O poder se move antes de o povo votar: a reacomodação política que antecede as eleições

O que frequentemente é interpretado como caos político no período que antecede as eleições é, resultado da combinação da disputa por poder, reorganização partidária, guerra de narrativas, decisões institucionais. Não é desordem, é a política em sua forma mais visível. Não há nada de estranho nas colocações do mesmo nome em composição com candidaturas oponentes. Duas mulheres estão protagonizando o jogo: a ex-primeira-dama do estado, D. Lucimar Campos e a prefeita de Jaciara, Andreia Wagner são citadas como possíveis candidatas a vice-governadoras ora de Otaviano Pivetta, ora de Welligton Fagundes. Isso significa tentativas de mexer no tabuleiro antes do voto, o rearranjo do poder nos bastidores eleitorais. No momento, um grupo tentando atrair outro. Ainda não é hora da aniquilação.

Há também decisões institucionais importantes que aumentam o clima de disputa e tensão, como a renúncia do governador ou prefeitos para disputar outro cargo, a formação de chapas majoritárias, que não cabe todos que querem entrar ou que são indicados.

A reacomodação de poder tanto no plano nacional quanto no estado é um fenômeno recorrente nas democracias contemporâneas. É um processo que costuma começar desde o primeiro mês do ano eleitoral e se intensifica conforme se aproximam prazos legais e decisões estratégicas dos partidos, que estão intensificando seus processos de filiação e se organizando para disputar ou preservar espaços de poder. Porém, mais do que simples movimentações partidárias, esse processo revela como o poder político é negociado, redistribuído e simbolicamente disputado.

Os parlamentares podem até 30 de abril, mudar de partido, as lideranças políticas e empresariais de Mato Grosso, mesmo que não disputem as eleições, redefinem as alianças e ditam as regras na luta pelo controle e para ampliar a influência na distribuição do poder, tanto que as decisões tomadas nesse período raramente são de fundo meramente ideológico; elas envolvem cálculo político, avaliação de popularidade, cálculo de tempo de televisão e o mais cobiçado item, que é acesso ao fundo eleitoral. É o momento de fazer contas, de ler corretamente as circunstâncias, recalcular o valor dos apoios e alianças e agir com antecipação ao adversário.

Ultimamente, com vazamento de informações, muitas vezes intencionais e até estratégicos, essas disputas, que antes eram internas, são visíveis ao público, que embora não as compreendam a fundo, as acompanham com enorme curiosidade e já naturalizam as trocas de partidos, a disputa interna pelo comando partidário e capital político, como está ocorrendo no União Brasil entre o grupo do Governador Mauro Mendes e Senador Jayme Campos. Não há nada além da luta pela distribuição do poder dentro do partido e do estado, numa dinâmica própria do sistema político. Não tem havido exageros de parte nenhuma.

A incerteza é inerente ao processo eleitoral do início ao fim. Não há garantias, o poder está em movimento e nem estamos ainda a considerar o que vem de Brasília para o estado. Aliás, Mato Grosso é politicamente ativo e as complexidades aqui geradas bastam para consumir o processo eleitoral e dominar o debate.

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