Nuvem vazia

Ser vazio significa ser vazio de ego, não ter nenhum pensamento de eu, não no sentido de alguém funcionar como um vegetal ou um animal selvagem – coisas vivas que meramente processam água, alimento e luz solar de modo a crescer e reproduzir-se, mas no sentido de que esse alguém cessa de medir os eventos, pessoas, lugares e coisas do ambiente em termos de “eu” e “meu”.

É como estar na névoa da manhã de um dia ensolarado, ou em uma daquelas nuvens que pairam no topo de uma montanha. Uma pessoa pode esticar o braço e tentar agarrar a névoa, mas, não importando o quanto ela tente agarrá-la, sua mão sempre permanecerá vazia. Ainda assim, por mais seco que esteja seu espírito, a Nuvem Vazia o envolverá com a umidade doadora de vida; ou não importa o quanto seu espírito queime com raiva ou desapontamento, um frescor suave o afagará como o gentil orvalho.

Livro Nuvem vazia, os ensinamentos de  Hsü Yun

 

A encenação dos conflitos

Voce já ouviu falar do Dzi Croquettes?

Um grupo de jovens estudantes talentosos, coreógrafos, dançarinos e rebeldes, que revolucionou a cena teatral brasileira, usando uma filosofia libertária e linguagem escrachada para contestar as instituições e os políticos brasileiros, com humor anárquico. Na verdade, todos os atos do grupo eram políticos e direcionados à puxar outros jovens para o engajamento contra as proibições e perseguições nos temidos anos do regime militar no Brasil.

O Dzi Croquettes falava da repressão sexual, dos valores familiares, da política, da censura, sem ater-se aos critérios tradicionais de classificação, pois até o contrário, não queriam ser categorizados e reconhecidos como homens, mulheres ou travestis. Queriam ser reconhecidos como seres humanos.

O movimento do grupo, todos homens barbados, vestidos de mulheres, considerados indivíduos fora do esquema contaminou uma geração e influenciou pessoas a ter coragem de arriscar, derrubar velhos conceitos e mudar, embora para o sistema, tenham sido considerados seres ameaçadores, transgressores e subversivos. Usavam figurino androgene ou a nudez como palavras que não podiam pronunciar, dançavam de corpos colados, se abraçavam, encenando as desgraças que o povo brasileiro vivia e em alguns episódios tentavam romantizar a dificuldade que o povo brasileiro enfrentava para se expressar em meio às restrições do regime.

Nos anos de ferro da ditadura militar, o grupo foi salvo pelas máscaras e pelo deboche da realidade que feita e vigiada, não podiam mudar. O movimento durou uma determinada fase da história, um período transitório, mas a trajetória do Dzi Croquettes retratou com extrema força um momento eloquente, onde os indivíduos utilizaram-se de todos os artifícios disponíveis à época; figurino, máscaras, pinturas e texto para expressarem-se rebeldes e engajados, encenando as crises de suas próprias vidas.

A arte, a criatividade, foram utilizadas como antídoto ao terror e ao recorrerem aos disfarces, o grupo criou um ambiente favorável de subversão à ordem, representação da moralidade aberta contra as regras de fachadas dos grupos estruturados no poder.

Penso como seria valioso uma performance do Dzi Croquettes para balançar as estruturas da falsa moralidade ao encenar as coisas absurdas que são feitas e reeditadas ao gosto de políticos retrógrados que se acham até no direito de desenhar o modelo de família que devemos ter. Parece deboche o relatório todo atrapalhado da Comissão Especial que discute o Estatuto da Família no Congresso brasileiro, que foi aprovado semana passada, numa tentativa de substituir a Constituição pela Bíblia, como disse um parlamentar.

É preciso saber nadar

São tantas as travessias

Mares revoltos

Fronteiras fechadas

Arames farpados

Homens armados.

É preciso saber nadar

Para não morar no fundo do mar!

Barcos precários, ondas gigantes

Medo gritante

No peito  angustia cortante

Mãos que escorregam, corpos escapam

A vida, a morte no mesmo instante.

É preciso saber nadar

Quando nada mais vale o lar.

Milhas de sonhos distantes

Bombas explodem no horizonte

Querem que fiquemos

Inertes e pequenos

A mercê dos homens armados

bravos soldados!

Crise de confiança

É uma simples constatação que vivemos tempos complexos, com mal-estar generalizado pela falta de solução para toda sorte de problemas econômicos e sociais, que se estendem muito além da política. Vivemos a maldizer a crise que se instalou por aqui e nos golpeia ora o bolso, ora o estado de animo.

Todavia, a democracia nos dá a esperança de que os problemas com a corrupção, o desarranjo econômico e social são apenas uma fase passageira e a qualquer momento tudo ficará bem novamente.

Estudiosos têm debatido a redução da confiança nas instituições governamentais brasileiras e acreditam que a falta de confiança não é apenas do povo com relação ao governo, mas do próprio governo, em relação as próprias tomadas de decisões. E a falta de confiança é a causa da letargia do momento.

O Brasil, um dos maiores e mais populosos países do mundo, é uma terra diversificada e contraditória, marcada por fortes disparidades sociais. Apesar do real declínio da pobreza, o país tem sido moldado pela exclusão social de uma grande parcela da sociedade e pelas diferenças regionais absurdas, que  faz parecer que há vários países dentro do Brasil.

O governo tenta ser capaz de cumprir a promessa de mais justiça distributiva e mais investimento no bem-estar social, porém, segundo creem os economistas, embora o Brasil seja um caminho viável e positivo, continuará enfrentando tarefas e desafios difíceis nos próximos anos.

Há também um crescente reconhecimento de que promover pequenas alterações no sistema atual não é suficiente e que precisamos repensar fundamentalmente um novo modelo de governar o Brasil. Outra área do governo que  precisa de reforma, é a área da transparência e informação.

É bom que o governo esteja sob o impiedoso holofote da mídia, pois isto significa, enfrentar pressão e se virar para mostrar as providencias que estão tomando. Maior transparência leva não só a melhoria da governança, mas expõe igualmente falhas e sucessos das tomadas de decisões e na implementação de novas práticas políticas.

Apesar das reformas iniciadas, graves deficiências continuam a existir na administração, educação e sistema de saúde. Também do lado negativo é preciso assinalar os gastos indisciplinados. Há notadamente alto nível de pessimismo em termos do que o governo pode fazer para controlar esses gastos e influenciar a recuperação da economia.

O Brasil terá que lutar para estabilizar a progressiva perda de confiança por parte dos investidores internacionais e mais dramaticamente, o ceticismo que está tomando conta do povo brasileiro, quanto a habilidade do governo de encontrar uma solução urgente para a crise.

A falta de confiança na política não é um fenômeno novo; não é que as pessoas tenham perdido o interesse, elas estão cansadas de serem penalizadas.

Chaga aberta

A dramática situação de milhares de pessoas que migram buscando um lugar de paz e sustento para si e suas famílias, está assombrando os líderes políticos mundiais e exigindo de nós, cidadãos, cobrança e posicionamento mais humanizado. Há de haver um meio de tornar digna a permanência dos imigrantes em terras distantes.

A resposta só pode ser global, dada a complexidade dos problemas; o aumento da migração empurrada pela pobreza extrema e pelas guerras e a fragilidade da situação econômica mundial. Em 1985, vários países europeus assinaram o Acordo de Schengen, que estabelece um sistema livre de transito de pessoas e mercadorias de um país para outro sem barreiras e com política de visto comum a todos os países, permitindo que o cidadão de um país membro pudesse circular pelos outros países, sem enfrentar qualquer controle.

Porém, nem  entre os iguais há confiança e acolhimento e o Acordo de Schengen tem sido amplamente discutido, no sentido de permitir que os países membros apertem a fiscalização em suas fronteiras contra os próprios signatários, devido a desconfiança, tensão e atrito entre países do bloco.

Milhares de refugiados estão fugindo de países devastados pela guerra, como a Síria e o Afeganistão, para a Europa. Arriscam suas vidas e quando vencem as tormentas do mar, chegam na Itália, Grécia, Turquia e Hungria, são deixados nas ruas.

É indesculpável que os governos recrudesçam a vigilância sobre suas fronteiras para os refugiados e pobres e falham na indicação de uma política humanitária emergencial. Dentro da União Europeia, a Alemanha tem empreendido um esforço gigantesco para minimizar a situação.

Outros líderes mundiais, em vez de abrir os corações e a pátria para os povos desesperados, que fogem da brutalidade e dificuldades inimagináveis, demonizam e rotulam os imigrantes.

Todavia, muitos destes líderes políticos influenciam e contribuem para a desestabilização do Oriente Médio, Ásia e África, enviando carregamentos de armas e tropas. Enquanto investirem nas zonas de guerra, o mundo continuará a produzir um extraordinário número de refugiados e migrantes nos anos vindouros.

Não mais basta assinalar as causas estruturais dos dramas sociais contemporâneo. Estamos horrorizados e comovidos, tocando na ferida aberta e isso talvez estanque as teorizações abstratas ou indignações não reveladoras da origem de todo esse horror.

É preciso que os povos retomem o direito de serem artífices do seu próprio destino, de caminharem sem tutelas herdadas do colonialismo e sem o jugo do mais forte sobre o mais fraco.

A propósito o Brasil já concedeu mais pedidos de refúgios para os sírios desde que o país entrou em conflito. O número é superior ao de muitos países da Europa, como Espanha e Portugal, aponta a Eurostat, agência de estatística da União Européia.

Olhar indiferente

Os haitianos migram sistematicamente desde o estabelecimento dos governos de Jean-Claude Duvalier, o Papa Doc e depois do filho Baby Doc, para fugir das políticas econômicas recessivas e da opressão política praticada pela família Doc, conhecida pela ganância descomunal, que secou os cofres públicos do já empobrecido Haiti. O país além seu sistema político, era administrado também pela Minustah, Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, que era muito questionada. Pessoas relatam que a presença da Minustah dificultava o processo de democratização do país.

Em 2010 aconteceu o terremoto e inesperadamente, o Brasil virou destino migratório. Os haitianos começaram a entrar no Brasil pelas fronteiras no Norte do país, principalmente pelo Acre e não param de chegar, conforme constatei sábado passado, durante uma reunião na Polícia Federal. Nem todos os haitianos que têm chegado ao Brasil estavam vivendo no Haiti. Parte do grupo já vivia como imigrante em outros países, como a República Dominicana, Panamá, Bahamas e Estados Unidos. Dizem que a opção pelo Brasil deu-se, sobretudo devido a crescente dificuldade para migrar para países europeus e para os Estados Unidos, onde adquirir documentos para se estabelecer é muito difícil e também porque a mão de obra asiática barata tem suprido a demanda.

O Centro de Pastoral para Migrante é o lugar do acolhimento na chegada, porque depois eles se mudam para outros locais, dividem casas entre amigos. Apontam a comunicação como a mais difícil barreira a transpor, o ponto que dificulta maior interação dos haitianos com a comunidade local, tanto no trabalho, como em atividades sociais. No Haiti, a língua oficial é o francês, mas a maioria da população fala o crioulo haitiano ou créole. Muitos também falam espanhol e  inglês.

Nas entrevistas que tenho feito, são unânimes em reforçar que o espaço social dos haitianos está limitado ao Centro de Pastoral para Migrantes, que oferece acomodação, comida, espaço para reuniões, além de apoio e encaminhamento para que consigam trabalho. Os haitianos estão vivendo entre si. Não tem havido em nível algum, ação voltada para a inserção deles na sociedade cuiabana. O Cuiabano ainda não dignou-se a dar-lhes importância.

Os haitianos que migraram para Cuiabá vivem uma relação em certo grau ainda simbiótica com a comunidade. Carregam suas tradições e culturas, esperando que a qualquer momento os muros se rompam e eles possam participar mais efetivamente da vida social e cultural de Cuiabá. Embora não estejam, por imposição segregados a um espaço físico, a condição econômica desfavorável encarregou-se de fazê-lo. Há vários mini Haitis espalhados pela cidade. E o sentimento predominante entre os haitianos é assim expressado: “Mwen pati kite Ayiti, men Ayiti pa kite’m” (Parti, deixei o Haiti, mas o Haiti não sai de mim).

A saúde da pátria

Não há situação na vida em que o indivíduo, rico ou pobre, não dependa da ação política. Viver é estar irremediavelmente atado às vontades ou vaidades dos acontecimentos políticos. Somente quando entendemos os meandros das possibilidades de existir dentro de uma realidade política e social adequadas, é que nos importamos e começamos a formular perguntas e buscar as respostas nas entrelinhas, nas atitudes e nas palavras gravadas ou pronunciadas pelos políticos.

Se sofremos com os rumos que as coisas estão a tomar, não é razão para nos omitirmos. Comecemos por reconhecer que as coisas não estão bem e que precisamos de mudanças. Mas sabemos nós o que queremos mudar num país em que a política ora regula, ora descontrola todas as esferas do poder?

Como influenciar o gigantesco o sistema operacional da democracia brasileira, com mais ou menos 66.850 políticos no poder, pelo país afora; presidente da república, Vice, presidente dos Poderes, governadores, senadores, deputados federais, estaduais, prefeitos, vereadores, e os 142.822.046 eleitores, que se inconformados e bem informados mudariam a ordem política a qualquer tempo e acabaria com este sistema de lucro a qualquer custo, que promove múltiplas exclusões e injustiças.

Mudanças são sempre possíveis e ocorrem quando há uma busca determinada, um anseio que consome. Diagnósticos da crise há muitos. Precisamos agora da cura. De saber a verdade, de nos pronunciarmos diante do que dizem ser a verdade, de questionarmos a verdade e estabelecermos um novo modelo de relacionamento com os governos e voltarmos as virtudes republicanas, sobretudo a honestidade, que deve ser a base de tudo.

Maquiavel, analisando um trecho de um discurso de Tito Lívio, prega que quando é necessário deliberar sobre a saúde da Pátria, não se deve deixar de agir por considerações de justiça ou injustiça, humanidade ou crueldade. Deve-se seguir o caminho que leva a salvação do Estado e a manutenção da liberdade, rejeitando-se tudo mais.

Entendo que cada um de nós é apenas uma parte no complexo e diversificado sistema político, razão pela qual, não é fácil definir o conteúdo de uma mudança real, que reflita num projeto de justiça e bem estar. O agir político deve ir além deste que considera como critério primordial, a conquista pelo poder, visando interesses próprios.

Sinais da hipermodernidade

Não pode haver dúvida sobre os avanços que aconteceram nos últimos anos. A vida em quase todos os lugares é muito melhor do que era durante a primeira parte do século passado; comemos melhor, somos mais saudáveis, vivemos mais, há mais oportunidades para ampliar o conhecimento, mas a pergunta persiste: Por que, no meio de tanto avanço e oportunidade, a satisfação tem diminuído tanto?
Porque é a depressão a doença mais comum no mundo ocidental? Doenças funcionais como cansaço constante, a incapacidade de dormir e ansiedade são causados por falha do corpo para adaptar-se às mudança sociais bruscas, atividades excessivas e pressões.

A era tecnológica que deveria nos trazer a liberdade, permitindo-nos uma maior flexibilidade, está de fato, nos consumindo. Pensávamos que seríamos beneficiados pela invenção das máquinas que executam inclusive serviços domésticos, mas continuamos estressados, pressionados pelo tempo, exaustos, porque fomos liberados para produzir mais. O tempo está ficando escasso para dormir, ler e até o sexo está fora da agenda, porque, sim, estamos muito cansados para sexo, também.

A exaustão é agora tão essencial para nosso estilo de vida porque ela nos fornece desculpas para praticamente todos os nossos fracassos.

O ritmo está puxado! E consequentemente, o cansaço tem evoluído para doença. Enfim, estamos todos absolutamente aterrorizados pela instabilidade e mesmo que o trabalho seja estimulante, corpo e mente estão absorvendo informações demais, cobranças demais, incompreensão demais.
Puxamos, esticamos, mas a falta de tempo está sufocando e evidenciando os sinais de irritabilidade, impaciência, raiva mal contida, indignação. Perde-se gradualmente a capacidade de perceber, saborear, desfrutar bons e longos momentos perdidos numa leitura ou lazer com a família e amigos.

A exaustão muitas vezes pode mascarar outro tipo de ansiedade: a ganância, ou uma espécie de cobiça. Pessoas bem-educadas, inteligentes, trabalham alucinadas por bens materiais, ficam exaustas e acham que não podem parar, enquanto que, em verdade, a luta toda é uma questão de manter o status.
Porém, eu diria que nem todo mundo que está esgotado está perseguindo o sonho capitalista. É a sociedade que nos diz que podemos ter tudo, ser quem queremos ser, que devemos abraçar todos os projetos, mas não nos informa a profundidade do colapso a que seremos expostos.

Somos seres propensos a ter momentos de irritabilidade extrema, de carência, nostalgia, alegria, bom humor e tranquilidade. Desejamos paz de espírito e necessitamos que tanto o ambiente quanto os objetos que nos circundam expressem os valores que buscamos.
(O termo hipermodernidade, é utilizado pelo filosofo francêes Gilles Lipovetsky, descrevendo uma nova época onde a ordem social e econômica, juntamente com a cultura, são pautados pelo senso de consumo em massa, que ele nomeia como sociedade da moda).

Falar sobre política não é pauta-bomba

O Brasil é indiscutivelmente um dos países mais importantes do mundo em vários contextos. É um dos produtores de alimentos mais eficientes do mundo e graças aos recursos hídricos e terrestres, será sempre uma potência agrícola muito significativa.
Apesar de certo descaso, nunca teve a condição de líder regional da América do Sul ameaçada. Muitos programas de infraestrutura foram concebidos, outros de transferência de renda foram implantados, mais de 40 milhões de pessoas saíram da pobreza e adentram na faixa de renda média baixa da população.

Agora, diante de estimativas pessimistas, podemos baixar a posição no ranking das maiores economias do planeta. Não é o fim do mundo!
Todos podemos concordar que algo deu terrivelmente errado na condução do governo e da governabilidade, onde há uma estrutura extraordinariamente burocrática e muita corrupção e que o nenhum partido político é melhor do que qualquer outro.
Aliás, não existe uma política partidária coerente no país há muito tempo. Os dois chefes do Congresso, ambos do PMDB, Eduardo Cunha e Renan Calheiros estão provavelmente na lista daqueles que estavam recebendo suborno dos dirigentes da Petrobras e outras empresas.
O desafio de implementar reformas no momento favorável da economia e da governabilidade, não foi cumprido e quando o pendulo oscilou para o outro lado, o governo desestabilizou-se. Já se discute o Impeachment da presidente, como uma probabilidade crescente, embora a maioria dos especialistas afirmam que as investigações não comprovam fatos que a incrimine diretamente. Resta a questão política, que ao fim, é a base de tudo.

Contudo é o Congresso Nacional que irá decidir se o processo vai para a pauta de votação. Isso vai exigir uma votação de dois terços da Câmara e do Senado. Aprovando-se o processo de impeachment, o país teria de realizar novas eleições, conduzidas por quem? Eduardo Cunha! Presidente interino do Brasil.(se comprovado que o uso do dinheiro do Petrolão tenha financiado a campanha. Temer, sendo da mesma chapa e tendo sido igualmente beneficiado, também ficaria impedido de governar dando ensejo às novas eleições.

Este processo, considerando o último que ocorreu, é longo, pode levar mais de meio ano. Interessante é que a classe política não tem feito nada para restabelecer a segurança ao povo, tampouco para acudir e estabilizar a governança. E olha que não estamos falando da política do trivial, mas de uma crise grave e impactante. Quanto a decisão de cassarem a presidente, esta já foi tomada.

Quanto aos cidadãos brasileiros, diria que estão em parte irados e organizando-se para  mobilização de rua, que é um palco democrático, porém performático. Discutir política, falar honestamente sobre a crise e os possíveis desdobramentos, é algo maior. A sorte da presidente está lançada.
Temos que construir uma abordagem mais profunda sobre os riscos da instabilidade política e econômica. Nenhuma crise deve ser avaliada isoladamente, porque fatores internos e externos, que contribuem para o agravamento do cenário, devem ser contextualizados no debate.

Colheita

Olho para o mundo inacabado,
Planto flores, semeio coragem
O que espero colher?
Nada se não chover!
Espreito a vida sem tédio
Sem cansaço e sem temor.
O que espero colher?
Ramos de amor!

Estranho ser somos todos
Incansáveis, insaciáveis e débeis
O que espero mudar?
A mim, criatura pequenina!
Almas desnuda, vontade imprópria
Poesia, romance e remanso.
Para onde vou?