As duas naturezas do egoísmo

Se a consequência do individualismo carecia de base teórica e empírica, uma nova descoberta de cientistas da Universidade de Sidney, na Austrália, pela primeira vez, isolou o gene do egoísmo em abelhas fêmeas. O conceito que era apenas aceito, agora está confirmado. Isso significa que o gene do egoísmo existe e não apenas em teoria, mas na realidade e pode estar abrigado no núcleo das minhas e das suas células.

Há traços do egoísmo em todo processo da nossa evolução. Interesses pessoais não se extinguem, não desaparecem completamente, não são sequer camuflados. Só que as sociedades evoluíram e os laços que unem as pessoas deixaram de ser apenas pessoais e como membros da mesma sociedade e devemos nutrir sentimentos comuns de convivência e compartilhamento harmonioso. Mas a civilização tem suas imperfeições e seus desvios.

O egoísmo separa o individuo de tudo, confina a pessoa em si própria, fecha todos os horizontes. Observadores das Ciências Sociais confirmam que estamos nos tornando mais egoístas; maus modos e grosseria são evidentes. As pessoas trabalham apenas para si, colocam suas próprias necessidades diante das dos outros, e tentam distorcer os acontecimentos das ordens naturais em seu favor quase todos os dias. Todo indivíduo é um ser único neste mundo. Isso não seria um problema em si, mas somos 7 bilhões de pessoas no planeta, se cada um decidir agir individualmente, o que será?

Num estudo sobre o comportamento egoísta das classes sociais, pesquisadores emitiram um veredicto devastador sobre os altos escalões da sociedade. Descobriram que as pessoas privilegiadas frequentemente se comportam pior que os outros em uma série de situações, com maior tendência a mentir, trapacear, tirar os outros do caminho, não parar para pedestres em cruzamentos. Na ponta dos estudos o psicólogo Paul Piff , do Institute Social of Personality observou secretamente o comportamento das pessoas e constatou que os motoristas dos carros mais caros eram a maioria dos que não aguardavam o sinal ou davam preferência aos outros, inclusive pedestres. Interessante ver como o efeito varia entre as culturas. Em raros momentos da pesquisa, ambas as classes se comportaram iguais.

Visto que o egoísmo tem ligações intrínsecas com a ganância, o indivíduo ao ocupar escalões mais altos começa a ver-se com mais direitos e desenvolve um elevado foco em si mesmo, o ambiente social fica mais favorável as suas ações predadoras e ele perde inclusive, a noção dos riscos de seu comportamento fechado em si mesmo.

Sempre nos disseram para não sermos egoístas porque o egoísmo é uma característica ruim, no entanto, contrapondo o estudo apresentado acima, a Stanford Graduate School of Business (GSB), apresenta o egoísmo como um componente vital da recuperação pessoal e afirma que os indivíduos que agem em seu próprio interesse, são mais propensos a ganhar prestígio e reconhecimento de liderança dentro dos seus grupos sociais do que aqueles que apresentam características altruístas e contribuem para o bom resultado da equipe.

Esses resultados não devem de modo algum desencorajar as pessoas no processo de demonstrar generosidade. Eles simplesmente explicam como opera o comportamento do indivíduo que trabalha em um ambiente estritamente competitivo. Na política é bem fundada a presunção de que o homem público que se deixa corromper, é de espírito egoísta, pois antepõe o interesse individual ao coletivo, o próprio bem ao bem comum.

Vendedores de ilusão

Os políticos são sempre os mesmos em toda parte. Eles prometem fazer pontes até mesmo onde não há rios, teria dito o líder político russo Nikita Kruschev.

Aprender a falar “não” é um dos maiores desafios enfrentados pelos políticos, que acabam super-comprometidos com programas impossíveis de se realizar quando se elegem. Tentar ser a esperança e a redenção para todo mundo não é eficaz tampouco sincero. É preciso saber quando dizer não. É bom manter o foco mais estreito e as metas dentro de um estado de controle que o candidato possa segurar pessoalmente. Deveria ser regra  não fazer promessas ao vento. Li uma pesquisa que analisou o grau de sinceridade dos discursos de candidatos americanos e para surpresa, o resultado foi que os discursos dos candidatos lá são frequentemente  sinceros.

Aqui, faz-se outra leitura. Os candidatos devem dizer não quando houver solicitações que são inconstitucionais ou que sejam de responsabilidade de outro nível de poder. A outra opção é contratar pessoas qualificadas que entendam os processos eleitorais e suas nuances, que estejam afinadas com a realidade da cidade e que tenham uma visão humana da condição de vida dos cidadãos. Além disso, o candidato pode perguntar a si mesmo o que, como cidadão gostaria que fosse feito antes de galantear-se diante de pleitos impossíveis. 

Não ignorar as críticas, tampouco colocar-se acima delas, acreditar em si mesmo, no projeto político que empunha e manter-se firme no jogo são recomendações básicas para manter o equilíbrio nos dias que você sentir vontade de jogar a toalha. Mas, para ser bem sucedido, é preciso também de sorte, manter a fé e sobretudo ter bom discurso, que ataque os problemas de frente e que seja específico e claro. Embora os candidatos prefiram fazer afirmações positivas sobre seus próprios planos, interesses e atividades, alguns ainda perdem tempo criticando os programas do adversário. Estranho não? Com tanta coisa para fazer por que ater-se a ler o programa do outro? Isto sugere que quando os candidatos perdem o tempo de propaganda, já escasso para atacar seus oponentes, esse comportamento enfraquece o valor da campanha.

Ainda sobre a pesquisa, os jornalistas e analistas políticos afirmam que frequentemente os discursos inflamados servem apenas para influenciar eleitores desavisados e vulneráveis e tem pouca ligação com o que realmente pretendem fazer os candidatos depois de eleitos. Até porque, depois de eleito, o candidato não governa sozinho. Depende de aprovação de outros poderes para legislar. E os candidatos (todos) sabem muito bem disso e se insistem em transitar entre a linha das promessas vãs e do desrespeito aos eleitores só revela que o candidato é essencialmente um vendedor de ilusões e que dirá qualquer coisa para conseguir o seu voto.

Será que nós sinceramente esperamos que eles façam tudo o que prometem durante a campanha? Afinal, as circunstâncias estão sempre mudando. Uma vez eleitos os políticos têm de se ajustar a situações diferentes em conformidade com o cargo. Contudo, alguns serão bons, outros ruins e nenhum será perfeito.
Estejamos atentos. Promessa de campanha não é sinal significativo das intenções dos candidatos. Há por aí grandes exemplos de pessoas cujos egos estão fora do equilíbrio. Eu vou procurar candidatos encorajados a pensar também com o coração.

A arte de transformar estranhos em amigos

A linha que separa os bons dos maus não passa pelo estado, nem pela divisão de classes, nem pelos partidos políticos, mas vem de dentro do coração do homem, escreveu o russo Alexander Solzhenitsyn.
Resta-nos o desafio de adotar novos modos de pensar, novas formas de atuação, de nos organizar em sociedade, adotar novas formas de vida, encontrar um novo alento na espiritualidade, porque estar vivo deve ser algo mais do que apenas caminhar e falar.
Uma das perdas que a sociedade moderna se ressente com mais intensidade é a perda de um sentido de comunidade. Algo que já existiu num passado nem tão distante e que foi substituído pelo anonimato cruel, pela busca de contato um com o outro principalmente para fins de obter ganhos financeiro, para avançar socialmente ou para viver relacionamento amoroso.
Como a sociedade pode retomar o espírito de camaradagem na sociedade moderna que é centrada na adoração do sucesso profissional?

Nos competitivos, pseudo -encontros sociais focados no trabalho para a exclusão de quase todo o resto é o preconceito que normalmente nos impede de construir conexão com os outros. O que importa acima de tudo é o que está em nosso cartão de visita. Aqueles que optam por passar a vida a escrever poesias, nutrir a alma com conteúdo espiritual acentuado será deixado de lado por estar navegando em sentido contrário aos costumes dominantes.

Todos os indivíduos são partes e são impactados por vários sistemas: familiar, cultural, econômico, político, filosófico, tecnológico, ambiental, linguístico, educacional, entre outros… Estes sistemas são interdependentes, sobrepondo-se, e cada um é, por sua vez parte de um sistema maior. Se trabalharmos menos febrilmente, podemos acolher ideias que nos permitam remendar alguns aspectos desalentadores do nosso mundo fraturado e moderno, que nos fechou em eixos egocêntricos. Observo que no mundo contemporâneo não falta lugares onde podemos nos divertir, comer bem mas o que é significativo é que quase não há locais que podem nos ajudar a transformar estranhos em amigos.

O grande número de pessoas que frequentam bares e restaurantes, cafés sugerem que esses ambientes são refúgios do anonimato e frieza. Em um restaurante moderno, o foco é a comida e a decoração, não há nenhuma possibilidades de ampliação, interação e aprofundamento de afeto. Esses locais reafirmam a existência de divisões tribais e limitam-se a trazer pessoas para o mesmo espaço físico, mas não têm qualquer meio de incentivá-las a fazer contato um com o outro uma vez que estão lá.
Vislumbro uma transformação global silenciosa, como um fluxo de água abaixo da superfície da nossa cultura, que irá nos despertar e nos desafiar a escolher um caminho com um senso mais profundo de solidariedade.

Uma comunidade só poderá ser integrada e saudável se for construída com base no amor e na preocupação das pessoas umas pelas outras. Falar de solidariedade é falar das coisas do espírito. A dimensão espiritual é o único ingrediente que pode fazer as pessoas se unirem.

A retórica dos convencionais

O poder das idéias deveria se sobrepor ao poder econômico, mas não é e nunca foi bem assim. Não foi por acaso que o filósofo Herbert Marcuse afirmou que “na sociedade, há políticos que também se vendem, como sabonetes”.
O senso comum nos diz que um partido político deve ser capaz de definir por escrito o seu programa, defender seus princípios e selecionar seus candidatos próprios para as eleições. Os partidos políticos mais democráticos começaram a selecionar candidatos nas convenções, uma disputa interna, onde qualquer membro filiado pode declarar-se como candidato. Antigamente ouvia-se por todos os cantos: “queremos escolher um candidato que reúna o consenso dos membros do diretório do partido.”
As coisas mudaram muito e apesar de autorizadas pelo calendário eleitoral do TSE, desde 10 de junho passado, as articulações para escolher os candidatos a prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, estão restritas a grupos de interesses e não são discutidas amiúde com os pretensos convencionais, que devem definir, inclusive se haverá coligações com outras legendas. O prazo estende-se até o próximo dia 30.

As convenções partidárias de anos atrás tinham múltiplas funções, mas a principal delas era decidir sobre a plataforma ideal do partido, a posição e afirmações pelas quais o partido se movimentava. Grandes temas eram debatidos nas convenções, que ganhavam atenção da mídia. A convenção revia as credenciais dos candidatos e selecionava aqueles com o melhor registro de trabalhar dentro dos objetivos políticos do partido. A convenção partidária poderia selecionar uma chapa de candidatos para refletir o equilíbrio geográfico da cidade, refletir a diversidade étnica e de gênero.
As pessoas criam os partidos políticos para formular questionamentos sobre temas sociais, se organizam para ganhar apoio para implementarem as ideias e elegem candidatos que irão colocar esses programas em prática. No entanto, o jogo vem mudando num efeito contrário as práticas democráticas de debater ideias. O que aconteceu foi o aumento do poder econômico nas eleições. O sistema político parece estar falhando e a classe política ao invés de corrigir as falhas, tem reforçado-as.
Foi numa convenção nacional que o MDB, presidido por Ulisses Guimarães, com discurso inflamado traçou o plano arrojado de surpreender o regime militar nas eleições de 1974. Do alto da convenção e do fundo do coração, Ulisses Guimarães anunciou que a caravela ia partir. Elegeu dezesseis senadores, o que mudou seriamente a correlação de forças políticas no Congresso Nacional.
É realmente possível ter eleições significativas votando em ideais políticos em vez de votar em candidatos individuais, eliminando totalmente a personalização das eleições.

Grandes temas da história americana foram debatidos em convenções partidárias. A convenção republicana levantou-se contra a escravidão em 1856, os democratas debateram os direitos civis em 1948 e a guerra do Vietnã em 1968.

Na maior cidade do país, a convenção do PSDB aconteceu domingo passado, dia 25, oficializando Jose Serra como candidato a prefeito na sucessão paulistana. O discurso foi pontuado por frases de efeito: “o tempo não desgasta os que lutam e a minha experiência é virtude” para logo em seguida dizer: “não venci todas as batalhas que travei, mas lutei como se fosse a última.”

As ligações complexas entre a democracia e a vida sustentável

A questão hoje é avaliar se os nossos esforços estão sendo suficientes ou pelo menos chegam perto de deter a maré da destruição anunciada nos fóruns ambientais que se realizam pelo mundo, se nossa visão tem sido compatível e ao alcance dos problemas que nos propusemos a resolver. Honestamente, acho que ainda não. Segundo a escritora e ambientalista americana Frances Moore Lappé, precisamos criar uma cultura de responsabilidade mútua, transparência e participação cidadã. Democracia não é apenas votar uma vez por ano, é uma cultura, um modo de vida. A crise ambiental, a disseminação da pobreza são de fato, crises da democracia.

Desde 1987 quando a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente redigiu um documento chamado Nosso Futuro Comum. Fez-nos cientes que a incapacidade de promover o interesse comum no desenvolvimento sustentável é na maioria das vezes fruto da negligência entre as nações, no que se refere a justiça social e econômica. Assim o paradigma do desenvolvimento sustentável vai criando ligações complexas entre seres humanos, economia, política e meio ambiente.
O desenvolvimento sustentável requer um sistema político que assegure a participação efetiva dos cidadãos na tomada de decisões e enfatiza a importância da democracia na resolução de problemas sociais e ambientais. Há dependência mútua entre as pessoas, o planeta e as atividades econômicas. A fonte de recursos da terra é finita e nossa cultura de consumo expõe nosso apetite de devorar tudo o que vemos pela frente.

Ao estabelecermos práticas pessoais para vivermos de modo sustentável, vamos percebendo como os problemas ambientais estão intimamente ligados às desigualdades econômicas e sociais e então, ao trazermos a questão do desenvolvimento sustentável para o debate ambiental, temos que destacar as características do eixo pobreza – meio ambiente. Os danos ambientais causados pelo consumo global recai mais fortemente nos países mais pobres ou em desenvolvimento, justamente os menos capazes beneficiarem suas sobras e dejetos. O crescente número de pessoas pobres e sem-terra lutam pela sobrevivência na base da exploração de recursos naturais e o esgotamento desses recursos por causa sobretudo da ganancia dos grandes agricultores reforça a espiral do descaso com as práticas ambientais

A outra vertente que escandaliza é a nossa cultura perdulária com relação a produção e consumo. Há estudos publicados, não sei se comprovados, que contabiliza dezesseis quilos de milho e soja para alimentar o gado para obter um quilo de carne. Esse mesmo quilo de carne também requer aproximadamente 12.000 litros de água. Na produção mundial de alimentos quase metade de todos os alimentos colhidos nunca é consumido. Este desperdício incrível, que não é exceção, não acontece apenas com a produção de alimentos, estende-se a produção de energia também.

Mas não nos enganemos, as coisas estariam muito piores se essas comissões não tivessem escrito relatórios trinta anos atrás, se a transmissão dos dados alarmantes não tivesse vazado pela internet. Talvez possamos agora nos concentrar em criar um sistema de vida que melhora a saúde, a felicidade, a vitalidade ecológica e o poder social em vez de seguimos com o estigma de sermos seres tão destrutivos.

Não tenhamos medo de sermos inadequados

Há momentos na história em que pessoas de todo o mundo precisam levantar-se para dizer que algo está errado e pedir mudança. Em muitos países houve revolta por causa do desemprego, distribuição de renda, falta de liberdade e desigualdade social, gerando um sentimento de que o sistema político é injusto e está descontrolado. A globalização no estágio atual expôs as mazelas das relações também desempenhou um papel importante disseminando  novas ideias além das fronteiras. A juventude ao redor do mundo começou a acordar e acender faíscas de indignação aqui e acolá. 

Eu estou certa de que novos horizontes surgirão com tomada de decisão corajosa, com ousadia para mudar e quebrar elos poderosos. Ninguém, nenhuma autoridade, nenhuma organização ou qualquer coisa que percebemos como poderosa em nossa realidade pode, eventualmente, vencer á disposição de mudar quando os cidadãos percebem que algo está errado, quando são invadidos por um sentimento de que estão sendo ignorados. 

Ao longo do tempo as desigualdades aumentam e no dia-a-dia as mudanças não são percebidas, as chances de melhoria de vida são afetadas pela má distribuição de renda e pelo descaso, que distraidamente vai se transformando em auxílios governamentais. Mas e o amanhã? Ao pensar no amanhã troque o seu voto por um futuro digno, com possibilidade de produzir, de estudar, de ser tratado com humanidade quando cair doente. Esse mundo é possível se você não perder sua bússola moral.

De você depende o futuro e não do sistema político. Porque o sistema não conseguiu impedir que as crises políticas e econômicas se instalassem, não conseguiu resolver as crises, ele não conseguiu amenizar as desigualdades, falhou em proteger aqueles que são mais fracos, e não conseguiu impedir o crescimento abusivo das grandes corporações. Os políticos ouvem você sobretudo através do seu voto, pois ele determina o rumo que você escolhe, ele pode amplificar a sua voz ou simplesmente deixar enriquecer os ricos à custa do resto da sociedade.

Em um trecho do discurso de posse, no ano de 1994, Nelson Mandela dirigiu-se ao povo sul-africano pedindo-os que não tivessem medo de expressar o seu poder. Disse ele: “Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é que somos poderosos demais. É a nossa luz, não a escuridão, que nos assusta mais. Nós nos perguntamos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e famoso? Na verdade, por que você não seria? Você é um filho de Deus. Representar um papel pequeno não serve ao mundo. Não há nada de iluminado em se encolher, para que as pessoas não se sintam inseguras ao seu redor.”

E por falar em paixão…

Romeu e Julieta – provavelmente é a mais famosa história de amor de todos os tempos. O casal, na verdade é desde sempre, sinônimo do amor. Romeu e Julieta é a história do amor trágico contada pelo poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare. Parece que um grande amor demanda grandes sacrifícios, porque na lista dos namorados mais famosos de todos os tempos aparece em segundo lugar a historia intrigante dos poderosos Cleopatra, rainha egípcia e Marco Antônio, imperador romano que se apaixonaram à primeira vista e apesar de todas as ameaças se casaram, tiveram três filhos, conquistaram impérios e inimigos e, por amor, ambos também morreram.

Tristão e Isolda, outra história triste, que envolve traição e morte é listada como uma história de amor comovente. A bela e corajosa história de Helena de Tróia, considerada a mulher mais bonita de todos os romances, que casou-se com o rei de Esparta. Apaixonado por ela, o filho do rei de Tróia, roubou-a e levou-a de volta para Tróia. Menelaus, rei de Esparta, marido de Helena, destruiu Tróia e retornou para Esparta com Helena. Nos dias mais recentes nos encantamos com a historia da paixão tempestuosa entre Scarlett O’Hara e Rhett Butler, no filme épico “E o Vento Levou”, com a Guerra Civil servindo de pano de fundo para os desencontros, traições e seduções do casal protagonista vividos por Clark Gable e Vivien Leigh.

Mas a história de amor que me fala a alma é contada pelo escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez no livro “O amor nos tempos do Cólera”. Uma bela história que estendeu-se por cinco décadas de espera. Ainda bem jovem Fermina Ariza, filha de um dos mais importantes homens da cidade encontra Florentino Ariza, um menino simples e puro, sem boa aparência.

Os primeiros contatos foram olhares, depois foram as cartas intermináveis. Pouco tempo depois, aos 20 anos, ela se casa com o jovem médico da cidade, Juvenal Urbino. Ele a ama e lhe dá segurança. Juvenal é um médico dedicado a pôr fim à epidemia do cólera. A Florentino resta a espera e a decisão fora tomada. Ele vai esperar por Fermina o tempo que for necessário e estabelece com ela um sistema de troca de amor através de cartas e telegramas. Gabriel Garcia Marquez discorre sobre todas as formas possíveis de amor e não apenas do amor não correspondido de Florentino por Fermina. A trama fala do amor platônico, do amor ciumento, do amor perigoso, do amor adultero, do triângulo amoroso, do amor como arte, sexo, sociedade, aceitação.

O livro é sobre o amor e os personagens existem como veículos para revelar a mais estranha e mais poderosa de todas as emoções humanas; o amor. Florentino é um homem que dedicou sua vida ao amor, em todos os aspectos, jurou amar Fermina Daza para sempre, mas entregou-se a paixões efêmeras enquanto esperava; contabilizou cerca de seiscentos e vinte e duas aventuras amorosas fugazes, mas alimentou sempre o sonho de que seu destino final seria com Fermina. Dedicou a Fermina sua vida, sua profissão. Tudo o que ele fez, foi com a esperança de um dia recuperar seu amor. Ela sabia que ele a amava mais que tudo no mundo. Eles estavam de certa forma juntos em silêncio além das armadilhas da paixão, além dos fantasmas de desilusão: além do próprio amor. Amor, que em Florentino, ás vezes doía em todo o corpo e o único sentimento concreto era um desejo urgente de morrer. Os sintomas do amor eram os mesmos do cólera.

Quando morre o Doutor Juvenal Urbino, Florentino aproxima-se de Fermina e sussura: “Eu esperei por esta oportunidade há mais de meio século para repetir para você o meu voto de amor e eterna fidelidade.” Tempos depois, Florentino recebe um envelope com um bilhete de uma só linha que dizia: “Está bem, me caso com o senhor se me promete que não me fará comer berinjelas. Depois de mais de 50 anos o coração de Florentino foi finalmente preenchido e ele descobriu com alegria que é a vida e não a morte que não tem limites.

Há o suficiente para a necessidade de todos, não há suficiente para a ganância de todos

O grande desafio que todos nós enfrentamos são muito claros: a pobreza corroendo nosso tecido social; nossos ecossistemas sendo devastados; a ameaça bem documentada de mudança climática. E ainda assim muitos de nossos líderes políticos tendem a não colocar estes desafios como prioridades em suas agendas.
Como podemos conciliar a demanda de crescimento econômico com um futuro mais justo e mais sustentável? Estas são as aflições de muitos e também do Arcebispo Sul-africano, Desmond Tutu, que criou um fórum onde pede a jovens selecionados da Suécia, Brasil, Nigéria e China, que discutam entre si se a ideia progressiva do desenvolvimento sustentável é algo que apenas os países ricos podem pagar para ter.

Ao longo do debate, que pude acompanhar via e-mail, sempre recheado de formulações arrojadas, os jovens, quase unânimes afirmam que a maioria dos líderes dos países ricos e pobres colocam os desafios de se combater as alterações climáticas e a injustiça social, como se fosse uma espécie de luxo, algo que deve ser feito, quando sobrar tempo e recurso.
Acreditam que os políticos atuais são muito fluentes em encontrar soluções para crises já instaladas e frustram-se ao constatar que não há comprometimento com soluções de longo prazo, que trariam prosperidade, justiça social e sustentabilidade. Tanto países pobres quanto países ricos tem oportunidades diárias de repensar seus investimentos, visando o bem-estar dos seres humanos.
A jovem sueca admite que seu país é o maior consumidor de energia per capita do mundo e que se cada pessoa no planeta consumisse tanto recurso quanto a média sueca, a nossa Terra não conseguiria fornecer o suficiente. É um país que atingiu um nível de desenvolvimento que nosso planeta simplesmente não pode pagar.

Ela diz que a dificuldade do jovem em promover a mudança de comportamento radical é que eles já nasceram dentro desse sistema de consumo exacerbado, mas certamente não nasceram para aceitar esse estado de comportamento predador.
O jovem brasileiro reconhece a urgência de todos os líderes mundiais abraçarem o desenvolvimento sustentável como prioridade em suas agendas para garantirem um ambiente digno, bem-estar e ambiente seguro para seus cidadãos. Ele aponta a corrupção dos governos como uma das causas que impede a verdadeira mudança, e também o financiamento privado das campanhas políticas, que amarram candidatos eleitos aos interesses dos grupos privados que os financiaram. No Brasil, os interesses de curto prazo e o crescimento a qualquer custo tem gerado desperdícios e impedido a prática de políticas efetivas contra a destruição e a pobreza.
Culpar os governos é uma retórica que aos poucos cai em desuso porque todos nós devemos apresentar alguma alternativa decisiva para uma vida sustentável, seja através de mudanças culturais, compromissos voluntários ou políticas públicas eficientes. Durante as discussões fica o sentimento que o desenvolvimento sustentável pleno só será abraçado pelos políticos se for apresentado como um exercício lucrativo.

Pois bem, tanto o Arcebispo Tutu quanto o grupo de jovens asseguram que o desenvolvimento sustentável não deve ser visto como um luxo, é de fato, a única opção que temos; a vida sustentável tem que ser vista em sua totalidade, como uma maneira de criar um ambiente limpo ao mesmo tempo, gerar emprego e renda, só assim os líderes políticos entenderiam sua premência, falando a linguagem da economia.
A questão do desenvolvimento sustentável não está restrita a plantar árvores, replantar florestas. É muito mais que isso. É plantar o sentimento de pertencimento ao planeta que nutre nossas vidas.
O título do artigo é uma frase do líder pacifista indiano, Mahatma Gandhi.

Nos governos democráticos não deveria existir pobres

Lendo um artigo sobre as democracias desenvolvidas, contextualizando a tendência de que as mesmas possuem foco na base industrial e sistemas de governo complexos, a maioria da população deveria ser de ricos e uma minoria pobre. Claro que num governo democrático, além das diferenças sociais, existem as diferenças étnicas, religiosas e de gêneros. Se o regime é democrático, por que existe a exclusão social? Não existiria um meio de abraçar a todos indistintamente numa forma de governo que seria para contemplar plenamente o povo?
O que percebemos é que as democracias ainda dependem do apoio dos ricos e por isso tendem a praticar a política voltada para o favorecimento destes em detrimento das necessidades dos mais pobres. O governo democrático precisa ter moderada propensão ao apetite pelos resultados financeiros encerrado em si.
A grande fraqueza do governo democrático são suas promessas de fazer, onde as vezes, o esforço de enganar ainda é bem maior do que o esforço de realizar.

Os ricos preocupam-se principalmente com a tributação de riqueza em geral e segurança, os pobres se preocupam principalmente com os benefícios gerais do estado de bem-estar, com escolas, hospitais, segurança, transporte e com os impostos que incidem nos bens de consumo básico.
Levantou-se a hipótese de que a solução para a maioria das questões sociais, tendem a ter impacto sobre a classe mais abastada. Grandes mudanças nos níveis das prestações de assistência social podem alterar o nível geral de tributação e isso amarra as decisões de avançar, porque os governos temem a reação dos ricos. Os governos democráticos precisam oferecer ajuda necessária para a sua população mais pobre, mas de maneira que promova o bem-estar e menos dependência. Entretanto, as estratégias de redução da pobreza só surtirão efeitos se houver conhecimento da percepção dos pobres quanto a sua própria condição . E as condições de vida dos pobres, segundo eles mesmos, são críticas e geralmente negativas. Os pobres tem plena consciência da sua falta de voz, poder e independência. A pobreza os deixa vulneráveis à humilhação e os empurra para a ruptura com a convivência saudável.

É preciso parar de pensar nos poucos, para cuidar de todos. Só assim estreitaremos a lacuna que separa os ricos dos pobres.
Onde quer que ocorra, a pobreza contribui significativamente para a desarmonia social, para o sofrimento e conflitos. Se continuarmos nosso caminho atual vamos permitir que esta lacuna fique cada vez maior. Devemos também sentir a responsabilidade para com os indivíduos pobres da nossa comunidade, nós devemos despertar para a compaixão por aqueles que sofrem, porque a compaixão afirma os princípios da dignidade e igualdade para todos, porém devemos também nos comprometer em assegurar a justiça social, abraçando a causa da redução da pobreza. O governo brasileiro anunciou na noite do domingo, Dia das Mães, o lançamento da Ação Brasil Carinhoso. Segundo a presidenta, um programa para tirar da miséria absoluta todas as famílias brasileiras que tenham crianças com até 6 anos de idade. Para a presidenta é profundamente triste que as situações de extrema pobreza se concentrem com mais força entre crianças e jovens, razão pela qual, o programa prevê a construção de 1.500 creches em todo o país.

Em um discurso antigo, o Dalai Lama disse:“Se somos sérios em nosso compromisso com os princípios fundamentais da igualdade, que eu acredito estar no cerne do conceito de direitos humanos, a disparidade econômica de hoje não pode mais ser ignorada. Não basta apenas dizer que todos os seres humanos devem gozar de igual dignidade. Isso deve ser traduzido em ação.”

A Diferença entre ser mãe na Noruega e no Afeganistão

Quase todas as estatísticas vão muito além de meros números. Neste caso que apresento aqui, o desespero humano, a esperança perdida mostra que às mães devem ser dadas as oportunidades que necessitam para quebrar o ciclo da pobreza e melhorar a vida para si e seus filhos. Todos os anos cerca de 343 mil mulheres morrem durante a gravidez ou durante o parto.
A organização internacional Save the Children publicou o décimo segundo relatório anual sobre as mães do mundo. A pesquisa traz à luz a disparidade entre os tratamentos recebidos pelas mães nos mais diversos países e abre-se corajosamente para o entendimento de que uma mulher entenderia e cuidaria melhor de outra mulher. Relata a falta de profissionais de saúde no mundo em desenvolvimento e na necessidade de mais profissionais do sexo feminino para salvar a vida das mães e dos bebês, porque 50 milhões de mulheres no mundo em desenvolvimento, dão à luz sem ajuda de nenhum profissional. Porém apenas o acesso à educação à mulheres jovens criaria oportunidade de sobreviver, criar os filhos e prosperar. .
Eis a lista dos 10 melhores lugares do mundo para ser mãe: Noruega, Austrália e Islândia, Suécia, Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Bélgica, Holanda e França.

Os 10 piores países são: República Centro-Africana, Sudão, Mali, Eritreia, República Democrática do Congo, Chade, Iêmen, Guiné-Bissau, Nigéria e Afeganistão. Os Estados Unidos classificado, segundo a pesquisa no ranking geral em 31º lugar e o Brasil em 58º.
Num quadro comparativo pode-se ver o alarmante fosso que separa as mães norueguesas das mães afegãs ou etíopes. Na Noruega 100 por cento dos partos são assistidos por profissionais de saúde qualificados, no Afeganistão, menos de 15 por cento, na Etiópia, nem 6 por cento. Na Nigéria, o risco de uma mulher morrer por causa da gravidez ou causa relacionada ao parto é de 1 em 7. Na Itália o risco de morte materna é menos de 1 em 25.000 mulheres. Os números não soam frios, porque a indignação corre as veias. Lembra quando linhas acima citamos a educação? Pois bem, uma mulher no Afeganistão, Angola, Chade e Guiné-Bissau recebe menos de cinco anos de educação formal,enquanto na Austrália e Nova Zelândia, a mulher permanece na escola por mais de 20 anos.

São investimentos rentáveis, que salvam vidas, que deveriam ser prioridade para os líderes políticos do mundo todo.
No Brasil, que ocupa a 58ª posição no ranking, cerca de 51 por cento das mulheres são mães que admitem que não conseguem equilibrar bem o tempo entre o trabalho e os filhos e por isso sentem-se culpadas. No tempo que passam em casa, cuidam dos filhos, escutam suas histórias e os orientam. São mães com tantos rótulos, agrupadas de tantas formas distintas, classe A/B, C/D, mães solteiras, mães adotivas ou simplesmente mães, que revelam o que todos sabemos; a maternidade transforma a vida da mulher, apesar do trabalho, da preocupação constante, da omissão dos companheiros.

No Brasil e na América Latina convive-se com o risco premente da gravidez precoce, são meninas de 15 a 19 anos, geralmente solteiras, que incham as estatísticas de histórias tristes. Muitas tornam-se mães porque foram abusadas.
A diretora executiva da ONU Mulheres, ex-presidente do Chile, a médica Michelle Bachelet, defendeu recentemente uma abertura e favorecimento para maior participação das mulheres nas discussões políticas no Brasil e no mundo. Segundo Bachelet apenas 19 por cento dos parlamentares do mundo são mulheres, quase todas mães e não há democracia, não há desenvolvimento sem um olhar mais carinhoso para as mulheres.