Os multi réus

“O país está ficando para trás, se “descivilizando” pela violência generalizada, ineficiência sistêmica, incapacidade de gestão e de inovação, saúde degradada, educação atrasada e desigual; transporte urbano caótico, cidades monstrópoles, concentração de renda, política corrupta; povo dependente, tragédias ambientais e sanitárias. Todos os indicadores são de um país em decadência, com raras ilhas de excelência”. Senador Cristovam Buarque.

Como crer que o processo de impeachment tenha sido levado a cabo para expurgar a corrupção que tomou conta do Governo se 60% dos 594 membros do Congresso brasileiro enfrenta acusações graves e respondem no STF por um cardápio diversificado de crimes, como: suborno, fraude eleitoral, desmatamento ilegal, sequestro, homicídio, apropriação indébita previdenciária, corrupção ativa e passiva, crimes contra o sistema financeiro nacional, incentivo à invasão de terra indígena, incitação ao crime, formação de quadrilha, contratação de pastores da própria igreja paragabinetes, desvio de recursos do BNDES, venda de cartas sindicais, superfaturamento de obras para desviar recursos públicos, inclusão de eleitores em programas sociais em troca de votos. Os dados são do instituto de monitoramento da corrupção, Transparência Brasil.

O multi réu, o poderoso presidente da Câmara, Eduardo Cunha dono de contas secretas volumosas na Suíça, abastecidas com dinheiro da corrupção de empresas privadas denunciadas e da Petrobrás responde por crimes contra a Lei de Licitações, de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, está encalacrado na mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal. Cunha, um comentarista de rádio evangélica e economista, posta regularmente mensagens no Twitter citando trechos da Bíblia.

Além de violar as leis, alguns dos legisladores são excepcionalmente réus confessos, debochados e reincidentes ‘ad aeternum’. Um nome? Paulo Salim Maluf, que sozinho responde a todos e muito mais dos crimes acima mencionados. Hoje diz-se preocupado com a corrupção e votou favorável ao impeachment.

Esse é o deboche! Esse senhor foi preso, liberado por conta da lei que permite pessoas com idade superior a 70 anos cumprir a pena em casa. Registrou-se candidato. A lei eleitoral tentou barrar sua candidatura, ele porém, astuto, articulou-se e elegeu-se o oitavo deputado mais votado por São Paulo para a Câmara Federal. Eleito com mais de 250 mil votos.

Votar nesses senhores corruptos tem sérias consequências. Segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), a produção legislativa do Congresso teve desempenho insatisfatório no conjunto de matérias aprovadas em plenário por deputados e senadores.

A produção legislativa, além de baixa em termos quantitativos, foi também de baixa qualidade. Foram aprovadas poucas matérias relevantes. Como crer que possam discutir e aprovar as reformas que precisamos com um Congresso Nacional desse nível?

Novamente o senador Cristovam Buarque explica: “Não se debate um pacto pelo emprego com equilíbrio das contas públicas e pela eficiência da gestão estatal; não se discute como fazer, quanto custa, em quanto tempo e que setores pagarão pelas reformas que o país precisa. As discussões despolitizadas, entre torcidas a favor ou contra, como em um jogo de futebol, não debatem, por exemplo, como fazer com que a escola do filho do mais pobre brasileiro tenha a mesma elevada qualidade que as boas escolas do filho dos brasileiros ricos”.

Nos extraviamos

Mesmo vivendo espremidos pelas convulsões e angústias estamos decididos a não permitir que dias e noites se igualem escuros e sem esperança.

A vida em si não é um problema e mesmo que culturalmente estejamos condicionados a uma vida difusa, sem concentração, fazendo muitas coisas ao mesmo tempo podemos expressar um forte senso de justiça nos preocupando com a qualidade da vida humana em todos os níveis da sociedade, com as mulheres, com as minorias, com a segurança e o bem-estar de crianças e idosos, o que seria uma oportunidade para repararmos as injustiças sociais.

O mundo pede tolerância e até mesmo apreciação para com as diferenças, para as necessidades dos menos favorecidos. Não podemos viver a ver nada além de nós mesmos; a julgar tudo e todos pela utilidade que os outros tem para nossas vidas.

A natureza amorosa do homem é a única resposta sã e satisfatória para os problemas da existência humana, então qualquer sociedade que exclui, relativamente, o desenvolvimento do amor e da bondade estará condenada a viver num sistema contraditório de urbanização descontrolada, violenta e caótica.

A violência cotidiana deve sempre assombrar, provocar repulsa e desdobramentos responsáveis, que possam estancar males maiores.

Quando uma criança leva socos de um adulto por um pedaço de bolo, precisamos abandonar nossa zona de conforto e nos perguntar: é esse o mundo que quero para meus filhos, netos e amigos? Que tipo de ser humano sou eu? Seria eu capaz disso um dia? Alguns traços nos distinguem dos animais, outros nos transforma em um deles.

Diante disso, devemos nos questionar se estamos exercendo a virtude necessária para validar nossa existência. Porém, o simples fato de prestarmos atenção no nosso comportamento já é um indício importante pois enganam-se as pessoas que compartilham a ideia de que atos amorosos são incompatíveis com a vida secular da nossa sociedade e com nossa sabedoria.

Pessoas capazes de amar em qualquer sistema, em qualquer padaria, em qualquer lar não deveriam ser exceções

“ Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos”. (Discurso final do filme “ O Grande Ditador”, com Charlie Chaplin, 1940).

Quem cala nem sempre consente

Calar-se nos dias de hoje, longe de significar consentimento é minha maneira de não permitir se rotulada “coxinha” nem“petralha”. Engraçado, mas ocorreu agora, que posso estar vivendo num limbo político.

Não concordo com a polarização de rótulos, não acredito que temos capital humano que possa nos tirar da crise com saída política honrosa, num curto tempo. E não concordo que tenha que ser o Judiciário a nos dizer: “Olha, os políticos não tem capacidade de governar com a virtude da honestidade, então, tratamos nós de regular-lhes os vícios e ditar-lhes as regras da governança”.

A ética na Justiça é um valor igualmente capenga.

Calar-se é um sinal de diferenciação quando todos gritam, quando todos tem uma receita milagrosa para a crise. Confesso que de xingamentos e milagres não entendo não. Porém a democracia sobreviverá mesmo estando nossas vidas sob ataque da paralisia governamental, com nosso presente comprometido pelas falhas de um governo inábil para lidar com os pilares da vida pública: economia e política. E raramente vamos corrigi-las no mesmo tempo verbal. Porém não podemos viver sem acreditar em alguma coisa, ainda que seja fora das nossas possibilidades imediatas.

Não há como negar que o momento é de certo desencanto, de perda da certeza, de um individualismo absurdo, onde cada um a seu modo, tenta ser protagonista de uma cena mais bizarra que a outra. Vi amigos liderando movimentos, dei-lhes crédito pelo espírito político altruísta, mas estavam apenas advogando em causa própria e já mostram que o altruísmo tem seu preço.Na onda, já se lançam candidatos a vereador. Num caminho paralelo, que talvez peque pela não transversalidade com os acontecimentos atuais, prefiro fazer escolhas autônomas, dentro do arcabouço da minha crença de viver com coragem e independência, sem preocupar-me em agradar ou constranger os que me cercam.

A pós modernidade é entendida como uma condição de fluxo constante. Onde avançar para um estado diferente é a única possibilidade. Se a política estáradical e agressiva é porqueos políticos aceitam todas as condições e se orientam por más intenções.

Porém, se nós pudéssemos nivelar as diferenças veríamos que quase todos lutamos pela mesma coisa; pelo ideal de romper com o desconforto de viver uma vida pequena, sem perspectiva no presente. Porque o presente é tudo que temos.E nossa racionalidade mostra que ele não está funcionando adequadamente e deve ser reformado.

O sociólogo polonês ZygmuntBauman, ao discorrer sobre momentos de crise diz que os otimistas acreditam que este mundo é o melhor possível, ao passo que os pessimistas suspeitam que os otimistas podem estar certos. E existe uma terceira categoria: pessoas com esperança. Eu me coloco nessa terceira categoria.

Vamos avançar

Vem eleição aí. Sem desviar a atenção do momento crítico que vive o país, precisamos nos ater ao que está para acontecer bem perto de nós; as eleições locais, para prefeitos e vereadores.

Eleições em todos os níveis não deveriam ser apenas disputas entre os políticos, mas uma agenda de interesse nacional e devemos sempre começar arrumando a casa que habitamos. Olha sua cidade, entenda como o prefeito e a Câmara tratam de temas relevantes como saúde, educação, moradia, se combate as desigualdades, facilita o acesso aos serviços básicos, se gera emprego e renda.

Numa escala progressiva é significante o número de políticos locais que mais tarde ascendem em cenários mais amplos, em âmbito estadual e federal. É bom que estejamos um pouco alterados, impacientes e indignados com as práticas políticas e de certo modo estamos mandando um duro recado de que não podem eles continuar a subtrair vantagens das instituições públicas.

Não somos ingênuos e sabemos que em ano eleitoral o discurso muda. A sustentabilidade dos programas assistenciais é garantida, promessa de construção de novas escolas, creches, novos ônibus. Vereadores prometem isenção, independência, mas lembremos que o governo exerce uma atração gravitacional estupenda e quem o apoia recebe afagos e muitos cargos.

O descrédito na política e nos políticos é algo que deve ser repensado. O que deve mudar são as práticas políticas, o agente público tem que aprender, ajustar-se. Preocupa-me que no desespero, tem-se transferido capital político para cidadãos com discursos messiânicos, que embora sejam natural onde a desigualdade impera, são perigosos. Salvador da pátria não existe. O Brasil não muda pela ação de um cidadão, ou pela multidão nas ruas. O Brasil vai avançar porque as instituições são fortes, apesar de parcela de parlamentares que deprecia o Congresso Nacional.

Em meio a esta duríssima crise política, faltam 6 meses para as eleições municipais. Agora quem deve tirar proveito da situação são os eleitores ao retomar o encantamento pela política, cobrar eleição limpa, transparente, discursos afinados com realidade local e comprometimento; isso sim, pode ser a revanche por todo o tempo que foram enganados. Porque alguns políticos parecem tangidos por uma capacidade telúrica de mudar o discurso, de mudar de lado, de transpor qualquer lógica para se elegerem.

Certamente surge um monte de pessoas que estão sendo conduzidos pelo ódio e difamação. A mídia omite, exagera, opina, toma partido.

Membros de instituições publicas, também. É difícil manter-se saudavelmente à margem do que pensam os outros. Porém, nossos valores e verdade são postos à prova exatamente quando as nossas vidas estão cheias de incerteza, medo e inquietação.

Situação e Oposição

Nada que acontece no mundo moderno é imprevisível. Todas as conjunturas políticas são decorrentes de falhas, incompetência e omissões. No mundo globalizado, os governos estão cada vez mais impotentes para gerenciar as crises e os indivíduos estão cada vez mais insatisfeitos com seus governantes.

Tem sido difícil distinguir um partido do outro; a situação da oposição, pois todos se movem dentro do mesmo sistema e estão sujeitos aos mesmos desvios perigosos. Por isso, acho que está em crise o sistema político tradicional como um todo. Nenhum partido representa realmente os anseios da população e, mesmo quem não participou de nenhuma das manifestações, não está satisfeito com o governo.

Aliás, a criação desenfreada e até mesmo a recriação de partidos tem servido apenas para atender interesses privados, para cacifar líderes políticos visando as eleições municipais. Entretanto, esse sistema eleitoral absurdo não é tema de preocupação no Congresso Nacional desde que aprovaram a PLC/75 em setembro do ano passado, após “exaustivos debates” (como pode um tema tão sério ser analisado, alterado e votado em apenas 2 dias)?

É preocupante que dos 65 deputados federais indicados dia 17 de março para integrar a comissão que vai analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, 40 receberam dinheiro de empresas investigadas durante a campanha de 2014. Cerca de 20 desses parlamentares já foram inclusive julgados e são réus.

O deputado que recebeu a maior fatia foi Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), recebeu R$ 732 mil e é favorável ao impeachment da presidente. O deputado Paulo Maluf (PP-SP), vice-campeão, com R$ 648 doados por empresas denunciadas é contrario ao impeachment.Na lista divulgada há sobrenomes famosos como Covas, Bolsonaro, Abi Ackel, Feliciano, entre outros.

Entre os partidos que indicaram nomes para a comissão, apenas PSOL, Rede, PV, PROS e PEN não receberam recursos dessas empresas.

A propósito, não estamos aqui falando da luta do bem contra o mal, do bate boca insuportável entre situação e oposição, mas propondo que conversemos sobre os projetos de poder a qualquer custo, sobre a corrupção e a justiça seletiva, que investiga uns e fecha os olhos a outros. Precisamos aprimorar o debate que está colocado nas ruas, para não perdermos o gancho. São os partidos, os congressistas que irão definir se o governo cai ou não. Cobra-lhes pois, posição. Manifestações de rua podem influenciar o voto dos parlamentares, não podemporém, ultrapassar o poder das instituições.

O processo legal tem seus ritos. É importante que o desfecho da crise que vive o Brasil seja institucionalizado, com decisão do Supremo ou seguindo os trâmites para o impeachment, de forma imparcial. O gigantismo das denúncias impressionam. O deboche dos congressistas é insustentável. E tal atitude se espalha pelos governistas e oposicionistas. Sejamos sérios e não céticos com relação a política!

Balaio de gatos

Não sou filiada ao PT nem ao PSDB e entendo que o momento que Brasil atravessa não pode ser discutido dentro dessa ótica estreita e polarizada. Não são os partidos, embora em todos haja corruptos, mas este sistema político brasileiro, contaminado e voltado para a prática de atos de corrupção, que tem transformado o país e a política numa máquina impiedosa de arrecadar dinheiro para sustentar a burocracia, os escandalosos gastos públicos e a corrupção endêmica, que obviamente não é restrita a classe política, mas que, segundo o cientista político Francisco Sampaio, da PUC de SP o esquema tem se mantido de governo para governo, desde Itamar Franco.

Apesar de termos recuperado o status de país democrático há pouco mais de 30 anos e termos sofrido as revezes de 2 décadas de ditadura militar, não aprendemos ainda a ser livres, a cultivar o pensamento crítico e exercer pressão sobre os parlamentares em quem votamos, para que legislem dentro do que pregaram na campanha política, para que se posicionem publicamente sobre os temas graves que estão balançando a República. É muito ruim este distanciamento entre os eleitores e seus representantes.

É possível destituir a presidente? Sim, apesar do sistema! O processo de impedimento já começou e não creio que configure golpe. Os políticos devem prosseguir com o processo. O impeachment é um instrumento democrático, previsto na Constituição, mas começou mal, porque começou sob o signo da barganha com o presidente da Câmara, um político investigado. E tiveram que barganhar por que?

Porque a base aliada da presidente Dilma é extremamente pulverizada entre os partidos, infiel e gulosa. Ao perceber que o governo do PT perde substância, dobra o preço do apoio. O cientista político Roberto Romano, da Unicamp, assegura que a população sabe que a simples saída da presidente pouco mudará no relacionamento do Estado, que continuará autoritário, pouco democrático e movido à base da corrupção. “Tal fato não se deve a um ou dois partidos, mas a todos.”

Apesar de marcar território e votar sistematicamente contra os projetos do governo na Câmara e no Senado, a oposição ainda não encontrou um discurso honesto e capaz de questionar o governo do PT. O que ocorreu foi que o governo enfraqueceu por si, tropeçou nas próprias pernas, mas a oposição não teve competência para se fortalecer, nem as custas disso.

Seria ingênuo pensar que o destino da nação depende do número de manifestantes que se colocam nas ruas, mas na dúvida a oposição transferiu a responsabilidade para o povo.

O movimento Vem Pra Rua, um dos organizadores dos protestos, contabilizou manifestações contra a presidente, com estrutura de carros de som, adesivos, camisetas, faixas e cartazes em mais de 400 municípios brasileiros e também em 23 cidades de 13 países, entre eles Estados Unidos, Portugal, Espanha, Reino Unido, Suécia e Alemanha.

Ouvi de um amigo um questionamento interessante para o qual ninguém do grupo teve resposta. E você…já se perguntou quem paga essa conta?

Claro que quem foi às ruas sabe. Se estavam manifestando contra a falta de transparência e corrupção, não participariam de algo que não fosse totalmente transparente e lícito, não é?

Conversinha de mulher

Algumas mulheres, inegavelmente, ocupam espaços importantes. São influentes, tomadoras de decisões, dão passos agressivos e decisivos na gestão de negócios, demonstram boa performance como investidoras e doam-se à ações filantrópicas.

Em Taiwan, Jamaica, Croácia, Chile, Polônia, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Brasil e muitos outros países há mulheres governando países. As mulheres estão na BM&F, em Wall Street e nas grandes empresas. Aqui na nossa terra, o Tribunal Regional Eleitoral, o do Trabalho, as duas universidades públicas, UFMT e UNEMAT e a Academia de Letras são presididas por mulheres.

No âmbito político, as mulheres não têm a mesma representação nos cargos mais altos; nenhuma senadora ou deputada federal; apenas uma deputada estadual, duas secretárias de Estado e uma vereadora no Legislativo da Capital de Mato Grosso.

A despeito de haver um monte de mulheres fortes, que são líderes, não há o suficiente no mundo dos negócios nem na política. O Brasil ocupa o vergonhoso 29º lugar nas Américas, que tem a Bolívia na dianteira, como o país que tem maior representação feminina no parlamento.

Conversinha de mulher hoje é falar sobre o êxodo do povo sírio, do financiamento americano de guerras perpétuas, da abertura diplomática entre os Estados e Cuba. Conversinha de mulher é opinar sobre as ações coercitivas da Polícia Federal, do poder de Deus transferido aos homens mortais do Ministério Público. Conversinha de mulher é tentar entender onde vamos parar com tantos desmandos. Acreditam alguns que estamos vivendo um processo de depuração. Depois virá a paz…a tão sonhada paz…Isso sim, é sonho de homem. Mulher não acredita nisso! Não agora!

Conversinha de mulher é por fim analisar os dados dos relatórios sobre a violência contra elas e numa perspectiva realista tentar entender porque o aumento das denúncias e da pena não reduzem as agressões. Conversinha de mulher é cobrar dos governos uma reforma política inclusiva, cobrar educação de qualidade para formar os bons cidadãos para a sociedade que queremos ter no futuro; cobrar resposta rápida e eficiente para controlar as “zicas” que tornam a saúde pública vulnerável.

Em certa medida há um amplo espectro de estratégias para tornar as mulheres mais participativas politicamente, para que elas se preocupem mais com a vida cívica e com os contextos culturais e políticos de suas comunidades e o processo de engajamento naturalmente desperta a cobrança para que se coloquem nas disputas eleitorais, principalmente onde há um eleitorado desgostoso com os políticos homens que estão no poder. Não creio que seja somente questão de gênero, mas também a intenção de promover um emparelhamento de condições para romper e definitivamente deixar para trás os séculos de submissão.

Janela para o diálogo

Ao exercer a cidadania, naturalmente assumimos ares de engajamento político e isso sinceramente não é algo que emerge como se fosse da nossa natureza. É sim, um exercício cultural de realização adotado por indivíduos que interagem significativamente e puxam o debate para si. Na política nada se move ou acontece que não seja por articulação, cobrança e mais cobrança.

Lutas de décadas para consolidar a democracia, para garantir lugar mais amplo para o envolvimento de sociedades plurais na elaboração de planos de governos e estes são sistematicamente abandonados e substituídos pelas velhas práticas do toma lá, dá cá. Tem que cobrar? Tem!

A participação dos cidadãos no desenvolvimento de políticas ou no acompanhamento da prestação de serviços são disposições que dão visibilidade para uma sociedade civil vigorosa e vibrante. Os governos brasileiros tradicionalmente convivem bem com críticas, cobranças, demonstrações públicas de apoio e repúdio e o povo tem conseguido dar o recado, ciente de estar vivendo simultaneamente as duas piores crises; política e financeira.

Não somos espectadores. Somos os protagonistas de nossas existências e responsáveis por manter a vida dentro do padrão que acreditamos ser ideal, somos responsáveis por expressar ideias e defende-las com argumentação séria e procedente.

Janelas precisam ser abertas para o diálogo e não apenas para permitir troca de partido. Não devemos assistir inertes os preços subindo a níveis descontrolados, a corrupção levando para o setor privado recursos que deveriam abastecer políticas públicas, das quais muitos se beneficiariam. Não há como não nos envolvermos nas tomadas de decisões, pressionando a classe política, que em tese nos representa nas esferas mais altas na corte estadual e federal.

Cidadãos e governantes são atores inseparáveis. É pior se você pretende ignorar a política, não tomar conhecimento das audiências públicas que são realizadas, dos movimentos sociais e sindicatos que lutam por determinadas categorias. Parece razoável sugerir que o exercício para desenvolver a cultura do engajamento político comece nos pequenos agrupamentos de amigos e familiares e nas reuniões de organizações sociais.

A participação dos cidadãos nas decisões políticas é a base da democracia. E a democracia, como um processo de liberdade em construção, deve ser recalibrada e reimaginada sempre que o caminho da política não nos ofertar serviços públicos decentes, educação de qualidade, acesso ao sistema de saúde, entre outros.

Num discurso inovador, o primeiro-ministro inglês David Cameron disse que em sua visão de grande sociedade (Big Society) é imprescindível o governo adote abordagem totalmente nova para governar; envolvendo a comunidade e os funcionários públicos nas tomadas de decisões. Em termos gerais, a medida evita pressões, cobranças dos cidadãos quanto aos serviços ofertados, além do interesse real de entregar melhores serviços a população.

A República não tem amantes

No mundo moderno escandalosos casos extraconjugais são frequentemente comentados e explorados pela mídia e opinião pública.

As pessoas e a mídia gostam de saber sobre a vida particular e os ilícitos affairs dos políticos e famosos, como os ocorridos na Casa Branca sobre Eisenhower, Roosevelt (tanto o presidente quanto a primeira dama, Eleanor tiveram casos extraconjugais) e Keneddy?, no Palácio do Planalto sobre Getulio, Juscelino, Collor, FHC e Lula e no Palácio do Eliseu sobre Mitterrand, que tinha duas famílias com filhos em duas casas, Sarkozy e Hollande, citando apenas os casos dos mandatários de 3 países, que deixaram escapar que suas vidas privadas foram, enquanto exerciam a presidência de seus países, recheadas de traições, escândalos e favores sexuais.

Muitos políticos nacionais e estrangeiros são até mais famosos devido à suas extravagantes vidas particulares do que pelo desempenho no exercício dos seus mandatos. Claro que há assédio, claro que o poder torna os políticos mais atraentes, claro que num certo momento as amantes vazam os segredos. Elementar caros amigos!

Não há nenhuma evidência de que a atividade política leve o indivíduo a colecionar casos extraconjugais. O que ocorre é que os deslizes tornam-se públicos, embora o direito a privacidade nas questões pessoais seja direito de todos. Deve sim existir vida privada para os entes públicos.

Lembrando que a dignidade e o respeito devem ser a base da relação entre o público e o privado e que, em certa medida, assumir o privado pode prejudicar uma pessoa pública. É bom deixar claro também que ninguém é amante da república ou de outra instituição qualquer, e que estas também não geram filhos.

No universo do público, o sexo está completamente dissociado de compromisso. Numa rápida visita ao passado, pude concluir que pouquíssimos políticos que conheci abandonaram suas famílias por causa das romances extraconjugais. Alguns não, muitos viveram vidas em jornadas duplas e assim passaram muito tempo com familiares fazendo vistas grossas ou minimizando estes relacionamentos paralelos.

Certa feita fui abordada por uma preocupada assessora que estava tendo um caso, nada secreto com um político amigo. Disse-me que estava arrasada com os comentários de que o tal político abandonaria a família para viver com ela, que negava-me o relacionamento.

Não me contive e disse-lhe malvadamente que isso jamais aconteceria porque o amigo político era uma homem apaixonado pela sua mulher e que se por ventura, ele estava tendo um caso com alguém, essa pessoa seria logo abandonada por ele.  Acho que o romance não evoluiu porque o casamento continua.

Um político casado sustentou uma bela amante por muitos anos. Separou-se e casou-se novamente. Engana-se quem pensa que a amante foi elevada ao posto de esposa. Aparentemente bem casado, dispensou a amante.

Claro que mulheres públicas também traem. Eleona Roosevelt e a princesa Daiana tiveram suas experiências amorosas censuradas e criticadas. Porém, num país machista como o Brasil esses fatos não chegam a manchar a biografia dos políticos. Nem mesmo quando as amantes oficiais são sustentadas com recurso público.

Isso sim, uma vergonha, considerando que os salários que recebem são altos e podem manter as suas expensas a oficial e a teúda e manteúda, o que não seria da nossa conta.

O arco-íris não espera

Estar presente nos momentos importantes da vida em família é um desafio que todos nós enfrentamos. Falta tempo, dinheiro e oportunidade. Mas mesmo que as  dificuldades pareçam perpetuamente intransponíveis, precisam ser vencidas.

Uma vida com significados profundos constrói-se vencendo obstáculos, juntando-se à família e amigos para compartilhar momentos que tarde, muito mais tarde, essas memórias serão a redenção de nossas vidas vazias.

A vida é um evento do qual participamos exercendo múltiplas tarefas. É natural então que nos sintamos exaustos, movendo de um lado para outro, envolvidos em emoções e estresse desde a hora que nos levantamos até o momento em que vamos para a cama. Isso lhe parece familiar, não? Saiba que sua presença é demandada em outras esferas da vida, saiba que sua experiência pode ajudar, acalmar, restituir a segurança. Guarde energia para gastar com o que vale a pena: com pessoas! O mais, tudo o mais pode esperar um pouquinho. O trabalho pode esperar enquanto você contempla o arco-íris, mas o arco-íris não espera você terminar o seu trabalho.

Ser presente de forma plena parece contraditório para aqueles que sacrificam a vida correndo atrás de garantir um futuro rico. Lembro-me então de uma frase atribuída a Henry D. Thoreau: “Você deve viver no presente, atirar-se em todas as ondas, encontrar sua eternidade em cada momento. Os tolos ficam em suas ilhas de prosperidades, vislumbrando outras terras. Mas não há outra terra, não há outra vida, senão esta”.

É profundo imaginar que quando nos colocamos presentes numa situação do cotidiano ou fato extremo, não é apenas a presença que estamos oferecendo, mas a estabilidade, a paz, a liberdade e a generosidade são percebidas na ação de desprendimento e presença. Não podemos nos relacionar e conviver com as pessoas baseados apenas nas condições ideais e na razão. O amor é compassivo, pacificador; traz a calma, afasta o medo e o drama. Estar presente é trazer afago. Para estar presente na própria vida e na vida de alguém, não devemos considerar o tamanho da ajuda que podemos oferecer. Doar-se é em si, um ato desmedido.

Estar presente vai além da presença física. Ser presente é uma oportunidade generosa de ser obediente à consciência desenvolver as habilidades da confiança, da segurança, da compreensão. Ingredientes vitais para o equilíbrio nos relacionamentos.

Estar presente é caminhar entre as histórias que se ouve e o silêncio, é deslocar-se das desproporcionalidades. Não é possível sofrer mais ou menos, não se vive mais ou menos, Ou seja, quando estiver envolvido numa situação, esteja lá com todo seu coração!