultural acumulada através do convívio familiar e em sociedade é crer que a transformação dos estados de evolução do homem teve a cultura como fator determinante das transformações.
Sendo a herança cultural algo arraigado em nosso íntimo isso exige que sejamos cuidadosos com nossos filhos. Transmitir valores éticos saudáveis, comportamento social adequado, estimular o gosto pela música e arte, ser flexível diante das diferenças. Devemos conduzir pelo caminho do bem a herança cultural que deixamos, acumular exemplos que marcam, pequenos gestos que se repetidos serão determinantes no resultado escolar da criança e nas escolhas dos relacionamentos.
Herança cultural dá-se através do armazenamento e transmissão de informações por meio de comunicação, imitação, ensino e aprendizagem. Patrimônio Cultural é arte contida em um caldeirão borbulhante de ensinamentos misturado com ética, filosofia, política e princípios que ensinados ás crianças ajudam-as na composição de suas vidas adultas. O ambiente familiar deve ser o palco das primeiras discussões sobre solidariedade, discriminação e desigualdades e das discussões apaixonadas sobre futebol. Sob o olhar da família e segundo os valores familiares a criança vai desbravando horizontes novos, desenvolvendo a auto-estima e aprendendo a se relacionar com o outro.
É certo que as pessoas são moldadas segundo sua cultura e vários autores exploram a preocupação de desembaraçar valores básicos, e olhar criticamente os conflitos e contradições existentes na composição do capital cultural considerando que nenhuma sociedade tem padrão de cultura e comportamento igual, mesmo sendo vizinhas.

. Não devemos fragmentar a educação tradicionalmente recebida na infância tampouco violentar os valores que permearam, como pendores naturais nosso crescimento. A relação com o passado serve para entender o que se é hoje. E a influencia do capital cultural investido, certamente é preponderante para a transformação da vida adulta, para fixar os valores éticos e flexibilizar as relações com a família.
O indivíduo em Pierre Bourdieu, sociólogo francês, é um ser socialmente configurado em todas as suas nuances e particularidades e tudo mais que o compõe; o gosto, as preferências, as aptidões, as posturas corporais, as aspirações quanto ao futuro; tudo pode ser socialmente constituído.
Para compreender adequadamente a natureza das relações que unem o sistema escolar à estrutura das relações aqui postuladas, fica explícito que a sociedade se organiza não apenas a partir de bens financeiros, mas também a partir da produção de bens simbólicos, dos valores transmitidos fundamentalmente pela família que permitem que os indivíduos organizem um modo de vida e tenham uma determinada concepção do mundo.
É o conhecimento que, ao longo do tempo dirige e controla as forças da sociedade.
As referências culturais, a erudição e o domínio maior ou menor da língua culta trazidos de casa por certas crianças, facilitam o aprendizado escolar à medida que funcionam como ponte entre o mundo familiar e a cultura escolar. A educação escolar para as crianças pertencentes aos meios culturalmente favorecidos, seria a continuação da educação familiar, enquanto para as outras crianças significaria algo estranho, distante da realidade e ameaçador.
Os dons pessoais sozinhos não explicam o sucesso alcançado por alguns alunos.
Nos ensinamentos de Bourdieu, é a família que realiza os investimentos educativos que transmitem para a criança um determinado valor de capital cultural durante seu processo de socialização. E essa estrutura, que combina hierarquia e proximidade, pode ter efeito de estimulação intelectual, trazendo ao alcance o saber que parecia inacessível.

Os anciãos – Homens velhos e notáveis

A velhice nos proporciona repouso, livrando-nos de todas as paixões foi o que escreveu Platão, porém bem distante desse raciocínio, Nelson Mandela em 2007, aos 89 anos fundou um grupo independente composto por eminentes líderes mundiais, para juntos, trabalharem e apoiarem projetos de construção da paz e direitos humanos ao redor do mundo. Surgiu aí “The Elders”, tradução literal para “Os anciãos”, (homens velhos e respeitáveis).

O grupo é formado por 11 personalidades: Desmond Tutu, Ela Bhatt,advogada e respeitada líder mundial no mercado de trabalho em defesa da mulher, Graça Machel, esposa de Mandela, Gro Brundtland,ex primeira Ministra da Noruega, Fernando Henrique Cardoso, Jimmy Carter, ex Presidente dos Estados Unidos, Kofi Annan, diplomata de Gana e ex- secretário geral da ONU, Lakhdar Brahimi, Diplomata, ex-ministro de relações exteriores da Algéria, Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda, Martti Ahtisaari, ex presidente da Finlandia, e Nelson Mandela, que dispensa apresentação. Quase todos desempenharam em algum período trabalho relevante dentro da estrutura da ONU. A ideia teve início numa conversa informal entre o cantor Peter Gabriel e um amigo empresário, que discutiam sobre as possibilidades de um dedicado grupo de pessoas influentes, com formações diversas e pensamento político também diverso ajudar a resolver os problemas globais , sobretudo os problemas que infligiam sofrimento aos povos, particularmente causados por conflitos armados, pela pobreza extrema, injustiça ou pela intolerância.

Inspiraram-se nas comunidades tradicionais onde os líderes locais partilham a sabedoria para resolver os problemas internos.
Levaram a preocupação e a ideia ao conhecimento de Nelson Mandela, que junto com sua mulher Graça Machel e o arcebispo Desmond Tutu abraçaram o projeto. Convidaram outros membros com base em critérios severos, como independência de pensamento, confiança internacional, integridade e reputação de liderança, entre outros.
Empolgado Mandela anunciou a formação dos “The Elders” no dia de seu 89º aniversário, em Julho de 2007, em plena cerimônia de comemoração e enfatizou que os “Anciãos” iam falar livre e corajosamente, atuando tanto publicamente quanto nos bastidores, para estender à mão àqueles que mais precisam de ajuda, apoiando a coragem onde há medo, interferindo para promover acordo onde há conflito e inspirando esperança onde há desespero.

E assim o grupo de anciãos vai caminhando pelo mundo, amplificando as vozes daqueles que não tem chances de serem ouvidos, estimulando o diálogo e debate e ajudando a promover uma mudança positiva na sociedade global. Não podem ocupar cargos públicos porque precisam estar desvinculados dos interesses de qualquer nação ou governo, ou instituição. Em comissão visitaram o Oriente Médio em meios aos conflitos, engajaram-se para obter ajuda humanitária para países africanos e soltaram as vozes contra a desculpa de práticas religiosas tradicionais para justificar a discriminação contra mulheres. Visitaram a China e Coréia, onde há denúncias de desrespeito aos direitos humanos e estão travando debates com líderes mundiais para reduzir substancialmente as armas nucleares, que hoje chegam a mais de 20.000 e são capazes de destruir a vida na terra várias vezes. O grupo acredita que a paz é um projeto possível mas que as vezes não avança por que na maioria dos conflitos, a solução só pode ser encontrada através da rápida retomada do diálogo sobre todas as questões pendentes .

Assim como anunciou a criação do grupo em julho de 2007, Nelson Mandela pediu, desde 2009 que não comemorassem seu aniversário e junto aos amigos anciãos anunciou a que dia 18 de julho estendida ao mês de julho todo, deveria ocorrer um movimento incentivando a todas as pessoas ao redor do mundo a tomarem medidas concretas a serviço da humanidade, assim criaram “Mandela Day 2011 – mudar o mundo para melhor” e nos chamou a responsabilidade de desempenhar nosso papel de mudar o mundo ao nosso redor, começando talvez, mudando a nós mesmos, nos abrindo para lutar contra as injustiças, assim como fez Mandela por 67 anos. Agora o presente de aniversário que ele pede é que doemos 67 minutos do nosso dia fazendo a diferença na nossa comunidade. Vamos nos inspirar no desejo de mudança, na esperança que o manteve vivo durante 28 anos na prisão e agir para fazer girar esse movimento global a favor do bem. È certo que no nosso atarefado dia-a-dia tendemos a não reparar as necessidades dos que nos cercam, mas sejamos todos encorajados pela força interior e pelo espírito de Mandela que tem nos mostrado que com dedicação pessoal e comprometimento nós podemos vencer grandes desafios e fazer de cada dia um “Dia de Mandela”. Aos jovens Mandela manda o recado: “ é hora das próximas gerações continuarem nossa luta contra a injustiça social e pelos direitos da humanidade. Está nas mãos de vocês”.