São votos menos de entusiasmo e mais de rejeição

O escritor americano Robert Greene escreve livros sobre estratégia, poder e adota uma teoria interessante de produzir textos e ampliar o conhecimento utilizando o que ele chama de “processo de pensamento”, que é o trabalho lento, às vezes tedioso e difícil de descobrir as coisas por si, pesquisando com disciplina e paciência, por período prolongado, revisando, imergindo e focado para compreender os temas profundamente. Gosto de coisas que amadurecem dentro da gente.

Estava eu feliz por haver aprendido calmamente explorar, dar ordens e repreender o ChatGPT, quando me questionam se estou usando também o Grok, Gemini, Manus, Perplexity, o Notion AI, o Claude Code, que, em ano eleitoral são modelos de linguagem essenciais para estruturar textos, entender o impacto de uma medida legislativa, acessar informações rápidas, produzir áudios e vídeos curtos. Enfim, não há tempo para amadurecer as coisas. As eleições gerais de 4 de outubro de 2026 ocorrerão em ambiente de forte disputa, uso intensivo recursos digitais e novas regras sobre inteligência artificial na campanha.

Não basta perguntar ao eleitor apenas em quem ele vai votar. A pergunta sociológica mais profunda é: que medo, que desejo, que pertencimento e que cansaço vão organizar o seu voto? O eleitor medirá qual candidato aguenta o peso do cargo, quem tem estrutura, quem resiste à pressão, quem se mostra competitivo. O voto contemporâneo é cada vez menos apenas partidário e cada vez mais identitário. O eleitor vota em quem parece falar sua linguagem, defende seu grupo, expressa sua indignação ou representa seu modo de ver o mundo. O eleitor decide também por proteção simbólica.
O eleitor observa sinais de força. Para o presidente da Paraná Pesquisa as pautas ideológicas não definem mais o voto dos brasileiros. Compreender a mente do eleitor contemporâneo exige abandonar a ideia de que o voto nasce apenas da razão, do programa de governo ou da fidelidade partidária. Li que o eleitor de 2026 deve ser identificado pelo prisma do cansaço.

Depois de anos de polarização, crises sucessivas e excesso de conflito, uma parte da sociedade pode buscar a pacificação, mas a outra parte continuará exausta, mobilizada pelo confronto, driblando a violência, com medo do futuro, descrente das promessas e sensação de que a política fala muito, mas ainda entrega pouco.

O eleitor de hoje vive atravessado por medos, frustrações, expectativas e pertencimentos instáveis. Ele decide em meio ao excesso de informação, desconfiança das instituições, desgaste da política tradicional e forte influência das redes sociais. A eleição de 2026 tende a ser muito marcada por rejeição. Muita gente não vai votar exatamente por estar apaixonada por alguém; vai votar para impedir a vitória do outro lado. São votos menos de entusiasmo e mais de rejeição. Isso mantém a polarização viva, mas também abre certo espaço para candidatos que pareçam menos problemáticos e mais gestores.

Continua valendo que nem sempre vence quem tem a melhor peça publicitária ou o melhor núcleo duro. Pesam muito, as entregas, avaliação do governo atual, economia, segurança pública, identidade partidária, alianças locais, presença digital, capilaridade eleitoral, credibilidade da mensagem ou a rejeição do candidato. Em campanha eleitoral, até a roupa do candidato importa.

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