O declínio da liberdade global

A liberdade é o nosso estado natural, é quem nós somos e sempre seremos. Liberdade é o espaço que precisamos para existir por inteiro, para exercitar nossas paixões, cidadania, professar nossa fé, argumentar e duvidar. A liberdade deve estar contida nas escolhas e na consciência.

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Nenhuma força é tão poderosa o
suficiente para tirar completamente
nossa liberdade, não para sempre
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Liberdade para alguns deve ser um ideal, para outros, uma ilusão, talvez um objetivo, a verdade ou um modo de viver. Devemos exercer nossa liberdade para não permitir que a ideologia seja uma inquisição permanente.

As inquisições políticas e religiosas precisam ser combatidas pelo favorecimento ao diálogo entre gente que pensa diferente. Nenhuma força é tão poderosa o suficiente para tirar completamente nossa liberdade, não para sempre. Nenhum regime tem conseguido conter a explosão da liberdade que surge espontaneamente e ganha corpo num processo de contaminação ardente.

Estamos assistindo os povos do Oriente Médio levantando suas vozes contra os regimes opressores e sendo sistematicamente seguidos por outros países. Porém, nenhum homem será plenamente livre enquanto persistir o registro de pontuações baixas sobre a liberdade na escala mundial, isso é o que diz a organização americana “Freedom House”, fundada em 1941 por um grupo de proeminentes indivíduos, incluindo jornalistas, acadêmicos, personalidades políticas e líderes trabalhistas, o autoritarismo está desafiando as práticas democráticas em muitas partes do mundo.

A última pesquisa divulgada avalia a liberdade no mundo, considerando os direitos políticos e civis, as práticas eleitorais, o pluralismo político e as funções dos governos. A liberdade civil é avaliada observando a liberdade de expressão, as crenças, liberdade de associar-se, cumprimento das leis, autonomia e respeito aos direitos individuais.

De acordo com os resultados divulgados, o ano de 2010 foi o quinto ano consecutivo em que a liberdade global sofreu declínio. Nunca antes, esse declínio durou tanto tempo, continuamente. Isso preocupa e desconcerta, porque nem só as ações dos governos afetam a liberdade, há atores não governamentais também , mas quase sempre os governos estão diretamente envolvidos. Há, segundo a pesquisa 87 países denominados livres, parcialmente livres são 60, cerca de 31% dos 194 países avaliados e não livres foram contabilizados 47 países.

No país classificado como livre há abertura e competição política, respeito pelas liberdades civis, significativa vida independente e mídia independente. O Brasil está na categoria dos paises livres. Parcialmente livre é o país onde há limitado respeito pelos direitos civis e políticos e liberdades. Estados parcialmente livres freqüentemente vivem um ambiente de corrupção, conflitos étnicos e religiosos e um cenário político em que um poucos partidos, dominam a cena, embora haja certo pluralismo partidário. Um país que não é livre não respeita os direitos politicos básicos e a liberdade civil é sistematicamente negada ou reprimida.

Há controversias e debates sobre a neutralidade e metodologia empregada na pesquisa, contudo a crescente restrição à liberdade no mundo dos regimes autoritários coincide com a falta de habilidade ou falta de vontade das democracias, para responder aos desafios autoritários e essa omissão traz sérias conseqüências para a liberdade global. O escritor peruano Mario Vargas Llosa, ao participar recentemente da Feira do Livro em Buenos Aires foi aconselhado a não emitir juízo político no evento. Conseguiram cercear a liberdade de expressão de Llosa que educadamente não fez nenhuma referencia a questão política, mas em entrevista disse que é muito triste ver vítimas da censura, praticando-a.

Desigualdades são escancaradas pelo processo de globalização

A globalização é um processo de integração entre pessoas, companhias, administrações e governos, através do qual todo o mundo interage e se integra num sistema de trocas econômicas e culturais sem precedendes. A globalização, obviamente não pára nesse contexto de integração de economias regido com bases internacionais de regulação.

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Cidadania se torna um
processo utópico no
mundo globalizado
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A globalização escancarou a desigualdade na agenda global, isso fica evidente na leitura de textos e entrevistas do professor-doutor Milton Santos, que nasceu no interior da Bahia, em 1926. Doutor honoris causa em vários países, ganhador do prêmio Vautrin Lud, em 1994 (o prêmio Nobel da geografia), professor em muitos países (em função do exílio político causado pela ditadura de 1964), autor de 40 livros. Morreu em 2001.

Geógrafo e pensador, Milton Santos pertence ao grupo de intelectuais que buscam o pensamento crítico para entender a vida contemporânea e via a globalização como um processo de revelação das diferenças escondidas, nem sempre um processo coeso, na grande maioria das vezes, um sistema que faz tudo funcionar de acordo com as regras do mercado burgues. Onde os grandes, não saciados em controlar os rumos da economia, passaram também a controlar a comunicação entre os povos. Seis empresas controlam a mídia mundial e reafirmam a ideologia da globalização, pois são diretamente ligadas ao mundo da produção.

Por isso firmam a imagem de certos produtos como símbolo de que tudo se chega a todos os lugares. Nada além de induzir ao consumismo nos espaços globalizados. Não se pode furtar portanto, a importância do local, das virtudes da cultura que marca um povo. Para se tornar um espaço global o mundo precisa da cultura, da mão de obra local. É combinando as matrizes locais, nacionais e internacionais que cada cultura ganha dimensão global. Anthony Giddens, sociólogo britânico, afirma que tudo o que é global é relevante para o local e tudo o que é local afeta em alguma medida o global.

O desempenho das grandes corporações dentro do processo da globalização há de ser cuidadoso. O documentário co-produzido pela Dinamarca e Alemanha, chamado “Blood in the Mobile”, (Sangue no celular) aborda a cruel guerra civil no Congo e nos chama a todos à responsabilidade por alimentar esse conflito, que mostra a conexão entre as companhias fabricantes de celular e a guerra civil no Congo. O dinheiro obtido na venda dos minerais, que se transformam em componentes indispensáveis para a fabricação do telefone são investidos em armamentos e manutenção de grupos armados que disputam o poder local. Portanto, o meu, o seu celular está envolto num processo multinacional de fabricação banhado a sangue.

O ex-ministro Rubens Ricupero, em artigo publicado na revista Scielo traçou inclusive um paralelo interessante entre Marx e o processo em construção da globalização, sobretudo na unificação dos mercados em escala mundial. Tirou-se o chão das industrias nacionais, eis o que disse Rubens Ricupero, sobre esse rearranjo das relações sociais modernas, que produz blocos de países, que buscam ampliar seus parceiros globais para circular suas mercadorias e nem sempre acontece o mesmo com a circulação das pessoas.

Além das contradições e paradoxos produzidos por este modelo econômico e cultural é possível enxergar a construção de uma realidade mais justa e humana. O fim do isolamento. No lugar do antigo isolamento há interação em muitas outras direções para difundir a produção material e cultural, para difundir a multiplicidade dos indivíduos, cultura, religião, língua e ideologia.

O caminho inverso à perversidade econômica seria vislumbrar as perspectivas de existência digna dentro do processo de globalização, onde os cidadãos habitariam um mundo sustentável, com qualidade de vida, provido de água, comida e energia na medida de suas necessidades, sem desprezar o conteúdo técnico que sustenta a globalização; a economia. Aí talvez a cidadania deixaria de ser um processo utópico e seria um processo também global.

O professor Milton Santos não era sistematicamente contra a globalização e sim contra o modelo perverso que fora adotado, que ele chamou de globalitarismo, onde os debaixo trabalham com poucos direitos e a banalização da pobreza reduziu os cidadãos a dois tipos de gente: os que não comem e os que não dormem com medo da revolução dos que não comem.

O HOMEM EM SUA FORMA INDELÉVEL DE EXISTIR

O individualismo extremado tem levado populações inteiras ao irracionalismo e práticas dominantes de governar. O bem comum deixa de ser superior aos interesses particulares, mesmo sendo o homem um ser social não pode realizar-se completamente sem a sociedade e sem o estado.

Para Charles-Alexis Clérel de Tocqueville, 1805-1859, pensador e político liberal francês, o espírito democrático pode fazer maravilhas, mas não produzirá mais que um governo sem virtude e sem grandeza, se cada um de seus membros estiver mais preocupado com seus assuntos privados do que com as questões públicas; mais com seus interesses pessoais do que a grandeza do seu estado.
Tocqueville aponta os agrupamentos da sociedade em associações comerciais, industriais, religiosas, políticas, como um meio de reconduzir os homens uns aos outros, obrigando-os a saírem de seus confortos individuais para se ajudarem mutuamente. A partir daí, os homens aprendem a submeter a sua vontade à dos outros e a transformar seus esforços particulares em ação para o bem comum.

Os indivíduos ocupados exclusivamente com coisas de interesses pessoais, se entregam a uma certa cegueira social e esse comportamento gera certa indiferença para com a gestão da coisa pública. Estamos sempre nos perguntando quem será afetado e beneficiado pelos ações do governo e se efeticamente elas não nos atingem, tendemos a ficar alheios à aquilo que diretamente não nos traz proveito.
Os laços individuais que mantém os homens ligados em interesses particulares, tendem a romper-se integralmente deixando-os entregues as suas próprias paixões.

No plano geral a felicidade que se leva as comunidades mais distantes e pobres, deveria refletir positivamente nas cidades mais ricas. A escola que ensina uma criança quase esquecida numa comunidade longínqua não produz nenhum sentimento de pertencimento no individuo que vive na capital. A vida em sociedade é moldada por crises internas, onde os indivíduos lidam com seus conflitos, frustrações e sonhos. Como acontece hoje com os cidadãos da cidade distante de Alto Boa Vista, que se vem envolvidos numa confusão política inacreditável.(Prefeito cassado, denuncia de fuga, jura de morte…) Mas essa situação produz discussões na comunidade e a cidade deve adotar nova dinâmica para conhecer melhor as intenções individuais de seus políticos e transformá-las na reinvenção do bem comum.

Acolher a vontade outro, a esta somar-se é um passo para buscar solidariamente, em conjunto, o fim comum a todos expresso pela vontade da sociedade. Admitamos que enxergamos o homem mais nitidamente quando ele esta inserido num contexto coletivo.  O interesse público aproxima os homens, o bem comum é o principio dessa união.
É preciso que o estado faça-se sentir em toda parte, que as ações disseminadas se façam sentir em todas as aldeias, em todas as cidades. Que o eco do bem estar distante seja comemorado nas outras partes e que o bem comum da sua cidade seja motivo de comunhão e esperança nas outras cidades também. Sentir-se representado é uma forma de viver relações unificadas e o homem há de viver sempre inserido num meio porque esta é sua forma indelével de existir.

Pensar no bem comum exige de certa forma, uma tendência a sacrificar os interesses pessoais, fortalecer o grupo para ampliar a representação, jubilar-se com a prosperidade alheia e aceitar-se como um sujeito coletivo. Para entender os interesses gerais é preciso, segundo Sócrates, certa moderação no apetite pela riqueza individual.

O mundo sombrio das mulheres nos países em desenvolvimento

Desde 1.900, as mulheres travam debates críticos contra a opressão e desigualdade de oportunidades nos mercados de trabalho e, em 1.908, aconteceu na cidade de Nova Iorque a primeira marcha envolvendo 15 mil mulheres, exigindo redução da carga horária, melhores salários e direito ao voto. Entendo a democracia como sinônimo de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres na sociedade e no governo. Mas ironicamente, as mulheres representam a maioria dos eleitores, contudo, poucas ainda são candidatas por aqui e pelo mundo afora.

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A mulher, com oportunidade de participar
da economia, tem aumento na renda
familiar, investe em educação
e saúde dos filhos
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Trabalho forçado e tráfico de mulheres são hoje formas modernas de escravidão, que expõem histórias terríveis de abuso, exploração, ameaças com uso de força. Mais de 600 mil pessoas são traficadas durante um ano e 70% são mulheres. Em muitos países, as mulheres são ainda propriedade de alguém,sofrem mutilações e humilhações públicas. Sem nenhuma voz política para trazer o alento da mudança, essas mulheres são vítimas da violência doméstica e de estupro sistemático.

Acontecimentos recentes no Oriente Médio marcam, de forma indelével a vida das mulheres. Uma poeta do Bahrein, de 20 anos está presa por recitar poemas criticando o governo. País onde a liberdade de expressão tem suas barreiras e não pode haver referencia aos governantes. Yemen, Líbia e Síria são países que em comum, compartilham o tratamento injusto e bruto as mulheres. A preocupação com a violência contra as mulheres nem sempre é só retórica.

A jornalista saudita Nadina Al Bedair, numa entrevista a televisão nega que esteja havendo avanço na relação do estado com a mulher na Arabia Saudita, onde os direitos humanos não são observ ados. As mulheres, embora estejam reagindo, ainda não podem dirigir ou votar. No Brasil, quinto país em mortes violentas de mulheres, a taxa de feminicidio está em alta. Mulheres são vítimas de violência sistemática quando rompem relacionamentos.

A leitura do livro “Half the Sky”,( Metade do Céu), escrito por Nicholas D. Kristof e Sheryl WuDunn, vencedores do prêmio Pulitzer, é uma narrativa que abre o panorama sombrio do mundo povoado pelas mulheres e faz chamamento contra o mais perverso tipo de violação dos direitos humanos; a opressão das mulheres nos países em desenvolvimento, onde reconhece-se claramente que as mulheres sofrem desproporcionalmente com as causas da pobreza.

Segundo as Nações Unidas a 60% das pessoas mais pobres do mundo, são mulheres. A pobreza não é algo inevitável. É fruto de decisões políticas equivocadas , das práticas e crenças que impedem as pessoas, sobretudo as mulheres de desenvolverem suas potencialidades.

Segundo os autores, a chave para amenizar a questão é transformar a opressão em oportunidades, é prover as mulheres de possibilidades entrar no mundo formal dos negócios, é dar-lhes acesso aos financiamentos para montarem pequenos comércios. A mulher, com oportunidade de participar da economia, tem aumento na renda familiar, investe em educação e saúde dos filhos. Investir nas mulheres significaria aliviar a pobreza e diminuir a corrupção. Dotar as mulheres de oportunidades de negócios seria transformá-las em agentes reais da mudança.

Hoje governos e organizações não-governamentais tentam promover políticas eficientes para proteger os direitos das mulheres. No G-20 há solicitação para se colocar a abertura dos créditos as mulheres na agenda de discussão deste ano de 2011, como meio efetivo de aumentar a prosperidade global. Na perspectiva do Instituto Clinton de Iniciativa Global – é preciso educar as meninas com qualidade para se reescrever o futuro das mulheres e para que isso ocorra é premente a inclusão financeira da mulher até o ano 2020.

Há organizações que já efetivamente realizam projetos de inclusão financeira das mulheres. Li sobre o projeto “Pro Mujer”, que financia pequenos projetos comerciais, planos de saúde e treinamento para mulheres empreendedoras em cinco países da America Latina e que no ano de 2010, distribuiu 204 milhões de dólares em empréstimos para mulheres. Observação feita por Organizaçao internacional aponta que entre as 10 maiores democracias do mundo há maior proporção de mulheres ocupando cargos na estrutura do governo.

Há mulher presidente, primeira-ministra, astronauta, médica, advogada, executiva de grandes corporações, mas apenas em alguns países. No Brasil, governado pela primeira vez por uma mulher, as empregadas domésticas constituem a única categoria que não é contemplada na Legislação Trabalhista, por mero descaso. Isso deve ser reparado.

A representação global das mulheres nos governos é ainda ínfima, apenas 19,1 % dos assentos nos parlamentos mundiais são ocupados por mulheres e sem ter assento à mesa, a mulher não pode legislar, negociar a paz ou formular uma agenda de reforma do futuro. “Queremos um mundo onde não existam desigualdades baseadas na classe, em gênero, em raça, em nenhum país. Queremos um mundo onde as necessidades básicas se convertam em direitos básicos e onde a pobreza e todas as formas de violência sejam eliminadas”. (Conferencia Mundial de Mulheres em Nairobi, em 1985).

O olhar voltado para a cultura indígena

A cultura se movimenta.

As pessoas são alimentadas e moldadas segundo sua cultura. O que é sagrado para uma, pode ser profano para outra. Deve-se compreender uma cultura a partir do seu cotidiano, conhecer a identidade e o que pensa e fala quem produz as riquezas culturais.
A cultura de um povo é como o conjunto dos textos escritos pela vida deles, pelos ritos, canções, danças, jogos e troca de presentes.
È através das diferenças que nos reconhecemos nos outros, pois a distância é um elemento essencial para a percepção dos contrastes. Reconhecemos nosso próprio costume quando observamos um costume diferente. Alteridade é isso; reconhecer-se no outro.

Muitos grupos produzem suas próprias fronteiras, para resguardar seu modo de viver e pensar. Aos poucos devemos quebrar essas barreiras, porque se não compreendemos um povo, não temos como nos situar entre eles. As Culturas diferentes geram um modo peculiar de produzir história. História que as pessoas herdam, usam, renovam os hábitos e costumes, acrescentam e transmitem aos outros, numa relação de troca que acontece a todo momento.
A cultura é nosso modo de vida, é o legado que recebemos e depois deixamos para o nosso grupo social.

Falar de cultura em plena semana de aniversário de 50 anos da criação do Parque Indígena do Xingu mais parece um pretexto para eu penetrar nesse mundo extraordinário, onde índio não é só homem pintado de jenipapo e urucum, mas um ser supersticioso, que conta historias fantásticas, como escreveu Orlando Villas Boas, no livro A Arte dos Pajés.

Tive a sorte de ter ido ao Parque Indígena do Xingú algumas vezes, caminhar ao lado do grande Líder Aritana Yawalapiti, ouvir entusiasmada os projetos de Ianacolá. Hospedamos no Posto Leonardo e dalí, montados num velho trator visitamos os Kamayurá, dormimos em redes na casa dos hóspedes, um grande salão de uso comunitário. Presenciamos a ordem que se estabelecia naturalmente ali, na divisão da comida e do trabalho. Nos alimentamos de peixe assado, de beiju de mandioca e pequi. Mas os ovos de tracajá e carne de caça eram também servidos.

Todo movimento era uma demonstração cultural carregada de simbolismo e magia. Tentávamos entender um pouco de cada cena que se passava diante dos nossos olhos perplexos; a paisagem, as cores, a nudez!
As aldeias são dominadas por grupos de descendência, mas o índios xinguanos desenvolveram rituais de interação entre as tribos diversas, como os casamentos e a prática do moitará e isso foi tornando suas culturas similares.

No inicio do período de seca, os índios começam a movimentar o sistema de troca, chamado moitará. As trocas são controladas pelos Caciques e podem se dar entre aldeias ou entre famílias. Eles carregam os objetos que pretendem trocar; artesanato, frutas, redes e se dirigem a casa escolhida para iniciar a negociação. Víamos os objetos serem passados de mão em mão e de repente, um objeto era colocado no chão pela família visitada. Esse era o objeto escolhido e se a negociação fosse aceita pelo visitante, estava feito o moitará.

As crenças e as práticas das mesmas levam à superstições e aos ritos, tais como; o da flauta sagrada, tocada na casa dos homens, onde se passam os ritos masculinos e que as mulheres não devem vêr e nem tampouco saber quem as toca. E se por ventura tocadas no pátio da aldeia, mulheres e crianças ficam trancadas nas casas até o término do ritual. No mundo dos Kamayurá a proibição não é apenas visual, é também auditiva, as mulheres não devem sequer ouvir o som das flautas.
A eficácia das práticas mágicas dependem da crença na magia por parte do doente ou enfeitiçado.

No mundo Xinguano sómente os homens podem se tornar Xamãs. Os Xamãs são grandes feiticeiros, homens que mantém relações íntimas com as forças naturais, controlam as relações das aldeias com o mundo sobrenatural, a relação entre o homem e o espírito que habita a floresta e os rios, que traz doenças, invade as casas e se transforma em animal da floresta.

Os espíritos aparecem apenas para as pessoas doentes e para o Xamã em transe. Quando não são curados, a morte é recebida com tranqüilidade e não há incompatibilidade alguma entre a alegria e a morte. E a dança em homenagem aos mortos é conhecida como Quarup. Uma cerimônia que as palavras não descrevem mas é o ritual do Adeus Aldeia das Almas e acontece nem sempre, numa data fixa, porque depende da chegada do período de seca. Cada povo indígena celebra seu próprio Quarup, convidam as aldeias vizinhas, dura dois dias regados a muita música e comida farta.

A morte não é o fim para os povos xinguanos. Os mortos se reencontram na Aldeia das Almas.
O Parque Indígena do Xingú não é um mundo perfeito,  mas agora está em festa e daqui eu penso no universo xinguano com encantamento e relembro Geertz dizendo que é importante que um ser humano possa ser um completo enigma para outro ser humano.

Valorização da ignorância

Os valores e a integridade não podem ser medidos por orientação sexual, credo, raça ou qualquer outro balizamento preconceituoso. Não ser homofóbico é o mesmo que não ser racista. Onde quer que vamos na sociedade de hoje, o preconceito e a discriminação estão ainda vivos e latentes, embora não admitamos isso.
O preconceito coletivo praticado por um grupo social inteiro é também dirigido a um grupo social e deixa conseqüências nocivas nas minorias golpeadas e age a luz da ilegalidade porque vai contra o princípio da dignidade da pessoa humana – art. 1o, III, da Constituição Federal. Em Aristóteles os desiguais devem ser tratados desigualmente, na medida de suas desigualdades. O núcleo duro do sistema, por assim dizer, é o princípio da dignidade da pessoa humana, isso porque o ser humano deve ser posto a salvo de qualquer situação indigna.
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Na sociedade hoje, o preconceito e a
discriminação estão ainda vivos e
latentes, embora não admitamos
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Ninguém dever ser discriminado ou tratado com diferenciação por razão alguma. Discriminar é não reconhecer os direitos do outro, é ter atitude de desconfiança com quem é diferente, sendo que entre os homens existem desigualdades naturais. A discriminação repousa sobre como se observa e se ensina a encarar a diversidade. Se com respeito e compreensão, a discriminação não encontra campo fértil para florescer, se com intolerância contra a essência da alma do outro, gera ofensa, desrespeito e pode desencadear violência.

Para Bobbio, o juízo negativo dado a homossexualidade tem origem histórica e é produto da mentalidade de grupos formados também historicamente e que precisam evoluir. No regime democrático as pessoas podem expressar suas opiniões livremente e ao se chocarem no campo das idéias, elas se depuram, naturalmente. Mas ao Estado, não creio caber meter-se nas relações privadas entre pais e filhos. Não cabe abordar levianamente assuntos sérios que merecem trato diário.

Não se educa um jovem livre de preconceitos na leitura apressada de uma cartilha tampouco numa sessão de cinema improvisada na sala de aula. É preciso muito mais que isso para educar um cidadão pleno, que respeita, que aceita e que convive com todos sem indiferença, sem repulsa. Ser hétero ou homo não deve ser um fator determinante para que nos afastemos ou nos relacionemos com alguém.
O Ministério da Educação está vivendo momentos de lapsos e políticas desencontradas com o anseio da comunidade escolar em geral. Primeiro, indo contra todas as teorias da lingüística, defendendo a ideia de que não existe mais o certo e o errado na língua portuguesa. Enfim, a disseminação da valorização da ignorância,

Agora preocupado com o resultado de uma pesquisa feita na rede pública do país, que detectou que há cerca de 6 mil escolas que são ambientes hostis para homossexuais, onde ocorrem casos sistemáticos de homofobia. O MEC lança e depois recolhe uma cartilha e vídeos do projeto “Escola sem Homofobia”, que seriam distribuídos para professores e alunos do ensino médio ainda este ano. Segundo o Ministro Haddad, o governo investiu R$ 1,8 milhão para a produção do material e formação dos professores no tema.

Assisti a um dos vídeos e desconheço a íntegra do conteúdo programático do kit, mas estudando Sociologia da Educação, tenho aprendido que a demanda da educação é outra e que passa longe desses rumores sobre prevenção ou estímulo a homossexualidade. O MEC poderia propor as instituições de ensino uma matéria sobre a sexualidade, para o jovem conhecer melhor a si mesmo, mas direcionar o foco para a questão macro da violação dos direitos humanos nas escolas, na questão da violência, do bullying, infra-estrutura precária e professores mal remunerados.

No site do MEC há um atalho chamado “ Dia a dia do seu filho” ensina os pais a verificarem como anda o atendimento a educação do filho. Destila uma centena de orientações básicas e muito simples, que se observadas e cumpridas nas escolas já promoveriam uma acentuada melhoria na qualidade do ensino.
Deveria ser uma aspiração do homem viver numa sociedade de diferentes que respeita a individualidade das pessoas, considerando que cada ser humano é um conjunto de substantivos e adjetivos, sem que nenhum deles o defina completamente.

Processo Político

Estive muito envolvida no processo eleitoral e hoje reconheço que satisfaz-me o sabor inigualável da vitória.
Meses a fio planejando, contando os votos, divulgando idéias e projetos, acreditando na possibilidade de vencer. O desgaste ao qual me submetí foi imenso, a insegurança de contar com promessas veladas, com acordos aparentemente sem sustentação política e aliados desconfiados. Mas as dificuldades foram vencidas uma a uma, com seriedade e determinação.
Convenço-me agora que a vitória acontece, sobretudo quando nos expomos, quando superamos nossas fraquezas, preconceitos e quando vencemos as velhas práticas e conceitos.
A vitória vem quando vencemos um desafio após o outro, dia após dia.

A escolha

Os amigos me libertam do paradigma de que estar bem é ter alguém;
Eu tenho a mente e o coração livres porque preciso desse espaço para existir por inteira. Não saberia ser a metade de outra pessoa. É assim que minha consciência opera, dentro de um espaço próprio.
Já quis ir com alguém, quis que alguém ficasse, mas essa vontade é efêmera. Espero passar. Sou eu amadurecida, responsabilizando apenas a mim mesma pela minha felicidade!

Mensagem de paz no dia dos namorados

Este Dia dos Namorados Enviar cartas de amor para o Zimbábue
Todos os anos para comemorar Dia dos Namorados, a WOZA, uma organização pacifista constituída por mulheres leva seus membros às ruas para espalhar a sua mensagem de amor: “amor a si mesmo, a família, a comunidade e ao país”. Este ano, os membros do WOZA expressaram preocupação sobre o potencial de violência durante as eleições antecipadas. Zimbabuanos devem retornar às urnas este ano, para votar uma nova constituição e potencialmente novas eleições presidenciais e parlamentares. Há muita confusão sobre este assunto, exatamente quando e quais votações irão ocorrer, mas não há confusão sobre um ponto: qualquer voto deve ser livre, justo, sem violência e em conformidade com normas nacionais e internacionais.
As eleições passadas, de 2008 no Zimbábue foram marcadas com altos níveis de violência política. A Anistia Internacional documentou assassinatos, tortura e desaparecimentos. Membros políticos da oposição, sociedade civil e defensores dos direitos humanos foram particularmente visados. Women of Zimbabwe Arise (WOZA) está muito envolvida no processo de implementação da nova Constituição do Zimbabwe, medo de que a constituição seja escrita e dirigida ao abuso político. Muitos líderes, presidentes de outros países africanos estão pessoalmente envolvidos no precesso eleitoral do Zimbabwe, estabelecendo mecanismo de segurança que sejam suficientes para prevenir a corrupção, a violência e garantir a liberdade e justo acesso para a mídia atuar dentro do país.
Dia 14 de fevereiro, dia dos Namorados no país, as mulheres estão nas ruas com suas mensagens de amor e paz.